Anime: Gundam Wing
Pares: 1x2, 3x4
Género: U.A., Supernatural, Romance, Angst, Mystery, Yaoi, Lemon.

Disclaimer: Gundam Wing não me pertence. Todos os direitos são reservados aos seus produtores e criadores.

Observações: Esta fic é yaoi, que para quem não sabe significa que garotos lindos e sexys vão se agarrar, beijar e dar amassos (e etc. e tal). Está o aviso feito, quem não gosta não leia, quem gosta continue por favor.

"Blá... blá... blá..".-telepatia

- "blá... blá... blá..." – falas

«blá... blá... blá...» - pensamentos


Os Seis Anjos das Trevas

Capitulo 1

Fazendo Descobertas


Heero Pov

Eu sempre soube que era diferente.

Aprendi a andar cedo, comecei a falar antes do tempo e sempre fui sério e inteligente demais para uma criança. Na escola sempre me destaquei dos outros por ser o melhor em todas as disciplinas, desde matemática a educação física. De certa forma eu era perfeito, o menino que todos queriam como filho, mas o meu pai não parecia ter orgulho em mim. Queria que um dia eu assumisse o controle dos seus negócios e como as minhas notas na escola eram as melhores, nada mais lhe interessava. Estava sempre de viagem, a tratar das muitas empresas que a família Yuy possuía. Isso era outra coisa que irritava os meus colegas: além de ser inteligente e ter jeito para o desporto, eu era rico. Assim, eu não tive amigos na minha infância, sempre fui solitário e tornei-me independente desde muito cedo.

Quando cresci, houve algumas coisas que mudaram. A primeira foi que pessoas da minha idade começaram a querer chamar a minha atenção. Mas não era a minha amizade que eles desejavam. As raparigas queriam que eu as namora-se, afinal não era todos os dias que se viam japoneses de olhos azul cobalto, e os rapazes queriam ser vistos na minha companhia para que ninguém se metesse com eles. Eu fiquei com fama de delinquente depois de ter partido o pulso de um idiota que tentou roubar-me o relógio.

Todos eles desistiam de tentar conviver comigo passado pouco tempo, devido ao meu feitio frio e sério. Acho que os assustava.

Outra coisa que mudou foi a minha capacidade de aprender. Antes bastava-me ler um livro uma vez para o decorar, agora bastava-me tocar num livro para saber o seu conteúdo. Foi nesta altura que eu deixei de pensar que era um génio, para passar a classificar-me a mim mesmo como anormal.

Quando entrei para o secundário, continuei a ser o melhor do meu ano. E as minhas capacidades aumentaram com o tempo. Os meus sentidos eram mais apurados que o normal e descobri que podia ler os pensamentos das outras pessoas através de contacto físico ou visual. Nessa altura, eu próprio fiquei assustado.

Tentei procurar informações que me ajudassem a compreender o porquê de eu ter esses poderes e de onde vieram.

Procurei na biblioteca de casa, mas não encontrei nada sobre fenómenos paranormais, só algumas referencias a feiticeiros e demónios em livros de culturas antigas, mas nada que se parecesse com os meus poderes. Na Internet encontrei alguns sites sobre diversos temas relacionados, mas eram todos de origem duvidosa. Decidi procurar na biblioteca da escola, que é onde estou neste momento, mas a minha pesquisa estava-se a revelar inútil. Tinha um monte de livros num canto da mesa, todo o seu conteúdo já absorvido por mim e ainda não tinha descoberto nada que me ajudasse.

«Bom... pelo menos aprendi Latim» Um dos livros estava em Latim e acabei por aprender a língua, sempre tinha sido algo útil.

Fechei o livro que estava a ler com um estalido seco e empurrei-o para um canto. Apoiei os cotovelos na mesa, fechei os olhos e massajei as têmporas. Absorver o conteúdo de doze livros tão rápido deu-me dor de cabeça.

«Onde é que eu posso procurar mais?» Tinha de haver em algum sitio o que eu procurava. Mas onde?

- "Livros interessantes, é muito raro um aluno lê-los. Curiosidade ou algum projecto escolar?"

Abro os olhos e vejo o meu Professor de História á minha frente.

- "Curiosidade, Professor Lowe"

- "Encontraste o que procuravas?"

Neguei com a cabeça, não estava com paciência para conversas.

- "Talvez eu te possa esclarecer algumas dúvidas..." Olhou-me de forma estranha, como se soubesse mais do que aparentava. Sempre tive a sensação que ele sabia sobre os meus estranhos poderes e havia uma maneira de descobrir. E hoje sentia-me suficientemente frustado para arriscar.

Estabeleci contacto visual com ele e preparei-me para ler-lhe os pensamentos, mas mal entrei na sua mente, ouvi a voz grave do meu professor.

"Ler os pensamentos dos outros sem razão aparente é uma grande falta de respeito, Heero"

Perdi por completo a concentração e abandonei a sua mente.

O o O o O

Kyoto, 23 de Abril de 2021

A biblioteca da mais conceituada escola secundária de Kyoto e uma das melhores do Japão estava praticamente deserta, todos os alunos estavam nas aulas ou tinham ocupado o seu tempo livre em outras actividades, só um aluno se encontrava no seu interior.

