Harry! Harry! Eu tenho uma ótima notícia! Ou melhor, duas! – Gina correu em direção ao grupo que fazia revisões para os N.I.E.M.s.

Que notícia é essa? – ele perguntou rindo da euforia da namorada.

Um dos nossos artilheiros foi proibido de jogar! A professora McGonnagal o proibiu porque as notas dele estão muito baixas!

E desde quando isso é uma boa notícia, sua louca? – Rony interferiu, revoltado.

Dã!! – ela fez careta para o irmão. Sentou-se no colo de Harry e continuou, apesar da cara de reprovação que Rony fez. – Isso quer dizer que o Harry vai poder voltar!

Voltar?! – Rony perguntou.

É! Eu volto a jogar como artilheira e o Harry volta como apanhador, porque, sinceramente, eu não sei se consigo impedir o Malfoy de pegar o pomo a tempo de aumentarmos a diferença, mas o Harry consegue, não é? – ela sorriu orgulhosa para ele.

Conseguindo ou não... – Hermione interferiu. – Os jogos só acontecerão depois dos N.I.E.M.s, então acho melhor vocês pensarem nisso depois!

Depois? Hermione! É nossa última chance! Nós levamos a taça das casas nos últimos anos, não podemos deixar a Sonserina ganhar agora! – Rony defendeu.

Depois da nossa vitória sobre a Corvinal...

Apertada, diga-se de passagem... – Rony observou.

Mas foi uma vitória! – Harry falou antes que Gina respondesse. – Nós temos que ganhar de 250?

Eu fiz o que pude naquela partida, mas o apanhador deles é bom... – Gina se defendeu.

E qual era a segunda boa notícia, Gina? – Hermione perguntou.

Ah, é mesmo! O Colin recuperou a memória. Vai estar de volta para o fim do semestre. - Harry se remexeu desconfortavelmente na cadeira. – Não se preocupe, Harry... – ela acariciou o rosto do namorado. – Dumb... – ela olhou ao redor. – Brian explicou tudo para Profa. McGonnagal e ela já explicou para família dele.

Oi Harry! - todos se viraram para ver de quem se tratava. – Você soube do meu irmão? Ele vai voltar! Acho que vai até poder jogar, Harry! Você vai voltar também, não vai? Tenho certeza que podemos ganhar da Sonserina! Se o meu irmão voltar vai ficar fácil, Harry! Nós vamos manter o Malfoy bem longe do pomo!

Se você continuar falando sem respirar, Denis, seu irmão volta e quem vai é você! – Rony falou rindo.

Denis riu envergonhado.

Obrigado, Denis! Vamos precisar do nosso melhor time nesse jogo! – Harry falou.

Certo! Que legal Harry! Eu vou... Vou mandar uma coruja para meu irmão! – e saiu tropeçando depois de dar um tchau apressado para todos.

Bom... – Hermione chamou atenção deles. – Acho que com isso podemos voltar aos nossos estudos, não é? Não se esqueça Harry, que suas notas estão muito boas, mas só no nome. Você mesmo não sabe muita coisa, não é?

Valeu, Hermione. – Harry falou, em seguida baixou a cabeça e voltou a estudar.

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As semanas dos N.I.E.M.s chegaram e passaram numa velocidade incrível. Todos pareciam muito mais relaxados e já em clima de férias, aproveitando o calor que vinha com o verão. Sem a tensão por causa das provas, todas as atenções se focaram no clássico que teria lugar em alguns dias e que ganhou destaque graças ao bom desempenho da Sonserina e à falta de Harry em todos os jogos da temporada, voltando apenas para a final.

Hei Potter! Assim é fácil, hein? Jogar só o último!

Hei Potter! Tem certeza que você ainda sabe jogar? Não vai cair da vassoura, não?

Não ligue, Harry, não ligue! – Hermione dizia.

Eu não ligo, Hermione! – Harry disse pela enésima vez. – Eu já estou acostumado.

Sei... – Hermione resmungou, fazendo cara feia para um sextanista da Sonserina que passou por eles. – Hei! Cadê o Rony? – ela olhou para os lados.

