Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
III
Aiolos levou a carta de Shura, tantas vezes relida, aos lábios. Uma linda carta. Pena que ele não a merecesse. Shura... Começara a pensar nele pelo primeiro nome. Arriscado. Se deixasse escapar a verdadeira identidadedeleenquanto estivessem conversando, no sábado à noite...
Preferia nem pensar. Queria que Shura mantivesse a ilusão de que ele era um homem de raro caráter, generosidade e integridade. Não que não tivesse tido uma parcela dessas qualidades em outros tempos. E talvez elas ainda estivessem nele, em algum lugar, só que enterradas tão fundo, que seria preciso cavar muito para encontrá-las. Por enquanto, vibrava com os resultados de seu plano. Nunca ficara tão ansioso para se encontrar com outro homem.
Nesse instante, Aiolia abriu a porta. Em vez de rosnar o seu costumeiro "custa bater antes de entrar?", Aiolos foi amável:
- O que é querido? – até sorriu ao ver o irmão.
- É ele. – sussurrou o ruivo, olhando o outro de forma séria. Aiolos tirou os pés da escrivaninha e endireitou-se na cadeira.
- Shura? – perguntou de forma espantada. Nunca esperaria por aquilo, ainda mais tão cedo.
Aiolia apenas assentiu com cabeça e o loiro acabou por estremecer. E se eles se entrosassem logo e passassem a telefonemas e encontros ao vivo? Então Shura reconheceria sua voz como a de Aiolos Sagitálius e tudo estaria acabado. Teria de acontecer, um dia, mas haveria de ser no momento certo. Por enquanto, Aiolos queria, precisava da liberdade de ser um homem sem rosto, sem passado.
- Diga-lhe que estou numa reunião – sussurrou ele. – Qualquer coisa! Só não o deixe entrar. – falou meio desesperado, tentando pensar em uma desculpa qualquer para instruir melhor o irmão.
- Ele está ao telefone, Aiolos. – o mais novo quase riu do desespero do irmão. – A secretária atendeu. Eu lhe disse para pedir-lhe que esperasse enquanto verificava se você estava ocupado.
O suspiro de alívio do ruivo deu lugar a uma leve decepção. Deu algumas instruções a Aiolia e pegou a extensão de telefone que ficava em sua mesa, ligando o viva-voz.
- Dr. Capricorn, olá! Aqui é Aiolia, irmão de Aiolos e vice-presidente da Companhia. – tentou ser simpático. – Posso ajudá-lo em alguma coisa? Meu irmão acaba de sair para uma reunião.
- Oh... – Naquela única sílaba, Aiolos pôde perceber o desapontamento do outro. – Por favor, diga-lhe que sinto muito por não tê-lo encontrado. Não era assim tão importante, na verdade, eu só queria agradecer-lhe pelo que fez. Principalmente por cumprir as... Minhas exigências especiais. – parou um pouco antes de continuar. – Diga-lhe isso que ele vai entender. – A voz possuía um tom melodioso, calmante e sedutor.
- Faça-o continuar falando. – Aiolos ordenounum tom baixo, para que não fosse ouvido por Shura, mas, querendo escutá-lo mais.
- Vou dizer a ele, dr. Capricorn. – Respondeu olhando o irmão e pensando em algo rápido. – Gostaria de deixar algum outro recado? – rezou para que o outro dissesse sim.
- Sim. – Aiolos não pôde deixar de sorrir ao ouvir aquilo. – Por favor, diga-lhe que o software chegou a salvo. Notei que o programa está registrado no nome dele. Foi ele mesmo quem criou? – perguntou num tom curioso.
Aiolia arregalou os dentes para o irmão enquanto respondia: - Foi sim. É como um filho pra ele. – Apesar do sinal de Aiolos indicando que iria degolá-lo, Aiolia prosseguiu: - E a mamãe-computador que ele projetou se chama Eros. É mais um marido do que um filho. Eros é um casamenteiro e tanto. Ele une os nossos clientes. – Tentava não rir da cara irritada do loiro.
- Espero que não se aborreça comigo, mas acho que um computador fazer esse tipo de escolha é algo um tanto impessoal.
