Proposta Irresistível

Por Mukuroo

Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.

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Shura preparou-se para a segunda sessão de análise com Aiolos, que aconteceria dali a dez minutos. Na semana que se passara desde seu primeiro encontro, não conseguira deixar de pensar nele. A lembrança do magnetismo sexual que Aiolos irradiava era cada vez mais vivida. Quando se lembrava do modo como o loiro o fitara, do arrepio proibido, do seu toque, ia mais uma vez à loucura.

O fato de Tales não lhe provocar a mesma intensidade hormonal aborrecia o espanhol. Por outro lado, Tales era um tipo de homem bem diferente: compassivo, inteligente, engraçado, doce. Ao contrário de Aiolos, que pelo qual todas as mulheres agradeceriam aos céus, mesmo depois de cinqüenta anos de casamento.

Uma vez que a paixão esfriasse, como na certa aconteceria, e a realidade se estabelecesse, um homem como Aiolos Sagitalius com certeza despertaria aquele arrependimento ao qual Tales tão sabiamente se referira. Era preciso muito confiança para se expor a uma competição romântica. Não que existisse alguma. A coragem de Tales servira apenas para convencer Shura de que Aiolos não era competidor para seu amante on-line.

Aiolos, concluíra que Shura depois de muita reflexão, era inseguro, sobretudo em relacionamentos. Ao contrário de Tales, que quando dominado pela paixão, podia ser um tanto possessivo e exigente. Era seguro de si. Possuía um maravilhoso senso de humor. Muito, muito sensual. E nunca protestava quando Shura interrompia seus beijos virtuais.

Se Tales insistisse um pouco mais, talvez Shura pusesse por terra aquelas barreiras de medo, aquelas terríveis inseguranças inculcadas por um noivo que o rejeitara. Aiolos não era o tipo de homem que recuava diante de um "não" hesitante.

Shura olhou para o relógio. Em dois minutos ele chegaria. Não queria vê-lo. Não queria sentir o coração e a respiração se acelerarem. Talvez ainda tivesse tempo para uma fuga estratégica alegando um chamado de emergência.

Nesse exato instante, Astérion apareceu, com Aiolos logo atrás. Depois de um último olhar para o espanhol, o secretário se foi. Shura sentiu um impulso selvagem de gritar "Astérion, volte aqui! Não me deixe com esse homem que se estende à vontade no meu divã e me faz desejar estar ali com ele!". Shura deu um sorriso tenso, cumprimentou o loiro com polidez habitual e se sentou.

- Então, sobre o que vamos falar hoje? Sobre o acidente? – o espanhol questionou.

- Vamos deixar o acidente para depois. Temos uma hora para tratar e duas coisas que são primordiais para mim, então vamos em frente. – Tirou o paletó e se inclinou para a frente com a decisão de um poderoso executivo pronto a tratar de negócios. – Primeiro, quero falar sobre a nossa sessão da semana passada. Quando resolvi vir falar com você, não imaginei que fosse tão bonito. Minha reação inicial foi desejar que não fosse.

- A minha também – resmungou Shura, lamentando o lapso em seguida. – Isso ainda é um problema para você? "Por favor, diga que é. Diga que prefere se tratar com outro".

- Um pouco mas estou superando.

"Droga". – pensou antes de responder. – Ótimo. Aprecio sua sinceridade, Aiolos. Agora continue sendo honesto e me conte por que a minha aparência o incomodou. O porquê é a raiz do seu problema, não a minha aparência em si. Então não se preocupe em ferir meus sentimentos, apenas expresse os seus.

- Tudo bem, mas não sei como você poderia entender. Afinal, nasceu do jeito que é. E eu... – Aiolos cobriu o rosto com a mão.

- Por favor, não faça isso! – Shura repreendeu-o com delicadeza, captando, por baixo de sua força exterior, a fragilidade emocional, a necessidade de apoio. – Não deve esconder seu rosto.

- Este não é o meu rosto! – Tomando-lhe as mãos, Aiolos fez com que Shura tocasse nas cicatrizes pálidas que iam do maxilar ao colarinho engomado da camisa. – Não entende? Eu uso uma máscara!

- Mas é uma bela máscara – assegurou-lhe, com a ponta dos dedos vibrando ao toque da pele dele. Aiolos afastou-lhe as mãos e começou a andar. – Aiolos, eu entendo que fique chateado e que...

- Chateado? – Aiolos o cortou. – Eu não! Oh, desculpe–me, Shura. Não quis ser rude com você. Como deve ter percebido, tocou num ponto sensível.

- Tudo bem. Quanto mais se expuser aqui, menos levará com você ao sair. Diga o que lhe passar pela cabeça. – o espanhol disse por fim, vendo o outro concordar com a cabeça.

Algumas pessoas só começavam a se abrir depois das dez primeiras sessões, e Aiolos dissera que era alguém muito reservado, que gostava de resolver seus problemas sozinho. Shura acreditava nisso, e também que ele era um homem decidido e que, assim que escolhia um caminho, atirava-se a ele com entusiasmo. Parecia pronto a lançar-se naquelas sessões. Mas poucos se enfrentavam com a disposição revelada por Aiolos. Nem mesmo Shura. Enquanto Shura pensava Aiolos falou mais algumas coisas que acabaram escapando dos ouvidos do espanhol.

Shura apenas voltou a prestar atenção de verdade no outro no exato instante em que o loiro arregaçava as mangas, como que se preparando para abordar o próximo ponto:

- Falei que queria conversar sobre dois assuntos. O segundo, é um pouco mais... Íntimo do que o primeiro.

Íntimo? Preocupado, Shura olhou para o relógio. Mais quarenta minutos a suportar. Forçou-se a encará-lo com firmeza. Desejou que Aiolos começasse a falar, para que pudesse ouvir algo além de sua pulsação. Depois desejou que ele tivesse ficado de boca fechada.

- Sexo.

- Perdão?

Aiolos se inclinou no divã, aproximando-se do espanhol a tal ponto que Shura pôde sentiu o cheiro de sua colônia. Pensou em reter a respiração até desmaiar. Parecia bem mais profissional do que desabar devido à proximidade do loiro e ao enorme desejo que isso provocava.

- Você disse para eu falar o que me passasse pela cabeça, Shura. E o que está passando agora é... Sexo.

Continua...

Bem... Como já lancei um capítulo hoje, creio que vocês não vão se importar se eu lançar mais este né? Mesmo que seja pequenininho. Hihihihi. Aí está! Obrigada a todos os que estão seguindo e mantendo meus dedinhos felizes. \o/