Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XI
Aiolos viu as pupilas de Shura se dilatarem e o rubor das faces se acentuar. Quis tocar-lhe o rosto. Segurar-lhe a mão. Se apenas pudesse expressar-se através de um abraço, em vez de palavras... Como o amava! Amava-o tanto que o deixara penetrar em seu mundo mais recôndito. Pretendia usar o poder erótico que exercia sobre Shura como isca para levá-lo a um reino mais profundo. Intimidade, não sexo; era o que ele almejava.
- Você parece estar com febre – observou Aiolos, com suprema satisfação. Mas ao vê-lo levar a mão trêmula à testa, ficou preocupado e começou a pensar se Shura não estaria mesmo doente. – Você está bem?
- Sim, ótimo! É que está um pouco quente aqui. Esse paletó é muito pesado e.. – suspirou. – Espere só um segundo, que eu vou tirá-lo.
Aiolos estendeu a mão para ajudá-lo a soltar um braço e, por um instante interminável, nenhum dos dois se moveu. Shura usava uma camisa de manga comprida branca, e teve de dobrar as mangas até em cima assim que aquele feitiço se quebrou. Sua pele ardia de tão quente.
- Onde estávamos, Aiolos?
- Sexo. – o loiro falou tentando manter a seriedade.
- Ah, sim, claro. – Shura limpou a garganta. – Diga-me como se sente sobre... os aspectos mais íntimos da sua relação com homens e mulheres.
- Só homens, por favor. – Sorriu de canto, vendo Shura corar ainda mais. – E na verdade, um homem com quem me envolvi há pouco me fez reconsiderar minhas opiniões sobre sexo.
- Oh... – O tom de voz de Shura fez Aiolos pensar que o espanhol pudesse estar com ciúme desse "outro homem". Se tivesse sido esse o caso, Shura logo ocultou com a observação:
- Esse homem deve ser especial para você.
Aiolos quis que ele soubesse. Com um olhar, tentou transmitir-lhe o desejo de que viesse a seus braços, que o sondasse, por dentro e por fora, e o tomasse por inteiro.
- Meu Zeus! Seus sentimentos por ele devem ser muito profundos. – engoliu seco só de olhá-lo.
- São. Mas não fizemos sexo. – o loiro sorriu de canto.
- E... como se sente a respeito disso? – Shura agora estava curioso.
Aiolos deu uma leve risada. – Muito, muito excitado.
- Isso é... honesto. – o espanhol não pôde evitar de corar.
- Ele também. É diferente dos outros homens com quem me envolvi. – sorriu levemente.
- Gostaria de falar sobre eles? – Shura parecia esperançoso. Preferiria ouvir sobre seus casos anteriores a saber de seu novo interesse amoroso? Querendo falar sobre os outros, Aiolos o atendeu de pronto.
- Tive alguns casos. Desde o acidente sobre o qual não estou preparado ainda para falar. Basta dizer que as coisas mudaram depressa. E eu também. Primeiro, fiquei como uma criança numa loja de doces, provando de tudo sem nunca me saciar. Mas, depois de alguns meses, percebi que só sexo é algo que não satisfaz, algo vazio.
Shura estendeu a mão para Aiolos, as deteve-a antes que o contato se estabelecesse, e cruzou os braços. – As pessoas que perderam o conato com suas emoções mais profundas às vezes não percebem que há uma grande diferença entre sexo e intimidade.
Aiolos concordou com um sorriso. Fitando os lábios de Shura e vendo-o umedecê-los com a língua, imaginou beijá-lo de todos os modos. Se se inclinasse um pouquinho para a frente, se...
- Conte-me Aiolos. – os pensamentos do grego foram cortados naquele momento. – O que aconteceu depois que ficou enjoado da loja de doces?
- Bem... – pensou antes de responder. – O sucesso e a aparência mudam muito as idéias das pessoas...
- É verdade – afirmou com a segurança de quem já passara pela experiência. – Agora quero que você pense nessa época em que começou a se tornar cínico. Foi por estar desapontado com o modo como as pessoas mudaram em relação a você? Ou será que ficou desapontado consigo mesmo, achando-se um impostor? Talvez fosse mais fácil se afastar das pessoas e sabotar os relacionamentos do que expor o quão vulnerável você era, na verdade. – concluiu.