Heero Yuy tinha, pela primeira vez em anos, uma expressão de surpresa na sua habitualmente inexpressiva face. Encarava o seu Professor de História com assombro, piscou duas vezes e voltou a ficar sério.

- "Como sabia que eu estava a ler-lhe os pensamentos?". A sua voz saiu calma, mostrando todo o seu autocontrole.

- "Quando invades a mente de alguém, essa pessoa sente uma ligeira dor na nuca. Pessoas normais não dão importância, mas eu foi treinado para reconhecer os sintomas e bloquear a minha mente"

Heero aceitou a explicação, mas o homem á sua frente não escaparia sem responder a algumas perguntas.

- "Então o senhor sabe sobre... as minhas capacidades?"

- "Sei que tens poderes fora do comum e se treinares poderás fazer coisas incríveis. Eu posso te ajudar nesse ponto". Odin Lowe sabia que seria difícil conversar com o seu aluno e ainda mais conseguir a sua confiança. Mas ele tinha uma missão e não ia falhar.

- "Ajudar-me? Porquê?". Nunca tinha antes falado com o seu professor fora da sala de aula. Não conseguia perceber como é que sabia sobre os seus poderes e o porque de querer treiná-lo. O normal seria o homem estar assustado... afinal ele era anormal...

- "Ouve-me Heero, não sou eu que possui as respostas para as tuas questões. Mas quando estiveres preparado, conhecerás a pessoa que as tem. Ela encarregou-me de te treinar, posso responder a algumas perguntas... mas só as necessárias para compreenderes o que se passa".

- "E quando estarei eu preparado?"

- "Quando as tuas capacidades estiverem desenvolvidas o máximo e as tuas limitações ficarem reduzidas ao mínimo possível. Não te posso dar uma data, tudo depende de ti e da tua vontade de aprender."

- "Eu quero aprender! Mas eu preciso que alguém me responda, eu tenho o direito de saber!". Esperar até que os seus poderes sejam explorados ao máximo? Isso podia demorar anos!

- "Então sugiro que comecemos a praticar o mais rápido possível"

- "Eu posso fazer isso sozinho. E posso descobrir essa misteriosa pessoa também, não preciso de ajuda". Não tinha nenhuma razão para confiar naquele homem. Ele era um excelente hacker, seria fácil infiltrar-se, se ao menos tivesse uma pista...

- "Não a vais encontrar se ela não quiser ser descoberta. Tal como não vais encontrar informações úteis em qualquer livro que esteja ao teu alcance. Deixa-me ajudar Heero... não peço que confies em mim, espero ganhar a tua confiança com o tempo".

Heero ficou em silêncio.

- "Procura dentro de ti, Heero. Podes sentir que não te estou a mentir, não podes?"

Heero olhou directamente para o homem mais velho, não tentou ler-lhes os pensamentos, apenas descobrir se falava verdade. Concentrou-se e a dor de cabeça piorou, mas continuou mesmo assim. Os seus olhos ficaram mais claros e enevoados. Perdeu o foco e conseguiu sentir a sinceridade vinda do homem, fechou os olhos e relaxou, sentindo a dor passar aos poucos. Quando voltou a abri-los, as suas íris já estavam novamente azul cobalto.

Assentiu em sinal que sabia que não era mentira.

Tinha de analisar as coisas de cabeça fria: o seu professor oferecia-se para o ajudar a desenvolver os seus poderes, não lhe seriam dadas respostas até "estar preparado", o que podia demorar anos, mas já tinha ficado 15 anos na ignorância... E ele era forte podia-se defender no caso de ser algum tipo de armadilha. E com esta nova habilidade, podia facilmente detectar se havia perigo.

- "Eu aceito. Mas tenho duas condições"

- "E quais seriam?"

- "Quero saber tudo o que me vai fazer, quer sejam testes, experiências ou outra coisa qualquer".

«Acho que o garoto está a pensar que o vou amarrar numa cama e injecta-lhe químicos, é melhor tranquilizá-lo».

- "Tudo bem, mas podes ficar descansado, não pretendo fazer experiências contigo. Só te quero ensinar a lutar e ajudar-te com os teus poderes. E a outra?" Lowe reparou que Heero pareceu aliviado com as suas palavras.

- "Esses livros"- Heero apontou para os que se encontravam na mesa- "falam sobre a existência de demónios e já ouvi boatos sobre isso... existem mesmo? A esta pergunta vai ter de me responder!" Heero estreitou os olhos na direcção de Lowe e lançou-lhe um olhar desafiador.

- "Sim, demónios existem. É parte do teu ensinamento saber sobre eles"

- "Responderá a perguntas relacionadas a demónios?" Heero franziu o sobrolho em sinal de desconfiança.

Lowe assentiu com a cabeça.

- "Então tudo bem. Vale a pena tentar"

Esforçar-se-ia ao máximo e quando chega-se a altura teria as suas respostas.

Mal podia esperar.

