Agora você pode me explicar, Potter! Que palhaçada é essa? – Draco perguntou enquanto o grupo se deslocava para um lugar mais sossegado, longe de mme Pomfrey e de alguém que pudesse escutá-los.

Basicamente nós trocamos de corpo, Malfoy...

Isso eu já percebi, idiota! Quero saber por que?

Isso nem eu mesmo sei direito! O fato é que temos que dar um jeito de desfazer tudo isso!

Draco! – Pansy vinha correndo em direção ao grupo. – Você já saiu! Por que não me avisou! – ela foi direto para Harry. – E por que está com essas... pessoas? – ela falou entortando o nariz para eles.

Ehr... – Harry tentava se soltar da mão dela. – Eu não sou quem você pensa que eu sou...

Quê? – ela o olhou, incrédula. – De novo? Potter que tipo de feitiço é esse...

Eu não sou o Potter! – Draco falou. – Eu sou o Draco, Pansy! Não ele!

O que? – ela olhou assustada de um para outro. Depois olhou os demais achando que eles pudessem estar rindo da piada que ela não entendeu. – Que palhaçada é essa, Potter?

Eu não sou o Potter!

Eu posso explicar! – Harry se prontificou. – Pelo menos até certo ponto.

Os seis sentaram em torno de uma das mesas da biblioteca, que era o único lugar vazio no momento, e Harry explicou toda situação. Como, pela primeira vez, Pansy via Harry e Draco concordarem em alguma coisa, ela teve que acreditar no que ele dizia.

E agora? Vocês vão ficar trocados o resto da vida?

Não! – Gina se prontificou. - Temos que desfazer essa troca o quanto antes!

Concordo! – Pansy falou.

Eu mais ainda! – Draco acrescentou. – Não quero ficar o resto da vida parecendo um pintor de roda pé e com essa rachadura na cabeça!

Não se preocupe, Malfoy! Também não quero ficar nesse corpo desbotado!

Desbotado, mas...

Chega! - Hermione gritou. – Se concentrem em pensar em um jeito de desfazer o feitiço! Deixem para discutir quando estiver tudo normal de novo!

E até lá como vai ser? – Gina perguntou.

Como estava sendo até agora! – ela respondeu. – Harry continua fingindo que é o Malfoy e vice-versa.

O quê? Quer dizer que eu vou ter que dormir na Grifinória, usar as roupas do Potter, ser tratado como uma peça de porcelana...

Ninguém me trata como uma peça de porcelana!

HA!

Parem! – Hermione gritou de novo. – Vai ter que fazer isso! Inclusive fingir que namora a Gina!

Para quem já agüentou Voldemort isso vai ser fácil! – Gina se conformou.

Impressão minha ou essa parte não te incomoda, Draco? – Pansy cruzou os braços e falou muito nervosa.

O quê? – ele se assustou. – Claro que incomoda! – ele falou com pouca convicção.

Espera aí! – ela falou esquecendo por um instante da questão. – Faz quanto tempo que você está no corpo do Draco?

Algumas semanas... – Harry respondeu.

Então quer dizer... – ela começou a pensar. – Que aquele dia no vestiário, depois da nossa vitória sobre a Grifinória... Já era você Potter?! – ela o olhou, abismada. – Você! Você se aproveitou de mim!

Como é?! – Draco interveio. – O que foi que aconteceu nesse vestiário?

Você deve conhecer a namorada que tem, Malfoy! – Gina respondeu, também descontente com a lembrança.

Potter! – ele o segurou pela gola do uniforme. – Você...

Calma aí, Malfoy! Não aconteceu muita coisa... – ele tentou se soltar.

Seu cretino!

A culpa foi dela! Ela não me deixou nem respirar! Invadiu o vestiário! – ele se defendeu.

Pansy? – ele perguntou desconfiado.

Eu achei que era você... – ela respondeu simplesmente. – Ele também não fez muito esforço para me convencer a parar... – fez cara de inocente.

