Proposta Irresistível

Por Mukuroo

Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.

VI

- Deseje-me sorte, Olia. Tenho de resolver uma confusão danada, e a culpa é toda minha. – Aiolos suspirou, olhando o irmão.

- O importante é que acerte as coisas antes que elas fujam do controle. Mais importante ainda é que você voltou a se parecer com seu verdadeiro eu. – o ruivo sorriu. – Como Shura fez isso, Olos?

- Ah, sei lá. Acho que foram pequenas coisas, como telefonar para me agradecer por tê-lo apresentado a um homem tão especial quanto eu mesmo, que os reuni...

- Você também tem a sensação de que Shura está interessado no homem que encontrou o par perfeito para ele? – Aiolia olhou o irmão mais velho de forma curiosa.

- Passou pela minha cabeça. – o loiro suspirou. – Ainda mais depois que ele ficou me sondando ontem, perguntando... Bem, você escutou tudo.

- Está preocupado com isso agora? – ergueu uma sobrancelha. – Ontem você estava rindo à toa...

- Fico preocupado e lisonjeado ao mesmo tempo. É uma sensação bem estranha, Olia... Apesar de termos esse relacionamento incrível, Shura não quer se encontrar comigo e nem mesmo trocar telefones. Aí ele começa a lançar mão de todos os recursos para estabelecer contato pessoal com... bem, com outro homem, da perspectiva de Tales. – suspirou.

- Não vá me dizer que está com ciúme de você mesmo? – Aiolia olhou a cara que o irmão fez e caiu na gargalhada.

Era isso mesmo o que Aiolos sentia. A situação era mesmo ridícula, não podia culpar Aiolia de estar rindo. Ele mesmo acharia engraçado, também, se fosse outra pessoa. – Mas Olia... Por que acha que ele rejeita tanto um encontro com o homem com quem se envolveu e se mostra tão disposta a travar contato com... comigo?

- Certamente, Shura tenha medo de estragar a fantasia de Tales ser o perfeito amante. Sabe que existe uma possibilidade de que a pessoa real não seja como imagina. – falou já recuperando o fôlego por estar rindo, voltando a ficar um pouco mais sério novamente para dar conselhos a seu irmão. – Você, por outro lado, é uma espécie de mistério, e na certa Shura está intrigado. Como não há nenhum comprometimento emocional com você, o pior desapontamento que pode ter é que não esteja à altura das expectativas dele.

- Será isso? – Aiolos perguntou. Estava tão confuso.

- Você também não está preocupado que a mágica que se criou entre os dois possa derreter sob a luz da realidade?

Acariciando a cicatriz Aiolos comentou: - Não quero por em risco o que conseguimos, mas o que há entre nós talvez não seja assim tão bom se Shura não puder me aceitar, com todos os meus defeitos.

- Verdade, mas... – pensou um tanto antes de continuar. – E se você mantivesse o romance desse jeito? Está sendo tão bom para você, Olos! Qual seria o problema se continuassem desfrutando dessa fantasia mais um tempo?

- Acredite irmãozinho... – suspirou. – Nada me agradaria mais. Só que não acho correto continuar fingindo. E, como falei, quero que Shura goste de mim como sou.

- Então deixe-o conhecer seu eu real. Vá vê-lo, como planejou. Não há nada de errado em se apresentar como Aiolos Sagitálius e convidá-lo para jantar, para que possam se conhecer melhor. – o ruivo sugeriu com um sorriso de canto nos lábios. – Veja o que acontece a partir daí e seja você mesmo. Se Shura não gostar, isso é problema dele e, se as coisas não se acertarem por alguma razão, então será melhor vocês dois esquecerem essa fantasia. Fim de caso.

- Mas não é justo enganar Shura duas vezes! Ele merece coisa melhor de mim!

- Querido, não ligo a mínima para o que Shura merece. Você é meu irmão e o que me preocupa é que você saia magoado, não ele. Fantasia é algo maravilhoso, Olos, todos nós precisamos disso em nossas vidas. Mas, depois de alguns anos de casamento, posso lhe dizer que a cola que mantém as pessoas unidas é feita de algo mais forte do que flores, doces e sexo. – suspirou antes de continuar. – Respeito, compaixão e união nos tempos difíceis; esses são os ingredientes que formam um casamento real. Desfrute do romance, Olos, mas certifique-se de que vocês dois possam ancorá-lo na realidade antes de ir fundo demais.

- Não quero me atrasar para o encontro. – Aiolos acabou cortando o outro, para desconversá-lo. – É melhor eu ir.

- Por que marcou uma consulta com Shura em vez de convidá-lo para um almoço ou coisa parecida? – olhou o ruivo estranhamente.

- Com o que eu tenho a lhe revelar, Shura teria todo o direito de sair de meu escritório sem dizer nada, ou me mandando embora e batendo a porta. O mesmo aconteceria se fosse num restaurante.

- Ele não me parece do tipo que sai batendo a porta.

- Não quero correr riscos. No consultório dele, Shura não poderá sair nem me expulsar.

- Olos... – Aiolos dessa vez chamou o irmão, pensativo. – Já pensou em como você pode reagir, ao vê-lo pela primeira vez? Quero dizer, e se ele pesar cem quilos e tiver aquelas tetas que dão em homem muito gordos, por exemplo?

- Claro que pensei nisso, e é claro que ele não deve ser atraente, para um observador comum. – Aiolos suspirou. – Acontece que não sou um observador comum. Se quer a verdade, fico feliz em saber que Shura deve estar mais perto do um do que do dez nessa escala nojenta com que todos avaliam as pessoas. Não tenho ilusões sobre minha aparência real e, assim, isso nos coloca no mesmo nível. Na minha cabeça, Shura é um homem bonito. – concluiu.

