Puxa vida, depois de hoje eu acredito até em Coelhinho da Páscoa. Fiquei realmente surpreso por causa das reviews que recebi por causa do último capítulo postado. Eu sinceramente achei que iam me criticar muito por causa do conteúdo do último capitulo que postei. E o mais surpreendente de tudo isso é que eu recebi muitos elogios, e mais surpreendente ainda, nenhuma crítica.

Bom, para falar a verdade, eu recebi uma crítica sim, de uma das minhas leitoras favoritas, a cleopatra-cruz, quer dizer, não so dela, mas eu vou tomar a frase dela como exemplo aqui:

"...mas eu detestei a parte em que o Shao ia bater na Saki, ah e k me deu uma revoltazinha interior (eu como mulher) saber k um homem iria bater assim nela..."

Bom, deixa eu explicar isso, porque eu acho que deve ser explicado mesmo. Quando eu iniciei esse capítulo, eu falei comigo mesmo "esse Shoran vai ser mau". E de fato foi mesmo. Eu tentei fazer dele o vilão da estória, o máximo que eu pude, só que não deu certo, pois o Shoran não dá para vilão. Por isso, eu mudei o personagem Shoran no capítulo anterior. E como conseqüência dessa mudança, o Shoran acabou se tornando um garoto violento, culminando em "quase" bater na Sakura. Entendam que esse "quase" bater foi um artifício usado por mim para aumentar o lado mau do Shoran, o meu objetivo no capítulo anterior era que vocês vissem, nem que seja por alguns instantes, o Shoran como vilão mesmo.

Bom, sobre esse capítulo, já falo logo que esse capítulo em especial é o mais literário que eu já escrevi até hoje, hehehe. Parece que baixou em mim algum espírito de algum grande autor, porque achei esse capítulo simplesmente o melhor já escrito por mim. Tipo, no capítulo anterior vocês viram o Shoran mau, perverso. E como é eu que mando na fic, eu decidi adotar a política "Aqui se faz, aqui se paga". Nesse capítulo vocês verão as conseqüências dos atos de Shoran na vida da Sakura, da Tomoyo e do próprio Shoran.

Boa Leitura a Todos.

Legenda :

- Blablabla - Fala dos personagens

"Blablabla" - Pensamento dos personagens

(Blablabla) - Eu falando alguma leseira.. hehe

Disclaimer : Sakura Card Captor e seus respectivos personagens não são da minha autoria, porém, na minha fic, o destino deles me pertence... hehehe

A cidade de Tomoeda acordou nublada naquele dia. Não se ouvia os pássaros cantando e nem som algum de carro passando ou qualquer outra coisa. Era como se a escuridão cobrisse e dominasse tudo naquela cidade. A maioria da população da cidade de Tomoeda olhava para o céu com certa tristeza e preocupação. Ninguém gostava de começar o dia embaixo de chuva, porém, apesar do fato do céu estar negro, não caía um pingo d'água, só se sentia um vento gélido vindo do oeste, que causava frio na espinha de qualquer um que o sentisse.

No meio desse ambiente um tanto "negro", Shoran Li acordou com um sorriso no rosto. Ainda de pijama, foi até a varanda de seu quarto e observou o silêncio incômodo que se instalava naquela cidade, sentindo também o vento gélido. Achou aquilo um tanto estranho para o "lixão" que morava agora, já que Tomoeda sempre foi movimentada, não tanto quanto Tókio, mas movimentada e sempre de clima bom. Porém, hoje isso não acontecia, hoje, alguma coisa estava diferente.

Shoran Li refletiu sobre isso por alguns instantes, não mais que isso, pois a grande felicidade que ele sentia naquele momento não deixava ele pensar sobre esse tipo de coisa. Pela primeira vez, desde que chegou a Tomoeda, sentiu-se feliz, alegre. Sentia-se como se o seu dever tivesse cumprido, a sua honra tinha sido vingada no dia anterior. Hoje, apenas lhe cabia a tarefa de recolher os frutos dessa vingança.

Após alguns minutos observando o céu negro, Shoran foi tomar o seu banho matinal, com mais pressa do que de costume. O relógio indicava 6:30 quando ele acabou de tomar seu café da manhã. Rapidamente pegou seus materiais escolares e encaminhou-se para a escola.

- Tem alguma coisa especial para fazer hoje, jovem Shoran?

- Como assim, Wei?

- Bom... você está saindo mais cedo do que de costume.

- Digamos apenas que eu tenho que esperar uma certa pessoa chegar na escola, hoje.