- Na verdade, não é. – Aiolia riu. – Como Aiolos diz, um computador é uma extensão da pessoa que o programou. Seguindo essa idéia, Eros é tão humano quando ele. Uma alma encarnada em um microchip.
- Nunca pensei nisso dessa forma – disse Shura, após uma breve pausa. – É um modo diferente de pensar. Que homem interessante ele deve ser.
- Hã... É. – Aiolia tentava segurar o riso. A cara de Aiolos era impagável.
- E muito inteligente. Fiquei impressionado com o soft... Com o filho dele. E de acesso muito fácil e... O que foi? – Shura pareceu hesitar um tanto, antes de suspirar e voltar a falar com o ruivo ao telefone. – Desculpe-me, há uma pessoa esperando para falar comigo. Por favor, diga ao sr. Sagitálius que espero encontrá-lo algum dia.
- Direi. Tenho certeza de que ele entenderá equecompartilha do mesmo sentimento. – Aiolia teve de levar a mão à boca para segurar o riso, pela cara do irmão. Aquilo estava muito divertido.
Após as despedidas, Aiolos afundou na cadeira, de olhos perdidos.
- Está suando, irmãozinho! – Aiolia abriu a gaveta e jogou-lhe uma caixa de lenços de papel. Aiolos a jogou ao chão e enxugou a testa com a manga da camisa.
- Olia, você está brincando ou o quê? – falou extremamente irritado, ou ao menos parecia.
- Uau, me diverti como nunca. – Soltou o riso.
- Céus, depois que você falou sobre mim e Eros, achei que ia dizer "ora, veja só, Aiolos esqueceu a maleta e voltou! Vou passar o telefone a ele"! – ainda estava com aquela cara de emburrado que Aiolia adorava.
- Cheguei a considerar a idéia. Mas acabei achando que seria melhor testar Shura. – riu baixinho. – E ele passou, com nota dez.
- Quer me fazer um favor? Da próxima vez, eu faço o teste. – grunhiu, com aquele bico adorável que só Aiolos sabia fazer.
- Desculpe-me, Olos. É a fora do hábito querer proteger meu irmãozão dos homens canalhas. – o olhou divertido.
Aiolos fitou o ruivo, confuso. – Mas foi você quem disse que Shura era perfeito para mim!
Aiolos deu de ombros. – E daí? Mudei de idéia. E depois mudei de novo. – riu diante da cara de "vou te matar" do loiro. – Ele acha você interessante e inteligente. E espera vê-lo um dia. Fico pensando... Quando?
- Boa pergunta. – Aiolos suspirou. Já sabia que não demoraria muito para a sua necessidade de liberdade e segurança cederem diante de uma necessidade mais forte. Já estava morrendo de desejo de ver os lábios de Shura se movendo enquanto falava. E de saber muito mais sobre ele.
- Você quer ficar sozinho, não é? – Na verdade, Aiolia nem precisava perguntar. – Eu cuido dos telefonemas.
Como Aiolia o conhecia bem! Quanto a Shura, não conhecia Aiolos de modo algum. Por mais especial que Aiolos o considerasse, seria preciso um homem mais do que especial para entender como o triunfo e a tragédia se mesclavam em sua vida de uma forma tão absurda.
Aiolos não falava sobre o acidente, nem sobre os meses seguintes, no hospital. Depois que conseguiram juntar seus pedaços, seu maxilar ficou travado. Quando conseguiu falar de novo, não quis. Só gemia e xingava porque não queriam deixá-lo voltar para casa. Com que nitidez se lembrava da tesoura fria junto a seu rosto, quando o cirurgião plástico separou o curativo da pele. Recordava-se da sensação do espelho em suas mãos.
Acariciou a cicatriz favorita com a ponta do dedo enquanto relia a carta de Shura. Depois, passou o dedo sobre a assinatura dele com uma ternura havia muito ausente de seu toque.
Longos instantes se passaram antes que Aiolos se deslocasse da cadeira à janela. Desejou poder culpar a altitude pelo que sentia, mas sabia que não era verdade. Nem mesmo depois de dois uísques dentro de um Concorde sentiria uma vertigem como aquela, capaz de levá-lo a tomar uma atitude tão impulsiva como a que decidiu.
