Proposta Irresistível

Por Mukuroo

Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.

IV

O bom senso de Shura dizia para ter cuidado com aquele estranho sedutor, que o enfeitiçava , desafiava e, ainda assim, dava-lhe uma sensação de segurança.

- Deixei você assustado? – Tales perguntou do outro lado.

- Um pouco. Mas uma parte de mim gosta disso. – Acabou por responder, com um sorriso de canto nos lábios.

- Aprecio você, doce ou malvado. Vamos falar de coisas proibidas... A começar pelas... Roupas. Conte-me como está vestido, da cabeça aos pés.

De repente, Shura ficou feliz por haver se arrumado todo, cedendo a seus caprichos.

- Estou com uma camisa branca de seda, uma calça de linho na cor preta. Meus cabelos estão arrepiados com gel e estou só de meias nos pés... – Fez uma descrição completa de forma simples e clara. Não era muito de rodeios.

- Estou de queixo caído, Excalibur. Parece que estou até vendo um príncipe. Então... Está pronto para mexer com sua aparência?

Shura ficou amuado. – Não gosta da minha aparência?

- Você está fabuloso, mas... Quer mesmo me dar água na boca? Faça com que eu queira chegar mais perto. Diga algo que me mostre que ainda há muito mais para ver.

- Er... Devo tirar a camisa? – Onde diabos aquele homem queria chegar era o que Shura se perguntava naquele momento.

- Depende. É uma camisa lisa ou de botões na frente?

Feliz por Tales não poder vê-lo corar, Shura respondeu, ousado:

- Com botões na frente. E é quase transparente para falar a verdade, meio colada no corpo.

- Parece sensual.

- E é.

Tales pareceu pensar um tanto antes de responder. – Tire apenas o que esteja lhe tolhendo a liberdade.

O tom de Aiolos parecia ter passado de brincalhão a sério. Shura também sentiu a mudança, rumo a um território proibido. Atônito com a própria impetuosidade, executou uma dança sinuosa para abrir a calça, desabotoar o zíper e deslizá-lo pelas coxas e pernas, deixando-a cair ao chão. Logo retirou os pés de dentro dela, chutando-a para frente.

Não era estilo de Shura dizer ou fazer coisas como essa. Protegido pelo anonimato, embarcara numa louca viagem. Aquele homem que conhecia como Tales atiçava-o a abraçar uma liberdade pela qual ansiava. Chegou a imaginá-lo com a orquídea e insinuando as pétalas macias por seu corpo, pelo vale de seu peito, por cima de seus mamilos, agora muito sensíveis e eretos sob a seda fina da camisa. Aquele jogo de sedução o estava excitando por demais

- Tirei a calça, Tales. Está muito melhor assim... – hesitou ao completar a frase. – Apenas fingindo poder sentir suas mãos subindo por minhas pernas...

- Isso mesmo, acaricie a sua perna por mim.

Shura o fez, e sentiu um arrepio subir-lhe do joelho à coxa. Estremeceu de prazer sensual.

- Acho que chega, Tales. – teclou tentando terminar com aquilo tudo. Era loucura demais para si.

- Você fez com que eu o tocasse acima do joelho?

Shura hesitou. – Sim.

- Puxa, você é um rapaz malvado de verdade! Detalhes, por favor.

Por mais que quisesse ser extrovertido, Shura vacilou. Havia uma diferença entre ser travesso e ser fácil, e fácil Excalibur não era, e sim vaidoso. Gostava de ouvir os homens assobiando quando passava, de dançar juntinho e de sentir a excitação que causava no parceiro. Excalibur era livre, mas não seria um simples objeto para um homem.

- Eu estava imaginando suas mãos acarinhando meus cabelos e sua boca em meu pescoço.

- Considere-os aí. Meus dedos percorrerem seus cabelos como um pente, depois mergulham tão fundo que você arqueia o pescoço a ponto de meus lábios sentirem a sua pulsação e... Está rápida, não?

