Reminiscências
Capitulo 9 "Revelações"
Por ChibiLua.
O cantar dos passarinhos acordou Kaoru. Ela jogou os braços para trás e espreguiçou, soltou um grunido de sua garganta e um bocejo. O sol de inverno estava alto, o céu limpo. Massageou o couro cabeludo, bagunçando as madeixas soltas.../...Sono profundo, pudera estava exausta.../...
"Rrrrrr" Um ronco a fez parar. Ela virou o corpo no futon. Lá estava ele, enrolado no edredom que havia lhe entregado na noite passada. Seu corpo solto nada lembrava a posição de alerta de hitokiri.
"Rrrrrrrrrrr" Kaoru colocou a mão na frente da boca, evitando a gargalhada.
"E não é que ele ronca mesmo, quem diria?" A jovem shihandai finalmente sentou-se no futon, seu longo cabelo preto simplesmente selvagem, caiu em ondas por suas costas. O cansaço foi tanto que nem o trançou ,agora teria que lidar com ele, mas naquele exato momento, o que interessava era o ruivo dormindo profundamente ao seu lado.
"Teimoso, genioso, mandão... Machista" Ela sussurrou baixinho, ainda contrariada pela discussão da noite passada, porem seu humor estava mais bem mais agradável. "Baka".
Kaoru soltou o ar dos pulmões. De cima da penteadeira, ela alcançou o pincel que usava para escrever, com os movimentos de um gato, chegou perto de Kenshin, e começou a passar as cerdas do pincel no nariz dele. Imediatamente colocou a mão na boca, prevenindo a risada.
Nada...Novamente se arriscou, passou a cerda do pincel na bochecha do espadachim, e aguardou a reação. Nada...
.../...Estranho, será que ele está bem?.../... Engatinhando, chegou pertinho do rosto dele e sussurrou "Kenshin???"
Em um único movimento, Kaoru estava deitada novamente no futon, Kenshin sobre ela, os rostos a poucos centímetros de distancia, ela sentiu as mãos quentes segurando seus pulsos, e o intenso olhar ametista desafiava qualquer movimento.../...é assim que ele me quer, presa nas suas garras, se bem que não é nada mal.../...A jovem percebeu o inevitável calor dentro do seu corpo.
"Bom dia senhorita Kaoru, este servo está acordado a algum tempo." Ele tinha um sorriso no canto dos lábios, e olhou para o pincel.../...ela parece estar de bom humor.../...
Kaoru não respondeu prontamente, mergulhou no olhar colorido do espadachim.../...é, quem brinca com fogo.../...Ela finalmente sorriu, mas como quem quer segurar o sorriso.
"Bom dia Kenshin. E eu ainda estou muito brava." Kaoru franziu a testa, mas não durou, um pouco desconcertada continuou "mas, Kenshin, noite passada acho que nós exage..."
'BUSUUUUU, vai dormir até o meio dia de novo?Eu quero treinar, essas meninas não me dão sossego, vão destruir tudo e você ainda vai acabar colocando a culpa em mim." Yahiko foi falando e escancarando a porta do quarto de Kaoru.
"Opa" Yahiko ficou instantaneamente vermelho.
Ayume, Suzume e Satiko também paradas na porta do quarto, como uma escadinha, porém as pequenas não ficaram vermelhas, não tinha malicia, ficaram animadas e começaram a pular e gritar na varanda do dojo. "Kenny e Kao-chan se casaram, Kenny e Kao-chan se casaram, Kenny e Kao-chan se casaram,."
A Shihandai não sabia dizer qual a sua cor, vermelha, talvez roxa de tanto embaraço.
"NÃO É O QUE VOCÊ...VOCÊS ESTÃO PENSANDO." Ela gritou a pleno pulmões, ao mesmo tempo em que aplicava um golpe de judô em Kenshin, fazendo com que o pobre voasse pela porta do seu quarto.
"Orororo" Era tudo que restava ao espadachim.
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Durante o preparo do café da manha, Kaoru roubava alguns olhares de Kenshin. Era simplesmente impossível ter uma conversa decente no meio daquela algazarra. As três meninas pequenas riam, corriam e gritavam. A jovem mestra olhou para as crianças com certa preocupação.../...Ah Kami-sama, essas crianças nesse dojo, depois de tantos avisos, eu não estou gostando disso. Como posso negar a presença delas sem ferir sentimentos?.../...
