Disclaimer: Rk não me pertence, a música e letra de Return to Inocence não me pertecem.

Reminiscências

Capitulo 12- Retorno a inocência

Por:Chibi-lua

"Ayume, agora eu te pego" Com uma bola de neve na mão, Suzume começou a perseguir Ayume pelo quintal do dojo. Satiko também entrou na brincadeira, só que errou o alvo e a bola de neve espatifou-se na cara de Yahiko. Tsubame não agüentou a cara que Yahiko fez, ela também começou a jogar neve no pobre. Entre gritos e gargalhadas elas haviam declarado guerra.

"AHHHHHHH" o jovem estudante pegou uma grande quantidade de neve nas mãos e passou a perseguir todas as meninas que gargalhavam entusiasmadas. "Não mandei vocês mexerem com Yahiko Miyojin, membro de uma família de samurais de Tókio".

A neve raramente caia na cidade de Tókio, mas naquela manhã a cidade acordou imersa em um véu alvo, apesar do frio congelante, as crianças queriam aproveitar o máximo possível daquela novidade branca. A cidade tinha ficado ainda mais bela, os telhados e as árvores cobertas fizeram o cenário parecer parte de uma bela pintura.

"Que frio" o Senhor Kobayashi estava sentado na varanda, tomando chá. Ele sorria observando a pequena Satiko perseguindo Yahiko. As outras meninas acompanhavam o ritmo e agarravam o kimono de Tsubame que mal conseguia ficar de pé.

"Sim, mesmo com tanto frio, elas tem muita disposição." Kenshin também bebeu um pouco de chá. Ele olhava a cada segundo para a porta do quarto dela. "Senhor Kobayashi, como foi resolvido o problema do relatório?"

"Bom, não pude dar os detalhes por motivos óbvios, mas devido as provas apresentadas, o relato das testemunhas...o processo foi arquivado como Yamazato sendo mesmo o responsável pelos crimes." O policial se encolheu todo quando viu sua filha escorregando no gelo. "SATIKO, devagar, vocês vão acabar se machucando desse jeito."

Kenshin sorriu com a cara sapeca que a menina de quatro anos fazia para Yahiko. "Este servo sente muito a culpa ter caído sobre Yamazato, este servo releu os relatórios do manicômio, aparentemente ele não era uma pessoa agressiva. Tinha muitas posses, tanto aqui no Japão quanto na Europa, porém quando era adolescente se tornou extremamente melancólico e deprimido. Sua família toda morreu após um acidente com carruagem. E ele ficou sozinho entregue a tristeza. Por uma ironia do destino acabou encontrando com Katsutoshi no hospício, e o senhor sabe o resto da historia."

"Sim, eu também me sinto mal por jogar toda a culpa em Yamazato, mas não tive alternativa... Ontem realizamos o enterro dele, a senhorita Tae do restaurante Akabeko esteve presente. Ela disse que deseja visitar a senhorita Kaoru, mas as duas estão brigadas, eu não entendi direito..." Kobayashi se levantou de repente. "Com licença, Kenshin." Ele foi até Satiko que abriu o berreiro por ter escorregado na neve e finalmente se machucado.

"Certo, este servo vai ver se o almoço está pronto".Kenshin encaminhou-se para a cozinha.

Megumi propôs fazer uma sopa, pelo delicioso aroma que exalava pela casa, já deveria estar pronta. O espadachim escutou uma pequena discussão dentro da cozinha, sem ser notado ele ficou prestando atenção no que se passava.

"Oro".Disse surpreso para si mesmo, e continuou espiando pelo vão da porta, as vozes continuaram com a discussão...

"Sanosuke, pare com isso. Pode entrar alguém." Megumi dizia baixinho, tentando em vão se livrar dos braços do lutador. "Seu idiota, bêbado, irresponsável, seu..."

"Não vai entrar ninguém, Raposa".Sanosuke a enlaçou mais uma vez, deslizando as mãos nas costas dela, parando na coluna lombar e puxando-a pra mais perto. "Apesar de que você anda mais para cobra venenosa do que pra raposa."

"Não me chame de Raposa, seu Crista de Galo, muito menos de cobra venenosa" Ela fez uma cara de quem estava gostando, e começou a provocá-lo com os olhos.

