Capítulo 6 – Encontro romântico com McGonagal.
Claro que eu não fui a aula na Segunda-feira. Eu não ia aparecer publicamente até que tirasse aquela blusa ridícula.
Tentei pôr uma blusa, casaco, tudo...por cima daquilo, mas nada adiantava! As letras eram tão fortes que apareciam por cima de qualquer coisa!
- Tem certeza Lily? Hoje tem o Bins. Você é a única que consegue prestar atenção em cada palavra, anotar, e mais: não dormir!!! – Chris me implorava.
- Não! A não ser que eu ache um contra-feitiço, não me movo daqui! – retruquei sem tirar os olhos de um dos vários livros que fiz as meninas trazerem da biblioteca.
- Tá, tá...mas acho que você está fazendo uma tempestade num copo d'água. – Chris revirou os olhos e saiu juntamente com Dai e Kath.
Ignorei o último comentário e fiquei por mais de duas horas ainda ali enfiada nos livros.
Após esse tempo, minhas pernas começaram a adormecer e fui obrigada a ser deslocada para fora da cama.
Comecei a pular pelo quarto para tentar fazer minhas pernas voltarem a me obedecer, mas como demorava resolvi dar uma volta pelo Salão Comunal.
Não ia ser uma looonga volta, mas ia ser bom esticar as pernas.
Estava eu a andar pela escada distraída e pode-se dizer até feliz, quando olho para os sofás perto da lareira e...a felicidade acaba...
- Ah não.
- Oi para você também, Lily... – James estava deitado no sofá ainda com a roupa que eu tinha posto nele. – Que coincidência! O que faz, uma menina tão estudiosa, aqui, matando aula?
- Não é da sua conta. – disse enquanto empurrava as pernas dele para fora do sofá para poder sentar-me. – Mas até parece que não sabe o motivo! – mostrei as letras e levantei a capa, o moletom, o outro casaco e as duas blusas deixando a vista a que ele havia feito para mim. – Como conseguiu? Não some por nada!
- Os Marotos tem seus segredos...como você acha que conseguimos tantas azarações por todos esses anos para o Seboso? – ele piscou um olho zombeteiro para mim. – Temos nossos mistérios...
- Hum... – olhando-o assim de perto, sem gritar, sem ninguém em volta para influenciar os estouros que dou e sem estar ocupada enforcando ele, até que...ele é hum...charmoso. Idiota, inútil, imbecil, egocêntrico...mas charmoso.
- O que está olhando? – ele sentou no sofá me olhando interessado.
- Agora quer invadir meus pensamentos também, Potter? – falei virando o rosto para a lareira antes que ele o visse muito rubro.
- Sabe Lily...por que não esquecemos as inúmeras brigas e guerrilhas e fazemos um tratado de paz...? Temporário! – acrescentou se aproximando fingindo indiferença e pôs o braço em volta dos meus ombros.
- Por que eu não estou interessada em acordos, Potter. – falei frisando bem o "Potter" e me levantei. – minhas pernas já estão despertas e desejam me encaminhar de volta para os livros. Tchau.
Subi quase correndo as escadas e bati forte a porta.
Não fiquei com tanta raiva de James, digo, Potter. Até porquê é meio difícil ficar zangada quando um garoto parecendo um pato dá em cima de você. É até hilário, de certo ponto de vista.
Depois de Lily fugir de mim correndo...de novo, deitei no sofá e fiquei pensando no que poderia fazer para tirar aquela droga de roupa.
Ouvi um grito de felicidade vindo de cima das escadas:
- Yes! Consegui! Achei!
- Espera...ela disse que ia "voltar para os livros". Será que ela achou um contra-feitiços? – falei comigo mesmo.
Subi as escadas devagar mas tinha esquecido do feitiço que protege o dormitório feminino e acabei escorregando pela escada que havia se tornado uma rampa.
Tentei pular por cima da escada dos garotos, mas a única coisa que consegui foi bater com o braço no chão.
- Au!
Tentei novamente, mas dessa vez, subir pelo corrimão. Obviamente cai e me machuquei novamente.
- Idiota! Afinal, sou um bruxo! – bati com minha mão na testa, peguei minha varinha e apontei para a porta do dormitório masculino. – Accio livro!
Sou realmente um completo infeliz. Ela havia dito "livros" e não que estava só com UM livro.
