Disclaimer: Rk não me pertence.
" Reminiscência"
Capítulo 8 : Segredos de Osaka
Por:Chibilua
Após a inusitada briga, Kenshin chegou em casa, passou pela cozinha pegou algumas coisas para comer e beber, estava faminto, mal tinha chegado de Osaka e teve que correr atrás de Kaoru.
O ruivo foi até o quarto dela com pesar no coração e a sensação de que havia exagerado, a luz apagada, a porta fechada indicavam que Kaoru havia se recolhido, Por via das duvidas, ele preferiu espiar pela fresta da porta para ter certeza.
Sim, lá estava a jovem, havia adormecido.
Megumi passou pelo corredor.
"Senhorita Megumi, está tão tarde, vai dormir no dojo não é?" Ele sussurrou para não acordar quem dormia.
"Sim, junto com da pequena Satiko. Por sinal, sabe de algo sobre o pai dela? " Ela sorriu gentilmente cansada, tivera muito trabalho naquele dia, com o irritado Sanosuke, e Satiko que não era tão angelical assim.
"Este servo não sabe de nada, por favor, vá descansar Senhorita Megumi, está exausta." Kenshin sorriu, eles se despediram e Megumi seguiu para um dos quartos.
Kenshin sentou-se na porta do quarto de Kaoru, sentou-se escorregando as costas na porta até atingir o chão. "Haa" ele suspirou exausto, lateralizando sua espada ao seu corpo,
não tinha mais dezoito anos, e a idade estava começando a cobrar seu preço. Fechou os olhos, apesar de tudo pretendia passar a noite em vigília ali, na entrada do quarto de Kaoru.
"Se ao menos ela entendesse..." Ele fechou os olhos, lembrando-se do que havia vivido em Osaka durante aquele dia.
.../o.../...
O trem parou na estação Osaka, a maior cidade do oeste do Japão. Conhecida como a "cozinha do país", há séculos abastecia a nação com as mais diversas iguarias culinárias. A partir do século 17, a cidade também se transformou em um grande centro comercial, em seu porto passavam produtos de todo o Japão para importação e exportação. Artesanalmente, era uma cidade rica em objetos de cobre, com uma tradição de mais de 500 anos.
Kenshin Himura não estava realmente interessado nos detalhes que faziam de Osaka uma cidade promissora, no fundo a idéia de visitar a cidade a passeio junto de seus amigos era agradável, mas a situação naquele momento era outra, e um sentimento de deja-vu persistia dentro dele.
O espadachim estava racionalizando suas ações como há muito tempo não fazia. Ainda dentro do trem, processava o questionário de que faria ao diretor do manicômio. Ele queria regressar ao dojo Kamiya o mais breve possível, por isso teria que ser rápido e eficiente, a viagem de volta levava pelo menos umas seis horas.
Os restaurantes se preparavam para servir o almoço para seus clientes, o cheiro das comidas era tentador. O espadachim sentia o delicioso perfume dos ensopados e assados apurando nos fogões, e seu estômago roncava alto. Tinha que comer um lanche para continuar com sua missão, não havia mais como negar que ele não era o mesmo de antes. Na época que era um hitokiri e depois um rurouni, agüentava passar grandes períodos sem comida, e não sentia e nem ligava tanto assim para a fome.
A culpa era da vida confortável do dojo Kamiya, que o tinha deixado desacostumado. Ele fugiu da área dos restaurantes, antes que fosse vencido pela fome e resolvesse parar para almoçar. Caminhou rapidamente em direção ao centro da cidade, seguindo o mapa que o policial amigo de Kaoru lhe havia entregado.
Tóquio era populosa, mas não se comparava com Osaka quando o assunto eram as novidades. Kenshin se surpreendeu com o mar de pessoas que iam e vinham pelas ruas que levavam ao imponente cais de porto. Outro grupo de pessoas, possivelmente as mais abastadas, simplesmente ficavam paradas em frente às lojas, admirando as novidades como se tivessem todo o tempo do mundo para gastar com isto.
"As coisas são agitadas por aqui." O espadachim esboçou um sorriso. Deixando suas admirações e as reclamações para depois ele seguiu pelas ruas.
