- Capítulo Doze -
Kaiba debruçou-se sobre a grade da varanda de seu apartamento, respirando fundo. Estava agindo por impulso de novo. Era simplesmente inaceitável o modo como era manipulado por aquele rostinho bonitinho e os olhos inocentes. Mesmo que ela não fizesse por querer, realmente sabia como tira-lo do seu normal.
Era facilmente notável. Ele era frio e sólido, não costumava agir por impulsos. Na verdade, nos últimos anos vinha negando a si mesmo que ainda tivesse algum tipo de impulso. E então chega uma adolescente com rostinho sapeca e o amolecia? Aquilo era inaceitável! Não podia se permitir ficar agindo daquela maneira! Só falta fazer algo para anima-la.
Ou, correção, faltava. Afinal, havia acabado de convida-la a integrar o grupo que iria sair naquela noite. Não fora planejado que ela fosse junto. A idéia surgiu apenas porque ele se sentia culpado por vê-la triste daquele jeito. "Maldito sentimentalismo! Porque ela tinha que fazer isso COMIGO?", pensou, bravo. Havia acabado pedindo a Haruka que emprestasse algo para que ela vestisse e não permitisse que ela se recusasse. Quando colocava algo na cabeça, só havia um jeito de tira-la de lá: realizando-a.
Já havia-se passado uma hora. Elas já deveriam ter terminado. Não era possível que, ao chegar lá, encontrasse uma May sem roupas, procurando alguma coisa. Embora o pensamento fosse extremamente agradável. Sorrindo, saiu de seu apartamento e tomou o elevador que o levaria ao andar de baixo.
WishesFoi com surpresa que percebeu que a porta do apartamento de May estava aberta. Não sabia se isso era um bom ou um mau sinal. Empurrou-a devagar, como se esperasse encontrar qualquer coisa dentro daquele apartamento. Mas, ao tirar os sapatos e calçar os chinelos de pano para adentrar mais a casa, tudo que encontrou foi uma bela visão de uma moça, de costas para ele, exatamente como ele estava instantes atrás: observando a cidade da varanda.
O problema, para ele, era a roupa dela. Perfeita demais, o que para ele era sinônimo de problemas. Ela usava um vestido em estilo grego, que amarrava atrás do pescoço, num tom de amarelo envelhecido que combinava com seu tom de pele e olhos. O tecido do vestido revelava mais do que simples curvas graciosas. Ele nunca poderia imaginar que ela tivesse aquelas pernas e aqueles quadris. O que não havia em cima, fora colocado embaixo e perfeitamente encaixado. Como o vestido era curto, deixava a maior parte das pernas à mostra, deixando ver as fitas da sandália que subiam entrelaçando-se por elas.
Era mais do que ele poderia pedir. Já havia imaginado aquele corpo muitas vezes em sua mente, mas não era assim tão parecido com a realidade. Parecendo pressentir que estava sendo observada, May virou-se e ele pôde contemplar as faces com um pouco de maquiagem, brincos enormes que combinavam à perfeição com o rosto dela e pulseiras nos braços. Baixou o rosto, que estava corado, percebendo o quanto ele apreciava a "paisagem", respirou fundo e voltou a erguer o rosto, agora um tanto compenetrado.
- Eu não vou com você. – ela disse de uma vez só, como se aquilo fosse um enorme esforço.
- Sem chances de você ficar, meu bem. – ele devolveu, num tom bastante desconcertante.
- Oh, será que você não entende? – ela se irritou. – Isso não é pra mim! – ela apontou as roupas que usava, depois o rosto maquiado, os brincos, as sandálias. – Essa não sou eu. Eu não me visto assim. Curto demais, colado demais.
- O que é uma pena, pois o estilo cai como uma luva em você.
- Pare com isso. – ela pediu.
- Parar com o quê?
- De me elogiar. Eu não gosto. – ela respondeu, tímida.
- Só existe um meio de me fazer calar a boca. – ele disse, com um sorriso confiante, enquanto avançava em direção a ela.
- Oh, não mesmo! – ela exclamou, fugindo dele. – Nem pense em me be...
O protesto morreu quando ele cobriu os lábios com os seus. Era simplesmente impossível para ela dar um fim àquilo. A língua que invadia sua boca possessivamente fazia com que se tornasse uma bomba elétrica humana, de tanto que se arrepiava. Mas logo ele cortou o contato, restando apenas seus braços que a prendiam pela cintura... ou talvez um pouco mais abaixo.