"PAPA" Satiko gritou assim que o portão do dojo se abriu, o policial entrou. Kobayashi beijou a filha e a colocou no colo. "Que saudade da minha pequena." Ele permaneceu com a criança em seus braços. "Bom dia a todos."
"Bom dia Kobayashi-san" Kaoru o recebeu, um tanto quanto nostálgica.../...Sinto saudades do papai.../...
"Venha comer, a essa altura Kenshin já terminou o café da manhã, o senhor deve estar faminto e cansado." Kaoru fez um gesto para que ele se dirigisse à cozinha.
"Obrigado, realmente com fome e cansado. Passei o dia e a noite revendo os casos e examinando o corp..." Kobayashi fez uma careta, preferiu não falar, pelo menos enquanto estivesse com Satiko no colo.
"Entendo" Kaoru pronunciou. "Ah, bom, Kenshin ainda não teve oportunidade de nós contar sobre Osaka, chegou tarde noite passada, e está manhã o dojo está insano." Kaoru gaguejou quando disse sobre a noite passada, e não passou despercebido por Kenshin.
.../...Ela ainda está brava...este servo exagerou quando disse que devia ficar cuidando da casa. E... bom, é verdade a culpa é minha quando ela é seqüestrada. Mas, ela é teimosa sim, e imatura. Geniosinho mais terrível, se eu tivesse a conhecido dez anos atrás, Kyoto tinha pegado fogo. Eu teria pegado fogo, teria pegado essa teimosia dela e arrancado o kimono e...ORO/...
"Aouuu Cabeção. Acorda pro mundo. Tá divagando o que com essa cara de bobo?" Megumi empurrava a cadeira de rodas do enfurecido Sanosuke, que veio reclamando o caminho inteiro.
"ORO" Kenshin despertou de seus...sonhos. .../...Esquentou de repente, não?.../...
"Sano, por favor, se recupere logo seu humor está cada dia pior." O espadachim estampou seu sorriso mais bobo.
"É culpa dessa mulher aqui." Sano apontou para trás. "Essa Raposa sumiu com as minhas roupas, eu juro da próxima vez que eu tiver que gritar pelas minhas roupas no banheiro, eu..." Sano levantou o punho direito e apertou os lábios, até que perdessem a cor.
"Hohohohohoho. Eu sei que você fez de propósito, escondeu suas roupas pra que EU tivesse que entrar lá e te visse pelado" Megumi começou a rir. "A propósito, não estava tão frio lá dentro pra você ficar tão...encolhidinho. Hohohohohoho" As famosas orelhinhas de raposa apareceram instantaneamente.
"MEGUMI". Sano gritou ultrajado.
"Oh...ORO" Kenshin foi capaz de dizer após alguns segundos.
"Eu não entendi...OH...OHHH" Kaoru arregalou os olhos "Muita informação, muita informação" Ela chacoalhou a cabeça.
Sano ficou ainda mais furioso com Megumi. "Eu juro, assim que ficar bom vou te mostrar quem vai ficar encolhidinho, pode esperar Megumi, só não sei se você vai dar conta." Um sorriso malicioso apareceu no rosto do lutador.
"HENTAI" Megumi deu uma bofetada nele, fazendo com que a cadeira começasse a andar sozinha. Sanosuke gritou conforme a cadeira tomava velocidade "Foi você quem começou". Ele foi capaz de parar a poucos centímetros de cair no quintal.
Kobayashi estava um pouco incomodado com a liberdade dentro do dojo. "Seus amigos são engraçados, mas um pouco inoportunos." Ele advertiu, tirando as mãos dos ouvidos de Satiko.
"Calma, calma, são inofensivos." Kenshin fechou os olhos.
"Eu mereço, primeiro Kaoru e Kenshin dormindo juntos, e agora isso?" Yahiko falou rápido, ultravermelho.
Kobayashi olhou ferozmente pra Kenshin e depois para Kaoru. "KAORU KAMIYA, O QUE ESSE GAROTO ESTÁ DIZENDO?"