Queria cumprir a sua tarefa rapidamente, como no tempo em que era Battousai e voltar logo para casa. Aquele dia em especial estava fazendo com que ele se sentisse como no passado. Mandado sozinho para cumprir uma missão...Seus sentimentos se confundiam entre nostalgia pela juventude perdida, onde tudo era mais fácil de ser realizado, e um horror por querer inconscientemente voltar a ser como antigamente.
Ele tinha prometido a Kaoru. Tinha prometido que seria só um dia. Ela estava sozinha no dojo, cuidando da menina filha de Satoshi Kobayashi. Kaoru precisava dele, ela estava muito insegura por causa de todos os problemas em seu passado.
Kenshin resolver dois problemas, parou na frente de uma banquinha de doces, e comprou algo que apaziguasse seu estômago, aproveitando para pedir informações sobre o manicômio de Osaka. Ele saboreou um docinho feito de feijão cozido e açúcar. Era bom, bastante popular na região.
"Senhor, pode embrulhar alguns para este servo levar, por favor?" Com um singelo sorriso no rosto, o senhor idoso atendeu o pedido prontamente .
"Ah senhor espadachim, suas crianças vão adorar." Kenshin sorriu, um pouquinho desconcertado. "Este servo não tem filhos."
"Oh sim, mas então lhe deixo este conselho, meu jovem. Quem sabe poderá ajudá-lo quando tiver seus filhos. Leve sempre uma surpresa para eles, mesmo que seja uma simples balinha, significa muito para as crianças quando são lembradas." Kenshin sorriu, guardando o pacote e o conselho.
"Este servo agradece, senhor." Um pouco envergonhado, Kenshin mudou de assunto. Ele nunca tinha pensando seriamente sobre a idéia de ter filhos, talvez...um dia. Ele chacoalhou a cabeça, não queria começar a pensar nisso agora, pois sabia que quando pensava nisso, pensava naqueles que matou, e nos filhos que nunca mais veriam os pais e assim por diante.../...Pare com isso, Kenshin Himura.../...Ele se deu um tapa mentalmente.
"O senhor sabe a direção do manicômio de Osaka?"
Kenshin seguiu as instruções do homem da barraquinha. Era um velhinho muito simpático, ávido a ajudar quem estivesse precisando. Atravessou pontes e ruas em um passo rápido, seus olhos ametistas seguiam as crianças correndo em direção de uma praça central.
../...Filhos?.../... O ruivo deixou que um sorriso escapasse de seus lábios. Ele ficou feliz por aquelas crianças terem a oportunidade de brincar sem preocupações, duelando divertidamente com dois peões como ele próprio nunca pode fazer. Afinal, cresceu em um mundo repleto de morte, sangue e violência. Ainda pequeno, conheceu o pior das pessoas. Assassinos matando crianças e mulheres sem hesitar, sem nem mesmo respirar mais fundo antes de fazê-lo.
Kenshin balançou sua cabeça, os cabelos ruivos seguiram o movimento, tentando afastar os devaneios e pensamentos trágicos da mente. Kaoru e os outros faziam uma falta imensa. Se estivessem juntos, sua mente não estaria tão dispersa, e provavelmente não haveria margem para esses tipos de pensamentos. "Senhorita Kaoru."
"O festival vai ser maravilhoso este ano, não é mamãe?" A menininha carregava um cata-vento em uma mão, e com a outra entrelaçasse com a mão de sua mãe. "Sim querida, a parada Midosuji é uma das mais famosas."
/...São inocentes, livres de falsidades...pretensões. Com que propósito alguém mataria crianças? O senhor Koujishirou Kamiya não percebeu que Mishima corria risco de morte?...Os assassinatos das crianças estão realmente ligados com aquele de dez anos trás?.../...
Kenshin continuou em direção ao manicômio com a cabeça cheia de perguntas e teorias mirabolantes sobre o assassinato Mishima Kamiya e os novos casos.
Lá estava, o prédio de manicômio de Osaka. E o jovem espadachim estava decidido a encontrar resposta para algumas de suas perguntas.
.../o.../...