"Eu fiquei duas semanas sem poder fazer nada, preciso tirar o atraso, só um beijo agora e eu te deixo em paz. Pelo menos... por enquanto" Sanosuke empurrou Megumi contra a mesa da cozinha, sem resistir mais ela se rendeu ao charme do lutador e deixou ser levada.

Kenshin ficou vermelho com a cena que acontecia dentro da cozinha, Sanosuke e Megumi enganchados em um beijo apaixonado, os dois iam se deitando sobre a mesa da cozinha. Nabos, cenouras e até uma melancia caíram no chão. Os dois estavam mais quentes que a panela de sopa no fogão.

"Hu hu." Kenshin pigarreou, finalmente entrando na cozinha. Ele odiou cortar a cena, mas a casa estava cheia de gente, já tinham levado uma chamada do senhor Kobayashi por causa de conversas impróprias na frente das crianças. "O almoço está pronto senhorita Megumi?"

"Hã?" Megumi estava toda atordoada, foi pega no flagra arrancando a blusa de Sanosuke. O lutador fez uma cara de "oops" e largou Megumi. Ele precisou ficar de costas para Kenshin e Megumi por um tempo, para esconder...Para esconder sua euforia.

"Hum, claro Kenshinzinho. Estávamos levando a sopa em um segundo. Crista de Galo, por favor quando se recuperar, traga o almoço para a sala de jantar." Megumi olhou para Sanosuke, ele ainda estava de costas. "Hohohohohohoohoho" Ela não pode evitar aquela sua risada irritante. "Eu vou levando as tigelas, todos devem estar famintos. Hei, cuidado pra não se queimar, está quente demais aqui hoje".Ela piscou para o lutador que virou o rosto rapidamente.

"Pode deixar" O lutador respondeu rápido demais, sua voz saiu um pouco mais fina do que o habitual. Megumi se divertia enquanto Kenshin se dirigia para o quarto de Kaoru.

"Senhorita Kaoru?" O espadachim bateu duas vezes na porta antes de entrar. Dois dias após a batalha violenta contra o espírito de Katsutoshi, Kaoru ainda não estava cem por cento, Megumi dizia que era melhor deixá-la descansando, pois seu corpo tinha chegado ao limite durante a luta.

Ela precisava de repouso para recuperar-se dos ferimentos. Ferimentos que não eram poucos, pelo menos duas costelas quebradas dificultavam sua respiração, o nariz também quebrado, alguns cortes na cabeça e testa, e o grande inchaço no olho direito. Kaoru mal conseguia abri-lo.

"Senhorita Kaoru?" Ele entrou no quarto cautelosamente. A jovem abriu os olhos um pouco sonolenta.

"Senhorita Kaoru, como se sente?" Kenshin ajoelhou-se ao lado dela. As bochechas de Kaoru estavam vermelhas como dois tomates.

"Hum, Kenshin...Eu preciso...eu preciso..." Kaoru estava com muita vergonha, mas não agüentava mais, sua bexiga ia explodir a qualquer segundo. "Eu preciso ir ao banheiro, não agüento mais."

"Oh" O espadachim finalmente entendeu. "Eu te levo, você não precisa e não deve andar sozinha." Kaoru ficou mais vermelha ainda.../...que coisa, ter que pedir pra me levarem no banheiro fazer xixi é demais.../...

Kenshin também ficou um pouco embaraçado e mudou o assunto."Senhorita Megumi está servindo o almoço, mas este servo vai pedir para que ela te ajuda lá no...banheiro. Enquanto isto, este servo vai aproveitar para trocar os lençóis e o travesseiro" Ele a pegou no colo."Obrigada Kenshin. Está frio, ne."

"Está nevando." Ele disse sentindo o intenso calor do corpo dela. "Faz muito tempo que não neva aqui." Kaoru encostou a cabeça no ombro dele e se deixou ser carregada até banheiro.

Lá a shihandai aproveitou para se cuidar um pouco, trocou de roupa, lavou o rosto. Seu rosto doía absurdamente. A jovem logo quis voltar para a cama. Seu corpo estava quente e sem forças, Megumi achou que estava com febre. "Eu não consigo pentear o cabelo, e meu peito doe muito." A jovem disse frustrada. A medica pediu para que ela não forçasse. Megumi chamou Kenshin que em um segundo estava na porta do banheiro a disposição.