Gina fuzilou Harry com o olhar, enquanto Draco voltava a apertar o colarinho dele.

Solte-o Draco! Não vai querer ficar com um olho roxo quando destrocarem, não é? – ela falou venenosa. – E depois, agora você vai poder dar o troco!

O quê? – Gina se prontificou. – Está pensando que eu sou como você, é? Que se agarra com qualquer um?

Escute aqui, sua...

Ah! Calem a boca! Harry! – ela se virou para Draco, depois corrigiu e falou com Harry de verdade. – Harry, cadê a horcruxe? Está com você?

Ele não entregou a horcruxe para o Voldemort? – Gina perguntou. – Nesse caso deveria estar com o Malfoy!

Não Gina... Harry e eu fizemos uma cópia da horcruxe mais cedo naquele dia. A horcruxe que o Harry entregou para ele era falsa! – ela disse orgulhosa de si mesma. – Por isso o Harry não morreu quando ele o atacou. Na verdade o feitiço atingiu a horcruxe e ele trocou de lugar com a alma do Malfoy!

Quer dizer então que ele está novamente preso na horcruxe?

É o que esperamos! – Harry respondeu.

E agora? O que temos que fazer então? – Pansy perguntou.

Descobrir uma forma de destruir a horcruxe, sem libertá-lo, e ainda por cima desfazer a troca deles dois! – Gina respondeu.

E para isso vamos precisar da ajuda de todos! – Hermione falou olhando para cada um deles. – Ué? Cadê o Rony?

Para onde ele foi? – Gina perguntou. – Eu nem vi a hora que ele saiu!

Eu acho que já até sei qual é o problema... – Harry falou desanimado.

É... – Hermione concordou. – Eu vou conversar com ele! – ela se levantou decidida.

Acho que seria melhor eu...

Não, Harry! Rony e eu realmente precisamos conversar! Desfazer os maus-entendidos que Voldemort criou! Enquanto isso vão pesquisando alguma coisa, sei lá! – ela saiu com passos firmes. Estava determinada.

Não quero nem ver o que vai dar isso... – Gina comentou. – Harry cadê a horcruxe?

Está aqui! – ele a tirou do bolso da calça. – Eu havia posto um feitiço nela para não perdê-la de novo... Olhe! – ele esticou o braço em direção a Gina.

Os olhos...

Pretos!

Então é ele mesmo!

E o que fazemos? – Draco perguntou. – Por que não a destruímos de uma vez? Com um feitiço qualquer?

Você se lembra o que aconteceu desde que você duelou com ele da última vez? – Harry perguntou impaciente.

Draco pensou por alguns instantes. – Na verdade não! Tudo que eu me lembro foi de ter acordado meio cego na ala hospitalar. – provocou.

E você se lembra qual foi a última coisa que fez naquele duelo?

Eu não sabia para que servia a correntinha com a qual ele me ameaçou, portanto tentei destruí-la!

E aí libertou minha alma e prendeu a sua! Percebeu agora, Malfoy, que não podemos simplesmente destruir essa horcruxe com um feitiço pronunciado?

E então?

Pesquisa! – Pansy falou. – Detesto ter que concordar com a sangue-ruim, mas é o que temos que fazer! – ela se levantou decidida e começou a andar entre as estantes a procura de qualquer coisa. Gina a imitou.

Draco e Harry ainda fizeram cara feia um para o outro, mas enfim resolveram começar a agir também.

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Sabia que você estaria aqui! – Hermione falou ao entrar no dormitório masculino.

É claro que sabia! – ele respondeu mal humorado. – Você sempre sabe de tudo, não é? Eu é que nunca sei de nada! – ele se sentou na cama. – E você insiste em não bater na porta, não é?

Não adianta tentar me chatear, Rony! Eu ainda estou bastante magoada com as coisas que você me falou nos últimos dias!

E a minha bochecha ainda dói por causa daquele tapa!

Você mereceu! – ela ficou parada em frente à cama dele, de braços cruzados.