A sala ficava no final de um corredor escuro, era pessimamente ventilado, o clima lá dentro era tenso e pesado. A falta de uma corrente de ar e o cheiro forte de tabaco e sake, não eram os únicos fatores que causavam tanto mal estar no homem de sessenta anos
. Mesmo longe ele escutava os gritos, incompreensíveis, histéricos, repetitivos. Soushi Kajisawa suava frio naquele dia de inverno, sentando naquela cadeira, atrás da mesa de escritório, tampando os ouvidos, inocentemente tentando não ouvir, como se isso funcionasse para alguma coisa.
Um dia em sua mocidade, chegou a ser considerado um dos políticos mais promissores de Osaka, mas seu sonho foi destruído depois de algumas denuncias o envolvendo com máfia e corrupção.
Kajisawa teve sua vida revirada, e para não manter sua liberdade, acabou indo parar em um manicômio falido com um cargo de administrador. Em cima de mesa, livros e relatórios em pilhas, uma foto envelhecida da mulher e das duas filhas, e um cigarro sozinho, queimando abandonado em um cinzeiro de cobre. O copo de sake cheio pela metade finalizava as pistas que indicavam o modo como aquele homem costumava viver.
Kajisawa alargava nervosamente a gola da camisa. Há alguns minutos, ele fora avisado de que uma pessoa importante e temida estava a caminho. De sua cabeça calva e lisa escorriam grossas gotas de suor, embaixo dos seus olhos, bolsas indicavam as intermináveis noites sem dormir.
"Battousai Himura." Um outro homem, bem mais jovem entrou na sala abruptamente, ele tragou mais uma vez o cigarro antes de esmagá-lo no cinzeiro. "Ele esta a caminho." O moço tirou a franja do liso cabelo negro da testa, revelando os olhos claros, que apesar de serem belos, eram frios e cruéis. "Já sabe o que deve fazer?"
"Eu não posso...Você está louco se pensa que vai enganar o retalhador." Tremulo o velho se levantou, ele caminhou em direção ao jovem. "Meu jovem, você tem idéia de quantos ele assassinou?"
"Seu idiota. É claro que eu estou louco, isso aqui é um manicômio ou o que?" O jovem riu de seu próprio humor negro. Kajisawa se aproximou, argumentando sem parar que não podia fazer o que aquele jovem pedia. O jovem então empurrou implacavelmente o velho para longe, fazendo-o tombar por cima de uma cadeira.
"Não me interessa saber o que vai acontecer com você. Fez um acordo, aceitou o dinheiro, Aqui está a arma, é potente, está carregada. Quer mais o que? Tudo que tem a fazer é ganhar a confiança dele e atirar quando menos esperar." O jovem tinha um brilho implacável nos olhos, ele realmente não se importava com o que aconteceria com Kajisawa. O que ele queria era um aviso para que Battousai não se intrometesse em um assunto que não lhe dizia respeito.
"Eu não posso, eu não...Ele é Battousai o retalhador. PELO AMOR DE DEUS." O homem pegou a arma nas mãos tremendo, logo a depositou sobre a mesa. Kajisawa alargou ainda mais a gola da camisa. Sua sudorese e o batimento de seu coração aumentavam cada vez que pensava que Battousai estava chegando.
"O imbecil não mata ninguém a mais de dez anos...Ao contrario de mim." O jovem bateu as duas mãos inesperadamente sobre a mesa. O copo de sake virou, molhando os papeis espalhados.
"Você me deve, já usou o dinheiro que eu te dei. Se não é capaz de pagar seu debito, então não tem a menor serventia para mim. Mas lembre-se, você não esta tão limpo como pensa que esta." O jovem recolheu os papeis, formando um monte sobre a arma, escondendo-a.
"Eu sei que eu devo...o dinheiro serviu para pagar as minhas dividas. A minha esposa ela está..." Kajisawa não imaginava na encrenca que tinha se metido quando aceitou fazer parte daquele acordo.Teoricamente era fácil demais, dinheiro fácil demais.
"Calado, pouco me importa suas dividas e sua esposa idiota. Quando Battousai se sentar para conversar, é só disparar, só um tiro no lugar certo."O homem estava perdendo a paciência, pois Kajisawa não parava de balançar a cabeça.
