- Capítulo Cinco -
N/A: Eu sei que o Egito era muito atacado por algum povo nas épocas de antes e depois de Cristo, mas agora o nome dos diabinhos me foge à memória, huhuhu. Então, encantem-se com o fato de eu ter lembrado um nome de gente que realmente existia naquela época – e que pode mesmo ter atacado o Egito, quem sabe? XD
Anhk e Nefertiti andavam pelos corredores do palácio com duas grandes bandejas cheias de gostosuras preparadas na cozinha.
- Onde fica esse salão? – berrou Anhk para as paredes, irritada. – Essa bandeja está pesada.
- Acalme-se, Anhk. Não seria nada bonito se o Faraó visse você gritando desse jeito. – Nefertiti estava muito calma.
- E você, não sente esse peso horroroso? – se pudesse, Anhk teria apontado a bandeja com um grande leitão, que a amiga carregava.
- Estou acostumada. – respondeu ela simplesmente.
- Fazia isso no lugar de onde vem? – perguntou Anhk.
- Não exatamente, mas algo parecido. – respondeu Nefertiti, com um sorriso misterioso.
Estava ali para cumprir uma importante missão para seu povo: assassinar o Faraó do Egito. Os hititas não aceitavam uma assassina fracassada de volta ao seu povo. Era mata-lo e fugir de volta para informar a seu Rei que o caminho estava livre para a tomada do Egito ou continuar ali como escrava. Ela sabia muito bem qual das duas preferia.
Um dos guardas que passava por ali informou-lhes onde ficava o grande salão onde ocorria a grande festa do Faraó. Ele estava fazendo mais uma de suas orgias. Todos ali pareciam regados a vinho, a não ser duas pessoas, uma de cada lado do Faraó. Nefertiti mordeu o lábio inferior enquanto curvava o corpo, fingindo obediência.
Uma era o Sacerdote que aparecera de repente e ajudava o Faraó, indicando onde ele deveria atacar para conseguir mais terras e aumentar seu império. Era conhecido como Seth, mas Nefertiti não duvidava que ele tivesse outro nome, assim como ela não se chamava Nefertiti na verdade. Nomes egípcios apenas para manter a aparência de que eram bastardos de estrangeiros, quando na verdade os dois tinham objetivos muito parecidos.
O outro era um rapaz coberto por um capuz, mas Nefertiti reconhecia aquele brilho que podia enxergar nos olhos que apareciam na escuridão que seu rosto estava. Além, é claro, do cetro muito chamativo. Ishtar, ou pelo menos fora com esse nome que o conhecera. Teve a ligeira impressão de que ele sorria maliciosamente ao reconhece-la.
Ela colocou o leitão bem à frente do Faraó, parando perto de Ishtar, ainda com a cabeça baixa.
- Sirva-me. – ordenou o Faraó.
- Sim, meu Senhor das Duas Águas. – concordou ela, e ouviu um risinho maquiavélico de Ishtar.
- Então, Bastet, há quanto tempo? – Ishtar sussurrou em seu ouvido, aproveitando a aproximação.
- Não me atrapalhe, Ishtar. – resmungou ela, agradecendo pelo fato de seu rosto abaixado não ser visto com facilidade.
- Está aqui para matar o Faraó? Ou seria Seth sua vítima? – ele perguntou, sarcástico.
- Não te interessa, Ishtar. – ela retrucou, erguendo-se, pois cumprira sua ordem.
- SIRVA-ME, SUA IDIOTA! – gritou Ishtar, como se ela tivesse desobedecido alguma ordem.
- Sim, meu senhor, perdão. – Nefertiti voltou a se curvar para servir Ishtar. – Que palhaçada é essa?
- Apenas me aproveitando da situação. É muito gratificante te ver humilhada. – ele sorriu ao vê-la depositar um pedaço da carne em seu prato. – Ah, e a propósito: o Faraó é meu.
Nefertiti apenas sorriu, antes de recuperar a compostura e se levantar. Trombou com alguém por trás, e, virando-se, deu com Seth.
- Perdão, senhor, não o havia visto. – pediu, baixando a cabeça em respeito.
Ouviu quando Seth se afastou, aparentemente sem ligar para o que aconteceu.
Se alguém tivesse notado a escrava que se afastava, haveriam notado uma grande satisfação nos belos olhos azuis. Ishtar iria pagar caro por aquilo, ah, se ia!