- Esperar?

- É, Wei... esperar! Mas, agora eu tenho que ir.

- Tudo bem. Boa aula, jovem Shoran.

- Ok, Wei. Até mais.

E Shoran saiu de sua casa e fez o caminho até sua escola, correndo. Não porque ele tinha medo de se molhar, mas sim por causa do que ele tinha que fazer naquele dia. Queria ser o primeiro a chegar em sua sala, pois não queria perder o momento em que Sakura Kinomoto entraria na sala, naquele dia. Queria assistir de camarote a cara da garota, que já previra, deveria estar horrível, por causa da vingança que ele aplicara nela no dia anterior. Queria mesmo é observar o máximo possível o sofrimento dela, aquela que ousou desafiá-lo. Queria observar toda a dor e sofrimento que Sakura demonstraria naquele dia, e após observar, rir, rir muito da cara dela.

Finalmente, depois de muitos risos e corrida, Shoran chegou a sua sala de aula. Ele viu dois garotos conversando, porém, pouco importava para eles. Sentou-se em seu lugar tradicional e ficou esperando pacientemente, a chegada de Sakura Kinomoto.

Enquanto isso, em uma bela casa amarela, Sakura Kinomoto ainda dormia. Seus olhos ainda estavam úmidos por causa da noite anterior, prova que ela tinha chorado enquanto dormia. Sua face demonstrava certa angústia enquanto dormia, como se tivesse tendo um pesadelo, porém, qualquer pesadelo parecia um sonho comparado ao que ela passou na noite anterior. Uma brisa gélida soprou para dentro do quarto de Sakura, que acabou por atingir a sua delicada face. Sentindo-se incomodada, a garota acordou aos poucos, abrindo seus olhos lentamente, já que os mesmos se encontravam doloridos, por motivos óbvios.

Sakura se levantou e sentou em sua cama, ainda se sentindo incomodada por causa da iluminação, apesar de ser muito fraca no momento. Refletiu sobre os acontecimentos do dia anterior. Desde a vinda de Shoran até sua casa, até o seu último pensamento lógico antes de desmaiar de cansaço, por causa do trabalho de matemática. Observou a escrivaninha, na qual passara quatro horas ininterruptas, tentando fazer o trabalho que Shoran a obrigou a fazer, sozinha. Sentiu seus olhos doerem e vontade de chorar novamente.

- NÃO! – gritou Sakura para si mesma.

- Não, Shoran! Depois de ontem, nunca mais. Eu juro, Shoran... eu juro que eu NUNCA mais irei derramar uma lágrima por sua causa... nunca mais.

Após ditas essas palavras, Sakura foi tomar o seu banho matinal. Naquele momento em que Sakura se preparava para ir a escola, sua mente era uma página em branco, ela não pensava em absolutamente nada, pois não tinha vontade e nem ânimo para tal.

Durante o café da manhã, Sakura mantinha-se quieta.

- Sakura, alguma coisa de errado, minha filha? – perguntou Fujitaka, preocupado.

- Não é nada, papai.. – respondeu Sakura, sem nenhuma emoção.

Fujitaka sabia que havia alguma coisa errada com sua filha, porém, resolveu não tocar mais no assunto, tomando seu café da manhã em silêncio. Naquele momento, na casa dos Kinomoto, o único som que se ouvia, era o som gélido do vento batendo contra as janelas. Era um tanto assustador para Fujitaka, já que os cafés da manhã da família Kinomoto eram sempre muito agitados, com Touya implicando com sua "irmãzinha" e Sakura ficando brava com isso. Porém, hoje era diferente. Hoje não havia a Sakura feliz e alegre de sempre, e Touya encontrava-se ausente naquela manhã, já que saíra mais cedo, por causa de um trabalho. De uma certa maneira, Sakura sentiu-se aliviada pela ausência do irmão, já que naquele momento não estava com cabeça e nem com humor para aturar as brincadeiras dele. Terminou o seu café da manhã. Despediu-se do pai, e se pôs a caminhar normalmente para escola.

Seu relógio de pulso marcava 7: 15, e normalmente precisava de 20 minutos para chegar a sua escola. Porém, mesmo assim, não sentiu ânimo para se apressar, como fazia de costume. Continuou a caminhar no mesmo ritmo.

Na escola, Shoran não tirava os seus olhos da porta. Quando foi despertado pelo som do sinal. Ficou meio frustado ao ver que Sakura ainda não tinha chegado. Naquele momento sentiu a temperatura da sala cair muito, uma rápida olhada na janela da sala justificou o fato, pois uma chuva caia la fora e se intensificava cada vez mais..