Tá no banheiro, Granger! – Draco falou ao passar por eles, de mãos dadas com Pansy. – Acho que ele comeu algo que não fez bem! – e os dois riram.

Será que esses sacanas colocaram alguma coisa na comida do Rony, Harry? Acho melhor você ir atrás dele! – Hermione falou preocupada.

Eles não fariam isso... – Harry afirmou inseguro. – Em todo caso... Ah! Olha ele ali.

Rony vinha em direção aos dois. Estava meio amarelado e andava olhando para o chão.

O que aconteceu, Rony? O que eles fizeram com você? – Hermione correu até ele, preocupada.

Nada... – ele falou desanimado. – Ninguém fez nada, Mione... – e passou pelos dois, cabisbaixo, para pegar um lugar na sala de aula.

Acho que ele está nervoso, Mione... – Harry falou preocupado.

Mas eu achei que ele estivesse acostumado com isso! – ela cochichou, aflita. – Se ele ficar nervoso não vamos conseguir ganhar de jeito nenhum! Ele não pode deixar os sonserinos fazerem gol, Harry!

Acho que é por isso mesmo que ele está nervoso, Mione. – Harry falou mais baixo ainda, porque eles estavam se aproximando da mesa em que Rony estava. – O jogo depende dessa vez mais do goleiro que do apanhador!

Rony passou a aula inteira muito calado. Agüentou em silêncio as gozações dos alunos da Sonserina que já haviam farejado seu nervosismo e aproveitavam para atormentá-lo dizendo que a vitória deles já estava no papo. Ao mesmo tempo tentava não explodir com as palavras de consolo que Hermione lhe dava, e que só o deixavam pior ainda. Seu humor foi capaz de piorar mais ainda ao ver Hermione conversando alegremente com Juan, o capitão da Corvinal.

Você não devia ficar de conversinha com ele, Hermione! Ele deve estar com raiva porque os tiramos das finais! Ele deve estar passando informações para eles! – ele falou com as orelhas vermelhas no café - da - manhã que antecedia o jogo.

Não seja bobo, Rony! Você sabe que ninguém além da própria Sonserina torce para Sonserina. Ele só queria me agradecer pela ajuda que o dei em Transfigurações!

Humpf!

Você já está mais calmo? – ela mudou o assunto. – Olha, você sabe que joga bem. É só se concentrar! É como fazer uma prova! – ela falou sorridente.

Considerando que eu nunca me dou muito bem em provas sem a sua ajuda! – ele falou emburrado, empurrando a tigela de mingau e ficando levemente amarelado. – Sabe? Eu acho que já vou indo para o vestiário!

Ai, Hermione! Que tipo de conselho para dar para o Rony, hein? – Gina ralhou.

Eu só queria ajudar! – ela se defendeu.

Podia arranjar um jeito melhor de ajudar... – ela falou desanimada. – Acho que vamos perder esse jogo! O Malfoy e a namorada dele vão ficar insuportáveis!

Não vamos perder nada, Gi! Temos que confiar no Rony. Ele jogou bem a temporada toda, pelo que vocês disseram... – Harry se levantou. – Vamos indo?

Vamos! – Gina respondeu. – Tchau, Mione!

Tchau! Boa sorte! – Mione respondeu. Voltou a remexer em seu mingau, triste. – i "E se eu o deixei mais nervoso? Ai! Se perdermos esse jogo eu vou me sentir muito culpada!" /i

E aí, Granger! – Pansy passou por ela. – A certeza é tanta que você nem vai assistir o jogo?

Não Parkinson! Vou esperar no salão comunal, pronta para comemorar mais uma vitória!

Ha! Vai esperando, Granger! Pela cara que o seu namorado anda fazendo! Acho que ele desmaia quando o primeiro artilheiro chegar perto demais!

Vê se não enche, Parkinson! – ela se levantou, brava. – E diz para o Malfoy abrir o olho, ou ele vai perder o Harry pegando o pomo, hein? Como sempre, aliás! – e saiu triunfante com a carranca que Pansy fez para ela.