- Você definitivamente precisa parar com isso. – ela disse, após pegar fôlego.
- Porquê? Não ouvi você reclamar, nem senti você tentando escapar.
- Eu fiz tudo isso antes de você me beijar. – ela lembrou-o.
Ele voltou a repousar os braços na cintura dela, o que acabou fazendo-a colar-se mais a ele.
- Mas parou imediatamente com um único beijo. – disse ele, beijando-lhe o pescoço.
Ela fechou os olhos, buscando concentrar-se para poder revidar, mas ele tinha o poder de faze-la perder a razão.
- Ha-ham. – a mesma voz que os interrompera da primeira vez interrompeu-os novamente. Os dois viraram para encarar Haruka, que mantinha aquele sorriso malicioso que deixava qualquer um desconfortável. – Desculpem a interrupção, mas preciso terminar de arrumar May-chan.
- Ainda não terminaram? – ele perguntou, espantado.
- Você sabe como sua namorada é, Seto-kun. Adooora recusar ajuda. – ela disse, e May corou.
- Mas eu não...
- E não minta, você recusou sim.
May respirou fundo. Não era sobre aquilo que ela ia falar. Ela não era a namorada de Seto Kaiba. Céus, só o simples pensamento a fazia ruborizar. Sentiu os braços de Seto se afastarem de seu corpo, e de repente o ambiente pareceu muito mais frio. Haruka aproximou-se, colocando um cinto metálico dourado, que dava um toque final na produção.
- Gente, eu não acho uma boa id... – ela ia falando, mas Haruka a interrompeu.
- Espero que não me desaponte, May-chan. Caprichei no seu novo visual, e se você não fizer sucesso, vou sentir-me ofendida. – ela disse, dramática, sabendo que a garota mais nova estava tentando arranjar uma desculpa para não acompanhar Seto.
- Isso mesmo. – ele concordou. –Você não faria uma desfeita dessas conosco, faria?
Ela os observou, percebendo que havia ali uma certa cumplicidade, mas, como sempre, seu coração mole não deixava que ela se recusasse a deixa-los contentes.
- Está bem, eu vou. – ela suspirou.
-Ótima escolha, meu bem. – Seto abraçou-a pela cintura mais uma vez assim que Haruka terminou de ajeitar o cinto. – Então, estamos indo, ou vamos perder a mesa. – ele puxou-a, e os dois acenaram para a amiga antes de saírem do apartamento. Haruka o trancaria depois.
Wishes- Eu não acredito que deixei vocês me enrolarem de novo. – ela falou minutos depois, quando os dois estavam acomodados no jipe de Seto, que percorria a cidade. – Kaiba, eu detesto você.
- Sei... – ele sorriu, achando tudo aquilo divertido. – Porquê não deixa o lado ruim pra lá e tenta ver o lado bom? Já que está nessa situação, relaxe e aproveite a noite.
- Eu não relaxo e aproveito noites com meu chefe, Kaiba. – ela respondeu, ainda irritada.
- Esse é o seu problema, meu bem. Já encerramos o expediente. Eu não sou mais seu chefe, nem você minha funcionária. Além do mais, não creio que eu seja tão má companhia assim.
- Não foi isso que eu quis dizer... – ela desculpou-se, sabendo que o tinha ofendido.
- Eu sei que não. Ou, pelo menos, não intencionalmente. – ele acrescentou, depois. – Eu acho que você se preocupa demais com isso de ser paga por mim, e não me deixa tentar mostrar a você que eu não sou esse tirano que você pensa.
Ela arregalou os olhos.
- Eu não te acho um tirano.
- Tem certeza? Então porque foge de mim como o diabo da cruz?
- Isso não tem... nada a ver com eu acha-lo tirano ou não.
Ele sorriu.
- Está com medo?
- Medo? Eu? Do quê?
- Do que está sentindo.
- Eu não estou sentindo nada. – ela teimou, como uma criança birrenta.
- Admita, Mayra. Nós dois sabemos que estamos atraídos um pelo outro. E se você insistir em dizer que não, eu paro esse carro e te provo agora mesmo que o que estou dizendo é verdade.
Ela corou. Sabia que, se insistisse, ele pararia o jipe no acostamento e a beijaria até deixa-la louca. E, estranhamente, pegou-se querendo aquilo.
- Está bem, eu admito. – disse ela, mais corada que uma pimenta. O campo emocional não era o seu forte, definitivamente.
- Foi tão difícil assim? Doeu muito? – ele zombou, ao ver a carranca dela.
