Nenhum de nós recebeu punições por ter usado magia na frente de trouxas, mesmo porque, nos dias seguintes, quando todos ficaram sabendo da queda de Lorde Voldemort, houve uso inconseqüente de feitiços por todo mundo. Em algumas semanas os trouxas nem se lembravam mais da balburdia que houve naquela noite. Os bruxos da Ordem da Fênix puderam finalmente regressar aos seus lares, os comensais capturados foram levados a julgamento e a maioria foi sentenciada a Azkaban, Pansy se matou pouco depois, já que, segundo alguns guardas, ela não parava de rever o dia em que Malfoy se matara. A Ordem foi dissolvida.
O bebê de Hermione nasceu semanas depois, grande e saudável. Gina e eu nos casamos logo no mês seguinte, numa festa grandiosa, mais por insistência da sra Weasley, que queria que sua única filha se casasse com toda pompa, do que por mim mesmo ou a própria Gina, que agora era bastante conhecida por ser a sra Potter.
Nós passamos alguns meses morando num apartamento alugado num bairro trouxa. Eu não guardava boas lembranças no Largo Grimmauld. Não conseguiria morar ali como se fosse apenas uma casa antiga herdada de meu padrinho, mas não podia negar que a localização era ótima. Quando a poeira baixou, eu mandei demolir a casa, o que nos possibilitou nos livrarmos das cabeças de elfos e das várias coisas enfeitiçadas com adesivo permanente. Monstro quase teve uma síncope, e Hermione ficou sem falar comigo por uma semana por causa dele, mas depois a reconstruímos novamente, um pouco menor, mais simples, mas do jeito que eu e Gina gostaríamos que fosse. No fim das contas essa se mostrou uma boa idéia, já que no segundo mês de gravidez descobrimos que Gina teria dois bebês, e por isso um dos quartos teria que ser bem maior que os demais!
Eu pedi também, já que agora as pessoas me dotavam de uma autoridade que eu não sentia realmente que possuía, para a prefeitura reformar a praça em frente ao Largo, mas sem mexer na fonte. Ela continua lá, intocada, mas voltou a jorrar, graças a um feitiço que a própria Gina lançou, achando que a fonte sem vida era muito triste. Uma vez eu passei por ela procurando o gnomo, não que eu quisesse modificar qualquer coisa na minha vida, apenas por curiosidade, mas não o encontrei. Imagino que ele troca de lugar sempre, para que a última pessoa que o encontrou não possa contar a outro onde encontrá-lo, senão fica muito fácil, e, afinal, eu me convenci de que devemos pensar muito bem antes de fazermos um pedido, principalmente se você acha que não vai conseguir realizá-lo, porque as conseqüências podem ser realmente cruéis.
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E então? O que achou?
Tô sem palavras, cara! Isso tudo aconteceu mesmo? – Rony recolocou a última folha de volta na pasta, meio pálido e ainda de boca aberta.
Aconteceu sim... – Harry recostou-se no sofá. Sabia que não era uma história fácil de se acreditar, apesar de tudo que ele já havia passado.
Quer dizer que Gina e eu morremos? Eu não conheceria meu filho? Gina iria ter um filho com o Malfoy! – ele gritou essa última parte, com os olhos extremamente arregalados.
Shiiiiu! Fala baixo, Rony! Você é a primeira pessoa que fica sabendo disso, e acho que vai ser a única! – Harry falou observando se ninguém os ouvira.
Você nunca contou isso para Gina?
E por que eu contaria? Ou melhor, como eu contaria? – ele olhou o amigo indignado.
Bom... Você me contou, não é?
É, mas... É diferente... Achei que você resistiria melhor aos fatos, principalmente depois de ver que deu tudo certo... – ele pareceu meio inseguro agora.
Caramba! – Rony voltou a mirar o nada, embasbacado. – Quer dizer que eu tentei matar você? E ainda por cima tinha um rolo com a sua irmã mais nova! – ele olhou para Harry sorrindo: - Pelo menos você teve uma amostra de como é ter uma irmã mais nova!