"Perdão. Não é bem assim, Kobayashi-sama." Kenshin adicionou o sama por via das duvidas.
Kaoru chutou Yahiko, e se curvou na frente de Kobayashi. Depois se levantou e balançou rapidamente as duas mãos.
"Não foi nada demais. Não é o que o senhor está pensando. De maneira alguma. Nunca houve desrespeito a memória de meu pai e a honra de nossa família dentro desta casa. Desculpe Kobayashi...sama." Kaoru também acrescentou o sama por via das duvidas.../...eu mato o Yahiko.../...
"Que assim seja, lembre que você tem o nome da sua família a zelar. Himura, não é porque Kaoru mora sozinha com vocês nesse dojo, que ela não tem ninguém que olhe por ela." Kobayashi colocou Satiko no chão. Ele e Kojishirou já foram jovens antes, riam das mesmas piadas, falavam as mesmas besteiras, porém, mesmo que fosse engraçado, não podia ser conivente com esse tipo de conversa e comportamento, principalmente na frente das crianças.
"Este servo está plenamente de acordo, Kobayashi-sama."
Sano e Megumi se olharam, parecia que conversavam mentalmente. "Viu a chamada que a Tanuki tomou?...hohohohohoho"..."É, mas a Jou-chan quem estava dormindo com o Kenshinzinho, Raposa" Sanosuke piscou pra ela. Hunpf.
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Após o café da manha, Tsubame apareceu no dojo, o que alegrou ainda mais as crianças.
Enquanto todos conversavam, a menina cochichou no ouvido de Kaoru, procurando não chamar muita atenção. "Kaoru-san, espero não ter lhe causado problemas na noite passada Me desculpe, foi perigoso ter entrado no quarto daquele homem estranho, e ainda você quase caiu da sacada."
"Psiii, tudo bem, está tudo bem. Eu fiz o que foi preciso." Kaoru respondeu baixinho.Tsubame sorriu, e abaixou a cabeça. "Quando Tae-san cair na real, vai perceber que você fez isso por ela, e vai te agradecer. Kaoru-san."
"Tomara" Kaoru pensou .../...Estou preocupada com Tae. Mas, o que real motivo da minha invasão foi outro.../... o dialogo entre elas não passou despercebido por Kenshin, e nem a feição pensativa de Kaoru.
A menina então puxou Yahiko e as outras crianças para brincar de bola no quintal, o jovem estudante não quis se misturar com as pirralhas, mas acabou aceitando. Logo todos brincavam.
Os adultos então passaram para os assuntos mais sérios. A essa altura Megumi e Sanosuke estavam por dentro dos assassinatos, menos a parte sobre Mishima Kamiya. A médica realmente entristeceu-se ao saber que a filha de sua paciente havia realmente sido morta.
"Mayume. Ela chamava por Mayume o tempo todo. Senhor Kobayashi, eu tenho certeza que ela ira cooperar, essa mulher estava em um estado deplorável, espancada, suja. Ela tinha um corte horrível na cabeça, eu ainda nem fiz a retirada dos pontos dela".
"Agradeço a indicação, doutora Megumi, tenho certeza de que será uma testemunha preciosa." Kobayashi tomou mais um gole do chá e continuou. "Definitivamente a causa da morte foi asfixia, mas Mayume já estava morta quando foi jogada no lago, já que não evidenciamos água em seus pulmões... O único sinal de violência era um grande hematoma no pescoço, os dedos de um homem adulto estampados na pele sem cor. Graças a Deus, a menina não foi violada... Porem, encontrei algumas peculiaridades, por se tratar da filha de prostituta, o cadáver se encontrava bem., digamos, arrumado. Vestia um kimono totalmente branco, em seu cabelo encontramos algumas flores, uma pétala que acreditamos ser de um lírio branco".
"LIRIO?" Kaoru surpreendeu-se.
"Sim, lírios, você relaciona com alguma coisa Kaoru-chan?" Kobayashi ficou curioso.
"NÃO, não" o primeiro 'não' saiu mais alto do que o esperado. O encontro com o espírito da menina dentro do armário de Yamazato veio a sua cabeça. Foi pra transmitir alguma mensagem mesmo, mas Kaoru não podia abrir a boca, já bastava o sermão de Kenshin. Kobayashi ficaria bravo se descobrisse que ela cometeu invasão.
