Gina você só pode estar brincando!
Não estou Hermione! Ele me contou tudo! – Gina explicava aos sussurros indo até a biblioteca.
Estamos falando de Draco Malfoy, aqui! Nós sabemos que ele é capaz de tudo, e ele tem te perseguido esses dias. Tem certeza que ele não se aproveitou da sua briga com o Harry para...
Não, Mione! Ele me provou! Falou coisas que só o verdadeiro Harry saberia!
Tem certeza?
Tenho...
E o que fazemos agora?
Temos que ajudá-lo a desfazer a troca...
Mas se estamos convivendo com Voldemort... Isso vai ser perigoso...
Muito...
O que vai ser perigoso, meninas? – Voldemort chegou acompanhado de Rony.
As duas estancaram por um tempo sem saber o que responder, até que Gina tomou a dianteira: - A final contra a Sonserina!
Vocês estavam falando de quadribol? – Rony perguntou duvidoso.
Sim!
Mas a Hermione odeia conversar sobre quadribol!
Eu odeio conversar com você sobre quadribol, Ronald!
Que foi que eu te fiz, hein?! – ele gritou e os dois começaram a se encarar perigosamente.
Parem com isso, vocês dois! – Gina puxou Hermione pelo braço. – Não é hora para essa briga estúpida de vocês! – ela deu um passo para trás e se chocou com alguém.
Olha por onde anda, Weasley! – ela se virou para dar de cara com Pansy.
Era só o que me faltava... – reclamou. – Vamos embora logo, pessoal!
Está fugindo do que Weasley? Vai admitir a culpa.
Eu não sei do que você está falando, Parkinson!
Ah, não sabe? Ou não quer que o seu namoradinho saiba?! – ela desafiou.
Parkinson, deixa a gente em paz! – Hermione interveio prevendo o perigo.
Não estou falando com você, Granger! Meu problema é com essazinha aí! – e apontou para Gina.
Olha aqui, sua...
Que problemas você poderia ter com a Gina, Parkinson? – Voldmeort se intrometeu.
Você não sabe, Potter?!
Pansy! – Harry chegou de repente. – O que está acontecendo aqui?
Não fala comigo, Draco! – ela se soltou das mãos de Harry.
Eu quero falar com você!
Mas eu não vou falar com você!
Vamos embora, gente! Isso é briga de casalzinho! – Hermione falou.
Espera aí, Weasley! Não foge não! – Pansy gritou.
Deixe-a em paz, Pansy! – Harry a puxou para o lado oposto, com dificuldade.
Os dois grupos se afastaram em silencio. Gina e Hermione trocavam olhares significativos, tentando não chamar atenção dos garotos que as acompanhavam. Eles logo chegaram a uma mesa vazia e se puseram a estudar.
O que está havendo entre você e o Malfoy, Gina? – Voldemort perguntou de repente.
Como assim? – ela perguntou de volta. – Não está acontecendo nada! Não viaja!
Pois eu o achei muito estranho hoje! Ao invés de defender a namorada ele a afastou de você!
Você está imaginando coisas, Harry! – ela respondeu. – Eu odeio o Malfoy tanto quanto você! Eu ainda não esqueci o que ele me fez!
Que história é essa cara? – Rony interferiu. – Você poderia ter ciúme de qualquer um, mas do Malfoy?! É absurdo!
Mas ele não pareceu convencido. Continuou olhando para Gina, como se quisesse ler nas entrelinhas, arrancar uma verdade qualquer.
Para com isso, Harry... – ela pousou a mão sobre a dele. – Eu e o Malfoy? Eu poderia até ficar ofendida! Você acha que eu seria capaz de me relacionar com um bruxo das trevas?!
Com certeza não... – ele respondeu mais convencido.
Claro que não... – ela sorriu.
Draco e sua trupe entraram na biblioteca nesse exato momento, a tempo de ver Gina de mãos dadas com Harry. O primeiro impulso dela foi soltar a mão dele, mas ela resistiu. Seria bandeira demais. Gina sorriu para Harry, soltou a mão dele e voltou a escrever em seu pergaminho. Harry e Voldemort se encararam por alguns segundos, mas depois Voldemort também voltou a escrever. Apenas Hermione os acompanhava ainda. Harry pareceu perceber, porque a olhou também e sorriu. Hermione sorriu de volta, discretamente, e voltou a se concentrar na lição. Ela e Gina trocaram um último olhar cúmplice.
