Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XVI
Quando Aiolos retornou da cozinha, Shura só conseguira tirar o colete e colocar um braço na camisa de manga curta. O shortinho minúsculo de couro lhe tolhia os movimentos. Sua intenção de livrar-se dele assim que seu membro estivesse coberto pela barra da camisa grande não estava saindo conforme o planejado.
- Precisa de ajuda? – Aiolos largou a faca sobre a mesinha e chegou por trás do espanhol.
- Não estou em condições de recusar. – Shura percebeu que falara como um tirano, atacando seu salvador por não conseguir suportar a sensação de impotência, que tinha também em relação ao desejo de ser tocado por aquele homem cuja ponta dos dedos roçava-lhe o abdômen e a virilha a cada botão solto, que por sinal, eram apenas dois. Com todos os sentidos aguçados pela proximidade, o pé parecia uma questão de menor importância.
Depois de solto o botão do shortinho, Shura estranhou que Aiolos mantivesse o zíper fechado. Tudo o que precisava fazer era abri-lo para que seu membro fosse exposto, e que homem homossexual iria desperdiçar a oportunidade de semelhante visão?
Aiolos iria, percebeu Shura, atônito. Era algo que esperaria de Tales, mas era Aiolos que mantinha o zíper do shortinho no lugar com uma mão, enquanto a outra, com delicadeza, puxava a camisa. De algum modo, o loiro conseguiu introduzir o braço na abertura da roupa e, tendo ocultado o membro pela barra da camisa comprida, tentou tirar-lhe o shortinho. O couro resistiu, grudado à pele, graças ao suor dele, apesar do frescor da noite.
- Detesto suar! – Shura bufou vendo o outro já com o shortinho na mão. Respirou fundo com o alivio que sentiu quando finalmente aquilo fora arrancado de seu corpo.
- Você está quente, Shura – murmurou, abotoando os botões da camisa do outro, devagar.
Shura precisava afastar Aiolos antes que cedesse ao impulso de colocar as mãos sobre o ele, seu rosto, pescoço, ombros, qualquer parte... Seu suspiro tenso fez com que Aiolos se afastasse de repente para o outro lado do sofá. Ao sentar-se, pousou o pé de Shura sobre seu colo com uma delicadeza que fez com que seu coração se contraísse.
- As botas precisam sair antes de tratarmos do resto. Vou ser o mais cuidadoso possível, mas... – deixou a frase inacabada.
Então Shura percebeu que o olhar dele estava fixo logo abaixo da barra de sua camisa. Como Shura ainda estava sem cueca, Aiolos nem precisava de muita imaginação para ter uma idéia geral do panorama.
Por que não vestira a cueca logo depois que o outro tirara seu shortinho? Por que a deixara à vista, no sofá, abandonada, ao lado de seu joelho? Será que a dor estava perturbando-lhe a razão? Ou teria o espanhol cedido a algum desejo subconsciente de tentar Aiolos com uma exibição chocante?
Mas se havia alguém chocado era Shura. O leve erguer de quadris, a expressão sensual e o modo como Aiolos passou a língua nos lábios despertaram algo estranho dentro dele. Shura não conhecia aquele homem que se deleitava em segredo com o papel de sedutor.
- Sabe, Shura, o que eu estou vendo ali embaixo é sinal de perigo, não? Gosto do perigo. E você?
- Nunca fui de correr riscos. – grunhiu virando o rosto para o outro lado, levemente corado.
- Mas gostaria. Sabe que sim. – Aiolos falou com um sorriso de canto.
Não podia negar. Como desejava mandar a cautela para o espaço e se entregar! Já havia ficado levemente excitado só com aquela possibilidade e ainda fora descoberto. O olhar dele ainda estava fixo na junção de suas pernas. Seria possível, perguntou-se, em desespero, um homem chegar ao clímax apenas através de um olhar tão intenso? E como ansiava por um beijo, que daria um fim a todos aqueles anos de solidão e vazio!
Estava quase louco de desejo pela libertação que Aiolos, poderia proporcionar-lhe com tanta facilidade. Estava quase, mas não enlouquecera ainda.
- O que eu quero fazer e o que faço nem sempre é o mesmo. Não vou correr nenhum risco esta noite Aiolos. Não com você. – Movido apenas pela força de vontade, estendeu a mão para a cueca.
- Pena – sussurrou o loiro, e Shura não pôde deixar de concordar no íntimo. – É uma pena para nós dois. Se apenas você ousasse, Shura... – Pegando a faca, endereçou-lhe um sorriso compreensivo. – Vou ajudá-lo com a cueca depois que acabar com a bota.
A primeira incisão com a faca foi feita com muito cuidado. Shura fez uma careta quando o segundo golpe de faca roçou-lhe o pé. Aiolos meneou a cabeça.
- Não vou continuar. Vai doer muito quando eu puxar, e não quero machucá-lo. Por que não trocamos só as roupas e deixamos que as enfermeiras acabem com isso?
- Porque depois não vai doer menos. – o espanhol respondeu, bufando. – É melhor que seja agora. Prefiro chorar em casa do que em público. E não agüento ficar com essa bota nem mais um minuto. Não pense, Aiolos, aja.