"Vai ver ela está atrasada. Mas quem se importa? Ela deve estar tão mal que não teve condições de vir a aula hoje. Que pena.". – pensou Shoran, irônico.

Nesse momento, o professor chegou.

- Bom dia, alu...

O professor foi interrompido pelo som da porta se abrindo, revelando uma Sakura muito triste, abatida e cansada. Shoran, que estava olhando para o professor, alegrou-se ao ouvir o som da porta se abrindo, e fica simplesmente estático ao ver aquela Sakura.

As sensações que Shoran sentiu ao ver o estado de Sakura eram quase impossíveis de descrever. Era um misto de surpresa, ódio, rancor, raiva, medo... Muitos e muitos sentimentos lutavam dentro de Shoran por um espaço, em seu coração mais confuso ainda. Porém, todos esses sentimentos eram negativos, não existia felicidade ou alegria ou algum sentimento do tipo, no coração ou na mente de Shoran, naquele momento. Eram só coisas negativas. Sentiu uma lágrima escorrer em seu rosto. Tratou de enxugá-la imediatamente, antes que alguém visse.

Sakura ainda estava parada no lado de fora da sala, com aquela cara nada feliz, na maior "deprê" (um humorzinho não mata ninguém :P), atraindo os olhares curiosos de todos, para saberem o que havia acontecido com a garota.

- Senhorita Kinomoto... o que significa isso? Está toda molhada!

- Desculpe, professor. É que eu... – quando adentrou a sala, tropeçou e caiu de cotovelo no chão.

A maioria dos alunos saiu de seus lugares a fim de socorrê-la. Shoran teve que usar todas as suas forças para segurar-se em seu lugar. Seu intuito era socorrer a garota também, mas não podia, não tinha o direito de sequer tocá-la naquele momento.

- Senhorita Kinomoto, vá até a enfermaria e cuide desses ferimentos. Senhorita Daidouji, acompanhe a Kinomoto, por favor.

- Sim, professor – disse Tomoyo, ajudando Sakura a sair da sala.

E assim, as duas jovens se retiraram. A sala já estava tumultuada com todos os acontecimentos. Porém, o professor conseguiu conter o tumulto na sala. Shoran, não sabia o que fazer ou pensar de agora em diante. Tentou analisar o que se passava em seu coração, ou em sua mente, mas não conseguia obter resultados satisfatórios. Sua mente e seu coração estavam uma verdadeira bagunça. Tentava colocar ordem em seus pensamentos, porém sua mente insistia em trazer à tona, imagens que ele acabara de presenciar. O estado em que Sakura estava, seus traços, sua aparência, seu olhar, tudo. Conseguiu enxergar cada mínimo detalhe daquela tristonha Sakura. Como se o seu coração obrigasse a mente a cravar essa lembrança em si, como martírio, como prova do quão horrível ele podia ser.

"Mas o que eu estou pensando? Esse era o meu objetivo, não é? Fazer Sakura sofrer, chorar, arrepender-se amargamente de ter me conhecido. E foi o que aconteceu. Mas... por que eu não me sinto feliz agora? Aonde foi parar aquelas sensações de satisfação e felicidade? Não é possível! Eu... sim... eu estou feliz... é! Ela recebeu o que merecia... eu não...".

A confusão formou-se novamente na mente de Shoran. Era como se duas partes conflitantes travassem uma guerra dentro de si. De um lado, o seu "eu", que achava que a vingança foi bem feita para Sakura, e que não teria necessidade de confusão. Do outro, há um novo "eu", que fala que a vingança que ele tinha feito com Sakura, tinha sido um ato desprezível, desumano até. Shoran não conseguia se decidir, e também não conseguia colocar ordem em sua própria mente. Sua cabeça estava começando a doer e sentiu-se tonto. Nesse momento, ele ouviu uma voz.

- Shoran... Shoran, o que foi?

- Ahh... o quê? – Shoran levantou-se de sua carteira, e viu a professora Mizuki.

- Você está bem? Parece preocupado. – disse a professora preocupada.

- Eu não... – Shoran não conseguiu terminar a frase.

- Você sabe como Sakura está? – perguntou a professora.

Nesse momento Shoran fez um movimento brusco. Como se a menção da palavra Sakura fosse proibida para ele. Mizuki, apenas observou cada reação do jovem e sorriu.

- Pode fazer um favor para mim? – perguntou Mizuki.

- Fa-fala... – gaguejou.