Wishes
May acordou com um sobressalto. Por Deus, havia dormido no metrô! E o pior: sonhado com aquelas besteiras sobre o Egito de novo. Nos últimos cinco dias não havia conseguido dormir direito, e sempre que caía no sono tinha um daqueles sonhos esquisitos. Estava começando a ter medo daquilo.
Nefertiti era uma assassina! E iria matar o tal Faraó! Mas quem seriam Ishtar e Seth? Os dois homens ficaram bem gravados em sua mente. Ishtar pela prepotência e pela familiaridade que lhe causava. Mas Seth, por um motivo bem diferente.
Seth era igualzinho ao Kaiba! Os mesmos olhos azuis, o mesmo porte altivo, superior... A única diferença seria o tom de pele mais escuro de Seth, devido ao sol do Egito. Mas até de personalidade ela sentia que os dois eram parecidos. Como podia estar pensando em Kaiba Seto durante toda aquela semana, remoendo sua dúvidas sobre a tal proposta, e depois sonhar com alguém tão parecido com ele que até pareciam a mesma pessoa?
Eram muitas dúvidas, e ela resolveu deixa-las de lado para cuidar de seu problema mais imediato: o metrô. O letreiro digital indicava que estavam perto de parar umas duas paradas além da sua. "Eu devo ter dormido mesmo!", repreendeu-se mentalmente. Apenas fechara os olhos para um cochilo rápido enquanto não chegava em casa, e olha o que lhe acontecia...
Desceu quando o trem parou e correu a comprar uma nova passagem de volta para casa. O trem só sairia dali a vinte minutos, mas nada de cochilos dessa vez. Sua tia já devia estar preocupada com a demora. Voltou a remoer seus pensamentos sobre tudo o que vinha acontecendo.
Não era nenhuma idiota, e depois de um tempo revendo tudo, começou a achar que o fato de os sonhos terem recomeçado no dia em que conhecera Yugi, Jounouchi e Kaiba era muito estranho para ser simples coincidência... Principalmente que o Faraó de seu sonho era um tanto parecido com Yugi, apenas os cabelos loiros do amigo, eram voltados para cima nos do Faraó, e sua estatura era um pouco mais alta, embora o Faraó parecesse até mais jovem que o Yugi que ela conhecia.
Também ainda não havia se decidido quanto à proposta de trabalhar na Kaiba Corp. Era algo a se pensar, e muito seriamente. Tinha dúvidas de que conseguiria tomar uma decisão daquelas em apenas duas semanas. Realmente, não conseguiria. Nem saberia o que dizer a sua tia e sua prima, se cogitasse a possibilidade de aceitar. Como estava em sigilo sobre o projeto, elas jamais entenderiam o porque de sua decisão, e ela não queria se desentender com a única família que tinha.
Pela primeira vez se pegou desejando que as férias de verão terminassem logo, que aquele mês de julho e o de agosto acabassem e setembro chegasse, e com ele a escola, e a certeza de que tudo aquilo era um sonho ruim, uma alucinação. Logo ela, que gostava da vida simples e sem muita emoção que levava, de repente se via cercada de mistérios e propostas malucas de homens assustadores. O mundo havia pirado?
Seu trem chegou e ela embarcou rapidamente, ocupando seu acento. Tirou da mochila o caderno de desenho. "Tenho que fazer algo ou vou acabar dormindo de novo!", pensou, pegando um lápis especial para desenhos e começando a rabiscar. Logo os riscos foram tomando a forma de um rosto que ela só conhecia em sonhos.
Ishtar era alto, com cabelos loiros muito claros e meio espetados para cima, olhos com cor de lavanda e a pele morena cheia de hieróglifos, que ela não sabia se foram tatuados ou marcados, e nem como sabia que eles estavam lá, já que o homem estava encapuzado quando o viu, mas de alguma forma tinha certeza de que ele tinha aqueles hieroglifos. O olhar sinistro lhe dava arrepios, e ela se perguntava se ele também apareceria em sua vida atual, como o Faraó e o Sacerdote...
Quando tentou começar a desenhar o cetro do assassino, sentiu-se tomada por uma fúria estranha e começou a apagar tudo, com raiva, amassando a folha de papel. Arrancou-a com força, fazendo barulho, e mais ainda quando a amassou. Algumas pessoas a encaravam como se fosse uma maluca, mas, no momento, ela não estava ligando: era exatamente assim que se sentia, como se tivesse se tornado uma doida varrida da noite pro dia.