Mereci? – ele se indignou. – Você tinha acabado de sair da Sala Precisa com aquele Juan!

Eu estava na sala precisa com o Harry! – ela se defendeu.

Pior ainda! Então você estava mesmo...

Ah! Será que você não ouviu nada do que foi dito até agora?! Aquele não era o Harry de verdade! Harry está preso no corpo do Malfoy e Voldemort estava no corpo do Harry! Ele queria nos fazer brigar, você não percebe? Eu nunca tive nada com o Harry! Ele é como um irmão para mim! E você devia saber disso!

Devia por que, Hermione? Se vocês sempre me deixam de fora de tudo? – ele estava vermelho de raiva.

Rony! – ela se sentou ao pé dele. – Nós não te contamos porque seria perigoso! Precisávamos de alguém que ainda tratasse o Voldemort achando que ele era o Harry! O que você faria se soubesse que durante meses dividiu o quarto com Lorde Voldemort? Você ainda tem medo de dizer o nome dele!

É claro! Eu sou um bosta mesmo, não é?! Você concorda quando ele diz que eu tive sorte! Que não sou grande coisa como bruxo! Sempre à sombra de você e do Harry! – ele se levantou tencionando deixá-la falando sozinha.

Não seja estúpido, Rony! Você é um ótimo bruxo, só é um pouco inseguro! Mas você foi fundamental para ajudar o Harry a encontrar e destruir as horcruxes! Pare de se menosprezar!

Você realmente acha isso, Hermione? – ele parou, a mão já na maçaneta da porta.

Claro que acho... – ela respondeu sentindo o rosto esquentar.

Ainda assim eu não sou bom o suficiente para você, não é? – ele baixou a cabeça e deixou o quarto.

Hermione ficou observando-o sair, sem saber se tinha entendido certo as palavras dele.

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Os dias que se passaram foram de intensa pesquisa. O grupo se reunia todos os dias na biblioteca, em todos os minutos de folga que tinham, mas, para não levantar suspeitas, Harry sentava-se com Pansy e Draco com Gina e Hermione. Rony continuava emburrado com eles.

E então? – Harry viu Hermione se dirigir a uma estante para pegar outro livro e a seguiu.

Nada... – ela respondeu desanimada. – O livro que ele usou para te atacar da primeira vez não tem mais nada, a não ser o fato de que não se pode prender a alma de uma pessoa num objeto já ocupado. Mas na pressa ele não leu até o final.

Por isso todas essas trocas. – ele concluiu.

Sinceramente? – ela o olhou. – Eu já revirei essa biblioteca centenas de vezes nesses oito anos, você sabe disso. Ano passado principalmente, quando precisávamos de informações sobre as horcruxes. Não há nada aqui, Harry...

Hum... – Harry ficou pensativo, mas nessa hora viu Rony passar com um grupo da Grifinória. Disfarçadamente ele falou: - Até quando ele vai ficar bravo conosco?

Não sei e nem quero saber! – Hermione respondeu brava. – Estou cansada de tentar explicar as coisas para ele! Se ele prefere acreditar em qualquer um, menos em mim, o problema é dele.

Hermione? – Harry a puxou mais para o fundo do corredor em que estavam, suas bochechas ligeiramente vermelhas. – Aquela história que o Voldemort falou para ele... De você talvez...

Mentira, Harry! – ele falou um pouco alto demais. – Você sabe disso! Eu adoro você, mas como um irmão! E depois tem a Gina! Não, não, não! Tudo mentira!

Foi o que eu imaginei! – ele sorriu aliviado. – Mas por que ele não acredita?

Acho que essa parte ele já acreditou. Imagino que ele esteja bravo agora só pelo fato de não termos contado para ele sobre a troca...

Mas você não explicou para ele? – perguntou sem paciência.

Expliquei, mas sabe como é o Rony... – os dois ficaram observando-o de longe. – Acho que você deveria ir falar com ele... De certo modo... Eu também ficaria brava...