- Você poderia ir até a enfermaria verificar como a Sakura está? Eu soube que ela saiu no 1° tempo e nós já estamos no 3°, e ela ainda não voltou.

Shoran tinha medo de ver Sakura naquele momento. Não queria encontrar com ela, pelo menos não por enquanto. Medo. Um sentimento totalmente novo para Shoran. Desde muito jovem, sempre foi o mais corajoso, agora estava com medo de uma simples garotinha. O que estava acontecendo com ele?

- Tu-tudo bem... eu já vou. – disse Shoran receoso.

- Obrigada.

E assim, Shoran saiu da sala e começou a dar passos decididos até a enfermaria.

"Eu não preciso ter medo dela..."

Continuou caminhando a passos firmes até a enfermaria. A cada novo passo que dava, sua coragem ia aumentando exponencialmente. Logo, não sentia mais medo nenhum da garota, pelo menos até ver quem estava vindo em sua direção.

Sakura e Tomoyo conversavam juntas, vindas da enfermaria. Tomoyo parecia estar bem alegre pela "quase" recuperação da amiga. Sakura também conversava, porém ainda não estava cem por cento recuperada. Pôde descansar muito na enfermaria, e com o apoio de sua amiga Tomoyo, ela já tinha se recuperado bastante.

Shoran parou onde estava, e ficou observando elas virem em sua direção. O rapaz viu que as duas pararam de conversar quando Sakura o viu em seu caminho. O semblante da garota mostrava um semblante que Shoran nunca havia visto nela. Parecia um misto de semblantes ofensivos e defensivos, ao mesmo tempo. Tomoyo estava com um semblante claramente preocupado com os acontecimentos que viriam a seguir.

Sakura parou perto de Shoran, e fitou-o nos olhos. Tomoyo, que apenas estava ao lado dela, ainda mantinha seu semblante preocupado.

- Sakura... – disse uma Tomoyo preocupada.

Nesse momento, Sakura ergueu a sua mão, na intenção de dar um tapa em Shoran. O rapaz, por sua vez, bem treinado como sempre fora, percebeu as intenções de sua "adversária". Sua mente ordenava para que ele se esquivasse, mas seu corpo simplesmente não saía do lugar. Era como se alguma coisa em seu corpo dissesse "Você merece isso. Aceite."

PLAFT!

O som do tapa ecoou entre os corredores vazios da escola, naquele momento. O vermelho que se apresentava na palma de Sakura provava, que o tapa tinha sido forte. Após receber o tapa, Shoran virou-se para Sakura e lançou um olhar fulminante para ela. Todas as sinapses em seu cérebro diziam para literalmente matar aquela garota, porém, o único movimento que o seu corpo conseguia executar naquele momento, era de cravar suas unhas nas palmas de suas mãos, a ponto de doer. Shoran estava mais confuso que antes, não conseguia nem mais se controlar.

Sakura ainda ficou observando-o por mais alguns instantes, com um olhar de desprezo. Shoran, por sua vez, só conseguia olhar para o chão. A garota então, finalmente retomou o seu caminho, sozinha, pois Tomoyo ainda continuava parada, junto a Shoran.

"Ele parece estar bem confuso. O que será que se passa na mente dele?" – Tomoyo curiosamente pensava consigo, quando percebeu que Sakura a tinha deixado para trás, e tratou de alcançá-la.

Quando Tomoyo alcançou Sakura, percebeu que seu rosto já estava bem mais calmo, em comparação ao momento em que ela estava com Shoran. Apesar de estar mais aliviada pelo fato da amiga ter melhorado o seu ânimo, ainda residia muita preocupação no interior de Tomoyo.

- Sakura, você ... – começou Tomoyo.

- Não... – pausa longa – Eu lhe contarei tudo no intervalo.

Tomoyo sentiu a sua preocupação cessar um pouco. Em poucos minutos, saberia o que exatamente aconteceu entre Sakura e Shoran durante o trabalho de Matemática.

Shoran ainda se mantinha estático, parado exatamente aonde tinha levado o tapa. Não ousou mover um músculo sequer. Nada mais importava para ele, a única coisa que importava para Shoran naquele momento era colocar ordem em sua mente e em seu coração, que estavam mais confusos do que nunca. Sua cabeça já estava começando a latejar, pois o seu cérebro, pensava em bilhões de coisas ao mesmo tempo, e Shoran simplesmente não conseguia fazer isso parar, muito menos coordenar seus pensamentos.

