- Capítulo Dezesseis -

Notas: Nham, Wishes é Wishes, impossível de resistir. Eu não consigo parar de escrevê-la.

"Nós estamos mortos para o mundo", dizia a música Dead To The World, do Nightwish. E foi assim que ela se sentiu por pelo menos uma semana. Como um zumbi. Ao mesmo tempo que sentia alívio, uma estranha decepção tomava conta de seu ser. Não sabia ao certo com quem estava decepcionada, se com ela mesma ou com Seto Kaiba.

- Hunf... – resmungou, observando o vasto campo ao seu redor.

Lembrava de um estranho encontro que tivera na manhã seguinte ao término do namoro. Estava chegando ao restaurante da Kaiba Corporation, para tomar o café da manhã, quando ouviu a voz de Haruka:

- May-chan! Aqui!

Quando se virou para fitar a amiga, descobriu-a ao lado de ninguém mais, ninguém menos que a loira com quem havia se deparado no dia de assinar o contrato. Se não se enganava, o nome dela era Valerie. O que a linda moça estaria fazendo ali, àquela hora da manhã, conversando com sua amiga?

- Bom dia. – cumprimentou com um fraco sorriso, pois não dormira bem durante a noite.

- Bom dia, querida. – a loira foi logo cumprimentando, levantando-se para estalar-lhe dois beijinhos no rosto. – Não sei se lembra de mim, mas meu nome é Valerie Williams. Queria lhe dar os parabéns.

- Parabéns? – May questionou, confusa.

- Deixe de ser sádica, Val. – Haruka resmungou.

- Quieta, Haru. – Valerie respondeu, para depois voltar a fitar May. – Queria te parabenizar por ter sido a única mortal a ter coragem de dar um chute na bunda do Kaiba.

Haruka soltou uma imprecação, mas May apenas fitava a loira como se ela tivesse duas cabeças.

- Tá, isso deve parecer mesmo estranho, já que a única situação em que nos encontramos antes foi justamente numa disputa pela atenção dele, mas me acredite, eu estou adorando isso.

- Eu juro que não estou entendendo mais nada... – a morena murmurou.

- Venha, sente-se. – Valeria convidou, pedindo um suco para a mais nova por sua conta. Esperou que ela se servisse, para então prosseguir. – Você terminou com ele, não foi?

- Sim. – ela respondeu.

- Então é verdade? – Haruka se intrometeu de novo. – Não sabia que vocês tinham terminado.

- Isso foi ontem. – explicou May. – Depois das provas.

- Sinto muito, May-chan. – Haruka falou, realmente triste.

- Não se preocupe, não houve nenhum coração partido na história. – ela sorriu.

O que era a mais pura verdade. Havia se afeiçoado ao Kaiba, mas não havia desenvolvido paixão por ele, e muito menos amor.

- Mas você deve estar meio mal... – arriscou a amiga.

- Lógico, é uma situação chata. Mas nada que eu não supere em alguns dias.

- Assim que se fala, garota. – Valerie sorriu com aprovação.

- Mas porquê estão me perguntando essas coisas? E como ficaram sabendo?

As duas primas se entreolharam, perguntando-se o que era para ser revelado e o que não era.

- Você quer mesmo saber? – perguntou Valerie.

- Não ouse! – Haruka exclamou, com raiva, pois queria poupar a amiga dos detalhes sórdidos.

- Quero saber. – Mayra respondeu às duas, mas seu olhar estava fixo em Valerie.

- Seu ex-namorado topou comigo ontem e me fez uma proposta interessante... – ela começou.

Quando a loira terminou o relato, May estava sabendo dos planos do pai dela, do sacrifício que fizera em nome do rapaz que dizia amar, da proposta de Seto e de como ela concordara em passar a noite com ele.

- Assim que o sol nasceu eu saí do meu apartamento. Se possível, quero abandonar esse prédio e nunca mais ter que voltar aqui ou ver a cara desse miserável. – ela resmungou. – Só que talvez, se eu não tivesse tanto ódio dele, eu tentasse prolongar a relação. Essa noite foi bastante... animadora, se é que me entende. Você não sabe o que perdeu, meu bem. – e piscou para a estrangeira, que apenas meneou a cabeça.