Acompanhando-o até a porta, Aiolia perguntou, com delicadeza: - E se ele for bonito?

Aiolos ficou gelado. – Então terei de enfrentar essa realidade. Mas não vou me preocupar, porque a probabilidade de que o caso seja esse é nula.

Aiolia riu. – Então vá agarrá-lo, tigrão!

- Lá vou eu! – saiu rindo.

Aiolos aguardou, em silêncio, na sala de espera. Para seu desencanto, não estava sozinho, pois Shura compartilhava de um consultório com vários outros analistas. Será que o espanhol o admiraria com igual fervor depois que soubesse que o seu sagrado anonimato havia sido uma farsa? Durante quase um mês ele compartilhara seus pensamentos, sentimentos e até confidências, acreditando que seus segredos estavam a salvo.

Não era verdade. Aiolos usava o conhecimento de sua verdadeira identidade para tirar vantagem. Induzira-o a expor seus segredos e pontos fracos enquanto ele escondia os seus. Mas, como aquelas nobres ambições que um dia cultivara, suas intenções eram boas. A misteriosa resistência de Shura em encontrar Tales deixara-o sem alternativa que não a de enfrentá-lo como Aiolos Sagitalius.

De repente, seu coração bateu mais acelerado. Shura. Devia ser Shura que vinha pelo corredor direto até ele, cumprimentando-o pelo nome e saudando-o com um sorriso amistoso. Tinha um belo sorriso. Embora fosse alto e comum, exatamente como esperara, seu sorriso o cativara.

Levantando-se de um salto, ele exclamou:

- Shura!

- Sou Astérion, assistente dele. – O homem sorriu, divertido com a saudação efusiva. – Vou levá-lo a sala de Shura.

Enquanto seguia Astérion, o embaraço de Aiolos mesclou-se a uma imensa expectativa. E então, de repente, lá estavam eles, diante da porta aberta. Quando Astérion fez sinal para que entrasse, sua primeira idéia foi que o rapaz o levara à sala errada. Não era a sala em si, cheia de plantas, um divã com duas poltronas combinando, várias ilustrações de Van Gogh e uma escrivaninha. Naquela escrivaninha havia um homem sentado. Como não poderia, de modo algum, ser Shura, ele disse a si próprio: "Tem que ser a sala errada".

Descruzando as pernas longilíneas, Shura se levantou da cadeira de couro negro e aproximou-se de Aiolos como que flutuando, cegando-o com um sorriso estonteante.

"Por favor, a sala tem de estar errada!"

- Aiolos? – perguntou Shura, no que parecia um tom de agradável surpresa pela forma como seu esquivo benfeitor havia assumido. Não era a sala errada.

Incapaz de fazer mais do que confirmar sua identidade balançando de leve a cabeça, Aiolos continuou a fitar, mudo, o homem que devia ter mais de um metro e oitenta de altura. Shura era um deus grego, aliás, espanhol. Corpo de modelo. Cabelos negros e espetados, com uma franjinha sexy e atordoante, caindo-lhe sobre os olhos. E costeletas, o que o deixavam incrivelmente sensual. Aiolos ficou tonto só de olhar para ele. Era um assombro.

- Que bom conhecê-lo – continuou Shura, naquela voz máscula e ao mesmo tempo suave, capaz de derreter geleiras.

O Shura que Aiolos imaginara teria entendido sua necessidade de ser aceito. Teria compreendido o seu passado e o que o levara a tal dilema. Mas esse Shura? Oh, não. Não havia a menor possibilidade de que entendesse as circunstâncias que o haviam levado até ali o deixavam sem saber o que dizer. Todas as palavras que ensaiara se tornaram inúteis. Apenas com a presença radiante do espanhol e olhos hipnóticos, Shura mudara as regras.

- Como vai? – Aiolos fitou-lhe a mão estendida. Apertou-a depressa e soltou-a como se fosse ferro em brasa, numa reação imediata.

- Vou... Vou bem – respondeu Shura, com uma hesitação que ele perversamente apreciou, devido à sua própria falta de equilíbrio. – E você?

- Eu... Ah... Eu... – gaguejou, sem saber realmente o que dizer.

- Venha. – Encorajando-o, Shura indicou o divã, onde Aiolos se sentou, com relutância.

Sentar-se significava que estava disposto a ficar e, acima de tudo, Aiolos queria sair. Não desejava estar ali, vendo-o aproximar a cadeira e inclinar-se em sua direção com uma expressão de genuína preocupação.

- Eu... – O que poderia dizer para justificar aquela visita, que não seria mais como planejara? Então, recorreu à única opção que lhe restara, dizendo: - Eu sou uma fraude.

Continua...

Sim! Sim! Continuem mantendo meus dedinhos felizes \o/ Esse capítulo foi para aqueles que quase me mataram, me ameaçaram de terrorismo se eu não escrevesse. Hahahhaha.

Enfim, agradecimentos especiais à minha querida Youko Estressada, à Litha-chan, The Mad Hatter-chan, Sy Kodoshi, P-Shurete, à mfm2885 e especialmente para Akane M.A.S.T pela betagem e paciência. Oh, sim, quem vocês acham que me agüenta o dia inteiro conversando sobre o fic?

Beijos a todos os que estão seguindo o fic religiosamente e espero sinceramente que estejam gostando. Se querem uma continuação rápida, vão ter que manter meus dedinhos felizes! Então review, plz!

Beijos à todos! Muk-chan \o/