Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XVII
Assim que chegou em casa, Shura foi mancando até o sofá. Largando as muletas, não esboçou nenhum protesto quando Aiolos ergueu seu tornozelo inchado até a mesinha de centro. Também não objetou quando ele ordenou com firmeza:
- Fique quieto. Quer que eu lhe traga alguma coisa da cozinha, além de uma compressa de gelo, antes que eu o instale aqui embaixo?
Teria de morar no andar de baixo até poder andar sem muletas. Duas semanas, talvez menos, se seguisse as ordens dos médicos, que incluíam passar os três dias seguintes com o pé levantado.
- Pode me trazer um refrigerante para eu tomar o analgésico? – o olhou de canto. – E uma máquina do tempo para eu avançar até o mês que vem? Um mês com este aparelho que é a coisa mais feia que eu já vi!
- Ei, encare pelo melhor lado. – Aiolos o olhou divertido. – O tornozelo não quebrou!
- O médico falou que um osso quebrado muitas vezes é mais fácil de consertar do que um punhado de ligamentos torcidos e rompidos. – Shura detestava a imobilidade e tudo o que o deixava infeliz. Inclusive Aiolos, naquele instante.
O loiro reagiu com um sorriso agradável.
- Um refrigerante a caminho.
A cada segundo, o espanhol sentia com mais força a presença atenciosa de Aiolos, que permanecia a seu lado, apesar de todos os seus esforços de mantê-lo àdistância. Como podia ser atraído daquele jeito por um homem quando amava outro? Amava Tales. E Aiolos? Sentia um medo horrível de que estivesse se apaixonando por ele, e não tinha a menor idéia de como prevenir tal desastre.
- O gelo chegou – anunciou Aiolos, pondo uma compressa sobre o pé e outra sobre o rosto inchado do espanhol. – E o refrigerante também.
Despertando dos devaneios, Shura agradece-lhe. – Obrigado também pelo jantar, Aiolos.
- Foi um prazer Shura. – sorriu levemente, vendo o espanhol bocejar, sem cobrir a boca, sob efeito do analgésico. - Belas amídalas!
- Eu lhe daria umas bofetadas se tivesse energia para isso.
Como Aiolos gostava dele assim, sem defesas, mole como um boneco de pano, aninhado a seu lado, deixando-se mover de um lado para o outro até ficar confortável no sofá que ele ansiava em compartilhar. Enquanto o cobria, os olhos do espanhol se fecharam.
- Não quer que eu durma aqui embaixo, para o caso de você acordar e precisar de alguma coisa?
A resposta de Shura foi um murmúrio indecifrável. Aiolos ficou em dúvida sobre como proceder. Se ficasse, não conseguiria dormir. Ficaria observando-o; iria desejá-lo e teria a forte tentação de tocá-lo sem o consentimento e conhecimento do espanhol. Naquele instante, a tentação já era tão forte que ele, sem conseguir se conter, levou os lábios ao rosto macio e cálido, sussurrando-lhe. – Shura, eu te amo. Muito.
Esperou por algum movimento, algum sinal de que o outro houvesse registrado suas palavras, mesmo adormecido. Nada. Shura estaria à sua mercê, caso Aiolos cedesse à compulsão de tocá-lo. Talvez fosse errado tocar alguém inconsciente. Mas que mal havia em acariciar-lhe de leve o pescoço e desfrutar da sensação de sua pele? Que mal havia em soltar-lhe o roupão para que pudesse apertar a cabeça contra o seu tórax e escutar a batida firme de seu coração?
Ficou assim por um bom tempo, desfrutando da proximidade, do vago aroma do perfume do espanhol, que lhe evocava uma visão: os dois corpos nus, entrelaçados sobre um cativeiro de flores. Cada vez que os quadris de Shura se erguiam e Aiolos se impelia contra ele, as pétalas que esmagavam exalavam uma fragrância que se mesclava à dos amantes em ação.
Aiolos gemeu. Erguendo a cabeça, olhou para o peito do outro, parcialmente coberto. Depois, para sua própria mão, trêmula, pousada sobre a lapela do roupão. Viu-se afastando o tecido para o lado e desnudando um dos mamilos, depois o outro, diante de seu olhar faminto. O que estava fazendo era errado, disse a si mesmo. Então por que não sentia a menor culpa? Por que não impedia sua boca de baixar e passar a língua pela ponta do mamilo?
Talvez, disse a si mesmo, devido à reverência que guardava por aquele beijo roubado, pelo encanto que o invadiu ao cobrir, num gesto ao mesmo tempo delicado e ávido, o outro mamilo com a ponta dos dedos.
Mais. Queria mais, tanto que sua palma se movia, deslizando por baixo do roupão e parando apenas quando a faixa o deteve, à cintura. Afastou a mão, rápido. Permitiu-se um último olhar para os mamilos; então fechou o roupão e seguiu para a biblioteca, indo direto ao computador.
Por um instante, brincou com a idéia de passar para Tales o papel de mau. Seria fácil escrever uma carta dizendo que se apaixonara por outro; uma carta cheia de desculpas, conselhos e despedidas. É, ele poderia terminar com o seu caso de amor por computador. Mas seria uma grande mentira. E se Aiolos acordasse o outro agora mesmo e lhe contasse tudo? Será que Shura o receberia de braços abertos se ele o pedisse em casamento de joelhos? Era o que Aiolos queria e pretendia fazer.
No entanto... Shura não iria aceitar. Não ainda. Não aceitaria casar-se com Tales e muito menos com Aiolos. As idéias do analista sobre Aiolos estavam mudando, mas aquelas sessões que lhe haviam feito tão bem estavam também se tornando um obstáculo ao progresso. Mesmo assim, que progresso alcançara naquele dia.
Devagar, mas com firmeza, aproximava-se da linha de chegada, mais ou menos como a tartaruga que vence o coelho ao final. Por mais impaciente que estivesse por tomar um atalho, não seria um gesto sábio.
Então, Aiolos, como Tales, escreveu outra carta à seu amante. Depois que a enviou, voltou ao sofá. Não ficou muito tempo, sabendo dos limites de seu controle. Só um olhar, um beijo rápido nos lábios e um sussurro de despedida:
- Você vai se casar comigo, Shura! Não terá outra alternativa!
Continua...
Esse capítulo está curtinho, eu sei. Mas hoje vou publicar três capítulos de uma só vez para compensar. Espero apenas que estejam curtinho. Beijos a todos!