Depois de fazer um pedido à floricultura, Aiolos esperou a vinda do arrependimento. Dez minutos se passaram, meia hora. Uma hora. O gesto impulsivo que tomara, a mensagem enviada, não havia provocado nem ansiedade nem arrependimento. Estranho, tudo o que sentia era uma sensação quente, vibrante, a expectativa de quem está para passar por uma grande aventura somada a uma profunda paz interior, que lhe dava a certeza de que não errara ao seguir os instintos.
Como o homem em que havia se transformado teria desprezado uma iniciativa tão romântica, Aiolos só pôde supor que o homem que fora outrora ainda vivia.
Uma dúzia de orquídeas! Shura ainda não conseguira acreditar. A última vez que recebera flores havia sido no seu casamento, que acabara se transformando quase num funeral.
Segurou o cartão que já estava ficando gasto depois de dois dias de manuseio. As palavras estavam gravadas para sempre em sua memória:
"Shura,
A pedido de Tales, estas flores são para você.
Conte-me como foi depois.
Desejo a vocês dois uma noite fabulosa.
Com afeto, Aiolos."
Que homem romântico deveria ser Tales, pensou, surpreso com a excitante reviravolta que acontecera em sua vida em menos de uma semana. E a quem agradecer, senão a Aiolos, que assinara apenas o primeiro nome no cartão.
Shura ficou preocupado por ver-se pensando mais nele do que em Tales, desejando que o encontro daquela noite fosse com Aiolos. Por mais estúpido que parecesse, achou que estava, de algum modo, se apaixonando. Sentia-se como um adolescente de 15 anos, morrendo de medo e excitação pelo primeiro encontro. Com Tales. Não com Aiolos.
No entanto, se honesto consigo mesmo, fora por Aiolos que ele passara a tarde fazendo compras, imaginando que tipo de homem o atrairia, o que poderia usar para despertar-lhe um olhar de admiração.
Como talvez Aiolos nunca fosse vê-lo, comprar aquela camisa de seda branca para aquela noite fora um puro capricho. O mesmo em relação ao cuidado que tomara com o corpo, ao tempo que passara arrumando o cabelo de forma espetada com um gel, era o jeito que mais gostava. E ainda tinha as costeletas que Shura sempre pensara ser um tipo de charme.
Rindo de si mesmo, tirou os sapatos. Não era de admirar que o negócio de Aiolos fizesse tanto sucesso. Que pessoa resistiria a um encontro com seu par sem o drama dos sapatos de bico fino apertando-lhe os dedos?
De pés descalços, a não ser pela meia branca de seda que gostava de usar, sentou-se na cadeira diante do computador. Aspirou o aroma das orquídeas, ao lado. Embora o crepúsculo estivesse demorando a cair, acendeu várias velas para acompanhar a garrafa de vinho espanhol gelando no balde de prata.
Shura olhou para o relógio: ainda faltavam cinco minutos. Não queria parecer ansioso demais. Tentou relembrar as regras. Dado o seu estado de espírito, ainda bem que eram fáceis: um fala, ouro responde. Ao final da frase, teclar "Enter".
Com as palmas úmidas, ligou o computador e digitou seu código pessoal no programa que Aiolos havia enviado para ela instalar. E, de repente, a tela foi preenchida.
- Olá, Tales, aqui estou eu. Posso entrar? – Depois de uma pausa nervosa, ainda sem dar o "Enter" ele continuou: - Estou muito ansioso para conhecê-lo. Tenho ouvido ótimas coisas sobre você de um amigo mútuo.
Enter.
- Olá! Ele também me falou a seu respeito. Mas só o bastante para aguçar o meu interesse e fazer minha imaginação rolar a solta.
- Pelo que pude ver, o bastante para que me enviasse flores. Muito lindas. Obrigado.
- Belas flores para um belo rapaz. Fico feliz que tenha gostado.
Shura fez uma pausa, perturbado com o elogio.
- Orquídeas. São minhas favoritas. Como adivinhou?
- Disseram-me que temos muito em comum. Então, enviei-lhe as minhas favoritas.
Shura não sabia o que dizer. Mas precisava falar alguma coisa, e rápido, antes que o silêncio na tela se tornasse constrangedor.
