Os dias se passaram e Gina saiu da ala hospitalar, sem nenhuma seqüela. Harry tentara conversar com ela nos dias que passaram, mas não conseguia se aproximar. Ela havia voltado à companhia de Luna Lovegood e deste modo não havia meios de conversarem. Tentou Hermione, mas não deu certo também. Ela ficava mais vezes sozinha, mas cada vez que ele se aproximava ela lhe tratava mal ou simplesmente o deixava falando sozinho. Com Rony ele nem pensou em falar. Sabia que corria o risco de sair estuporado de uma conversa com o rapaz, e ele nem o culparia por isso.
As semanas foram se estendendo, e Harry foi perdendo a paciência, foi ficando cada dia mais parecido com o Draco de verdade, mal humorado, mal educado. O pior é que com o tempo ele passou a nem sentir mais culpa por tratar mal as pessoas. Estava se tornando Draco Malfoy, por fora e por dentro também. Depois da descoberta que fizera em relação a Voldemort, já que não conseguia falar com seus amigos, resolveu fazer pesquisas, o que se tornou muito mais difícil devido a falta da capa da invisibilidade.
Com o Mapa do Maroto ele conseguia escapar dos professores, Filch e mme Norrra, mas continuava a vista dos quadros, que não faziam a menor questão de ser discretos quanto ao fato de ele estar perambulando por aí durante a noite. Sua sorte é que quem levava a culpa era Draco, e quem perdia os pontos a Sonserina. Mas com o tempo isso foi ficando perigoso, então ele resolvera dar um tempo na pesquisa, até ter alguma idéia para voltar a andar pelo castelo sem ser visto.
Como se já não bastasse tudo que estava acontecendo àqueles dias, Harry ainda teve mais uma surpresa. Willie Carlile, capitão da Sonserina, veio avisá-lo do reinício dos treinos, já que com a vitória da Grifinória sobre a Lufa-Lufa a vantagem da Sonserina tinha diminuído um pouco. Tamanha foi a sua empolgação ao ouvir falar de treinos de quadribol que ele demorou a se lembrar que agora seria o apanhador da casa das cobras e não dos leões. Decidido a deixar o time, já que preferia ficar sem o quadribol do que apanhar o pomo para eles, Harry se dirigiu ao vestiário absorto nas mais malucas desculpas para sair do time. No meio do caminho ele viu sua sorte mudar pela primeira vez em dias.
Gina! – ele exclamou sem pensar.
Ela, que vinha na direção contrária, parou de chofre, achando muito estranho o fato de ter sido chamada pelo primeiro nome. Olhou para Draco com cara de poucos amigos e recomeçou a andar.
Gina, espera! – Harry pediu.
Desde quando eu te dei intimidade para me chamar pelo meu primeiro nome, Malfoy? – ela estancou desafiadora e perguntou para ele.
Harry parou meio confuso. A presença dela mexia com ele muito mais agora. Lembrando-se que, para ela, ele era Draco Malfoy, falou: - Eu preciso falar com você! É urgente! – deu alguns passos na direção dela.
Pois eu não tenho nada para falar com você! – ela disse girando sobre os calcanhares e ganhando o corredor.
Gina, não! Você precisa me ouvir! – mas ela não lhe deu atenção. – Gina, sou eu, Harry!
Ela parou de novo, mais devido a estranheza da situação do que pela informação em si. Com cara de deboche ela se voltou para ele: - O que foi que você disse?
Eu sei que é estranho, mas sou eu... Harry!
Olha Malfoy, eu sempre achei que você tivesse inveja do H...
Não é inveja! E eu não sou o Malfoy, sou o Harry!
Ela começou a olhar assustada. - Sério, Malfoy... Acho melhor você ir procurar a mme Pomfrey! – ela riu e recomeçou a se afastar.
Gina você precisa me ouvir! – ele foi impaciente até ela e impediu-a de prosseguir segurando-a pelo braço.
Me larga, Malfoy! – ela gritou.
Gina eu...
Larga ela, Malfoy! – a voz o fez perder a cor. – Solta ela agora! – Harry se aproximou já com a varinha em punho.
Harry a soltou e ficou observando Voldemort para descobrir se ele havia ouvido o que ele dissera a Gina. Voldemort se aproximou dele com os olhos brilhando de raiva.
O que você acha que está fazendo, Malfoy?! – ele apontou a varinha para o pescoço de Harry.
Harry, não! – Gina pediu tentando baixar a mão que segurava a varinha.
Me solta, Gina! – ele gritou. – O que você queria com ela? Está querendo ir para ala hospitalar de novo? Porque não me custa nada! – ele se soltou de Gina e voltou a ameaçá-lo. Um ódio inexplicável apoderando-se de seu corpo.
Pára com isso, Harry! Não aconteceu nada! Você vai pegar outra detenção se atacá-lo! Vamos embora! – ela lhe suplicava. – Por favor...