Harry a olhou, desconfiado, ela ainda observava Rony, agora com uma expressão triste e não brava.

Talvez você tenha razão. – ele afirmou. – Peça para o Malfoy ir falar com ele e pedir para ele me esperar perto do Salgueiro Lutador, ok?

Eu acho que ele não vai... – Hermione falou.

Quem? O Malfoy ou o Rony?

Os dois! Mas tudo bem! Eu falo... – Hermione saiu das estantes com o semblante bem mais satisfeito.

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Oi... – ele chegou timidamente.

Por que justo aqui? Essa árvore é louca! – Rony falou, áspero.

Por isso mesmo! Se você for tão teimoso como na época do Tribruxo eu te empurro para cima do Salgueiro e fica tudo certo! – ele se sentou ao lado do amigo.

Você desenvolveu o humor negro do Malfoy, é? – ele falou tentando parecer sério.

Na verdade eu estou adotando certas manias dele... Efeito colateral da troca...

Sério?

Sério! Voldemort também tinha adotado algumas características minhas. Acho que foi por isso que ele nunca fez nada contra vocês três...

Isso é muito sinistro, cara! Quer dizer que Você-Sabe-Quem ficou hospedado na minha casa? Quer dizer que eu dividi quarto com o cara que eu aprendi a evitar a vida toda?! – ele estava com os olhos arregalados, lembrando-se de todo o tempo que se passou. – Sabia que ele me fez dormir na cama de armar?! – ele se virou para Harry abismado. – E andava muito mal humorado, também...

E namorou a Gina, no meu lugar...

É verdade! Não tinha me lembrado disso!

Pois é... Você entende agora? Segundo a Hermione e a Gina você era o único que ainda mantinha um contato mínimo com ele. A Gina já tinha terminado o namoro, e a Hermione evitava falar muito com ele. Ele já estava desconfiado, não foi fácil fingir que era o Malfoy... Se você mudasse o tratamento com ele também, aí ele teria certeza!

Tudo bem... Desculpe por ter sido um idiota... De novo!

Você não é idiota, Rony! – Harry falou. – Bom... Talvez um pouco... – ele riu.

É! E também sou seu cunhado, portanto é bom não me enfezar, hein! – ele retrucou brincando.

Beleza, então? – Harry estendeu uma das mãos para ele.

Beleza, cara! – Rony apertou a mão do amigo. – Eu espero que não tenha ninguém olhando, porque seria difícil de explicar! – ele olhou ao redor.

Nem me fale! E eu que tenho que aturar a namorada dele o dia inteiro! Ela é muito chata! Não sei como ele agüenta!

Ele também é um pé no saco! – os dois se levantaram para voltar ao castelo. – Hum... Harry?

Que? – Harry parou e voltou-se para o amigo.

Sabe... Você-Sabe-Quem andou me falando umas coisas...

Sei! A Hermione me contou...

Contou? – ele começou a ficar vermelho. – Bom... E então?

Talvez nós devêssemos tentar trocar de lugar um dia, sabe? Para você ver o que eu passo quando vocês dois estão juntos! – ele falou meio emburrado. – É de dar raiva! Vocês dois são as pessoas mais cabeças duras que eu já conheci! Nem que a coisa aparecesse escrita na testa de vocês, vocês perceberiam! Ou, no mínimo, admitiriam!

Do que é que você está falando? – Rony ficou mais confuso ainda.

Você sabe do que eu estou falando! Se realmente não tivesse percebido nada não iria se aconselhar com Voldemort! Não há nada que se possa fazer a respeito! Só depende de vocês agora...

Mas e o tal de Juan? – ele perguntou meio desesperado.

Harry ficou pensativo um instante: - Hum... Eu diria que ele é equivalente à Lilá Brown! – ele voltou a caminhar para longe do Salgueiro. – Vamos nos encontrar na Sala Precisa depois das aulas hoje! – e continuou seu caminho.