Aiolos hesitava, como se fosse doer mais nele do que no analista. Por fim, colocando-lhe a perna sobre o braço, agarrou a bota pela parte debaixo e preparou-se para puxar.
Enquanto Shura gritava de dor, Aiolos largava a bota ao chão e beijava-lhe o tornozelo libertado. - Agora vamos tirar a meia para que eu possa dar uma olhada. – falou, já se livrando daquela peça.
- Acha que está quebrado? – Shura perguntou, tentando ver o tornozelo.
- Nenhum osso saliente, mas você precisa tirar uma radiografia. – olhou a bota no chão. – A pressão deve ter impedido o inchaço; agora vai inchar. Vamos nos apressar.
Nunca despira um homem tão rápido e muito menos o vestira de novo. Apesar de ter visto quase tudo o que havia para ver das partes íntimas de Shura, Aiolos virou o rosto na hora de ajudá-lo a por a cueca, em seguida colocando a bermuda.
Aiolos respeitava Shura. E foi o respeito pelo seu orgulho que o impediu de fazer gozações sobre os aspectos cômicos de seu drama a caminho do hospital.
Shura se manteve em silêncio durante todo o trajeto em seu carro. Aiolos suspeitou que, agora que o pior passara, o espanhol se preparasse para descartá-lo com a mesma determinação com que descartara as roupas ousadas em nome das comuns, que simbolizavam a segurança de sua vida.
Aiolos não tinha intenção de retroceder nem um centímetro, mas a tática de provocação não daria resultado naquele momento. Teve certeza disso quando, ao apertar-lhe a mão de leve, Shura não reagiu. Aferrando-se à crença de que a adversidade não passava de uma oportunidade disfarçada, sugeriu:
- Que tal uma história para você parar de pensar nesse pé?
- Uma história feliz? – Shura o olhou, erguendo uma sobrancelha.
- Não. Mas é minha, e considere um privilégio raro, embora duvidoso, ouvi-la. – Como Shura o fitou com interesse, Aiolos se animou. – Sabe, eu sempre gostei muito de esportes. Desde pequeno praticava arco e flecha, artes marciais e um dia resolvi buscar a aventura em outros lugares. Passei a praticar bungee jumping. Quando aconteceu o acidente, eu estava em uma área que não era permitida, o que me fascinava. Quanto maior o risco mais adrenalina.
Shura revirou os olhos ao ouvir aquilo, mas continuou a ouvi-lo atentamente.
- De repente, lá estava eu, em cima de uma ponte sobre um lago. Estendi os braços, me atirei e... Voei. Me senti tão leve naqueles momentos... – olhou para Shura e tranqüilizou-se com sua presença calma e atenta, que estremeceu ao ouvi-lo dizer: - Que bom que havia água lá embaixo quando a corda se soltou. A água reduziu meu peso, mas o lago era raso e as rochas ao fundo não foram tão generosas.
- Você bateu o rosto contra as rochas? – Shura espantou-se com aquilo.
- É, mas não me lembro da sensação. Tudo escureceu e a próxima coisa de que me lembro é de ter ouvido vozes. Meus amigos e meu irmão chorando, e o médico lhes dizendo que minhas chances eram boas, que ele não entendia como é que eu ainda estava vivo.
- Deve ter sido um milagre você sobreviver. – suspirou.
- Foi! Assim que minha situação se estabilizou, eles começaram a reconstruir meu rosto. Meu maxilar estava travado e eu fiquei um bom tempo tomando apenas soro. Depois de quase um ano, os médicos me deram alta.
- Um ano! – A exclamação de Shura deixou-o contente. A curiosidade natural faria com que a maior parte das pessoas se concentrasse no acidente ou no rosto artificial. Shura não. Fora o confinamento que o impressionara. – Você deve ter se sentido como se estivesse saindo de uma prisão. Livre e confuso.
- Muito confuso. – admitiu. Para Shura. Só para Shura admitiria tal coisa. – Andava pelas ruas, tentando recuperar o senso de realidade. Eu era o mesmo... De certa forma. Só que ninguém mais era. Então comecei a mudar, também. O modo como encarava as outras pessoas, a vida e a mim mesmo.
Engoliu em seco para se proteger daquelas lembranças, sabendo que era um triunfo pessoal encará-las como simples recordações.
- Fico pensando em como seria fazer algo só pela emoção. – Shura acabou dizendo, o olhando
Aiolos olhou para as coxas de Shura e deu-lhe uma piscada maliciosa. – Você já fez! E, como deve ter notado, viver no limiar pode ser tão fantástico quanto... Um orgasmo.
Continua...
OMG! Devo confessar a vocês que a cena do Olos vendo o membro do Shura naquele momento me deixou até mesmo paralisada! O que vocês acharam? Hihihihi Já não bastava a roupa que ele estava vestindo nos capítulos anteriores não? Ainda teve mais essa. Oh, céus... Shura quer nos matar!
Shura: Eu? ¬¬
Muk: er... gota Bem... vamos aos agradecimentos! \o/ P-Shurete, Dea, Litha-chan, Prajna Alaya, mfm2885, Patty-san, Dragonesa, Virgo no Aries, Gota Gelada, Lua, Youko Estressada e minha beta querida Akane M.A.S.T. /o/
À todos, muito obrigada por estarem mantendo meus dedinhos felizes \o/