Olhou para a folha em branco a sua frente e respirou fundo, voltando a rabiscar, agora tentando desenha-lo totalmente. Quem sabe assim parasse de sonhar com pessoas tão esquisitas e com tendências tão pouco honradas como as de matar outras pessoas, por qualquer motivo que fosse.
Entreteve-se com aquilo, olhando de vez em quando o letreiro que mostrava em que estação parariam, até que a sua chegou. Guardou tudo na bolsa rapidamente, com os anos de hábito de desenhar no metrô, e saiu para as ruas de Domino. Não levou muito tempo para chegar ao parque que ladeava a rua onde morava.
Avistou as luzes ligadas de casa e sentiu-se incomodada. Michiko e Kali deveriam estar loucas de preocupação, atrasara-se por uma hora. Correu para chegar mais rápido e diminuir a tensão que elas deveriam estar sentindo e correu a abrir a porta.
- CHEGUEI! – gritou, com um sorriso, mas não havia ninguém na sala. Ouviu passos apressados e logo Michiko e Kali apareciam, vindas da cozinha.
- Graças a Deus! Menina, aonde você se meteu? – perguntou Michiko, abraçando-a. – Que bom que está bem!
- Desculpe a preocupação, tia! Mil perdões! Dormi no trem e perdi a parada. Prometo que isso não vai acontecer novamente. – disse, com lágrima nos olhos pela culpa que sentia ao ver como deixara sua família preocupada.
- Relaxe, May. – Kali sorriu, a abraçando também. – Estamos felizes que esteja de volta sã e salva.
Kali podia ser meio infantil para certas coisas, e muito insistente quando se tratava de garotos, mas May sabia que a prima a amava muito, e nunca duvidou disso.
- Desculpem, eu não queria... Eu não ando dormindo direito, acho que estou cansada... Acabei pegando no sono. – tentou se explicar, desconcertada, mas antes que qualquer uma das duas falasse mais alguma coisa, ouviu passos fortes e logo uma figura masculina surgia, também vinda da cozinha.
- Finalmente. – Seto Kaiba resmungou, com um sorriso malicioso. – Já estou esperando-a há uma hora, sabia?
Ela arregalou os olhos, surpresa com a presença dele em sua casa. E, pelo jeito, ele se achava tão Rei de tudo ali como em sua empresa.
- O que o senhor faz aqui? – perguntou num rompante, para depois se arrepender e corar. – Desculpe. Boa noite, senhor Kaiba.
- Boa noite, Terrae. E eu estou aqui para resolver nosso "probleminha". – respondeu ele, aproximando-se depois que as duas mulheres a largaram.
- Probleminha? – ela argüiu, sem entender.
- Sim. Vim conversar com sua tia sobre a proposta que lhe fiz.
Ela semicerrou os olhos.
- Porquê fez isso? – perguntou, irritada. – Não tinha o direito!
- De quê? De conversar com sua responsável legal sobre seu futuro?
- Disse-me que eu tinha duas semanas! – ela reclamou, não gostando da prepotência dele. – Só se passaram cinco dias!
- E ainda não se decidiu? Vamos, Terrae, o que há de errado? Os outros aceitaram sem nem piscar os olhos.
- Eu não sou "os outros", senhor Kaiba. E eu avisei ao senhor que não estava interessada quando fiz o teste. Só fiz porque insistiu comigo.
Não gostava de ser mal-educada com outras pessoas, mas aquele homem estava saindo dos limites.
- Você quer mesmo desistir da maior oportunidade da sua vida? – ele perguntou, como se não acreditasse que ela continuasse insistindo nisso.
- May, querida, pelo que o senhor Kaiba nos contou, isso pode ser a chance que você sempre quis! – Michiko falou, animada. – Você que queria tanto trabalhar com aquelas coisas de figuras no computador... – a tia falou com um tom sonhador.
- Tia! Andou contando sobre mim ao senhor Kaiba? – May perguntou, horrorizada.
- Nós apenas comentamos algumas coisas... – respondeu Kali, sorrindo.
- Não acredito nisso! – ela fechou olhos e punhos, irritada, e respirou fundo algumas vezes, abrindo os olhos e mirando o homem que ainda mantinha sua pose superior. – Eu não quero ser mais grossa do que já fui, então, por favor, vá embora pacificamente. – ela pediu, virando-se para subir as escadas.
- Eu ainda não terminei com você, Terrae.