- Sinceramente, nunca quis ter esse tipo de relacionamento, nem com ele, nem com ninguém. E agora menos ainda. – resmungou, quase tremendo de raiva.

- Bem, se me dão licença, eu preciso ir. – Valerie despediu-se, levantando. – Acho que já dei tempo suficiente pra que ele saísse do apartamento. Além do mais, preciso trabalhar.

- E eu perdi a fome. – Mayra levantou-se também. – Eu a acompanho até o saguão.

- Obrigada, queridinha, mas não precisa.

- Eu tenho que ir ao colégio, de qualquer forma. – ela ajeitou o cabelo trançado, pegou a mochila e virou-se para se despedir de Haruka.

- Eu vou com vocês, então.

E assim as três pegaram o elevador. May, como sempre, encarava o chão, imersa em pensamentos e, portanto, saiu automaticamente do elevador quando este parou, sem pensar no que fazia. Só voltou à realidade ao trombar com um corpo muito mais alto que o seu.

Ia começando a pedir desculpas quando levantou os olhos e encarou um par de orbes azuis claras, quase cinzas, com uma gélida e ácida raiva contida neles. A raiva que sentiu quase a fez estapeá-lo, mas conseguiu se controlar e apenas o fitou como se fosse o ser mais desprezível da face da Terra.

Seto sorriu cinicamente, vislumbrando Valerie atrás de May, e abriu passagem para a ex-namorada, fazendo uma sarcástica mesura. A garota apenas soltou um "Humpf", empinou o nariz e seguiu seu caminho até a limusine, a trança balançando atrás da cabeça.

Wishes

Voltando à realidade, May fitou novamente o campo que a cercava. Haviam-se passado três semanas desde o ocorrido, e como ela afirmara, havia se recuperado em poucos dias. Embora o clima nas reuniões da empresa fosse extremamente tenso e constrangedor, ela apenas fitava o patrão e ex-namorado com frieza calculada e respondia suas perguntas.

Ele também parecia disposto a evitá-la, pois havia diminuído o número de reuniões. Ao que ela agradecia. Não o suportava por ter sido tão desrespeitoso ao cair de boca na cama da prima de Haruka – coisa que viera a saber mais tarde. – logo depois que terminaram. Não havia ciúmes ali, apenas ela achava que aquilo fora falta de respeito para com a sua pessoa.

Mokuba era outro que passara a agir como um estranho com ela. Ele não sabia o que fazer, pois amava o irmão e a ex-namorada deste, e não decidia a quem apoiar. May sentia pena dele por estar sendo envolvido numa confusão em que não tinha culpa nenhuma – embora de início ela pensasse o contrário.

Estava também decepcionada, não sabia com quem. Decepcionara-se com Seto, por demonstrar ligar tão pouco para a curta relação que haviam tido ao passar a noite com Valerie. Decepcionara-se consigo mesma, por ter se deixado levar pelo playboy de olhos azuis que, ele sempre deixara claro, só queria sexo.

De modo que, como sua tia estava em negociações com uma firma de motocicletas famosas que tinha um centro de treinamento para pilotos de corrida e teste de protótipos no interior, elas haviam sido convidadas a visitá-lo. E lá estava ela, olhando a vastidão de verde que se descortinava por trás da enorme residência do dono da companhia, onde estavam hospedadas.

- Wow! Você viu que vista? – Kali surgiu ao seu lado, e May até teria respondido, se realmente achasse que ela falava da paisagem. – Quantas bundinhas lindas eu vi hoje! Os pilotos são uns gatos. E os filhos do dono também.

- Você está namorando, Kali... – May lembrou-a, pela milésima vez, como já fizera em situações parecidas. – O Motoki vai adorar saber que você anda de olho nos... atributos físicos de outros rapazes.

- Ah, olhar não arranca pedaço, não é? – ela brincou.

- Você nunca fica só na olhada, prima... – May riu.

- E você, que está descomprometida, fica parada, sem fazer nada. – Kali atiçou. – Está na hora de tirar o imbecil do Kaiba da cabeça, não acha?