- Dar flores me parece um gesto gentil, e ainda me deste minhas favoritas. Você parece ser doce. – Shura grunhiu diante da futilidade que escrevera. Quando ia rebater com um comentário espirituoso, veio a resposta.
- Gostaria que fosse verdade, mas nem sempre é. Há um lado de meu caráter que não é nada doce. Ainda está interessado?
Gostava dele, decidiu Shura. Era um homem honesto, não queria dar a impressão de ser o que não era. Mais à vontade, confessou:
- Estou mais interessado do que nunca.
- Ótimo. Agora, fale a verdade. Você é doce, não é?
Era a última coisa que Shura queria admitir; por outro lado, não poderia negar sem mentir.
- Terá de decidir por si mesmo.
- Hum... Acho que vai ser divertido descobrir. Vamos começar com... Nomes. Nomes dizem muito. Você tem o meu pseudônimo. Qual é o seu?
Ele tinha razão. Nomes dizem muito. Durante toda a vida, ele vivera conforme o nome que lhe fora dado. "Shuras" eram responsáveis. Bonzinhos. São os melhores filhos. Agora, afinal, podia reivindicar o nome que desejava ter e a personalidade que o acompanhava.
- Excalibur. Pode me chamar de Excalibur.
- Excalibur? Da lendária excalibur, espada do rei Arthur?
- Sim... – ficou meio sem jeito com o apelido que escolhera.
- Excalibur... Eu gosto. Um nome muito interessante! Dizem que essa espada tinha poderes místicos e podia até mesmo cortar o aço. – O outro parecia estar interessado. Bom, ao menos não riu da sua cara com aquele nome, o primeiro que veio a sua mente. – Vamos fazer um trato. Eu lhe conto por que escolhi Tales e você me retribui o favor.
- Fechado. Mas você primeiro. – Shura digitou, um tanto receoso.
- Tudo bem. Numa palavra: Reconhecimento.
Reconhecer. Conhecer de novo. Distinguir por certos caracteres; por certas particularidades. Admitir como verdadeiro; como legítimo; como certo; Conhecer a si mesmo. Shura não podia vê-lo, nem sequer o conhecia, mas o fato de escolher aquela palavra em particular indicava um homem que desejava mostrar sua verdadeira face, seu verdadeiro caráter. Um homem que não se importava muito com a superfície.
- Deve haver uma história por trás disso. – Shura sugeriu.
- Quando criança, na escola, eu tinha de fazer aquelas maquetes que nem eu mesmo conseguia reconhecer, principalmente aquelas casinhas ou igrejinhas de palitinho. Eu tinha algo em mente, mas sempre tive dificuldade para exteriorizar o que eu desejava.
- Eu também! Mas as minhas igrejas de palitinhos até ficavam razoáveis. Ainda mais depois que eu passava giz de cera sobre o papel e colava por dentro das janelas para imitar um vitral.
- Nem me fale em janelas em vitral. Eu as coleciono.
- Eu também! – A cabeça de Shura girava. Incrível. Espantoso. Eles se entrosavam bem demais, conversavam como velhos amigos. – Não consigo passar por um leilão ou um antiquário sem ver se há algum vitral à venda. Aliás, a principal razão pela qual comprei minha casa foi a janela da torre. Bem incomum: um grande coração com uma frase gravada em latim, em preto. A frase é: Illegitimis non carborundum.
- "Não deixes os canalhas te derrubarem"? Que frase para se gravar dentro de um coração! Deve haver uma história e tanto por trás dessa janela. Você conseguiu saber algo a respeito?
Então ele sabia latim. Com um suspiro de admiração, Shura, ou melhor, Excalibur, comprimiu os lábios. A afinidade que sentia com Tales era rara e forte. Acariciou as teclas com languidez, como se fossem um rosto macio, bem barbeado sob sua palma.
- É uma casa bem antiga, e o proprietário original morreu há muitos anos. Como não pude obter a verdadeira história, deixei que minha imaginação inventasse uma.
- E que história a sua imaginação inventou? – o outro parecia-lhe curioso.
