Capítulo 17 – E Quebra-se O Encanto Com Um Beijo.
- EU ESTOU NOIVA!!!!! – entrei batendo a porta do dormitório feminino, acordando todos.
- Do que está falando, Lily? – Kath abriu os olhos ainda meio sonolenta.
- James me pediu em casamento!!! – e mostrei o solitário, muito lindo por sinal, no meu dedo.
- Meu Deus! – Chris tapou a boca surpresa. – Parabéns Lily!
- Parabéns??? Não seria "meus pêsames"? – falei emburrada enquanto sentava na cama.
- Ei. Isso quer dizer que você perdeu a aposta. Vai até casar com ele.
- Claro que não Dai! Ele vai se arrepender amargamente de quando me pediu em casamento...ah se vai.
No dia seguinte, acordei bem cedo, e saí para caminhar antes que James viesse me encher.
Estava andando pensativa pelo corredor, quando me encontro com Dumbledore, com cara de tédio.
- Bom dia, professor. – sorri amigável.
- Senhorita Evans! Quanto tempo! – ele sorriu de volta.
- É verdade. – Nossa. Nunca soube que Dumbledore me notava. E muito menos que sentia minha falta.
- Claro que eu te noto! – me assustei. É claro que não é segredo para ninguém que Dumbledore lê mentes, mas ainda assim é estranho. – Como não notaria? Aliás é justamente isso que me faz falta!
- Eu...? – falei sem entender. Do que ele tava falando?
- Claro. Desde que você começou a namorar o Potter, a vida perdeu a graça. Era muito interessante vê-los arrumando confusão pelo Castelo.
- Mas...eu nunca o via. Como sabia de tudo que aprontávamos? – Uau. Ele é bom.
- Câmeras, minha cara. Ah! – ele começou a ficar pensativo. – Era muito bom. Eu ficava em minha sala, com chinelos de pantufa, bebendo suco de abóbora, enquanto assistia a vocês dois como em uma novela.
Quer dizer que este tempo todo eu estava sendo um entretenimento como em um reallity show?? Um: "Big Potter Inglaterra"?! Nem privacidade nas brigas eu tenho mais?!
- Bom...a diversão vai ser muito maior agora...eu vou casar com James... – falei emburrada.
- Parabéns. – ele sorriu. – Mas não me parece muito feliz. – Ah claro! Estou felicíssima! Vou ter que ir ao meu casamento numa camisa de força.
- Não quero casar! Imagina! Viver até a morte com James?
- Podia ser pior...
- Como?
- Você poderia viver até mais que cem anos como eu. "Até que a morte os separe" demoraria. E muito. Por isso nunca me casei. – as pessoas não me ajudam muito com essa frase "podia ser pior". Nem um pouco.
Medidas drásticas. É isso. Terei que tomar medidas desesperadamente drásticas.
Não acho isso bonito. Nem um pouco. Nem agradável.
Mas...é a única arma que eu tenho.
Ninguém merece o que vou fazer. Nem mesmo James.
Mas situações desesperadas, pedem medidas desesperadas.
Sentei na mesa da Grifinória para tomar café da manhã.
- Bom dia, minha noiva. – levantei os olhos e vi James sentando-se a minha frente. Não fiquei nervosa por ele ter me chamado de noiva, mas assim que o olhei meu estômago se revirou. Teria que tentar pela última vez.
- James, por favor...desista.
- Do que está falando? – ele sorriu, sem saber a que eu me referia.
- Do namoro, noivado, casamento...de mim!
- Não. Sabe que isso não vai acontecer, Lily. – ele ainda não levava a sério o que eu dizia.
- Tudo bem! Eu tentei! – saí cansada.
Caminhava pelo corredor indo em direção ao dormitório, enquanto comia uns pãezinhos que havia pego da mesa, quando de repente, bati em alguém.
Era um lufa-lufa, muito bonito por sinal, mas havia derrubado meus pães. Droga. Em jejum de novo.
- Lily! – ele sorriu feliz e meio nervoso. Fiquei uns cinco minutos olhando para o sorriso envergonhado do menino. De onde ele me conhecia? Finalmente lembrei. Era Travor Cross, um garoto que no terceiro ano era feiozinho, esquisito, e que gostava de mim. Nunca mais soube o que havia acontecido com ele depois que ele tentou se declarar me dando um sapo e James o azarou. Pobrezinho do Travor. James sempre foi um idiota!
- Ah olá Travor! – sorri sem graça.
- Você se lembrou de mim? Quer dizer, mudei bastante, né? – E como!
