Capitulo dois.
O primeiro dia de Sirius sem seu fiel escudeiro não fora tão ruim assim. Para dizer a verdade, ele quase se esquecera desse pequeno detalhe, mas voltou a lembrar naquela mesma tarde, enquanto saía do banheiro nada feliz porque tivera que fazer xixi sentado. Entretanto, alegrara-se com o fato de que Marlene voltara a falar com ele, apesar de perceber que os olhos azuis da morena ainda carregavam uma certa tristeza.
- Você vai sobreviver Sirius, não é tão ruim quanto parece. - Alegava a garota toda a vez que o amigo reclamava.
Após um cansativo dia de aulas e um demorado jantar, todos subiram para o Salão Comunal, onde ficaram conversando sobre o assunto mais discutido do momento: Voldemort.
- Ouvi dizer que ele matou mais uma criança essa semana.
- Ah, não, não foi o Lorde das Trevas. - Disse Peter, tranqüilamente. Todos o encararam e ele ficou escarlate. - Ouvi dizer que foi a Lestrange quem fez isso.
Sirius se mexeu, desconfortável com a informação, o que não passou despercebido por Marlene.
- Esse assunto já encheu. - Disse ela, atraindo a atenção de todos. – Que tal jogarmos um pouco de Bruxo na Mira?
- Bruxo na Mira? - Perguntou uma Lily visivelmente confusa.
- Esqueci que você nasceu trouxa. - Alegou Marlene, como quem se desculpa. Lily arqueou a sobrancelha, mas a morena fingiu não notar. – É simples, ruivinha. Teremos um objeto enfeitiçado e será... Esse lápis! - Explicou, arrancando o lápis vermelho das mãos de Peter. – É, isso serve. Agora, eu preciso de papel...
James tirou um pergaminho da bolsa escolar e o cortou em sete pedaços, entregando-os para Marlene.
- Muito bem. Três serão os Vermelhos, três serão os azuis e um será o auror! Agora, é o seguinte Lily. Entregamos cada um dos papéis e então, abrimos, mas ninguém pode saber de que lado você está. - Todos abriram seus papéis e depois os dobraram novamente. - Agora, colocamos o lápis aqui e ele vai girar.
James e Remus foram os primeiros.
- Você está na minha mira, Lupin. Enfrentará o desafio ou fugirá?
Remus riu.
- Enfrentarei seu desafio, Potter.
- Então, meu caro Moony, comece pela camisa, porque seu desafio é terminar este jogo só de cueca.
Remus corou, mas concordou, tirando todas as peças de roupa até ficar apenas com sua samba canção negra.
- Girando. - Disse o maroto quase nu, apontando a varinha para o lápis.
- Espere! Você entendeu o jogo Lily?
- Acho que sim. Eu tenho que propor um desafio. Mas, e se a pessoa quiser desistir depois de dado o desafio, ou fugir? O que acontece?
- Bem, ai o desafio é decidido pelo grupo, ou você simplesmente paga dois galeões para quitar a dívida. Se não pagar, tem que enfrentar um desafio pior. Você ainda pode desistir de jogar.
- Sou uma Grifinória, Marlene. - A morena sorriu, revirando os olhos. - Gire o lápis, Remus.
Emmeline e Marlene foram as próximas.
- Você está na minha mira, Lene. - Cantarolou a primeira.
- Pode mandar, porque eu não vou fugir.
- Lembra quando eu disse que me vingaria de você por fazer aquilo da última vez?
- Claro, até parece que beijar John foi, assim, essa tragédia. - Debochou a morena.
- Vou ser boazinha. Escolha alguém do grupo e meta-lhe a língua na garganta por um minuto inteiro. Sem direito a parar para respirar. - Todos se entreolharam, com cara de riso.
- Está falando sério? - Admirou-se Marlene, dando um sorriso maroto.
- Pode desistir, se quiser.
- Pegue o seu relógio e comece a contar... - Disse Marlene, virando-se para Sirius ao seu lado, que arregalou os olhos. - Agora. – E antes que Sirius pudesse dizer qualquer coisa, foi calado com os lábios da morena, que lhe beijou com voracidade.
Sirius Black podia ser muitas coisas, mas idiota não era uma delas. Sendo assim, o maroto tocou o pescoço da amiga, apertando com delicadeza o lugar, correspondendo ao beijo com tanta vontade quanto ela. Ele não sabia o que estava acontecendo. Era só um beijo, e com sua melhor amiga. Era só um beijo. O melhor beijo de toda sua vida, pensou ele enquanto explorava cada canto da boca de Marlene. Aquele gosto doce, e ao mesmo tempo, apimentado dela o fazia perder a cabeça, percebeu logo. A voz de Emmeline foi ouvida ao longe e os lábios da morena se afastaram dos dele, lentamente. Descobrira que aquele fora o um minuto mais rápido e mais prazeroso de sua vida.