"Kenshinzinho leve-a novamente para o quarto, por favor." A feição de Megumi era séria. Kenshin ficou preocupado. Ele colocou a jovem shihandai novamente no futon, a sensação de deitar nos lençóis limpos e cheirosos era maravilhosa.

"Tudo bem?" O espadachim sussurrou para Megumi, sem querer alamar Kaoru, que se aconchegava no futon.

"Sim, só acho que está com febre. Eu vou ter que ir buscar o remédio na clinica, não trouxe. Não deixa que ela faça esforço nenhum. Estou um pouco preocupada com a costela quebrada, não quero que pressione ainda mais o pulmão e cause uma pneumonia nela. E tem um agravante, durante a luta ela caiu no lago gelado, por isso toda essa febre." Megumi se deixou levar pela medicina, foi soltando seus pensamentos, e nem se deu conta da cara de pavor que Kenshin estampava no rosto.

"Senhorita Megumi, ela pode ter complicações serias?" Kenshin sentiu como se estivesse prestes a receber um golpe de espada bem no meio do estomago.

Percebendo a aflição do espadachim, ela amenizou."De maneira alguma, eu só quero que ela fique mais tempo quietinha, ok? E vou buscar o remédio pra abaixar essa febre agora mesmo... E arrastar Sanosuke até aqui com o prato de sopa. Fique com ela, por favor, e tente fazer com que se alimente".Megumi começou a se retirar do quarto.

"Claro".Kenshin voltou sua atenção para a jovem. Kaoru tentava se sentar. "Senhorita Kaoru, a senhorita Megumi pediu para que não se mova".Kenshin estava muito preocupado.

"Meu cabelo está me incomodando, dois dias sem pentear. E eu não consigo, meu peito está doendo bastante".Kaoru sentiu os olhos ardendo e lacrimejando. "Acho que tenho febre".

"Não se preocupe com nada. Deixe que este servo faz isso".Kenshin pegou a escova, e começou a pentear o longo cabelo negro vagarosamente. "Está um pouco embaraçado senhorita Kaoru. Este servo vai tentar pentear sem machucar". Ela nem respondeu, só fechou os olhos, aproveitando a sensação das mãos de Kenshin separando suas mechas de cabelo. "Uma trança?" Ele perguntou, Kaoru somente balançou a cabeça positivamente.

"Senhorita Kaoru. Existe algo que este servo pode fazer para te animar? Sanosuke deveria te trazer um pouco de sopa, mas acho que ele se perdeu".Kenshin se levantou, e foi em direção da porta quando a voz de Kaoru o fez parar.

"Kenshin... gostaria de ver Yahiko agora".O espadachim se surpreendeu, mas é claro que faria tudo que ela pedisse. "Este servo vai chamá-lo agora mesmo."

Yahiko entrou no quarto com a mesma disposição de sempre, shinai encostada no ombro, sorriso convencido nos lábios. "Busu, quando você vai parar de enrolar e voltar a me treinar, hein?" Yahiko se surpreendeu quando viu Kaoru com os braços abertos esperando um abraço. Ele estranhou "Tá louca, he?" Mas acabou aceitando. Yahiko se ajoelhou e deixou ser abraçado carinhosamente por Kaoru.

"Me desculpe Yahiko, ele te machucou por minha causa".Kaoru agarrou o rosto do menino com as duas mãos, seus olhos azuis olhavam intensamente. "Obrigada por ter pedido ajuda. Significou muito, ok?"

"Busu, você tá mais pirada que o costume, mas sem problemas, aquele idiota nem me fez nada".O menino sorriu, na verdade ele estava orgulhoso pelo agradecimento que recebera de sua mestra. Kenshin sorriu também. Pelo visto, Kaoru precisava dizer aquilo para Yahiko, era como se ela dissesse para si mesma que fez o correto quando deixou Shima sozinho na floresta há dez anos atrás e foi pedir socorro. "E outra, agora eu posso dizer que minha mestra derrotou um assassino sozinha. Ninguém nunca mais vai falar um "a" sobre o estilo Kamiya Kasshin." O garoto parecia realmente orgulhoso.

Kaoru sorriu. "Não foi bem assim que aconteceu Yahiko, foram vários fatores que ajudaram a derrubar Katsutoshi".

"Olha a sopa!!!" Sanosuke entrou no quarto com uma bandeja. Kenshin achou que ele estava obediente demais .../...Ele e Megumi devem ter feito algum acordo. Não é possível!...ORO...O que estou pensando?.../...

