Proposta Irresistível
Por Mukuroo
Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.
XX
Chegando em casa, Aiolos foi tirando as roupas e lendo a carta de Shura no computador. – Canalha! Fazer uma coisa dessas a alguém como Shura!
Tentou se acalmar. A coragem de que Shura precisara para revelar o que sofrera fora imensa. O mesmo em relação à sua confissão de que Aiolos o perturbava. Seria ele o problema que impedia o espanhol de se comprometer com Tales? Gostaria de acreditar nisso, mas Shura o negara. Talvez estivesse se referindo à sua experiência de noivo abandonado. Talvez temesse sofrer a rejeição de outro homem.
Aiolos refletiu e acabou optando por um plano de ataque irresistível. Quanto a Tales...
Ao que tudo indicava, Shura não tinha a menor idéia de que fossem o mesmo homem. Em parte, a culpa era de Aiolos, por ter apresentado suas melhores qualidades sob o disfarce de Tales.
Na próxima carta, Tales se tornaria real. Sim, se mostraria protetor e digno de confiança, e não jogaria a culpa sobre Shura. Mas, em relação ao outro homem, o desafio seria lançado: Shura era um prêmio pelo qual valia a pena lutar.
Havia apenas um problema com essa estratégia de combater dos dois lados: o cabo-de-guerra em que Shura se veria. Aiolos não queria envolver o outro em tanto tensão. Tudo o que desejava era que ele o amasse. Avisara-o que lutava sujo, e lutava, mas seria justo. Iria dar-lhe todas as oportunidades de descobrir a verdade por si próprio.
E se ele não descobrisse que Aiolos e Tales eram a mesma pessoa? Descobriria no encontro. A menos que Shura lhe dissesse que o amava. Que amava ao homem a quem jurara não amar ao mesmo tempo que admitia amar ao detentor das suas mais nobres qualidades. Era fácil amar alguém sempre compreensivo, encantador, digno e agradável. Bem, seria o fim de Tales, o Perfeito. Shura precisava de um alerta.
Duas horas depois, Aiolos estava de volta à mansão de Shura. Deu uma leve batida antes de abrir a porta com a cópia da chave que o espanhol lhe confiara e entrar com uma sacola de compras contendo, entre outros víveres, suas principais armas: uma garrafa de champanhe e uma rosa vermelha.
- Cheguei, querido! – anunciou com um sorriso afetuoso.
Shura não respondeu de imediato. Ergueu os olhos do livro que estava lendo e tornou a baixá-los.
- Ponha as compras na cozinha, por favor. E deixe a chave no balcão.
- E então "vá embora"? – ergueu uma sobrancelha.
- É. – foi só o que disse.
- Se é o que deseja...
- É.
- Então vai ser assim. – Aiolos largou a sacola e puxou uma cadeira. – Depois que tivermos uma conversinha. – Arrancou o livro das mãos de Shura e jogou-o longe, recebendo um olhar mortal em troca.
- Não temos nada para conversar.
- Talvez você não tenha, mas eu tenho.
Vendo o loiro inclinar para frente, Shura estendeu as mãos para as muletas, e Aiolos as jogou na mesma direção do livro.
- Você não é covarde, Shura, então pare de agir como se fosse e não faça beicinho. – aiolos falou com uma expressão séria na face.
- Eu não estou fazendo beicinho, eu estou... estou...
- Aborrecido! – concluiu.
- É, aborrecido! Você percebe...
- Por que nosso comportamento de hoje infringiu as regras profissionais? – o cortou novamente, o olhando divertido.
- Isso mesmo. E não é só isso...
- Você se sente mal por me desejar quando ama tanto Tales? – o loiro ergueu uma sobrancelha.
- Fico feliz que entenda, Aiolos. – Shura deu um suspiro longo e cansado. – Sinto-me péssimo em relação a tudo. Estou mais furioso comigo mesmo do que com você e...
- Não devia estar. – disse, com firmeza. – Eu assumo toda a responsabilidade pela situação e espero que aceite minhas desculpas por aborrecê-lo.
- É muito nobre de sua parte, Aiolos. Mas a verdade é que tenho uma parcela igual de culpa.
