"Reminiscências"

Capitulo 7

Por: Chibi-lua

Passaram-se alguns dias desde a fatídica noite de tempestade. A tormenta tinha sido tão poderosa que além de levar dezenas de vidas embora, deixou um rastro de destruição jamais vivenciado antes em Shitamachi. Porém, mesmo com mortos e feridos, o sentimento de comoção começava a diminuir. Finalmente as portas de Shitamachi abriam-se para o recomeço. E o clima ajudava, pois apesar do frio de inicio de inverno, o sol brilhava na maior parte do dia. Nenhuma gota de chuva havia caído do céu desde então.

Incertezas, perturbações e nostalgia persistiriam, mas tristeza e nostalgia não eram fortes o bastante para aniquilar a esperança daquele povo. Por toda a cidade via-se até mesmo os mais desafortunados, empenhando-se em remodelar a vida nova com o que havia sobrado da antiga. Cheios de expectativas, o governo e a população agradeciam pelo bom tempo, e pelos empregos que estavam sendo criados. As obras nos prédios mais importantes da cidade começavam a entrar em um ritmo acelerado. Retomando assim o ciclo de progresso de Tókio.

Na quinta manhã após a noite do tornado, Sanosuke já estava ralhando com Megumi por alguma besteira na varanda do dojo Kamiya. Obviamente ele ainda não caminhava sozinho, mas assim como a cidade de Shitamachi, Sanosuke Sagara também se reerguia. Seu tratamento estava apenas no começo, mas ele já era capaz de sentir os toques, e um leve formigamento nas pernas, o lutador conseguia mexer os dedos dos pés sem dificuldade.

Quando esses sintomas apareceram, Megumi ficou extremamente feliz, seu semblante arrasado modificou-se no mesmo instante. A médica então teve certeza que o mal que o afligia era apenas transitório. Ela então passou a tratar a inflamação dos nervos, com exercícios diários, e remédios amargos que o lutador simplesmente detestava.

Sanosuke ainda não estava satisfeito com o fato de mexer apenas os dedos dos pés. Ele queria se levantar, sair para beber e jogar .Quem sabe até mesmo arrumar briga com algum folgado por aí. A abstinência de violência e de outras coisas mais , o estava deixando insuportavelmente mal-humorado.

No segundo dia de internação na clinica do Doutor Gensai, Sanosuke já queria ser transferido para o dojo Kamiya. Meio que a contra-gosto de Megumi, seus amigos atenderam o pedido. Eles então se mobilizaram, alugaram uma carruagem, uma cadeira de madeira com rodinhas nas pernas, que Suzume e Ayume adoravam pilotar, e o levaram para o dojo Kamiya. Megumi passou a ser freqüentadora assídua do dojo, dessa vez não era por causa de Kenshinzinho. Sano dizia que se continuasse a ser tratado como doente ficaria louco.

Kaoru até agradecia todo o trabalho que estava tento, envolvida com os cuidados ao seu amigo, tinha esquecido um pouco de seus próprios pesadelos. Há pelo menos três dias não tinha tido nenhum encontro sobrenatural, nem recebido nenhuma carta ameaçadora. Na verdade a única carta que recebera, era um pedaço de papel com o nome Yahiko escrito. Kaoru queria acreditar, que não era nada demais, por isso não comentou com Kenshin. .../..Talvez seja só um pedaço de papel que não tenha nada a ver com outra com assassinato, seqüestro ou coisas assim../...Ela pensava, fingindo não estar dando atenção ao pedaço de papal Porem as pegadas de lama também estava lá, e ainda era um mistério não solucionado. De quem eram? Por que estavam lá? Por que o nome de Yahiko em um pedaço de papel?

Por via das duvidas, ela convenientemente fez questão de colocar Yahiko e Sanosuke no mesmo quarto. Mesmo sem querer, Sanosuke teria sempre os olhos no garoto. E apesar das brigas ranhetas entre as duas "crianças", Yahiko estaria ocupado com Sanosuke, ninguém tentaria fazer mal contra o garoto com o lutador, e todas as outras pessoas por perto.

E existia um detalhe muito interessante, as pernas do lutador ainda não estavam cem por cento funcionais, mas a pontaria de Sanosuke era ótima. Quando irritado, Sanosuke jogava objetos com uma precisão impressionante. Volta e meia ouvia-se Kenshin gritando um... "Oro"... quando tentava dar sopa para Sanosuke, que insistia que não estava doente para ter que comer sopinha.

Sano estava infeliz, porque era privado de fazer as coisas que gostava. Megumi sabia disso, e resolveu partir para um tratamento alternativo, resolveu continuar a irritar seu paciente como sempre fazia quando ele estava bem. Inclusive as briguinhas de gato e rato entre os dois deveriam ser mantidas, o que deixava Kenshin com os olhos enorme ouvindo as 'coisas' que um dizia para o outro.

Mas quando o dojo estava silencioso, podia-se ver um brilho de tristeza nos olhos de Sanosuke. O entra e sai de pessoas no dojo ao invés de melhorar, fazia Sanosuke se sentir ainda mais irritado. Ele não queria saber de visitas,dizia que não estava morrendo nem nada do tipo. Bem, Sanosuke certamente não estava morrendo, mas seu único desejo era dormir. Para isso insistia em permanecer com as cortinas e janelas fechadas.

Talvez Sano simplesmente tivesse a esperança de acordar, e perceber que tudo aquilo fazia parte de um pesadelo sinistro, e que tinha voltado a ser o velho Sanosuke Sagara de sempre. As vezes, o lutador tentava escrever uma carta para alguém, mas ele sempre fazia uma bolinha com o papel quando terminava de escrever, e jogava longe. Essa tal carta secreta aguçava cada vez mais a curiosidade de Megumi, que estava ficando louca por não saber do que se tratava.

Naquela manhã, Kenshin esfregava a roupa em grande balde ao lado do poço. Como de costume, ele escutava a briga entre Megumi e Sanosuke com um sorriso no rosto. O espadachim já estava até acostumado com aquele ritual diário entre os dois. Sanosuke só reclamava da medica, mas ninguém mais podia cuidar dele alem dela.

"Paciência Crista-de-Galo. Logo você vai estar fazendo alguma coisa estúpida por ai. E eu, ao invés de consertas as pernas, vou estar concertando a sua mão quebrada só para variar"

Megumi dizia todo santo dia que ele estava fazendo progressos. Segundo seus conhecimentos, os formigamentos e as sensações voltando eram um ótimo sinal para quem estava paralítico da cintura para baixo a apenas alguns dias atrás. Mas ela sabia que os nervos ainda estavam muito inflamados, e era cedo para que ele saísse por aí fazendo estripulias.

Sanosuke estava sentado na sua cadeira de rodas improvisada enquanto Megumi fazia massagem com óleos e essências especiais nas pernas dele. Estimulando a circulação. Em outra ocasião o lutador estaria delirando prazerosamente com aquelas massagens, mas na situação que sem encontrava só conseguia ficar mais e mais irritado, porque se fosse de outro jeito, Megumi é quem estaria recebendo uma bela massagem.

