Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XV
Acariciando o botão do colete que acabara de colocar, Shura tocou o peito com as mãos. As mãos de Aiolos haviam estado ali. Ali, em seu peito. Suas pernas encostaram contra os quadris de Aiolos com uma intimidade pela qual ansiava. O que Aiolos estava fazendo com ele?!
Shura mirou-se no espelho do banheiro, sem acreditar que estava usando aquelas roupas. Ele os comprara para Excalibur e Tales. No entanto, o beicinho sensual, os cílios semicerrados ao apalpar o tórax, devia-se a Aiolos. O loiro o afetava de um modo profundo e perturbador. Só de se lembrar do momento em que tivera a certeza de iria beijá-lo, o desejo que sentira retornava.
Se Aiolos pudesse vê-lo agora, não resistiria. Doía-lhe a certeza de que o loiro fosse se encontrar com o Fulano. Não tinha direito de ter ciúmes. Profissionalmente, era proibido, e pessoalmente, injustificado. Shura precisava de um pouco de compreensão, de alguém com quem compartilhar os segredos de infância. Alguém como...
- Tales!
Percebendo de súdito que estava atrasado para o encontro on-line, Shura saiu correndo da sala. Voou escada abaixo. No último degrau, perdeu o equilíbrio e torceu o pé esquerdo. Deu um grito de dor, tentando se agarrar ao corrimão. Não conseguiu, e caiu estatelado ao pé da escada. Grunhindo, tentou se levantar, mas tombou, inerte. Agulhadas de dor atravessaram-lhe o tornozelo. Tentou manter a calma e avaliar os estragos.
O rosto, contundido, ardia. No braço esquerdo, a sensação era de estiramento muscular, o direito estava bem, mas o pulso doía muito. O impacto arrancara a coleira, que pendia, solta, ao pescoço, também dolorido. Pelo menos não quebrara nada! As pernas? Tudo bem. Pé direito... Sem problemas. Então tentou mover o pé esquerdo.
- Ahhh! Zeus! – gritou. Tentando não chorar, mas as lágrimas eram automáticas por causa da maldita dor.
Praguejando, tentou pensar na forma mais racional possível. Não conseguia andar. Não havia ninguém para ajudar. Onde estava o telefone mais próximo? Na cozinha. Só que... na parede. Do escritório? Sim, pelo computador, junto ao qual devia estar de se admirar e tecer fantasias com seu amante. Tales saberia que Shura não ia deixá-lo esperando por nada. Ficaria preocupado, mas não havia remédio. Mais tarde, depois que cuidasse do que temia ser um tornozelo quebrado, tentaria se explicar.
Arrastando o pé, engatinhou e tentou não entrar em pânico quando sentiu o pé latejando. – Oh, não... droga! – Gemeu, tomando ao chão da sala de estar com todo o peso do dilema sobre si.
Telefonar ao pronto socorro? Não ousaria. Nem ir até o hospital, onde, com certeza, seu nome seria reconhecido. Céus, já via a manchete no jornal, ao lado da sua coluna. Arruinaria toda a sua reputação por ter cedido ao impulso de ser malvado uma vez na vida. Ah, se houvesse escutado as mensagens cósmicas que lhe diziam para se comportar!
Astérion. Astérion guardaria silêncio. E Shura lhe daria um aumento pela tarefa extra. Só que... Astérion tinha uma reunião familiar naquele fim de semana, a centenas de quilômetros dali. Pensou nos amigos... Milo não conseguia guardar segredo, muito menos picante quanto aquele. Kamus? Perfeito! Só que saía com o namorado... Milo... toda noite de sábado.
Enquanto pensava nas possibilidades, Shura ouviu uma forte batida na porta. Precisando muito de ajuda e ao mesmo tempo temendo ser um colega ou um entregador de pizza com endereço errado, gritou:
- Quem é?
- Aiolos! Esqueci minhas ferramentas.
Aiolos? Se aquela era a resposta para seu problema, com certeza Zeus tinha um grande senso de humor. Não podia deixar que Aiolos o visse daquele jeito! Por outro lado, suas alternativas àquela altura eram nulas e, se ele queria mesmo ser seu amigo, era um bom momento para testá-lo.
- Já vou!
Esperando do lado de fora, Aiolos cerrou e descerrou o punho. Havia algo errado. Shura não se atrasaria para um "encontro". Pressionando o ouvido contra a porta, pensou escutar um soluço – Você está bem?
- Não! – Outro soluço, ainda mais claro, fez com que Aiolos ficasse nervoso. – Já estou quase aí. Por favor, tenha paciência.
Pronto a arrombar a porta, Aiolos se deteve ao vê-la entreabrir-se, apenas o bastante para que visse Shura dependurado à maçaneta, com o rosto contorcido de dor e coberto de lágrimas.
- Aiolos... Preciso de ajuda.
- Meu Zeus, Shura! Quem fez isso a você? – Horrorizado, Aiolos não conseguia conter o impulso de abraçá-lo, nem a raiva.
- Eu... Caí. Acho que quebrei o tornozelo.
Um pouco mais calmo, Aiolos ficou perturbado pelo impulso assassino que o tomara. Nunca tivera tanta necessidade de proteger e destruir ao mesmo tempo. – Vou levá-lo ao hospital.
- Ainda não! – protestou o espanhol, antes que o loiro o pegasse no colo. – Não posso ir desse jeito, Aiolos.