Hermione se dirigiu lentamente até o campo. A maioria dos jogadores dos dois times já sobrevoava o lugar, xingando-se e agitando agressivamente os bastões para os jogadores adversários. Muito perto da arquibancada ela avistou Pansy e Draco num beijo de desentupir pia. Em outro canto Harry e Gina conversavam carinhosamente, mas não havia nem sinal de Rony. Tomada de repentina resolução, ela decidiu ir até o vestiário.

Rony? – ela entrou cautelosamente. Não tinha certeza se todos os jogadores já haviam saído, e não queria dar de cara com nenhum deles seminu no vestiário. Mas apenas Rony estava lá. Sentado cabisbaixo num dos bancos. As luvas ainda por calçar.

Oi Mione... – ele respondeu desanimado.

Hei... O que houve, Rony? – ela perguntou solícita. – Você não deveria estar lá fora, com os jogadores?

E você não deveria estar lá fora com os torcedores? Com o Juan?

Ai! Como você cisma com o Juan, não? – ela se impacientou. – Eu já disse que não há nada entre eu e ele! E mesmo que tivesse, não entendo por que você se importa tanto! – ela cruzou os braços e ficou esperando por alguma resposta, que não veio. – Bom... – ela se decepcionou um pouco, mas sentou ao lado dele para dar apoio. – Eu tenha certeza que você vai arrasar nesse jogo! Sei que você vai fazer o melhor, e mesmo que não ganhemos, eu vou estar contente, só por você ter tentado!

Rony a olhou, ligeiramente mais animado. – É fácil falar, Mione... Mas não é você que vai estar lá, a 15 metros de altura, com todos te olhando e esperando que você vença o jogo.

Não... Não sou eu. Mas eu não estou lá porque sei que não sou boa em quadribol, mas você é! Você jogou bem a temporada inteira, e sei que hoje não vai ser diferente! E eu vou estar lá, torcendo por você! – ela ficou ligeiramente acanhada. – Vou estar lá sempre, Rony... – ela desviou o olhar. – Ganhando ou perdendo...

Rony a fitou, abobado, mas decididamente mais animado. – Se você vai estar lá sempre... Mesmo que eu não ganhe... – ele ficou escarlate. – Já vai ter valido a pena tentar! – e sorriu sentindo o coração quase saindo pela boca.

Hermione retribuiu o sorriso. O coração dando cambalhotas em seu peito e as bochechas em brasa. Levantou-se e falou: - Bom... Então eu vou pegar um lugar, o mais perto possível das balizas... Para te dar sorte...

Eles ficaram um tempo se olhando, sem saber o que dizer, ou o que fazer. Hermione sorriu novamente. Levantou uma das mãos, num aceno, sem coragem de abrir a boca por não saber o que poderia escapar dela. Deu meia volta e dois passos em direção a saída.

Rony se levantou, sentindo-se bem melhor. O rosto corado, nem sinal do amarelado que o dominava antes. Calçou as luvas com um sorriso bobo nos lábios. Não notou que Hermione tinha parado, virado e dado dois passos de volta. Quando se deu conta ela já estava muito próxima dele, torcendo as mãos suadas.

Ele a olhou, curioso. Ela continuava torcendo as mãos. De vez em quando o olhava, mas desviava o olhar quando ele lhe correspondia. Abriu a boca umas duas vezes, mas não emitiu som algum. Rony desistiu de calçar as luvas, sem entender direito o que acontecia.

Quando resolveu perguntar qual era o problema, não pode porque ela resolvera agir. Jogou os braços em volta do pescoço dele e tomou seus lábios de surpresa. Atordoado ele deixou uma das luvas cair, mas nem ligou. Enlaçou-a pela cintura e correspondeu o beijo, sentindo-se leve e feliz.

Depois do que lhes pareceu apenas décimos de segundo, os dois se afastaram ofegantes, sorridentes e muito corados. Hermione pegou a luva do chão e a entregou. Sorriu novamente e saiu correndo, afogueada, para pegar o melhor lugar na arquibancada, o mais perto possível das balizas.

Ninguém, muito menos o pessoal da Sonserina, entendeu direito o que aconteceu. Seus artilheiros pareciam enfrentar uma barreira invisível, pois não conseguiam acertar o gol de jeito nenhum. Rony parecia se dividir em três e, a não ser que um balaço passasse a centímetros de sua cabeça, não deixava passar nem ar por suas balizas.

