- Capítulo Quatro -

N/A: Qualquer baboseira que eu tenha escrito aqui sobre código binário e tecnologia avançada é pura invenção. Eu não sei absolutamente nada sobre isso, portanto, vão disfarçando aí e finjam que acharam minhas besteiras tecnológicas maravilhosas, okay? Se por acaso coincide com a realidade alguma coisa, melhor ainda... Fiquem muito felizes! XD

Beijos!

- Escute, Terrae, você por acaso lembra de algo de minha conversa com o Muttou no sábado? – perguntou Seto, antes de iniciar a explicação.

Uma das coisas de que May podia se gabar, mesmo que não o fizesse, era de sua ótima memória. Para ser mais exata, memória fotográfica. Lembrava muito bem das coisas quando queria.

- Sim, senhor. – respondeu, olhando Mokuba que estava entretido com o baralho de Seto, enquanto ele e Yugi esperavam o sinal para começar o duelo. Não gostava do olhar de Kaiba, não mesmo. Não conseguia decifra-lo. O homem parecia querer dominar sua mente e encontrar todos os seus segredos. E ela não gostava nada daquilo.

- Então tudo será mais interessante. – ele comentou, com um sorriso maquiavélico. – O que você está vendo à sua frente é o mais novo projeto da Kaiba Corp. Uma arena de tecnologia tão avançada que ainda não pode ser lançada no mercado, sem antes precisar de algumas adaptações. Eu gosto de ter o controle do mercado, mas não ter concorrência alguma seria muito chato. – ele sorriu maliciosamente, mesmo que ela não estivesse olhando.

Prepotente. Esse foi o adjetivo que ela ligou a ele naquele momento. Mas, bem, ele tinha motivos para ser assim, não podia negar. Com um império daqueles, provavelmente até ela deixaria a grandeza subir-lhe à cabeça...

- Eu poderia pedir aos cientistas que a construíram para fazerem as devidas adaptações, mas não é isso que quero. Eles já estão perto de se aposentar, e eu quero que os responsáveis pela Arena Alpha ainda possam trabalhar nela por muito tempo. Ou seja, estou contratando uma nova equipe de técnicos em computação, holografia, vídeos, e tudo o que for necessário. Quero verdadeiros gênios, e gênios que ainda possam trabalhar pra mim por muito tempo.

Ela voltou a encara-lo e franziu o cenho, confusa.

- Ainda não entendi aonde quer chegar, senhor.

Ele sorriu, com um ar superior.

- Continuando, como eu disse, quero pessoas que possam trabalhar por muitos anos. Então, nada melhor do que os "novos" gênios, os adolescentes superdotados do Japão. Poderão trabalhar por muito tempo e terão um bom emprego garantido para o resto de sua carreira. Andei conversando com os diretores do CISJ, o colégio onde Mokuba estuda, e eles me indicaram várias pessoas. Minha equipe será formada por cinco jovens, dos quais quatro já estão devidamente contratados. Falta apenas uma pessoa para integrar a equipe.

- Então, o teste de que Mokuba falou era um teste para integrar esta equipe? – perguntou ela, parecendo finalmente compreender aonde ele queria chegar.

- Exato. Normalmente eu peço aos que vão fazer o teste para assinarem um termo de sigilo sobre tudo o que eu lhes conto sobre a Arena Alpha, antes de mostrá-la, mas você me pegou de surpresa.

Ela arregalou os olhos, mas logo recuperou a compostura.

- Escute, tudo foi um engano... Eu só estou aqui pra fugir da chuva. – disse ela, ruborizando. – Mokuba interpretou erroneamente alguma coisa que eu possa ter dito.

Seto sorriu, agora sem malícia. A garota não podia vê-lo, pois estava de cabeça baixa, envergonhada. Ela o divertia. Ele estava se segurando para não rir dela toda vez que ela ruborizava. "Patética!", adjetivou-a imediatamente. Mas uma patética muito interessante...

- Bem, mesmo sendo um engano, você caiu como uma luva na situação. – continuou ele, freando os pensamentos particulares que lhe haviam ocorrido. – Eu tinha marcado mais uma entrevista para hoje, mas o rapaz que vinha ligou há poucas horas cancelando. Acho que foi por isso que Mokuba pensou que você estava aqui para um teste. Ele devia achar que eu estava esperando você.

- Então foi isso? – ela resmungou, como se aquilo soasse patético. – Maldita boca, a minha, por não ter dito que estava só me abrigando da chuva.

- Esqueça isso. Se o que Mokuba me disse for verdade, eu quero que você faça um teste.

- O quê? – ela surpreendeu-se. – Do que está falando?

- Não me lembro de ter visto seu nome entre os nomes indicados, senhorita Terrae, mas se você mesma decidiu não concorrer em nada, então está explicado. Os diretores do colégio não a indicariam sem seu consentimento.

