Proposta Irresistível

Por Mukuroo

Obs: Saint Seiya não me pertence! Os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades originais.

XXIV

Depois de contemplar as belas embalagens por uma hora, dizendo a si mesmo que não cederia à curiosidade, Shura abriu-as. No primeiro pacote, havia uma calça preta de couro daquelas bem justas e saint – tropez. Uma coleirinha também preta com uma corrente nela. Comportada? Não com os dois buracos atrás que deixava o traseiro do lado de fora. Oh, sim. Aiolos queria matá-lo, pervertê-lo ou o quê?

Abriu os outros pacotes e encontrou cada roupa pior que a outra, fora as cuecas sugestivas. Nenhuma palavra, só rosas. E duas caixas de champanhe francês.

Horas depois, ainda escutava Aiolos rindo de sua própria esperteza enquanto o espanhol cerrava os dentes de raiva para não xingá-lo mais uma vez. Não grunhiu nem mesmo sobre a carta que pegara em sua caixa portal e que imprimira antes de ler, depois de jurar que preferia quebrar o computador a cumprir as instruções que ele lhe dera antes de sair.

Olhou para a carta que, a princípio, amassara e depois, num momento de fraqueza, abrira de novo. Iria sujeitar-se uma vez mais às torturas impostas por Aiolos? Já não tivera o bastante? Achando que era masoquista, Shura pegou a mensagem, dizendo a si mesmo que a queimaria assim que terminasse de lê-la.

"Não sou do tipo de homem que pede desculpas quando não está arrependido. Por isso não lhe peço desculpas pela noite passada. Adorei cada minuto, o modo como você se realizou em meus braços, como gritava meu nome a cada vez que chegava ao êxtase... Adorei a briga, a sinceridade da sua raiva e as conseqüências da minha.

Sou um homem honesto. E, com sinceridade, se tivesse de fazer tudo de novo, não alteraria quase nada. Só me arrependo de tê-lo deixado pensar que Tales, derivado de SagiTALIUS, aliás, fosse imune às fraquezas humanas. Isso é um santo, não um homem. Eu sou um homem, Shura. Tenho defeitos, mas conto com algumas virtudes compensadoras. A paciência, porém, não é uma delas.

Não fique muito tempo chorando suas mágoas. Sei que elas existem e que sou o responsável. É natural que deseje me punir por isso. Então... Vá em frente! Vingue-se, casando-se comigo. Afinal, existe vingança mais doce do que passar o resto da vida me infernizando?

Até breve, querido.

P.S.: Embora eu saiba que você adora champanhe, importa-se de guardar uma? Para a nossa noite de núpcias, é claro"

Na manhã de quinta-feira, Shura ainda não havia queimado a carta. Todos os dias, Aiolos lhe enviava flores, presentes... "Por que não devolvo tudo?", perguntou–se Shura, irritado consigo mesmo quase tanto quando com Aiolos.

Foi com grande alegria que partiu para o trabalho, achando que lhe seria um grande alívio. Depois de quatro dias enclausurado, chegou a apreciar o trânsito matinal. Não era uma bela paisagem, mas até os cartazes pareciam saudar sua libertação.

Olhando para o lado, notou que um outdoor havia sido alterado na sua ausência. Então notou que...

- O que?

Quando pisou no freio, uma buzina ressoou atrás dele, seguida pelo som de pneus cantando. Embora o tráfego à frente se movesse e as buzinas atrás fossem aumentando de volume, o espanhol continuou a fitar o cartaz, que dizia: "Carta ao meus amor..."

- Ei moço! Estou atrasado para o trabalho. Se não estiver tendo um ataque cardíaco, pise no acelerador!

Shura achou que devia estar tendo um ataque cardíaco, mas pisou no acelerador mesmo assim. Não viu mais nenhum sinal de trânsito, nem mais nada pela frente, só pensando que as reticências queriam dizer que a carta continuaria.

Por milagre, conseguiu chegar ao consultório sem sofrer um acidente. Disse a Astérion que não queria atender ninguém. Não se sentia capaz de aconselhar ou mesmo de escutar um paciente.

Saiu para trabalhar no dia seguinte, prometendo a si mesmo não parar para olhar o outdoor. Sem conseguir evitar de olhar, Shura foi saudado pela mensagem: "Eu te amo loucamente..."

Chegou ao trabalho com apenas uma idéia clara: Aiolos o estava deixando louco. Shura precisava de um analista.

Aquele fim de semana foi calmo. Nada de presentes, cartas, nenhuma mensagem no dia do seu encontro on-line... A que Shura compareceu querendo repreendê-lo, mas Tales não estava ali. Afinal, não recebia flores desde quarta-feira, e as rosas que Aiolos enviara na segunda estavam morrendo.

Shura estava morrendo. Pouco a pouco. Fazia quase uma semana que não o via. Sentia uma saudade cruel, só acalmada ao passar diante dos outdoors. Passou vinte e quatro vezes por eles naquele fim de semana...

Chegou a segunda-feira. Shura se preparou para ler a terceira mensagem a caminho do trabalho.

"Carta ao meu amor...

Eu te amo loucamente...

Você é sensual demais..."

Na terça-feira, saiu para trabalhar uma hora mais cedo, certo de que haveria outra mensagem esperando. Não havia. Será que os coladores estavam em greve? Ou Aiolos achara que aquilo devia bastar?

Na manhã de quarta-feira, saiu só meia hora mais cedo.

Nada ainda.

Mas às oito e meia da manhã de quinta, Shura se plantou no canteiro central da rua só para ver a mensagem número quatro terminar de ser afixada. Quanto Aiolos estaria gastando para manter aqueles homens trabalhando à noite? Não importava.

"Sofro tanto sem você..."

Não fosse pelas reticências prometendo ao menos mais uma mensagem, Shura, agora livre das muletas, iria direto para a casa de Aiolos, exigiria um pedido de desculpas e uma promessa que ele jamais o magoaria de novo.

Compreendera que o amor permanecia, mesmo que a confiança houvesse sido abalada. Abalada, mas não quebrada. A vida com Aiolos não seria nenhum mar de rosas. Ele fizera com que os espinhos de Shura saltassem para fora. Havia mesmo um garoto malvado dentro de Shura, afinal. Malvado o bastante para gostar de um homem perverso...

Conhecendo-o bem demais, Shura não ficou muito surpreso, na sexta-feira, com o outdoor número cinco, que provocara um verdadeiro engarrafamento. Ótimo para Shura, que teve bons dez minutos para saborear a última linha.

"Case-se comigo, Shura".

Embora já estivesse pronto para aceitar, as letras menores embaixo do cartaz selaram a vitória de Aiolos:

"Tudo bem, eu peço desculpas e também POR FAVOR. Agora vai dizer SIM e jogar o buquê para qualquer um menos pra mim?"

O fato de não haver mais reticências queria dizer quer não haveria mais anúncios. Para Shura estava bom. Acabou voltando para casa. Não precisava pensar na proposta de Aiolos, já estava decidido. Ligou para Astérion avisando que só iria para as consultas da tarde porque naquele momento ele precisava fazer as malas e ajeitar as garrafas de champanhe para a sua lua-de-mel.

Continua...

PS: A idéia da roupa do calça saint tropez com buraco atrás foi da Virgo no Áries! A pervertida que teve a idéia foi ELA e não eu. Se querem matar alguém por isso, matem-na! Estou tirando o meu da reta neste momento.

Mudando de assunto... Então? Estão curtindo? Preparados para o fim?Espero que sim porque eu quase chorei escrevendo o finalzinho. TT Beijos à todos!!