- Está. A sua também? – por algum motivo, Shura deixava-se levar por aquilo. Não que fosse de seu feitio. Seria mágica aquilo? Quem era aquele homem? E por que não estava ali?!

- Pode apostar que sim. Com um beijo, então...

De repente, Shura ficou desesperado por um beijo. Numa agressividade que lhe pareceu encantadora, escreveu:

- Beije-me, Tales. Quero que me beije. Agora.

Impaciente, Shura achou que enlouqueceria se ele não obedecesse, e rápido. Os momentos se arrastaram e veio a frustração. Por que Tales o mantinha esperando, sem dizer nada, sem fazer nada? Quando estava a ponto de tomar a iniciativa, duas palavras o detiveram.

- Tem certeza?

- Claro que tenho!

- Mas, Excalibur... Você pode estar beijando um sapo.

- Nunca. Você, Tales, é um príncipe a meus olhos.

- Seus olhos... De que cor são?

- Verdes, mas um tom diferente.

- Você é diferente. E se adapta rápido ao mau comportamento. Há mesmo traços de garoto malvado em você.

Shura percebeu que Tales o estava provocando. Não só isso: sonegava-lhe o beijo tão ansiado.

- Vamos, Tales. Me beije!

- Devagar e com suavidade?

- Sim.

- Um beijo profundo?

- Sim!

- Faria tudo para conseguir isso de mim? – Aiolos provocou.

- Pelo amor de Zeus, o que você quer de mim? – Shura já não estava agüentando mais aquilo. Que diabos...?

- Seu endereço.

Com rapidez e simplicidade, ele estilhaçou-lhe a ilusão de ser mesmo Excalibur. Excalibur jogaria fora a rara liberdade o precioso anonimato que Shura Capricorn reivindicara e ao qual, de repente, se apegava com todas as forças.

- Não. – Shura acabou respondendo. Não poderia.

- O número do telefone, então.

- De jeito nenhum...

- Garoto esperto...

Shura franziu o cenho, intrigado. – Por que pediu, então?

- Para chegar a um entendimento mais íntimo do que um beijo. Não confio em mim mesmo nesse instante. Tenho medo de que, se descrever o tipo de beijo que estou louco para dar em você, eu vá querer que ele seja mais real, e você também. Algo especial está acontecendo entre nós, e a última coisa que desejo é estragar, agindo por impulso.

Tales estava certo. Se houvesse feitos as mesmas perguntas no calor do momento, as respostas de Shura teriam sido bem diferentes.

- Uau! – Shura passou a mão pela testa. – Essa foi por pouco.

- É, e essa infelicidade requer companhia, espero que esteja tão frustrado quanto eu. Você é sensual demais, meu belo cavalheiro!

Shura se sentia mesmo sexy, como não se sentia desde... Desde aquela noite de que não queria se lembrar. Ainda mais naquele instante, com um homem que o conhecia como ninguém, cuja companhia se baseava numa união, numa fusão de mentes e almas. Sem dúvida, as suas libidos também se conectavam, induzindo Shura a confessar:

- Você me fez querer ser tudo, menos um cavalheiro.

- E você tem o jeito mais perverso de me fazer querer ser um cavalheiro. Vejamos... Que rumo tomaria um cavalheiro nessas circunstâncias? Que tal: leu algum bom livro recentemente?

- Além de cavalheiro, você é intelectual. – Que pessoa poderia resistir a um homem daqueles? Não Shura, com certeza. E, depois de falarem sobre livros, cinemas, teatro e viagens, Shura só conseguiu pensar: "Onde esse homem esteve durante toda a minha vida?". E, por sentir-se tão bem e à vontade com ele, verbalizou a questão.

- Engraçado. Eu estava pensando o mesmo a seu respeito. Jamais conheci alguém como você, Excalibur. Quando nos falamos de novo? Amanhã, por favor!

- Gostaria de poder, mas tenho um compromisso. – Shura respondeu, suspirando. Realmente queria falar de novo com Tales.