"Ahh Raposa...Por mais que eu goste de ver você ajoelhada aos meus pés. Quero voltar a andar logo. Eu juro que foi sair para beber, arrumar umas brigas, passar a noite toda no colo de alguma gatinha." Sano disse olhando para o céu, para disfarçar as sensações estranhas que aquela tal de "fisioterapia" estava proporcionando.

Megumi virou o rosto, Sanosuke só escutou "Hunpf...sei..." vindo dela. "Vamos Crista de Galo, dobre esse joelho, você parece um bebê." Ela disse contrariada. Sanosuke sorriu, era obvio que a médica tinha sentido ciúmes por causa do comentário.

"HEI, ISSO DOI PRA BURRO, RAPOSA." Ele gritou quando ela resolveu fazer o que ele estava com preguiça de fazer. Megumi se revoltou e acertou a cabeça dele com a sua maletinha de medicamentos. "Seu idiota. Para de chorar, e me obedece."

"Oro, a senhorita Megumi é pior que meu mestre Seijouurou Hiko." Kenshin sorriu para o casal em seu "amoroso" pé de guerra. Depois secou as mãos no avental branco que usava sobre a roupa, e foi até o portão atender ao homem que chamava por Kaoru Kamiya.

Clapk, Clapk, Clapk

"OLA" Um homem batia palmas na frente do dojo, atrás dele podia-se ver uma bela carruagem estacionada. Ele parecia ser uma pessoa importante, era mais velho que Kenshin, por volta dos trinta e cinco, quarenta anos. Era alto, forte, tinha espertos olhos esverdeados. Imperceptivelmente Kenshin procurou sua Sakabattou com os olhos, se precisasse já saberia onde estava. "Kaoru Kamiya está?"

"Quem é o senhor, e o que deseja tratar com a senhorita Kaoru?" Kenshin perguntou um tanto quanto secamente. Ele não costumava ser tão grosseiro, mas com os últimos acontecimentos preferia não correr riscos. Com os olhos estreitos e desconfiados ele declarou. "A senhorita Kaoru está lecionando no momento, não pode atender."

"SENHOR KOBAYASHI." Kaoru apareceu pulando de alegria atrás de Kenshin.

"Ou melhor, ela estava lecionando." Ele cochichou. O espadachim olhou para trás, advertindo para que a mestra não se aproximasse. Mas a garota não o obedeceu, seus olhos azuis brilharam, e um enorme sorriso tomou conta de seus lábios

Kaoru passou direto por Kenshin, pulando alegremente foi abraçar o estranho. Megumi se interessou pela alegria dela, deixou Sanosuke descansar um pouco, foi até lá para encher um pouco a paciência da jovem mestra.

"Não me diga...Kaoru Kamiya? A pequena Kaoru?" Kobayashi se surpreendeu quando viu Kaoru se aproximando, vestida com um hakama e gi, e com uma shinai encostada no ombro direito.

"Não acredito. Tal pai, tal filha, vejam só..." O homem sorriu, e deu um abraço demorado na filha do seu melhor amigo Koshijirou Kamiya.

Yahiko cutucou Kenshin. O espadachim estava com os olhos ainda mais estreitos e desconfiados. Completamente desgostoso pela cena de agarramento que se passava na sua frente. "Quem é o cara?" Yahiko sussurrou.

"Este servo não tem a menor idéia." Kenshin não tirou os olhos de Kaoru e do estranho. Ainda abraçados.

"Senhorita Kaoru. Eu sempre disse a Koshijirou que você se tornaria uma mulher incrível. Parece que eu estava certo o tempo todo." Kobayashi soltou uma gargalhada. "Seu pai costumava dizer que você era apaixonada por mim..hahahaha...Imagine uma coisa dessas Kaoru-chan. Se fosse verdade eu sairia lucrando agora."

Ela ficou instantaneamente roxa de vergonha

"Meu pai adorava criar polêmicas...hahaha...Até parece, não é senhor Satoshi?" Com uma risadinha sem graça, ela se escondeu debaixo das franjas de seu cabelo. Mentalmente deu uma bronca em seu pai.../...Papai você disse isso??? Não acredito, que vergonha.../...

Ao escutar o pequeno dialogo Kenshin sentiu sua barriga se revirando por dentro../..Apaixonada ??...Arr..Era só o que me faltava.../...

"Err..Tanuki, querida, apresente logo o seu amigo antes que alguém tenha um colapso nervoso." Megumi começou a rir ao ver a cara que Kenshin estava fazendo.

"Hohohohohoho.... Senhor, você disse que Kaoru era apaixonada por você quando pequena?Até parece que um homem como o senhor se interessaria por uma pivetinha boba como essa." A médica soltou seu veneno e sua risada irritante. Kaoru olhou para ela levantando apenas uma sobrancelha. O murmúrio e o riso sufocado de Megumi eram simplesmente irritantes. Ela sabia que a médica ia soltar alguma piadinha infame a qualquer segundo.../...Às vezes Megumi consegue ser tão..Ai que vontade de esganar.../..A mestra substituta preferiu deixar pra lá. Às vezes seus pensamentos em torno da médica não eram nada amigáveis, nem civilizados.

"Este é Satoshi Kobayashi, o melhor amigo de meu pai." Kaoru disse sorrindo, ignorando complemente Megumi e seu sarcasmo.O homem cumprimentou a todos. Ela tentou disfarçar, mas sentia como se seu coração batesse dentro de seu ouvido. Ter Satoshi por perto era como ter um pouco do passado de volta. Não que ainda fosse apaixonada por ele, mas quando viu Kenshin e o senhor Kobayashi se cumprimentando, ela sentiu um embaraço por dentro.

"Faz alguns anos que não nos encontramos, não é Kaoru-chan? Acho que a ultima vez foi no dia do meu casamento. Infelizmente na ocasião da morte de seu pai, eu realmente estava muito longe e não pude comparecer as cerimônias." Satoshi começou a caminhar pelo quintal, até a escadinha que dava acesso a entrada do dojo. No percurso foi recordando as boas memórias que guardava da amizade de infância, e da sua amizade com Koshijirou Kamiya."Ah, como é bom estar aqui depois de tantos anos. Gostaria que seu pai também estivesse aqui. Teríamos boas historias para compartilhar..."

"Eu sei..." Kaoru o seguiu, por um instante abaixou a cabeça. Ela não gostava de ficar pensando no seu pai, pois sempre ficava muito triste quando o fazia. Kaoru pegou as malas de Kobayashi, e as colocou nos braços de Yahiko. "Leve para dentro Yahiko."

"Oh Feia, que isso?" Yahiko ficou indignado. A jovem simplesmente o ignorou. Seus pensamentos estavam perdidos no tempo em que seu pai ainda vivia.

.../...Kobayashi. Depois que ele se casou, se mudou para outra cidade, eu nunca mais soube nada sobre ele.../...

O sorriso do homem era sincero, estava mesmo feliz em ver Kaoru../..O senhor Satoshi continua maravilhoso, com esses olhos verdes. Ele mantém aquele ar de mistério, é o mesmo ar de dez anos atrás.../...Kaoru pensou enquanto o homem conversava com os outros. Kaoru começou a se lembrar que em seus sonhos pré-adolescentes, ela sempre o imaginava como um herói, salvando as mocinhas dos perigosos bandidos. Ela mexeu a cabeça para não começar a viajar nas aventuras infantis, como costumava fazer antigamente.