Para completar a cena, as crianças também invadiram o quarto, Kobayashi também estava feliz por Kaoru finalmente estar acordada. Todos começaram a falar ao mesmo tempo, como era de costume. Kaoru se alegrou depois de colocar alguma comida no estomago, ela se sentiu bem melhor. Logo Megumi chegou com um de seus medicamentos a base de ervas, o gosto simplesmente horrível, mas foi obrigada a tomar tudo a força. Kaoru sorriu com a algazarra que seus amigos faziam em seu quarto. Porém ela ainda se sentia realmente cansada.

"Eu vou deitar um pouquinho agora, ok?" Todos começaram a se retirar do quarto.

Ela escutava a bagunça. "Eu vou comer toda a sopa" "Não, eu que vou" "EU QUE VOU" Kaoru escutou as crianças e SANOSUKE brigando até mesmo pela sopa que a essa altura já tinha esfriado.

No quarto restauram somente Kenshin e Kaoru. Ela puxou as cobertas se aquecendo. "Kenshin, vai almoçar também, por favor." Ela disse fechando novamente os olhos.

"Este servo não gosta de te ver tão pra baixo..." Ele se sentou no futon ao lado dela, a cabeça baixa.

"Kenshin, não me leve a mal, mas eu ainda estou com muita febre. E...sabe, eu vou demorar um pouco para esquecer tudo que aconteceu. Ainda posso ver aqueles olhos cheios de ódio vindo pra cima de mim. Pelo menos duas vezes eu realmente achei que ia morrer naquela noite.." Kaoru virou o rosto para que pudesse olhar para o espadachim. "Ainda posso sentir os golpes me atingindo. Não foi nada agradável".

"Este servo sente muito mesmo. Sinto muita raiva por saber que enquanto a senhorita sofria, não podia fazer nada para impedir".Kenshin escondeu os olhos debaixo da franja do cabelo.

"Kenshin...você acha que eu..., que eu matei o Yamazato...porque, eu chutei a cabeça dele, enquanto nós estávamos pendurados na ponte, e ele caiu...e..." Kaoru já havia feito essa pergunta um milhão de vezes, a resposta era sempre a mesma, mas ainda se sentia um pouco mal pelo destino de Yamazato, afinal, não era culpa dele.

"Novamente este servo vai te dizer, senhorita Kaoru... a morte de Yamazato, de Mishima, e das outras crianças foram causadas por Katsutoshi, a insanidade dele é a única culpada. Ele foi tão cruel que se associou com forças malignas. A senhorita não pode se culpar por isso". Kenshin falava com resolução em sua voz. "Este servo deveria ter impedido tudo que aconteceu, nunca vou me perdoar por ter falhado com a senhorita".

"Oh Deus, vamos disputar quem tem mais culpa agora?..." Ela suspirou. Kaoru levantou a mão e passou no rosto, levemente sobre o nariz e sobre o olho inchado. Mudando o assunto, ela soltou uma pequena gargalhada "Hei. Ainda bem que eu quebrei o espelho do quarto, minha cara deve estar dando medo, não?" Seu tom era divertido, ela estava tentando animar o ambiente. Kenshin já tinha culpa demais sobre suas costas, toda a historia com Katsutoshi não deveria ser mais uma. "E eu quase ia esquecendo, senhor Kenshin Himura, mentiu para mim descaradamente!!!"

Kenshin levantou o rosto imediatamente. "Não, não. A senhorita mentiu para este servo. Descaradamente. De novo."

Ela fingiu que não escutou. "Você deveria ter ido para Osaka. Afinal como conseguiu chegar lá no lago? Você não sabia para aonde eu ia".Kaoru estava mais alerta, provavelmente o remédio de Megumi já estava fazendo efeito.

"Te segui...Desculpe mentir, mas senti que a senhorita estava tramando alguma coisa. Ao invés de ir para a estação de trem, fui para a delegacia de policia, expliquei para o policial Kobayashi sobre Katsutoshi estar usando o corpo de outras pessoas para cometer os crimes, e ele entendeu tudo, e foi para Osaka no meu lugar." Kenshin a mirava intensamente.

"Então, os restos mortais foram incinerados?" Kaoru esperou ansiosa pela resposta.