O detetive fez uma longa pausa, tomou mais um gole antes de continuar.../...Me perdoe Kaoru.../... ele pensou antes de continuar.
"Bom, eu relaciono."
Kaoru olhou surpresa, essa ela não esperava. Kobayashi continuou.
"Dez anos atrás, um menino de cinco anos foi encontrado morto em um lago, aqui perto do dojo Kamiya...Estrangulamento, na verdade, ele tinha um corte no supercílio, provavelmente caiu durante uma tentativa de fuga, ou foi um golpe do próprio assassino, para mantê-lo inconsciente."
Kaoru abaixou a cabeça, Kobayashi continuou.../...Mexer no passado é uma tortura necessária, infelizmente.../...
"as mesmas características, cadáver arrumado, kimono branco, pequenas flores no cabelo. Na época, não pudemos precisar exatamente quais tipos de flores, porque nós demoramos três dias para encontrá-lo e...e, já estavam deterioradas, mas, tinha um lírio dentro do kimono."
A respiração da jovem mestra mudou, ela sentiu os olhos ardendo como se tivessem jogado areia neles. Ela não sabia disso "Lírio???" Sussurrou.
"Hã Hã." Kobayashi fez sinal positivo com a cabeça. Kaoru permaneceu pensativa.
"Essas mortes parecem fazer parte de algum ritual?" Kenshin perguntou.
Kobayashi acenou positivamente. "Na época, fomos capazes de prender o...rapaz. Eu e Kojishirou, após uma luta..." ele soltou a respiração, Kaoru virou o rosto. "uma luta violenta, levamos Katsutoshi Toyomura para o hospício em Osaka, seu estado mental deplorou-se rapidamente e ele veio a se suicidar, após alguns meses de internação."
Kenshin escutou Kaoru engolindo seco, ela baixou a cabeça, fixou os olhos no chão. .../...Luta violenta, papai esqueceu completamente do estilo Kamiya Kasshin. Ele queria que Katsutoshi morresse. Só não conseguiu porque Kobayashi intercedeu, fazendo meu pai perder a consciência. Nunca vi papai tão obcecado. E nunca mais verei.../... Uma lagrima escorreu, e Kenshin posicionou sua mão sobre a dela.
Sanosuke e Megumi entreolharam-se.
"O fato é: o assassino que a policia conheceu foi declarado morto há nove anos atrás, porém, nos últimos seis meses, novas crianças apareceram mortas, uma em Nagano, uma em Maebashi, uma em Urawa, e uma aqui em Shitamachi, praticamente cortando o país. Todas encontradas de kimono branco, todas bem arrumadas, o único sinal de violência é mesmo o estrangulamento. Todas tinham menos de dez anos de idade."
"Hei, Yahiko tá fora dessa por um ano." Sanosuke disse rápido, tentando animar o ambiente, sem sucesso.
"O assassino, de dez anos atrás, executava os crimes dessa mesma forma, Katsutoshi... Ele teve um histórico bem violento durante a infância, sofreu abusos terríveis, toda a família assassinada bem na sua frente quando tinha quinze anos. Uma outra família o adotou, viveram bem por alguns anos, mas ele começou a apresentar um comportamento maníaco. As idéias um tanto quanto...estranhas. A partir de certo ponto, ele acreditava que era um enviado de Deus, que tinha vindo a terra para salvar...para fazer justiça e mandar os anjos de volta para o céu, pois, suas respectivas famílias não tinham o direito de ter as crianças aqui, nesse mundo. Porém, para essa família, Katsutoshi foi tão discreto em suas atividades ocultas, que só perceberam o mau quando...ele assassinou o filho caçula."
" Quando meu pai descobriu as verdadeiras intenções dele, ficamos sabendo que ele se considerava superior a nossa raça." Kaoru finalmente interrompeu, as mãos fechadas no kimono, agora as lagrimas livres. "Ele julgou quem merecia ser salvo. E 'salvo' na visão dele significava morto."