Hermione se descabelava a cada boa defesa, três quartos da escola quase desmontavam as arquibancadas e os jogadores verdes ficavam ainda mais verdes de raiva. Harry sobrevoava tranqüilamente o campo, preocupando-se, pouco, em deixar Draco o mais longe possível do pomo. Poderia tê-lo pego várias vezes, e pela diferença de placar que se dera graças à confiança que Rony passava aos artilheiros, e ganhado o jogo, mas estava gostando de ver o amigo ser vangloriado pelo seu desempenho. Quando finalmente decidiu pegar o pomo, já não havia chance da Sonserina vencer, e a Grifinória levou a taça das casas com louvor.

A euforia pela vitória arrasadora da Grifinória foi esquecida apenas pela aproximação do baile de formatura e pela iminência do fim da vida escolar. Os alunos do sétimo ano se dividiam entre a ansiedade do baile e a tristeza pelo vazio que parecia o seu futuro, sem a certeza de voltar em alguns meses, reencontrar os amigos e saber exatamente o que tinha que fazer.

Caramba! – Rony dizia. – Quando aquela coruja chegou com os pacotes das roupas para o baile, eu confesso que fiquei com medo de abrir o meu! – ele contava animado. – Mas Fred e Jorge me compraram uma roupa nova. Disseram que eu mereci pelo meu desempenho no jogo! – falou orgulhoso de si mesmo.

Hei, Weasley! Parabéns, cara! – um aluno da Lufa-Lufa o cumprimentou no salão principal, mas tropeçou "acidentalmente" no pé de um sonserino e quase perdeu um dente.

Eles estão se mordendo de raiva! – Hermione falou contente. – Não vejo a cara branquela do Malfoy desde o jogo, nem a insuportável da Pansy.

E nem a Gina! – Harry falou de repente. – Onde foi que ela se meteu?

Hum... Acho que ela está no quarto, Harry...

O que foi que houve? Ela não gostou do vestido que mamãe mandou? – Rony perguntou enfiando um belo pedaço de batata gratinada na boca.

Não Rony. – Hermione falou levemente impaciente. – Ela está chateada por que o Harry vai embora! – e virou os olhos como se dissesse o óbvio.

Embora?! – Rony quase se engasgou. – Embora para onde?!

Ai meu Deus! – Hermione bateu de leve na própria testa. – Vai embora da escola, Rony! Agora eles só vão se ver nas férias!

Ah... – falou observando o olhar desanimado de Harry também. – Bom... Mas também não é o fim do mundo, é?

Harry decidiu não responder.

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O castelo estava extremamente arrumado. Harry nunca o tinha visto daquele jeito, nem mesmo no Natal. Apenas os alunos do sétimo ano, e seus parentes dos anos anteriores, haviam permanecido na escola. O baile aconteceria naquela noite, e alguns parentes começavam a chegar. Era engraçado ver a admiração dos pais trouxas de alguns alunos que viam o castelo pela primeira vez. Também era curioso ver crianças, irmãs mais novas de alguns alunos, correndo admiradas atrás dos fantasmas, ou fugindo de Pirraça, que estava com o humor muito alterado.

Onde estão as garotas desse castelo, cara? Sumiram todas! – Simas falou olhando para todos os lados.

Se arrumando! – Rony respondeu. – Não vejo a Hermione desde a hora do almoço! Não sei que tanto elas fazem que demoram tanto para se arrumar! – resmungou.

Rony, Harry! – a sra Weasley vinha até eles animada, seguida pela multidão ruiva que era a família dela. – Oh, estou tão feliz! – e abraçou os dois, um em cada braço.

Hei, Ronyquinho! Você ficou elegante! – Fred falou, bagunçando os cabelos do irmão.

Não é nem a sombra do Rony do baile de inverno, hein? – Jorge completou, arrumando, ou desarrumando, a gravata do irmão.

Hei, Rony! Parabéns! Disseram-me que você arrasou na final da taça das casas! – Gui chegou também para cumprimentá-los.

