CAP. 01. MEDO.

Olhos verdes... incrível como pessoas tão parecidas podem ser tão diferentes... Olhos violetas...

-Então... me diz... tá cansada... minha casa é mais perto... que tal um jantarzinho a dois?

-Meu amigo isso é suicídio...

Ela está cansada...sim e com a roupa amarrotada e braço sangrando... mesmo assim ele insiste... num ponto tem que dar o braço a torcer, o cara é insistente, até o amigo dele concorda... é perda de tempo...Pelos Deuses...

-Suma da minha frente Black... estou ocupada... e pare de distrair o Potter... ele tem serviço...

-Sossega dragão...- disse Tiago se esticando na cadeira e pondo os pés na mesa.

Morgan se virou e disse com um sorriso:

-O chefe tá vendo, Vassoura...

Tiago Potter deixa a cadeira cair, olha para o amigo que está morrendo de rir e diz aborrecido:

-Já disse pra não me chamar de vassoura!!! Fedelha!!!

-Então penteia o cabelo...

Morgan Graveheart a mais jovem aurora... a mais violenta também... seus passos param na frente dos elevadores... duas magias e o braço pára de sangrar e as roupas ficam impecáveis... Por Deus o que to fazendo... pra que to fazendo isso?

O sinal do elevador. Morgan ainda ajeitava as vestes quando algo macio trombou nela, caíram...

-A visão do paraíso... duas ruivas emboladas...- disse Sirius rindo.

-É a minha mulher...- disse Tiago enfiando a varinha nas costas do amigo.

-A ruiva?- disse Sirius cinicamente.

-A de olhos verdes...

-Então posso ficar com a de olhos violetas pra mim?!- exclamou alegre. – Sério?!

-Lily...- disse Morgan se erguendo.

-Hum.- disse Lílian juntando os papéis que caíram no chão.

-Estupore-os por mim... hoje eu não estou com paciência...- disse e desaparatou.

Boas lembranças... lembranças de normalidade eram tão poucas... e dor... muita dor...

Passos em uma escadaria grande, uma casa enorme, atrás uma enorme tapeçaria onde estava a longa genealogia dos Gravehearts...

Somos os mais antigos bruxos...

Somos o de mais longa linhagem...

Esse é o meu maior orgulho...

Era o que meu pai sempre dizia.

A garotinha estava com os joelhos ralados no jardim, a sua frente o homem a olhava com severidade.

-Você ao menos tentou?- ele disse frio.

Ela acenou positivamente com a cabeça, o homem se virou:

-Duvido.

Ela ficou ali caída no chão joelhos ralados... e ele foi, esse era meu pai... ele não se importava comigo, ou com a dor que eu sentia, ele odiava... odiava a primogênita... por ser mulher... por ser fraca... por ela não conseguir fazer um encanto sequer...

-Cliente difícil não?- exclamou o senhor Olivaras animado.

-É capaz de não ter nenhuma varinha para ela...- disse seu pai baixo para a esposa.

A mulher só abaixou a cabeça... olhou perdidamente para a menininha... essa sim olhando para o homem que subia mais alto a procura da varinha certa...

"Mas eu ouvi isso pai... eu ouvi."

Ela levantou a varinha, dela saíram faiscas prateadas...que encheram o lugar como confetes...

-Ah... claro... claro... vinte e seis centímetros... carvalho... corda de coração de dragão... ótima para encantamentos.- disse o senhor Olivaras.

Corda de Coração de Dragão...

-Tem certeza que não quer um gato querida?- perguntou a mãe.

-Gatos não são úteis, nem tem porte para uma Graveheart.- retorquiu o marido.

-Eu gostaria de ter um desses...- disse a garota olhando os falcões

-É gostaria, mas não vai ter...- disse o pai.- Todo Graveheart tem uma Fênix... mas como não são permitidos... maldita burocracia... você vai ter uma coruja.- ele disse com uma expressão mista de raiva e nojo.

-Quero essa. -disse apontando para o exemplar castanho.

-Um mero Mocho?! Nunca! Essa aqui.- ele disse apontando uma.

Com a imensa coruja negra na gaiola a menina se despediu da coruja castanha que tinha olhos amarelos tão bonitos... mas estava acostumada a se despedir das coisas que gostava...

-Tchau querida Cherrie...- a mãe beijou-lhe a bochecha...

-Prometa que não vai me envergonhar... -disse o homem a dois passos de distância.

Sorriso...

Nunca houve sorriso mais falso que o meu... pelo menos nos momentos difíceis...

O expresso de Hogwarts parecia tão grande... talvez por eu ser tão pequena... eu tinha dez anos... ainda.

-Quanto?- ele perguntou olhando-a, interessado pela primeira vez.

-Dez...

O garoto enrugou a testa, olhou-a com aqueles olhos penetrantes... sorriu.

-Vai precisar mais do que berros para se dar bem aqui pequena Morgan...

-E você vai me ajudar...- disse num muxoxo.

-Talvez...

-Eu ajudo você...- ela riu e se virou descendo para seu dormitório...- Noite...Severo...

-Noite...

Coração de Dragão...

Tudo por uma fraqueza... medo.

Ela entrou no salão junto com os outros... cabeça baixa... olhos muito abertos para que deles não escapasse lágrima alguma... humilhada na entrada... por ser medrosa... os outros caçoavam dela... o salão inteiro em silêncio porque a cerimônia estava atrasada... quando a seleção começou "ah... é só colocar o chapéu...", nada pode ficar pior não é?

-Graveheart, Morgan...

Ao andar percebeu os selecionados a apontando e falando... a história passada adiante... tremeu.

O chapéu cobriu a visão de tudo...

"Sim...sim... alguém difícil... uma grande inteligência... sim... vejo uma coragem escondida... uma perspicácia feroz... e talento, muito talento... e acima de tudo... um grande desejo de se provar... onde colocar isso tudo... vejamos... SONSERINA"

Ela andou firme apesar da recepção fria... todos os já selecionados a olharam como se quisessem deixar bem claro que não a queriam ali... apenas ele puxou a cadeira ao lado, sem olhá-la, sentado ao lado de um monitor, um rapaz louro de olhos frios.

-Obrigada.- disse quando se sentou.

Ele não respondeu... lia discretamente um livro por baixo da mesa.

-Alunos do primeiro ano...me acompanhem.- disse o rapaz louro, o monitor.

-Marahaja Naja... essa é a senha.

E no primeiro dia aconteceu, foi em direção ao dormitório e foi barrada pelos colegas e mais alguns dos mais velhos, olhou em volta, o rapaz sentou-se juntamente com o monitor, ambos sem dar mostras de interresse no batalhão que impedira a menina de ir ao dormitório... um terceiranista é que disse:

-Preste bem atenção fedelha... não admitimos covardes na Sonserina! Nem gente que faz besteira...

-Então deixem de ser covardes e me deixem passar...- respondeu em alto e bom tom.

O monitor ergueu o rosto.

-Você não vai se criar aqui!Fedelha!!!

A varinha erguida estuporou os três maiores, inclusive o que falava.

-EU SOU MORGAN!!! MORGAN GRAVEHEART!!!FUI EU SIM QUE CORRI DOS FANTASMAS!!! ALGUÉM MAIS AQUI TEM PROBLEMAS COM ISSO?!- berrou furiosa.

O monitor riu e voltou a atenção ao livro do outro rapaz, o caminho ao dormitório feminino ficou livre... nunca mais gritaram com ela, nem tocaram no assunto.

Pelo menos não na sua casa.

Se bem que ela nunca esteve em casa... totalmente.