Proposta Irresistível

Por Mukuroo

Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.

XXIII

- Seu canalha... – O tom gelado foi cedendo lugar à fúria. – Seu mentiroso, patife, canalha manipulador. – Shura grunhiu em resposta ao que acabara de ouvir.

Antes que Aiolos pudesse concordar com cada adjetivo, Shura o esbofeteou com força, virando-lhe a cabeça para um lado. Aí, antes que pudesse dizer "tudo bem, eu mereço", sua cabeça foi lançada para o outro lado com um outro tapa. Isso ele não merecia. Querendo obrigar o analista a ouvir, Aiolos segurou-lhe os pulsos, amarrou-os com o lenço e levantou-os acima da cabeça.

- Solte-me! – gritou Shura, lutando de tal forma que Aiolos se esforçou ainda mais para mantê-lo preso. Aquela posição forçava-o cada vez mais para dentro dele, o que ofazia contorcer-se. – Saia de cima de mim! Saia de dentro de mim! E vá embora

- Depois de se acalmar e ouvir o que tenho a dizer. Até então, não tenho nenhuma intenção de me retirar... De lugar algum. – Empurrou-lhe de leve os quadris, para mostrar que falava sério.

De repente, o rosto de Aiolos, que ardia, foi resfriado por um jato de umidade. Aiolos percebeu, atônito, que Shura lhe cuspira. Enxugou-se com a mão livre e em seguida usou-a para tapar-lhe a boca.

- Não devia ter feito isso. Agora me deixou mesmo irritado. Eu queria conversar, esclarecer os motivos dos meus atos. Infelizmente, você não está disposto a me escutar. – Sacudiu a cabeça, zangado. – Tem sido um garoto muito malvado, Shura. Ou deveria dizer... Excalibur? Não importa. Mesmo Tales, com toda a sua paciência e amabilidade, tem seus limites. Na verdade, ele pode ser bem parecido comigo quando seu homem transa com outro. Eu tive a minha chance com você, querido... Agora Tales quer a sua.

Pobre Shura, pensou o loiro, comprimindo-se contra ele. Não teria a menor chance contra um amante como Aiolos, que sabia fazer coisas melhores com a mão do que tapar-lhe a boca. Não parou o que fazia, voltando a se mover dentro dele. Os movimentos eram firmes, ritmados e estavam se tornando frenéticos. Só o que se podia ouvir naquele quarto eram os gemidos e o barulho dos quadris de Aiolos se chocando contra as nádegas de Shura. Só o que se podia sentir ali era o prazer do momento, o cheiro de sexo que impregnava o ar, que invadiam os sentidos dos dois.

Shura soltou as costas do outro e agarrou-se ao lençol da cama, arqueando o corpo quando jogou sua cabeça para trás. Cada vez que Aiolos tocava aquele pontinho dentro de si, sentia um choque elétrico subir por sua coluna. E aquela mão... Podia sentir a covardia daqueles cinco dedos sobre seu membro desesperado por alívio.

Aiolos não parou até que os gritos de "pare, seu canalha!" se transformassem em súplicas de "Aiolos... Tales... não pare...". Não parou. Tudo o que sentia por Shura, seu amor infinito, o desejo cru que ele lhe despertava, eram expressos pelas suaves penetrações, pelas arremetidas arquejantes. Só quando Shura alcançou o orgasmo, o loiro beijou-lhe a boca. Só quando chegou ao êxtase, Aiolos beijou o outro inteirinho... Até que conseguisse outra vez. E de novo. E de novo.

Foi sua doce vingança. Horas depois, levou-o, quase inerte para o sofá. O único protesto que Shura conseguiu esboçar quando Aiolos o largou foi erguer o braço de leve, deixando-o tombar logo a seguir. Sem forças para mais nada, ficou observando-o subir as escadas e retornar, vestido, com uma expressão determinada e implacável. Aiolos jogou a chave da casa sobre a mesinha. Era uma árdua renúncia. No entanto, sabia o que queria.

- Não vou ficar com isso até você estar pronto a compartilhar uma casa comigo. Embora eu possa ser um mentiroso, patife e canalha manipulador, estou disposto a lhe dar meu coração para sempre. Já é seu, você sabe. Tudo o que tem de fazer é aceitá-lo. – Pegou o telefone e colocou-o ao alcance de Shura. – Você tem meu número. O que quero é casamento, e senão me disser "sim" agora, vou embora... Pode ter-me de volta com uma carta ou um telefonema, mas estou mais do que disposto a poupar-lhe a necessidade de discar. O que diz?

A resposta de Shura foi sacudir a cabeça e indicar-lhe a porta. – Acho que é melhor você ir. Tenho de pensar e, quando estou com você, não consigo.

- Não pense demais. – Beijou-o na testa e forçou-se a seguir na direção da porta. Lá, se voltou. – Você é o único que amei na minha vida. Eu te amo e te desejo com loucura. Prepare-se. Hoje foi só o começo. A partir de amanhã... Bem, dê uma olhada na sua caixa postal eletrônica.

- Amanhã – repetiu Shura enquanto a porta se fechava atrás dele. Quis correr até Aiolos, mas, mesmo que o tornozelo não o impedisse, sabia que não teria forças. Shura se importava com o mundo, consigo mesmo. E com o estranho que transformara sua vida tão previsível no caos absoluto.

