Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XII
- Na semana que vem, à mesma hora? – perguntou Aiolos, à porta do saguão. Como agüentaria aquele tempo todo sem ver o espanhol, sem ouvir sua voz, sem tocá-lo?
- Combinado. – Aiolos ouviu o espanhol responder e apertou-lhe a mão com firmeza e depois, em vez de soltá-la, levou-a aos lábios.
Shura olhou para a própria mão como se estivesse em chamas, sem saber o que fazer. Aí, começo a vasculhar o bolso às pressas, dando um suspiro de alívio ao encontrar as chaves. Os dedos tremeram ao introduzi-la na fechadura. Lutando contra o próprio nervosismo, sussurrou: - Oh, vamos, por favor...
- Deixe-me ajudá-lo. – Aiolos deslizou a mão por sobre o pulso trêmulo de Shura, cerrou os dedos sobre os dele e... clique. Ambos ficaram imóveis. Estavam tão próximos que o loiro podia ouvir o analista respirar.O suave aroma da colônia agira como um ímã sobre Aiolos, fazendo-o aproximar a cabeça.
Shura virou-se e o encarou.
- Obrigado. Às vezes funciona fácil, outras vezes leva algum tempo para dar o clique.
- Como os relacionamentos, né? – Aiolos sussurrou próximo ao ouvido do espanhol, que não pôde evitar um arrepio na nuca.
- Boa analogia. – Shura respondeu, com uma rispidez que combinou com os passos com que se dirigiu à saída.
- Sabe de onde eu tirei? – Aiolos endereçou-lhe um sorriso afetuoso e acompanhou-o, fazendo o máximo para impressioná-lo. – "Relacionamentos e montanha-russa: segure firme". Julho, há dois anos. Foi o seu primeiro artigo.
- Fico lisonjeado por você se lembrar. – ainda falava meio sério.
- Eu queria mesmo que ficasse. – Com aquela frase de Aiolos, Shura parou.
- Aiolos, você está flertando comigo? – perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Não. Se estivesse, seria mais discreto. – o olhou divertido. – Por exemplo, eu poderia mencionar que o amarelo-claro combina com a sua cor de pele. E então tentaria confundi-lo, acrescentando que observei isso porque essa é a minha cor favorita.
- Isso é discreto? – Shura revirou os olhos ao ouvir aquilo.
- É bem mais sutil do que lhe perguntar onde você compra suas roupas, porque o seu gosto é impecável, ou algo assim. Mas eu não diria nada disso. – riu baixo.
- Não? – o olhou curiosamente.
- Se dissesse, você poderia não gostar e me dizer para procurar outro analista. Detesto analistas. – Satisfeito ao ver Shura irritado, Aiolos meneou a cabeça. – No entanto desde que eu o conheci, vejo a sua profissão sob novas luzes. Se eu o tivesse conhecido algum tempo atrás, hoje eu seria uma pessoa muito diferente. Você fez mais por mim do que pode imaginar. – sorriu. – Obrigado, Shura. Por tudo.
- Não é preciso agradecer. – o espanhol o encarou, depois olhou em torno, como se não soubesse para onde ir, agora que haviam chegado ao estacionamento.
- Esse é o seu carro? – Como se Aiolos soubesse. Era lindo, esporte e preto, com tração nas quatro rodas. Combinava com o espanhol.
- É. – Shura seguiu em passos lentos, como se estivesse tentando ganhar tempo.
Aiolos conteve o riso exultante. Era com ele que Shura queria estar. Apesar de todos os seus defeitos. Respirou fundo e, tentando afetar apenas um interesse profissional, perguntou:
- E como vão as coisas entre você e Tales?
- Ótimas. – ele apressou o passo.
Aiolos adiantou-se e, chegando junto a porta do lado do motorista, apoiou-se contra ela. - Será que terei a oportunidade de pegar o buquê?
- Talvez. – Shura olhou esperançoso para o trinco, depois para os próprios pés.
Aiolos ergueu-lhe o queixo com o dedo.
- Não devia fazer isso, Aiolos. O que Fulano iria pensar?
"O que você iria pensar de seu o beijasse agora?". Zeus, como desejava isso! Mas o que mais queria era que Shura lhe retribuísse o beijo. Ao seu eu verdadeiro. Aquele que lhe erguera o queixo para que ele o encarasse e talvez, por algum milagre, reconhecesse o elo entre eles. Aiolos o sentia de modo tão intenso... Como poderia Shura não sentir?
- O que Fulano iria pensar? – Precisava de uma desculpa para tocá-lo, algo que lhe permitisse ficar ali. – Acharia que estou tentando tirar essa manchinha de tinta que percebi desde o instante em que o vi. – esfregou-lhe o queixo com o dedo, fazendo Shura corar. – Eu queria avisá-lo, porque ficava tão engraçado, subindo e descendo enquanto você falava. – Vendo-o cada vez mais vermelho, acrescentou. - É como quando vemos alguém com um pedaço de espinafre grudado no dente.
Depois de remover os últimos vestígios de "tinta", ouvindo o outro ranger os dentes de raiva, Aiolos afastou a mão com relutância e assentiu, com ar satisfeito. Estava mesmo satisfeito. Acabara de raspar o verniz de polidez de Shura comportando-se como um adolescente apaixonado. Na certa, o espanhol jamais fora alvo daquele tipo de mimo. Até hoje.
A única razão pela qual um homem tão inteligente e bonito quanto Shura ainda estava solteiro era porque era tão inteligente e tão bonito que os outros homens o temiam. Não era de se admirar que Shura ficasse entusiasmado com o primeiro encontro on-line com Tales.
Aiolos compreendeu que aquela era uma verdade simples e ao mesmo tempo muito reveladora, que lhe dava uma vantagem sobre os homens em geral. A única pergunta era como usar essa vantagem para minar as defesas do espanhol e se aproximar do Shura real. Era preciso que o eu real de Shura entrasse em contato com o dele.
Aiolia percebera isso. Aiolia... Ei! Era isso! Qual melhor forma de se aproveitar daquela vantagem, senão tratar Shura de um modo como nenhum outro homem ousaria? Como um irmão. Shura não tinha irmãos mais novos, segundo sua ficha. O que queria dizer que não estava acostumado com provocações, nem com irritantes demonstrações de afeto, como puxar cabelos, desmanchando um penteado, ou fazendo cócegas. Algo parecido, inclusive, a um adolescente apaixonado.
O que Aiolos diria para seu irmão se ele rangesse os dentes de raiva, depois de toda a sua gentileza, ao remover a "tinta" e sugerir que ele era tão atraente quanto um dente de espinafre?
- Por nada, viu? – respondeu Aiolos, lembrando o espanhol das boas maneiras.
Shura fuzilou-o com o olhar. – Hã.. obrigado.
- Um antitérmico viria bem também.
Shura arreganhou-lhe os dentes. – Tchau, Aiolos.
O loiro sorriu, acenou e viu-o sair a toda velocidade pelo quarteirão. Soltou a gargalhada que vinha contendo. "Tudo para conquistar você, meu querido".
Continua...
Bem, esse capítulo ta curtinho mas vou compensar isso postando dois hoje \o/ Então os agradecimentos ficam para o fim do próximo. Até lá!
