CAP. 02. SONHO.

Ajeitou as vestes...

Essa é a mulher que você se tornou... pensou olhando no espelho, você é um monstro assassino, não importa o que Dumbledore lhe diga... com passos decididos ela deixa o departamento em que trabalha, chega ao elevador sem olhar aqueles que esticam os pescoços para vê-la sair... alguns desejando que não retorne mais.

"Departamento de Mistérios"

As portas do elevador se abriram... passou pelo corredor nu, exceto pela maldita porta negra... como aquela porta chamava sua atenção... mas desceu a escada, entrou no corredor... engraçado como esse corredor lhe lembrava de Hogwarts...

-Décimo tribunal...- disse esticando a mão para a porta escura.

Abre-a com um rangido, olha a suprema corte.

-Está atrasada.

-Sinto muito, estava em campo.

Sentar-se na cadeira para qual trouxera muitos a sentar é uma sensação estranha, olhar a corte pelos olhos dos que são julgados...

-Prá vocês é fácil, não é? Julgar!!! Julgar a gente!!! Vocês que caminham nesse mundinho cor-de-rosa e ensolarado... como é fácil julgar... mas e nós?! E nós que andamos entre a sombra e a escuridão?! – ela gritou para as três que a olhavam estáticas.- A gente que não tem chance de sorrir? De ser feliz? De ter amigos? De confiar? É tão fácil julgar os outros assim!!! Apontem!!! Apontem a gente!!! Riam!!! Brinquem!!! Nós não somos gente!!! Somos coisas!!! Somos animais!!! Somos cobras!!! – ela enxugou as lágrimas nervosa.- Que culpa tem a cobra de nascer cobra?

Foi quando a outra mostrou o que era bondade pela primeira vez... sim, ali... antes de tudo é que começou seu regate... sua conversão.

-Ninguém mais vai rir de você Morgan... nem vamos deixar eles rirem dele.- disse Lílian Evans a abraçando.

A sala precisa pareceu mais iluminada...

-Eu acredito que você é legal Morgan... mesmo sendo sonserina.- a outra sorriu.

Elas estavam um ano a sua frente... Morgan ainda estava no quarto ano... tanto havia acontecido... ela estava tão furiosa por causa dele... amava ele... e sentimentos não correspondidos doem... muito.

-Saia daqui!- ele jogou o livro na direção dela.

-Isso! desconta essa raiva! Faz o que tem que fazer nem que seja em mim! É melhor que se consumir de raiva e vergonha Severo!

-Isso é sua culpa Morgan!!!- ele jogou outro livro na direção da garota.

-Pode ser mesmo! Então aproveita!- ela entrou e mostrou as mãos limpas.- Vai me azara, me joga um livro, mas pára de me evitar!!!

Isso porque de certa forma, parte da culpa era minha, não toda, mas parte dela.

Prensada contra a parede... o rapaz de olhos negros a encarava com malícia.

-Sabe... como eu ia dizendo...- ele riu.- Você me deve uma resposta.

-Se precisa arrancar ela de mim, talvez seja uma que não queira ouvir Black...

Tão perto... não que não fosse bonito, por Deus, Sirius Black era o cara mais bonito de Hogwarts, mas só isso, e havia um certo abismo entre eles insuperável.

-Podemos fazer um teste... que tal?

Não era a primeira vez que Black tentava beijar a garota sonserina... mas era a primeira vez que dava um ganido, ao ser repelido.

-Isso é baixo até para uma sonserina...- disse ele com a voz rouca.

-Estou cansada de duelar com você, Black... vou ser mais direta, e acertar na raiz dos meus problemas entendeu? Eu tenho outra pessoa em vista, e você sabe quem é.

Ela deixou Black sozinho naquele corredor escuro, se contorcendo de dor após ter levado uma joelhada em certo local delicado...

-Maldito...- ela ainda o ouviu gemer.

-...audiência da corregedoria, acusada de abuso de poder, a acusada não apresentou defesa até o presente momento.

Foi Crouch que interviu, que disse que ela estava fazendo seu serviço, ah, sim... Crouch concordava com o uso extremo da força em casos como os que ela investigava, quem teria dúvidas de matar alguém disposto a lhe jogar uma maldição letal?