Voldemort pareceu se acalmar aos poucos. Harry também. Definitivamente Gina sabia como convencê-lo das coisas e isso o preocupou. Até onde Voldemort havia chegado naquele relacionamento torto? Que tipo de sentimento o mantinha preso ao corpo de Harry e ligado a Gina? Ele não sabia, mas sabia que tinha que desfazer aquele feitiço o quanto antes. Antes que Voldemort voltasse a prender Gina na sua teia de mentiras.
É bom você nem sonhar em chegar perto dela novamente, Malfoy! Da próxima vez eu não vou ser bonzinho! – ele baixou a varinha, pegou Gina pela mão e a levou pelo corredor de volta por onde tinha vindo.
Harry se convenceu que por fim ele não tinha ouvido nada. Agora precisava torcer para que Gina não comentasse o assunto, ou ele com certeza entenderia o recado e aí as coisas ficariam mais complicadas ainda. Conformado, Harry tentou se lembrar o que tinha ido fazer naquele corredor. Lembrou-se que estava indo falar com o capitão do time, anunciar sua saída, mas naquele momento continuar no time lhe pareceu uma idéia melhor.
"Ela vai saber que estou dizendo a verdade quando me vir jogando!" – pensou mais animado. – "Ela conhece o meu estilo e sabe que é muito diferente do estilo do Malfoy! Ela vai perceber que sou eu, ou pelo menos vai ficar curiosa... É isso! Eu tenho que jogar, pegar o pomo e chamar a atenção dela! É isso que eu vou fazer!" – decidido ele voltou para trás disposto a agüentar mais alguns dias.
Você está bem mesmo? – Voldemort perguntava preocupado.
Já disse que sim, Harry! Será que dava para soltar o meu braço? – Gina perguntou exasperada. Harry a puxava para longe de Malfoy com tanta força que ela tinha que correr para acompanhá-lo.
Desculpe... – ele falou quando se deu conta de seu descontrole. Soltou o braço dela, mas não deixou de encará-la. – O que ele queria com você? – perguntou.
O de sempre: encher o saco! – ela disse emburrada, não esquecida das coisas que ele havia dito no outro dia.
Mas ele não te fez nada? – aproximou-se temeroso.
Já disse que não! – ela perdeu a paciência. – Harry eu sei me defender, ok? Aquele dia ele me pegou desprevenida... Não vai acontecer de novo! – falou tomando distância dele.
Tudo bem... – ele disse se sentindo estranho. Afastando-se encabulado sem saber por que.
Hum... Obrigada mesmo assim... – ela falou com pena do tratamento que lhe dispensava. Mesmo depois de tudo que acontecera ela não conseguia ficar totalmente indiferente a ele. Para afastar aqueles pensamentos ela resolveu se afastar dele também. Tomou o caminho de volta para o salão comunal sem olhar para trás.
Gina... – ele chamou.
Lamentando por sua fraqueza ela parou e olhou para trás.
Você nunca vai me perdoar pelas coisas que eu disse? – falou mais ressentido do que gostaria.
Não sei, Harry... Parece que as minhas desculpas só servem para te encorajar a pisar na bola de novo, aí é só pedir desculpas e fica tudo bem... – ela desabafou.
Não vai acontecer mais! Eu juro! – ele se aproximou inconformado. – Eu sinto sua falta... – a estranheza daquela frase, dita com tanta sinceridade o fez ficar dividido. Uma luta interna entre seu eu Voldemort e seu eu Harry. A vontade de ter Gina em seus braços apenas para se divertir, e a vontade sincera de tê-la para sempre.
Gina também estava confusa. O sentimento nutrido por aqueles olhos verdes desde os 10 anos lutando contra seu orgulho próprio. A humilhação de ter sido tratada como uma qualquer se confrontando com a consciência de que, naquela idade, sexo era tudo em que os rapazes normais pensavam. Por fim seu orgulho falou mais alto: - Acho que ainda devemos continuar dando um tempo, Harry. Eu ainda preciso refletir sobre o que é melhor para mim e você precisa refletir sobre qual a minha importância na sua vida... – falou num desabafo. – Eu vou para o salão comunal... Gostaria que você não me procurasse por uns dias, ok?
Voldemort ficou parado no corredor sentindo suas duas metades lutando uma contra a outra. Uma que a compreendia e queria respeitar o tempo dela. Outra que detestava ser contrariada e queria mostrar para aquela traidorazinha do sangue o que acontecia com quem contrariava Lord Voldemort. No fim das contas ele se convenceu de que isso não adiantaria nada, percebeu também que não conseguiria fazer mal a Gina porque na hora H seu lado fraco, o lado Harry, viria à tona e ele desistiria na última hora. – "Maldito Potter!" – pensou. – "Maldita hora em que nossas almas trocaram de lugar! Maldita hora em que o desgraçado do Malfoy resolveu se defender!"