May fechou os olhos, pensativa. Lembrava-se de um dos diretores ter falado com ela já há algum tempo, sobre oportunidades, e que ela negara querer qualquer coisa que não estudar, agora. Abriu os olhos e o encarou.

- Sim, foi isso mesmo. Agora lembrei que me falaram algo sobre uma grande oportunidade para o meu futuro.

- Então você deve ser boa mesmo. – Kaiba sorriu maliciosamente, deixando-a desconcertada. – Então, já que você ouviu a conversa toda e está aqui... Não gostaria de fazer o teste?

Ela o fitou, caindo em pensamentos. De longe, Yugi e Mokuba observavam a interação entre os dois. Kaiba, como sempre, em sua pose de "o" empresário de negócios. May, pensativa, parecendo realmente em dúvida sobre qualquer coisa que ele tivesse dito.

- Escute, senhor Kaiba... – ela deixou os braços caírem ao lado do corpo, suspirando fundo. – Se o problema é o sigilo, não se preocupe, eu não falaria nada. E assino qualquer coisa, se for necessário.

- Não é uma questão apenas do sigilo, Terrae. – ele ficou sério, perdendo aquela pose de maioral. Ainda assim, ela preferia o outro Kaiba. Aquele novo Kaiba, sério, dava mais medo ainda. – É óbvio que você não sai daqui hoje sem assinar um compromisso de sigilo, mas também gostaria que fizesse o teste. Apenas faça, sem nenhum compromisso maior, pelo menos por enquanto. Quero os melhores na minha equipe, e se Mokuba diz que você é realmente boa em holografia, eu confio. A maioria dos que já compõem esta equipe foram indicados por Mokuba. Ele tem um bom faro para talentos. – ele sorriu, como se o mérito fosse dele, ela o achou mais prepotente ainda.

- Desculpe, mas eu não estou interessada. – ela respondeu.

- Apenas faça um teste. Não gostaria de se testar? Adianto que muitos, muitos mesmo, dos que vieram fazer o teste não conseguiram grande coisa. Não gostaria de saber se é tão boa quanto dizem que você é?

Ela baixou a cabeça, novamente pensativa. Apesar de muito modesta, ainda tinha um ego. E Kaiba sabia incitar seu ego como ninguém.

- Está bem, senhor Kaiba. Mas não assumo nenhum compromisso além disso, está bem?

- Ótimo. Vamos começar, então. – ele apertou um botão abaixo da janela, e a parede se moveu para dentro, dando lugar a uma grande coluna horizontal de computadores. Kaiba os ligou, e a Arena Alpha foi iluminada por várias luzes. – Esses computadores mostram todas as leituras da Arena Alpha. Pode consulta-los. – disse ele. – Muttou e Mokuba vão duelar. Quero que descubra a falha holográfica do sistema. Está pronta?

Ela respirou fundo três vezes, antes de limpar os óculos com a camiseta e responder, recolocando-os.

- Sim, senhor.

Kaiba pegou um microfone que estava em cima de um dos computadores.

- Yugi, Mokuba, podem começar. – concedeu ele, apertando outros botões, e logo todo o sistema da Arena foi ativado.

- Certo! – Yugi e Mokuba falaram juntos, e puderam ser ouvidos pelos alto-falantes espalhados naquela saleta.

Assim que as holografias de cartas começaram a aparecer no gigantesco tabuleiro, May se viu presa pelo fascínio. Aquelas holografias eram muito boas mesmo! Nunca vira nada tão... tão real! Respirou fundo e semicerrou os olhos, procurando captar as falhas visuais do programa que rodava a Arena Alpha.

Kaiba não observava o duelo. Em outra situação, teria achado interessante ver seu maior rival e seu irmão duelando, mas naquele momento seus olhos estavam presos na garota a seu lado, que parecia estar em um mundo próprio. O brilho dos olhos âmbar denotava perspicácia, coisa que ele respeitava em outra pessoa. Inocente, sim. Idiota, não.

Seu olhar foi descendo pelas curvas do corpo jovem. Céus, para uma nerd inocente que vive presa naquele colégio interno horroroso, ela era muito atraente. Tinha quadris redondos e largos, a cintura deliciosamente tentadora, seios não muito grandes e redondos, a pele de um tom bronzeado que ele não via muito pelo país. Com certeza era estrangeira. Se tinha aquela coloração naturalmente ou se tinha que fazer algo para mantê-la, ele não sabia. Só sabia que ela tinha curvas deliciosas.

E isso porque ainda não havia se desenvolvido totalmente. Mais dois anos, e já poderia considera-la um pecado personificado. E com o amadurecimento que viria depois... A coisa só tendia a melhorar. Alguma coisa na combinação de corpo e personalidade o atraíra bastante. Não sabia como uma garota daquela podia ser tão inocente, quando era tão tentadora... Só não se comparava a uma virgem recalcada porque estas geralmente são muito feias. Ela era uma pecadora, isso sim!