- É melhor parar com as brincadeiras, Kaiba, ou eu quebro seu queixo. E, para seu governo, foi difícil, sim. Não sou dada a... romances com ninguém.
- Eu imaginei. – ele havia sentido a hesitação e a surpresa quando ele a beijara da primeira vez. Era lógico que ela era um pouco inexperiente no campo amoroso. Mas sabia que não seria bom tecer comentários sobre aquilo. Tinha tato para mulheres, mas aquela em especial era uma caixinha de surpresas. – E porquê não tenta?
- Com você? Nem louca!
- Porquê não?
- Porque você é meu...
- Chefe. – ele completou por ela, resmungando algo baixinho enquanto parava o carro em frente a um restaurante chamado "O Almirante" e descendo do carro.
O Almirante era o restaurante-boate da moda. Toda a nata jovem da sociedade se encontrava ali. O lugar era famoso pelo ótimo atendimento e o clima informal do ambiente. Continha uma área à prova de som exclusiva para aqueles que queriam apenas jantar, mas a maior parte do lugar era uma boate aconchegante e que não deixava a desejar.
- O Almirante? – ela parecia espantada.
- Algum problema? Não gosta daqui?
- Não é isso... Ah, esqueça. Vamos logo, antes que eu desista.
Ele a seguiu para a fila do lado de fora, esperando sua vez. Havia uma outra fila menor, para onde ele a guiou.
- Vamos usar o restaurante? – perguntou ela. Aquela fila menor era para quem seguia direto ao restaurante com isolamento acústico do resto do clube. A fila maior era para os que iriam se dirigir à boate.
- Sim, podemos aproveitar a boate mais tarde, quando os outros chegarem. – ele a fez parar à sua frente e abraçou-a por trás, descansando a cabeça sobre um dos ombros delicados. – Enquanto isso, quero comer bem, e precisamos conversar um pouco.
Ela enrijeceu entre seus braços, mas não moveu-se do lugar. Ele podia ouvir os burburinhos na outra fila sobre os dois. Era quase impossível ver Seto Kaiba agindo assim tão carinhosamente com alguém em público. E ele sabia disso. Mas, como já havia pensado antes, quando se tratava de Mayra Terrae, não havia possibilidades dele se comportar racionalmente. E não estava dando a mínima para o que falassem.
- Sobre o que quer conversar? – ela parecia meio desesperada.
Ele a beijou suavemente nos lábios, aproveitando-se da proximidade dos rostos.
- Depois, meu bem. – ele piscou um olho e sorriu daquele jeito que fazia o coração dela falhar uma batida. Os dois ficaram se entreolhando, explorando um pouco o que podiam ver nos olhos um do outro, até ouvirem uma voz mais atrás.
- May-chan! – May virou-se dentro do abraço de Kaiba ao ver sua prima se aproximando.
- Kali! – ela parecia tímida ao vê-la.
- O que faz aqui numa sexta? Pensei que tivesse aula amanhã.
- Eu tenho, mas... – as palavras faltavam-lhe.
- Digamos que ela não teve escolha, senão vir. – Seto interferiu, salvando-a.
- Oh, entendi... – Kali olhou de um para o outro com estrelas nos olhos. – Vocês estão namorando?
May às vezes odiava o jeito direto de Kali. Ela não sabia ser sutil. Sentiu seu rosto corar, e tratou de baixa-lo, mas logo levantou-o, mortificada ao ouvir a voz de Seto.
- Estamos, sim.
Ela o encarou, abestalhada, e como para provar a Kali que o que dizia era verdade, Seto beijou-a rapidamente, porém extremamente bem. Ela sentiu seu coração perder o compasso mais uma vez.
- Ah, eu sabia, eu sabia! Estava na cara. – Kali jogou-se sobre a prima, abraçando-a, e depois a Kaiba. – Eu sempre achei que por trás daquelas brigas de vocês havia algo mais.
- Achava, é? – May parecia totalmente besta.
- Claro, querida, estava escrito em néon na testa de vocês dois. – Kali riu.
- Se nos dá licença, senhorita Marchant, chegou a nossa vez de entrar. – Seto disse.
- Kali, por favor. Apareçam na boate mais tarde. Vou estar no lugar de sempre.
- O.K. – respondeu May, afastando-se com Seto.
Não, aquilo não podia estar acontecendo... Mas estava.
WishesQuinze minutos, e ela ainda não havia falado um "A". Ele estava começando a se preocupar.