-Totalmente insano!!! Exagerado!!!

Isso se aplica a mim... sempre...

Insano foi o meu quinto ano em Hogwarts... o pior sem dúvida... isso porque não quis seguir os passos de meu pai... porque eu disse que não iria me casar... iria ser aurora... ele quase me expulsou de casa...

Ele nem me levou até o expresso... fui só com minha mãe e irmãs...

Cabines... cabines... cheias... pessoas alegres... namorados... Oi Lílian!

-Só você mesmo para confratenizar com o inimigo, fedelha.- disse arrogantemente a moça de longos cabelos negros.

-Melhor do que me arrastar por aí atrás das pessoas, na cara de outras...- disse tão arrogante quanto a outra encarando a companhia da morena.

-Você fala demais, fedelha.- disse a loira.

Se haviam criaturas no universo que Graveheart odiava era os Black, homem ou mulher.

-Vocês duas se merecem,criaturas baixas... infelizes que nem tem nome de gente,- riu, abanou a mão como se despejasse um elfo domésico. –Sumam, sumam... não preciso de ninguém para carregar minhas malas.

-Verdade?- disse o rapaz atrás dela.- Eu ia me oferecer.

-Reuniâo familiar? Me dispensem sim?- disse metendo o malão no peito do rapaz.- passa viralata.

-Maldosa...- ele falou, mas se virou sorrindo.- Priminhas!!!

-Nos poupe.-disse Narcisa se virando.

Família normalmente é uma coisa linda... normalmente.

Se enfiou na cabine onde ele se escondia, ele tirou os olhos do livro e a olhou.

-Olá.

-Olá?- ela disse o olhando.- Olá? As férias inteiras sem me ver e você só me diz olá?

Ele riu, isso era uma visão para poucos, só assim ele ficava muito bonito, principalmente com os cabelos presos, Severo Snape sorrindo era outra pessoa.

-Você é uma exagerada Morgan...

-Eeeeuuuuu?- ela disse se jogando tão ao lado dele que quase sentou em cima do livro.- Imaginaaaa.

-Morgan... por favor... se a...

-A vaca da Narcisa não vem... tá bem!- ela se ajeitou.

-Não a chame de vaca, eu não gosto... você sabe.

-Hum... vou pensar no seu caso...- ela deitou a cabeça no colo dele.- Larga esse livro, Severo... nem chegamos a escola ainda.

-Você é que devia estar estudando... ano de NOM´S...

Ela o olhou nos olhos, sorriu:

-Eu não preciso estudar... você me ensina... e os seus Nom´s?

Ele sorriu, pegou o papel de dentro do livro, deu para ela ler.

-UUAAAUUUU!!! SEVERO!!! Merece um beijo.

Bote de cobra, o discípulo surpreendendo o mestre, Severo não recuou, ele gostava, sempre gostou...

Tinha sido ele quem ensinara, dele tinha sido o primeiro beijo...

Um feitiço de desilusão bem feito e ela tinha passado pela gata de Filch sem ser percebida... tudo que queria era uma poção forte suficiente para apagar o "fogo" do Black... o carinha não a deixava em paz... talvez um repelente para vira-latas... algo para deixar claro pro cachorro não entrar em território sonserino. Entrou na biblioteca.

A parte reservada se abriu para ela como uma loja de doces, no terceiro livro que pegara percebeu alguém do outro lado.

-Quem está aí?- a voz rouca do outro lado perguntou.

Ela ficou em silêncio.

-É melhor sair daí... se forem vocês grifinórios...

-Grifinório é a senhora sua vaca mãe!- chingou.

-Morgan?

Ela tentou sair dali, mas duas mãos fortes a seguranram... ela sentiu o feitiço de desilusão se desfazer, se virou e encarou-o.

-Severo?- perguntou surpresa.

Eles se encararam, ele parecia furioso.

-O que está fazendo aqui, nessa hora, se Filch te pega...

-E você hein? Ou acha que o "monitor" poderoso Malfoy vai te tirar dessa encrenca?

Mas Snape enfiou a mão na boca dela e a puxou pela cintura, apenas sibilando.

-Filch... droga Morgan... você atraiu ele pra cá...