Aqui não é um bom lugar, sabia? Todo mundo já sabe sobre essa sala! – Hermione reclamou, andando de um lado para outro enquanto Gina aguardava ansiosamente a chegada de Harry.
Calma Hermione! Ninguém vai vir até aqui!
Como você sabe?
Gina ia responder, mas elas ouviram um barulho na entrada da Sala Precisa. Gina se levantou e ficou parada ao lado de Hermione, ambas com as varinhas estrategicamente posicionadas para serem usadas se preciso.
Desculpem o atraso! – Harry falou. – Eu precisava conversar com a Pansy...
Sei que tipo de conversa você têm! – Gina respondeu de cara feia.
Harry... – Hermione se adiantou. – É você mesmo?
Claro que sou eu! Se fosse o Malfoy e encontrasse vocês duas aqui o que você acha que eu faria?
Nada! Provavelmente nós te nocautearíamos antes! – ela sorriu.
Bem pensado! – ele respondeu.
Como é que isso foi acontecer? – os três se sentaram e começaram a conversar.
Eu não sei ao certo, mas tem a ver com essa horcruxe! – ele tirou a jóia de dentro das vestes. – Eu imagino que tenha ficado preso aqui todos esses meses, porque eu não me lembro de nada desde a minha luta com Voldemort.
E agora, pelo que a Gina me falou, é o Malfoy que está preso aí?
Isso! – ele respondeu.
E o que você quer que a gente faça? – Gina perguntou.
Eu preciso da ajuda de vocês para pesquisar a respeito desse feitiço. Eu consegui convencer uma garota da Grifinória a roubar o Mapa do Maroto, mas sem a capa é muito difícil sair de madrugada para pesquisar, e de dia eu chamaria muita atenção.
Espera aí! Como você convenceu uma garota da Grifinória? - Gina perguntou ficando vermelha. – Harry você...
Eu não fiz nada de errado! Só tive que falar mal de mim mesmo! – ela fez cara de incredulidade. – É sério, Gina!
Você me disse que estava começando a agir como ele, Harry! Se você anda...
Gina você me assusta desse jeito! – Hermione interferiu. – Tudo bem que esse seja o Harry, mas por fora ainda é o Malfoy! Vamos nos limitar ao que realmente interessa, ok? – ela se voltou para Harry. – Foi uma garota do quinto ano, não foi?
Foi... Como você sabe?
Eu já estava desconfiada... Gina o Harry, ou melhor, o que nós achávamos que era o Harry, andava saindo com outras garotas além de você. Principalmente enquanto você treinava! Só que de uns tempos para cá ele simplesmente parou de "sumir" misteriosamente durante os treinos.
Tá dizendo que eu ainda por cima estava levando chifre? – ela perguntou indignada.
Vai ser difícil limpar a barra do Harry depois que tudo isso voltar ao normal...
Se voltar... – Harry falou.
Vai voltar! – Gina afirmou. – Bom... O que nós temos que fazer?
Procurar qualquer coisa! Qualquer coisa que me dê uma pista sobre que feitiço foi usado aqui!
Bom... Ninguém vai achar estranho se eu me enfiar na biblioteca de repente. – Hermione falou. – Mas você não vai poder ficar muito tempo lá, Gina...
É, eu sei...
E tem outra coisa... – ela disse preocupada. – Voldemort não pode nem desconfiar que você é o Harry, muito menos que nós sabemos a verdade...
Isso é meio óbvio, não é? – Harry perguntou.
Óbvio demais e nada impossível de acontecer...
O que você está querendo dizer, Hermione? – Gina perguntou apreensiva.
Bom... Em primeiro lugar a Parkinson... Temos que mantê-la longe dele! Se ela continuar tendo esses ataques de ciúmes ele pode desconfiar de alguma coisa, afinal até ele sabe que nenhum de nós vai com a cara do Malfoy. Por que então a namorada dele vai começar a ter ciúmes logo de você?
Eu já tinha pensado nisso... – Harry falou. – Por isso fui conversar com a Pansy, mas ela está muito brava...
Agora você a chama pelo primeiro nome, é?
Gina! – Hermione ralhou. – A coisa é séria! E você deveria fazer o mesmo!
Como assim?
