- Capítulo Vinte -
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Ela acordou sendo sacudida suavemente.
- Quem? Onde? Quando? Fogo? – balbuciou, completamente perdida e meio cega.
- Acorde, May-chan! – Kali a sacudiu mais um pouco, rindo.
- Kali! – a outra resmungou, quando sua vista se acostumou à luminosidade artificial. – O que houve?
- Está na hora de acordar, Bela Adormecida, temos que aprontar você!
- Me aprontar? Não estou entendendo nada!
- Acorde pra vida, May-chan! Nós estamos a duas horas de aterrissar em solo nova-iorquino!
May abriu e fechou os olhos rapidamente, querendo espantar o sono, e depois olhou para o relógio.
- Nossa! Eu dormi quase... nove horas seguidas!
- É isso aí. Achei ótima essa idéia do Seto, ele está ganhando pontos comigo de novo. – a prima anunciou, animada. – Ele estava bastante preocupado com o seu cansaço.
- Claro, ele quer que eu esteja inteira quando ele me agarrar. – ela resmungou.
- Isso ninguém pode negar. – Kali riu. – Vocês dois combinam mesmo!
- Kali, você pirou? Nós detestamos o Kaiba.
- Não, querida, nem eu nem você detestamos o Kaiba. – a prima contrariou. – Bem, deixe-o para lá por enquanto. Vá para o banheiro, tire o resto da roupa e entre naquela banheira. Ah! Aplique algumas gotas de óleo na água pra deixar sua pele mais hidratada. – e estendeu automaticamente o vidro de óleo para ela, o qual pescara dentro da mala que agora estava no quarto.
Só ao ouvir a prima falar em "o resto" da roupa foi que May notou que sua calça e seus tênis haviam sido tirados. Ruborizou e resolveu não pensar mais no assunto para não piorar a situação.
Seguiu para o banheiro só para se ver livre de Kali por alguns minutos. Deixou a banheira encher e misturou um pouco do óleo, como a prima recomendara. Resolveu que ia lavar os cabelos, então deixou-os soltos enquanto se acomodava dentro da água quente.
Sentiu seus músculos relaxarem mais. Ela estava mesmo precisando ser mimada, descobriu, sorrindo e fechando os olhos ao encostar a cabeça na borda da banheira. Sua avó a aguardava em solo americano, e uma hora ou outra teriam de se ver. Kali aparentemente estava disposta a transforma-la numa boneca Barbie antes de pousarem.
May lembrou-se dos protestos da prima quando a encontrara no começo da manhã.
- Mas que roupas são essas? – Kali reclamara, na hora. – É assim que você pretende mostrar à sua avó o quão melhor você está agora do que estava quando morava com ela?
Agora a frase começava a fazer sentido. May colocara o jeans e a camiseta porque sabia que sua avó ficaria escandalizada com o descaso com o visual. Mas Kali a fazia perceber que o que mais atingiria Elizabeth não eram demonstrações de rebeldia, como ela fazia quando criança, e sim provas de que sem ela saberia se virar em qualquer ocasião.
No dicionário de Elizabeth Terrae, a expressão significava "parecer uma deusa".
De forma que, quando Kali apareceu para ajuda-la no banho, May disse que acataria todas as sugestões da prima sem fazer perguntas, já que a especialista em beleza entre as duas era ela.
Como um bônus por todo o sufoco que passaria nas próximas duas semanas, ela poderia dizer que nunca vira Kali sorrir tão feliz em toda a sua vida.
Wishes
Haruka entrou pouco depois para ajudar com a produção. May apenas respirou fundo, fechou os olhos e tentou não pensar nas mãos que passavam algo em seu rosto, ou nas que estavam em seu cabelo.
Enquanto as meninas cuidavam da parte física, ela tentava se preparar psicologicamente. Estava realmente com muito medo de rever sua avó, por mais que quisesse negar. Era como uma adulto que tem medo de escuro, mesmo sabendo que não tem nada lá e que isso é coisa de criança: simplesmente, quando se move na escuridão, escuta coisas que não existe, seu coração passa a bater mais rápido, a circulação entra em movimento acelerado e existe um grito de pavor preso em sua garganta antecipadamente, já pronto para escapar ao primeiro sinal de aberrações. Era exatamente assim que ela se sentia: como um adulto que nunca superou um medo que tinha quando criança.
