CAP. 05. Surpresa!!!
-Eu espero você...
-Mas porque afinal?
-Surpresa!!!
Ela saiu da sala comunal sorrindo para ele.
Absolvida... de todas as acusações, desde que realmente renuncie ao cargo... aceite ser assistente... aceitaria qualquer coisa a partir daquele dia... maldito dia... maldita surpresa ao revelar a máscara.
-Solus format!-diz o comensal e uma gaiola de terra a prende.-Pare de lutar!!!
-Deffindo totallis!- a gaiola se desfaz.
-Estupefaça! Fique quieta!
-Protego!
-Potere!
Ela desaparata, mas ele está preparado.
-Crucio!
Mas ela é incapaz de sentir dor, não conhece isso, apenas sente os espasmos, geme furiosa.
-Flamae!
Uma torrente de fogo envolve o comensal, mas ele está preparado, congela as chamas.
-Flagelinis!
"Eu conheço você?"
Fios de gelo a envolvem, alfinetam a carne, mas dor é uma coisa que ela não sabe sentir...
-Finite incatatem!
-IMPERIO!
"Eu conheço sua voz..."
"Pare de atacar e baixe sua varinha..."
"Quem é você?"
"Pare de me atacar e abaixe sua varinha!!!"
"QUEM É VOCÊ?"
-QUEM É VOCÊ?!
-Estupefaça!
Crack!
Ela aponta para a cabeça do comensal.
-Legilimens!
O contra ataque é terrível...
Morgan carrega a bandeja com um prato de cozido, reforçado, entra no quarto, a mulher deitada na cama parece um cadáver... sua mão esquelética acaricia uma meninha ruiva estendida em sono profundo ao seu lado, Morgan não tem mais nada a fazer a não ser anunciar de forma carinhosa:
-O jantar está servido...
-Ah, sim querida.- responde a mulher fracamente.
-Então, vamos nos sentar...
-Antes querida.- sorri a mulher, e o sorriso revela ainda mais o feitio de caveira dos olhos fundos.- Quero que pegue algo para mim...
-Depois, você tem que comer, não come nada desde ontem...
-Mentira...
-E ontem foi só um copo de vitamina... mãe pare de pensar nele e...
-Ah sim... mas antes, seja boazinha Morgan, pegue meu bauzinho na estante.
A moça deixa a bandeja na mesa de cabeceira e vai até a estante, de onde retira um bauzinho de madeira muito vermelha entalhado com runas antigas de força e proteção... bauzinho que sempre fora proibida de mexer...
-Sente do meu lado querida...
Ela anda até a mulher tentando não pensar que em menos de dois meses ela fora reduzida de uma bela mulher saudável a aquele cadáver a sua frente...
-Isso é um tesouro, abra.
Sentada na cama ela abre o baú devagar.
-Surpresa!-diz a mulher baixinho.
Presente de aniversário, uma antiga coleção de cartas de tarot...
-Está na família há gerações, você vai prever o destino dele com essas cartas, eu vi.
Olha as cartas com misto de alegria e medo, detestava o futuro, detestava a vida... por que tinha medo da morte... e pensando naquilo, nem percebera, que a morte... a morte estivera ao seu lado, e lhe tirava algo... no momento em que ganhava aquilo.
-Obrigada mãe!- abraça a mulher.
A mulher, não reage, não mexe, mal está quente.
-Mãe?
-Mamãe?
-MAMÃE!
Sua mãe está morta... a dor é tanta, que escorrem duas lágrimas, a dor da alma, fere... são só duas... lágrimas de sangue...
-Desgraçado!!! Filhote de dementador!!! Cria dos infernos!!!- berra afundando as unhas na própria carne, foram alguns segundos de lembrança.
Uma eternidade de fúria.- Garra negra! DEVOLOS!
O comensal que se virava é atingido no peito pela magia negra conjurada... como se tivesse levado uma patada de um grande animal, o peito dele se rompe em sangue, ele caiu devagar com uma exclamação mínima.
