Capítulo 7 – União
Mitsuki podia sentir os primeiros raios da alvorada a tocar-lhe o rosto, ao virar-se instintivamente nota que não estava mais em um chão de terra e sim em um quente e macio tecido que separava seu corpo do chão duro. Mais à frente ela nota uma fogueira que continha peixes sendo preparados e perto da fogueira, com um olhar pensativo, estava o homem que a machucara tanto: Sesshoumaru.
A princesa senta-se em sua confortável cama meio sonolenta, esfregando os olhos ainda um pouco inchados de chorar. Ela olha para o youkai à sua frente e fala em uma voz baixa:
- Bom dia, Sesshoumaru. – Seu tom era doce, todo o fel tendo sido retirado dele depois daquela boa noite de sono, e seus olhos não deixavam a forma do príncipe nem por um instante. – Como me encontraste?
O jovem youkai olha para Mitsuki e depois volta a ficar pensativo.
- Segui você a noite toda, princesa.
Mitsuki levanta-se com um meio sorriso nos lábios, vai até onde Sesshoumaru estava sentado e toca-lhe o ombro. Depois de ajoelhar-se, ela lhe dá um pequeno beijo na bochecha e diz:
- Muito obrigada por tudo, Sesshoumaru. Mas... um beijo por seus pensamentos.
- Realmente queres saber meus pensamentos? – ele fala um tanto exasperado. – Estou pensando que você quase encontrou seu fim na noite passada, Mitsuki. Faz idéia de quantos perigos passou sem nem notar? Não usou seus sentidos, não pensou que sua morte seria uma tristeza para seus pais... Realmente eu gostaria de entender o que se passa nessa sua cabecinha.
- Não, não faço idéia de quantos perigos passei, Sesshy – ela diz no mesmo tom calmo com um suspiro enquanto sentava-se mais confortavelmente ao lado do youkai. – Quando estou muito triste, entro em um tipo de transe e não consigo notar nada ao meu redor. Sei que falaste que sentimentos são coisas de humanos, mas, se for assim, eu prefiro ser considerada um deles a ser uma pedra que não sente nada.
Quando ela olha de novo para Sesshoumaru, seus olhos voltavam-se a encher de lágrimas, as quais ela prontamente enxuga com as costas das mãos antes que tivessem uma oportunidade para cair.
- Foi isso que mexeu tanto comigo, Sesshoumaru. Mas ainda bem que eu tenho um príncipe tão forte e valoroso para me proteger, não é? – ela consegue esboçar um meio sorriso na direção do príncipe.
Súbito, Sesshoumaru puxa a princesa para seu colo, abraçando-a com força e falando baixo próximo de seu ouvido:
- Você não entende, não é? Não entende que é a única que consegue me deixar desse jeito, sentir praticamente as mesmas coisas dos vermes humanos? Não entende que não quero que nada de ruim aconteça com você? – Ele sorri nos sedosos cabelos da jovem. – Nunca achei que talvez começasse a pensar como meu pai.
Mitsuki fica muito surpresa, para se dizer o mínimo, e sem reação diante das palavras que o ouvia pronunciar. Não conseguia acreditar, era aquilo tudo mesmo verdade? Ao levantar o rosto e vê-lo sorrir, percebe que suas palavras eram de fato verdadeiras e o abraça com tanta força que faz ambos irem ao chão. Mitsuki fica agarrada nele em silêncio por algum tempo até que pequenos soluços sacodem seu corpo.
- Obrigada... – Seu tom de voz era tão baixinho que, não fosse pela sua audição mais aguçada, Sesshoumaru duvidaria ter ouvido alguma coisa.
- Obrigada pelo que, minha princesa? – O príncipe olha para ela meio exasperado e arqueia a sobrancelha, sem saber o que fazer. – Por que o choro?
- Obrigada por tudo, meu príncipe – ela responde entre soluços e sorrisos. – Obrigada por ser assim, do jeitinho que você é e por não ter um coração de pedra. E choro porque estou feliz, muito feliz.
Mitsuki o abraça mais forte e enterra a cabeça em seu ombro, mal conseguindo conter-se de felicidade.
- Também me importo com você, mas como não posso protegê-lo fisicamente, quero fazê-lo emocionalmente, quero cuidar de você, Sesshy. Você é o youkai com o qual eu mais me importo no mundo, não sei por que, apenas sei que é assim.
Sesshoumaru sorri novamente diante das palavras da jovem.
- Realmente, acho que nunca vou entender vocês garotas. – Ele senta-se de novo, com a princesa no colo. – Tem certeza disso? Não quero que se arrependa depois, pois vivo em batalhas e tenho muitos inimigos.
Mitsuki separa-se um pouco de Sesshoumaru, o suficiente apenas para olhá-lo nos olhos novamente, então dá um fraco tapinha de brincadeira em seu braço.
- É claro que tenho certeza. Não poderia ter tanta certeza de algo quanto isso. O caso é se você não se arrependerá de casar com alguém tão inútil quanto eu e que só sabe ficar chorando – ela pergunta rindo.
- Isso não quer dizer que não quero que você saiba se defender, Mitsuki. Bem, trataremos disso depois, agora quero que coma. – Pega um dos peixes coloca-o em cima de uma grande folha.