- Mayra, não gosto desse seu jeito calado. – disse ele, sério.
Ela ergueu os olhos, desafiadora.
- E daí? Você não pode me obrigar a falar. – ela respondeu, parecendo furiosa, o que o fez sorrir.
- Ande, confesse. Está com raiva pelo que eu disse à sua prima?
- É lógico! – a voz subiu um pouco, mas rapidamente ela voltou a sussurrar. – Você acha que tudo isso é um palco pras suas brincadeirinhas, por acaso? Ou pensa que pode fazer o que quiser comigo e eu tenho que acatar?
Ele fechou o cenho.
- Acho que já tínhamos falado sobre isso.
- Não, você falou sobre isso. É sempre você quem fala, você quem dá as ordens, que diz pra onde eu vou, o que eu devo vestir, o que eu devo sentir! – ela quase cuspia aquilo de tanta amargura.
Ele a observava, escondendo a surpresa de ouvir tudo aquilo. Não podia ser verdade. Podia?
- Já disse uma vez e vou dizer de novo, Kaiba: não pretendo me envolver com você. Não gosto de você, você é apenas meu chefe, e é nesse patamar que vamos nos manter. Não importa que eu esteja... tendo um ataque de hormônios atrasado. Fui clara?
Ele agora não se preocupava em esconder a surpresa. Nunca havia pensado que ela poderia se impor. Para ele estava tudo bem. O que havia dado errado? E porque não conseguia rebater os surpreendentes argumentos dela?
- Você não manda na minha vida. – ela continuou, impassível. – Durante o meu horário de trabalho, eu faço tudo o que "Vossa Excelência" quiser – ela ironizou. – mas porquê esse é o meu trabalho. E não admito que você queira estender isso além desse aspecto.
O garçom chegou com duas taças de vinho que ele pedira, o que os impediu de conversar por algum tempo. Mas deu a Seto tempo suficiente para recuperar a sanidade e pensar numa resposta.
- Muito bem. Você revelou o que estava te incomodando. Agora é minha vez de falar. E é melhor que escute.
Ela engoliu em seco. Ele seria daqueles chefes que despedem as funcionárias se elas não aceitam seu assédio?
- Deixa eu ver se eu entendi... Você está dizendo que não gostar de me ter controlando sua vida, e me acusa de tentar fazer isso. – ela abriu a boca para protestar, mas um olhar dele a impediu. – Diz que não quer nada comigo, o que eu não acredito. E não admite que nós podemos ter algo fora do horário de trabalho sem que isso seja um sacrilégio ou coisa assim. – ele a encarou, esperando uma defensiva, mas ela permaneceu calada. – Muito bem. Diga quais são suas regras.
Ela o fitou, confusa.
- Hein?
- Diga suas regras.
- Regras para quê?
- Oras, para quê! Para o nosso namoro, oras!
O queixo dela foi ao chão e os olhos se esbugalharam.
- Do quê você está falando!
- Você disse que eu sou... "controlador". Então, estou lhe dando a chance de impor algumas regras também. É justo, não acha?
- Mas eu não vou namorar com você.
- E porquê não?
- Porquê eu não quero.
- Melhor não mentir pra mim, Mayra... – ele a fitou profundamente nos olhos, e ela enrubesceu. – Isso não vai funcionar. Você quer sim.
- Eu já disse que são hormônios! – ela insistiu, irritada com o rumo que a conversa tomava.
- Seus hormônios são mais sinceros do que sua cabeça, pelo visto.
Ela corou novamente. Aquilo não ia acabar bem...
Ele passou um braço por seus ombros, puxando-a para junto de si. A iluminação suave do lugar contribuía para uma atmosfera calma e, no caso deles, romântica. Ela não queria se deixar envolver, mas ele estava começando a vencer sua resistência.
O garçom chegou com os pedidos, deixando no ar a última frase do homem sentado ao seu lado. Os dois comeram em silêncio, até que ela engasgou com um pedaço de comida mal mastigada, e logo Seto passou os braços por sua cintura e apertou-a, fazendo-a colocar para fora o pedaço que a fizera engasgar. E tudo isso sem que ninguém percebesse. Ela ficou surpresa com a discrição e a ação rápida dele.
- Obrigada pela ajuda.
- Eu faria isso por qualquer um. – ele respondeu, tirando um dos braços de sua cintura, mas o outro permaneceu ali. – Prove isto.