-Quem é você seu filho da mãe? Tem medo de usar uma maldição letal? Qualé a sua?
Arranca o capuz dele... preferia nunca ter visto, dois olhos a miram, num misto de medo, dor e vergonha...
Medo de ter cometido um erro, a dor de ferir alguém querido e vergonha de ser o que é... e isso sentiram ambos, os olhos dela se encheram de lágrimas, pela primeira vez em anos.
-Severo! Não por favor...- segura o ferimento com força.- Você não!!! Não por favor!!!
Ele não pode falar, o ferimento é gravíssimo, apenas sorri... sangue escorrendo dos lábios também...
-Não posso levá-lo ao StMungus... nem te atenderiam, com essas roupas...
Ele fecha os olhos, ela lhe dá um tapa.
-Não se atreva! Não ouse morrer na minha frente! Anda! respira!
Apenas uma face bondosa lhe passa pela cabeça, ela usa o capuz dele, um capuz de comensal...
-PORTUS!!!
Talvez tenha sido a primeira vez que alguém rompeu toda a segurança do escritório de Alvo Dumbledore e conseguiu fazer um portal diretamente para a sala do diretor de Hogwarts, que nesse momento contemplava uma bacia que brilhava com uma luz levemente prateada, talvez ela tenha sido a primeira pessoa a pegá-lo desprevenido e surpreendê-lo, mas ele era um poderoso mago, bondoso também...
-Professor... diretor... Dumbledore!!!
-Senhorita Graveheart?!!!
-Me perdoe... mas só consegui pensar no senhor... nos ajude... por favor...
E face dele apenas aquieceu bondosamente ao se postar ao lado do rapaz mortalmente ferido.
-Encrencado Snape? Não se preocupe... vamos cuidar de você, apenas lute...
Uma ave do tamanho de um cisne já estava no peito dele, mas era um feitiço cruel... a ferida reabre várias vezes... só existe um feitiço de corte pior do que este... ele cerra os dentes e geme baixo...
corajoso afinal... ele sabe o que é sentir dor...
Ela com olhos fechados apenas aperta as mãos frias e suadas dele... a aurora e o comensal...
Eu não fiz a minha parte, eu não o entreguei, mas nunca mais pude olhá-lo na cara, e ele também não podia mais me olhar... eu desisti de ser aurora... ele desistiu de ser comensal... morremos juntos aquele dia...
-Eu espero você...
-Mas porque afinal?
-Surpresa!!!
Ela saiu da sala comunal sorrindo para ele.
Esperando apenas por ele, no dia do aniversário dele, uma espera ansiosa, uma decisão séria, de entrega, que se danasse a decência... que se danasse a dignidade... ela escuta a porta se abrir, não fala nada, apenas envolve o vulto com os braços nus e lhe prende num beijo de total entrega...
Um choque, uma química, braços que roçam por seu corpo, bom e mau... não é ele... aquela boca faminta não é a dele, os braços não são os dele, aquele longo cabelo de seda... é do outro, ela tenta escapar mas ele é mais forte. Se faz a luz no aposento.
-Bela surpresa.- ele diz frio.
-Não é...
Ele saiu da sala, e ela engole seco, o outro sorri:
-Podemos continuar o que estávamos fazendo?
-MALDITO!!! Black!!! Porquê?
-O que esse ranhoso tem que eu não tenho?! afinal!!! Depois desse beijo... o que ele tem...
-Esse beijo era pra ele! Dele! Seu idiota!!!
-O que eu faço pra tirar ele da sua cabeça...
-Ele sai quando morrer! -diz saindo da sala.
Um corria pelas masmorras, uma pelos corredores e outro abandonado numa sala vazia pensou na mais horrível das coisas... morte ou pelo menos o gosto da morte...
Ela perdera o amigo, o amante, o apoio... e os dias negros vieram... rapidamente... de surpresa.
Eu devia ter dito... quando EU morrer...