"Sim, tudo aconteceu como planejado. Até a hora que tínhamos calculado foi correta. Por volta da meia noite, o senhor Kobayashi tinha queimado o que sobrou do corpo do Katsutoshi."

"É?" Kaoru ficou feliz em saber disso. "Cheio de artimanhas, não é senhor Himura?" A jovem jogou um travesseiro nele. "ORO". Depois gritou de dor. "Aiiiiii, minha costelinha".

Ela então riu. "Quando eu escutei sua voz, fiquei muito aliviada, mas ao mesmo tempo te xinguei mentalmente de coisas que fariam minha mãe lavar meu cérebro com sabão".

Kenshin sorriu, seus olhos divertidos "Oro". Ele adorava passar esses momentos conversando com ela, poderia ficar horas escutando aquela risada.

"Eu sinto muito por ter mentido Kenshin, mas eu precisava estar lá. Ele ameaçou que te jogaria em um pesadelo sem fim se você se intrometesse...E cumpriu, não é?" Kaoru virou o rosto para o teto.

"Foi o pior pesadelo que este servo já viveu." Ele deixou as palavras fluírem de sua boca. "Mas esse servo se deu conta de uma coisa muito importante..." Ele não ia dizer ainda, mas sua mente gritava.../...Dei-me conta de que não posso te perder, não posso mais viver sem você. Ficar sem você é meu pesadelo.../...

Kaoru esperou em vão que Kenshin terminasse a frase.../...Acho que ele ainda não está pronto para me contar qual foi o pesadelo. Talvez tenha sido sobre a morte de Tomoe.../...

"Um dia você me conta?" Ela sorriu. Kenshin acenou positivamente com a cabeça.

"Kenshin...apesar de tudo, eu me sinto satisfeita. Quase orgulhosa por ter lidado com Katsutoshi." Kaoru estava pensativa . "Apesar de ter caído com roupa e tudo em um lago em pleno inverno e estar agora com uma tremenda febre".Ela sorriu encabulada.

"A senhorita fez um excelente trabalho... Senhorita Kaoru, minha presença lá foi totalmente inútil, não?" Kenshin ajeitou o corpo, ele estava ficando cansado daquela posição sentada. "Este servo não pode evitar que aquele monstro te machucasse".

"Não comece a se martirizar por minha conta Kenshin... E isso é mentira, você não foi totalmente inútil, não fosse sua sakabatou nós não estaríamos aqui batendo esse papo agora." Kaoru olhando intensamente para ele.

"Kenshin..." Ela suspirou, os dois estavam conversando tão descontraidamente que ela sentiu que podia se abrir mais um pouco. "Kenshin... Você me perdoa?"

O espadachim parecia confuso. "Te perdoar? Este servo não precisa te perdoar por nada, senhorita Kaoru".

Os olhos azuis brilharam intensamente. "Por favor, esqueça de 'servo' e 'senhorita´ .Pensei que nós já tínhamos passado dessa fase."

"Como ?" Kenshin foi pego de surpresa, ela parecia pronta para abrir seu coração.

"Sabe...eu preciso me desculpar. Devia ter dito isso a muito tempo, mas nunca surgiu a oportunidade...ou faltava coragem mesmo. Eu fui tão injusta com você esse tempo todo. Impus uma condição cruel quando te convidei para morar aqui no dojo. Bom, naquele dia não te conhecia suficientemente bem, mas com o passar do tempo, deveria ter me ratificado." O olhar de Kaoru era intenso e sério.

"Talvez este servo deva chamar a senhorita Megumi agora, a senhorita parece um pouco..." Kenshin fez o movimento de que ia se levantar, mas as palavras que se seguiram o tiraram de órbita.

"Ah, eu te amo Kenshin..." Ela respirou profundamente antes de prosseguir. "E me dei conta de que é impossível amar alguém só pela metade. E é perda de tempo não dizer o que se sente, mesmo se o sentimento não for correspondido..." Kaoru procurou a verdade no olhar dele, e sentiu que devia continuar a se declarar.

"O que eu quero dizer...é que, eu te aceito do jeito que você é. Não me entenda mal, não quero que você saia por ai retalhando ninguém, mas não quero que você se esconda de mim. Você não precisa ter medo de me mostrar quem você é de verdade. Você não é Battousai, você é aquele que me tira o fôlego quando me olha daquele jeito, aquele que briga comigo por ser tão teimoso quanto eu. Você também não é meu servo...Você é o meu amor...e eu espero um dia...não ser só a sua senhorita. Eu espero um dia ser o seu..."