"Imagine, todos temos defeitos...somos humanos, essa pessoa se julgava no direito de escolher quem poderia ter uma família, e quem não. Ele devastou varias famílias antes de ser parado." Kobayashi olhou para Satiko, correndo atrás de Yahiko com uma shinai, e depois para Kaoru. .../...pobre Kaoru-chan, ficou sozinha nesse mundo depois dessa tragédia.../...
Com a voz afetada pelo nó na garganta, Kaoru se levantou e declarou. "Para preservar a inocência, ele preferia acabar com ela, estrangulando, matando naquele ritual doentio, e depois jogava em um lago pra que depois de três dias de puro desespero, a família pecadora pudesse encontrar e tomar a facada final." Uma pausa... "Não foi assim Kobayashi-san?"
"Hai" Foi tudo que o amigo e ex-parceiro policial de seu pai foi capaz de dizer.
"Kaoru, Jou-chan, senhorita Kaoru" Megumi, Sanosuke e Kenshin, disseram o nome da shihandai, e acompanharam com os olhos. enquanto a jovem se dirigiu para seu quarto e fechou a porta. Megumi e Sano não sabiam dessa historia no passado de Kaoru, mas conseguiram compreender sem mais perguntas. "Imagine o que é perder alguém que se ama tanto?" Kobayashi disse baixinho.
Eles permaneceram sentados, quando escutaram Kaoru abrindo novamente a porta, ela voltou para a varanda. Uma resolução em seu olhar. A voz diferente da habitual, ela estava falando sério.
"É por isso que eu quero essas crianças longe daqui, todas. LEVE TODAS DAQUI. LEVE PRA BEM LONGE." Se Kaoru fosse Kenshin, nesse momento ele estaria no modo Battousai, até os olhos mais escuros, quase negros. "TIREM ESSAS CRIANÇAS DESSE DOJO, É UMA ORDEM. ESSE MALDITO ESTÁ DE VOLTA, JÁ FORAM QUATRO CRIANÇAS..."
As três meninas escutaram os gritos nervosos de Kaoru, e começaram a chorar. "Kao-chan não gosta mais da gente?" Satiko fez um bico magoado e pulou no colo do seu pai. "O que eu fiz papai? Juro que não faço mais bagunça...Buaaaa"
Megumi se levantou e correu para Ayume e Suzume que choravam também, Tsubame também tinha lagrimas nos olhos. "Kaoru, você ficou louca, não pode falar assim, são só crianças."
"Prefiro que elas chorem agora do que sejam mortas mais tarde. Megumi, faz um favor e vá junto com elas, quanto menos gente aqui melhor. Tsubame também." Kaoru não esperou a resposta, voltou para o quarto e fechou a porta. Seu coração despedaçou ao ver as crianças chorando, mas ela não queria mais nenhuma sobre sua responsabilidade, pelo menos não depois de tantos avisos de SHIMA .../... Já chega.../...
"Por hora este servo acredita que seja melhor respeitar a vontade da senhorita Kaoru. Tentem entender, por favor. Com licença." Kenshin abaixou a cabeça e fez menção de seguir a jovem mestra até o quarto, mas Kobayashi pediu para que ele aguardasse.
"Vou levar as crianças para o consultório do Dr Gensai, Satiko também pode ficar lá conosco." Megumi estava contrariada, ao seu ver Kaoru estava sendo insensível e precipitada.
"Hai" Kobayashi concordou. "Kaoru-chan tem muitas preocupações no momento. Peço que entendam... Himura, só gostaria de saber o que se passou em Osaka antes de eu ir embora."
Kenshin explicou rapidamente o que tinha se passado, dando ao policial novas dicas sobre a investigação, aparentemente Katsutoshi esta mesmo morto, Yamazato pode estar relacionado, já que os dois conviveram por um pequeno período, completou dizendo que gostaria de acompanhar esse tal Yamazato mais de perto. Kenshin só ocultou a pequena tentativa de assassinato. Depois seguiu para o quarto de Kaoru Kamiya.
Ao chegar na porta, Kenshin escutou Kaoru chorando, logo depois o som do vidro de perfume se espatifou contra o espelho.
Ele deslizou a porta do quarto, Kaoru ajoelhada no chão, se curvando cada vez mais e soluçando, a mão esquerda agarrada no peito.
