- Capítulo Nove -

A semana passou rápido, tão rápido que ela duvidava que tivesse mesmo vivido mais uma semana. No laboratório do subsolo, passavam a maior parte do dia aprendendo com seus respectivos tutores – cada um ensinando a um as especificações de sua área. – e isso os consumia até altas horas da noite. Como ela previra, Kaiba havia conquistado seus novos contratados, e isso se provou quando ele foi visitá-los no subsolo logo no dia seguinte ao acontecimento no apartamento da garota.

Todos o tratavam com o maior carinho, e ele respondia em igual medida. Apenas ela pareceu se isolar do grupo, já que toda vez que ele aparecia – e isso era bastante freqüente – ela simplesmente o ignorava e continuava seu trabalho. Estava óbvio para todos que os dois haviam tido uma discussão, só não sabiam os motivos. Também não pareciam interessados em interferir. Apenas Haruka parecia não se importar de ser conveniente, pois fazia piadas sarcásticas sobre isso o tempo inteiro.

- Ho, mal começaram a se conhecer e já estão brigando? Aí tem coisa! – dissera ela a May quando as duas estavam almoçando juntas na sexta-feira. – Eu ouvi vozes no seu apartamento na noite em que chegamos, já tarde da madrugada. Ele estava lá?

May já estava tão corada que Haruka não precisou de resposta.

- Hum, então você e o chefinho andam se encontrando de madrugada?

Foi só então que May pareceu recuperar a voz.

- O QUÊ? Haruka, que juízo você faz de mim? – ela continuava vermelha, só que agora de raiva. – Eu não suporto o Kaiba!

- Ah, é? – Haruka parecia pouco convencida. – E o que ele estava fazendo a altas horas da madrugada no seu apartamento, então?

- Ele disse que havia passado em todos os apartamentos antes, por isso o horário inconveniente. Ele queria saber minha opinião sobre o projeto Alpha.

- Sério? E ele continuou com isso depois que saiu do meu apartamento? Já era mais de uma da manhã! Eu pensei que ele ia dormir e depois falar com quem faltava.

- Mas foi isso mesmo, Haruka. – continuou May. – Ele foi lá saber minha opinião.

- Hum, e você demorou tanto assim pra falar? – ela alfinetou, ainda sem desistir.

- Haruka... – May falou, em tom de aviso.

- Ué, perguntar não ofende! – defendeu-se a loira, com um sorriso malicioso.

May bufou impaciente. Havia se afeiçoado muito a Haruka naquela semana. Ela e a doutora Tenou eram as únicas mulheres com quem realmente convivia e havia se apegado muito a elas. Haruka era alegre e leal, mas havia sempre aquele seu "humor negro" presente.

- Sim, eu demorei tudo isso pra falar! – respondeu, irritada, e engoliu mais um pouco de seu almoço. – O que afinal você estava pensando? Que havíamos discutido por quê?

- Oras, existem muitos motivos para um casal brigar... – disse Haruka, com seu melhor sorriso inocente.

- Haruka, o Kaiba e eu não somos um casal. – retrucou May, bebendo um pouco do suco que pedira.

- Hum, não é o que parece. Na reunião, ele ficava o tempo todo olhando pra você. Ele parecia furioso ao te ver cochichando com o Takashi.

- É lógico, como qualquer um ficaria se estivesse falando e não prestassem atenção. – argumentou a morena, séria.

- Não, ele estava parecendo mais um... namorado ciumento, eu diria. Ele parecia querer pular no pescoço do Takashi. Acho que todo mundo notou isso.

- Eu não vi nada disso.

- É lógico, você é muito inocente. Além do mais, duvido que você estivesse prestando atenção. Você e o Takashi pareciam bastante... entretidos. Está pegando os dois, hein?

- Credo, Haruka! – ela quase pulou pra fora da cadeira. – Já disse que não estou interessada em rapazes. Você parece uma cópia da Kali.

Haruka riu. Parecia achar tudo aquilo muito divertido.

- Bem, se me dá licença, tenho mais o que fazer. – May irritou-se, levantando e saindo, seguindo para seu apartamento, onde pretendia tomar um banho.