Só que, no seu caso, o medo não só era justificado, como era real.
Elizabeth Terrae existia. Essa simples frase resumia a razão de noites sem sono, de sua falta de articulação social, do seu medo de homens. Elizabeth Terrae era responsável por tudo aquilo. May queria muito se livrar daquele fantasma que a perseguia, e para isso teria de enfrentar sua avó e todas as conseqüências de seus medos.
Ela respirou fundo, saindo do mundo ao seu redor para um mundinho particular, onde lembrava de muitas coisas. A morte dos pais. Os seis meses seguintes, nos quais sofrera todo tipo de abuso psicológico por parte da avó. Seis meses que mataram a essência da garota que ela fora um dia.
Seis meses que a fizeram ser uma mosca morta.
Quando entrou no orfanato, porém, ela descobriu que tudo podia piorar ainda mais. Feridas físicas eram pouco frente ao que aquele portão do inferno podia significar.
Se Elizabeth conseguira destruir sua essência, o orfanato destruiu sua alma. Só que sobrou foi a casca oca que seu corpo representava. Sem nenhuma marca, nenhum vestígio da tortura pela qual ela passara. Eles eram cuidadosos quanto a isso, afinal, se Elizabeth precisasse leva-la de volta para enganar os familiares, ela não poderia ter arranhões, hematomas e escoriações.
Ela sentiu o frio envolve-la, enquanto as lágrimas que quase caíam de seus olhos fechados secavam. O sofrimento se auto-curava, através de uma terapia de dor que, aos poucos, tornava-a imune a certos estímulos. Ela aprendera a lição da pior forma possível, o que, afinal, ajudara a fixa-la.
Ela jamais iria esquecer.
Quando abriu os olhos para encarar seu reflexo no espelho, nem mesmo o mais difuso brilho de inocência restara para contar história. Em sua mente, ela havia regredido ao dia em que Michiko aparecera no orfanato para leva-la, encontrando uma pálida lembrança da sobrinha que conhecera. Ela não tinha coração, na época, ou ele estava podre demais para dar sinal de vida.
A garota bonita que aparecia no espelho era apenas uma fantasia que ela vestira. Por baixo da falsa pele, as feridas ainda sangravam em profusão, ameaçando romper o parco controle que ela ainda exercia sobre si mesma. May sentiu comichões, querendo tirar a própria pele, como se tivesse asco dela.
Mas ela não daria a Elizabeth a satisfação de vê-la por dentro. Não, sua avó teria muito no que pensar quando ela voltasse ao Japão. Ela se certificaria disso.
Sorriu para as amigas, que pareciam não ter percebido a camada de aço que a rodeava.
- Muito obrigada, meninas. Ficou muito bom. – ela não estava realmente apreciando a pintura facial simples, porém de grande efeito, que lhe enfatizava a cor dos olhos e o volume dos lábios. Também não ligava para o cabelo, reto como o de uma oriental graças a secadores e chapinhas portáteis. – Tenho certeza de que estarei pronta para representar os Terrae em Nova York.
- Você está deslumbrante, May-chan! – Kali pulou de alegria. – Espere até o Seto te ver.
"Não ligo para o que ele vai achar", ela pensou, mas sorriu novamente.
- Vou deixa-lo babando um pouquinho antes de estender a mão.
- É isso aí, garota.
Elas a ajudaram a vestir as roupas, que consistiam numa calcinha que quase não tinha função, de tão fina, e um vestido rosa-bebê de costas nuas, amarrado atrás do pescoço. Ela não tinha seios grandes, para preencher um decote generoso, mas suas curvas eram mais elegantes, refinadas, de modo que o vestido causaria mais impacto do que se fosse vestido por uma loira voluptuosa exalando cheiro de sexo.
Os Terrae sempre foram donos de bons genes para a aparência.
As sandálias de couro branco, com tiras que subiam pelas suas pernas de forma sensual e saltos de deixar qualquer mulher se sentindo uma deusa, completavam o conjunto. Ela refutou qualquer idéia de jóia que as amigas sugeriram, usando apenas uma coisa, a única sobre a qual Elizabeth nunca tivera controle em sua vida: o colar de ouro com uma chave como pingente que ela sempre usava por baixo da roupa.