Ela parou no terceiro degrau, virando-se, sua paciência já se esgotando.
- Será que o senhor não percebeu ainda que eu não vou trabalhar para o senhor? Por favor, senhor Kaiba, vá embora. Se ainda tento me controlar para não ofende-lo, é por respeito ao seu irmão. – disse, sem sentir remorso algum.
Kaiba pareceu não dar a mínima, pois apenas aproximou-se dela e segurou seu braço, puxando-a para baixo.
- Precisamos conversar. À sós. Vamos dar uma volta. – declarou ele, como se ela tivesse de aceitar.
- Eu não quero ir para lugar algum com o senhor. – declarou ela, convicta.
- É só uma conversa, do que tem medo? Se está tão decidida assim, não vai mudar nada se conversar comigo!
- Se eu for você pára de me importunar?
- Não.
- Que ótimo. – resmungou ela, pegando seu casaco novamente. – Eu só vou pra ver se faço você entender isso de uma vez por todas. – e virou-se para Michiko e Kali. – Se eu não voltar em uma hora, chamem a polícia porque ele vai ter me raptado.
- Isso mesmo. – concordou Kaiba, rindo prazerosamente, algo que a deixou ainda mais irritada. – Agora vamos, nosso tempo está passando.
Wishes
Eles saíram da casa, e May estranhou não ver nenhuma limusine. Ele apenas pegou um molho de chaves do bolso da calça negra que usava e apertou um alarme. O barulho veio de um jipe de último modelo, preto como tudo o mais que Kaiba parecia ter fora de seu apartamento e do escritório.
- Entre, vamos dar uma volta por aí. – ele disse.
Ela deu de ombros e abriu a porta dos passageiros, sentando e afivelando o cinto. O homem ao seu lado, elegantemente vestido em um terno, lhe dava mais medo que muitas coisas nessa vida. Mas ela queria enfrenta-lo. Quem sabe assim ele entendesse que ela não iria aceitar nada. Se adorava Mokuba, detestava o irmão do amigo. Era prepotente, orgulhoso e se achava o todo-poderoso. Precisava naquela hora da coragem de Nefertiti, a moça que assumia seu lugar em seus sonhos. Coragem e frieza, também.
Kaiba guiou o carro até um outro parque, bem menor que o da frente de sua casa. Mas era tão bonito e aconchegante quanto o outro. As árvores de folhas muito verdes pareciam receber com alegria o verão, antecipando o sofrimento que teriam no inverno. Ela desejou ter trazido sua câmera para poder fotografá-lo.
- Nunca vi esse lugar. – comentou, extasiada, esquecendo-se do porque de estarem lá.
Kaiba apenas sorriu satisfeito, enquanto andava ao seu lado, observando-a.
- É um lugar que chama pouca atenção pelo tamanho. Acho agradável, e ameniza conversas.
À menção da última palavra, ela voltou a fitá-lo com irritação.
- Porque você não aceita um não como resposta?
- Porque é a resposta errada. – respondeu ele. – Você tem tudo para brilhar na Kaiba Corp. Andei investigando. – informou ele.
Ela fora a única que recusara de imediato seu convite. E ele sentia-se ainda mais tentado a convence-la do contrário por causa disso. Porque sabia que ela não recusara para fazer charminho. Pudera sentir depois do breve interlúdio em seu escritório, depois do teste, que ela saíra de lá sem simpatizar muito com ele. Aquilo apenas o incitou mais. Colocou seu melhor detetive para pesquisar sobre ela, e logo sabia até o dia em que ela viera para o Japão.
- Você invadiu minha privacidade. Não tem o direito de fazer isso, senhor Kaiba.
- Eu sei, mas não vale a pena te deixar desperdiçar uma chance tão boa por besteira. Você tem futuro, garota. O seu problema não é com a proposta, e sim comigo, não é? – disse ele, mudando o tom de voz para algo mais suave.
Ela se espantou com a sinceridade dele. Ele ia direto ao ponto. Kaiba subiu alguns pontos em seu conceito por aquilo.
- Realmente, não gosto do senhor. O senhor me dá medo. – respondeu ela, sabendo que a sinceridade era a resposta que ele procurava. E mesmo que não fosse, ela não iria mentir. Odiava mentiras.
- Foi o que eu imaginei. Mas qual o motivo disso? – perguntou.
- Acho que não nos conhecemos nas melhores circunstâncias, e até agora as coisas não têm melhorado. – respondeu ela.
