Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XIX
Aiolos aproximou a boca, mas, antes de tocar-lhe os lábios, desviou-se para a testa. Com o pulso acelerado, Shura enlaçou-lhe o pescoço. Será que seu corpo não sabia que não podia fazer aquilo? O coração não sabia do risco que corria? A voz não sabia se calar, em vez de emitir aqueles murmúrios de puro prazer e aqueles suspiros encorajadores?
- Assim está melhor – Aiolos sussurrou-lhe ao ouvido. – Agora, peça-me para beijá-lo e eu lhe beijarei como jamais beijei alguém.
- E se eu não pedir? – Não, Shura não queria pedir, queria que o loiro o fizesse, por sua conta própria.
- Travarei uma guerra que você não terá a menor chance de vencer. Vou obrigá-lo a escutar todas as fantasias que já criei, inclusive uma real, ontem à noite, quando você estava dormindo e só Zeus sabe o que me impediu de fazer algo além de lamber seus mamilos. E sabia que só imaginar como seria estar dentro de você pode fazer um homem chegar ao orgasmo? E que...
- Basta, Aiolos! – Shura estava mais vermelho que um tomate maduro.
- Oh, não, querido, não basta! Sabe tão bem quanto eu que não podemos ficar juntos num quarto sem que os hormônios enlouqueçam. Ou você me pede para beijá-lo ou a batalha apenas terá começado. Cuidado, Shura, eu luto sujo e não paro até vencer.
Shura já perdera a vontade de resistir à tentação, e não conseguia imaginar nada mais doce do que ceder e pedir aquele único beijo. Único.
Aiolos pousou os lábios sobre os dele com uma suavidade que o abalou. Ávido por mais, por um toque mais profundo e mais íntimo do que aquele, Shura separou os lábios em oferta. Aiolos o forçou a uma espera infinita, fazendo-o sussurrar suplicando por mais. Então o loiro o atendeu, roçando-lhe os lábios com a ponta da língua e mordendo-lhe de leve o lábio superior. Foi uma suprema agonia e um êxtase absoluto.
Quando estava certo de que Aiolos renunciaria à paciência quer ele próprio já não conseguia conservar, Shura sentiu os dentes dele roçando-lhe o queixo, mordendo-o, causando-lhe uma pontada de dor, e depois o aliviando com o calor quente e úmido da boca. O analista segurou os ombros de Aiolos, puxando-o para baixo. Precisava daquela boca em seus mamilos, que quase doíam de desejo. Mais abaixo, havia algo já bem rígido, além as pernas que insistiam em se abrir.
Devia estar louco para incentivar tal intimidade. Por outro lado, ficaria ainda mais louco se Aiolos não o tomasse e fizesse algo, qualquer coisa, para apagar o fogo que acendera.
Aiolos beijou-lhe o pescoço, saboreando-lhe com a língua. Então, por fim, colou os lábios aos dele. A língua penetrou. Sem forçar nada, explorou-o com a confiança do dono seguro de sua posse. A camisa dele, molhada de suor, aderia aos músculos retesados. O loiro segurou-lhe o rosto e afastou os lábios, apesar da tentativa desesperada de Shura em prolongar a carícia.
Shura sabia que os olhos do outro estavam abertos, encarando-lhe o rosto ruborizado, ardente de desejo e raiva por saber que oferecera mais do que Aiolos tomara. O loiro tocou-lhe os lábios com a ponta dos dedos, depois os introduziu na boca, passando-os sobre a língua. Sussurrou com voz rouca:
- Chupe-os e nós dois podemos fingir... – Descrevendo-lhe uma imagem explícita e intensamente erótica, fez movimentos rítmicos com o dedo dentro da boca de Shura.
- Não! – Shura retirou os dedos de dentro de sua boca, gemendo em protesto.
Aiolos reagiu com um riso satisfeito. – Nada mau para um primeiro beijo. Bem que eu queria outro, mas receio não sobreviver. Abra os olhos, Shura.
- Não! Se eu abrir, a mágica chegará ao fim. Ou talvez fosse melhor chamar de "loucura".
Aiolos soltou com delicadeza os braços do analista, que ainda o enlaçavam. Beijou-lhe a ponta dos dedos, depois, numa mudança brusca, mordeu-lhe a base da palma. Num sobressalto, Shura gritou e abriu os olhos.
- Loucura? Talvez. Mas que muito gostosa! – Aiolos recolheu a carta que despontou na borda da cueca do espanhol e passou os olhos pelo texto.
- Devolva isso! – Shura grunhiu.
Aiolos se levantou em um pulo e saiu de seu alcance. – Devolvo, depois que você apagar essa culpa de seu rosto e me der algumas respostas sinceras.
- Não posso fazer nada com a culpa, porque me sinto culpado até o fundo da minha alma. Tales é maravilhoso, doce, bom e... Eu o amo.
- Essa era uma das respostas que eu queria obter, e não me surpreende. Tales deve ser um bom sujeito. – Aproximando-se, Aiolos parecia um gigante, pronto para abatê-lo. – Mas eu também sou um bom sujeito. Não acha? Quero saber é o que você sente por mim. Por mim, Shura. O homem da foto e este que agora lhe fala. Você sabe mais sobre os dois do que qualquer outra pessoa no mundo, e eu preciso saber o que sente.
Como não conseguisse explicar a mescla de sentimentos que Aiolos lhe despertava, Shura respondeucom uma evasiva: - Dada a sua intenção original de pegar o meu buquê e obter um reconhecimento por escrito em minha coluna... Bem, você não tem a sensação de que está competindo com você mesmo?
