Proposta Irresistível

Por Mukuroo

Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.

VIII

Gostaria de beijá-lo? Seria assim tão humano, tão fraco, tão fútil a ponto de querer beijar aqueles lábios tão sensuais?

Shura sentia os lábios pulsarem, implorando-lhe pelo contato íntimo. Quanto tempo fazia que não sentia os lábios de um homem conta os seus? Dois longos anos. Era de admirar que tivesse vontade de beijar Aiolos Sagitalius até fazer sangrar aquela boca tentadora?

Mas ceder àquele impulso implicava um preço a pagar. Um preço muito alto. Seria arriscar sua licença de analista. Era um bom motivo para afastar Aiolos até estabelecer suas prioridades.

- Quer me beijar? – perguntou Aiolos de novo, num murmúrio, aproximando-se como se tomasse o silêncio dele como consentimento.

Recuando a cadeira tão rápido que quase fez o fez virar, o espanhol se levantou, e teria caído para trás se Aiolos não o amparasse.

Que Zeus o ajudasse, o que era aquilo, ferro ardente ou a palma dele sobre sua pele? Tentando recuperar o controle sobre seus sentidos, Shura exclamou:

- Sr. Sagitalius!

- Aiolos! – corrigiu ele, com delicadeza.

- Tudo bem, Aiolos. – respirou fundo, ainda na tentativa de se recuperar. – Por que fez isso?

- O que? – fingiu não ter entendido.

- Por que tentou me beijar? – Ainda com aquela cara de espanto.

- Não tentei beijá-lo. – sorriu levemente. – Pode crer, se eu tentasse, você saberia. O que queria era a sua reação pessoal ao mesmo homem com dois rostos diferentes. Queria que você percebesse. – deslizou as palmas pelos braços de Shura, provocando-lhe um arrepio de excitação. Então soltou-o.

Dividido entre um suspiro de alívio e a vontade de ter aquelas mãos sobre si de novo, Shura andou rápido até a escrivaninha, decidido a colocar Aiolos na linha. E colocar-se na linha também.

- Aiolos, talvez não entenda minha posição. Como terapeuta, meu lado pessoal não entra nesta sala. O que me lembra que você teve acesso a aspectos pessoais de minha vida, e isso entra em conflito com... com... – Respirou fundo. – Dada a situação, vou passá-lo para um colega e terminar a consulta nesse ponto.

Aiolos avaliou as opções disponíveis. Não poderia concordar com aquela sugestão, nem revelar-se como Tales depois daquela consulta pavorosa. Shura não queria nada com Aiolos Sagitalius e estava fazendo o possível para se livrar dele. Não podia deixar o espanhol fazer isso. A única chance de obter a sua compreensão, aceitação e... amor pelo seu eu real era não deixar-lhe opção que não a de conhecê-lo tão bem quanto ele próprio se conhecia, ou melhor ainda.

Decidindo que não havia melhor momento para ensinar a Shura o que fazia seu coração pulsar, declarou com firmeza:

- Não quero um de seus colegas. Quero você.

- Não é uma boa idéia. Já expliquei por quê. – Shura rebateu.

- Deixe-me dizer uma coisa, dr. Capricorn. Desde o acidente... aquele sobre o qual vou lhe contar depois que nos entendermos... minha família insiste em que eu procure um analista. Sou uma pessoa muito reservada e gosto de resolver meus problemas sozinho, por isso resisti à idéia. – deu uma breve pausa antes de continuar. – Apesar disso, sinto que posso falar com você e expressar o que vai dentro de mim. – Avançou um passo e Shura respondeu, recuando, apoiando as pernas contra a escrivaninha. – Eu nunca aceitei o que não fosse o melhor. Você pode me ajudar, porque vou deixá-lo me ajudar. Caso se recuse a me ver, continuarei lidando com meus problemas pessoais sozinho. A escolha é sua.

- Você está tentando me manipular! – o olhou irritadiço.

- De forma alguma. – a troca de olhares era séria demais.

Shura empertigou-se, mostrando-se tão inflexível quanto Aiolos era incansável.

- Sinto muito, não tenho horários disponíveis no momento. Só pude recebê-lo hoje devido ao cancelamento de um paciente. – tentava manter-se firme. – Posso recomendá-lo a analistas também competentes ou anda melhores do que eu. Se quiser mesmo se ajudar, o que é essencial antes que alguém possa oferecer alguma orientação, deixe-me indicar-lhe um colega. É o melhor que posso fazer.

- Não, não é. – Aiolos também mantinha-se firme em sua decisão. – Poderia abrir espaço para mim, se quisesse. A verdade é que você se sente desconfortável com a nossa associação fora desta sala. Certo?

- Certo. – Era uma disputa travada entre os dois. – Fico feliz que compreenda o conflito de interesses.

- Oh, eu entendo, claro. – Rebateu quase instantaneamente. – A sua vida social é mais importante para você do que a minha sanidade mental.

- Isso é absurdo! – Shura grunhiu.