"QUAL A DIFICULDADE EM SE FAZER ISSO?" O jovem perdeu de vez a paciência, voando sobre Kajisawa, agarrando-lhe o colarinho, e gritando na sua cara.
"Ele vai perceber. É obvio que vai perceber." O velho começou a chorar. Ele não queria ter que fazer aquilo. Era um corrupto, ladrão, vendido ao dinheiro de quem pagasse mais alto, mas nunca tinha assassinado ninguém.
"O senhor Himura está aqui para vê-lo." Uma mulher anunciou. Kajisawa tremeu, ele não sabia de quem deveria sentir mais medo.
"Hum, parece que ele chegou antes do previsto." O homem ajeitou a roupa do senhor. "Seja um velhinho gentil e amável." Ele passou um lenço sobre a testa de Kajisawa que suava como uma bica. "Estou voltando para Tóquio, tenho muito que fazer por lá."
"Eu não queria que Battousai viesse até aqui, mas já que ele veio, faça com que ele volte carregando alguma lembrança de Osaka. Você não conseguiria matá-lo nem que treinasse o resto da sua miserável vida." Com os dentes semi-cerrados o jovem se despediu, deixando Kajisawa encarregado de atrapalhar a vida de Kenshin Himura. "Mas algum ferimento deve conseguir".
"Você está provocando Battousai" O velhor argumentou enquanto o moço saia.
"Esqueceu que eu sou louco? Porque você acha que eu fiquei "hospedado" aqui" O jovem foi embora rindo.
.../o.../...
Kenshin não gostava daquele lugar. O ambiente era escuro, estreito e sujo. Faltava ar, faltava luz . As pessoas gritavam coisas inteligíveis. Andavam nus, alguns vestiam apenas trapos. Eram separados por celas, forradas com um pouco de palha, que defendia a umidade dos pavimentos.
"A sala do senhor Kajisawa é no fim desse corredor. É só seguir." Kenshin viu um carcereiro implacável no olhar daquele homem, que tomava conta dos loucos. O ruivo abaixou a cabeça, meditando sobre a vida daquelas pessoas. Abandonadas à vigilância brutal daqueles carcereiros, que mais parecia guardar bestas ferozes do que seres humanos.
"Obrigado." Kenshin não pôde dizer mais nada. Continuou sua peregrinação por aquele corredor perturbador. Os loucos sentiam seu desconforto. Como as almas ceifadas que apareciam em seus pesadelos,eles surgiam da escuridão das celas para o assustar.
"Ela vai morrer. Eu vou matar. Ninguém mandou ele ter um cabelo tão bonito. Um cabelo longo e escuro, e longo e escuro e bonito." Uma mulher agarrou o braço de Kenshin. Ela não queria soltá-lo.A pobre estava suja, vestida com trapos, o cabelo embolado. O espadachim viu as marcas roxas de espancamento nas pernas e braços.
"Senhora, por favor." Kenshin não sabia o que fazer, ela não parecia entender nenhuma palavra que ele falava. A mulher continuava histérica com a sua ladainha, na outra mão, ela segurava uma boneca como se sua vida dependesse disto. E repetia palavras seguidamente e sem parar. Conforme Kenshin empurrou sua mão tentando se soltar, a mulher começou a gritar mais alto. "ELA VAI MORRER. NINGUÉM MANDOU TER O CABELO TÃO LISO E PRETO. VAI MORRERRRRR."
O carcereiro sem hesitação acertou-a com um pedaço de madeira. "Cala a boca sua vaca, ou eu arranco essa boneca de você." A mulher caiu no chão contorcendo-se de dor,depois se arrastou novamente para a escuridão carregando sua preciosa boneca junto.
"Espere, este servo não vai permitir que..." Era horrível. Horrível demais. Kenshin não podia ficar calado vendo aquilo.
