II
Kanon POV
Permanecemos assim durante algum tempo. Em seguida levanto e vou banhar-me, e Saga me segue.
- E então, Kanon? Como está o espírito de poseidon?
- Adormecido, como sempre.
- Seja precavido. Não confie na aparente inércia de um deus. Sempre repare nos sinais que ele der.
Mais uma vez quer se meter em meu modo de administrar o reino dos mares. Fico quieto, mas a vontade de rebatê-lo é crescente.
- E os marinas? Quando pretende trazê-los para o treinamento efetivo?
- Não sei, Saga! É cedo ainda!
- Cedo? Já devem ter idade suficiente para apresentar algum desenvolvimento! Quanto mais cedo melhor! Não deixe o tempo passar perante seus olhos!
- Eu sei o que faço - digo, olhando-o aborrecido - Cuide do Santuário de Atena, que eu cuido do Templo Submarino.
- Mas... você não lembra? É nosso reino; compartilhamos tudo. Qual o problema em ouvir o que tenho a dizer?
- O problema é que eu nunca me meto nos assuntos do Santuário do qual você diz ser Mestre. Portanto, por que diabos quer me controlar?
Ele olha-me com reprovação.
- Se não "se meteu" nos assuntos de lá, foi porque não quis. Sempre deixei claro que não dividiria em "meu" ou "seu". Não é verdade?
- É, sim. Mas... eu preferia cuidar sozinho do reino marinho.
Saga, que até então me ajudava a lavar as costas, interrompeu o que fazia.
- Suas palavras dizem "não", mas seus atos dizem "sim". Talvez não esteja enjoando de mim na cama, mas sim na personalidade. Não estaria sua ambição falando mais alto do que o que sente por mim?
- Não. Apenas quero privacidade, minhas coisas. Você sabe, somos gêmeos e nascemos juntos, mas isso não significa que ficaremos juntos em tudo!
Ele demonstra-se extremamente aborrecido.
- Está bem. Se é isso que quer, terá.
Terminando o banho rapidamente, meu irmão sai do banheiro sem me esperar, ao contrário do que geralmente faz. Assim que vejo-o fora, sorrio pelo canto da boca. Sim... eu consegui aborrecê-lo. Mas isso é apenas o começo...
Banho-me rapidamente, planejando a outra parte da vingança em minha mente. Colocarei-a em prática rápido; não darei tempo para o ressentimento dele esfriar.
- Saga, fique aqui. Ainda tenho algumas pendências a resolver.
- Em plena noite? E no dia de nos vermos?
- Sim. Uma pessoa como eu não tem horários sempre fixos, você sabe.
Seu olhar maléfico pousa sobre mim, mas não sem antes munir-se do capuz.
- Se você sairá, quem não ficará plantado aqui serei eu - sua voz diz, num tom agressivo - á faço isso por tempo suficiente no Santuário de Atena; conhecerei novas paragens por aqui. E quem sabe novas pessoas!
Após acentuar a última frase, meu irmão saiu de meus aposentos batendo a porta com força. Sorrio ainda mais uma vez, vendo os últimos retoques de minha aparência e decidindo sair enfim. Cuidarei dele afinal... a vingança deve ser um prato a se comer frio... saborosamente frio.
OoOoOoOoOoOoOoOoO
A partir daqui, narração em terceira pessoa
Tétis, a bela intendente direta de Poseidon, intenta descansar em sua morada. Nos últimos tempos, porém, esta não tem sido tarefa muito fácil. Ela andava um tanto quanto... obcecada pela imagem de seu superior? Um tanto masoquista de sua parte... ela, uma mulher forte e determinada, demonstrando atração por um homem que a desprezava cada vez mais?
Afinal, ele não mostrava o mesmo desvelo por ela, pelo contrário: sempre ressaltava suas falhas, jamais as qualidades ou êxitos em trabalho. Se bem que era sempre assim, com todos: desde o soldado raso até os subordinados mais próximos. Todos eram alvo de sua agressividade diária, e de suas palavras duras. Que homem amargurado! Não precisaria ele de uma companheira para amainar-lhe o espírito? Não poderia esta companheira ser ela mesma?
"Não...", pensava ela, extinguindo um de seus últimos motivos de esperança. "Os homens da guerra são... homens da guerra. Não podem amar, a não ser que..."