Ah! Nem tanto! – falou com falsa modéstia.

Verdade que você e a Hermione estão namorando, Rony? – Carlinhos chegou em seguida, para cumprimentar os dois.

Hum... É... – ele respondeu ruborizado.

Parabéns, Rony! – Percy falou. – Hermione é uma ótima garota! Quem sabe coloque um pouco de juízo na sua cabeça e o convença a arrumar um estágio no ministério! A vida de jogador de quadribol dá certo para poucos! – falou com importância.

Eu sou obrigada a concordar com seu irmão, querido! – a sra Weasley completou.

Ora! Deixem o garoto! – o sr Weasley abraçou o filho. – Depois o rapaz pensa nisso! Hoje é dia de festa! – e se virou para Harry. – E você Harry? Seus parentes não vêem?

Eles devem ter queimado o convite que eu mandei, sr Weasley, mas eu acho até bom!

Aí vêm as meninas! – a sra Weasley falou, animada.

As garotas estavam muito elegantes e sorridentes, embora Gina estivesse tão eufórica que mais parecia ser ela a formanda, e não Hermione e os outros. A festa começou por volta das nove, houve uma pausa para as homenagens, o discurso da diretora, e até a visita de Dumbledore, que a maioria dos alunos não via há vários meses. Depois da valsa dos formandos, a qual a sra Granger dançou com Harry, para não deixá-lo sem par durante a valsa dos pais, a festa correu mais informalmente. As pessoas dispersaram, casais se formaram e, quando a luz diminuiu e o som aumentou, ficava difícil ficar de olho nas filhas e irmãs. Foi nessa hora, aproveitando que Rony e Hermione haviam sumido e deixado Harry sozinho, que Gina resolveu tirá-lo de circulação também.

Para onde você está me levando? – Harry perguntou curioso.

Você já vai ver! – Gina dizia marota.

Hei! Não é para...

A Sala Precisa! Não daria para fazer surpresa mesmo! – ela disse sorridente. Chegou finalmente até a conhecida tapeçaria e começou o ritual para que a porta aparecesse.

Mas o que nós... – mas ele não precisou ouvir resposta, não depois que Gina abriu a porta e ele vislumbrou um ambiente fracamente iluminado, com uma cama de casal ao centro. – Gina...

Eu queria ficar um pouco sozinha com você... – ela falou meio envergonhada. – Nós quase não ficamos juntos esse ano, com tudo que aconteceu...

Eu sei, mas... Isso tudo... – ele engasgou. – Não é só para colocarmos a conversa em dia, é?

Gina riu, tímida. – Não Harry... Não é...

Harry riu também, começando a ficar nervoso. Depois da tentativa frustrada de Pansy ele não tinha mais pensado no assunto, embora tenha ficado muito curioso naquele dia.

O que foi, Harry? – Gina perguntou mais séria. – Você... Você não quer? – ela perguntou baixo, como se alguém mais pudesse ouvi-la.

Quero! – ele falou de repente. – Quer dizer... Quero sim, mas... – ele se aproximou dela. – Você... Você tem certeza que quer?

Claro! – ela sorriu encantada com a preocupação dele. – Eu tive muito tempo para pensar nisso, acredite! – ela baixou a cabeça, incomodada.

Gina... O que foi que houve...

Eu preferia não falar disso, Harry! – ela respondeu. – É o tipo de coisa de que eu não quero me lembrar... Basta você saber que não aconteceu nada, realmente... Algo me dizia que eu não devia, entende?

Mais ou menos... Se você achava que era eu...

Mas muito diferente! – ela aproximou mais seus corpos. – Um Harry que não me passava confiança nenhuma... Que me deixava insegura...

E eu não te deixo insegura? – ele passou os braços pela cintura dela.

Nem um pouco! – ela sorriu e passou os braços pelo pescoço dele.

Harry aproximou seus lábios dos dela. Era a primeira vez que realmente os sentia estando novamente em seu corpo, e era ótimo.

Assim é bem melhor! – Gina sussurrou.

Você tem mesmo certeza, Gina? – ele perguntou por via das dúvidas.