A sua dor de cabeça já estava se tornando insuportável, até mesmo para ele. Por fim, acabou desmaiando em pleno corredor. Shoran passou alguns minutos desmaiado, e ninguém o ajudou naquele momento, pois aquele corredor, em particular, onde estava era deserto. Pouquíssimas pessoas passavam por lá, principalmente em horário de aula.

Após passar alguns minutos inconsciente, Shoran começou a recobrar a consciência. A primeira coisa que percebeu era que o caos em que estava a sua mente antes do desmaio, já tinha cessado. Após constatar esse fato, levantou-se e ouviu o sinal que indicava o início do intervalo. Ficou aliviado com esse fato, já que agora teria um tempo para pôr as coisas em ordem e planejar o que faria de agora em diante.

Então, caminhou para o lugar onde geralmente ficava durante os intervalos. Ao chegar lá, imediatamente sentou-se aos pés da árvore e começou a meditar.

"Vamos ver... O que a minha mente diz sobre Sakura Kinomoto... A Sakura Kinomoto é..."

Nesse momento, Shoran percebeu que não estava completamente sozinho naquele lugar. Viu Sakura e Tomoyo aos pés da árvore aonde sempre sentavam. Percebeu, apesar de estar meio distante, que o semblante de Sakura era de muita seriedade e o de Tomoyo parecia surpreso, mas também transmitia seriedade.

"Por que será que eu não estou gostando disso? Ahh... tenho que aproveitar esse intervalo para decidir o que irei fazer de agora em diante. Bom, Sakura Kinomoto foi uma das primeiras pessoas que eu conheci aqui. E ela é uma imbecil ignorante, que não tem respeito por mim. É, isso mesmo... – silêncio na mente de Shoran. – Não, isso está errado, ela não é uma imbecil ignorante! O imbecil ignorante aqui sou eu. Desde o começo, quando ela me conheceu, ela queria mesmo ser a minha amiga. Mesmo nem me conhecendo direito. Cara, que fora que eu dei! Depois desse começo perturbado, depois desse fato, os problemas entre Sakura e eu se tornaram uma bola de neve, piorando a cada nova briga ou discussão. No final das contas, eu, o futuro herdeiro do império dos Li, sou o culpado de toda essa confusão. Eu mereci tudo aquilo. Eu mereci aquele tapa, mereci aqueles olhares fulminantes que a Sakura transmitiu para mim hoje, eu mereci tudo. Meu Deus, como eu pude em sã consciência praticar um ato tão terrível como a vingança? Eu não sou mau, eu posso ser um garoto quieto e um pouco anti-social, porém, não sou mau, eu tenho um bom coração... droga! Mas, agora eu pelo menos já vejo aonde errei, e vejo que preciso corrigir esses erros. Só preciso descobrir uma maneira de como fazê-lo."

No segundo andar de um prédio próximo ao lugar aonde Shoran estava, a professora Mitsuke apenas observava o jovem chinês, perdido em seus pensamentos, acompanhada de uma bela xícara de café.

O que tanto observa ai fora cara Mitsuke? – era o professor Clow aparecendo de surpresa.

O seu aluno.. aquele tal de Shoran Li o qual você me falou.. ele me parece bastante confuso agora. Porque será?

Com certeza deve ser por causa da Sakura Kinomoto. – disse Clow em tom misterioso

Sabe Clow.. As vezes acho que você sabe mais do que aparenta saber.

Eu sempre sei mais do que aparento saber cara Mitsuke. – Disse Clow em tom mais misterioso ainda.

Humm.. Aquela ali não é a Tomoyo? – disse Mitsuke ao Clow.

- É ela sim. Vamos apenas observar cara Mitsuke.

E assim, os dois mestres apenas se limitaram a observar o que se passava.

Dos seus mais profundos pensamentos, Shoran despertou, ao ouvir uma voz.

- Levanta – era Tomoyo, com um semblante muito alterado.

- O quê? – perguntou Shoran, confuso. Nesse momento Sakura, que vinha correndo atrás de Tomoyo a alcança.

- Tomoyo, o que você... – perguntou Sakura, com uma voz confusa.

- Levanta logo, Shoran Li! – ordenou novamente Tomoyo, com um tom de voz mais alterado ainda.

Shoran viu que não ganhava nada desobedecendo a uma "ordem" da amiga de Sakura. Então, decidiu se levantar.

- Pronto. Agora me diga o que você quer.

- Isso...