Haruka apenas a observou se afastando. Kaiba tinha razão em estar atraído – mesmo que, contrariando o que dissera há pouco à morena, ela soubesse que não havia nada entre os dois. May era muito bonita, tinha um porte altivo, suave, cheio de energia e vivacidade, enquanto uma aura de ingenuidade a cercava. O corpo, mesmo escondido sob as roupas frouxas e sérias, era bonito e parecia estar desabrochando aos poucos. A única que não parecia notar era ela mesma.

May havia entrado no elevador e virado-se, encarando Haruka enquanto a porta se fechava. A loira ainda viu a baixinha arrumando os óculos no nariz antes do elevador seguir caminho. Então, surgiu uma sombra que encobriu a luz vinda das janelas do lugar, que a fez virar e encarar o semblante sorridente de Michael, que parecia ter um bom humor eterno.

- Não devia ficar provocando-a assim.

- Ué, eu só queria abrir os olhos dela. Está perdendo uma chance de ouro. Seto Kaiba não é alguém que se joga fora...

- Sua prima sabe disso melhor que ninguém. – ele disse, irritado.

- Valerie está apenas atrás da fortuna do Seto.

- Hum, e de companhia pra passar as noites também. – alfinetou ele, sentando-se onde antes estivera sentada a morena.

- Sim, mas o motivo principal é que o pai dela quer garantir aquele contrato, pra uma fusão com a empresa de advocacia do Kaiba... Além do mais, toda a família sabe que ela tem uma queda por aquele advogado do tio Kune. Ele acha isso desprezível, mas ela diz que o preço para seduzir o Seto é que o "namoradinho" seja bem-sucedido...

- E te contaram isso mesmo sabendo que você iria trabalhar para ele? – Michael surpreendeu-se, daquela parte da história não sabia.

- É simples, meu caro: assunto de família se mantém em família. – ela respondeu, com um sorriso sarcástico.

- Ou seja: você tem que ficar de bico calado. – ele concluiu.

- Exato. – ela riu e voltou a bebericar o vinho que tomava.

- Não sei como você consegue se divertir assim, Haruka...

- Michael... Ou eu aprendo a me divertir com isso, ou eu sofro mais do que posso. – ela sorriu belamente, segurando a mão do namorado. – Você sabe muito bem que para ser uma Meiou, é preciso mais do que simplesmente ser você.

- Ai, eu detesto a sua família! – ele explodiu, nervoso.

- Eu também, mas infelizmente nenhum de nós dois pode mudar isso. Então, vamos apenas seguir nossas vidas e deixar de nos preocupar com o que não é da nossa conta. Kaiba sabe muito bem quem Valerie é.

- E porquê você meteu May-san no meio?

Haruka sorriu enquanto se levantava e seguia para o elevador.

- Porque ela pode fazer a diferença.

Wishes

O fim de semana chegou e carregou todas as preocupações de May sobre Seto Kaiba para longe. Depois de cumprir seu expediente no sábado, subiu para o apartamento e tomou um banho rápido, colocando algumas coisas na mochila e saindo do prédio em seguida. Correu para o metrô e conseguiu chegar a tempo de pegar o trem que saía para a casa de Michiko e Kali.

Estava com saudades da família. Nunca pensara que sentiria tanta falta assim de alguém conhecido, confiável, por perto sempre, pra anima-la quando fosse preciso e chamá-la para curtir quando estivesse bem. Tia e prima faziam falta. E ela iria passar aquela noite com elas, tentando aplacar aquela solidão constante que a perseguia desde a segunda-feira em que se mudara.

Tempos depois estava caminhando em torno do parque, cada vez mais próxima de sua casa. Quando finalmente parou de andar, em frente ao portão da pequena cerca, sentia seu coração palpitar loucamente. Parecia estar acordando depois de um pesadelo muito ruim. A porta da casa se abriu e Kali apareceu. Deveria estar aguardando-a na janela.

- MAY! – Kali abraçou-a forte por cima da cerca. – Estava com saudades de você. Vamos, entre. – disse, abrindo o portão da cerca. – Mamãe deve estar chegando daqui a pouco. Foi fazer feira.

- Hum. – May sorriu e seguiu com a prima para dentro da casa. Aspirou profundamente aquele ar tão familiar, sentindo seu coração sendo imediatamente preenchido de paz e amor. Era assim que se sentia naquela casinha singela. Para ela aquilo era o paraíso na Terra.

- Você parece exausta. – comentou Kali docemente, enquanto May sentava na mesa da cozinha e ela preparava algo para comerem. – Como foi a primeira semana?