Depois de muita insistência da prima, May lhe havia contado o que soubera através de Valerie.

- Eu não estou com ele na cabeça. É só que nunca gostei mesmo de homens, e você sabe disso.

- Você teve uma experiência ruim e vai desistir de tudo? Ah, fala sério...

May sorriu, condescendente, para a prima. Se ela soubesse o que já havia passado na vida, não falaria daquele jeito. Observou a tia, que conversava com o potencial parceiro de negócios. Michiko sabia, ela tinha certeza. A tia nunca mencionara o assunto por delicadeza, e talvez por saber que May jamais discutiria aquilo em voz alta, mas ela sabia. Afinal, Kai deveria ter contado tudo quando fora pedir ajuda.

- May-chan? Em que planeta você está? – Kali agitou as mãos frente ao rosto da prima, querendo deter sua atenção.

- O que você disse?

- Que talvez, se você experimentasse conversar com garotos, ao invés de fugir deles, gostasse mais desse sexo. Eles não mordem, a não ser que a gente peça. – a prima sorriu.

- Essa não é a minha especialidade, Kali. Esqueça.

- Ah, está bem... Vou te dar um desconto por causa daquele miserável...

May quase ria quando via a prima falar daquele jeito. Seto geralmente ia com ela visitar a tia e a prima nos fins-de-semana, já que passara a dormir lá apenas nos domingos, para poder sair com ele nos sábados. Tanto mãe quanto filha haviam gostado muito do rapaz, mas, ao saberem da situação, fervilhavam de raiva pelo jovem empresário.

- Ei, garotas! – um dos filhos do dono chamou por elas, aproximando-se. – Não querem dar uma volta de moto com a gente? – apontou ele mesmo e o irmão, que também se aproximava.

- Eu aceito! – Kali concordou, entusiasmada.

- Me desculpem, mas eu estou um pouco indisposta pra subir numa moto agora. – May recusou, com uma desculpa que esperava que calasse os dois.

- Ah, que pena. Podíamos ir os quatro conhecer uns lugares bem legais daqui... – o irmão do primeiro rapaz insinuou.

- Com licença, acho que vou ao banheiro.

May se afastou, segurando seus nervos. O rapaz não tinha culpa por ela ter completa aversão a homens. Como costumava se vestir mais elegantemente quando estava em companhia da tia, estava usando um vestido de seda rosa bebê que descia um pouco abaixo dos joelhos. Sabia que estava atraente, pois tinha consciência de que ficava bonita quando largava as roupas folgadas que eram sua preferência. E aquilo chamara a atenção do rapaz, o que não significava que ela correspondesse.

Seguiu pelo pavilhão que levava à pista de treinamento dos pilotos, onde um rapaz fazia manobras perigosas com a moto empinada. Ela o observou por alguns instantes, até que ele pareceu notar sua presença. A moto veio na direção da cerca, da qual ela estava atrás, e parou levantando um mínimo de poeira.

Olhos cor-de-lavanda fitaram-na de dentro do capacete. Ela teve a impressão de já ter visto aqueles olhos antes. Eles, por sinal, a fitavam como se tentassem descobrir de onde a conheciam também.

E, de repente, a luz do reconhecimento brilhou.

O rapaz tirou o capacete, revelando um pescoço e rosto morenos, de quem vivia exposto ao sol, ou tinha origem de um país quente. Os olhos, ela agora podia observar melhor, eram amendoados e contornados por uma fina linha escura, que deixava seu formato ainda mais destacado. Os cabelos, cor de palha, eram levemente espetados. O sorriso debochado, entretanto, foi o que o entregou.

Ela respirou fundo, empalidecendo como se estivesse vendo uma assombração.

- Ishtar!

O sorriso do rapaz alargou-se mais ainda.

- Que surpresa reencontrá-la nesta vida... Bastet!

Wishes

N/A: Como prometido à minha miguxa Mi, o Ishtar dela apareceu. XD Alguém curioso para saber o que vai acontecer a seguir? Bem, eu ORDENO que vocês deixem reviews, se não eu fico desmotivada pra escrever. E agora é que a coisa promete esquentar... Então comentem, viu? Ou vão ficar sem fic... XD C-ya!