Ha ha!
E Hermione se casou com um louco que batia nela... Caramba, Harry! Como você agüentou tudo isso sozinho por tanto tempo?
Sei lá... Por isso resolvi escrever, mas vou lançar um feitiço nesses documentos para que ninguém possa lê-los... Eu só precisava que mais alguém soubesse, mas não quero que você comente nada com Hermione ou Gina, ok? Acha que consegue? – ele olhou o amigo, preocupado.
Deixa comigo, cara! – Rony falou animado. – Depois que virei um Inominável adquiri facilidade em guardar segredos. E depois não queremos as duas nervosas, não é mesmo?
Não... Não que...
BUM!
Caramba! – Rony levantou-se de um pulo, largando a pasta no chão e espalhando as folhas pela sala.
Que será que foi isso?! – Harry perguntou assustado. – Rony! – ele apontou as folhas no chão.
Será que as crianças estão bem? – Rony pulou as folhas e correu para o pé da escada.
Com um aceno de varinha Harry reorganizou as folhas e as guardou novamente. Ia a direção à escada também, mas nem precisou completar o movimento. Quatro crianças cobertas de fuligem e com as caras muito assustadas desciam correndo.
Pelos tamancos furados de Merlim! – Rony berrou. – O que foi que vocês aprontaram?!
Um olhou para a cara do outro e nenhum deles respondeu nada.
Expeliarmus! – Harry bufou. Três varinhas voaram até a mão dele.
Desculpe, papai... – Nicole se prontificou.
Foi sem querer... – Nataly se explicou.
Só estávamos tentando fazer um feitiço que a mamãe nos ensinou... – Derek falou de cabeça baixa.
Mas vocês sabem que menores de idade não podem fazer magia fora da escola! – Rony se descontrolou.
Na verdade, papai, - Conrad, o filho mais novo de Rony, lembrou. - , menores de idade que nunca foram para a escola não são castigados por fazer magia fora da escola! – ele se empertigou. – Mas eu avisei que não ia dar certo, mas eles não me ouvem! – ele olhou para o irmão e as primas com a cara emburrada. – Já que eu sou muito novo! – fez uma careta.
Pois, bem! – Harry interveio. – Estão os quatro de castigo... – eles tentaram protestar, mas ele levantou energicamente uma das mãos e os calou. – Vocês três ficarão sem as varinhas até chegarem ao Expresso...
Mas é só daqui a três semanas, papai! – Naty tentou.
Exatamente! E você, Conrad... – ele tentou pensar em algo.
Vai ficar sem histórias antes de dormir por uma semana! – Rony completou. Conrad pareceu inflar, como fazia sua avó quando estava brava, mas não se defendeu.
Mas o que aconteceu aqui?! – Gina abriu a porta de entrada e abanou o rosto para afastar a fumaceira que agora invadira o ambiente.
As quatro crianças e os dois adultos se encolheram um pouco. O garotinho que vinha segurando a mão de Gina tossiu e fez uma careta.
Vocês tentaram colocar fogo na casa?! – Hermione perguntou em seguida, já retirando a varinha da bolsa e limpando o ar com um feitiço.
Vocês já voltaram... – Rony falou com um sorriso amarelo.
James! – Harry se abaixou para receber um abraço do filho mais novo. – E então, como foi lá? – ele beijou o filho e se voltou para a esposa e a amiga.
Tudo bem... – Gina respondeu. – O medi-bruxo falou que ele está apenas com uma gripe. Só precisa de repouso. – mas sua expressão não estava nada boa.
O que houve aqui, afinal? Vocês estão com uma cara bem suspeita! – Hermione cruzou os braços sobre a barriga proeminente.
E estão cobertos de poeira também! – James relatou. – E cheirando a queimado! – ele circulou os primos e as irmãs.
Eles tentaram fazer um dos feitiços que você ensinou, Hermione! – Rony respondeu tentando fazer a acusação recair sobre a esposa.