- Pois é. Tenho memória fotográfica. Bom Travor – estendi minha mão apertando a dele – agora tenho que ir.
- T-tudo bem. Tchau Lily.
Já estava saindo quando parei e me virei. Ele! Ele seria meu plano!
E antes que pudesse pensar na besteira que ia fazer, o chamei.
- Anh, Travor!!
- Sim?! – ele se virou rapidamente.
- Pode por favor me encontrar no campo de quadribol, hoje às cinco?
Já estava feito. Não tinha mais volta.
Nunca vou acreditar no que ela fez. E nunca imaginaria que me sentiria assim por causa de um garota.
Claro, que Lily não é qualquer garota. Quer dizer, pelo menos foi o que eu achei.
Eu estava no treino de quadribol, quando vejo Lily vindo sorridente. Pensei: "Bom, ou ela vai armar mais uma daquela coisa de líder de torcida, ou veio para me ver realmente".
Assim que a vi, sorri. Mas ela pareceu nem me notar, olhou para trás e estendeu a mão para um garoto que vinha atrás dela.
Me segurei. Calma James, nada de ciúmes, já que pode ser apenas um amigo.
Mas então, eles ficaram conversando e sorrindo um para o outro o tempo todo. E quando eu já não me agüentava, fui ao encontro dela, e ela simplesmente...beijou o garoto!
Tudo bem, que não namorávamos de verdade, mas poxa! Me trair?! Mesmo que não seja um namoro de verdade para ela, para mim é! Os meus sentimentos são de verdade e ela não se importou nem um pouco com isso.
Acho que me enganei realmente. Ela nunca me amou. Eu só estava me iludindo.
A verdade é: ela simplesmente me odeia.
Quando eles se afastaram eu estava em estado de choque. Foram embora e eu fiquei ali em cima da vassoura, sem reação.
Sirius, que treinava comigo e com certeza assistiu a tudo veio em minha direção.
- Cara...você está bem?
- Por favor. Me deixa sozinho. – desci da vassoura e fui para o vestiário me trocar.
Ah não! Mas passado o estado de choque...ela ia me ouvir.
Estava me sentindo péssima, mas não tanto quanto ia me sentir depois.
Me enfiei no dormitório feminino para não ter que ver James. Pelo menos não naquele dia.
Só que não adiantou lá muita coisa.
Ouvi um baque na janela e levantei assustada.
As vidraças se abriram com um feitiço e James pulou de cima de uma vassoura para dentro do dormitório.
- Ah...oi. – Por algum motivo não conseguia olha-lo nos olhos.
- Por que fez isso?! – ele gritou furioso.
- Espera aí! Não venha agora querendo tirar satisfações!! Um: NÃO éramos e NUNCA fomos um casal de verdade! Tecnicamente, não fiz nada de errado. – dei de ombros. Mas minhas palavras não expressavam como eu me sentia.
- Nossa. Parabéns. – ele falou batendo palmas. – Você se saiu uma bela de uma hipócrita, falsa.
- Pare de se fazer de vítima, Potter! Você sempre adorou essa atenção, né?! Oh! A malvada da Lilyzinha traiu o pobre do James. Acontece, senhor, que eu nunca menti que gostava de você. Sempre deixei bem claro que não te suportava! E ainda te dei uma chance de terminar comigo numa boa hoje. – ainda não olhava para ele.
- Wow! Me sinto honrado pela sua pena comigo. Se não queria nada, por que, POR QUE Lily, resolveu armar um maldita aposta e brincar com os meus sentimentos?!
Tá. Cada palavra dele me botava mais para baixo.
- Mas você sabia dessa aposta, não é, Potty?! Até passamos a admitir que era um namoro de brincadeira. Então continuou nessa brincadeira porque quis.
- Tem razão. Fui um idiota de ter achado que com a convivência, os sentimentos que eu achava que você escondia, iriam aparecer. Tem toda a razão, Lily. A culpa é toda minha. – então eu finalmente olhei para ele e foi aí que desmoronei. Ele...ele tinha lágrimas nos olhos! Meu Deus! – Mas só para você saber...depois do que você me disse no café da manhã, eu ia terminar com você. Não precisava ter se dado todo esse trabalho. Ah! E parabéns! – ele fingiu um sorriso – Você ganhou a aposta!
Então ele pegou sua vassoura, e saiu pela porta mesmo. Mas para não cair nas escadas que se transformariam em ladeira a um mínimo toque dele, subiu na vassoura e em seguida foi para o dormitório masculino.
O que eu fiz?!