Ouvi fortes batidas contra a porta e a Lily gritando:
- Mas, por Merlin, o que é isso?! – de novo alguns estrondos. Provavelmente ela estava empurrando os livros para longe da porta (ou procurando algum...ou as duas opções). A porta se abriu e Lily saiu com um livro grande na mão. – Foi você, Potter?
- Eu... – se gritasse "accio livro" novamente, os livros iam vir todos em minha direção outra vez. Então sem pensar direito no que fazia, apontei a varinha para Lily e sorri. – Accio Lily!
Na mesma hora, Lily veio voando, gritando e estacionou bem em cima de mim.
- James Potter! Mas o que você pensa que está fazendo?! – ela disse ainda deitada em cima das minhas costelas.
- Anh...respondo assim que conseguir respirar de novo...
Ela levantou, se endireitando, pegou o livro do chão e me ajudou a levantar.
- Obrigado. – ficamos em silêncio. Ela esperando uma explicação e eu uma desculpa.
- E então...?
- Você conseguiu achar o contra-feitiço, né? – falei como quem não quer nada.
- E se tivesse achado? – ela levantou uma sobrancelha, e defendeu o livro atrás das costas.
Fiquei novamente com cara pensativa, e sem que ela esperasse, peguei aquele tijolo gigante e saí correndo.
- Potter! Me devolva isso já! – ela foi atrás de mim.
- Não! Preciso mais que você.
- Deixe de ser criança...devolva o meu livro! – ficamos correndo em volta do sofá. Mas quando vi que estava quase me alcançando, corri para a abertura do quadro e fui para fora do Salão Comunal.
Então, esta é a história da minha vida que contarei aos meus filhos: eu, com 17 anos, correndo por Hogwarts, vestindo uma roupa de marinheiro e uma blusa "propriedade exclusiva de Lily Evans", carregando um pesado livro, fugindo de minha namorada, - que por sua vez usava uma blusa com uma cantiga de roda – que passei 6 anos tentando conseguir ao menos um "olá" simpático.
Fugi em direção ao Salão Principal enquanto Lily gritava descabelada.
- Estamos matando aula, seu idiota! Se eu receber uma detenção por sua culpa eu te mato!
No meio do caminho tinha um Filch. Um Filch tinha no meio do caminho.
Sim. O nosso amável zelador, Filch, estava logo na frente da porta do Salão Principal. Mas eu estava tão rápido que não consegui parar e então...bom...o resto dá para imaginar: Filch no chão gritando que iria nos torturar até que suas mãos se cansassem, Lily – que também não conseguiu parar – tentando, em cima de mim, me enforcar, e o livro embaixo da minha cabeça, não ajudando nenhum pouco a deixar essa situação mais confortável.
Bem naquela hora o quarto tempo de aula acabou – herbologia – e vários alunos viram a aquela trágica cena.
Sabe, ultimamente, eu tenho me acostumado a pagar micos graças a minha ruiva.
- Potter! Me dê esse livro, droga! – Lily se levantou rapidamente, muito vermelha, ao mesmo tempo que eu levantava e escondia o livro atrás de mim, como ela tinha feito.
- Potter e Evans, parem com isso! Vou chamar o diretor. – Filch gritava inútil já que nós o ignorávamos.
- Me dê, Potter. A-go-ra... – foi assustadora a cara dela, mas ignorei e continuei a me afastar.
Ela então me "abraçou" para tentar pegar o que queria.
- Hum...sabe, acho que vou fazer isso mais vezes. – eu disse provocante.
- Nem pense nisso... – então ela conseguiu pegar o livro e o levantou bem alto, como seu eu não pudesse pegar! Há! – A-há!
Mas a felicidade não durou muito, pois McGonagal apareceu atrás dela, arrancando-o da mão de Lily.
- Senhorita Evans e senhor Potter. Me acompanhem, agora. E Filch, confisque esse objeto, até segunda ordem. Mantenha bem longe desses dois.
- Eu-vou-te-matar-Potter. – Lily sussurrou trincando os dentes.
- Muito bem. É muito vergonhoso alunos da minha casa se portando dessa forma! Primeiro todas as confusões desde que entraram nesse colégio, e agora esse ano está pior! Confusões em treino de quadribol, no Salão Principal, e hoje, além de novamente provocarem um alvoroço, ainda matam aula! – McGonagal estava mais vermelha do que eu. Só que ela de raiva e eu de vergonha E raiva. – Principalmente a senhorita, Evans! Logo nossa monitora! Monitora-chefe! – eu sabia! Eu sabia! Sempre sobra para mim.
- Desculpe, professora. Mas a Lily não...