As íris azuis de Sirius fitaram Marlene novamente, e ela sorriu, virando-se para girar o lápis. O jogo continuou, mas ele não prestava atenção. Ao que parecia, ninguém havia notado que seu coração estava batendo mais rápido que o normal e que sua boca ansiava um novo contato com a da morena. 'Minha morena', pensou possessivo. Balançou a cabeça negativamente, tentando tirar tal pensamento dali. Fitou o corpo da garota ao seu lado, vendo-a pela primeira vez como a mulher que era, e agradeceu silenciosamente por estar sem seu fiel companheiro de baixo, ou estaria numa situação realmente constrangedora naquela hora.
\\
- Você não acha que Marlene ter me escolhido pode significar alguma coisa, não é?
Sirius acabara de sair de um longo banho gelado e bagunçava os cabelos, tentando seca-los.
- Acho que não. Você estava do lado dela, acho que se fosse Remus ali teria sido ele. - Disse James, dando de ombros. Um raio iluminou o quarto e o barulho de um trovão o seguiu. Chovia lá fora.
- Onde você está indo, cara? – Perguntou Remus, desviando a atenção de seu livro.
Sirius abrira a porta.
- Vou ficar um pouco lá embaixo. - E saiu, deixando seus amigos um tanto preocupados com o tom usado pelo amigo.
Ele desceu as escadas, vestindo uma calça comprida e blusa com mangas, e estava pronto para se jogar no sofá quando viu que não era o único sem sono.
- O que está fazendo acordada, Marlene?
A morena sorriu levemente para ele e olhou para a janela.
- Odeio trovões.
- Tem medo deles?
Ela concordou com a cabeça, a contra gosto.
- Emmeline me expulsou da cama dela. Bela amiga ela é.
Sirius apenas riu e se aproximou, pegando a mão da morena.
- Anda, você pode dormir comigo.
Ela apenas mordeu o lábio inferior.
- Não sei... Parece estranho.
- Não parece estranho quando é a Emmeline.
- Somos garotas.
- Eu posso fingir ser uma.
Marlene riu. Vendo que perderia aquela batalha, deixou que Sirius a levasse até o dormitório masculino. Todos já dormiam quando eles entraram, pé por pé, tentando fazer o mínimo barulho possível. Acontece que os marotos não eram conhecidos por sua organização e Marlene acabou por tropeçar em um par de sapatos. Tentou segurar-se em Sirius, mas ambos acabaram caindo na cama do maroto. Abafaram risadas.
- Estou começando a achar que fez isso de propósito, Marlene. - Sussurrou Sirius, por cima da morena.
Ela riu baixinho e empurrou Sirius, deitando-se embaixo das cobertas, sendo acompanhada pelo maroto. Abraçou-o como se este fosse seu ursinho de pelúcia predileto e dormiu, minutos depois, enquanto ele a admirava.
Porém, Padfoot não era o único acordado. Peter manteve os olhos na cama do amigo, fuzilando-o com o olhar. Sirius sempre conseguia todas as garotas, mas aquela morena não pertencia a ele. A morena, abraçada a Sirius, de corpo escultural, voz macia e bondade infinita não pertencia ao Black egocêntrico que sempre tinha todas a seus pés. Não.
- Ela é minha. – Sussurrou o garoto gorducho, de modo que ninguém o ouvisse. - E você vai descobrir isso logo. – Completou, e somente se permitiu adormecer quando Sirius, sem mais forças para permanecer acordado, fechou as íris azuis e abraçou a melhor amiga, dormindo com um sorriso na face. Peter prometeu a si mesmo que faria aquele sorriso sumir o mais rápido possível.
Nota: Agradeço a todos que mandaram reviews e peço que continuem mandando.
Bruxo na Mira é, na verdade, Mano na Mira. É um jogo que minhas amigas e eu criamos, cujo o objetivo é descobrir quem é da sua gangue e quem não é, enquanto o policial mata acaba com os ladrões. Para vencer, a gangue deve se juntar e descobrir quem é o Policial, antes que seja tarde demais. É um tanto complicado e tive que mudá-lo para o jogo, mas espero que tenham gostado e entendido, claro.
