CAP . 4- Queria muito te ver.

Os dias passaram rápido, mas pra ela qualquer segundo era muito. O grande dia chegara. Yoh partiria sem equipamentos ao cume do monte Qomolangma. Faltavam quinze dias até o casamento. Era esse o prazo para voltar.

-Yoh, você tem certeza que está pronto?

-To, Mikihisa. Só mais uma coisa. Como chegaremos até lá?

-Isso é o mais simples! De helicóptero. Mas antes nós iremos até o templo pra você fazer suas despedidas.

-Quem vai estar lá?

-A sua mãe, alguns dos seus amigos, os aprendizes...

-E a Anna?

-Vai. Aliás, mais ou menos. Ela vai, mas estará encapuzada e com uma mascara. Você não verá nada alem das mãos e pés e só poderá conversar acompanhado.

-Já basta pra mim! Quanto à prova, eu terei que escalar com as mãos?

-Não! Hahaha! Você não é um shugenja. Você usará o Over Soul para subir. Mas como, aí já é problema seu.

-Se é assim, eu o Amidamaru resolvemos.

-Então vamos logo que já devem estar esperando.

E como estavam esperando. Todos em fila, olhando para a orla da floresta, procurando qualquer sinal de aproximação.

Todos vieram. Poderia ser a última vez que veriam Yoh vivo. Ren, Jun, Pailong Horo-horo, Pirica, Fausto, Elisa, Chocolove, Ryu e sua gangue, Lyserg, Marco e Jeanne.

-Porque essa demora? Estou ficando preocupado com o patrão.

-Cala-boca Ryu, esse metido só está querendo aparecer.

-Calma, crianças – Disse keiko com um tom ameaçador, olhando diretamente para Tao Ren, fazendo com que todos se calassem – Eles devem estar tendo a "última conversa", ou talvez o Yoh tenha apenas acordado tarde.

Shugenja: Praticantes da doutrina Shugendô, doutrina sincrética japonesa que mistura elementos do budismo, xintoísmo e filosofias chinesas.

Algumas aves levantaram vôo e as árvores se mexeram. Yoh e Mikihisa haviam chegado.

-Desculpem a demora, eu e o Yoh estávamos apenas conversando.

-É... Pelo que o Mikihisa me contou, não vai ser tão difícil assim.

Depois das despedidas feitas, Mikihisa, pediu a palavra e começou a falar.

-Yoh! Você quer mesmo continuar?

-Quero.

-Certo. Então explicarei as regras aos presentes. Você será levado até a base do Qomolangma e subirá até o cume usando seu Over Soul. Isso deve ser feito até o dia do seu casamento. Levará apenas algumas ervas para se alimentar. Não carregará nenhum liquido. Entendeu?

-Já acabou?

-Já. Partiremos assim que o helicóptero chegar.

-Aquele ali?

Todos olharam para o céu.

-É. Aquele mesmo. Yoh, meu filho, eu sei que essa prova é muito difícil e que você pode não voltar. Por isso, você vai se despedir da sua noiva, mas não pode vê-la.

De dentro do templo, saiu um vulto negro. Era Anna, que sentia o impulso de correr e abraçar o noivo. Mas respirou fundo e não o fez. Yoh chegou perto dela acompanhado de três aprendizes.

-Anna, eu sei que eu não posso, mas eu queria muito te ver. Eu sei que eu posso não voltar, por isso quero que você guarde isso com você – Disse tirando o cordão com o amuleto do pescoço – Prometa que vai guardá-lo.

-Yoh, eu...

-Shhh! Se você disser alguma coisa não sei se teria coragem de ir. - Ele a abraçou desesperadamente e pensou ouvi-la chorar. – Adeus, Anna. Até a volta.

Ele se virou e caminhou devagar até o heliponto. Enquanto alçavam vôo, olhou para trás e gritou:

-Anna! Guarde bem meu amuleto! Eu vou voltar para pegar ele de volta!Esteja bem bonita no nosso casamento!

-YYYYYYOOOOOHHHHHH!!! - Ela caiu de joelhos no chão, chorando muito e fazendo com que todos a olhassem.

-PRA TUDO HÁ UM JEITO!!!

Algumas horas depois, já no local da prova, Yoh olhava admirado pra a grandeza do monte:

-Mikihisa, Como vocês vão saber quando eu terminar?

-Quando você chegar em casa.

-Como vocês vão vir me buscar então?

-Ah! Eu esqueci de avisar! Você vai ter que voltar sozinho.

-Mas como?

-Ora! Use seu Over Soul. Depois da prova, você vai ver que vai ser fácil!

Já fazia dois dias que a prova começara. Yoh, concentrava sua força para subir o máximo possível durante o dia e de noite descansava para terminar o desafio e encontrar Anna.

-Amidamaru, achou alguma coisa?

-Não dá pra cortar caminho. Pra esquerda tem um desfiladeiro e a direita o cominho é muito rochoso.

-Tudo bem. Desde que eu chegue no topo, já dá. Cansado ou não.

-Eu sou um espírito muito fraco. Se eu fosse mais forte...

-Estaríamos aqui do mesmo jeito. Agora descanse, amanhã quero subir mais alguns quilômetros.

"Frio... Estou quase congelando. O Amidamaru é muito pessimista. Mas de um jeito ou de outro eu vou voltar, pela Anna, eu juro que vou voltar."