"Não vai permitir o que? Sente-se ai e escute-a gritar isso o dia inteiro. Aposto que você não conseguiria ficar nem meia hora, rapaz. Eu sei como fazer o meu trabalho. Se eu não estivesse aqui, esse hospício estaria em chamas, como já aconteceu antes. Siga seu caminho e suma logo daqui, você esta os deixando agitados." O carcereiro deu meia volta e se foi, não esperando pela resposta de Kenshin.
Kenshin não sabia mesmo o que dizer, apertou o passo, nem querendo disfarçar o desejo de sair dali logo dali. Rostos distorcidos vinham da escuridão. Gritando, gemendo, colocando para fora o que habitava em suas mentes distorcidas.
O manicômio fez lembrar de Rakunin-mura, o vilarejo dos parias parecia o paraíso comparado com o manicômio. Ele relacionou todo o cansaço, toda desesperança que tomaram conta de sua alma no momento que encontrou Kaoru morta, ensaguentanda, com uma espada enfiada no peito,e aquela horrenda cruz no rosto.
Kenshin colocou a mão no próprio rosto.Ele pensou que poderia ser uma daquelas faces retorcidas enclausuradas ali saindo da escuridão. Kaoru fazia mesmo falta, se ela estivesse ali, provavelmente ele não estaria pensando essas coisas. Kenshin agradeceu quando viu que a sala do diretor estava próxima.
"Senhor Kajisawa." A porta do administrador estava entreaberta. Segundo a moça que o recepcionou, o homem já sabia que estava a caminho. Lá estava ele sentado na cadeira. Um homem baixinho, gordo, calvo, parecia nervoso e agitado. Os seus olhos congelaram ao se encontrarem com os de Kenshin.
./.Será que nós tivemos problemas durante o Bakumatsu?../...
"Senhor Kajisawa..." Kenshin elevou um pouco o tom de sua voz, declarando firmemente quem era, e o que estava fazendo ali. " Meu nome é Kenshin Himura. Este servo foi enviado pelo investigador Satoshi Kobayashi de Tókio para lhe fazer algumas perguntas. São referentes a um rapaz que ficou...internado nesta instituição." Kenshin hesitou ao dizer "internado", não era bem o termo que devia ser usado em um lugar daqueles.
"Muito bem, queira entrar." Kajisawa fez sinal para que Kenshin entrasse no escritório e se sentasse. O espadachim seguiu a ordem, sentando-se em frente a Kajisawa.
"Então...Qual o nome do interno?" Kajisawa controlava-se para não demostrar seu nervosismo, tremeu ao levar o cigarro até a boca. Kenshin notou.
"Katsutoshi Toyomura." Kajisawa parecia enojado, ele balançou a cabeça pelo menos uma três vezes ao ouvir o nome. O espadachim continuou, estranhando o comportamento do velho.
"Este servo tem conhecimento que ele assassinou uma criança em Tóquio, isso a mais ou menos dez anos atrás...Depois, perdeu a noção de certo e errado, entrou em uma crise de loucura muito forte e foi trazido parar esta instituição, pelos senhores Satoshi Kobayashi e Koujishirou Kamiya. Este servo tem informações de que ele teria se suicidado ha alguns anos atrás."
"Senhor..Batto..Himura, parece que o senhor obtém todas as informações. Eu poderia lhe ajudar entregando a ficha de Katsutoshi Toyomura. Os médicos aqui do sanatório constataram que ele sofria de variação anormal de estrutura do caráter, provavelmente causadas por traumas de infância. Eu tenho os relatórios e fichas aqui."
Kajisawa se levantou, Kenshin sentiu algo estranho nos movimentos dele, Kajisawa tentava esconder algo cinza escuro e brilhante no meio de suas vestes.../...Uma arma?.../...Ele tinha algo para fazer, mas não estava com coragem para executar.
"Relatorios e fichas!!! Isso realmente existe neste lugar?" Kenshin sorriu ironicamente. Era ridículo, as palavras burocráticas de Kajisawa faziam o Hospício de Osaka parecer um local decente. "Qual é o problema Kajisawa? O que você não quer contar?"O espadachim se levantou, assumindo uma posição mais agressiva.
"Katsutoshi não se suicidou? Ele continua por ai assassinando criancinhas?" O tom de voz de Kenshin era realmente ameaçador, tavez assim o espadachim conseguiria respostas pra sair logo dali.