"Kaoru. Essa conversa te causou dor, não é? Sinto muito mesmo." O 'senhorita' foi esquecido, o espadachim ajoelhou-se ao seu lado, colocando uma mão nas costas dela. Queria confortar, mas Kaoru balançou a cabeça, a testa dela encostou o chão.
"Eu não estou brincando, eu os quero longe do dojo, por favor mande Yahiko para Kyoto, para ficar com Misao e o os outros no Aoya. Enquanto essa situação não for resolvida, eu prefiro que fique longe."
Com o coração apertado, ela continuou "Talvez Yahiko e as outras crianças não me perdoem, não entendam, mas eu não posso correr esse risco. Shima escapou da minha vista por um minuto, e sumiu para sempre. A culpa é minha, a culpa é minha."
"Não é verdade, você sabe disso." Kenshin já esteve nessa posição antes.
"Este servo vai conversar com Yahiko, mas não será fácil convencê-lo. Ele vai querer lutar e te proteger" Kenshin fechou os olhos, e esfregou as costas de Kaoru. Ela então tirou um envelope de dentro do kimono e entregou para o espadachim.
"No dia da tempestade, ele esteve aqui, ele ficou a um passo do Yahiko...Ele..." Kaoru levantou a cabeça finalmente.
"Yahiko" Kenshin leu o papel, e se enfureceu. "Quanto atrevimento.".../...Aposto que é o tal do Yamazato, será que a loucura de Katsutoshi o contagiou? Mas porque estaria cometendo crimes idênticos?.../...
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Devido a insistência de Kaoru, Kenshin levou Megumi e as crianças para a clinica do Dr Gensai, Kobayashi partiu atrás das novas evidencias que foram apresentadas, Sanosuke estava dormindo no dojo. Yahiko acompanhou Tsubame de volta ao Akabeko, ficou combinado que o jovem estudante deveria esperar Kenshin ir buscá-lo no Akabeko, mas Yahiko apenas gargalhou. "Estão achando que eu sou criancinha pra ficar esperando o Kenshin ir me buscar, que piada!!!"
Era meio da tarde, para espairecer a cabeça, Kaoru caminhou até o riacho que passava na frente do dojo. As borboletas voavam conforme ela se aproximava da margem. O céu tão azulado destacava as cores das flores selvagens. A Shihandai olhou para a outra margem do rio, piscou algumas vezes. "Shima", ela murmurou. O menino estava sentado do outro lado, mas dessa vez nenhuma referencia apavorante, uma borboleta pousada em sua mão. A mesma borboleta voou ao encontro de Kaoru.
"Bonita, não é Nee-chan?" Shima sorriu, seu aspecto era sadio, como da ultima vez que Kaoru o viu com vida.
"Sim" Do outro lado do rio Kaoru respondeu. Ela então percebeu outras crianças vindo se sentar ao lado de Shima. "Mayume?" A jovem mestra reconheceu a menina. Quando Mayume sentou, o tempo virou. Vento forte, nuvens escuras e pesadas, raios cortavam o céu, trovões estremeciam a terra. As borboletas se foram assim que a chuva negra despencou do céu. "Mas o que é isso?"
Kaoru levou a mão a testa, tentando proteger os olhos da chuva e enxergar melhor. Sentiu seu kimono pesado por causa da água. Foi então que percebeu, "Nãooooooo" Ela gritou quando reconheceu Katsutoshi chegando perto das crianças. "Nãoooo, não, seu maldito, seu demônio!!!"
No entanto, o homem parecia estar alheio à presença das crianças sentadas na margem do riacho. Ele não os via.
"Você fere meus sentimentos. Sou só um de anjo caído." Ele gargalhou ironicamente. Kaoru fechou os olhos .../...Se for um pesadelo, quero acordar.../...
Quando abriu os olhos, Katsutoshi havia desaparecido, em seu lugar outro homem. Alto, cabelos negros, olhos verdes, face inexpressiva.
"Kaoru-chan, não gosto do seu tom de voz." O homem curvou os lábios para baixo, em desagrado.
"QUEM É VOCÊ?" Ela gritou sem entender nada, cadê Katsutoshi???
"A embalagem não importa. Isso é só uma marionete." O homem apontou para si mesmo.
Kaoru abriu a boca em choque, mas não foi capaz de dizer nada .../...Será possível?.../...