Agora iria ficar bem à mostra, como mais uma das armas de ataque.
Uma batida na porta as alertou para voltarem ao mundo real.
- Entre! – ela disse, colocando seu melhor sorriso no rosto.
Seto sentiu-se tentado por aquela visão do Inferno quando entrou no quarto. Kali e Haruka se retiraram silenciosamente, percebendo a tensão no ar. "Ela definitivamente está vestida para matar..."
Ele sentia sua circulação acelerar só de ver tanta pele exposta, coisa que ela nunca fazia. As roupas sensuais também diziam mais ao seu corpo do que ele era capaz de controlar. Deixou os olhos passearem preguiçosamente pelo corpo dela, adorando cada curva visível, e culminando nos olhos castanhos rodeados por sombra e delineador pretos, que destacavam o tom de mel e aprofundavam o olhar.
- Você está afim de me matar. – ele disse, à guisa de cumprimento, enquanto fechava a porta.
- Na verdade, você não é o meu alvo. – ela caminhou calmamente até ele, rebolando suavemente por causa dos saltos, e parou a milímetros de distância, querendo testar a eficiência de sua produção. – Eu não sei como agradecer pelo descanso que você me deu. Foi bem mais do que duas horas de sono.
- Eu sou modesto. – ele deu de ombros, e ela sorriu. – Você está linda!
- Obrigada.
Era incrível como ele conseguia acabar com sua pose de mulher fatal com um simples elogio. Ela sentiu-se ruborizar e abaixou a cabeça, embaraçada.
- Ah, aí está a mulher que eu conheço. – ele ergueu o rosto dela, observando que pelo menos agora havia algum brilho nos olhos dela. Ele levara um susto quando percebera o olhar frio como gelo. – Saiba que você fica muito mais tentadora sendo a garota que é, do que uma mulher fatal.
- Minha intenção não é ficar tentadora. – ela replicou.
- Eu sei. Você quer dar uma lição em sua avó, por tê-la enviado a um orfanato ilegalmente.
- Entre outras coisas. – ela concordou, esperando que ele não descobrisse o resto durante aquela viagem. – Ela merece tudo isso.
Um pouco daquela frieza voltara aos olhos dela. Seto tratou de abraça-la.
- Não se deixe corromper, Mayra.
- Do que está falando?
- Sua avó vai notar imediatamente o quanto você foi ferida se fizer essa pose de fria. O melhor é agir naturalmente, sorrir, conversar, e deixar implícito em cada palavra o quanto você tem poder sobre ela.
- Palavras de um experimentado?
- Exatamente. Eu tenho mais vivência do que você em matéria de vinganças. – ele replicou, beijando-a na testa. – Confie em mim.
Ela respirou fundo, inconscientemente aconchegando-se a ele, precisando de um apoio masculino para enfrentar o que viria.
- Já disse, Kaiba, que isso está além das minhas capacidades.
- Mas vai me dar uma chance de tentar recuperar isso, não é?
- Claro. Todos merecem uma segunda chance, pelo menos quando isso não coloca a minha vida em risco. E como esse não é o caso, não vejo porque não apreciar enquanto você rasteja aos meus pés.
É, a língua dela estava afiada naquele dia.
- Cuidado com o que pede, meu bem. Pode acabar recebendo mais do que queria.
Ele virou-se e pegou o sobretudo que fazia par com o vestido, abrindo-o e estendendo-o para ela, deixando implícito que iria ajuda-la a vesti-lo.
Ela o encarou por mais alguns segundos antes de virar-se.
- Quem fala o que quer, ouve o que não quer. – ela replicou, esperando que ele lhe vestisse o casaco.
Ele, entretanto, deslizou o indicador suavemente seguindo o meio das costas nuas até embaixo, onde seu dedo encontrou o tecido.
- Duas cabeças pensam melhor do que uma. – ele disse, para então vestir-lhe o sobretudo.
Ela amarrou-o enquanto respondia.
- Estamos cheios de provérbios, não?