- Quieto Potter! Você ainda não foi chamado a depor.
- Depor...? – mas James foi interrompido de novo. Mas espera...ele tinha tentado me defender?!
- Os senhores precisam me explicar o que está acontecendo...
- Bem... – James começou, mas novamente foi interrompido.
- Você não, Potter! Você já é um caso perdido.
- Mas, você disse "os senhores"! Eu acho que devo me incluir... – respondeu rindo, achando que McGonagal finalmente tinha enlouquecido com tantos anos de visita dele e de seus amigos.
- Calado! – ela disse séria.
- Professora, desculpe. É que estamos namorando, e ele é um péssimo namorado! Olha o que me fez vestir! – disse mostrando a blusa, por baixo de toda aquela roupa.
- Hum...vocês? Namorando? – disse, coçando o queixo. – Interessante...mas sempre achei o Potter um péssimo partido para qualquer garota decente! Como você aceitou isso, Lily? – ela usou meu primeiro nome? Hum...boa notícia então.
- Ei! Estão todas contra mim? O que eu fiz?! – James se fingiu de ofendido, sorrindo.
- Ca-la-do. – McGonagal cerrou os dentes, mas virou-se para mim novamente e sorriu. – Vamos filha. Conte seu problema. Sim! Porque você deve ter algum problema para estar com ele. – e sentou-se atrás de sua escrivaninha.
- Bem, eu não sei. Achei que talvez se desse uma chance a esse pobre coitado, que se arrastava aos meus pés durante anos, ele visse que nunca ia dar certo e desistisse. Mas ele se mostrou uma pessoa insensível, arrogante e machista! – peguei um lenço no meu bolso e fingi chorar. – Você não sabe o que eu vim sofrendo!!
James soltou um risinho com meu teatro. Só que, logo em seguida ficou sério depois do olhar de censura da Minerva.
- Querida, então...por que não termina?
- É "querida"...por que não termina? – James repetiu sorrindo.
Me aproximei de McGonagal e sussurrei.
- Pena. Eu não suporto ver as pessoas tristes por mim. Tenho esse problema. Não consigo terminar. Depois ele morre de depressão, e eu me sinto culpada!
- Então, que tal tentarmos fazer vocês se entenderem, invés de terminarem?
- Anh... – fiquei sem palavras. A última coisa que precisava é de ajuda para ficar namorando aquele...James!
- Perfeito! Concordo plenamente, Minerva! – James aproximou a cadeira dele mais da minha e passou o braço em volta de meus ombros.
- Não, não, não! Afastem-se. – ela então fez aparecer duas daquelas cadeiras deitadas que existem em escritórios de psicólogos. – Deitem e falem-me de seus problemas. Comecemos...
- Acho que eu tenho todo o direito de começar, né? – eu perguntei.
- Por que você?
- Já ouviu falar de "damas primeiro"?!
- Já ouviu falar de "ordem alfabética"? "J" vem antes do "L". – sério. Ele gosta de testar minha paciência.
- Mas "E" vem antes de "P". Dois pontos para mim. Eu começo. – falei encerrando o assunto, e antes que James pudesse falar algo mais, comecei: - Bem, primeiro de tudo vou falar sobre esse seu sério problema de querer aparecer...
- Espera...se é a sua vez, é para você falar, bem...sobre você! – ele exclamou ainda sorrindo divertido com a situação. Que raiva! Será que ele não se estressa por nada e leva tudo na brincadeira?!
- Mas eu não quero, Potter. Quero falar sobre sua pessoa.
- Hum...não sabia que queria tanto falar sobre mim...mas se esse é um desejo incontrolável seu, a vontade.
- Muito engraçado, senhor. Acontece, que tenho certeza que você tem muitos mais problemas a serem discutidos aqui do que eu. Minha vida é perfeita.
- Nossa! Não sabia que você era uma dessas minhas fãs ensandecidas que sabem tudo sobre minha vida! Mas prossiga, não quero te interromper... – ele falou como se não ligasse. Eu agradeci e quando ia continuar ele me interrompeu novamente. – e depois, iremos falar sobre um certo problema em dormir sozinha.
- Calado, Potter.
- ...da sua visita noturna...
- Já disse: calado!
- ...mês passado...
- Shhhhhhhhhh! – gritei em desespero.
- ...ao dormitório masculino...