Ele adoraria deitar aquele corpo em sua cama e possuí-lo, mas, se ela fosse mesmo contratada, ele não poderia nem pensar naquilo. Sua política de trabalho era bem "careta": nada de envolvimento emocional com os empregados. No máximo um convite para uma festa, dependendo da posição, e uma falsa amizade, mas relações sexuais estavam fora de cogitação. Principalmente com uma virgem! Ela era linda, mas provavelmente cheia de pudores.

Ele gostava de mulheres atrevidas, sexys, não de adolescentes com pudores. Mulheres, não adolescentes, repetiu para si mesmo, embora aquilo não inibisse o desejo que sentia pela garota. Naquela calça folgada que caía o tempo todo e na camiseta justa que delineava perfeitamente os seios, era impossível ficar indiferente.

Um sorriso malicioso brincou em seus lábios quando um pensamento lhe cruzou a mente. Nada de relações com ela, mas o que o impedia de seduzi-la? Só para vê-la ruborizada, chamando seu nome... Quem sabe? Talvez, se ela continuasse a perturba-lo como estava perturbando, ele realmente fizesse isso. Era um modo de castiga-la por faze-lo reagir daquela maneira. Mas provavelmente ela estaria com aquelas blusas folgadas e moletons que provavelmente adorava usar. A situação presente era apenas um infortúnio para ela, e uma tortura para ele.

Ele a viu observando alguma coisa nos monitores, o brilho dos olhos indicando que sua mente funcionava a todo vapor. Ela seria mesmo tão boa em holografia como dizia Mokuba? Ele queria os melhores em seu time. E, se ela era a melhor, ele daria um jeito de faze-la aceitar trabalhar para ele.

Seus pensamentos foram cortados quando a moreninha virou-se para ele.

- Acho que encontrei a falha. – disse ela, ainda meio em dúvida.

- Quer arriscar? – perguntou ele, com um sorriso provocativo.

- A-Acho que sim... – respondeu ela, recuando sob o olhar estranho que ele lhe mandava.

- Então pode falar.

- B-Bem... – ela fez sua mente se concentrar em seu objetivo. – Pelo que pude observar, há um intervalo de tempo mínimo em que as holografias somem para reaparecer quase imediatamente. E isso também acontece quando duas holografias diferentes se cruzam no campo. – ela apontou uma jogada que Mokuba fazia com o Dragão Branco de Olhos Azuis, que lançava seu ataque sobre um Mago Negro de Yugi.

- E?

- Observei no monitor que faz a leitura binária... – ela indicou um monitor onde passavam seguidamente seqüências de 0 e 1. - ... que isso acontece quando um código de pausa é inserido. Normalmente, esse código de pausa é usado por uma fração mínima de tempo para que o computador não fique sobrecarregado interminavelmente. – ela agradeceu por ter estudado tanto para levantar suas notas nas aulas de códigos. – Só que, mesmo com a tecnologia que você tem aqui nesta sala, o tipo de gráficos utilizados pela Arena Alpha é muito avançado e o computador não suporta esta leitura por muito tempo. No caso de um duelo longo, o computador iria sobrecarregar e, para não pifar, procuraria passar a ler códigos mais simples, cada vez mais e mais simples. Até ler apenas os códigos de pausa, que são os mais primários possíveis. – concluiu ela. – Seria uma chuva de processos contra você se lançasse algo do tipo no mercado, pois geralmente, pelo que eu entendi, o pessoal gostar de ficar duelando um bocado de tempo.

Ele ficou encarando-a em silêncio. Ela se sentia cada vez mais desconfortável com aquilo. Porque ele tinha que ficar olhando tanto para ela? Provavelmente iria soltar uma grande gargalhada e rir da cara dela. Ela não saberia o que dizer a Mokuba depois disso.

Mas Kaiba apenas olhou o relógio de pulso.

- Você teorizou tudo isso em apenas... – ele conferiu. – quinze minutos de duelo?

- Acho que sim. – ela abaixou a cabeça, já antevendo a humilhação.

- Yugi! Mokuba! Podem parar. – ele disse pelo microfone.

May sentiu mais medo ainda. Ele iria humilha-la na frente de Mokuba e Yugi! Além de prepotente, Seto Kaiba era sádico também? Mokuba e Yugi juntaram-se aos dois em poucos minutos.

- E então, como foi? – perguntou Mokuba, ansioso.

O silêncio foi a resposta. Kaiba deixou a tensão pairar no ar por algum tempo antes de voltar a falar.

- Estão dispensados. – declarou ele, como que expulsando-os dali.