- Um inferno. – desabafou a estrangeira, suspirando pesadamente. – É muita coisa pra se aprender. Não sei se darei conta.

- Eu tenho certeza que sim. – disse Kali, piscando um olho e pondo uma chaleira no fogo, esquentando água para um chá.

May levantou-se e aproximou-se da prima, abraçando-a por trás.

- Kali, você não sabe como senti sua falta.

- Eu também senti a sua. – Kali virou-se dentro do abraço da prima e abraçou-a também. – Fico muito sozinha sem você aqui em casa. Mamãe geralmente demora a chegar.

- Un. – concordou ela, pensativa. – Não existe luxo que me encante mais que o meu quartinho nessa casa.

- Ainda bem. Sabe que pode vir dormir aqui quando quiser. – Kali riu, e May a acompanhou.

Foi essa a cena que Michiko encontrou ao chegar. Abraçou a sobrinha com força, antevendo pelo brilho nos olhos dela o quanto se sentia feliz naquela casa.

- As pessoas com quem você trabalha, elas são boas com você, querida? Te tratam bem ou te discriminam pela sua idade? – perguntou ela quando as três estavam sentadas na sala, ela e May no sofá de veludo negro e Kali numa confortável poltrona do mesmo conjunto.

- Sim. Todos me respeitam bastante. Fiz alguns amigos. – disse ela, meio encabulada.

- Que bom! – Michiko sorriu e afagou os cabelos da sobrinha. – Eu pensei que, tímida do jeito que você é, acabaria se retraindo. Mas parece que essa nova experiência está te fazendo muito bem.

- Uma pena que não seja só um bem. – comentou May, ficando triste.

- Porquê diz isso? – perguntou Kali, franzindo a testa.

- Eu não me dou com o Kaiba. – respondeu ela, movendo a cabeça em negativa. – Se não estamos brigando ou discutindo assuntos de trabalho, não nos falamos por nada. E isso porque ele procura se dar bem com todos.

- E o que te impede de se dar bem com ele também? – argüiu Michiko.

- Talvez porque ele seja prepotente, convencido, sarcástico... – ela tinha uma expressão de raiva. – Não suporto gente assim.

- Ele não pode ser assim! – retrucou Kali, penalizada. – Ele é bonito demais para ser ruim.

- Beleza não é sinônimo de bondade. – rebateu May, com pouco caso. – Ele me irrita. Procuro não conversar com ele pra não arranjar confusão.

- Isso é estranho, você geralmente se dá tão bem com quem convive... - murmurou Michiko, pensativa. – E ele não me pareceu uma má pessoa quando conversamos.

- Não se pode julgar as pessoas sem conhece-las. – disse May, pensativa. – Eu não o conheço, muito menos desejo isso. Mas pra mim ele é insuportável.

Ela não queria falar para elas sobre o assédio do "chefe". Kaiba parecia se achar na posição de poder exigir tudo dela. E ele podia, quando se tratava de trabalho. Mas não quando se tratava de um coração, de sentimentos. Seu corpo, como o de qualquer garota adolescente, estava cheio de hormônios prontos para explodir, e isso acontecia quando Kaiba a tocava. Gostava de seu toque, pois provocava suas reações femininas, as quais julgava inativas, já que nunca haviam aflorado com aquela intensidade. Mas, em seu coração, sabia que repudiava a ele por fazer aquilo e a si mesma por achar bom. Não sentia absolutamente nada além de desconforto em relação a Seto Kaiba, mas seu corpo não queria entender que aquilo não era certo, que não devia responder aos afagos. Sentiu um arrepio subir pela espinha e resolveu mudar de assunto antes que tudo ficasse evidente demais.

- Mas e vocês, como estão? Sentiram minha falta?

- Você não imagina o quanto! – Michiko sorriu, aparentemente sem notar o desvio da conversa.

Wishes

Já que não trabalhava no domingo, acabara resolvendo-se por ficar na casa da tia até o dia seguinte, quando começariam as aulas. Havia voltado à Kaiba Corp logo cedo para buscar seu uniforme e o material que precisaria. Estava esperando o elevador para descer e sumir dali pelas próximas vinte e quatro horas, pelo menos. Quando este chegou e se abriu, ela sentiu seu coração saltar para a garganta de susto ao ver Seto Kaiba parado lá, vestindo apenas uma calça jeans larga e uma camisa esportiva preta. O perfume masculino preenchia todo o cubículo.