Eu sei que você e ele já estão brigados a algum tempo, mas você nunca teve nojo do Harry, e você anda fugindo dele!
Hermione... Você sabe por que eu tenho fugido dele, e não é de hoje! – ela meio que cochichou.
O que está acontecendo que eu não estou sabendo, hein? – ele perguntou.
Nada de mais, Harry... – Gina respondeu logo. – Mas você tem razão, Mione... Ta dizendo que eu tenho que voltar a namorar ele?
Talvez não precise voltar a namorar, mas pelo menos voltar a ficar por perto, sabe? Como você fazia antes... Você lembra como ele falou com você hoje? Depois que a Parkinson nos abordou no corredor?
Você tem razão... Se ele desconfiar já era...
E o Rony? Vocês acham que é uma boa contar para ele? – Harry perguntou.
Acho que não... O Rony não é muito bom para mentir, sabe? Pode ser que ele dê alguma bandeira... Pelo menos alguém tem que continuar tratando-o exatamente como fazia antes... – Gina falou.
Ok, então... – Harry terminou. – Tem só mais uma coisa...
O que? – Hermione perguntou.
Será que vocês conseguiriam pegar a minha capa da invisibilidade?
Mas e se ele notar a falta dela?
Mas ele sabe sobre ela?
Sabe! No começo nós achamos que você tinha perdido a memória, então eu e o Rony contamos tudo que sabíamos sobre você, inclusive sobre a capa e o mapa... – Hermione falou. – Desculpe...
Não tem problema... Não tinha como vocês saberem. Mas nós precisamos arriscar... Eu não sei agir sem minha capa e eu preciso fazer pesquisas durante a noite, já perceberam como a Sonserina perdeu pontos? Os quadros me vêem andando de madrugada e contam para os professores, só que eu não posso ficar saindo toda hora, mesmo na pele do Malfoy...
Você tem razão... – Gina falou. – Acho que eu consigo pegar a capa...
Eu distraio o Rony e ele... Felizmente não há problemas quanto a entrar no dormitório masculino.
Oi! – Hermione sentou-se ao lado de Harry e Rony na mesa da Grifinória durante o café da manhã. Rony abocanhava um belo pedaço de bolo de cenoura enquanto Voldemort lia alguma coisa. – O que você está lendo, Harry? – ela sondou.
O livro padrão de feitiços, número 7... - respondeu sem emoção.
Vamos ter prova e ninguém me avisou? – ela brincou. – Nunca te vi pegar nesse livro fora da época de provas...
Você também nunca tinha me visto dispensar um jogo de quadribol... As coisas mudam!
Nossa... – ela desviou a atenção ao seu cereal. Nenhum dos dois parecia com vontade de voltar ao dormitório tão cedo.
Não liga não... – Rony falou. – Ele acordou de mau humor hoje... Acho que é por causa da Gina...
Você voltou a falar comigo, Ronald? – ela perguntou.
Até quando você vai continuar com essa criancice, hein? – ele retrucou.
O crianção aqui é você Ronald! Faz as pessoas pensarem uma coisa e depois diz outra!
Do que é que você está falando, hein?
Onde é que está a Gina? – Voldemort interrompeu a discussão.
Acho que ainda no quarto! – Hermione respondeu logo.
Vou ver se ela já desceu... – ele fechou o livro.
Não! – Hermione segurou a mão dele.
Deixe-o ir, Hermione! – Rony falou com as orelhas vermelhas. – Ele e minha irmã precisam se acertar, você não acha?
Talvez! – ela disse a primeira coisa que lhe veio a cabeça. – Mas você não precisa ir agora, não é Harry? – ela tentou sorrir. – Se ela ainda estiver no dormitório dela você não vai conseguir vê-la mesmo...
Pode ser... – ele falou fitando-a insistentemente, depois se sentou novamente.
Bom dia! – alguém os abordou logo em seguida.
Juan! Bom dia! – Hermione cumprimentou-o exageradamente satisfeita. – Sente-se conosco! – ela convidou.
É só um instante... – ele se sentou entre ela e Rony, que a essa altura estava completamente vermelho, não só as orelhas. – Eu estava na biblioteca e achei esse livro... – ele retirou o exemplar da mochila. – Achei que você ia gostar...
Elfos domésticos: origens e atualidades. Puxa, Juan! Obrigada! – ela lhe deu um beijo no rosto. – Achei que você estivesse prestando atenção na minha conversa sobre elfos só por educação...