Gina atravessou o buraco do retrato ainda pensando no que Harry lhe havia dito. No instante seguinte pensou que gostaria que aquele não fosse o Harry de verdade, que seu Harry, o Harry que ela amava, estivesse preso em algum lugar esperando ser libertado, e que ele voltasse a ser o mesmo de antes. Lembrou-se das palavras de Malfoy, mas as varreu imediatamente de seus pensamentos devido ao tamanho absurdo que aquilo seria.
Disposta a esquecer do que acontecera ela resolveu olhar em volta, a procura de alguém com quem pudesse conversar. Hermione estava perdida em uma pilha gigantesca de livros e pergaminhos. Rony estava no canto oposto, jogando Snap explosivo com os colegas de quarto. O jogo de Rony parecia mais atrativo, mas com certeza Harry se juntaria a ele quando voltasse, então ela preferiu se sentar com Hermione.
Oi... – falou desanimada jogando-se no sofá ao lado da amiga.
Oi. – Hermione respondeu cansada, olhando apenas rapidamente para a ruiva. – Nossa! Que cara é essa? Não me diga que brigou com o Harry de novo? – ela parou de folhear os livros e anotar nos pergaminhos.
Brigar não, mas ele veio falar comigo... Me pedir para voltar...
E você? – disse ansiosa.
Contrariando drasticamente meu coração disse que não...
Hum... Acho que vai ser melhor, Gina... Pelo menos até ele se tocar de que está perdendo todos os amigos e voltar a ser o mesmo de antes...
Por falar em voltar a ser o que era antes, você não sabe que coisa estranha aconteceu agora pouco? – ela se virou para ficar de frente para Hermione que a olhava interessada. – Acho que o feitiço que o Harry usou para atacar o Malfoy o deixou biruta!
Por que? – ela perguntou curiosa.
Ele me parou no corredor agora pouco... - Hermione fez cara de susto, Gina a tranqüilizou com um gesto de mãos. – Ele não me fez nada, mas me chamou pelo primeiro nome e me disse que era o Harry! – ela riu debochada.
Como é?! – Hermione não conteve a risada.
É sério! Eu até o provoquei dizendo que sabia que ele tinha inveja do Harry, mas ele falava sério, com muita convicção. Disse-me com todas as letras de que era o Harry e não o Malfoy. Quando ia me explicar mais alguma coisa o Harry de verdade chegou e eu achei melhor tirá-lo logo dali antes que acontecesse algo pior.
Fez bem! – Hermione concordou. – Mas que coisa louca... – ela se virou pensativa. – Com certeza é uma teoria interessante para as atitudes estranhas que o Harry vem tendo... – ela refletiu a respeito. - Mas se o Malfoy é o Harry, e o Harry é o Malfoy, por que o Harry, o falso, faz tanta questão de namorar você? – ela perguntou divertida, sem levar a sério o que dizia. – O Malfoy, suposto Harry, te odeia!
Concordo! – Gina ficou pensativa também. – Por isso que eu acho que o coitado ficou louco. Não seria estranho, né? Lembra-se do Colin? De repente tem algum maníaco na escola atacando os alunos e mudando a memória deles, sei lá! – ela riu achando a história absurda. – De qualquer maneira eu disse para ele procurar a ala hospitalar.
Fez bem! – Hermione debochou.
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Harry estava ansioso para entrar em campo. Ele realmente acreditava que Gina pudesse reconhecê-lo jogando, mesmo que no corpo de Draco. Além disso, havia a satisfação por voar novamente, apesar de estar voando com o uniforme verde da Sonserina e de ter que pegar o pomo o quanto antes, e assim dificultar a situação da Grifinória, que já tinha uma derrota. Afinal de contas, o sacrifício podia valer a pena.
Do vestiário ele podia ouvir a algazarra dos estudantes ansiosos pelo início da partida. Corvinal foi a primeira a entrar, em meio aos gritos de encorajamento da torcida. Sonserina entrou logo em seguida. A balbúrdia foi tão grande quanto, mas a maioria das vozes xingava ao invés de encorajar. Harry achou aquilo estranho no início, mas depois não ligou mais.
Mme Hook anunciou o início da partida. Apesar de estar desacostumado a voar numa Nimbus 2001 e de estranhar a lentidão dela comparada a Firebolt, Harry se esforçou para dar seu melhor. Como de costume atingiu a maior altura que pode para ficar de olho no pomo de ouro, o que não era um grande diferencial já que todos os apanhadores haviam adotado essa tática.
Harry teve que admitir que o time da Sonserina até que não era ruim, embora usasse lances sujos de vez em quando. Perdido em observações, e sem nenhum sinal do pomo, Harry desviou sua atenção para arquibancada à procura de Gina. Encontrou-a sentada ao lado de Luna e Hermione. Voldemort estava na fileira da frente, parecendo entediado, e Rony a seu lado, vibrando por cada lance da Corvinal e xingando cada jogador da Sonserina a plenos pulmões.