Culpa. Aiolos não gostava daquela palavra aplicada a algo tão maravilhoso quanto o beijo que haviam trocado. Discutiria sobre isso mais tarde. Agora, sua missão era fazer as pazes, depois o jantar.Depois um brinde... ou dez... quantos fossem necessários para a vitória definitiva.
- O que aconteceu, aconteceu, Shura. – Segurou com força as mãos crispadas do analista. – Não somos monstros só porque nos beijamos e dissemos algumas coisas que talvez fosse melhor não termos dito. O importante é que você compreenda que eu jamais diria ou faria algo para prejudicar a sua reputação profissional ou a sua felicidade pessoal.
Dessa vez Shura, retribuiu o sorriso. – Sei disso. E fico grato pela sua discrição.
- Eu também. – sorrindo. – amigos?
- Amigos – Apertaram-se as mãos. Pegando a rosa de cima da sacola, Aiolos estendeu a Shura.
- Trouxe uma oferta de paz...
- Obrigado, Aiolos. – pegou a flor.
- Como vou saber que não vai jogá-la fora assim que eu sair?
Shura riu. – Ponha-a na água, fora do meu alcance, antes de sair. Ou então aceite a minha palavra de que a levarei para o trabalho amanhã e a colocarei sobre a escrivaninha.
Aiolos sacudiu a cabeça em reprovação. – O médico falou três dias com o pé para cima, não um.
- Os pacientes dependem de mim. Não posso cancelas as consultas. – suspirou.
- Claro que pode. Existem momentos em que é preciso cuidar de si mesmo para poder ajudar daqueles que dependem de você. Precisa ter fé de que o mundo não vai acabar por causa disso.
Talvez tivesse sido a palavra "fé" ou a firmeza do conselho. Depois de encarar o loiro por alguns instantes, Shura sorriu. – Sabe, às vezes você me lembra uma pessoa.
- Tales?
- Por incrível que pareça. – sorria ainda.
- Algo me diz que Tales não apenas o aconselharia a não ir trabalhar como também abriria mão de seus compromissos para ajudá-lo. Posso abrir mão da minha última consulta.
- É uma grande amabilidade sua. Mas não posso aceitar. – Suspirou, fitando o loiro.
- Por que acha que ainda preciso do seu aconselhamento? – o olhou agora curioso.
- Ah, não! É que sempre faço uma sessão final para garantir que tudo está nos lugares certos. Além disso, sempre é bom comemorar um trabalho bem feito.
- Que tal comemorarmos agora mesmo, Shura?
- Depende. O que tem em mente? – o espanhol olhou o loiro com curiosidade, estreitando os olhos um tanto desconfiado.
Aiolos levou a mão à sacola e retirou a garrafa.
- Aqui está! Não é Dom Pérrignon, mas dá par ao gasto. – riu.
- Champanhe! – o analista espantou-se um tanto. – Adoro champanhe. O problema é que ela vai direto para a minha cabeça. Com dois goles, fico zonzo. Uma taça e fico que nem uma barata tonta. – Shura sempre teve problemas com álcool.
- E duas taças? – Aiolos alfinetou.
- Não sei. Nunca me permiti ir tão longe.
Aiolos daria um jeito. Apesar dos estímulos de Tales, Shura ainda era um bom rapaz. Mas, naquela noite, o loiro conduziria o analista ao mau caminho. – Se é assim, é melhor fazermos um brinde de estômago forrado. Que tal celebrarmos depois que eu preparar o jantar?
Sem esperar a resposta, Aiolos pegou a sacola e foi para a cozinha.
Continua...
OMG! Devo confessar-lhes que ando com medo do que o Aiolia possa fazer com o Shura só para conseguir o que quer! Espero que estejam gostando e amanhã é provável que tenha atualização uhuhuhu!
Agradecimentos à: P-Shurete, Chibi Psique, Youko Estressada, Lua, Dragonesa, Virgo no Áries, Akane Kyo, mfm2885, Maggie Briefs, Prajna Alaya e minha querida beta Akane M.A.S.T.
Beijos a todos que estão curtindo o fic e não se esqueçam: Dedinhos Felizes Digitam Mais Rápido -