Aiolos estremeceu. Shura o encurralara. Depois de fracasso após fracasso, era de admirar que houvesse se tornado especialista em sabotar relacionamentos e suprimir sentimentos? Um mecanismo de defesa, na linguagem de Shura. Com habilidade e experiência, Aiolos defendeu-se:
- Sabe, Shura, descobri que a prostituição não é monopólio dos homens da vida. Quase todos podem ser comprados. Se não com dinheiro, com desejo. O desejo de um corpo bonito, de sucesso, de aceitação social. Ou mesmo de amor. Quando alguém quer muito algo, sacrifica o orgulho, a moral, quase tudo para consegui-lo. Eu também já me prostituí, Shura – Vendo o espanhol balançar a cabeça, compreendendo, Aiolos teve vontade de gritar, de falar algo que abalasse aquela calma imperturbável do analista. – E você, já se prostituiu?
Shura, ignorando a pergunta do loiro, mergulhou mais fundo no outro assunto.
- Pelo que vejo, suas decepções foram muitas, e muito profundas.
- Na mosca! Homens que jamais teriam ido a um cinema comigo algum tempo antes caíam em cima de mim. Já no primeiro encontro, tentavam me arrastar para a cama. Mas eu resistia até achar que talvez, talvez, por algum milagre, eles pudessem passar no teste. – falou de forma irritada.
- Teste? – ergueu uma sobrancelha, o olhando curiosamente.
- Sim, o teste. Mas isso não vem ao caso agora! – o loiro grunhiu.
- Mas é claro que vem! – Shura insistiu, fazendo Aiolos se sentir incomodado.
- Não gosto de você assim. – Aiolos revirou os olhos. Não gostava que insistissem com ele.
- Mas eu gosto de você. O que acha disso? – Shura o olhou desafiador.
Aiolos achava tão bom que queria esmagar-lhe os lábios com os seus, apertá-lo contra a escrivaninha. Queria que Shura o desejasse com ardor, que ficasse ressentido com ele por isso, qualquer coisa, tudo. Só queria que o espanhol gostasse dele.
- Os homens sempre gostaram de mim. – sussurrou Aiolos, querendo berrar de frustração. – Mesmo quando eu era feio, eles gostavam de mim. "Gosto de você como amigo". Santo Zeus, me poupe de ter de ouvir isso de novo.
- Mas Aiolos você não era feio! – Shura bufou. Mas que diabos de complexo era aquele?
- Eu era feio! - grunhiu de volta para ele, olhando-o nos olhos, sério
- Ok... – respirando fundo. – Mas gostar de alguém é importante em qualquer relacionamento Aiolos. Esse homem que mencionou, com quem se importa tanto, ele não gosta de você?
- Gosta. Mais do que isso. Ele acha que beijo muito bem. Mais ainda. É louco pelo meu corpo. Quando eu o toco, ele estremece, e não é de repulsa, pois me deseja. Vejo isso em seus olhos. Sinto isso no toque de sua mão. Até percebo no tom de sua voz, no jeito como diz meu nome. E eu o desejo demais. Desejo-o de todos os modos que posso imaginar e quero que todas as fantasias dele se realizem. Na cama e fora dela. De verdade. Para mim, é tudo ou nada. O que você acha disso?
Por um instante, Shura pareceu não encontrar palavras. Quando falou, no entanto, Aiolos teve de admirar sua graça, seu tato, seu controle. Tudo aquilo que faltava em si mesmo.
- Ótimo, então. Parece que ele gosta de você, e, mais ainda, reagiu de modo diferente ao seu "teste".
- Reagiu. – o loiro afirmou.
- E qual é o teste afinal? – Shura estava para morrer de curiosidade.
- É... – Como contar-lhe sem se entregar? – É a minha forma de descobrir se um homem me quer de verdade ou se só deseja aquilo que vê.
- Então esse homem... Qual é o nome dele? – o espanhol odiava ficar curioso.
- Não gostaria de divulgar isso, já que ele é... uma pessoa conhecida. Como você. Vamos chamá-lo de Fulano.
- Certo. – concordou. – Fulano passou no seu teste?
- Não de todo. Mas chegou perto. Mais do que qualquer outro homem. – o loiro sorriu levemente ao dizer isso.
- Isso é bom. – sorriu de volta.