- Oh, se quem eu vejo não é a senhorita Terrae. – ele disse, com ironia. – Pensei que tivesse morrido ou algo do tipo, já que não a vejo desde ontem.

- É muito gentil da sua parte fazer esse tipo de comentário. – ela retrucou, ainda parada no mesmo lugar. Não era de agredir verbalmente ninguém, mas aquele homem conseguia tira-la do sério. Como era pedante!

- Não vai entrar? – ele disse, apertando um dos vários botões do elevador para manter a porta aberta.

- Não, obrigada, vou pegar outro elevador. – ela disse, afastando-se em direção a outro elevador que acabara de chegar.

Porém, assim que entrou e virou-se para apertar o botão de descida, viu Kaiba entrando e parando a milímetros dela. Tentou desviar dele e sair, mas ele virou-se a tempo e enlaçou-a pela cintura com um dos braços, trazendo-a para junto de si, e fechando a porta do elevador com outro. Tudo o que os separava agora eram os livros que ela carregava nos braços.

- Qual é o seu problema comigo, Terrae?

- Todos os problemas! – ela falou, irritada, ao sentir o elevador descer.

- Cruzes, como você é irritante! – ele parecia mais irritado com ela. – Por que fica fugindo de mim?

- Porque você me obriga a isso.

- Eu? Eu não, meu bem. Eu gosto de estar bem perto de você... – ele falou, com o tom malicioso enquanto a via enrugar a testa.

- É disso que eu estava falando. Você acha que tem o direito de tomar liberdades comigo.

- Desde que você corresponde, acho sim.

Ela enrubesceu.

- Eu não gosto disso. – afirmou, categórica.

- Ah, é? – ele perguntou, maliciosamente. – E porque então você reage tão prontamente quando eu faço... isso? – ele roçou-lhe o pescoço com os lábios, numa carícia que a fez se arrepiar.

- São hormônios! – ela berrou, como que querendo convencer não só a ele, mas a si mesma também. – Eles não obedecem o que a gente realmente quer. Eu não gosto disso, Kaiba. – ela parecia ter se esquecido do 'senhor' depois daquela noite. – Eu fico repugnada com isso!

Ele franziu o cenho, irritado. Não esperava ouvir aquilo. Soltou-a assim que sentiram o elevador parar, mas ainda ficaram se encarando, mesmo quando a porta já estava aberta.

- Bom dia? – uma voz conhecida os fez voltar à realidade. Era Takeru, parado do lado de fora do elevador. O rapaz já não tinha o olhar frio de quando ela o conhecera.

- Bom dia, Takeru. Com licença. – May aproveitou a deixa e saiu do elevador, apressada e apertando os livros contra o peito, parecendo extremamente irritada.

- Você não desiste, Seto? – perguntou Takeru ao 'chefe', com quem havia adquirido uma grande amizade.

- É divertido provoca-la. – ele respondeu, mas em seu rosto não se via expressão de contentamento.

- Então porquê está com essa cara de quem provou e não gostou? – Takeru perguntou, curioso e ao mesmo tempo preocupado.

- Por algo que ela me disse. – ele observou pensativo o perfil da estrangeira que alcançava o lado de fora do prédio naquele instante. Ergueu o polegar para o amigo, com a boca meio-aberta e uma cara de descrédito. – Guarde essas palavras, Takeru: eu ainda vou deixa-la louca!

- Louca você já a deixou. – Takeru riu, divertido. – Só que não do jeito que você queria.

Seto encarou-o, zangado, mas suspirou fundo e continuou seu caminho, enquanto o outro entrava no elevador e seguia para seu apartamento.

Wishes

A segunda-feira chegou e acolheu-a, ainda na casa da tia. Ela levantou-se logo cedo, mesmo que suas aulas ainda fossem demorar a começar, e começou a arrumar tudo. A idéia de ter que voltar a seu colégio era ao mesmo tempo boa e ruim. Boa por não ter que ficar o dia inteiro na Kaiba Corp, e ruim porquê, qualquer benefício que ela trouxesse, May ainda odiava aquela escola de todo coração. Só continuava nela porquê, se conseguisse termina-la com louvor, não precisaria fazer faculdade para conseguir um emprego. Se bem que já tinha um, mas isso era o de menos, e o de pior também, talvez.