Kajisawa começou a gaguejar. O pior pesadelo de um político corrupto estava se tornando realidade, dez anos após o final do Bakumatsu. Cara a cara com Battousai, Kajisawa não poderia sobreviver, mas ele precisava tentar, ele tinha uma arma para isso.
"Sim, sim. Ele se suicidou...ele..."Kajisawa derrubou todos os arquivos e pastas que carregava na mão quando sentiu o tom de voz de Kenshin mudando.
Cansando de ver Kajisawa fraquejando, Kenshin pegou uma relação de internos da época de Katsutoshi nas mãos. "O que???" O ruivo de surpreendeu ao ler o nome dos internos.
"Yamazato...Ele esteve internado aqui na mesma época de Katsutoshi?"Kenshin mirou fixamente para os olhos de Kajisawa, que prontamente se escondeu atrás de sua mesa, com o revolver empunhado em mãos.
"Isso é confidencial...Você não vai sair daqui com esta informação, Battousai Himura." Kajisawa tomou coragem e descarregou a arma. O único alvo era o peito de Kenshin Himura. Obviamente Kenshin administrou a situação e colocou o velho para tirar uma soneca.
Logo depois pegou os arquivos, que seriam uma bela prova, correu para a estação e embarcou mais rápido possível no trem de Shitamachi
.../o.../...
Ainda na porta do quarto de Kaoru, Kenshin começou a analisar o papel que havia tirado do velho medroso "Ah esses políticos" Ele pensou, seu lado battousai adorava essas situações em que os corruptos tinham que lhe confrontar.
Lá estava a lista dos internos da época do assassinato de Shima, e apesar da pouca luz podia ler um nome.
"Yamazato" Kenshin buscou uma relação entre fatos e nomes. Alguns segundos depois, ele sussurrou seu pensamento "É possível sim, Kaoru não tem noção de como se arriscou esta noite."
Kenshin foi pego de surpresa com o som da porta de Kaoru se abrindo.
"O que esta fazendo ai fora?" A voz seca dela fez com que Kenshin abaixasse a cabeça.
"Este servo não quer mais discutir." Kenshin sabia que precisava conversar seriamente. Provar para Kaoru que sabia de seu valor, que admirava sua força, sua coragem...Que a amava mais que tudo, mas não era o momento...
"Jantou?" Ela perguntou rapidamente.
"Sim" Ele acenou com a cabeça e sorriu.
"Entra Kenshin" Ela deu espaço para que Kenshin passasse pela porta, fazendo sinal para que o ruivo entrasse no seu quarto. Um sorriso quase lhe escapou pelos lábios, ele parecia um cachorrinho sem dono sentado ali na porta de seu quarto.
"Senhorita Kaoru, no meio da noite, não fica bem." Ele tentou arrumar uma desculpa, realmente não tinha mais animo para discutir, mas como o olhar dela não deixava margem para hesitações e contrariedades, ele obedeceu. Com os movimentos seguidos pelos olhos azuis da jovem, entrou no quarto.
Sem dizer uma palavra, ela jogou um edredom para Kenshin, em seguida se enfiou debaixo das cobertas. "Boa noite senhorita Kaoru." Ele se sentou ao lado do futon dela, enrolando-se no cobertor. Mentalmente, ele agradeceu uma centena de vezes, estava congelando lá fora e aquele quarto era tão quente e confortável.
"Boa noite Kenshin, amanhã nós conversaremos" Apesar das lembranças de Mishima Kamiya, a frustração que sentia por causa discussão com Kenshin, a possível volta de Katsutoshi, o assassino de seu irmão, as crianças aparecendo mortas, Kaoru fechou os olhos, e agradeceu por ter seu amado assim...tão perto.
O dia seguinte seria longo e repleto mistérios para resolver e brigas para desfazer, mas o que importava era aquele momento, nem passado, nem futuro. Só aquelas almas, contrariadas sim, mas reconfortadas por terem uma a outra, por pelo menos mais aquela noite.
.../o.../...
Continua ,
Obrigada a todos os reviews, desculpem a demora na atualização.