Kobayashi foi simpático, gentil com todos.../... Ahhh...personificação do charme.../...Kaoru pensou. Kenshin apenas levantava uma sobrancelha, enquanto sua face se contorcia de um jeito engraçado.

Satoshi Kobayashi, costumava ser a paixão platônica de criança de Kaoru. Seu coração de menina acelerava furiosamente quando ouvia a voz dele adentrando o dojo Kamiya. Mas sua ilusão de um dia se casar com ele, se quebrou quando ouviu aquela maravilhosa voz anunciando que estava apaixonado, e se casaria com uma bela moça, filha de um comerciante do centro da cidade.

"O que o traz em Shitamachi?" Para o alivio de Kenshin, Kaoru parou de sorrir daquele jeito bobo, e saiu de seu estado pensativo. Ela pediu para que Yahiko prepara-se um suco, depois que colocasse as malas para dentro. Como o menino não lhe deu ouvidos, pediu então para Megumi. "Isso ai Raposa, me traz um suquinho vai." Sanosuke levantou os braços para cima, se esticando feito um gato folgado.

"Olha aqui seu Crista de Galo." Megumi ia começar uma briga. Sanosuke mandou um beijinho irônico para ela. Megumi serrou os lábios, e fez cara feia. No final, acabou aceitando, mas sem parar de resmungar em nenhum segundo.

"Não sei se você se lembra pequena Kaoru..." Kobayashi se divertiu com a briga entre os amigos de Kaoru. Depois olhou para ela ainda sorrindo. Ele não acreditava que ela já era uma mulher. Kobayashi ainda via a menininha correndo e fazendo estripulias naquele quintal, enquanto o pai dava aulas de kendo.

"Pequena?" Kaoru sentiu vontade de pedir para que ele nunca mais a chamasse de pequena. Pelo menos não na frente de Yahiko, que se matava de rir.

"Bom, eu trabalhava com o seu pai na policia metropolitana de Tókio.Quando me casei fui transferido, e agora fui chamado novamente para investigações de um caso especial aqui em Shitamachi."

"Caso especial?" Kenshin se interessou. Ele precisava parar de encarar a insistente coloração avermelhada nas bochechas de Kaoru. Kenshin preferiu acreditar que aquele homem não era uma ameaça em potencial, e que ele tinha um sentimento paternal em relação a Kaoru.

Assim o espadachim esperava que fosse, do contrario Kobayashi teria que lidar com seu lado nada amigável e simpático.

"Sim, mas se vocês não se importarem gostaria de discutir esse assunto mais tarde. Eu me empolguei na conversa e esqueci uma coisa extremamente importante lá na carruagem." Kobayashi sorriu e se levantou. Colocou a mão na cabeça de Kaoru, e balançou de um lado para o outro, bagunçando o cabelo dela como costumava fazer quando Kaoru era pequena. A jovem mestra ficou tonta, e ainda mais envergonhada do que antes.

"Oro" Fechando os olhos, Kenshin sorriu seu sorriso mais bobo. Sim, pelo que parecia Kobayashi tinha apenas um sentimento paterno por Kaoru, nada mais. O policial saiu pelo portão, voltando com a 'coisa importante em seus braços.

"Oh, quem é?" Kaoru se levantou imediatamente. Apontou para a menina oriental adormecida nos braços dele. Era pequenina, tinha os cabelos negros, lisos como seda, cortados na altura dos ombros. As maças do rostinho eram vermelhinhas. E tinha o dedão na boca, que chupava graciosamente em seu sonho infantil. "Que coisa mais fofa, Satoshi-san"

"Minha pequena Satiko." Kaoru correu para dentro da casa, pedindo que Satoshi a seguisse. Kenshin ficou mais aliviado quando viu que o homem tinha uma filha.

"Vamos colocá-la no futon." A jovem mestra sussurrou, enquanto era seguida por Kobayashi com a neném no colo.

"Tudo bem. Ela vai acordar quando tiver com fome. Ai sim você vai ver como ela é fofa´." Satoshi riu baixinho ajeitando a filha nos seus braços. Seguiu Kaoru e colocou a criança no futon. Depois de ajeitá-la no quarto, voltou para a varanda, e se sentou junto aos outros.

"Eu preciso pedir um favor importante Kaoru-chan. Eu estou investigando um caso...Na verdade é um caso muito difícil. Vou precisar me ausentar por um dia, mas quem sabe terei que ficar longe de Satiko por uns tempos. Gostaria que você me ajudasse." Kobayashi olhou para o quarto onde sua filha dormia. "Será difícil ficar longe dela, mas é preciso."

"Depois que minha esposa faleceu, as coisas ficaram difíceis para mim e para Satiko.Eu não tenho mais ninguém em quem confiar."

"Oh sua...esposa faleceu? Sinto muito" Kaoru estava surpresa, porem seus pensamentos giraram loucamente em torno daquele pedido.../..Mais uma criança sob minha responsabilidade...Eu não sei se posso...Eu já tenho o Yahiko.../...

Kaoru se levantou, a expressão em seu rosto se tornou seria. Kobayashi sabia sobre Shima. Como ele poderia confiar sua filha pequena para Kaoru? Quando ela deixou o próprio irmão de cinco anos de idade ser levado? A jovem mestra se sentiu mal por ter que recusar o pedido do amigo do seu pai, mas ela não podia correr o risco de colocar mais uma criança em perigo.

Kaoru pensava na segurança de Yahiko o dia todo, mas o menino já tinha mostrado diversas vezes que dava conta de se cuidar sozinho. Ela não poderia assumir a responsabilidade de ter mais uma criança pequena dentro da casa. Não lembrando de todos os avisos que Shima tinha mandando.

"Sanosuke, Megumi, Yahiko, vocês poderiam me deixar à sos com o senhor Kobayashi por um minuto...Por favor." Kaoru abaixou a cabeça. Kenshin estava pronto para se retirar junto com os outros, quando Kaoru pediu que ele ficasse. "Kenshin, por favor, fique." O espadachim sentiu-se bem com o pedido.

"Eu não posso ficar com a sua filha, senhor Satoshi. Sinto muito." Ela balançou a cabeça negativamente.

"Talvez tenha sido estupidez da minha parte trazer a minha filha para esse dojo..." Ele tentou ser razoável na sua explicação, apesar de realmente não ter nenhuma outra alternativa viável. "Kaoru-chan. Eu nunca esqueci o que aconteceu com seu irmão Mishima, na verdade eu fui uma das pessoas que prendeu Katsutoshi. Mas agora você tem Battousai Himura, e o lutador Zanza dentro dessa casa."

O homem respirou fundo. Kenshin escutava a tudo silenciosamente. Como investigador era obvio que tinha acesso aos dados sobre eles. "É irônico, mas creio que não exista lugar nenhum aonde minha filha possa estar mais protegida em todo território japonês." Kobayashi começou a falar em um tom realmente sério.