Uma exclamação muito particular da platéia o fez voltar a campo, onde estava seu corpo, mas não sua mente. Seus olhos treinados procuraram imediatamente pelo apanhador adversário. E lá estava ele, voando desesperado atrás do minúsculo pontinho dourado que era o pomo. Harry tombou seu corpo para frente para imprimir velocidade à vassoura. Ele podia sentir as vibrações negativas vindas de ¾ da torcida, mas não havia tempo de pensar em rejeição.
Não demorou para que ele emparelhasse com o outro apanhador. Ele era um aluno do terceiro ano, bem menor que Draco, e pareceu levar um grande susto quando notou sua aproximação. Ele afastou ligeiramente a vassoura, mas sem se distanciar do pomo. O que os separava da pequena bola eram apenas alguns palmos. Harry tinha vantagens no corpo de Draco por ter o braço mais comprido, mas o outro garoto usava um dos lançamentos em vassoura daquele ano, o que lhe dava chance de competir de igual para igual com o outro.
A chance chegou quando o pomo fez seu conhecido mergulho. Era sabido por toda escola que Harry era o único com coragem e habilidade suficientes para acompanhar o objeto naquela manobra. E ele o fez. A bolinha desceu verticalmente, numa velocidade incrível, Harry logo atrás. O outro apanhador, relutante, mas acompanhando seu adversário. A vassoura do corvinal imprimia velocidade maior ainda na descida, ele quase pegara o pomo duas vezes, mas Harry o impediu. Essa seria a tática: impedi-lo de pegar o pomo até que ele desistisse de descer em queda livre, quando recuasse Harry o pegaria. Foi o que aconteceu. A menos de um metro do chão Harry pegou o pomo e virou sua vassoura novamente na horizontal, a tempo de sair ileso, para receber os abraços indesejáveis dos então colegas de time.
Em meio aos protestos daqueles torcendo contra a Sonserina, Harry teve tempo de se livrar dos colegas e sobrevoar o campo novamente, para encontrar os olhos de Gina sobre ele, uma expressão estranha no rosto. Harry apontou o pomo para ela, gesto que poderia ter sido interpretado como uma ofensa, e que fez Rony voltar até onde estava a irmã e puxá-la pelo braço, fazendo gestos feios para Draco.
O que foi, Gina? – Hermione perguntou a caminho do salão comunal. Rony ia à frente, despejando nos ouvidos de Harry toda sua indignação a cerca da vitória da Sonserina.
É muito estranho... – ela falou pensativa.
O que é estranho? – Hermione perguntou.
Você não reparou no jeito com que o Malfoy voou hoje? – ela perguntou.
Honestamente? – respondeu sarcástica.
Não! Quer dizer... Também, mas...
Mas?
Voou igualzinho ao Harry!
Ah, não! Você não está mesmo pensando na possibilidade de que ele estivesse dizendo a verdade? – Hermione se admirou.
A história pode ser absurda, mas o modo como Malfoy voou hoje... Se ele voasse desse jeito na época do Harry os jogos durariam horas! Além disso, o Malfoy nunca conseguiu pegar o pomo em menos de 10 minutos como hoje, nem mergulhar daquele jeito!
Vamos supor que isso seja verdade... – Hermione diminuiu o tom e o passo. – Então quem é esse aí? – ela apontou para Harry a sua frente.
Boa pergunta... – ela esfregou o queixo. – Tive uma idéia! Distrai o Rony! – e correu para alcançá-los.
Mas... – Hermione tentou protestar.
O que foi aquele jogo, hein?! – ela parou animada ao lado dos dois. – Nunca vi o Malfoy jogar daquele jeito! Acho que ele está mesmo a fim de nos vencer na final! – ela sorria.
Hermione parou ao lado de Rony, sem entender o que a amiga pretendia e sem ter a mínima idéia de como distraí-lo.
E quando ele mergulhou? – Gina continuou. – Jurava que ele ia fazer a... Como é mesmo o nome? – ela olhava para Harry com expectativa.
Você fala da...
Rony! Uma aranha! – Hermione gritou de repente, havia percebido a deixa.
Onde?! Onde?! – ele parou desesperado olhando para o chão em busca do perigo.
Gina não deixou Harry parar e insistiu: - Lembra, Harry? Aquela coisa que o Krum fez na final da Copa Mundial!
Não tenho idéia do que você está falando, Gina... – respondeu sem vontade.
Caramba, Hermione! Que tipo de brincadeira é essa, hein?! – Rony acelerou o passo e alcançou a irmã, as orelhas vermelhas.
Desculpe... – Hermione tentava. – Eu jurava que tinha visto uma aranha... – disfarçou.
Não acredito que você não se lembra! Você falou dela o tempo inteiro. Disse que ia experimentar quando voltasse ao time... – ela insistiu sem dar atenção ao irmão.
É Finta de Wronski, Gina! – Rony respondeu mal-humorado. – Qual o problema com vocês duas, hein? E por que tanta empolgação com o modo de jogar do Malfoy?
Nada! – ela se defendeu diante da cara intrigada de Harry. – Eu só não sabia que ele podia fazer aquilo... Bom... Mas isso tanto faz! Vem Mione! Vamos deixar esses dois chatos aí! – ela puxou Hermione pelo braço e deixou os dois para trás.