- Tragédia e triunfo. A respeito de um coração partido. Um amante foi traído por alguém em quem confiava e a quem muito amava, mas, de algum modo, sobreviveu e gravou no vidro a lição que ele, ou ela, aprendeu: que, não importa o quanto você tenha sido ferido, no fim o que vale é confiar no coração. Porque o coração não mente, ao contrário dos canalhas.
- É uma mensagem que tem muito a ensinar à maioria de nós. – Depois de uma pausa, Tales acrescentou: - Comoissofez com que você comprasse a casa, suponho que um canalha o tenha ferido.
Não era uma pergunta direta, mas evidenciava o interesse dele sobre o passado de Shura. O espanhol não falava sobre certas coisas, nem mesmo com os amigos. Só de pensarna raiva e na vergonha ligadas àquele tempo horrível de sua vida, sentia falta de ar.
Serviu-se de um copo de vinho, esperando que ele dissesse algo tipo "deixe pra lá", ou que quebrasse o silêncio com aquele tipo de conversa adequada para mascarar o nervosismo de um primeiro encontro.
- Oh, Excalibur. Você está muito quieto. Desculpe-me se toquei em assunto delicado... É que sou muito impaciente. Ainda mais quando desejo algo. E o que eu quero, Excalibur, é conhecer você melhor.
- Se quer mesmo saber, meu coração foi despedaçado por um canalha de marca maior. Mas não vou estragar a noite falando nele. Prefiro saber sobre das suas maquetes de palito de picolé e por que escolheu o nome Tales.
- Certo – concordou, respeitando o direito de Shura à privacidade, o que fez Shura apreciá-lo ainda mais. – Como eu disse... Tales é... Digamos... Tirado de uma parte escondida de meu nome... – Sim. Era derivado de sagiTALIUS, mas Aiolos não diria isso a Shura. Não agora. –... E que acabou virando Tales... Eu considero que Tales é uma parte de mim escondida em algum lugar dentro de meu corpo. Por isso, resumi na palavra reconhecimento, na tentativa de me conhecer de verdade antes de vir me encontrar com você.
Shura jamais conhecera um homem tão sem artifícios. De repente, sentiu que o conhecia de um jeito profundo e inexplicável; que aquele era um espírito irmão cujo caminho estava destinado a cruzar-se com o seu.
- Sua vez agora. Por que escolheu Excalibur? Eu lhe dou minha palavra que manterei meus lábios selados.
- Escolhi Excalibur por um estilo mais simples que o seu. Simplesmente porque gosto de Idade Média, faço kendô e esgrima. Quando estou com a espada na mão, é como se eu fosse um outro homem, mais ousado. Que não se esconde às primeiras gotas de tempestade. Ao contrário, ergue o rosto para as nuvens. Ri com o estrondo do trovão. É como uma fantasia.
- Hum... Ousado... Então seja esse homem comigo. Você será Excalibur e eu Tales. As pessoas que queremos ser. Gosta da idéia?
- Hum... Sim. Mas... O problema é que não tenho muita experiência em ser Excalibur. Não sei por onde começar.
- Comece pela fantasia. Conte-me a sua mais secreta.
Não tinha nada a perder, Shura disse a si próprio.
- Não quero ser doce. Minha fantasia é ser malvado. Quero ser um garoto travesso, que pisa na grama, apesar da placa de "proibido". E quando o policial vier me algemar, quero agarrar a chave e fazê-lo sair correndo atrás de mim. Por sobre a grama perfeita que foi feita para ser pisada, e não olhada. Quero apenas deixar de ser o homem certinho e perfeito que todos pensam que sou. Desejo apenas ser eu mesmo.
Era só bater nas teclas e lá ia o seu segredo mais profundo, mais recôndito. Shura ficou maravilhado com a liberdade.
- Então você vai ser malvado? Meu querido, doce Excalibur, está falando com o parceiro ideal. Mas... até que ponto ousará ir? Antes de responder, tenha a certeza de que, quanto pior você for, mais eu irei gostar.
Continua...
Mais dois capítulos terminados! \o/ Bem... pelo que me parece esse fic vai longe! Mas espero que estejam gostando. Reviews plz. Não se esqueçam que: Dedinhos Felizes Digitam Mais Rápido! Beijos a todos e agradecimento especial à Akane M.A.S.T pela betagem!