"Eu estou investigando um caso de crianças desaparecidas.Essa investigação é um segredo de governo. Não queremos instaurar o caos na população com mais essa bomba, mas...três crianças já desapareceram. A última foi encontrada morta em um lago aqui em Shitamachi.".

Kaoru abaixou a cabeça. "Eu sabia, eu sabia...Shima me avisou...Ele." Colocou as mãos na frente dos olhos. Todos os dias ela rezava para que as visões de Shima fossem apenas ilusões, mas não eram. "Assassino de crianças, aqui em Shitamachi...É Katsutoshi?"

Ela levantou a cabeça. assim? Disseram que aquele...ser...tinha se matado no hospício" Kaoru parecia indignada.

"Senhorita Kaoru, não podemos nos precipitar. Katsutoshi não é o único homem que assassinou crianças no Japão. Casos assim acontecem com mais freqüência do que a senhorita pode imaginar. Antes de tirar qualquer conclusão, eu preciso deixar Satiko aqui com vocês e ficar livre para ir até Osaka. Que é a cidade aonde Katsutoshi foi internado. Eu preciso ir até lá para investigar." Kobayashi bebeu o delicioso suco que Megumi havia trazido.

"Os assassinatos são interligados de algum modo?" Kenshin que se mantinha silencioso, fez essa pergunta.

"Nos ainda não sabemos se existe uma real correlação entre os assassinatos. A única ligação é que as três crianças tinham menos de dez anos, e foram encontradas em lagos... Mas com a época das chuvas, e o tornado...crianças são mais suscetíveis a esses infortúnios da natureza, entende?" Satoshi respirou fundo.

.../..Por que aquele bilhete com o nome de Yahiko? Ele não é mais uma criancinha. Acho que...uma coisa não tem nada a ver com a outra...Será?.../... Kaoru foi tirada de seus pensamentos pela voz de Satoshi.

"O fato é que a policia não esta mobilizando esforços suficientes. Eu preciso examinar o corpo da menina encontrada aqui em Shitamachi, e comparar com todos os sinais encontrados nas outras crianças mortas. Ao mesmo tempo, preciso ir até Osaka para saber a verdade sobre a morte de Katsutoshi. Preciso saber se esse "novo" assassino simplesmente tem alguma ou nenhuma ligação com Katsutoshi. Entende? Existem vários problemas, e na verdade...eu...não queria ter que ficar longe de Satiko."

Inquieta, Kaoru escutava a cada palavra que Kobayashi dizia. Ela precisava contar sobre as aparições e os sonhos, e o bilhete mas ainda estava incerta sobre isto. Antes que ela se decidisse, Kenshin se pronunciou.

"A menina pode ficar no dojo." A voz dele era repleta de resolução. Kenshin se levantou, colocando a sakabattou em seu hakama.

"Não se preocupe ninguém vai será louco o suficiente para tirar nenhuma criança de nós. Enquanto o senhor examina o corpo da menina e faz as comparações necessárias, este servo vai de trem até Osaka para conversar com o diretor do hospício sobre a morte de Katsutoshi. Assim o senhor Kobayashi não se ausentara de Shitamachi, e não ficara longe da menina Satiko. Yahiko, Senhorita Kaoru, Senhorita Megumi cuidaram das criança."

Kenshin olhou para Kaoru, que tinha surpresa em seu olhar, a voz dele era resoluta. "Se este servo partir amanha de manhã, conseguira voltar para casa ao anoitecer."

"Mas Kenshin... É como ter um cordeiro no meio de uma alcatéia de lobos, você sabe o motivo de eu..." Kaoru sussurrou perto de Kenshin. O espadachim colocou a mão no ombro dela e disse. "É apenas um dia. Nem a senhorita, nem Satiko não devem sair desse dojo sob hipótese nenhuma. Este servo vai ser o mais rápido possível em Osaka."

"Obrigado senhor Kenshin Himura. Obrigado senhorita Kaoru. É tudo que eu precisava ouvir." Satoshi Kobayashi sorriu satisfeito, enquanto Kaoru ainda olhava para Kenshin um pouco contrariada.

Na manhã seguinte tudo seguiu conforme combinado. Kenshin partiu para Osaka. Kobayashi começou a investigação no corpo da menina encontrada no lago. E Kaoru ficou no dojo cuidando da pequena menina de três anos de idade. Depois de uma noite mal dormida, cheia especulações, a experiência de tomar conta de Satiko estava se mostrando muito agradável.

Satiko era simplesmente adorável, delicada como toda menininha deveria ser. No começo a jovem mestra ficou um tanto receosa. Em um mundo de espadachins, lutadores, e brigas de espada sangue jorrando tinha desacostumado a lidar com meninas. Ela até se assustou com toda aquela delicadeza. Rapidamente ela pegou o jeito, Kaoru seria uma ótima mãe no futuro, e sonhava em ter uma bonequinha daquelas para poder mimar../...Quem sabe no dia que Kenshin deixar de ser tão baka.../.. Ela sorriu para Satiko que retribui.

. "Você vai dormir, pequena?" Kaoru embalou Satiko, fazendo brincadeiras. A menina agarrou o cabelo de Kaoru. "Você devia fazer isso com a sua mamãe não, é? Tão pequena e já sabe o que é perder alguém."

"Kaoru-chan" Satiko bocejou o nome de Kaoru e começou a fechar os olhinhos.

Tsubame bateu delicadamente duas vezes na porta, entrando devagarinho no quarto. "Kaoru-san, posso entrar?" Kaoru se surpreendeu, ela não esperava que a Tsubame fosse aparecer tão de repente.

"Tsubame-chan...Claro, pode entrar." Tsubame abriu o maior dos sorrisos quando viu a criança nos braços de Kaoru , agarrada ao cabelo da jovem, praticamente adormecida. "Essa é a Satiko." Kaoru sussurrou com um sorriso. "Filha de um amigo meu."

"Como é linda." Tsubame sussurrou de volta para não acordar a menina. "Podemos conversar Kaoru-san?" Kaoru balançou a cabeça positivamente. Depois colocou Satiko no futon, ela reclamou por perder o calor daquele colo, mas depois de alguns segundos sossegou.

"Aconteceu alguma coisa?" Kaoru chamou Tsubame para se sentar no degrau da varanda em frente ao quarto, Tsubame obedeceu.

"Hum...Mais ou menos....É sobre o senhor Yamazato. Você se lembra dele?" A menina abaixou a cabeça, encolhendo os ombros.

.../...Claro, o homem do livro.../...Kaoru se lembrou

"O homem que apareceu no restaurante? Tae ainda esta gamada por ele?" Kaoru se lembrou da última conversou que teve com a sua amiga. Conversa essa que terminou em discussão desagradável.

"Sim, sim. Esse mesmo. Com a reconstrução do restaurante, ele não sai mais do Akabeko. Hoje de manhã eu escutei uma conversa sobre algum casamento. Algo sobre uma festa...Kaoru-san, eu tenho quase certeza de que ele vai pedir Tae-san em casamento." Tsubame suspirou

"O problema é que não confio nele. Tem alguma coisa sobre esse Yamazato que me assusta" Tsubame olhou para Kaoru com o olhar nervoso. Sua vida se tornaria um inferno se Tae realmente resolvesse se casar com Yamazato. Para todas as outras pessoas ele parecia ser bondoso, mas a menina sentia que havia algo muito errado com ele."Precisamos descobrir quem é Yamazato E se ele já for casado? Tae-san pode estar se iludindo."