Hermione! – Gina exclamou para a amiga quando estavam afastadas o bastante. – Ele nem sabia o que era Finta de Wronski!
Grande coisa! Eu também não sei! – ela disse ofendida.
É, mas estamos falando do melhor e mais jovem apanhador que a Grifinória já teve! O Harry adora quadribol! Ele falou dessa jogada por semanas lá em casa, se lembra? – os olhos arregalados de excitação.
Na verdade não, mas o que você pretende fazer a respeito?
Gina parou apreensiva. A curiosidade e a precaução lutando dentro dela. – Acho que vou falar com o Malfoy!
O quê?! – Hermione gritou.
Vou sondar! Tenho que descobrir que mistério é esse que fez o Harry se desinteressar pelo quadribol e o Malfoy achar que é o Harry!
Gina, pode ser perigoso!
Não vai ser! – ela afirmou. – Eles ainda devem estar se exibindo por aí! Eu já volto!
Gina! Gina! – Hermione a chamava em vão. Gina deu meia volta em direção ao salão principal.
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Estou surpresa! – uma voz macia falou. – Se você jogasse assim sempre, a taça de quadribol seria nossa sem o menor esforço... – Pansy sorria orgulhosa encostada a um dos armários do vestiário.
Quem sabe... – Harry disfarçou a vontade de rir, secando os cabelos molhados numa toalha. – Mas o que você faz aqui? – perguntou se dando conta de onde estavam e de que ele ainda estava com a camisa do uniforme aberta.
Eu vim te dar os parabéns! – ela caminhou até ele, forçando-o a recuar.
O... Obrigado...
Qual o problema, Draco? – ela acelerou e lançou os braços em torno do pescoço dele. – Vai dizer que não estava me esperando para a comemoração? Por que outro motivo você demoraria tanto no banho? – ela perguntou marota alcançando os lábios dele com os seus.
Olha Pansy... A gente não pode conversar depois? Pode aparecer alguém... – ele relutou.
Não vai aparecer ninguém e você sabe disso! Deixou bem claro que não queria ninguém nos vestiários depois do fim dos jogos! Todos sabem que eu viria para cá! – ela alisava o peito dele, causando-lhe arrepios involuntários.
Sabem é? – ele recuou mais, mas esbarrou contra a fileira de armários no lado oposto.
Umhum... – ela respondeu tomando os lábios dele novamente, dessa vez sem chance dele fugir.
Harry não teve como resistir à língua ousada de Pansy que insistia em invadir sua boca, nem as mãos afoitas que acariciavam sua barriga e suas costas. Ele não estava acostumado a tais intimidades, embora pensasse na possibilidade depois de engatar um namoro sério com Gina.
Pansy... – ele dizia ofegante. – É melhor nós... – ele tentava afastá-la.
Shiii, Draco... Não vai estragar tudo! – ela escorregou a mão por cima da calça, fazendo-o gemer de surpresa. – Vai dizer que não quer? – ela sorria massageando-o provocativamente.
Harry não teve ânimo de afastar a mão dela. Não podia conter o impulso e a curiosidade de sentir aquele toque pela primeira vez. Pansy intensificava a massagem, fechando a mão de vez em quando em torno dele e fazendo-o se descontrolar mais ainda. Não foi possível controlar a excitação e ele sentiu-se enrijecer, como só acontecera antes durante alguns sonhos adolescentes.
Pansy sorria divertida com o efeito que causava. Não satisfeita, abriu o botão da calça e escorregou a mão por baixo da peça íntima, fazendo-o se assustar. Ele não teve tempo de contê-la, pois ela imediatamente começou a escorregar a mão pela extensão de seu membro, fazendo-o fechar os olhos e não ter coragem de interrompê-la. Aquela sensação já conhecida, mas proporcionada por mãos alheias era muito melhor do que ele imaginava.
Pansy agora dava pequenas chupadas, intercaladas a beijos molhados, no pescoço dele. Beijava-lhe em seguida a boca, mordendo de leve o lábio inferior e deliciando-se com a retribuição nem um pouco contida que ele lhe dava. Aos poucos desistiu dos lábios e desceu para o peito, depois abdome, nunca deixando de estimulá-lo.
Quando sentiu os lábios dela tocarem seu ventre, Harry percebeu o que viria a seguir. Dividido entre a curiosidade e a culpa ele abriu os olhos, como que para sair daquele torpor. A visão de Gina olhando-o, abismada e com as bochechas vermelhas o fez perder completamente o clima. Passos apressados que se afastavam cada vez mais o fizeram perceber que não havia sido uma visão.
Assustada por também ter ouvido passos, Pansy soltou Draco, antes mesmo de começar a fazer o que queria. Sem pensar em nada, Harry se afastou da sonserina, subiu a calça, fechou o botão e disparou para fora do vestiário, ainda com a camisa aberta e o rosto afogueado. Gina estava bem à frente dele, mas não fora de alcance. Acelerando o passo, e evitando gritar o nome dela para não chamar a atenção, ele conseguiu segurá-la pelo braço.