Nesse momento, Tomoyo ergueu seu punho direito em uma clara intenção de dar um belo soco de direita na cara de Shoran. Muito hábil, Shoran imediatamente percebeu as intenções de Tomoyo, e novamente seu cérebro o ordenou para se esquivar do golpe. Porém, assim como aconteceu com Sakura, o seu corpo novamente paralisou contra sua vontade. Resultado: Shoran levou o impacto do soco em cheio e acabou caindo no chão. Levantou-se quase que imediatamente, e lançou um olhar furioso para cima de Tomoyo, porém, esse olhar era totalmente desarmado por causa de um olhar mil vezes mais fulminante que Tomoyo lançava contra ele.

- Você...

Tomoyo aproximou-se de Shoran e agarrou-o pelo colarinho do uniforme da escola. O rapaz estava sem reação, sem defesas. Shoran estava lidando com uma garota que possuía um olhar fulminante mil vezes maior que o dele, e ela estava agarrando o seu colarinho. Se Tomoyo o atacasse de verdade, Shoran viraria o saco de pancadas dela, literalmente. Shoran estava sem reação alguma.

- Você... como você ousa? Como você ousa tratar a minha amiga Sakura desse jeito? Seu MONSTRO! – Tomoyo parou de falar, e apenas fitou-o com fúria nos olhos.

Shoran ouviu atentamente cada palavra que Tomoyo pronunciava. Particularmente, tomou um susto ao ouvir a palavra MONSTRO sendo designada a ele.

"Ela tem razão. O adjetivo MONSTRO é a palavra que mais se enquadra a mim, no momento. Eu realmente sou um monstro, mau e sem coração que maltratou uma garotinha que só queria ser a minha amiga!"

- Como você pôde? Como você teve coragem de... – suspirou. - E eu pensando que você era uma boa pessoa, apesar de todas as brigas e discussões que você tinha com a Sakura. Eu não achava que você era mau. Como eu estava enganada, ou melhor, como eu pude me enganar tanto? Estava na cara que você não era uma pessoa boa. – Tomoyo parou de falar, e ficou observando a reação de Shoran mediante as suas palavras.

"Mentira, mentira, mentira... mil vezes MENTIRA! Eu não sou uma pessoa cruel. Eu sou uma boa pessoa. Acredite em mim, eu sou uma pessoa boa, sim! Eu não sou mau! Eu não sou cruel! Porém, os meus atos recentes provam o contrário. Meus atos recentes provam realmente que sou uma pessoa má e cruel, assim como Tomoyo disse. Mas como? Como eu posso me redimir perante Sakura? Como posso pagar tamanha dívida que eu tenho com ela nesse momento? Como?"

- Foi vingança, não é? – Tomoyo abaixou o seu tom de voz, a fim de fazer com que somente Shoran a ouvisse, pois Sakura ainda se encontrava próxima a eles.

Shoran tomou um susto novamente ao ouvir a palavra vingança. Vacilou ao responder, pois estava imerso em seus pensamentos.

"Vingança. Maldita seja essa palavra! Maldita seja a hora em que eu pensei nela! O que será que tomou posse de mim ontem? Eu não sou assim, eu não sou uma pessoa vingativa. Não, mas porque, então? Por que será que a Sakura mexe comigo a tal ponto de me fazer pensar em vingança? Por que? POR QUE?"

- Agora eu entendo tudo, Shoran. Você ouviu a conversa entre Sakura e eu, e também ouviu quando comentei sobre a dificuldade da Sakura em Trigonometria. E aí, você já tinha todas as informações que precisava, aí só precisou usar essa sua mente diabólica para arquear um plano de vingança perfeito para machucar Sakura o máximo possível, NÃO FOI?

"Ela percebeu..."

- Sim. Foi isso mesmo!- respondeu Shoran, tristemente.

E quanto ao arranhão na bochecha de Sakura? Foi você que o fez, não foi? Quando vocês estavam sozinhos na sala, NÃO FOI? – falou Tomoyo, em tom alterado, porem, baixo para que Sakura não a ouvisse.

"Ela me lê como um livro."

- Sim, foi isso! – respondeu mais triste ainda Shoran.

- Seu covarde! Você não é humano, Shoran. Um humano não faria tais coisas.

"Tem razão!"

- Agora me escute aqui, Shoran Li. Se você ousar TOCAR na Sakura novamente eu juro que você se arrependerá para sempre do dia em que conheceu Tomoyo Daidouji! Está me entendendo?

- Tá...

Tomoyo finalmente largou o colarinho de Shoran e distanciou-se dele. Pegou o braço de Sakura e a tirou de lá, deixando Shoran sozinho e perdido em seus pensamentos.