"CASAMENTO?" Kaoru quase acordou Satiko com o grito que deu. "Como casamento? Tae me diria se estivessem planejando casamento. E eles se conhecem a pouco mais de cinco dias." Kaoru se sentiu um pouco traída por não saber dos planos da melhor amiga.

"Você me ajuda, por favor Kaoru-san." Tsubame se ajoelhou na frente de Kaoru, a menina realmente estava apavorada com a idéia de Yamazato e Tae se casarem. "Eu não queria pedir para o Yahiko, mas.. "

"Não Yahiko, não. Ele está incumbido de cuidar de Sanosuke junto com Megumi" A jovem mestra disse prontamente. Kaoru deitou a cabeça da entristecida Tsubame no seu colo. Acalmando a menina que começava a chorar.

"Eu não posso sair do dojo hoje..." .../... As vezes Tsubame conseguia ser tão dramática.../... Kaoru pensou antes de escutar as razões da menina.

"A Tae-san é uma pessoa importante para mim. Ela se tornou minha família. Eu vivo com ela, e se ela se casar....Eu vou ter que viver com aquele homem também." Tsubame fechou os olhos pensando no desagradável futuro que a esperava. Imaginando como seria viver com uma pessoa que não se consegue suportar. "Kaoru-san...Eu pensei em entrar no quarto do senhor Yamazato escondida."

Kaoru arregalou os olhos. "O que?" Nunca pensou que Tsubame pudesse pensar algo assim. Se bem que no episódio em que se conheceram, a menina estava prestes a roubar o caixa do restaurante para os bandidos. "Está louca? E se esse homem te pega?" A voz de Kaoru soou mais alta do que ela tinha planejado. Quando viu que Tsubame se entristecia novamente ela resolveu ajudar.

"Essa noite eles vão sair. É a minha chance de entrar no quarto dele e tentar descobrir alguma coisa. Quem sabe um documento. Kaoru-san, eu quero o bem da Tae-san...Mas sozinha...eu não sei como fazer."

Tsubame se levantou. "Só temos esta noite para descobrir quem Yamazato

"Eu prometi para Kenshin que não sairia...E tem Satiko." Kaoru queria ajudar, mas...

"Kaoru-san, Tae-san faria o mesmo por você se a situação fosse inversa." Tsubame parecia magoada com as negativas de Kaoru de tentar ajudar uma amiga.

"Ok, vamos lá. Qual o seu plano Tsubame-chan? Me conte o que você tem em mente, antes que acabe fazendo uma loucura." Kaoru respirou fundo, ela sabia que poderia se encrencar de verdade. Mas se fosse pelo bem de Tae e Tsubame, ela se arriscaria.

Estava tudo pronto, a roupa, a maquiagem, agora era só dar inicio ao plano de Tsubame. Era simples e fácil. Entrar no hotel se passando por uma nova hospede, ir até o quarto de Yamazato, entrar lá, sair e pronto. Teoricamente era realmente muito fácil, talvez até tolo, mas na pratica o nervosismo começava a tomar conta.

Com Satiko, Kaoru não se preocupava, pois tinha entregado a menina para Megumi. Quando saiu para executar o "plano", a pequena brincava feliz com Ayume e Suzume. Yahiko também não a preocupava, pois estava com Sanosuke e isso tomaria bastante do seu tempo. Kenshin não tinha voltado de Osaka, Kaoru rezava para que ele se atrasasse e não chegasse antes dela. O momento era aquele, e Kaoru e Tsubame precisavam aproveitar.

Kaoru olhou mais uma vez para Tsubame. A menina apenas acenou, apavorada como sempre se escondeu atrás de uma árvore, do outro lado da rua em frente ao hotel. Ela achava que a Shihandai linda naquele traje de luxo, toda maquiada e bonita. A mulher mais corajosa do Japão.

A moça respirou fundo antes de entrar no hotel. Seus olhos encantaram-se com a beleza do lugar. Por fora parecia um hotel qualquer, mas por dentro o estilo era europeu. Apesar de ser "simples" para os ocidentais, era exótico para os japoneses. Parecia um pequeno palacete por dentro, mas não maior do que a mansão do traficante Kanryuu Takeda. Existiam quatro andares, e uma recepção muita bem organizada. As grandes janelas eram enfeitadas com cortinas de tecido fino. Uma escadaria e o piso de madeira subiam até os quartos. "Wow, nunca pensei que esse hotel fosse tão bonito e bem ajeitado por dentro."

Kaoru se perguntava se saia caro se hospedar ali, e como Yamazato fazia para arcar com aquilo tudo.Apesar de estar com um pouco de medo e envergonhada, ela até que se divertia com a situação. E seu mirabolante plano estava dando certo. Tudo que precisa fazer era ser rápida e convincente.

A jovem Shihandai finalmente resolveu encarnou totalmente seu papel. Caminhou como uma dama até a recepção. Suas bochechas ficaram ruborizadas, mas ela precisava manter a classe.

"Boa noite, senhor." Ela disse, com uma voz que nada lembrava Kaoru Kamiya. Os olhos do senhor de meia-idade cresceram sobre decote revelador do belo kimono que Tsubame tinha arranjado../..Será que o Kenshin ficaria ciúmes se visse isso?.../...Kaoru sorriu, puxando o decote do kimono para no plano Kaoru Kamiya.../...

"Boa noite, como lhe posso ser útil?" Gentilmente, o homem se levantou do banquinho, que ficava atrás de seu balcão. Algo dizia que ele não costumava tratar todos os clientes com tamanha presteza, afinal se olhasse para todas as clientes do jeito que estava olhando para Kaoru, já estaria preso por abuso.

"Gostaria de me hospedar. Sou a madame Sumie Onaga" Kaoru riu por dentro, era divertido bancar outra pessoa. "Meu marido, senhor Izagi Onaga, teve problemas com a nossa carruagem, ele não queria que eu me desgastasse com esse tipo de problema, e me fez vir na frente e me hospedar. Acredito que ele deva chegar somente no meio da noite...."

Kaoru chamou o homem para perto, e sussurrou praticamente no ouvido dele. "Senhor, tem um pequeno problema, eu esqueci todo o dinheiro com meu marido...por favor, não me diga que tenho que pagar adiantado. Ou então...vou ter que passar a noite sozinha jogada por ai, a mercê de qualquer...tarado." Kaoru fez o maior drama, ela acabou convencendo o pobre homem.

"Senhora Onaga, por favor não se preocupe, uma dama não deve se preocupar com tais assuntos. Este servo está aqui para servi-la. Vou providenciar o melhor quarto que este hotel pode lhe oferecer." O sorriso de Kaoru se desfez quando ouviu aquele homem dizendo este servo´. ../..Tomara que Kenshin não me procure.../....