Me larga, Malfoy! Me larga ou eu vou gritar! – ela dizia agora mais vermelha que antes.
Não Gina! Eu posso explicar! – disse desesperado.
Não precisa explicar! Eu entendi muito bem o que acontecia! – ela falava se debatendo.
Gina pára com isso, ou você vai se machucar!
Vai me ameaçar agora, é?! Eu vou gritar, Malfoy! E se o Harry aparecer...
Não acredito, Weasley! Você?! – Pansy os alcançou também. – Você sabe mesmo como atrapalhar, hein?! O que nós vamos fazer com ela, Draco?
Harry a olhou, espantado.
Essazinha tem que aprender a não ficar espionando os outros! – ela tirou a varinha das vestes pronta para usá-la contra Gina.
Não se atreva! – Harry falou sem se conter, mas soltou o braço de Gina. – Você ficou maluca?
Gina aproveitou a distração dele para correr, mas não foi rápida o suficiente. Harry a segurou e a puxou de volta, com mais força do que pretendia.
Espera! – pediu. – Pansy, me deixa sozinho com ela!
O quê?!
Vai! Eu preciso falar com ela!
Draco, se você vai fazer alguma coisa com ela eu quero ver! Eu também quero dar uma lição nela! – protestou.
Aaaahhhh! – Gina começou a gritar, embora não fosse de seu feitio gritar por ajuda.
Droga! – Harry pegou a varinha das mãos de Pansy. – Silencio! – pronunciou. – Me desculpe, Gina, mas você não me deixou escolha.
Gina parou de gritar sem saber se o tinha feito por saber que ninguém ouviria, ou se diante da surpresa por tê-lo ouvido pedir desculpas.
Pansy, por favor! Eu quero ficar sozinho com ela!
O que é que você vai fazer?! – ela perguntou desconfiada. – Draco você não vai? Draco!
Vai logo, Pansy! Eu não vou fazer nada!
Eu não sou burra Draco! Você pensa que eu não percebi o modo como você anda olhando para essa, essa... Eu bem que desconfiei, mas ela nunca vai querer nada com você!
Gina arregalou os olhos esperando pelo pior. Pela primeira vez sentiu medo e começou a se debater novamente.
Pansy vai embora logo antes que eu perca a paciência! – falou admirado do próprio tom e sem fazer a menor questão de não assustá-la. – Anda! – gritou.
Pansy ofegou de raiva. Sua face ficou rosada e seus olhos marejaram, mas ela não tinha coragem para desafiá-lo, não quando ele usava aquele tom. – Draco você me paga! – ela saiu batendo os pés.
Agora você! – Harry falou ainda alterado.
Gina arregalou os olhos mais uma vez quase suplicante. Harry percebeu o medo dela.
Eu não vou fazer nada do que você está pensando! Eu só quero falar com você! – puxando-a pela mão ele a levava de volta ao vestiário.
Gina lutava com todas as suas forças, mas Draco era sabidamente mais forte que ela.
Não me faça ter que carregar você, Gina! – ele falou impaciente.
Eles chegaram ao vestiário, ele fechou a porta e a lacrou com a varinha. Gina correu para longe dele assustada. Tirou a varinha das vestes e apontou para ele. O Draco verdadeiro poderia até rir da situação, mas Harry sabia que Gina era capaz de fazer feitiços sem pronunciá-los, e sabia que se ela resolvesse azará-lo, dificilmente sairia ileso dali.
Gina, calma... – ele pediu abaixando a própria varinha. – Eu só quero falar com você! Eu nunca te faria nada! Você sabe disso! Eu vou tirar o feitiço de você, ok?
Gina pareceu duvidar, mas resolveu arriscar. Harry fez o contrafeitiço e esperou.
Abra a porta! Antes que eu mesma resolva fazê-lo.
Nós temos que conversar! Você não pode ir embora sem que eu te explique o que houve aqui!
Me explicar? Malfoy eu sei o que houve aqui! Não sou mais criança. Mas o que você e sua namorada fazem quando estão sozinhos não me diz respeito!
Namorada? – ele perguntou confuso. – Eu achei que você... Que você tivesse acreditado...
Que você é o Harry?! – ela riu. – Eu até pensei na possibilidade! Mas o Harry jamais faria o que você fez aqui! – mas ela parou. – Se bem que... O Harry de agora... Enfim! Não importa! Agora sai da minha frente!
Mas Gina! Sou eu! O Harry!
Ai! Pára com essa palhaçada Malfoy! Como você pode ser o Harry?
Me diz você! Se veio até aqui me procurar foi porque desconfiou de alguma coisa! – ele se aproximou. Ela recuou. – Você acha que pode ser verdade, não acha?
O Harry anda estranho, mas isso foi graças a tudo que ele passou... E você? Bom você sempre quis ser igual a ele, pode muito bem ter aprendido aquela jogada de hoje!