"O meu amor?" Kenshin completou a fase em um murmúrio.

"Sim".

A objetividade de Kaoru veio totalmente sem aviso, seu coração estava pegando fogo.../...Caramba, por essa eu não esperava. Ela me aceita por completo...Mas eu não mereço tanto, não mereço.../... O espadachim estava sentindo um misto de sentimentos, confuso, mas orgulhoso.

"Kaoru".Ele chegou mais perto dela. "Você me deu um motivo pra viver. Tirou minha alma do limbo, não fosse por sua bondade, eu passaria o resto dos meus dias vagando por ai, sem nunca ter experimentado a felicidade de verdade." Kenshin tocou o rosto dela. "Você é a pessoa mais bela e bondosa que já conheci. E...eu gosto muito de você ..."

Kaoru sentiu um "mas" vindo a qualquer segundo, ela precisava dizer antes disso, se ela não dissesse ia explodir, e mesmo correndo o risco de ser rejeita, ela arriscou. "Kenshin..." Ela se sentou com um pouco de dor, seu olhar intenso e resoluto "Você quer se casa..."

"NÃOOO." Kenshin colocou os dedos na boca dela impedindo que ela terminasse a frase.

"Não?" Kaoru perguntou um pouco magoada. A palavra 'não´ caiu igual uma bomba, ela tinha certeza de que Kenshin sabia qual era o final da frase dela. A jovem sentiu uma lagrima querendo sair.../...Ele não quer se casar comigo?...Eu já devia saber...Ele não disse que me ama, disse apenas que gosta de mim.../...

"Kaoru, você já avançou de mais por hoje. Essa parte cabe a mim. Eu não sou tão moderno assim".Kenshin estava corado. "Nem com Tomoe, eu não cheguei a propor..." O grande retalhador do final do Xogunato estava realmente corado.

Kaoru respirou um pouquinho aliviada, não tinha sido uma tragédia total. Ela ainda tinha esperanças. Esperou impacientemente para que ele continuasse, mas Kenshin se afastou dela. "Então?" A jovem disse sem conseguir se segurar mais.

"Paciência é uma virtude, Kaoru Kamiya. Eu preciso de um pouco mais de tempo." Kenshin sorriu, e a beijou rapidamente no rosto. "Vou te deixar descansando agora. Eu preciso ir...almoçar." Rapidamente o espadachim deixou o quarto. Kaoru não podia acreditar no que tinha acontecido, ela abriu seu coração, e não teve uma resposta.

"Seu BAKA." Ela gritou enquanto esmurrando o futon.../...Eu não entendi, estava indo tão bem...De repente ele pulou fora...Eu não entendi.../...Kaoru se deitou frustrada, uma lágrima escorreu por seu rosto.

Lá fora encostado na porta do quarto dela, Kenshin estava com as bochechas pegando fogo, seu coração queria explodir, mas ele ainda achava que não merecia a oportunidade que estava aparecendo na sua frente.../...Uma hora isso ia acontecer...Mas eu não posso manchar a inocência dela com essas mãos sujas de sangue. Lembra do pesadelo?...Ah, FOI SÓ UM PESADELO...Deixa de ser idiota, entra lá e resolva logo isso.../...Ele soltou o ar que esta segurando, mas não voltou ao quarto de Kaoru, ao invés disso baixou a cabeça e foi almoçar com os outros.

"Por que é mais fácil ir lutar com Shishio Makoto, do que dizer tudo que eu sinto por ela sem esse sentimento de culpa?"

ooooo

A semana passou rapidamente, Kaoru estava praticamente recuperada de seus ferimentos, somente suas costelas ainda doíam, porém já era capaz de mandar e desmandar em Yahiko normalmente.

Quanto ao espadachim, passou a semana inteira evitando-o, e sem praticamente trocar uma palavra com ele. Estava magoada com a indecisão do ruivo, que mesmo sabendo de seus sentimentos não tinha tomado uma atitude definitiva. Kenshin parecia que passava o dia no mundo da lua, discutindo com ele mesmo.../...Desde de nossa ultima conversa Kenshin está meditando mais que o Aoshi, parece que entrou em alpha. Será que Kenshin perdeu o juízo?.../...Ela caminhava relembrando cada palavra da conversa que tiveram em seu quarto.