- Com outro homem?

Diante daquela pergunta, Shura não conseguiu resistir em provocá-lo um tanto mais:

- Ficaria triste se eu dissesse que sim?

- Ficaria. Já estou com ciúme.

O sorriso do espanhol era de puro prazer.

- Nesse caso, não perca tempo. Vou passar o dia com meus pais. Mas não deixe que isso o impeça de sentir todo o ciúme que quiser.

- O que eu quero é você. E muito. É só me dizer quando e deixarei a agenda vazia para encontrá-lo, Excalibur.

- À mesma hora, na semana que vem?

- Já estou contando os dias. Agora, que tal um beijo de boa noite antes de eu ir embora?

- Pensei que não ia pedir! – Os lábios de Shura se abriram num sorriso convidativo e as palmas se umedeceram de expectativa.

- Quer me dar a mão? – Após a garantia de Shura de que naquele momento lhe daria até mesmo seu coração, a resposta de Tales soou-lhe como um murmúrio sedutor. – Um beijo na pontinha de cada dedo, alternando um suave e um violento. Agora eu vou indo em direção à palma. Um beijo bem demorado ali. O pulso precisa de um, também. Estou sentindo o seu perfume e quero prová-lo, Excalibur. Agora minha língua está sobre a sua pele e... Estou gemendo. Acho melhor pararmos.

Querendo mais, precisando de mais... Shura podia ouvir seus próprios gemidos. Suspirou.

- Acho melhor você ir, Tales, antes que eu lhe dê meu endereço.

- Certo. Mas o seu correio eletrônico é seguro. Verifique essa semana. Vou lhe mandar um bilhete.

- Um bilhete perverso eu espero. – Shura estava achando incrível aquilo tudo. Nunca fora assim com ninguém.

- Há uma coisa engraçada na perversidade. Parece ainda mais proibida quando está misturada a algo doce.

- E eu acho que você é doce.

- Vou embora antes de lhe dar motivo para retirar o que disse. – Tales digitou rapidamente aquilo.

- Obrigado por uma noite maravilhosa, Tales. Durma bem.

Em despedida, Tales lhe enviou um quadro que preencheu toda a tela do computador de Shura. O espanhol riu ao ver um sapo pulando diante de um príncipe, que se inclinava e o beijava. Enquanto o príncipe se transformava em sapo e os dois saíam pulando, Shura suspirou, esboçando um leve sorriso nos lábios, ainda com aquela fantasia em sua mente. Tales era realmente demais.

Por um longo tempo, Aiolos continuou a fitar a tela, imóvel, absorto. Shura era tudo o que ele imaginara e mais ainda. Quanto àquele beijo... Apesar de tão rápido e desprovido da verdadeira substância do toque, nunca uma carícia o perturbara tanto.

Afrouxou a gravata. Era como se o nó estivesse no pescoço. Um simples engano e ele se enforcaria. A bondade e honestidade de Shura reavivavam o que nele sobrara de virtude. Shura era forte, muito inteligente e honesto. Delicado, engraçado e honesto. Sensual, surpreendente e... honesto.

Apesar de seus motivos iniciais serem justificáveis, Aiolos não fora honesto. De forma antiética e fraudulenta, quebrara a privacidade e a confiança de Shura. E, por ter feito isso, vivera os melhores momentos de sua vida com um homem incomparável. A razão que lhe dizia que Shura era um em um milhão.

Bateu no peito e soltou um grito de triunfo que reverberou pela casaultra modernae árida que necessitava de um pouco de vida, precisava de um pouco de doçura. E como Shura era doce! Quanto a seu alter ego, Excalibur, prometia ser um rapaz travesso de verdade! Não era de admirar que Aiolos ainda estivesse excitado.

Sempre pensando em Shura, subiu as escadas e entrou no banheiro da suíte. Era o único cômodo onde restara um espelho. Aiolos se livrara de todos, um a um, cada vez que um homem o rejeitara por só conseguir ver seu rosto.