- É incrível. – Na verdade, para Aiolos, aquilo fora mais que um milagre. Porém, fora um canalha com Shura, atormentando-o, esfregando-lhe no nariz o desejo involuntário que sentia por ele, fazendo o grego ter ciúme de si próprio, por causa da reação do espanhol. Aiolos não estava mais exultante, e sim cheio de repulsa por si mesmo. – Como já disse, não dormimos juntos. Desculpe-me se em algum momento me excedi, Shura. Na verdade, é indesculpável. Faz um ano que estou sozinho e, como você vê, ando meio irritadiço. – suspirou. – Mas cansei da loja de doces. Há coisas pelas quais vale a pena esperar, o homem que lhe falei é assim. Ele é doce, honesto e de bom coração. Como você. Na verdade, vocês dois são muito parecidos, e um me faz lembrar o outro.
- Bem... – Agora, o rubor que lhe tingia as faces era de puro prazer. – Obrigado, Aiolos. Mas você não me conhece. Talvez, eu tenha um outro lado não tão doce quanto você pensa.
- É, todo mundo possui diferentes aspectos. – Aiolos deu um sorrisinho de canto. – Você teve de suportar alguns de meus traços menos atraentes, mas não sou sempre assim.
- Se quiser falar agora... – Quase sussurrou essas palavras.
- Não. Para dizer a verdade, estou esgotado. Nunca tive uma conversa tão exaustiva. – o loiro suspirou.
- Lidar com as emoções é bem cansativo. Mas não há remédio sem dor. Sente-se melhor? – Shura acabou por perguntar.
Aiolos se sentia péssimo e fantástico ao mesmo tempo. Desesperado para contar tudo logo e ao mesmo tempo valorizando a ligação que haviam estabelecido naquela sala a ponto de querer prolongá-la por mais algum tempo. Mais algumas sessões e daria a "Fulano" todos os motivos para achar que o loiro era um canalha. Até então, abriria seu coração na intimidade das cartas. Iria enviar-lhe uma mensagem de amor naquela noite para compensar seu comportamento horrível daquele dia.
- Se me sinto melhor? – sorriu. – Puxa, estou ótimo! Cansado, mas ótimo! – Passou a mão pelos cabelos e notou que os olhos de Shura acompanharam o movimento. Aiolos engoliu em seco. Como queria sentir o rosto de Shura junto ao peito! Queria ouvir o coração dele, apertar o ouvido contra o peito másculo.
Ouviu-se uma leve batida na porta, que se entreabriu.
- Shura? - Astérion colocou a cabeça lá dentro, olhando o espanhol. – Todos já foram, e eu preciso ir.
Olhando o relógio Aiolos se levantou. – Não notei que havíamos passado do tempo. – Estendeu a mão para o espanhol, contendo-se para não abraçá-lo. – Pagarei por duas sessões em vez de uma.
- De jeito nenhum. Há muito tempo não tenho uma sessão tão estimu... tão interessante com um... Com um cavalheiro. – Shura deu um sorriso sem graça.
Aiolos não pôde evitar um sorriso totalmente enamorado. Ainda mais ao ouvir o espanhol dizer:
- Vá em frente, Astérion. Eu fecho.
Com um aceno, o secretário partiu, deixando-os a sós. Junto a eles, no entanto, havia um passado, e um futuro que dependia de apostas tão altas que Aiolos estremeceu de vertigem.
Continua...
Oh My God! Será que Shura está cedendo aos encantos de Aiolos? Ou será mesmo só curiosidade. Nem eu sei. Shura ainda não me contou . Cada capítulo para mim também é uma nova surpresa Quero só ver no que vai dar isso! Hihihihi
Agradecimentos: P-Shurete, Chibi Psique, Gota Gelada, Lua, Vincent Valentine, Virgo-chan, Sy Kodoshi e minha querida Akane M.A.S.T, beta do meu coração. Oh, sim e todos os leitores deveriam agradecer a ela também por entrar na lan house mesmo viajando para corrigir os capítulos Fofa, tu é demais!!
Beijos a todos os que estão seguindo o fic e se quiserem um próximo capítulo bem rápido, mandem reviews para eu saber como estou indo. É com a ajuda de vocês que faço a história! Afinal, Dedinhos Felizes Digitam mais Rápido -.