Só então ele percebeu o que Shura estava vestindo. Ou melhor, o que não estava vestindo. A espiada que dera na loja e o toque furtivo nas compras do outro não o haviam preparado para aquilo. Shura transbordava pelo shortinho minúsculo que usava, o colete era sensacional e a coleira com a algema daria a qualquer homem a idéia de acorrentá-lo a uma cama. Quanto às botas...
- Tem razão, Shura. Não pode ir assim.
Vendo-o enxugar as faces molhadas, Aiolos notou que estavam contundidas e inchadas. Tocou-lhe o rosto com cuidado. – Você precisa pôr um gelo aqui.
- Primeiro necessito de outras roupas. – insistiu Shura, com aquela compostura enlouquecedora que o loiro gostaria de destroçar com um beijo arrebatado. – Dependo de você, Aiolos, como nunca dependi de ninguém na vida. Por favor, me leve até o sofá; então vá até o meu quarto e traga roupas fáceis de vestir.
Shura dependia dele como nunca dependera de ninguém na vida? Ótimo. Era o que Aiolos querida. A oportunidade de ampará-lo e provar que merecia a sua confiança.
- Não se preocupe, Shura, estou com você. Confie em mim, farei tudo o que pedir. – Posicionou-se para erguer o outro. – Passe os braços em torno do meu pescoço.
Ao levantar ambos os braços, Shura deixou que um tombasse de lado, resmungando de dor:
- Dói. Não está quebrado, mas eu forcei os músculos e...
- Tudo bem, pode chorar. – disse Aiolos tentando consolá-lo.
- Hunf! Eu detesto chorar! Ainda mais na frente dos outros. – o espanhol grunhiu.
- Não sou um outro qualquer, Shura. Você está muito machucado. Se não chorar, vou ligar para o pronto-socorro e ir embora.
- Isso é chantagem! – Shura grunhiu, quase chorando só de pensar naquela possibilidade.
- É mesmo. – Aiolos sorriu de canto, o olhando.
Ainda resistindo, Shura recomeçou a chorar.
- Tudo bem, estou chorando. Feliz? Agora, por favor, me leve até o sofá e...
- Com todo o prazer. – Aiolos nunca se moveu tão rápido na vida, desejando ser lerdo quanto uma lesma. Colocando o analista sobre o sofá com a delicadeza de um noivo em sua noite de núpcias, Aiolos enxugou o suor que lhe brotava nas têmporas. Ouvindo o outro gemer, o loiro arriscou uma olhada geral. Então sua atenção se concentrou na parte superior das coxas seminuas.
- AIOLOS! – gritou Shura, tentando puxar a barra do shortinho para baixo, em vão.
- Ei, eu sou humano! – defendeu-se, forçando-se a desviar os olhos – Onde fica o seu quarto?
- Lá em cima. – Shura suspirou antes de continuar – Primeira porta à esquerda.
- Qualquer coisa do guarda-roupa, certo? – o loiro questionou.
- Certo. – Shura segurou-lhe a mão e sussurrou-lhe: - Você pode apanhar algo na gaveta da cômoda também?
- Cueca? – Aiolos sussurrou, erguendo uma sobrancelha.
Por um momento infinito eles compartilharam um olhar sexual, eloqüente. Shura assentiu com um gesto de cabeça antes que Aiolos pudesse repetir a pergunta.
A caminho das escadas, Aiolos se perguntou se Shura sabia o efeito que aquilo exercia sobre ele: vestir-se como um exibicionista sexual e depois comportar-se com o recato de um cavalheiro. Com certeza, não sabia.
No guarda-roupa, pegou uma camisa e uma bermuda leve. Depois, na gaveta da cômoda, repleta de cuecas, encontrou material para tecer tórridas fantasias. A sunguinha branca? Não. Era muito... Pequeno. Talvez a cuequinha de seda preta... Nunca! Enfim, encontrou uma branca, de algodão. Perfeita.
- Trouxe tudo – disse Aiolos, sentando-se a seu lado – Há algo mais que eu possa fazer para ajudar? – "Beijá-lo? Abraçá-lo? Fazê-lo esquecer o quanto esse tornozelo deve estar doendo? Shura, eu te amo. Ame-me também, pelo homem sem rosto. Veja apenas o coração dele em meus olhos e saiba que esse coração é seu"
- Há algo que você... Pode fazer. – Então, Shura o encarou e sua expressão de súplica, sua vulnerabilidade absoluta naquele momento, comoveram Aiolos. – Tentei tirar a bota e não consegui. Pode fazê-lo?
Aiolos deu uma olhada naquela segunda pele sem zíper nem cordões e sacudiu a cabeça com firmeza.
- De jeito nenhum. Vou pegar uma faca.
- Mas eu paguei duzentos euros por elas!! – vendo-o partir rumo à cozinha, Shura gritou: - E o seu encontro?
Aiolos parou e virou-se devagar. – Cancelado. No momento, meu encontro é com você.
Continua...
Juro que não sei o que me deu quando resolvi escrever esse capítulo. Mas eu espero sinceramente que estejam gostando. Mandem reviews dizendo o que acharam disso. Mas parece que estamos caminhando bem, não? Hehehe
Agradecimentos: Virgo no Áries, Dragonesa, mfm2885, Patty-san, P-Shurete e Aya-chan! Um agradecimento especial e um super beijo à Akane M.A.S.T. , minha querida beta que está viajando, mas ainda assim corrigindo os capítulos. Muito obrigada, fofa!
Beijos a todos!
Muk-chan \o/