"Sim. Sakura tem razão! Tomoyo tem razão! Todos têm razão! Sim... eu... eu já sei o que fazer, e terá que ser hoje mesmo."

Mitsuke e Clow, que apenas observavam, no final de tudo isso já tinham semblantes bastantes preocupados .

Eu não deveria permitir isso. Isso é contra as normas da escola. Eu vou ter que..

Não Mitsuke. Deixe que eu resolva essa situação do meu jeito. – disse um calmo Clow.

E porque você acha que o "seu jeito" é melhor que o "meu jeito"? – pergunta Mitsuke desafiadora.

Porque o "meu jeito" vai fazer com que a cena que nos presenciamos agora pouco nunca mais se repita. E alem disso, é com o seu amigo Clow que você esta falando. – disse com um sorriso nos lábios.

Clow, so porque nos dois somos amigos desde sempre ou so porque nos dois fizemos faculdade juntos, você não acha que.. – enquanto ela falava, Clow a olhava atentamente com um semblante terno.

Ao observar Clow, Mitsuke para imediatamente de falar, e da um longo suspiro.

Tudo bem Clow, faça a sua maneira entam. Mas saiba que eu so vou deixar você fazer isso por causa do fato de nos sermos amigos de longa data.

Será que é so por causa disso mesmo? – disse Clow em tom muito misterioso

O que! – disse a confusa Mitsuke.

Nesse momento o sinal toca, indicando o termino do intervalo. Clow apenas limita se a dar um terno sorriso a Mitsuke, que se encontrava bastante confusa com tudo aquilo. Clow não estava somente feliz por causa da Mitsuke, estava também feliz pelo o fato que lecionaria no 2° ano no próximo tempo, e sabia que seria particularmente interessante hoje.

A sala estava uma bagunça, porem, quando os alunos viram o professor Clow entrar na sala de aula, todos rapidamente se aquietaram e se dirigiram para os seus respectivos lugares.

Obrigado pela a cooperação. Bom, vamos direto ao assunto hoje. Quero os trabalhos de matemática que tinham como data de entrega hoje.

Alguns alunos imediatamente se levantaram dos seus respectivos lugares e começaram a depositar sobre a mesa do professor os trabalhos de matemática feitos em dupla. Após alguns minutos, Clow percebeu a ausência de um trabalho de uma dupla bastante familiar.

Sakura. Shoran. Podem vim a minha mesa por favor. – disse o Clow um pouco alterado.

Sakura e Shoran imediatamente se levantaram de seus lugares e se dirigiram ate a mesa do professor. Sakura mantinha uma postura corajosa e não demostrava um pingo de medo, já Shoran estava visivelmente abatido. Características que, lógico, Clow percebeu imediatamente.

Posso Saber porque vocês não entregaram o trabalho de matemática de vocês?

Pode sim.. é porque.. – disse Sakura em tom mais corajoso ainda.

Nesse momento, o coração do Shoran apertou e, inexplicavelmente, o de Sakura também. Alem disso, também não conseguia completar a frase que serviria como uma vingança "quase" perfeita contra Shoran Li.

É porque.. é porque.. – Sakura tentava de todas as maneiras terminar a sua frase, porem as suas palavras não saiam.

"Porque eu não sou capaz de disser ao professor que nos não fomos capazes de fazer o trabalho por causa de Shoran Li. Porque eu não sou capaz de me vingar dele por todo o sofrimento que ele me fez passar? Porque? Porque!"

Não me importa as razões, o fato é que o trabalho de vocês não esta aqui e saibam que eu não aceitarei mais esse tipo de coisa vindo de vocês. Estão me entendendo? – disse um alterado Clow.

Sim senhor – disseram Sakura e Shoran em uníssimo.

Muito bem, saibam que a 1° nota de matemática de vocês será um ZERO, agora, podem voltar as seus lugares.

Sakura e Shoran voltaram aos seus respectivos lugares. Sakura estava visivelmente abatida, e sentia vontade de chorar, porem, não o fez, alguma coisa dentro de si dizia que ela tinha feito certo, porem, não compreendia porque não falou a verdade ao professor. Shoran também se mostrava abatido ,porem não por causa daquele professor idiota ou por causa da sua nota, e sim, por causa da Sakura. Porem, não tinha tempo para pensar nisso agora, tinha que se concentrar no que faria daqui a alguns instantes,

O sinal bate, indicando o termino do 4° tempo. O professor Clow sai. Se passam 20 minutos e nada do professor do 5° tempo chegar. Nessa altura a classe já estava em algazarra. Shoran viu que era o momento certo para por o seu plano em ação. Vendo que Sakura estava logo a sua frente, inclinou-se um pouco em sua mesa e falou baixo, a fim que só Sakura o ouvisse.