May avistou um convidativo banquinho de praça e sentou-se. Kaiba permaneceu em pé à sua frente, com aquela pose de imponente ainda mais em destaque pela altura que ele ganhava quando ela sentava.
- Sei... Não gosta do meu jeito, presumo.
- Não mesmo. – ela o encarou nos olhos.
- Sabe, desde que te vi pela primeira vez te achei patética. – comentou ele, e, por incrível que pareça, o comentário não a irritou.
- Mas?
- Mas quando a vi com Mokuba percebi que não é tão bobinha quanto eu pensava.
- O que está insinuando? – ela perguntou, irritada com as possibilidades que lhe passaram pela cabeça.
- Apenas que, ao vê-la no meu apartamento, você me pareceu outra pessoa.
Ela enrubesceu, sem saber o motivo.
- E o que tem isso?
- O que quero dizer é que você pode ser ingênua, mas não é nada idiota.
- Perfeitamente. – ela assentiu. – Sei que sou ingênua, confio demais nas pessoas e me magôo fácil, mas sei ficar ligada quando farejo algo errado.
- Como deve ter acontecido quando me viu.
- Exato. – ela concordou.
Kaiba sentou-se ao lado dela, sorrindo com falsa modéstia.
- E acha que vale a pena desistir da proposta por isso?
- Não daria certo, senhor Kaiba. Eu e o senhor não nos entendemos. O senhor sendo meu chefe, eu me veria frustrada com isso.
- Por não poder falar o que quer, pelo respeito ao seu superior?
- Mais ou menos isso. – ela não gostou da forma como ele pronunciou a palavra superior. – Não gostaria de comprometer um projeto tão importante como o que o senhor está desenvolvendo por problemas entre contratante e funcionária, se é que me entende.
- Mais do que você pensa. – ele levantou-se e tornou a andar, e ela não viu opção senão segui-lo.
- Então finalmente vai aceitar minha recusa?
- Não.
Ela fechou os olhos irritadas, sem notar que ele a observava com um sorriso divertido no rosto. Ele não poderia deixa-la ir embora daquele jeito.
- Você é sádico ou o quê? Gosta de fazer outras pessoas sofrerem? – ela acusou, quando abriu novamente os olhos.
- Não, apenas acho que você está me julgando precipitadamente.
- Então defenda-se. Não falou nada em sua defesa até agora, pelo que eu ouvi. – ela respondeu, sarcástica.
Ele gostava cada vez mais daquilo.
- Primeiro, não precisa ter medo de mim. Gosto de discutir com você, é uma das poucas pessoas que consegue sustentar uma discussão comigo por muito tempo.
- Sei...
- Segundo, você tem talento. Pago o dobro do seu salário para que aceite. E isso é só o salário de estagiária.
- Eu não estou à venda, senhor. –ela respondeu sem hesitar.
- Eu sei. Por isso a quero em minha equipe. Porque sei que não dará com a língua nos dentes com a primeira oferta que aparecer. Mesmo não nos dando bem, eu confio em você.
Ela o olhou, surpresa.
- Está falando sério?
- Eu não brinco com coisas sérias, Terrae. – ele respondeu, sério. – Estou te dando o dobro do salário porque você foi a única que não caiu aos meus pés agradecendo mil vezes pela chance de participar do Projeto Alpha. Você tem caráter.
- Agradeço o elogio. – ela não pôde deixar de sorrir.
- E pode vir discutir comigo quando quiser sobre o que acha justo ou não. Como disse, gosto do jeito como me mantém na discussão por bastante tempo. Sabe argumentar, e isso conta muito. Está melhorando?
- Talvez... – ela riu baixinho.
- E quanto a não nos darmos bem... – ele surpreendeu-a, prensando-a contra uma árvore, aproximando o rosto de seu pescoço, roçando o nariz pelo pescoço dela, sentindo um suave aroma de rosas. – Nós podemos resolver isso com o tempo.
Ela havia sido pega tão de surpresa que não fez nada para reagir. Apenas sentia o nariz dele causando-lhe arrepios. Quando finalmente recuperou a voz, esta estava falhando, rouca.
- P-Pare com isso, p-por favor. – pediu ela, sem conseguir reagir.
Ele levantou o rosto e sorriu vitorioso.
- Espero você na segunda no meu escritório para assinar o contrato. Às duas da tarde. – e levou-a de volta para o carro.
Missão cumprida.