Precisava de um descanso agora. Uma noite de sono ajudaria a clarear as idéias. No dia seguinte, acordaria sendo Shura Capricorn. Excalibur seria apenas um desejo que ele jamais correria o risco de realizar. E Tales... Aiolos? Tudo o que podia fazer era rezar para que despertasse com o bom senso de fingir que nenhum dos dois jamais existira.

Shura acordou sem saber qual era a pior dor, a da cabeça, do coração ou o latejar entre as nádegas, que lhe assegurava que não havia sido um amante fantasma o que lhe invadira os sonhos para fazer amor.

O toque estridente do telefone bem acida de sua cabeça só veio a piorar ainda mais a situação. Agarrando o fone, murmurou, meio zonzo: – Sim? Alô?

- Desculpe-me Shura, não reconheci sua voz. É você... Não é? – foi o que o outro ouviu vindo do outro lado. Astérion! Devia estar no consultório. Que horas seriam? Grunhiu ao ver que passava das dez.

- Astérion, sinto muito, eu... Torci o tornozelo este fim de semana e estou acamado. Ia ligar para você de manhã cedo, mas o analgésico que me deixou apagado. – Analgésico? Que tal champanhe e um amante incrível?

- Sinto muito, Shura. Há algo que eu possa fazer além de cancelar as consultas de hoje? – O certo seria dizer "de jeito nenhum" e ir trabalhar, nem que fosse numa ambulância. Mas Aiolos acertara num ponto: Shura precisava cuidar de si mesmo, e isso não se restringia ao tornozelo.

- Transfira todas as minhas consultas de hoje para quinta-feira. Vou estar fora pelos próximos três dias. – Um dia de folga extra. Ele o merecia. E precisava, graças a Aiolos. Lembrando-se do oferecimento dele, acrescentou: – Pode colocar outro paciente no lugar do sr. Sagitalius esta semana.

- Ah, ele ligou para você também?

Shura sentou-se e conteve um grunhido. – Sim. Ligou. Ele ligou para o consultório?

- De manhã cedo. Mas, como telefonou para você também, deve ter lhe transmitido o recado.

Cheio de apreensão e expectativa, Shura disse, com cautela: – Não estou certo. O que ele falou?

- Escrevi em algum lugar... Aqui está! Diz que agradece por tudo e que vai lhe mandar algo de natureza pessoal para que reflita antes de sua sessão de revisão final. É isso.

O que estaria enviando? Uma bomba numa caixa de sorvete, para explodir o que restara do espanhol? Bolas! Fazendo-o de bobo, despertando-lhe todo o tipo de ciúme e de culpa e manipulando-o como uma marionete...

- Shura? Ainda está aí?

- Estou. Obrigado por tratar de tudo na minha ausência, Astérion. – suspirou.

- Por nada. Você precisa de uma folga. – Após desejar-lhe melhoras, Astérion desligou. Shura recostou-se no travesseiro e ficou lamentando a sua sorte. Tinha esse direito, assim como o de odiar Aiolos Sagitalius a ponto de pensar em fazer um vodu para ele...

Uma brusca batida à porta interrompeu-lhe os devaneios de vingança. Shura prestou atenção para ver se escutava um ruído. Vozes. Várias vozes. O passeio! Ia ser consertado naquele dia e seu carro não deveria estar estacionado ali. E pareceu-lhe também ter ouvido Aiolos. Shura tirou o cobertor e descobriu que estava nu. Onde deixara o roupão? Lá em cima, no quarto, junto com as roupas...

- Droga!

Improvisou uma toga com o cobertor e agarrou as muletas. Ele o esbofeteara. A lembrança lhe veio na metade do caminho. Shura Capricorn havia esbofeteado alguém. E cuspira-lhe no rosto. Devia-lhe um pedido de desculpas. Só que isso significava que teria de engolir o orgulho.

Com um nó na garganta, Shura continuou seu caminho. Se fosse Aiolos, iria desculpar-se de imediato e fecharia a porta antes que ele entrasse. Chegando à porta, respirou fundo e abriu.

Dois homens e uma mulher saudaram-no com uma encomenda. "Ainda essa", pensou Shura, "o que será?". Enquanto assinava o recibo, esperando que entregassem logo o pacote, ouviu alguém pigarrear de modo sugestivo. Ergueu o olhar.

Deu de cara com duas imensas caixas de papelão, que deviam ser pesadas, pois cada homem segurava uma. Ambos largaram sua carga e se entreolharam. A mulher lhe perguntou onde o analista queria as flores. Rosas, todas vermelhas. Cerca de cinco dúzias em dois vasos imensos e decorados.

- Na biblioteca, sobre a escrivaninha. – indicou Shura, sem coragem de mandar devolvê-las à pessoa que as enviara.

Tentou manter a cabeça erguida enquanto contava os minutos para eles se retirarem. Então iria atirar-se na poltrona, enterrar o rosto ruborizado nas mãos e lamentar-se de sua mágoa.

Agarrando-se a essa idéia, conteve o gemido quando lhe foi entregue outro pacote. Ou melhor, várias caixas com belos embrulhos da loja de roupas mais luxuosa da cidade. Agradeceu-lhes com toda a polidez que conseguiu afetar e, por fim, todos se foram.

Continua...

Oi pessoal! É com muito pesar que venho informar a vocês que estes são os três últimos capítulos do fic. É verdade que eu não atualizei ontem, mas eu queria realmente postar eles todos juntos. Mais um fic terminado. É um alívio ao mesmo tempo em que é triste. Eu espero sinceramente que todos os leitores curtam esse finalzinho da "novela". Beijos a todos!