- Nesse caso... se é preciso escolher, devo entender que vai retirar sua inscrição como meu cliente para que eu possa me valer de seus serviços. – Aiolos o pegara. Shura estava encurralado, sem ter par aonde fugir.

- Você é muito esperto, não?

Aiolos deu de ombros, como se dissesse "talvez", mas o sorriso triunfante o denunciava.

- Tudo bem, Aiolos. Verei o que posso fazer. Meu secretário entrará em contato com você por telefone. – suspirou, dando-se por vencido.

- Obrigado. – Agradeceu mentalmente a Aiolia também. Seus conselhos haviam sido úteis. Precisava da fantasia com Shura, mas aquilo era a realidade, e às vezes era preciso agir como um canalha. Inclinando a cabeça, fitou o espanhol com um olhar caloroso. – Meu tempo já está esgotado há cinco minutos. – E ainda provocou.

- Não tem problema – Shura assegurou-lhe, deixando o loiro exultante por uma segunda vitória. – Vá em frente, me conte sobre o acidente. – Não podia negar que agora ficara curioso.

Aiolos fingiu considerar a hipótese, depois sacudiu a cabeça.

- Não... é uma longa história e eu não quero abusar de sua boa vontade mais do que já abusei.

- Não tem problema! Não estou com pressa hoje! – Agora queria ficar né. Depois que o outro atiçara tanto.

Aiolos sabia que era a curiosidade, mas do que a generosidade profissional, que trabalhava a seu favor. Não importava. Aproveitaria a oportunidade para impressionar o espanhol com suas melhores maneiras ao jantar e seria um perfeito cavalheiro, como Tales.

- É muita bondade sua, Shura. Tenho uma idéia: como é uma longa história e já passam das seis, por que não a continuamos ao jantar?

- Desculpe-me, mas não posso. – Shura respondeu de pronto.

- Mas acabou de dizer que estava livre esta noite! – rebateu.

- E estou. No entanto, é proibido misturar o prazer com as sessões de análise. – Desviando-se do loiro, Shura tentou escapar, abrindo a porta de seu consultório. – E, como nós dois sabemos, Aiolos, a sua saúde mental é bem mais importante do que a minha vida social.

- Touché! - Aiolos sorriu e foi saindo do cômodo. Era melhor mesmo ir embora.

Shura resistiu ao impulso de ficar observando-o enquanto o loiro ia saindo do consultório. Rápido, o espanhol fechou a porta e apoiou-se contra ela. Só então lembrou-se da coluna que deveria escrever e que já estava atrasada e amaldiçoou Aiolos Sagitalius pro tirar sua concentração mais do que Tales.

Tales.

Shura enterrou o rosto nas mãos. Sentia como se o houvesse traído. Como podia adorá-lo tanto e desejar com ardor, como nunca na vida, um homem a quem admirara a distância e que acabara descobrindo não corresponder às suas expectativas?

Sentia-se culpado. E envergonhado. Quantos homens o haviam procurado, perturbados com a atração magnética de um cunhado a quem acabavam de conhecer ou que inventavam desculpas para ficar trabalhando até tarde com um novo colega enquanto seus gentis e decentes maridos preparavam o jantar em casa e ajudavam as crianças na lição de casa? Homens divididos, consumidos pela culpa e por um desejo incontrolável. E Shura ali, fingindo que entendia, racionalizando seus sentimentos e comportamentos, quando jamais estivera em seu lugar.

Aiolos achava que era uma fraude? Não mais do que o próprio Shura. Forçou-se a terminar aquele artigo, apesar de não se sentir mais qualificado a escrevê-lo: "Riscos e recompensas: vencendo o medo". Voltou para casa mais tarde do que o normal.

Precisava de um abraço. Necessitava de alguém que o amasse, que soubesse lhe dar afeto e carinho. Quem mais se aproximava disso era Tales. O encontro com Aiolos, por mais que o deixasse inquieto, revelara-lhe aquela verdade.

As palavras não eram o bastante. Shura tinha necessidade de vencer o medo de estragar a fantasia e correr o risco a que Tales o pressionava. Tales é quem estava certo. Um encontro se tornava necessário. Antes que se acovardasse, sentou-se ao teclado e escreveu uma carta ao "amante".

Continua...

Oi gente! Não sabem a satisfação que tenho quando posto mais um capítulo. O que acharam desse cap? O Shura é mal por não ter aceitado a proposta de sair com o Olos TT Eu aceitaria na hora ihihihihi. Mas esse espanhol está se fazendo de difícil ¬¬

Bom, mas vamos aos agradecimentos: Arigatou à minha discípula P-Shurete, mfm2885, Patty-san, Dea, Margarida, Momotoko, Litha-chan e minha querida marida Youko Estressada. Ah, e não posso esquecer da minha beta Akane M.A.S.T., que agora viajou. Adoro todos vocês e muito obrigado por manterem meus dedinhos sempre felizes. Afinal, dedinhos felizes digitam mais rápido. Beijos a todos e até o próximo capítulo \o/