Ainda pensava ela em tais coisas, quando sentiu a presença dele se aproximando. Mas... dele? Por que, àquela hora da noite? Como sempre respeitando a hierarquia que havia entre eles, a sereia faz uma referência ao superior antes de dirigir-lhe a palavra.
- Senhor Kanon, há alguma missão a ser cumprida?
- Não... apenas quero uma coisa de você...
A bela sereia estranhou o fato de ele estar com uma voz estranha, um tanto quanto difernte da habitual. Mas logo deixou de reparar nestas coisas, pois foi surpreendida com um beijo ardoroso e repentino, sem cerimônias.
A loura tentou falar algo, ou corresponder, mas não conseguiu, ante a intensidade do ato e a surpresa que a tomara de súbito.
- Senhor... - a sereia estava tomada de tamanha admiração, e tantos sentimentos e pensamentos passavam por sua cabeça, a um só segundo, que não conseguiu falar mais nada.
- Minha bela ninfa... - replicou Kanon, num sussurro - apenas diga se me quer... apenas isso...
A intendente estava tomada por tal emoção, que permaneceu sem dizer palavra alguma. Apenas acenou com a cabeça afirmativamente, em seguida tomando-o para reiniciarem o beijo que haviam interrompido.
Sem muitas delongas, o Marina começou a despir a moça. Logo revelou-se um corpo esguio e formoso de mulher. A pele dela era branca, com algum tom azulado por causa do luar coado pelo mar.
Ela também não tardou em despi-lo. Ele pareceu a si mais belo do que imaginava... sua pele era branca também, apenas um pouco menos do que a sua própria. Ambos voltaram a se acariciar, e nada mais restou à sereia do que pensar que os deuses a haviam atendido prontamente.
Já bastante excitado e sem querer esperar mais, nem vendo necessidade para tal, Kanon deitou-a sobre a cama na qual ela intentava repousar anteriormente. Sem esperar, ele encaixou-se entre as pernas dela, as quais logo se enlaçaram em torno de seus quadris, e a penetrou de uma única vez.
Os movimentos de ambos tornaram-se intensos logo no início da relação. Enquanto tomavam parte naquele ato, a moça provava dos músculos fortes e bem definidos do amante com as mãos e os lábios. Sentir aquele homem tão desejado em si era tão bom, que ela temeu ser apenas um sonho... não! Não podia ser um sonho! Ele tinha que ser seu! Era seu!!
Durante todo o tempo em que empreenderam aquela dança, não proferiram palavra. Apenas entretinham-se em conhecer o corpo um do outro. O suor de ambos se misturou; os cabelos longos do Marina emaranharam-se aos da sereia, enquanto ele a adentrava com mais força. Enlouquecida de desejo pelo seu senhor, a intendente estreitou ainda mais seus quadris aos dele, aproximando-os por segurar firmemente os glúteos dele contra si.
Aproximando-se do clímax, a moça gemeu quase até o ponto de gritar, chamando a atenção de uma estranha figura encapuzada, a qual transitava desapercebida pelo Reino dos Mares...
Tal figura era Saga. Ele, surpreendido, espreitou a cena pela janela do quarto da morada de Tétis, e qual não foi seu choque ao ver Kanon, o homem que há pouco encontrava-se consigo na cama, adentrando outra pessoa e prestes a atingir o prazer máximo.
Um espasmo de prazer indizível tomou a sereia, ao mesmo tempo em que um espasmo também tomou Saga, mas o deste último era de terror e ódio.
Não muito depois, Kanon deu suas últimas estocadas dentro dela, inundando-a com sua essência. Após isso, quando o cansaço tomou-os, Tétis beijou-o mais uma vez.
- Minha ninfa gostou do que fizemos?
- É claro que sim... na verdade... gostaria de sempre vê-lo daqui em diante... sempre ser sua...
- Será um prazer imenso.
Sem que a moça percebesse, Kanon olhou de esguelha para a figura de Saga, como se já soubesse que ele ali estava. Seu gêmeo lançou-lhe um olhar mortal, e saiu andando.
To be continued
OoOoOoOoOoOoO
Ih, gente! O Kanon vai ser morto pelo Saga quando chegar em casa? E eu, fui muito má ao colocar as coisas deste modo? Qualquer coisa, falem!
Beijos a todos e todas.