Eu passei por coisas horríveis a vida toda e nunca maltratei nenhum de vocês! Por que começaria agora?
Ela fez cara de confusão: - Ah! Você "Harry"? Entendi... Pode ser, mas... O Harry nunca havia matado ninguém antes! Isso com certeza deixa a pessoa transtornada...
Você precisa acreditar em mim, Gina!
Olha... Isso já está cansando, ok? Deixe-me sair de uma vez! A Hermione sabe que eu estou aqui e se eu demorar ela vai me procurar e aí...
Melhor! Tenho certeza que a Hermione se convenceria de que eu sou eu mesmo!
Você está começando a me assustar, Malfoy! Sua obsessão pelo Harry já está passando dos limites!
Ok... – ele parou para pensar. – Que tal isso, então? Hum... Eu sei, por exemplo, que... Que você é apaixonada por mim – ela fez cara de descrença. – pelo Harry - consertou. – desde os 10 anos!
Grande coisa! Todo mundo sabe disso! – ela respondeu ficando meio vermelha.
Nosso... O primeiro beijo de vocês foi no salão comunal! Depois de uma partida de quadribol da qual eu... ele não participou!
Esqueceu de acrescentar que foi na frente da casa toda e que você já ficou com algumas meninas de lá que podem muito bem ter te contado sobre isso! – falou indiferente, sentando-se no banco de madeira no meio do vestiário.
É mesmo... Mas eu não posso dizer que estava prestando atenção ao que tinha em volta... – sorriu. Ele caminhou até o banco em frente ao dela e se sentou também, desanimado. Tentou se lembrar de qualquer coisa... Qualquer coisa que pudesse provar que ele era ele. – Eu prometi para você que ia voltar para ficarmos juntos quando tudo acabasse...
Ela o olhou, desconfiada. A princípio não teve como rebater, mas depois sorriu e disse: - Não é muito difícil de concluir isso, não é?
Caramba! – ele bateu as mãos nas pernas, impaciente.
Desiste, Malfoy! – ela se levantou. – Abre logo essa porta, ok? E vai consolar a sua namoradinha que ela deve estar muito puta com você agora...
HaHarry não respondeu. Tinha que ter um jeito. Eles namoraram por um bom tempo. Tinha que ter alguma coisa que só ele soubesse, mas o quê?
Anda, Malfoy!
Eu nunca disse o quanto eu te amava... – sussurrou. – Eu queria dizer, mas... Tinha medo que desse modo você se recusasse a me deixar e ficasse em maior perigo na guerra.
Gina parou para pensar no assunto. Harry nunca havia mesmo dito as palavras 'Eu te amo', mas também ela não esperava por isso. Não esperava um amor louco de Harry. Apenas um amor que fosse crescendo com o tempo, por isso nunca estranhou a falta daquele gesto.
Harry pareceu interpretar o silêncio dela, se levantou também e parou em sua frente: - Mas você disse que me amava. Disse que ia esperar eu voltar e que ia ser minha para sempre... E ai nós nos beijamos, lá n'A Toca... Foi o nosso último beijo...
Gina o olhava sem acreditar. Como ele poderia saber daquilo se não fosse o verdadeiro Harry? Ela nunca tinha comentado aquilo com ninguém. Havia guardado aquele dia em suas lembranças e nem ao menos o descreveu em seu diário. Não tinha como ele saber.
Harry? – ela o fitou, séria. – Mas não pode ser... – ela voltou a se sentar, tentando entender o que estava acontecendo. – Mas... Mas se você é o Harry... Então quem é aquele Harry? Porque não pode ser o Malfoy!
Não é o Malfoy... – Harry se sentou novamente, o semblante sério.
Então quem é?
Voldemort...
O quê?! – ela levantou-se de sopetão. – Não pode ser! O Harry... Você... Ele... Não pode ser!
Mas é... – ele segurou as mãos dela e a fez sentar-se novamente. Pegou a varinha e apontou para o próprio peito. Com um feitiço silencioso fez uma correntinha aparecer em torno de seu pescoço e um pingente de coruja pender em seu peito nu, que ele cobriu quando percebeu o fato.
Mas é a correntinha que ele me deu! – ela exclamou.
Na verdade é a horcruxe! A última horcruxe! Esteve com ele o tempo todo durante a guerra, muito bem guardada. – ele a tirou do pescoço e entregou a ela. – Não percebe nada de diferente?
Ela analisou o objeto: - Os olhos... Eram verdes quando ele me deu...
Mas agora são cinzas, e eram pretos no dia em que nós duelamos! Malfoy está preso aí dentro!
Quê?! – ela olhou novamente.
Eu acho que ele tentou trocar de corpo novamente, se apossar do corpo do Malfoy, mas algo deu errado e eu fui parar no corpo dele e ele na correntinha.
Quer dizer que você esteve preso nessa correntinha todos esses meses?