- É verdade. – ele voltou a puxa-la para si, mergulhando o rosto naquela massa de cabelos agora lisos. – Vou trazer você de volta, Mayra, não importa o que me custe.
Ela sabia do que ele estava falando. Ele queria a May boboca e ingênua de sempre. Ela puxou o rosto dele para cima para responder.
- Para isso, meu caro, terá de passar por cima de mim. – e finalizou, caminhando até a porta.
WishesOs amigos elogiaram sua aparência, mesmo que ela não tivesse tirado o sobretudo para mostrar o vestido. Os convidados que não a conheciam não fizeram comentários até serem formalmente apresentados. Todos ali eram de famílias ricas, abastadas, estudantes do CISJ ou, no caso de Haruka e Michael, parentes.
Todos, entretanto, tiveram de sentar-se para a aterrissagem, e ela se viu irremediavelmente sentada ao lado de Kali e Seto.
- Ela não está fabulosa? – Kali parecia uma mãe orgulhosa da filha.
- Eu já disse isso a ela. – o outro respondeu, piscando um dos olhos azuis. – Pretendo me aproveitar desse surto de vaidade, e muito bem.
As pessoas mais próximas riram, enquanto ela lançava a ele um olhar mortal. "É guerra, Kaiba? Então você terá guerra!", pensou, enquanto sorria maliciosamente, inclinando-se para ele.
- Porque você não fala do quanto você babou lá dentro, hein, querido? Eu quase tive que limpar o chão...
enquanto todos riam, ele lançava um olhar divertido para ela.
- Milagre, você aprendeu a responder! – ironizou, causando mais risadas.
- Eu sei fazer mais do que isso, benzinho... Vou te mostrar mais tarde. – ela piscou um olho, com um sorriso malicioso que culminou numa sessão de gargalhadas.
- Nii-san, acho melhor você deixar May-chan em paz por enquanto. Ela está definitivamente ganhando de você! – Mokuba provocou.
- Hum, muito engraçado! – Kaiba lançou um olhar de viés para o irmão, fazendo-o rir. – Meus truques ainda não acabaram.
- Eu tenho certeza disso. – May respondeu, esnobe. – Pena que você vai estar muito ocupado pra me mostrar.
- Minha agenda sempre será flexível para você, minha querida. – ele rebateu. – Quem sabe aí você não me mostra essas coisas de que falou.
- Se você merecer... – ela deu de ombros, arrancando mais risadas pela cara de ofendido que Seto fez.
- Pode apostar nisso, meu bem. – ele avisou, soltando o cinto quando o avião atingiu o solo. – Vou cobrar sua promessa.
- Só não prometo deixar você intacto depois, ok? – ela avisou, arrancando mais gargalhadas.
- Não se preocupe comigo, meu bem, é melhor preocupar-se com a sua integridade.
E então eles seguiram juntos para a porta, deixando para trás quatro cientistas, Mokuba, Kali e Claire rindo a valer.
O capitão de vôo fez questão de ajuda-los no desembarque, levando-os em segurança a solo americano. May sentiu seu coração balançar ao rever o aeroporto no qual estivera tantas vezes para se despedir dos pais, ou embarcar com eles.
Quando chegaram ao solo, ela respirou fundo.
- Nunca vou achar nenhum lugar em que me sinta mais em casa do que em Nova York. – falou para si mesma, sorrindo.
- Espero que não tenha um surto de saudade e resolva voltar a morar aqui.
Ela virou-se para encarar Seto Kaiba, que caminhava ao seu lado.
- Estou presa por contrato ao Japão. – lembrou-o.
- Não gosto que as pessoas trabalhem para mim contra a vontade. Elas me prejudicam mais do que me dão lucro.
Ambos se encararam.
- Não se preocupe, Kaiba, esse não é o meu caso.
Ele sorriu e deixou-se ficar para trás, observando-a. Percebera que, quanto mais próximos dos Estados Unidos, mais ela mudava. Agora que estavam em solo ianque, até o jeito dela de andar estava diferente, mais rígido e sofisticado.
- Porquê as rugas? – Mokuba chegou ao seu lado, e só então ele notou que estivera franzindo o cenho.
- Estou um pouco intrigado.
- Preocupado, eu diria. – Mokuba corrigiu, sorrindo. – E com ela.