Hermione tomou fôlego para responder, mas Harry foi mais rápido: - Já tomamos as varinhas deles e os deixamos de castigo! – falou seguro. – Inclusive o Conrad! E o que o medi-bruxo falou sobre vocês? – ele emendou de uma vez.
O sorriso de Gina finalmente se abriu, Hermione também, embora um pouco relutante. Os dois homens e as crianças pareceram voltar a respirar normalmente. Hermione fez um aceno com a mão chamando os quatro pequenos infratores e, com um feitiço simples, limpou suas roupas.
Vamos ter outra menina, Harry! – Gina finalmente baixou a guarda e foi abraçar o marido.
Legal! – as gêmeas exclamaram.
James fez uma careta de reprovação, acompanhado por Conrad. Derek continuou indiferente. Rony sorriu orgulhoso com a nova sobrinha.
Que bom, meu amor! – Harry exclamou. – Vai se chamar Lily, certo? – perguntou inseguro.
Claro! – ela sorriu. – Eu prometi, não foi?
E você, Mione? – Rony se sentou ao lado dela, esperançoso.
Hum... – ela sorriu também. – Vamos ter outro menino, Rony!
Legal! – foi a vez dos dois meninos festejarem.
Bom... – Rony não conseguia parar de rir. – Quem sabe na próxima?
Que próxima?! Você pretende engravidar, Ronald Weasley?! – ela se levantou de um pulo. – Não vai ter próxima!
Por que vocês não trocam? – James perguntou displicente, assistindo tudo do último degrau da escada. – Assim a tia Mione fica com uma menina e eu ganho um irmãozinho!
James! Não é assim que funciona! – Gina protestou.
Por que não? – ele balançou os ombros sem entender. – Eu não quero ser o único garoto dessa família!
Por que não? – Harry tentou, indo até ele e sentando-se a seu lado. – Nós dois seremos os maiorais na casa! – ele estufou o peito. – Nós é que mandamos! Na minha ausência você é o homem da casa!
Sério! – ele sorriu com os olhos brilhantes. – Então não precisa trocar!
Humpf! – Gina resmungou. – Resolvido o problema! – e girou os olhos sorrindo para Hermione.
Quer dizer que na ausência do meu pai eu sou o homem da casa? – Derek perguntou. – Quer dizer que sou eu que mando quando ele está no serviço? – ele olhou de esguelha para Hermione.
Você i era /i , Derek Ronald! – Conrad bufou muito sério. – Agora que você vai para Hogwarts i eu /i é que sou o homem da casa! – ele apontou o próprio peito estufado.
Estou feita! – Hermione exclamou sorrindo para os filhos. – Pensando bem acho que posso pensar em tentar mais uma vez!
Claro que podemos! Mamãe tentou sete vezes afinal! – Rony respondeu.
Também não exagera, Ronald!
Todos riram. James saiu da escada e começou a fuçar a sacola próxima aos pés da mãe. Encontrou os sapos de chocolate e os distribuiu a todos. Em pouco tempo os meninos discutiam o direito de ficar com as figurinhas que as mães e as gêmeas rejeitavam. Rony se pôs em uma discussão ferrenha pelo direito da figurinha que conseguira com o sapo que ele abrira, ainda não desistira de completar sua coleção. As gêmeas se puseram a discutir sobre a possibilidade de serem escolhidas para casas diferentes e Derek se lembrou da preocupação que o assolava: ser o primeiro Weasley a não ir para Grifinória.
Harry observava toda aquela balburdia do alto do degrau em que estava sentado. Seu coração parecia inflado, leve. Há onze anos sua cicatriz não doía. Há onze anos ele conseguia ter uma vida normal, apesar de ainda ser reconhecido na rua. Há onze anos ele podia se dizer, verdadeiramente, feliz. Bem acima de sua cabeça, e ele havia acabado de notar, seus pais e seu padrinho lhe sorriam e acenavam dos quadros que ele mandara pintar. Harry teve certeza de que estavam felizes com a escolha que ele tinha feito.
N/A: Deixem uma autora feliz: comentem!!!!