O o O o O

A primeira coisa que Odin Lowe fez ao entrar no seu escritório, após a sua conversa na biblioteca, foi uma ligação telefónica. Enquanto esperava que atendessem, permitiu-se relaxar um pouco e suspirar de alivio. A parte mais difícil da sua missão já estava feita.

Tinha sido enviado para aquela escola para estabelecer contacto com Heero Yuy, o garoto era realmente importante e era uma honra ser escolhido para o ensinar a...

- Sim?

A voz rouca do outro lado da linha tirou-o dos seus pensamentos.

- Senhor Khushrenada, acabei de falar com Heero Yuy.

- Ele aceitou ser treinado por si, espero...

- Sim, mas ainda está desconfiado.

- Hum... é normal, não se preocupe vai passar com o tempo, aconteceu o mesmo com o Maxwell. Novidades sobre os poderes dele?

- Confirmei a minha suspeita: ele consegue absorver o conteúdo dos livros pelo toque e lê os pensamentos. Acredito que com os treinos ele será muito bom em telepatia e conseguirá controlar outros através da mente.

- Interessante...é ele que tem o "Conhecimento", cheguei a pensar que o poder nele era apenas físico. Bom, assim é melhor. Quando vai começar a treina-lo?

- Já amanha, depois das aulas. Ele quer aproveitar o máximo de tempo possível, está ansioso para se encontrar consigo.

- Eu também estou ansioso por esse encontro. Mantenha-me a par dos progressos dele.

- Será feito. Alguma novidade sobre os que faltam?

- ... Ainda não.

- Acha que ela... ?

- Para que os nossos planos dêem certo, espero bem que não. Os Seis não podem lutar de lados diferentes, seria perigoso de mais... o poder de um usado contra o de outro ... os efeitos não seriam nada bons.

O o O o O

Paris, 23 de Abril de 2021

Dentro do escritório de uma bela e grandiosa mansão, estava sentada numa poltrona de cabedal uma jovem mulher com um curto robe de seda rosa enfeitado de penas nos punhos, gola e bainha (1). Os seus longos cabelos eram lisos e loiros, a sua pele era clara, como se nunca tivesse visto a luz do sol e os seus olhos eram azuis. Poderia ser comparada a uma menina inocente, se não fosse pelos seus olhos que transbordavam de crueldade. Contudo, quando queria ela conseguia enganar qualquer um adoptando uma face angelical e olhos inocentes. Isto claro, se a pessoa em questão não a conhecesse e soubesse das atrocidades que era capaz de fazer.

A sala na qual se encontrava estava mergulhada num ambiente sinistro, devido aos espessos cortinados vermelho sangue que impediam a luz do sol de entrar e ás dezenas de velas acesas que reflectiam as sombras das suas chamas nas paredes.

A porta da sala abre-se e entra uma pessoa envolta por um longo manto negro, o capuz posto, impedindo de ver as suas feições. Ao chegar perto da jovem loira, curva-se numa respeitosa vénia.

- "Tenho novidades, Senhorita Relena". A voz é fina e baixa, revelando que a pessoa é do sexo feminino.

- "Espero que sejam importantes, para que explique o motivo de ter pedido para me acordarem". Relena olha irritada para a mulher á sua frente. Tinha bastante respeito por ela, afinal era uma grande feiticeira, e não seria inteligente tratá-la mal. Mas detestava quando interrompiam o seu sono de beleza.

- "Perdoe-me... mas localizei um dos Seis"

- "O quê? Onde?". O brilho dos olhos azuis passou de irritação para excitação.

- "Aqui mesmo, em Paris"

- "Óptimo! Mande Charles e Lois irem busca-lo. E vá com eles para guiá-los"

- "Só mais uma coisa... a energia dele é tão forte que por segundos tive uma visão do garoto. A marca estava lá, tão negra como o céu á noite, ele teve ter completado 18 anos hoje"

- "Ainda melhor! Ele deve ser o mais velho dos Seis... isso dá-nos uma vantagem. Receberá uma recompensa por isto. Agora vá e traga-me o Escolhido"

A Feiticeira voltou a fazer uma vénia e saiu, fechando a porta. Dentro da sala, novamente escura, Relena soltou uma gargalhada. Segundo as informações que recebia Treize Khushrenada encontrava-se em Inglaterra, dessa vez ela chegaria primeiro e impediria-o de detectar o poder do garoto, tal como suspeitava que ele havia feito com os outros.

«Podes ter vantagem numérica, mas sei que ainda não foram encontrados todos... e mesmo que os encontres antes de mim, no fim, tu cairás e todos lutaram do meu lado!!»

Continua...


(1) só por isso dá para ver quem é

N/A: já tava a trabalhar nesse capitulo há 2 semanas, rescrevi-o 4 vz pk n fikava do jeito k keria, até k saiu assim... Bom, espero que gostem. O próximo será melhor e maior.

No próximo capitulo, vamos ter o Heero em acção e vão aparecer novos personagens.

Obrigada pelas reviews - As minhas primeiras reviews (kiara aos saltos no quarto, fazendo uns estranhos passos de dança).

Por favor, deixem comentários com a vossa opinião, criticas ou sugestões.

Kiara-chan