Tenho, Harry... Certeza absoluta! – ela soltou os próprios cabelos para se sentir mais à vontade.

Harry passou os dedos pelos cabelos vermelhos dela. Percebeu que estava um pouco trêmulo, mas sentiu também a curiosidade crescer em seu interior. Quantas vezes, em meio a guerra, ele não imaginou se um dia aquele dia chegaria, ou se morreria sem saber como era o corpo dela, sem saber como seria o toque de uma garota, de sua garota.

Confiante, tomou novamente os lábios de Gina nos seus, enquanto a sentia tirar sua capa. Ele parou de beijá-la apenas para poder tirar a gravata e vê-la abrir os botões de sua camisa. Gina acariciou o peito de Harry, enquanto ele afastava as alças de seu vestido. Ela virou-se de costas para que ele pudesse abrir o fecho do vestido que deslizou pelo corpo dela deixando a mostra suas formas jovens e firmes.

Um pouco mais acanhada do que esperava ficar, Gina virou-se novamente e viu-se longamente admirada por aqueles olhos verdes que ela tanto adorava. Sorrindo timidamente ela buscou os lábios dele tentando tirá-lo do transe em que estava. Harry a puxou pela cintura apreciando o toque suave da pele dela. Gina sentiu o corpo do namorado reagir àquele leve contato, tirou-lhe de vez a camisa e partiu decidida para despir-lhe também a calça.

Apenas as peças íntimas impediam o contato completo de seus corpos sedentos um pelo outro. Gina o guiou até a cama. Deitou-se e o puxou para que ele se deitasse também. Harry abriu o fecho do sutiã e acariciou um dos seios da namorada, extasiado com aquele toque. Gina fechou os olhos, levou a mão até a nuca dele e tomou seus lábios. Agora sentia todo peso dele sobre si e toda excitação que causava no rapaz e que a deixou mais ansiosa ainda.

Ofegante, Gina deslizou suas mãos até chegarem ao cós da roupa íntima de Harry e começou a baixá-la. Ele se afastou do corpo dela, para facilitar. Gina deslizou suavemente os dedos pelo peito dele causando uma leve contração involuntária quando chegou ao ventre e fazendo-o gemer baixinho quando o tomou na mão, curiosa. Não havia mais por que se conter. Resistindo à vontade de ficar apenas sentindo-a tocá-lo, Harry afastou-lhe a calcinha e a tocou também, deslizando delicadamente o dedo por ela e sentindo-a estremecer, até descobrir exatamente onde tocar para deixá-la completamente fora de si.

Perdida naquelas sensações, Gina deixou de tocá-lo e começou a baixar a própria calcinha. Harry entendeu que era chegada a hora. Terminou de tirar a própria cueca, esperou Gina tirar de vez a calcinha e sentiu um arrepio de ansiedade percorrer seu corpo quando a viu abrir as pernas colocando cada uma de um lado de seu corpo. Deitou-se sobre ela lentamente e, meio perdido, começou a procurar o caminho para o prazer. Quando encontrou, a olhou, como que pedindo permissão, e interpretou o sorriso dela como o sinal para unir seus corpos de uma vez.

Harry penetrou lentamente o corpo de Gina, refreando seus próprios impulsos para não machucá-la. Gina agarrou os braços de Harry e os apertou levemente enquanto sentia seu corpo ser tomado por ele. Ofegou quando o percebeu completamente dentro. Harry começou a se movimentar dentro dela, paciente, saboreando cada nova sensação que seu corpo experimentava, ouvindo-a gemer de leve, sentindo os beijos que ela depositava de vez em quando em seu pescoço. Sentiu o êxtase invadi-lo minutos depois e se despejou dentro dela, sentindo-a enrijecer também o corpo.

Gina abraçou-o feliz, sentindo-se completa e satisfeita. Contente por ter se entregado a Harry, ao verdadeiro Harry, como tinha que ser. Harry estava feliz pela confiança que Gina depositou nele, feliz por ter sido o primeiro a sentir o corpo dela e sentindo que, finalmente, poderia levar uma vida normal, ao lado da mulher que amava, longe da sombra do Lorde das Trevas.