- Tudo bem. Obrigada pela comida! – Feliz, a jovem youkai pega a folha das mãos de Sesshoumaru e come satisfeita, sem ter notado antes o quanto estava com fome. Parecia uma pequena criança em uma manhã de natal, de tanta felicidade que irradiava e que parecia fazê-la brilhar como o sol.
Em poucos minutos, havia terminado a refeição, quebrando todos os códigos de etiqueta existentes, e olhava para o príncipe com expectativa.
- Bem, o que quer fazer agora? Talvez um banho relaxe mais depois dessa longa noite. – Sesshoumaru alisa o rosto da bela garota com delicadeza.
- Por mim tudo bem. Vamos!
Ainda com a mesma animação, Mitsuki levanta-se agilmente e, puxando Sesshoumaru pela mão, como que brincando, sai da caverna. Ela sente o cheiro de água próximo dali e ambos dirigem-se para lá.
Ao chegarem ao local, o príncipe e a princesa se deparam com um grande lago, provavelmente extensão do rio da noite passada, no qual desaguavam não só uma, mas duas cachoeiras.
Sesshoumaru se despe com naturalidade, dando em seguida um bom mergulho nas águas que naquela hora estavam um pouco geladas, para depois olhar Mitsuki, esperando-a.
A princesa, vendo que Sesshoumaru a observava, vira-se de costas para ele e despe-se devagar, uma vagarosidade quase provocante. Peça após peça caía no chão e ali ficavam, como que abandonadas, até que Mitsuki, em toda a sua beleza natural, corre e mergulha. Fica submersa por alguns instantes, mas então emerge próxima de Sesshoumaru.
- Ah! Eu adoro nadar, não sei como vivi tanto tempo sem isso.
Sesshoumaru então fala com a voz rouca de desejo:
- E você não se cansa de me provocar, não é, princesa?
- Tem certeza mesmo que eu te provoco, Sesshy? – Mitsuki responde sorrindo, seus olhos violetas brilhando. – Juro que nunca reparei nisso, mesmo.
- Lógico que tenho, já tive outras mulheres, mas nenhuma me provocava tanto quanto você. – Ele vai andando devagar na direção dela, fazendo-a ir em direção à parede de pedra natural da cachoeira em um ponto onde não caía água, "aprisionando-a". – Pronto, agora você não poderá fugir.
Quando vê que ele lhe aprisiona entre as pedras, sem nenhuma chance de escape, Mitsuki apenas sorri e enlaça seus braços ao redor do pescoço do príncipe.
- Mas quem disse que eu quero fugir, Sesshy? - Ela leva uma delicada e macia mão ao rosto dele e acaricia-o com ternura. – Você não gosta que eu te provoque, meu príncipe?
- Uma coisa é provocar uma vez perdida, outra é isso acontecer muitas vezes. – Ele coloca as mãos na cintura dela, levantando-lhe um pouco, a jovem pode sentir o corpo dele tomado de desejo por ela.
Mitsuki fica bastante corada ao sentir o corpo de Sesshoumaru, o que faz sua beleza realçar-se ainda mais, então encosta sua testa contra a dele, sem deixar de agradar sua face nem de olhá-lo nos olhos cor de âmbar.
- E sempre tenho esse efeito sobre você, Sesshy? – ela pergunta com um sorriso meio sedutor.
- Sim, sempre, princesa. E é por isso que fico tão irritado, pois meu desejo é grande, e não poder fazer nada por ele chega a ser frustrante. – Apoiando o corpo de Mitsuki nas pedras, guia a própria cabeça na direção do busto dela, começando a beijá-lo.
- Ei – ela o interrompe por um breve momento, levantando a cabeça dele gentilmente pelo queixo. – Creio que fiquei te devendo um beijo, não?
Após dizer isso, a princesa abaixa sua cabeça de encontro à dele e o beija apaixonadamente nos lábios, fazendo o desejo de ambos aumentar ainda mais.
Sesshoumaru retribui com fervor o beijo. Agora, usando o próprio corpo, afasta as pernas dela, uma para cada lado, sussurrando:
- Assim não agüentarei, princesa.
Mitsuki interrompe o beijo por um momento, então olha nos olhos cheios de desejo de Sesshoumaru, tanto quanto os seus, e com a voz rouca e sedutora, consegue apenas falar:
- Eu te amo, Sesshy, mais do que tudo. Sentes o mesmo por mim?
- Sim, sim. Você me faz sentir-me um bobo, não sabendo o que falar, sentindo-me ridículo, mas mesmo assim quero você comigo, quero protegê-la, tê-la em meu colo, abraçá-la. Você me faz sentir coisas que eu nunca havia sentido antes de conhecê-la, Mitsuki. – E antes que ele mesmo percebesse, já era tarde demais. Havia falado tudo o que estava em seu coração abertamente pela primeira vez desde que se conhecia por youkai.
Vendo a verdade nos olhos do príncipe, Mitsuki apenas assente com a cabeça que sim, um pequeno sorriso a adornar seus lábios vermelhos cor de sangue.
Sesshoumaru pega o corpo de Mitsuki nos braços muito gentilmente, como se tivesse medo de quebrá-la, e sai do lago com ela em seus braços, depositando-a logo em seguida no macio tecido de suas próprias roupas, e foi lá, naquele dia, onde os dois amantes em meio a calorosos beijos entregaram seus corpos e corações um ao outro com volúpia até o anoitecer.