Eu não me lembro de nada desde o duelo, mas imagino que sim. Quando acordei no corpo do Malfoy estranhei o fato de estar em Hogwarts. Para mim havia se passado algumas horas, talvez dias desde que eu tentei destruir essa horcruxe.
Mas essa história é incrível!
Muito! E eu acho que ele vai tentar de novo! Acho que eu consegui convencê-lo de que sou o Malfoy, e acho que ele está incomodado de estar no meu corpo. O Malfoy tem o temperamento muito mais parecido com o dele, e isso interfere muito. Tem interferido no meu jeito. Acho que ele vai tentar trocar de novo, assim que encontrar essa corrente.
E o que você vai fazer?
Preciso encontrar uma maneira de reverter o feitiço. Prendê-lo novamente na horcruxe até descobrir como destruí-la!
Eu ainda não consigo acreditar... Quer dizer que esse tempo todo... Esse tempo todo eu estava namorando o Voldemort! – ela se indignou. – Quer dizer que eu... – ela sentiu o rosto esquentar e virou-se de costas para Harry. – Eu não acredito!
Você o quê? O que foi que houve? – ele perguntou imaginando o que seria.
Nada... Nada... – ela falou enojada. – Caramba... – algo revirava em seu estômago e a cena do último encontro dos dois não saía da frente de seus olhos.
Você não tem culpa do que fez, Gina... Você não sabia que era ele...
Eu não fiz nada... – ela afirmou. – Ou quase nada... – afastou-se dele. – Eu não acredito que não percebi nada! – ela voltou a se sentar. – Eu tinha que ter percebido. Você estava muito estranho... Eu, a Mione e o Rony ficávamos arrumando desculpas para o seu comportamento, mas... Eu tinha que ter percebido! Mesmo quando eu ficava com raiva ele dava um jeito de se redimir... E com uma lábia! – Harry se admirou. – A mesma lábia que ele usou para que eu confiasse naquele maldito diário! – ela estava vermelha de raiva agora. – Eu não acredito!!! – ela bateu com força no banco.
Calma Gina... Não tinha como vocês desconfiarem! – ele se agachou na frente dela. – Como alguém ia desconfiar que esse tipo de feitiço era possível?
Pode ser... – ela voltou a encarar a jóia. – Não tinha mesmo como saber... – e então ela olhou muito brava para ele. Lembrou-lhe a sra Weasley. – Mas você sabia que era você! – ela se levantou novamente e ele caiu de costas. – E mesmo assim ficou com aquela... Aquela...
Eu posso explicar... – ele tentou.
Eu já disse que não precisa explicar! Eu vi muito bem o que estava acontecendo aqui!
Gina! Não é nada disso! – ele tentou, mas ela virou-se de costas para ele, muito brava. Era difícil brigar com o Malfoy por causa de ciúme. – Eu estava fugindo dela todos esses dias, mas hoje ela me pegou desprevenido!
Você não estava nem um pouco "desprevenido" a hora que eu cheguei, Harry! – era estranho usar aquele nome com ele. Ela corou quando lembrou da cena.
Eu sei, mas é que... É difícil, sabe? – ele ficou completamente constrangido. – Mas não vai acontecer mais! Eu juro! Foi... Ela me agarrou de repente, eu nem tive como me defender! Quando eu percebi ela já estava... Sabe?
Sei!!! – ela gritou com raiva. – Sei! Não precisa me falar! – ela se lembrou com raiva das coisas que o falso Harry a fez sentir. – Vocês homens são todos iguais mesmo!
Não somos não! E você sabe!
Não sei mais! – falou brava.
Me desculpa, Gina... – ele se aproximou dela, com cara de coitado. - Não vai acontecer mais... Jamais aconteceria se nós estivéssemos juntos! Você sabe disso! – ele segurou o rosto dela. – Você sabe que eu te amo...
Gina não resistiu e o olhou, mas em seguida começou a rir.
Tá rindo do que?! – ele se ofendeu.
Se olha no espelho! – ela mandou aos risos.
O reflexo de Malfoy olhava para ele magoado, mas por fim teve que rir: - Não combina muito, não é?
Um Malfoy dizendo a uma Weasley que a ama? Não combina nem um pouco!
Bom... Mas é o Malfoy só por fora... – ele se aproximou novamente. – Por dentro é o Harry... O mesmo Harry de sempre... – ele sorriu para ela, seus lábios se aproximando involuntariamente.
Isso é estranho... – ela se afastou automaticamente.
Então fecha os olhos! – ele pediu impaciente.
Ela obedeceu: - Ainda assim é estranho... – ela não resistiu ao comentário. Mas em seguida sentiu as mãos dele tocarem sua face, sentiu os lábios dele tocarem os seus delicadamente, suavemente, exatamente como o verdadeiro Harry faria.
Enlaçou o pescoço dele, acariciando sua nuca, tentando não ligar para o fato de que agora tinha que ficar quase na ponta dos pés, e que os cabelos eram finos ao toque. Entregou-se totalmente àquele beijo, o beijo de que ela tanto sentia falta. O beijo do seu Harry.