"Paciência é uma virtude... Bla bla bla" Retrucando as palavras de Kenshin. Ela deu um chute em uma pedra que estava no caminho. Estava voltando do Akabeko. Após muitos pedidos de desculpas e lagrimas as duas amigas tinham voltado a se falar normalmente, mas Kaoru estava extremamente irritada, pois Tae que havia saído de um relacionamento desastroso a uma semana atrás, e já tinha engatado novo romance com o policial Kobayshi, e dessa vez a coisa tinha futuro. Não que Kaoru não quisesse a felicidade da amiga, ela queria sim, mas estava chateada por sua própria situação.

Kaoru pegou o desvio da estradinha e foi até o cemitério, depositou flores nos túmulos de seus pais, e no túmulo de seu querido irmão Mishima Kamiya.

"Hei Shima, depois daquela noite você não apareceu mais para mim... Espero que esteja finalmente em paz".Ela tirou a camada de neve que cobria os nomes, beijou seus próprios dedos da mão e depois levou até a pedra, em um ato de carinhoso, depois começou a rezar por eles calmamente. O silencio do cemitério era reconfortante, ainda ajoelhada ela sentiu alguém se aproximando. Olhou para cima surpresa, o homem tinha flores em suas mãos.

"O que você está fazendo aqui?" Ela perguntou secamente, e ficou de pé, depois cruzou os braços, um vento gelado de inverno passou por ela. O homem se ajoelhou exatamente no local onde ela estava a um minuto atrás.

"Vim conversar com o senhor Kamiya." Ele sorriu, abaixou a cabeça na frente do tumulo de Kojishirou Kamiya em sinal de respeito

"E o que você quer com meu pai?" Ela estava emburrada. Ele não prestou atenção nela, continuou a olhar para o tumulo do senhor Kamiya, e começou a falar para a pedra.

"Sabe, este serv..., digo, EU não tenho muito a oferecer, bom na verdade eu não tenho nada a oferecer. No passado, por diversas vezes, sujei minhas mãos de sangue, mas prometi nunca mais tirar a vida de outra pessoa, mas do que tudo, desejo que a espada seja usada para proteger e salvar vidas, não tirá-las... Tenho muitos inimigos, quase sempre a vida da sua filha é colocada em risco por minha culpa... Penso que não sou digno de tanta felicidade, mas não posso evitar o imenso amor que sinto dentro de mim quando estou ao lado de Kaoru. Por isso, senhor Kojishirou Kamiya, peço a honra de desposar sua filha Kaoru Kamiya, prometo amá-la sem reservas pelo resto dos meus dias, e nunca mais abandoná-la. Isso é claro se ela quiser viver com um baka como eu para sempre."

Kenshin ainda ajoelhado se virou para Kaoru, ela sentiu suas pernas bambas.../...eu ouvi direito.../... Colocou a mão no peito, pois seu coração queria saltar fora. "Kaoru Kamiya, daria a honra de ser minha esposa?" Ele tinha um sorriso no rosto. "Lembra do anel de Tanabata? Esse aqui é seu".

Kaoru não esperava por isso.../...Como esse ruivo pode ser tão ardiloso.../...Kenshin havia tirado as palavras de sua boca, as lagrimas corriam livres pelo seu rosto. Finalmente lagrimas de alegria. Ela moveu a cabeça acenando 'sim´ varias vezes, Kenshin deslizou o anel em seu dedo anelar da mão direita.

"S i...sim" Ele finalmente se levantou e a abraçou apaixonadamente. O espadachim beijou varias vezes o rosto da jovem mestra, que enlaçou seus braços ao redor do pescoço dele.

"Serei o homem mais feliz do mundo Kaoru Kamiya. Eu te amo". Ele a beijou. Como um homem deve beijar uma mulher. O frio do inverno tinha desaparecido, o mundo parecia que girava em câmera lenta. Só existiam os dois no mundo, dois corações cheios de sonhos e esperança. Eles se separaram, e Kenshin se desculpou por tê-la feito esperar tanto.