- CALA A BOCA, POTTER OU EU TE MATO AGORA MESMO! – eu sei, eu sei. Normalmente sou uma pessoa zen e pacífica. Mas ele é o único ser ignóbil que me consegue fazer explodir!!! E eu tava calma. Só porquê me levantei, apontei uma varinha para aquele ser humano repugnante, gritava que nem uma louca e estava prestes a cometer um ato que me levaria direto a Azkabam, não quer dizer que eu havia perdido a calma! Jamais!
- ...e à mim. – Tá. Ele me estressou só um pouquinho...mas não era necessário a McGonagal me segurar e quase me amarrar na cadeira de volta. Mas o pior é que ela quis persistir ao assunto.
- Mas, interessante. Se estamos aqui para tratar do problema dos DOIS, então acho que devemos ouvir melhor essa história, não senhorita Evans?
Tentei discordar, bufando e tudo, mas James foi mais rápido. E antes que eu pudesse fazer alguma coisa para fugir daquela situação, ele falou calmamente.
- Sabe, sempre achei que ela gostava de mim por dentro, mas não queria dar o braço a torcer. – ele sorriu e me mandou um beijo. E depois continuou com um tom profissional: - Senhorita McGonagal...
- Senhorita...ora... – legal...agora ele estava flertando com a Minerva apenas para agrada-la...odeio esse Potter.
- Ora, mas como não? Tão jovem...só pode ser senhorita... – ela agradeceu e ele continuou: - Senhorita McGonagal, por acaso não é comprovado que sonhos é apenas uma forma de nosso subconsciente mostrar, vamos dizer assim, o que desejamos e não sabemos, na maioria das vezes?
- Sim, acho que sim. Mas onde quer chegar?
- Potter...eu lhe imploro...QUIETO!
- Então, devo entender, que o sonambulismo é, através de gestos, a demonstração dos nossos sonhos, ou seja: do que nós desejamos.
- Bom, realmente, eu não sou estudada nesse caso. Mas com o senhor falando dessa forma, até me parece correto.
- E provavelmente o é. Então quando uma linda ruiva, de olhos verdes, do sétimo ano, grifinória, que não há necessidade de dizermos quem é...
- Por favor... – falei irônica com os olhos faiscantes de ódio – não há necessidade, porque já é meio óbvio.
- Você acabou de se entregar, querida. – ele disse sorrindo. – Bem, quando LILY, invade o dormitório masculino no meio da noite, vai justamente em direção a MINHA CAMA e se deita AO MEU LADO...que conclusão a senhorita tiraria disso?
- As pessoas não pensam quando estão dormindo!!!!!!!!!!!! Eu não podia controlar o meu corpo...e provavelmente você me enfeitiçou!
- Há! Agora a culpa é minha, Evans? – ele sorriu triunfalmente. AHHHHHHHHHHHH QUE RAIVAAAAAA! – Aliás, quando você diz, ou melhor, grita – sim, porque você sempre grita comigo...não se preocupe eu não ligo – que "...só nos seus sonhos, Potter!", indiretamente está se referindo a você mesmo, querida...
- Ah, mas é agora que você me paga! – não deu para me controlar. Assim como quando tive ataques de sonambulismo naquele maldito dia, meu corpo não me obedeceu. Eu simplesmente pulei em direção a cadeira de James para acabar de uma vez por todas, com a existência dele. Mas ele instintivamente, pulou para longe e foi em direção à parede dos fundos do escritório. Não sei como devia estar minha expressão...devia estar mesmo assustadora já que o sorrisinho cínico sumiu para deixar um sorriso de pedidos de desculpa e medo.
- Hey, Lily. Calma...foi só uma brincadeira. Não tem mais ninguém ouvindo.
Novamente fui impedida por McGonagal. Que mulher chata!
- Bom, vamos acabar por hoje...seus nervos estão muito aflorados para continuarmos, senhorita...
- "Por hoje"? Como assim "por hoje"?! Vou ter que voltar aqui mais vezes para declarar mais coisas vergonhosas da minha vida íntima, só por que a SENHORA é fofoqueira?? – acho que estava tão nervosa, que não notei que estava gritando com uma professora, e que para piorar é uma vice-diretora!
- Vou fingir que não ouvi isso, senhorita Evans. E sim. Não se preocupem. Darei um prazo de uma semana. Se em uma semana esse castelo não voltar a paz – na medida do possível é claro, já que com os senhores Potter, Black, Remus e Pettgrew, aqui só quando se formarem teremos paz – irão voltar aqui, SIM, e iremos resolver isso. Não só com conversa, mas também como uma linda detenção. Estão dispensados.