Um toque no interruptor e a luz o atingiu. Tomando coragem, enfrentou a fera. Como sempre, estremeceu. No entanto, forçando-se a olhar-se com atenção, algo estranho e maravilhoso aconteceu.

De repente, Aiolos se viu com outros olhos. Vislumbrou o homem que fora outrora, aquele que Shura conhecera naquela noite. Era pura magia. Seu coração batia forte. Os lábios formaram um sorriso.

Shura o veria como ninguém mais o vira. Enxergaria além de seu rosto. Shura compartilharia de sua idéia de que a aparência externa era apenas uma ilusão, que sapos podiam ser príncipes tanto quanto príncipes podiam ser sapos. Se houvesse um modo de conseguir ganhar a confiança de Shura e mostrar-se digno antes...

Pensou bastante a respeito, tentando encontrar uma saída. Em vão. Achando que uma boa noite de sono ajudaria, Aiolos tirou a roupa e deitou-se na cama de se quarto com apenas um lençol como companhia para sua nudez. Fechou os olhos e imaginou Shura ali, beijando-o e pedindo mais. Atendeu-o de pronto, dando-lhe um beijo sem fim. Imaginou Shura o tocando.

Aiolos não costumava rezar, mas dessa vez, o fez. "Por favor, Zeus, me guie e me ajude. Ajude-me a tornar real este sonho".

"Será que Tales está dormindo?", perguntou-se Shura quando o relógio bateu meia-noite. Surpreso, percebeu que não se movera desde que ele desligara o computador. O tempo simplesmente deixara de existir. Seria real? Ou apenas uma fantasia? Ambos, decidiu, fascinado e ao mesmo tempo assustado com a mescla de imaginação e emoção com a razão que tomava-lhe o corpo.

Respirou fundo e finalmente se levantou daquela cadeira, caminhando até o banheiro com seus sapatos e calça nas mãos. Olhando-se no espelho, Shura nem se reconheceu. Aquele não era mais o Shura que idolatrara um homem muito bonito que acabara revelando-se feio ao destroçar-lhe o coração, humilhando-o com crueldade. Não, agora era um homem que irradiava a esperança e paixão. Como eram preciosas essas emoções e como Shura as desejara de volta!

Nunca se sentira tão vivo. Nem tão sozinho. Foi até um dos quartos e pegou um cobertor leve e um travesseiro de penas. Abraçando-se a eles, subiu a escadinha em caracol que levava a seu quarto, na torre. Lá, estendeu a cama de armar e preparou-se para deitar. Só então percebeu que, em devaneio, esquecera-se de vestir o pijama que sempre usava para dormir.

Com lânguido abandono, fingiu que era Tales que lhe tirava a camisa de seda, que lhe tomava os mamilos entre os dedos, acariciando-os com os polegares até que ansiassem por sua boca. Sentiu-o descer cada vez mais, provocando-o e acariciando-o até que Shura implorasse por algo mais do que um fantasma. Suas pernas vergaram. Sentou-se ao chão; lágrimas de alívio e vazio aqueceram-lhe as faces. Virou o rosto para a janela em vitral, para o coração e a mensagem, iluminada pelo brilho da lua cheia.

- Tales, onde está você? Quem é você?

Deitou-se respirando fundo e adormeceu depois de rezar uma prece em agradecimento, com o nome de Aiolos Sagitalius nos lábios.

Mais um capítulo no ar. Meus dedinhos ficaram muito felizes por isso digitaram bem rápido esse capítulo. Hihihihi! Espero que o próximo seja assim também. Reviews, plz. Agradecimentos À Litha-chan por ter me animado tanto a escrever esse capítulo, à Sy Kodoshi, à P-Shurete e à minha querida Youko Estressada que estão sempre me dando forças para continuar escrevendo cada vez mais. Agradecimento especial, claro, à Akane M.A.S.T, pela betagem, sugestões, opiniões e paciência infinita! Beijos a todos que estão seguindo o fic! Muk-chan \o/