Trabalhar com aqueles gênios da ciência e seus amigos era maravilhoso. Estava aprendendo muitas coisas novas. Mesmo que cada um tivesse uma parte específica com a qual deveria lidar, todos recebiam noções de tudo. Era uma ajuda mútua, dada com alegria de um a outro. Ela adorava aquele clima de trabalho.

A doutora Tenou dizia que a chegada de jovens na Kaiba Corp havia operado um milagre, já que a maioria dos funcionários já tinham idade avançada. Era uma nova onda de energia que chegava, um motivo para todos se empenharem mais, para fazer aqueles cinco jovens trabalharem com vigor, e até mesmo Kaiba estava mais sociável, talvez pelo fato de estar convivendo com pessoas de sua faixa etária.

Ela esperava que aquele clima de camaradagem não desaparecesse com o tempo, afinal, teriam uma vida inteira de convivência pela frente, já que trabalhavam todos no mesmo lugar.

Ouviu barulhos no andar de baixo e concluiu que já era hora de começar a se movimentar. Desceu e tomou café com Michiko, que não estranhou vê-la acordada tão cedo.

- Está nervosa pela volta às aulas?

- Mais ou menos...

- Vai ser difícil encarar estudo e trabalho ao mesmo tempo. Mas eu tenho absoluta certeza de que você consegue, querida. Eu confio na sua capacidade.

Ela gostaria de ter aquela mesma confiança em si mesma.

- Obrigada pelo voto, tia. – ela sorriu, enquanto bebia o suco de laranja que a tia lhe estendera.

- Não agradeça por isso, você sempre fez por merecer.

Michiko foi embora pouco depois, e May ficou sozinha com seus pensamentos até ouvir os passos de Kali na escada.

- Já acordada?

- Já está na hora de começar a me arrumar. – respondeu a brasileira, consultando um grande relógio pregado na parede da cozinha.

- Boa sorte com o colégio esse ano. Pelo menos o Inferno vai ser menor daqui por diante. – Kali sorriu. – Agora você só precisa passar algumas horas lá.

- Graças a Deus! – May respondeu e as duas riram.

Ela subiu as escadas e rapidamente tomou um banho. Vestiu o uniforme odiado, que consistia numa blusa social branca de mangas longas e um terninho preto por cima, uma saia de pregas que não chegava à metade de suas coxas, também preta, e as meias brancas que subiam por suas canelas até próximo à barra da saia, acima dos joelhos. Os sapatos sociais pretos que pareciam feitos para uma boneca e a gravata preta completavam o conjunto. A única 'cor' do conjunto era o brasão dourado da escola, bordado no terno.

Ouviu um barulho de buzina do lado de fora e olhou pela janela. Havia uma grande limusine para em frente à sua casa, e dela saltaram Hiroki, Takeru e Mokuba. Hiroki e Takeru eram os únicos, fora ela, do grupo da Arena Alpha que ainda estudavam. Haruka e Michael já haviam concluído seus estudos há mais de um ano.

Pegou sua mochila e desceu, encontrando os três rapazes a bater um papo com Kali.

- Viemos busca-la! – informou Mokuba, depois de um cumprimento.

Estavam todos usando o traje masculino da escola, que só se diferenciava do feminino por que eles usavam calça combinando com o terno em vez de saia.

- Vamos? – Hiroki pegou a mochila dela, num gesto cavalheiresco, enquanto a puxava pela mão. – Você fica linda nesse uniforme!

- Hiroki, não comece tão cedo! – Takeru zombou, e ele e Mokuba riram, enquanto Hiroki fazia pose de superior e May corava.

- Tchau, Kali! Ligo pra você mais tarde! – May disse, virando-se um pouco para trás, acenando para a prima que piscou um olho maliciosamente enquanto acenava.

- Boa sorte!

Eu vou precisar, pensou ela, ao entrar na limusine. Estava voltando ao Inferno, mais conhecido como Colégio Interno para Superdotados do Japão.

N/A: Eu às vezes realmente sinto pena dos meus personagens... Ui, alguns tão precisando de um exorcismo, hihihihi! Acho que esse capítulo vai agradar a muitos de vocês, já que nele eu preparei uma surpresinha - era pra ficar uns caps adiante, mas acabei fazendo logo... XD Sorte de vocês! Divirtam-se!