"Me faça só um pequeno favor, senhora, assine o livro de registros." Era isso que Kaoru queria o tempo todo.Rapidamente ela procurou pelo nome de Yamazato. Quarto andar. Depois se dirigiram para seu quarto, por sorte, Kaoru "ficaria" no mesmo andar que o dele.

Depois de se livrar do homem da recepção. Ela partiu de seu quarto para a missão. Não demorou muito, e ela despistou os outros hospedes e funcionários que iam e vinham sem chamar muita atenção. Kaoru rapidamente se dirigiu para o quarto de Yamazato. O problema é que ela não tinha a chave. Ela xingou mentalmente. "Droga."

Ela então tentou a chave do próprio quarto, como a sorte estava do seu lado acabou conseguindo. "Chaves e fechaduras ocidentais, quem precisa delas?"

Kaoru não perdeu tempo, e começou a procurar por qualquer evidencia sobre a identidade de Yamazato.

O quarto era muito bonito e confortável. O estilo europeu como era a proposta daquele hotel. A cama grande era forrada de pequenas almofadas. As cortinas brancas balançavam conforme o vento que entrava pela janela. Kaoru ficou feliz ao ver que existia uma grande janela que dava acesso a uma sacada. Poderia ser uma ótima rota de fuga, caso percebesse que Yamazato estava chegando.

Ela então passou a fazer o que tinha planejado, foi até a escrivaninha e abriu as gavetas. A maioria das gavetas estava vazia, só alguns objetos como relógios, óculos e alguns papeis com anotações sem importância. Kaoru então se abaixou para espiar debaixo da cama, apenas um chinelo macio estava lá.

Então ela passou para o armário, Kaoru abriu a porta de correr. O armário era grande, podia-se entrar e ficar lá dentro sem problemas

O som de vozes a alarmou, ela então fechou rapidamente a porta do armário e se abaixou.

Era Yamazato. "Eu não acredito, Tsubame disse que ele ficaria bastante tempo com Tae." Ela xingou a menina em pensamento. Yamazato reclamava com um dos funcionários do hotel, algo como a água do banho nunca estar quente o suficiente´

Pela bronca que o funcionário estava levando, podia-se notar que Yamazato era um homem extremamente exigente. Logo quando entrou, Kaoru notou a organização do quarto, ela se perguntou se Yamazato notaria que alguém tinha mexido na suas coisas pessoais. Se preocupou se tinha deixado alguma gaveta aberta, ou papeis fora do lugar.

"Eu também estou com um problema nesse armário aqui, o cabide simplesmente não segura as minhas roupas, estou sempre encontrando alguma peça caída no chão. Pela fortuna que eu pago por esta estadia exijo que a qualidade dos serviços aumente e muito". Pelas frestas da porta do armário, Kaoru notou que Yamazato caminhava na direção do armário. Ela então se encolheu ainda mais no meio das roupas penduradas nos cabides, e prendeu a respiração. "Não abra o armário, não abra o armário." Kaoru fechou os olhos, implorando.

Quando Kaoru abriu os olhos, sua mão voou automaticamente para frente de sua boca, tamanho o susto. "HAH?" Ela soltou a respiração de uma vez só. Seu coração acelerou e sua pele arrepiou-se. Na sua frente, dentro do armário escuro daquele quarto de hotel estava a menina do sonho. "Mayume?" Kaoru sussurrou um sussurro inaudível.

A menina vestia uma roupa toda branca. Os cabelos compridos estavam bem arrumados em uma trança que ia até a cintura. Ela tinha um sorriso doce e reconfortante nos lábios. Kaoru sentiu-se tomada pelo desejo de tocá-la. Ela nunca tinha experimentado fazer isso antes, mas aquela menina parecia um pequeno anjo.

As mãos de Kaoru chegaram perto das mãos de Mayume, quando a menina mostrou a palma da mão, revelando um lírio branco que ela segurava. "Saia logo daqui, Kaoru-chan." Mayume entregou o lírio branco para Kaoru com um sorriso nos lábios.

"Espere, é ele?...é Yamazato, não é?" A Shihandai não obteve resposta. O pequeno anjo tinha desaparecido no ar, deixando-lhe apenas um lírio branco. Kaoru voltou à realidade quando escutou a voz masculina. Ela cheirou o lírio. "Isso deve significar alguma coisa."

"Senhor Yamazato, o gerente do hotel está aqui." Mais um funcionário do hotel entrou no quarto. Kaoru suspirou aliviada, ao menos Yamazato tinha se afastado do armário. Quando se preparou para sair sorrateiramente do armário, aproveitando a chance que lhe foi concedida, respirou fundo ,e sentiu um odor desagradável.

"Hergh, só falta ter um rato morto aqui." Kaoru pensou enojada. Se tivesse mesmo um rato morto ali, o tal Yamazato derrubaria o prédio do hotel de tantas reclamações.

O cheiro ruim vinha de uma bota desajeitada na parede, na verdade Kaoru notou que aquela bota era a única coisa desajeitada dentro de todo aquele quarto. A iluminação era pouca, e vinha das frestas da porta. Kaoru sabia que devia sair logo dali, mas a curiosidade foi grande. Um homem como Yamazato não ia deixar uma bota suja, empestiando com fedor as outras roupas limpas, a menos que tivesse tirado com pressa, e esquecido ali, ou que um rato tivesse realmente entrado dentro.

Com a feição contorcida de nojo, Kaoru chegou perto da bota, ela levantou e virou de ponta cabeça. "eu não acredito que estou fazendo isso." Kaoru ficou aliviada quando nenhum animal nojento caiu de dentro da bota, mas percebeu que na sola tinha uma camada de alguma coisa por fora, mas um pouco amolecida por dentro, o cheiro não era nada agradável. "Será que ele pisou no...blearghhhhhh" Ela largou. No escuro não dava pra identificar se eram mesmo fezes. Aquela bota foi a única coisa desorganizada dentro do quarto daquele homem.

../...Deixa pra lá, eu tenho que sair daqui.../...Kaoru agarrou seu lírio, e engatinhando até a janela, Kaoru podia escutar a voz de Yamazato no corredor do hotel, reclamando com o gerente. Silenciosamente ela abriu a enorme janela , que dava acesso a pequena sacada. Kaoru tremeu quando olhou para baixo. "Ele podia ter se hospedado no primeiro andar."

Ela estava sem saída, ou ela ficava ali esperando Yamazato pegá-la no flagra, ou começava a descer até o jardim do hotel. A primeira opção era simplesmente arriscada demais, então só restava se pendurar na sacada e ir pulando de telhado em telhado até chegar no chão.

E foi isso que ela começou a fazer. Aquele kimono escandaloso que Tsubame tinha arrumado de disfarce era horrível para esse tipo de atividade. Suas bochechas estavam vermelhas. Atentando para todos os detalhes, ela pulou da sacada para o telhado que ficava logo abaixo.Pisando vagarosamente, se assustou quando desequilibrou. Seu coração disparou de vez.

"Eu espero que a minha estadia neste hotel seja mais confortável daqui para frente." Ela ouviu a voz alta de Yamazato. Ele parecia estar se aproximando da varanda. "AGORA O ARMARIO ABRE SOZINHO."