Estavam bem encrecados... foi ela que fez meia dúzia de livros voarem na cara do zelador e foi ele que a arrastou pelos corredores...

-Você...- ele a olhava.- Você... você...

-Eu... eu ... eu ... o quê?!- parou.

Com o repuxo ela quase caiu, ele parou.

-Anda... não é seguro...

-O babaca do Filch tá na biblioteca ainda...

-Não é com o Filch que temos que nos preocupar.

Ambos escutaram passos leves vindo próximos.

Snape a apertou contra um nicho na parede ao lado de um vaso muito feio, puderam escutar um chute, um gemido que parecia vir do corredor vazio.

-Ei Rabicho... segura esse teu pé esquerdo...

-´sculpa...

-Parem... eu vi Filch por aqui...

-Nem olhe... vamos para as masmorras...

-Rabicho!

-Pontas... calma.

E as vozes foram como vieram... Snape estava tremendo de raiva... ou medo, ela não conseguia discernir, mas sussurrou.

-Marotos...

-Grifinórios da pior espécie... como eles andam por aí assim?

-Eles tem os truques deles...- disse Snape.- agora não podemos voltar...

Andaram pelos corredores a esmo por um bom tempo...

-Não podemos ficar passeando.-ele disse sério.

"porquê não..." eu pensei... ele nem imaginava o quanto eu sempre tinha desejado ficar com ele, assim só pra mim... desde o primeiro dia... quando ele me deu aquele lugar ao lado dele, apesar de estarem andando em círculos, era a terceira ou quarta vez que passavam por ali, ela estava gostando do toque da mão dele, da voz rouca que não parava de reclamar.

Os olhos de Norrra apareceram no corredor.

-Maldição...- ela gemeu.

Nem pode reclamar mais, ele a puxou de novo, agora para um lugar novo... uma passagem secreta.

Era uma saleta minúscula, com uma janelinha e um sofá... ambos ficaram de pé, perto da porta escutando, ouviram exatamente o que temiam...

-Sim minha querida... farejou alguém... mas esperamos, vamos esperar esses moleques... nem que seja a noite toda... minha querida.

Ambos se olharam... encurralados, ele se sentou no sofá.

-Que droga... você não me disse o motivo de estar na biblioteca... Severo?-ela se virou.

-E você?- ele a olhou.

-Black...

-Qual dos três?

-Advinha...

-Poção de amor? –ele disse com desprezo.- Pensei que pelo menos você ia escapar desse cara.

Foi o "pelo menos você", que fez seu coração disparar... ela pegou sua jóia no bolso, a garrafinha.

-Essa é a idéia...- tomou um gole e estendeu para o rapaz.- ele me enche as paciências...- se sentou com ele.

-Bem vinda ao clube...- disse ele sombrio olhando a garrafinha.- O que é isso?

-Não pergunte... beba.

Snape cheirou, olhou.

-Não é veneno, seu paranóico.

-Eu sei que não é,eu vi você bebendo... é uísque de fogo?

Ela concordou com a cabeça.

-Porque que eles invocam com você as vezes hein?

-Porque sou sonserino, sua obtusa... porque sou melhor que eles em algumas coisas...

-Disso eu não tenho dúvida...

Beberam mais, Snape sorriu, foi a primeira vez que o viu sorrir, ele brindou.

-Gostou, não é?

-Dá pra acostumar...

Ela riu.

-E o Black anda pegando no seu pé?

-Infelizmente aquele cachorro não desgruda de mim... eu não sei porquê...

-Por que ele vai atrás de todas as garotas, bonitas...- ele a olhou.

-Bonita? Eu?

-Você é sim...

Ele estava tão perto...

-Você acha?

-Acho sim...

Ele foi rápido, o primeiro beijo... nem um pouco inocente, mas que a deixou num estado de devaneio, ele tinha mãos ágeis... boca experiente... ela nunca se perguntou se na verdade ele não a desejara apenas por causa do Black... pois ela soubera desde o primeiro ano que ele amava outra pessoa...

Mas aquela malícia dele era um sonho... dos olhos negros ao perfil de águia... do primeiro ao último beijo que trocaram naquele lugar, do corpo dele colado ao dela... por muitos dias, ela reviveu aquilo em sonho...

Quem dera se tivesse sido só um sonho...