- Precisamos conversar.

Após dito isso, levantou-se de sua carteira e se dirigiu até a porta da sala, aonde abri-a, e depois saio. Sakura ficou meio que sem reação perante aquilo, porém, entendeu o recado e o seguiu.

"Não tenho medo mais daquele babaca!"

Shoran ficou aguardando Sakura sair da sala para que pudessem conversar a sós. Sorriu internamente ao ver a garota sair da sala.

Sakura se encontrava com um olhar muito agressivo, o de Shoran, porém, transmitia mais ansiedade e talvez medo.

- Fala. – começou Sakura em um tom de voz seca e sem sentimentos.

- Se você quiser resolver os seus problemas comigo, vá até a antiga cerejeira nos fundos da escola, no final da aula de hoje. É só.

Dito isso, Shoran entrou em sua sala novamente, e deixou Sakura meio confusa para trás.

"E agora? O que eu vou fazer?"

E você pergunta isso para mim Saki? huehuehuehuue... Nem eu sei imagina você, né? Bom, mais um capítulo postado. Tipo, eu considero esse capítulo a minha obra prima, acho que o escrevi muito bem. Julgo eu que a estória ficou meio cansativa, mas eu prolonguei esse capitulo porque queria que o leitor sentisse cada pontinha de sofrimento do Shoran, espero ter conseguido isso.

Também gostaria de comentar sobre a participação do Clow e da Mitsuke nesse capitulo. Bom, como vocês puderam vê, eu dei uma "chacoalhada" nesse casal super fofo, eu ainda não sei exatamente qual é o futuro deles, por isso to aceitando sugestões hein?

Gostaria de agradecer as reviews maravilhosas que eu recebi. Agora vamos ao "Correio do Miseno-san"

cleopatra-cruz : Que bom que o meu plano deu certo. Mas era essa a minha intenção, preparar vocês para um novo Shoran que nunca viram. Gostei da sua crítica, me ajudou a pensar melhor nas cenas em que eu coloco na minha fic. Quanto a professora Mizuki, você logo saberá o papel dela na trama... hehe... obrigada por continuar acompanhando e até mais.

Makino : Legal... mas calma lá... o Shoran ainda não se sente atraído pela Sakura.. mas, vamos ver o que vai acontecer mais para frente... heheh... vlw por Ter lido e gostado do capitulo... flw...

MeRRyANNe : Roubar o 1° beijo da Sakura... humm... até que não é uma má idéia, mas se eu colocasse eu estaria copiando a idéia de uma fic que eu li há algum tempo, e eu odeio copiar... Mas não se preocupe, beijo na minha fic sempre rola... hehehe... ah sim... quanto a Mizuki, queria fazer dela uma personagem bem independente, por isso eu a fiz sair da Toudai.

Musette Fujiwara : Definitivamente uma das melhores ou a melhor review que eu já recebi de alguém. Vlw mesmo cara. Quanto a Mizuki, espere e verá... hehe. Eu já sabia que o Shoran não dava pra vilão, mas eu tentei né? Na minha fic a Sakura é explosiva mesmo e não leva desaforo pra casa não. Espero que tenha gostado desse capitulo. Ate mais..

Mannu Slytherin : Aee sua "atrasada". Bom, primeiro eu gostaria de te agradecer por causa do favor que vc me prestou Domingo. E tb quero te agradecer pela a sua review (apesar de esta atrasada).Bom, quanto ao Shoran, vilão ele não pode ser mesmo, mas mesmo assim, eu gostei de trabalhar com esse lado "negro" dele, adorei escrever aquela parte em que ele quase bate na Saki(apesar de ninguém ter gostado). Bom, sobre uma Saki vingativa, bom.. eu acho que ela já se vingou o bastante nesse capitulo né? O que vc achou dele? Obrigado por tudo e ate beijocas minha linda revisora !

Data Prevista para o Próximo Capitulo : 04/09/2006

PS : Estou alterando um pouco o dia de postagens da minha fic. Não se preocupem, ainda vai continuar semanal, porem, agora vocês verão um novo capitulo da minha fic toda a Segunda Feira, por causa de diversos motivos. Espero que continuem lendo a minha fic mesmo assim. Vlw ae e ate o próximo capitulo hein!

Miseno-san