"Droga, eu esqueci." Kaoru xingou mentalmente . O homem tinha saído do quarto e agora se debruçava na varanda, fumando um cigarro. Kaoru se escondeu como pode debaixo da sacada, estática, rezando para que terminasse o maldito cigarro, e entrasse logo para dentro do quarto, e que não virasse a cabeça para baixo para olhar o jardim e visse que ela estava escalando os telhados.

Quando Yamazato voltou para dentro do quarto. Kaoru apressou-se e pulou para no jardim, finalmente alcançando o chão. Desajeitadamente, ela pulou o muro, e correu para longe do hotel, encontrando Tsubame parada no lugar aonde tinham combinado.

"Kaoru-san, por que demorou tanto? Eu estava preocupada." Tsubame aflita, respirou aliviada ao ver que sua amiga estava bem.

"Eu tive problemas, vamos sair logo daqui Tsubame. Yamazato simplesmente apareceu. Tsubame você disse que ele ia sair com a Tae" Kaoru olhou para trás, para saber se não estava sendo seguida. Aparentemente Yamazato não tinha percebido nada, a jovem Shihandai rezou para que ele não notasse absolutamente nada de diferente, alem do armário escancarado. Kaoru então pegou na mão de Tsubame, e as duas correram para longe do hotel. "Eu também pensei, sinto muito Kaoru-san."

No caminho de volta para casa, a jovem mestra foi desfazendo o penteado, tirando a maquiagem do rosto com um paninho que Tsubame havia trazido. Finalmente voltando a ser a Kaoru de sempre. A jovem de olhos azuis começou a contar para Tsubame tudo que tinha descoberto sobre Yamazato, ou seja, praticamente nada. As únicas coisas de diferente naquele quarto impecável era uma bota suja, e o fantasma de uma menina que lhe presenteou com um lírio, fato esse que Kaoru omitiu, ou Tsubame estaria caindo dura de medo.

Enquanto cruzava o bairro pouco confiável, Kaoru foi percebendo os olhares se enchendo malícia dos homens que procuravam diversão. Eles estavam curiosos com as duas "novas gatinhas" cruzando sozinhas aquelas ruas àquela hora da noite. A Shihandai resolveu apressou o passo antes, que se metesse em encrenca. Quando Tsubame percebeu o enorme interesse daqueles bêbados, ela se amedrontou e deixou que Kaoru a guiasse sem nem pestanejar. "Vamos sair logo daqui Tsubame."

Felizmente, Kaoru deixou Tsubame sã e salva em sua casa. Logo depois, a Shihandai se dirigiu apressadamente em direção ao dojo Kamiya. Estava muito tarde, e provavelmente Kenshin já teria voltado e notado sua ausência.

Ela começou a correr de verdade pelas ruas silenciosas, Kaoru escutava só o som da sua sandália batendo no chão, e dando o ritmo a cada passo apressado. Com a cabeça abaixada, e correndo feito louca pelas ruelas que davam acesso ao dojo, não percebeu o obstáculo parado a sua espera a alguns metros de distância. A voz concentrada e repreensiva a fez parar em seus passos.

"Qual parte de "a senhorita não deve sair deste dojo sob hipótese nenhuma", a senhorita não entendeu?" A voz de Kenshin soou repleta de censura. Kaoru ofegante pela corrida, levantou a cabeça. Ele estava parado no meio do caminho com os braços cruzados em frente ao peito. Em seu rosto a pior das expressões.

A jovem engoliu em seco quando percebeu os olhos puxando para a cor dourada. "Hã? Kenshin. Eu fui dar um passeio, para...espairecer...pensar em tudo que aconteceu" Kaoru sorriu, um pouco sem graça. Depois de alguns segundos de hesitação e sem receber nenhuma resposta, ela resolveu se mexer, caminhou na direção dele, passando ao lado de Kenshin. "Vamos para casa? Quero que me conte tudo sobre Osaka" Kaoru sorriu, mas seu sorriso perdeu a força quando o espadachim não deu um passo sequer para segui-la.

"Megumi disse que a senhorita sairia para comprar ingredientes para o jantar. Posso saber onde esses ingredientes estão?" Ele realmente parecia irritado.

A jovem tentou novamente, dessa vez passando direto por ele. Kenshin então lhe agarrou o antebraço firmemente, fazendo com ela imediatamente parasse.

"Kenshin, se você não se importa está tarde, vamos para casa, e..." Kaoru se encolheu, com as suas mãos, tentou se livrar do aperto que ele exercia em seu braço.

"Além de me desobedecer, também resolveu mentir para mim. Que roupa é essa? Está digna da amante do Shishio Makoto" Kenshin realmente estava furioso, os olhos dourados brilhavam na escuridão. Kaoru podia ver cada expressão, pois o rosto dele estava a apenas centímetros do seu rosto.

"Quando foi que você passou a ser tão dissimulada Kaoru Kamiya? O espadachim nunca tinha usado um tom tão áspero para falar com ela". Kenshin estava furioso.

"O... que?" Kaoru não conseguia acreditar, ela estava perplexa. A situação que estava vivendo era praticamente surreal. Aquele não era o Kenshin...Ela então respirou fundo. .../..Será que aconteceu alguma coisa em Osaka?.../...

"Hei. Qual o problema?? Eu já disse que esta tarde. Quero ir para casa." A jovem sentia sua barriga revirando por dentro. "Kenshin esta me ofendendo" Ela suspirou magoada. Apesar de chocada e amedrontada,não deixaria por menos.

"Meu problema. Meu problema é que você é teimosa e vai acabar sendo morta mais cedo ou mais tarde. Eu sei bem aonde você foi, vi tudo, vi até quando você quase caiu daquela sacada. E além de colocar a sua vida em perigo, teve a capacidade de levar a Tsubame junto, a menina não sabe nem se defender de um mosquito. Esse é o meu problema. Você se mete em encrenca cada vez que viro para trás. Quantas vezes já foi seqüestrada? Quantas vezes já ficou perto de morrer? Acha que eu não sei de seus passos?" O rosto de Kenshin estava cada vez mais perto, ele dizia as palavras com grande ironia.

"Que isso? Quem você pensa que é para falar assim comigo?" Kaoru não conseguia acreditar. E como diabos ele tinha descoberto sobre seu plano?

Ele não parou de falar, mesmo vendo que a água estava prestes a transbordar dos olhos azuis da moça. "Sabe Kaoru, desde a primeira noite que eu te vi, me pergunto se você tem um desejo de morte, ou se é apenas idiota."

"Ken...shin?"

../.. Eu não entendo, é assim que ele se sente em relação a mim?...Um problema para ele?.../... Kaoru sentiu mais magoa do que medo. Ela tomou coragem, juntou forças e empurrou Kenshin para longe.

"Não venha bancar o Hitokiri para cima de mim. Sou idiota sim, mas tudo que eu faço é pelo bem da minha família e das pessoas que eu amo. Durante dezessete anos da minha vida eu me virei. E vamos ser sinceros Kenshin, eu não me meto em encrencas, porque desde o momento que você apareceu à única coisa que eu tenho feito é mostrar para o Yahiko os movimentos e ataques das suas lutas. " Balançando a cabeça, ela começou a chorar.