"Passei a semana toda me corroendo em culpa, lembranças e medo do meu passado. Desculpe por não ter te respondido a altura quando você disse que me amava... Eu precisava de um pouco mais de tempo para que meus pensamentos chegassem a um acordo. E finalmente eu percebo... nós não podemos apagar as memórias de nossos passados, mas enquanto estivermos vivos teremos a chance de criar novas lembranças, e nossa felicidade fará com que as tristezas do passado não passem de reminiscências em nossas memórias. Não aceitar isso é o mesmo que morrer, e se eu estou vivo até hoje é porque não posso morrer sem ser feliz e sem te fazer feliz." Kaoru finalmente pode enxergar a alma de Kenshin através de seus olhos, ela ficou fascinada com a mistura de cores, violeta e dourado.

Palavras não eram mais necessárias naquele momento, ela levou a cabeça até o peito do espadachim e escutou o compasso do coração dele. Fechou os olhos por um segundo perdida no calor daquele abraço. Ao abrir ela percebeu que estavam sendo observados, Shima estava sentado na pedra de seu túmulo, um imenso sorriso apareceu no rosto do menino. Uma lagrima escorreu pelo rosto de Kaoru, ela sentiu que a energia em volta de Shima era pura e feliz.

Com a pureza daquele sorriso Shima se foi. Essa seria a nova lembrança que ela guardaria de seu irmãozinho. Conforme ele subia aos céus, ela pode enxergar asas em suas costas. Naquela manhã branca de neve, Shima finalmente retornava a inocência.

FIM

ENIGMAO Retorno á inocência

LOVE ... DEVOTION...

Amor ... devoção ...

FEELING ... EMOTION...

Sentimento ... emoção...

DON'T BE AFRAID TO BE WEAK

Não tenha medo por ser fraco

DON'T BE TOO PROUD TO BE STRONG

Não tenha tanto orgulho por ser forte

JUST LOOK INTO YOUR HEART, MY FRIEND

Apenas olhe dentro de seu coração, meu amigo

THAT WILL BE THE RETURN TO YOURSELF

Esse será o retorno a você mesmo

THE RETURN TO INNOCENCE

O retorno à inocência

IF YOU WANT, THEN START TO LAUGH

Se você quer, então comece a rir

IF YOU MUST, THEN START TO CRY

Se você deve, então comece a chorar

BE YOURSELF DON'T HIDE

Seja você mesmo não se esconda

JUST BELIEVE IN DESTINY

Apenas acredite no destino

DON'T CARE WHAT PEOPLE SAY

Não se importe com o que os outros dizem

JUST FOLLOW YOUR OWN WAY

Apenas siga seu próprio caminho

DON'T GIVE UP AND USE THE CHANCE

Não desista e use a chance

TO RETURN TO INNOCENCE

Para retornar à inocência

THAT'S NOT THE BEGINNING OF THE END

Esse não é o começo do fim

THAT'S THE RETURN TO YOURSELF

Esse é o retorno a você mesmo

THE RETURN TO INNOCENCE

O retorno à inocência

Meus sinceros agradecimentos a todas que me enviaram emails e reviews, em especial Madam Spooky que me ajudou muito com esse fanfic. Obrigada, sei que provavelmente não pude corresponder as expectativas, mas sabe como é, as vezes a vida fica difícil pra caramba, os nossos hobbys ficam sempre em segundo plano ..

Desculpem demorar tanto tempo para concluir um fanfic, é uma vergonha, mas eu consegui. Agora, mãos a obra, embora terminar "através do tempo" kkkkkkkkkkkkk.

Obrigada mais uma vez.

A.C. Lennox

Ana Gon

Bianca

Bruninha

bruna chan

Carol Malfoy

Cherry

ChineseWitch

Claudia

Danoninho

Darkness Hime

Dayzinha

Hime

Iasmin

Jou-chan Himura

Kagome-kun

Kaoru Himuramiya

Kaoru Kishu

Kirisu-chan

Krol

Kys

Lan Ayath

Laura

Lere.

Let

Leticia Himura

Lili-chan

Luisa

Mai

Marismylle

Mayabi Yoruno

Metabee.x

Mila Potter Lavigne

Misaogao

Myttaro

Naah

Naki-chan

Nanninha

Paixao

Patty Sayuri Suyama

Pri

Rafa Himura

Rayara-chan

Rose Kjazraji

-Sa

Satsuki Haru

Shitachi Komura

SM-Lime-chan

Yasashiino Yume

Yuki Sagara