A expressão de Aiolos tornou-se ao mesmo tempo triste e divertida. – Talvez. Mas, de volta ao problema em questão, quero saber se os seus sentimentos por mim vão além do desejo sexual.
- Claro que sim. – admitiu Shura, contra a vontade. – Gosto de você mesmo sem querer. E admiro sua inteligência, honestidade e...
- Nem sempre sou honesto. Ainda assim, posso lhe dizer, com sinceridade, que quero mais, muito mais do que sua admiração. O que desejo, para ser exato, é o seu...
- Não fale! – o interrompeu.
- Amor – disse Aiolos, sem atendê-lo. – Você ama Tales, e eu respeito isso. Na verdade, se eu fosse ele...
- Você nunca poderia ser Tales – afirmou Shura, sem certeza de que fosse verdade. – Ele jamais me colocaria numa posição tão comprometedora, nem profissional nem pessoalmente.
- Que eu me lembre, foi você quem se colocou nessa posição, e gostou de cada segundo, tanto quanto eu. – Aiolos o olhou com um sorriso de canto.
- Vá em frente, esfregue isso na minha cara! – grunhiu.
- Com todo o prazer. – murmurou Aiolos, levando a mão ao zíper de sua calça.
Engasgando diante daquela crua alusão às obscenidades que o loiro lhe sussurrara ao ouvido, Shura apontou-lhe a porta, com o dedo trêmulo.
- Saia!
- Como? Não estamos nos divertindo? – Aiolos provocava.
- Só à minha custa! E isso também Tales jamais faria. Você só me provoca, o tempo todo!
- Faz parte da minha abordagem. Não o trato como se fosse um deus. Não tenho medo de você, Shura, e você gosta disso. – o olhava divertido.
- Devia ter medo, porque vou estrangulá-lo, agora mesmo! – lançou um olhar assassino ao loiro.
- À vontade. Adoraria ter as suas mãos em torno do meu pescoço. – Vendo Shura cruzar os braços, ameaçador, Aiolos parou de brincar e murmurou: – É, gostaria de tê-los ali, também. Pelo menos sei que posso fazer isso com você, mesmo que não queira me amar. Dê-me a chance e conseguirei.
Receando que fosse verdade, Shura mentiu: – Não. Leia meus lábios, Aiolos: não estou apaixonado por você e não há a menor chance de que isso aconteça.
- Veremos. – Jogou a carta no colo dele e olhou-o com intensidade. – Você não... Nãose casaria comigo, se eu pedisse, casaria?
- Ficou louco? – Aquela idéia era tão absurda e tão atraente ao mesmo tempo que Shura duvidou também da própria sanidade.
- Fiquei? Bem, sou louco por você. E ficaria louco se dissesse sim para Tales, e não para mim. E com ele? Você se casaria, se ele pedisse?
Sim ou não? Tentando encontrar uma resposta mais para si mesmo do que para Aiolos, admitiu, com franqueza: – Não estou certo. Talvez. Depois de resolver um problema.
- Talvez? Parece que Tales também vai ter de se esforçar para convencê-lo! A propósito, é por causa dele que você não quer me dar a chance que, de qualquer forma, vou receber? – Aiolos o olhou com curiosidade.
- Tales não tem nada a ver com você, pare de tentar colocá-lo no meio. – Shura parecia nervoso.
- No meio... De nós? – o loiro ergueu uma sobrancelha.
- Não existe nenhum "nós", Aiolos. – bufou.
- Mas, só por hipótese, suponha que existisse um "nós". Por outro lado, há você e Tales. E se... Vocêpudesse ficar com os dois? – a expressão de Aiolos agora era mais séria.
O que Aiolos estava querendo dizer? Que ele o dividiria com Tales enquanto Shura o dividiria... "Isso não!"... Com o Fulano? Um daqueles chamados relacionamentos abertos?
- Que Zeus me perdoe, Aiolos. Não consigo imaginar como eu poderia lidar com alguém como você e outro ao mesmo tempo.
Aiolos não replicou de imediato. Sua esperança de que Shura confessasse que faria tudo para ter os dois ao mesmo tempo foi por água abaixo. Contendo um suspiro de desapontamento, Aiolos respondeu:
- Vou tomar como um elogio. E como um desafio. – Tendo dito isso, seguiu para a porta. Então, se virou e pegou o espanhol o fitando, cheio de desejo.
Shura tentou ocultá-lo depressa, mas o loiro vira, e isso animou Aiolos. Mesmo que Shura não quisesse amá-lo, o amor verdadeiro se recusava a obedecer à razão. Só um beijo de um amante verdadeiro poderia fazer alguém arder a ponto de levar as mãos aos lábios como se ainda os sentisse queimar.
Continua...
Por hoje chega né gente? Meus dedinhos já estão com calinhos ihihihihi. Mas espero que estejam gostando. Será que estamos caminhando para um fim? Assim espero hihihihi.
Agradecimentos à: Youko Estressada, mfm2885, Aya-chan, Virgo no Áries, P-Shurete, Dragonesa, Yuki Cyriatan, Sarah-chan e minha querida beta Akane M.A.S.T, como sempre com sua incrível paciência.
Espero mesmo que estejam gostando. Sugestões para fim? Mandem reviews plz. Beijos a todos. Muk-chan \o/
Dedinhos Felizes Digitam Mais Rápido -
