N/A: continuação de A Visitante sem Memória

Era um dia quente e ensolarado. Uma brisa suave soprava de vez em quando. Era fim de férias. Ainda havia crianças brincando alegremente pela rua. O dia parecia perfeito e era assim que Rebecca o via. Ela tinha acabado de voltar do Beco Diagonal trazia seu material novo, seu uniforme, os livros. Ela tinha adorado o lugar. Era exatamente como Hermione havia descrito em suas cartas.

Ela contava os dias para chegada do dia primeiro. Só de pensar em voltar a Hogwarts dessa vez como aluna e não como uma garota- que-surgiu-do–nada já a deixava extremamente entusiasmada. Rever os amigos então: Hermione, Rony e Harry. Ao lembrar de Harry Rebecca sentiu de repente um vazio no estômago, seu coração parecia acelerado e ela pode sentir seu rosto esquentar.

O que é isso agora? É só o Harry! Meu amigo Harry. oras!

Rebecca, vá guardar logo suas coisas e desça para almoçar. Está quase na hora de você sair. – gritou a tia do piso inferior.

Já to indo! – respondeu a menina saindo do seu transe.

Na rua dos Alfeneiros, 4 o clima não poderia ser pior. Os Dursley receberiam essa tarde a visita de uma irmã de tio Valter. Tia essa que Harry odiava e que não fazia a menor questão de esconder que também odiava o garoto. Tio Valter havia saído para buscá-la na estação e já deveria estar chegando.

Harry! Termine logo de lavar essa louça! Valter e Guida já devem estar chegando!- gritava tia Petúnia com sua voz esganiçada.

Já acabei tia Petúnia!- respondeu Harry desanimado.

Então vá atender a campainha, devem ser eles!

Harry já estava perdendo a paciência. Quantos sobrinhos tia Petúnia achava que tinha? Ele não poderia fazer duas coisas ao mesmo tempo, embora fosse bruxo.

Não foi preciso abrir a porta. Tio Valter já vinha entrando com as malas de Guida nas mãos. Ele quase caiu quando foi praticamente atropelado pelo cachorro que a tia fazia questão de levar para todos os cantos.

O corpanzil enorme da tia foi facilmente visto pela porta. Incrível como ela era parecida com o irmão.

Faça alguma coisa, menino! Ajude com as malas pelo menos. – Esbravejava o tio praticamente jogando a enorme mala no colo do garoto. – E vá logo buscar as outras que estão no carro. Guida trouxe companhia. Vá ajudá-la.

Companhia? Essa é nova! Não imaginei que tia Guida tivesse amigos além dos próprios cachorros. – Harry pensava divertido e curioso. – No mínimo deve ser uma velha chata que adora gatos!

Quando finalmente o enorme corpo da tia passou pela porta Harry pode ver quem era a visita. E ele quase caiu para trás quando viu quem era.

Entre querida. – a tia falava para a menina. – Saia do caminho moleque! – a mesma gritava para Harry.

Rebecca quase não conseguiu conter a surpresa quando viu Harry. O vazio no estômago voltou mais forte dessa vez. Ela tinha a impressão que todos podiam ouvir as batidas de seu coração agora. Por sorte os dois, como se tivessem combinado, se lembraram de fingir que não se conheciam. Harry contara a Rebecca como os seus tios encaravam os bruxos, e não seria nada bom se eles descobrissem que estariam hospedando outra bruxa. Muito menos uma amiga de Harry.

Aqui querida. Essa é minha cunhada Petúnia. Petúnia, essa é Rebecca. – tia Guida as apresentava puxando delicadamente a menina para perto da outra mulher.

Muito prazer Rebecca. – disse Petúnia.

O prazer é meu senhora Dursley. – respondeu a garota.

Mas como é educadinha! – Exclamou a dona da casa.

Eu disse que ela era! Ela poderia até ensinar isso para alguns se isso não fosse perigoso para ela.- Ela frisou o "alguns" enquanto olhava de soslaio para Harry. – E onde está o meu sobrinho querido!

Duda querido, venha cumprimentar sua tia!

Enquanto as tias se distraiam procurando por Duda, Harry e Rebecca puderam trocar cumprimentos discretos. Rebecca dizia a Harry por meio de mímica que estava tão surpresa quanto ele devido a esta coincidência.

Duda! Como vai meu sobrinho preferido?! Venha dar um abraço na titia. – tia Guida se precipitou em direção ao garoto e deu-lhe um beijo estalado. – Quero que conheça alguém. Duda, esta é Rebecca.

Muito prazer Duda.- e lhe estendeu a mão para cumprimentá-lo.

A tarde corria tranqüila. De vez em quando tia Guida fazia um comentário desagradável a respeito de Harry. Rebecca olhava duvidosa para Harry e este lhe fazia sinal para que não se importasse. Os amigos não tiveram nenhuma chance de conversarem a sós, o que ambos lamentaram muito. Cada vez que Rebecca tinha uma chance de ficar sozinha com Harry, tia Guida a chamava e fazia algum comentário salientando o perigo que ela corria ficando sozinha com um garoto que estuda no Instituto Saint Brutus. Rebecca e Harry apenas disfarçavam o sorriso.

Por volta da hora do jantar os comentários de tia Guida em relação a Harry se tornaram mais ofensivos. Harry ficou furioso e acabou, sem querer, transformando tia Guida num balão.

Harry! Traga-a de volta! – gritava tio Valter.

Não! Ela mereceu. – Harry subiu em direção ao seu quarto para pegar seu malão. Não podia mais continuar ali.

Harry, aonde você vai?!- perguntava Rebecca tentando impedir o garoto.

Vou para o Caldeirão Furado! – respondeu agressivo.

Mas como você vai chegar lá há esta hora?

Não sei! Eu me viro! – Harry já estava do lado de fora da casa.

Rebecca segurando o braço do garoto falou:

Vou com você!

Nem pensar! – o garoto se virou e agora olhava para a amiga. – O ministério vai aparecer com certeza. Não podemos usar magia fora da escola. Não quero prejudicar você. Fique com eles. Com sorte não perceberam que nos conhecemos.

Como é? Pai! Socorro! Ela é uma... uma...uma aberração como o Harry!- Duda ouviu a conversa e saiu gritando pela casa.

O que?! Venha já aqui garota! Traga minha irmã de volta, então!- esbravejava tio Valter segurando o braço da garota.

Harry fez menção de voltar, mas Rebecca o impediu:

Não Harry. É melhor mesmo você ir. Vai ficar tudo bem.

Não vai ficar nada bem se você não trouxer minha irmã de volta! – tio Valter gritava segurando-a mais fortemente enquanto HArry se virava para ir embora.

Eu não posso senhor Dursley! E nem sei como! – ela argumentava...