- Você notou o jeito como ela se... transformou? – ele perguntou, na falta de um termo melhor.
- Sim, eu e todo mundo. Ela é como um soldado que se arma pra guerra.
- Estou pensando se foi uma boa idéia aceitar ficar na casa dela.
Mokuba surpreendeu-se.
- Não é você mesmo quem diz que, para se livrar de um trauma, é preciso enfrenta-lo? – ele lembrou-o, batendo carinhosamente no ombro do irmão. – Melhor que ela faça isso agora, que estamos por perto para ajuda-la.
E, deixando o irmão com essas considerações para pesar, chamou Claire e os dois se juntaram a May.
Seto só pode ouvir a gritaria quando o portão de desembarque se abriu para os três. Assim que o viram, e a Yugi, a multidão começou a gritar.
- Nossos fãs. – Yugi riu. – Tinha me esquecido que a data em que chegaríamos seria divulgada na imprensa.
- Eu também... – Seto murmurou.
- Ei, Kaiba, tire essa expressão de quem chupou limão da cara. Isto pode afetar seus negócios. – alfinetou.
- Estou muito preocupado com isso, Muttou. – ele ironizou, mas acabou acompanhando o outro para dar um pouco de atenção aos fãs.
Os outros passavam como se nem fossem notados. Somente Kaiba e Yugi eram chamados aos berros. Os repórteres e fotógrafos caíram em cima deles, enquanto o pessoal que ia organizar o torneio se aproximava. May e Mokuba riam às gargalhadas do claro desconforto de Seto por ter que acenar, autografar e tirar fotos.
May, entretanto, parou de rir ao sentir uma mão em seu ombro. Virou-se, pálida, esperando encontrar sua avó ou seu comparsa olhando-a diabolicamente.
- Guten Morgen, Mayra. – a lindíssima loira falou ao seu lado.
- Frau! – May abriu o maior sorriso e a abraçou, sendo abraçada de volta pela moça.
- Senti tanto a sua falta, menina! Deixe-me ver você! – e se afastou para observa-la, depois tentando desatar o nó que prendia o sobretudo no lugar.
- Frau, aqui não! – May tirou as mãos dela de cima de si.
- Você nunca foi tímida assim. – "Frau" estranhou.
- Depois eu te explico... – May balbuciou.
- O que é que você quer falar tão em particular com ela? – Seto, que chegara naquele momento, perguntou.
- Nada, Kaiba. – ela respondeu, rodando os olhos.
- Creio que você é Fraülein Michele Rommel. – ele resolveu ignorar a pequena Terrae e dirigiu-se à loira em alemão, beijando-lhe a mão.
- Oh! Que agradável surpresa ouvir minha língua natal! – a loira sorriu amplamente, sedutora. Depois voltou a falar em inglês. – É um prazer enorme conhece-lo, Herr Kaiba.
- Esqueça o senhor, pode me chamar de Seto. – ele lançou um olhar igualmente charmoso para ela enquanto desfazia a curvatura. – Michiko esqueceu de me prevenir sobre o impacto da sua beleza.
- Altura pequena ajuda a concentrar o charme. – ela piscou um olho para ele e voltou-se para May, que estava vermelha como um pimentão. – Oh, acho que deixamos alguém com ciúmes.
Seto virou-se e teve o prazer de constatar o brilho perigoso nos olhos da garota, satisfeito.
- Ciúmes, eu? – a brasileira replicou. – Eu estou constrangida, isso sim!
- Sei...
Ele queria abranda-la com um beijo muito, muito mais constrangedor, mas também sabia quando tinha que recuar, e aquela era uma dessas horas. Não deixou, entretanto, de enviar-lhe um olhar que revelava todas as suas intenções.
- Vim avisa-los de que tenho de ir ao escritório central. – ele comentou, sério. – Vejo vocês mais tarde.
- Que pena... – May ironizou. – Tenha uma boa noite de trabalho.
E marchou em direção à saída do aeroporto.
- Acho que exageramos na provocação. – Michele comentou, divertida.
- Eu acho que não. – disse Kaiba, com um sorriso misterioso. – Vejo vocês mais tarde.
E se afastou.