Mokuba resmungou algo, mas seguiu ao lado de Yugi para fora da sala. Quando Kaiba ouviu o som da porta batendo, então voltou a falar com May.

- Senhorita Terrae?

- Sim? – ela perguntou, ainda de cabeça baixa. Apertou os nós dos dedos com força, sentindo-se tensa. Seu ego quase não agüentava toda aquela ansiedade. No momento em que ele desse o veredicto, ou ela iria ao céu ou ao inferno.

- Quero parabenizá-la. Encontrou o erro muito mais rápido do que o tempo que outros levaram para não descobri-lo. – concluiu ele.

Ela ergueu a cabeça de supetão, encarando-o com aqueles lindos olhos âmbar arregalados.

- Está falando sério?

- Estou. E pretendo contrata-la.

- Mas eu disse que...

- Passado é passado, senhorita Terrae. Depois do que fez agora, não posso sob hipótese alguma deixar de contrata-la. Lembre: quero os melhores para Alpha.

- Mas eu não...

- Devo começar citando alguns dos benefícios que terá se aceitar a proposta. Todos que participam do "Projeto Alpha" serão alojados neste empresarial, no penúltimo andar. Cada um terá seu próprio quarto, totalmente mobiliado, com direito aos melhores equipamentos da Kaiba Corp para uso pessoal. Serão levados para o colégio todos os dias por uma limusine. E terão de abandonar os clubes de que participam, já que o trabalho será feito à tarde.

May arregalou mais ainda os olhos. Aquilo era um convite pro paraíso? Além de toda a tecnologia que poderia dispor na Kaiba Corp, ainda poderia deixar de participar dos clubes! Todos os que entravam no CISJ tinham que participar de pelo menos três clubes, para não terem tempo nem pra pensarem em sair de lá. E o melhor: não teria que dormir naquele colégio horroroso...

- Além de outros benefícios que poderão ser obtidos por mérito durante o processo. – ele acrescentou. – Ah, e sem falar em seu salário.

Ela quase deu um pulo para trás quando ouviu a quantia. Era soberbo!

- É uma grande tentação, senhor... Mas não sou capaz de arcar com tanta responsabilidade.

Ele sorriu, superior.

- Não se preocupe. Passarão por um período de estágio antes, para ver como tudo funciona e conhecer o que for necessário do Projeto Alpha. Serão auxiliares dos cientistas atuais. Só começarão a trabalhar realmente em alguns meses.

- Bem, assim as coisas ficam melhores...

- E então, Terrae, gostaria de trabalhar na Kaiba Corp? – ele perguntou. – O contrato é inquebrável, uma vez assinado, terá de cumpri-lo até o dia em que se aposentar. A não ser que eu queira retira-la da equipe, mas aí você ainda terá de manter o sigilo total.

May sentiu mais uma vez um peso na consciência.

- Eu poderia pensar um pouco a respeito antes de responder? – perguntou ela. – Não posso responder assim imediatamente. Tenho muita coisa a pesar.

- Tem duas semanas, no máximo. Mas só sai daqui quando assinar o termo de sigilo. Este é vitalício.

- Assinarei com prazer. – respondeu ela, pegando sua mochila. – Se pudéssemos fazer isso agora, melhor ainda.

Saíram do subsolo e seguiram novamente para os andares mais altos, desta vez parando dois andares abaixo do último. Era o último andar usado para fins comerciais. Dali para cima, só os apartamentos do pessoal que integraria a equipe do Projeto Alpha e a cobertura de Kaiba e Mokuba.

O escritório era tão bem mobiliado quanto a cobertura, e May se viu mais uma vez perdendo-se em análises sobre o ambiente. Tinha os mesmos tons da cobertura, só que sem o toque pessoal do andar de cima. Ela sentiu-se arrepiar ao ouvir a voz de Kaiba muito próxima, atrás de si.

- Achei uma cópia do original sobre o sigilo. Podemos usar. – disse ele, com a boca quase encostada em seu ouvido. Ele não resistia a provoca-la, seduzi-la... Já agüentara tempo demais.

- Que b-bom. – ela virou-se para ele como um raio, e ele sorriu maliciosamente, colocou o contrato sobre a mesa e apontou onde ela devia assinar com uma caneta.

– Aqui, aqui e aqui.

- Certo. – ela pegou a caneta e começou a assinar, sentindo o perfume dele e a respiração roçando em seu pescoço. Meu Deus, o que estava acontecendo com ela? Aquele homem lhe dava arrepios, ela só não sabia dizer se de medo ou de outra coisa. – Pronto. – virou-se novamente e entregou a ele papel e caneta.

- Ótimo. Pedi que deixassem suas coisas na recepção. Pode pegá-las quando descer.

Ela entendeu a indireta e, com um último cumprimentou, saiu dali para entrar novamente no elevador, ainda sentindo arrepios por toda sua coluna.