"Foi difícil conseguir voltar. Aonde eu fui mandado...huuuu, não é nada bonito, mas eu consegui sair de lá. Principalmente em um momento culminante como este. KAORU KAMIYA, COMO PODE CONVIDAR BATTOUSAI PARA VIVER EM SUA CASA?" O homem gritou asperamente, Kaoru então reconheceu a voz.
"YAMAZATO?" A Shihandai nunca foi oficialmente apresentada, mas ela escutou a voz quando se escondeu no quarto dele noite passada.
"Calada, já disse que essa "casca" não importa." Katsutoshi estava dentro do homem. Dentro de Yamazato.
"Dentro de sua casa. Um assassino. Um homem com as mãos sujas de sangue...sujas não, encharcadas de sangue. CONVIVENDO COM AQUELES PEQUENOS ANJOS. Vocês quebraram as regras novamente. VOCÊS VÃO INFECTAR AQUELAS CRIANÇAS COM SUAS ALMAS CORROMPIDAS" Yamazato pausou, depois de atirar as palavras como se fossem adagas em direção a Kaoru. Ela estava paralisada, sentiu seus joelhos tremendo. Mesmo separados pelo riacho ela podia sentir o ódio daquele homem entrando em sua pele.
"No entanto, Battousai não desperta o menor interesse em mim, ele não faz parte de minha missão, já que sua alma está condenada ao inferno mesmo. Na verdade eu posso mandá-lo para o mundo dos pesadelos a qualquer segundo. Sabe, aprendi novos truques no lugar onde eu estava...mas agora estou aqui novamente pra 'salvar' o maximo de anjinhos inocentes que puder". O olhar frio arrebatou Kaoru, que finalmente deslizou sobre seus joelhos. Ela sentia o sangue fervendo dentro das suas veias.
"Shima" Kaoru desviou o olhar de Yamazato, procurando por seu irmão, a criança parecia estar sentindo dor. "Não, eu não vou permitir que você mate mais nenhuma criança Katsutoshi. Nem que eu tenha que..."
"Tsc Tsc...Kamiya, eu sinto que ainda tenho chances de salvá-la. Minha missão foi interrompida a dez anos atrás por seu pai." Katsutoshi contorceu os lábios para baixo. "Hump...mas aquele infeliz não está mais aqui pra me impedir. Por falar nisso, eu estava lá quando ele foi para o inferno. Eu fiquei sussurrando no ouvido dele até o ultimo momento. Uma espada que ele tanto defendeu com aquela idiotice de "espada para vida" atravessou sua garganta, depois de ter decepado seu braço direito...hahahaha. Seu pai sangrou e gritou como um porco no matadouro."
"Kaoru, foi a ultima palavra que o bastardo disse antes de morrer." Tirando sarro ele disse o nome dela, depois se divertiu com o choque nos olhos da jovem.
"CALA A BOCAAAAAAAAAAAAAAA. Cala a boca, cala a boca." ela gritou soltando todo o ar de seus pulmões. Kaoru fechou os olhos, socando com ossos da mão no chão de terra.
Yamazato/ Katsutoshi caminhou para longe, satisfeito pelo sucesso de seu pequeno joguinho mental. Brincar com Kaoru sempre foi divertido. O céu voltou ao normal, azul, límpido, a explosão de cores das borboletas e as flores enfeitaram novamente as margens do riacho. Shima não estava mais na outra margem, ninguém estava mais na outra margem.
Palavras desordenadas saíram de sua boca. "Ele...ele...Possessão? Tae precisa me ouvir, ela precisa ficar longe desse homem." Kaoru se levantou rapidamente, e começou a correr em direção ao Akabeko. "Eu não sei o que fazer, nunca lidei com isso...PAI, me ajude."
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Continua...
...Ufa, peço perdão pela demora, esse fanfic não foi esquecido. É que meu trabalho não me deixa mais com tanto tempo para escrever. Aos pouquinhos eu vou completando a historia. Na verdade, eu quero saber como esse fanfic vai ficar no final. Muahahhahahaha. e tá ficando tão doido, mas legal.
Agradeço todos os reviews, espero que tenham gostado
Até a próxima.
Chibi-lua.