Claro que não, Hermione! Eu presto atenção em tudo que você fala! De verdade! Acho você tão inteligente! Gosto de ouvir seu ponto de vista sobre as coisas! – ela ficou meio sem graça.
Rony já tinha esmigalhado seu pedaço de bolo com as mãos, melando-se inteiro com a cobertura de chocolate. Voldemort apenas apreciava a cena, achando hilária a tortura que Hermione impunha ao colega. Cansando-se um pouco da melação ele resolveu deixar a mesa, Hermione nem percebeu. Rony viu, mas recusar-se-ia a deixar Hermione sozinha com o tal de Juan.
Gina tão teve dificuldades para ir até o dormitório masculino. Todas as garotas do seu quarto já tinham descido, assim como a maioria dos alunos dos outros anos, de modo que o corredor dos dormitórios estava quase que totalmente vazio.
Ela chegou ao dormitório do sétimo ano e bateu, por precaução. Como ninguém respondeu ela abriu a porta cautelosamente. Colocou apenas a cabeça para dentro do cômodo e não conseguiu ver ninguém.
Tem alguém aí? To entrando, hein? – ninguém respondeu, ela entrou. Só então se deu conta de que nunca havia entrado ali e que, portanto, não sabia qual era a cama de Harry. – Essa é boa... Como eu não perguntei antes? – Decidiu então vasculhar todos os malões.
A primeira cama que ela revistou percebeu que era a de Dino Thomas, já que havia várias figurinhas de jogadores completamente imóveis. A segunda cama foi a de Neville, pois ela deu de cara com Trevo coaxando em cima do travesseiro. Com o susto ela deu um pulo e foi parar bem no meio do quarto.
Sapo idiota!
Ela não percebeu a presença na porta: - Gina?
Ela estancou sem coragem de se virar, o cérebro trabalhando a mil para inventar uma boa desculpa.
O que você está fazendo aqui? – Voldemort perguntou fechando a porta lentamente atrás de si.
Oi Harry... – ela disse apenas, dando passos involuntários para trás.
Oi... – ele sorriu desconfiado. – O que você está fazendo aqui? – ele repetiu.
Eu... Eu vim procurar você! – respondeu.
Me procurar? – ele cruzou os braços. – Eu estava no Salão Principal... Há essa hora seria bem mais fácil me encontrar lá do que aqui, não é?
É, mas... – as idéias a mil. – Eu tive esperanças de te encontrar sozinho ainda...
Para que? – ele perguntou aproximando-se dela, sorrindo sinceramente agora.
É que... – mais um passo para trás e ela sentiu uma das camas. – Eu pensei no que você me disse, sabe?
E?
Eu acho que você tem razão... – ela falou sem ter uma idéia melhor.
Quer dizer que você quer voltar comigo, então?
É... – respondeu sem vontade. – Acho que podemos tentar... – tentou sorrir.
Você não sabe como isso me deixa feliz, princesa... – ele a tomou pela cintura, ela se desequilibrou, mas fez de tudo para não cair sentada na cama. – Eu estava sentindo sua falta sabia?
É... Eu também... – ela tentava afastá-lo discretamente. – Mas acho que dessa vez nós podemos ir mais devagar, você não acha? – ela conseguiu se desviar para longe da cama.
Como você quiser, minha linda... – ele pegou a mão dela. – Prometo que vou ser mais paciente dessa vez... – e a puxou delicadamente.
Eu acho melhor eu descer, sabe? Se alguém nos pega aqui... – ela tentava se afastar.
Ninguém vai subir a essa hora, Gina... – ele a trouxe para perto pela cintura.
Mas e o meu irmão?
Ele está distraído com a Hermione...
"A Hermione!" – ela pensou. – "Que belo trabalho ela fez!" – ela apenas sorria.
Foi inevitável o que veio a seguir. Voldemort a segurou pela nuca, delicadamente, e tomou os lábios dela num beijo bem menos ardente que os anteriores. Gina tentava a todo custo não pensar em quem realmente estava beijando, mas não era nada fácil. Sentiu o homem deslizar uma das mãos por suas costas e viu uma oportunidade de interromper aquele contato.
Harry... – ela o empurrou. – Você prometeu, né? Eu vou descer! – e saiu de perto dele antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