Ele levou um pedaço do peixe que pedira até a boca de lábios grossos com um garfo, e por pura reação automática ela entreabriu os lábios, deixando que ele a alimentasse. Mastigou o peixe e fechou os olhos, murmurando um agradecimento.
- Magnífico! – disse, abrindo os olhos e sorrindo. – Não gosto muito de peixe, mas este está uma delícia.
- Então coma comigo! – ele sorriu e puxou-a para mais perto de si, partindo mais alguns pedaços.
Como ele conseguia fazer a atmosfera mudar tão rapidamente, ela nunca conseguiu descobrir. Só sabia que no instante seguinte estava menos preocupada com conversas do que com a brincadeira que faziam com o peixe. Estavam mesmo agindo como um casal, embora muito discretamente, já que o restaurante era de classe.
Ela se sentia bem ao lado dele naquele momento. Do mesmo jeito que sentira naquela madrugada em que ele esteve em seu apartamento, e os dois ficaram conversando por um bom tempo. Quando não ficavam na defensiva, até que se davam muito bem. Mas isso não queria dizer que iria ceder assim tão facilmente. Aliás, não cederia por nada.
- Você está com aquela cara de novo... – ela ouviu a voz dele e voltou à realidade.
- Como?
- Eu disse que você está com aquela cara de novo.
- Que cara?
- Aquela que você usa quando está pensando em alguma forma de se afastar de mim.
Ela notou uma ponta de ressentimento na sentença, e sentiu-se culpada, mesmo que soubesse que não era.
- Escute, Kaiba... Nunca iria dar certo. Você sabe disso.
- Não sei disso, não. Por mim, pode dar certo, sim!
- Entenda... Nós não podemos fazer isso. É um impulso, tanto meu quanto seu. – ela tentava racionalizar as coisas. – Nós somos patrão e empregada, e, fora isso, não pensamos da mesma forma. E só estamos nessa confusão por causa de hormônios.
- Eu não sei porquê você insiste nisso de hormônios, Mayra. – Seto ficou sério. – Se fossem só hormônios, nós conseguiríamos controlá-los. Mas não é bem assim.
Ela tinha que concordar. Saberia dominar seu corpo se fossem somente ações do seu relógio biológico feminino, mas havia alguma coisa a mais que fazia aquilo fugir ao controle.
- Certo. Existe alguma coisa a mais. – ela concordou.
- Então porquê não aproveitarmos? Sabe como é difícil sentir algo por uma pessoa e ser correspondido hoje em dia? – ele brincou, com um sorriso malicioso.
Ela não pôde deixar de sorrir.
- Eu nunca estive desesperada por causa disso, Kaiba. – ela disse, achando graça. – Quem vive correndo atrás de homem é a Kali!
Ele riu, fazendo-a rir também. Os dois ficaram se olhando por muito tempo, agora sem uma prima inconveniente pra atrapalhar.
- Hum, mas será que eu não mereço nem uma chance? – ele perguntou, sorrindo com carinho.
Era a primeira vez que o via sorrir assim, e ela ficou encantada. Mas uma parte de sua mente ainda raciocinava.
- Kaiba... não ia dar certo. – ela disse.
- Vai dar certo... se você se dispor a tentar. – ele sentenciou.
- Mas todos vão pensar que...
- Que você é uma aproveitadora e cavadora de ouro. Sim, eu sei disso. Mas com o tempo os mexericos vão acabar. Até porque você não é nada pobre. Você vai ver, vai conquistar todos e não haverá quem duvide que você é "inocente". – ele piscou um olho.
Porquê ele não podia ser assim todo dia? Porque ela não podia se arriscar a entrar num barco furado daqueles.
- Vamos, Mayra... Eu quero só uma chance. Prometo que não vou tentar monopolizar você. – ele sorriu.
Ela fechou os olhos, tentando achar algum vestígio do que um dia chamou de juízo.
- Eu não acredito que eu vou fazer isso, mas... eu aceito. – ela abriu os olhos.
Ele estava sorrindo, de vitória, mas também com carinho. O que aquilo poderia significar? Bem, não se preocupou em descobrir a resposta, pois no segundo seguinte ele a beijava e aquilo era tudo o que passava por sua cabeça. A delirante alegria que sempre a tomava quando ele fazia aquilo. Um namorado. Ela, namorando Seto Kaiba. Quem diria, hein?
Notas da Den: Para os pentelhos que esperaram todo esse tempo, aqui está. Espero que curtam. E, concordem comigo que eles estão avançando, hein? Huhuhu! Beijos!