Kaoru finalmente virou as costas para Kenshin. "Você nunca nem sequer me viu lutar de verdade. E saiba que seu eu sou seqüestrada, é porque alguém do SEU passado vem descontar as vinganças em cima de mim."

"Você não tem habilidades suficientes. Deveria sossegar e cuidar da casa, eu fui para Osaka confiando que você faria o que eu pedi. Deixar que eu resolva os problemas, como eu já disse que vou resolver. Não armar um plano mirabolante com uma menina de dez anos de idade. E ir se meter SOZINHA no quarto de um homem que pode ser um maluco."

"Cuidar da casa?" Kaoru virou para Kenshin, seu olhar completamente zangado. "Eu e meu pai já defendíamos as pessoas com a espada para a vida, quando você ainda as matava. Saiba que eu não nasci nesta mesma ruela naquela noite em que eu te conheci. Kenshin Himura."

Ela começou a andar sem olhar para trás. Lagrimas caiam de seus olhos, e suas mãos tremiam.

"SEU CRETINO, SAIBA QUE TODO MUNDO ACHOU MEU KIMONO LINDO, TÁ?" Kaoru gritou antes de começar a correr em direção ao dojo. A jovem ia se despedaçar no meio da rua senão chegasse logo em seu quarto.

"Kaoru, o kimono é bonito sim." Kenshin percebeu que talvez tinha exagerado. O ruivo conseguia ver como ela soluçava, provavelmente chorando enquanto ia embora correndo. "Como pode ser tão teimosa." Ele chutou uma pedra que estava no chão.

Quando chegou e viu o quarto de Kaoru vazio. Quando soube que ela estava fugindo escondida. Quando viu ela quase caindo da sacada. Quando viu os olhares maliciosos dos homens do bairro de prostituição...Ele não agüentou. Explodiu. Seu coração se desesperou, e a alma não agüentou, resultando em um acesso de fúria.

Afinal, antes de ser Battousai, Andarilho ou qualquer outra coisa, ele era um ser humano. E tinha sentimentos confusos como qualquer outro.

"Eu sinto muito." Kenshin sabia que nunca poderia privar Kaoru de ser quem ela era. Não podia, nem queria, pois era essa determinação que ele mais amava nela. Tentar domar o espirito guerreiro de Kaoru, seria pior do que mata-la.

Mesmo assim, quando se lembrava dos momentos de aflição toda vez que ela era seqüestrada, ou os terríveis momentos em que perdeu a vontade de viver por causa da vingança de Enishi. Ele não conseguia conceber a idéia de que Kaoru devesse colocar sua vida em risco a fim de pegar um homem completamente doido, que assassinava crianças.

Talvez essa batalha, talvez nem física, fosse mesmo dela. Uma batalha para honrar a memória de seus entes queridos. Mas Kenshin prometeu para si mesmo que nunca deixaria de se tornar à sombra da jovem Kaoru Kamiya. Mesmo que fosse contra a vontade da jovem mestra. Com esses pensamentos em mente, Kenshin também foi para casa. O dia seguinte ia ser complicado, cheio de pedidos de desculpas, mas agora não havia nada que pudesse fazer, Kaoru estava magoada demais para ouvi-lo.

Magoada demais para ouvir sobre tudo que tinha descoberto e vivido em Osaka em apenas um dia.

Escondido na esquina da ruela, um homem se divertia com a briga. "Kaoru, Kaoru...a mesma pequena encrenqueira de sempre, nem Battousai o retalhador escapa de você. Obrigado pela visita, espero que volte mais vezes." Ele tirou uma lírio branco de dentro do bolso.

Despedaçando pouco a pouco a flor.O homem começou a entoar os versos de uma canção que cantava quando era apenas uma criança. Ele cantava para espantar a fome e a falta de tudo, que o matava dia após dia.

Assim, o homem seguiu seu caminho, pronto para encontrar as surpresas que o destino tinha lhe reservado para aquela longa e fria noite de começo de inverno em Shitamachi.

A vida, parece, que irá esmorecer
Derivando-se cada dia para mais longe de mim
Perdendo-se dentro de mim mesmo
Nada importa
Eu perdi a vontade de viver
Simplesmente nada mais a dar
Não há nada mais para mim
Preciso do fim para me libertar
As coisas não são o que parecem
Perdidas dentro de mim
Mortalmente perdido, isto não pode ser real
Não posso suportar este inferno que sinto
O vazio me preenche
Ao ponto da agonia
As trevas crescem tomando a aurora
Ninguém além de mim pode me salvar, mas é tarde
Agora não posso pensar por que eu deveria ao menos tentar
O ontem parece que nunca existiu
A morte me acolhe carinhosamente agora
Eu irei apenas dizer adeus
Eu irei apenas dizer adeus...

Disclaimer: Não me pertence. Nem a tradução da música Fade to Black do Metallica que meu amigo maluquinho sai cantando no final pelas ruas de Tókio.

Bom, esse capitulo ficou meio longo , espero que gostem. Essa historia de assassinatos é mais difícil do que parece, estou ficando doidinha, mas vale a pena, é uma ótima diversão.

Agradecimentos: Obrigada pelos reviews, e quem não deixou review também, obrigada por ter lido. Espero que tenham gostado.

Kirisu-chan (opa, escrever um fic comigo nesse estado????? Prometo que no próximo o Sanosuke vai estar andando e dançando gafieira.okkkk?? Chibi se escondendo embaixo da cama. Obrigada pelo review)
Rafinha Himura( Rafinha obrigada pelo review, sinto muito pelo seu computador, eu tinha o meu velhinho, sei como é. E por favor não se preocupe em deixar review gigantesco, não quero te atrapalhar de modo algum . Eu acho que esse review que você me deixou já foi muito importante, porque eu sei que você esta lendo e gostando da historia, pra mim já esta ótimo.)
Marismylle (as coisas precisam complicar pra Kaoru, senão não tem graça , Espero que tenha gostado, muito obrigada pelo review.)
Murilo (Muri, valeu pelo review. Deixa de ser machista, quer dizer que o Sano tem que ficar bom pra catar a mulherada? ORO)
Kagome-kun (O Kenshin falava sério quando dizia que queria a Kaoru afastada da encrenca, e bem perto dele. Espero que tenha gostado desse capitulo )
Madam Spooky (Spooky, obrigada por tudo, eu encho tanto você, mas ninguém mandou ser especialista em serial-killers )
Lan Ayath (Concordo com você quanto ao Sano e Megumi, só não sei ainda se no final eles vão se acertar....ainda não sei...Muhahaha... Kenshin e Kaoru é que não vão se entender por enquanto)
Leticia Himura (Calma Lê, não se apoquente. Sanosuke precisa ficar de molho por enquanto, quanto ao Yahiko..hum...sei não o que vai acontecer com ele)
Lere (obrigada pelo review, espero que esteja gostando do rumo que a historia esta tomando. Posso dizer que existem tantos porens que eu fico até meio maluca)

Beijos Chibis, até o próximo.