- Capítulo Vinte e Cinco –
N/A: Bem, achei necessário relembrar que Wishes é uma fic semi-universo alternativo, então eu estou desconsiderando a maior parte do anime, já que só vi os primeiros capítulos e tenho uma breve noção do que acontece depois. Não estranhem se algo for contra as sagas do anime.
Sei que já disse isso algumas vezes, mas agora é ainda mais sério: chegamos aos pontos-chave da fic. Vocês já conhecem o passado da May, mas neste capítulo e no vinte e seis – tive que dividir em dois pois estava ficando imenso e não daria para atualizar antes do ano novo se não o fizesse - as ações se desenrolam para chegar ao fim de Prophet Wishes. É estranho pensar que, depois de três anos de dedicação, esta fic finalmente está caminhando para o final. Se mais nenhuma idéia surgir pelo caminho, eu prevejo no máximo mais dez ou quinze capítulos.
Algumas pessoas já me ouviram falar isso: eu tenho a história planejada desde o começo. Wishes é talvez, a única das minhas fics com a qual eu nunca empaquei, e vi claramente começo, meio e fim desde que comecei a escrevê-la. Mas já aconteceu de eu incluir partes na fic que não estavam decididas no começo. A razão para ter demorado tanto a sair foram os meus três anos de vestibular – coincidência ou não, Wishes e minha paixão pela Medicina têm a mesma idade, e estão se concretizando juntas. Sim, eu passei no vestibular dessa vez, viva! XD
Tenho alguns meses de folga pela frente graças a isso. Não estranhem, então, se houverem atualizações mais freqüentes a partir de agora. Sim, Wishes está chegando ao fim. É triste e, ao mesmo tempo, um alívio. E, antes que me perguntem, não, não vai ter continuação.
Bem, último aviso, ou melhor, um pedido: façam uma autora feliz! Faltam CINCO reviews para completar 100 reviews em Wishes, e eu ADORARIA começar 2007 com essa marca atingida. Vai, eu mereço! Olhar carente para os leitores Por favoooooor!
Feliz 2007 para todos!
Beijos!
O resto da semana passou como um jato. A sexta-feira chegou iluminada, sem nuvens. A família, como de costume, reunia-se aos convidados na área externa, junto às piscinas e quadras esportivas. Os dois grupos já se haviam entrosado bastante bem. Os japoneses achavam engraçada a mistura de hábitos americanos – como assistir baseball e comer pizza – com hábitos italianos – como cantar o hino da família e comer pizza.
As bebidas alcoólicas eram vetadas aos menores de idade – o que havia deixado Mokuba, Claire e Kali muito contrariados – a não ser, é claro, para a herdeira da família, que ficava encabulada toda vez que lhe era concedido algum privilégio.
- É hoje que terminamos as adaptações do jogo! – comemorou Hiroki, parecendo cansado.
Estavam todos os cientistas sentados sozinhos a uma pequena mesa redonda. May, depois de dias conferenciando entre as mesas dos parentes que queriam revê-la, finalmente tinha tempo de conversar calmamente com os companheiros de trabalho.
- Finalmente. Entre a Terrae e a Kaiba eu fico louca já, já. – ela resmungou, rodando os olhos e fazendo os amigos rirem.
- Você parece bem mais calma do que quando aterrissamos em solo americano. – Haruka comentou, aprovando a mudança de humores. – Não a vi chorando nos últimos dias.
- Haruka... – a menina enrubesceu, fazendo os outros rirem.
- É bom vê-la animada. – a loira replicou. – Michele me disse que a festa será incrível.
May sorriu. Haveria uma festa na propriedade, para amigos, parentes distantes e sócios das corporações da família. Obviamente seus amigos estavam todos convidados.
- Os meninos terão de nos cobrir no fim da tarde. – ela disse, e os três rapazes fizeram caretas. – Eu, May, Kali e as outras meninas vamos fazer compras de última hora. Precisamos ser as mais lindas da festa.
- Você é e sempre vai ser a mulher mais linda do mundo pra mim, Haruka. – Michael disse, simples.
- Oh, ele não é um amor? – a loira derreteu-se, beijando-o rapidamente. – Mas se paquerar alguma mulher americana enquanto eu não chego, vai ser castrado.
Dessa vez a brasileira acompanhou as risadas dos amigos, enquanto Michael corava.
- Amor, você sabe que eu só tenho olhos pra você. – ele replicou, ainda de bom humor.
- Eu sei, mas não custa lembrar, não é mesmo? – a loira replicou, piscando um olho para ele.
May deixou-os soltando farpas e virou-se para encarar a avó, sentada com algumas amigas que convidara para o café, já que a família andava evitando-a por razões óbvias. "Será que ela cansou de me importunar? Há dias anda me evitando...", pensou, franzindo a testa em concentração, tentando tirar conclusões ao observá-la.
Mas a mulher virou-se e encarou-a, fazendo um arrepio subir pela sua espinha. Os olhos dela estavam brilhantes, maliciosos, o sorriso denunciando a maldade de seu ser.
"Ela está aprontando alguma coisa...", pensou, antes de virar-se de supetão, assustada, ao ouvir o barulho de algo se chocando contra a mesa. Mas era apenas a caneca de café que Kaiba acabava de deixar sobre a mesma.
- Você me assustou. – ela disse emburrada, levando a mão ao coração que havia saltado direto para o inferno nos últimos microssegundos.
Ele nem se deu ao trabalho de se desculpar.
- O que pensam que estão fazendo aqui sentados? – atalhou, zombeteiro. – Temos que trabalhar!
- Ah, Seto, não seja estraga-prazeres... – Haruka resmungou, apreciando o chocolate quente que lhe haviam servido há poucos minutos.
- Estraga-prazeres? Então está bem: quem não estiver na limusine em dez segundos perde o salário do mês. Dez...
- Está falando sério? – Takeru perguntou, espantado.
- Nove... – foi tudo que o empresário disse.
- Você definitivamente é um estraga-prazeres. – resmungou Haruka.
- Oito...
Hiroki levantou-se e saiu correndo.
- Sete...
- Er... Estou indo, chefe. – Takeru respondeu, erguendo-se e seguindo o caminho do amigo.
- Seis...
Michael, Haruka e May se entreolharam, espantados.
- Cinco...
Michael ergueu-se.
- Quatro...
Ele e Haruka passaram correndo pelo portal que dava acesso à casa.
- Três...
May rodou os olhos, engoliu o café que tomava e ergueu-se.
- Dois...
- Pode parar, Kaiba, perder o salário não me amedronta.
Ele sorriu.
- Certo, esqueci que você é Terrae. Podemos ir?
- Claro. – ela deu de ombros. – Estou em pé, não estou? – virou-se, acenou para Michele e seus primos e seguiu-o para dentro da casa, onde pegaram seus casacos e rumaram para a porta da frente, escoltados por Gaspar. – Por qual motivo você está mau-humorado?
- Nenhum.
Ela virou-se para observá-lo.
May acordara no dia seguinte àquela conversa reveladora sozinha. Encontrara com Michele no andar de baixo do chalé, e a irmã não sabia dizer do paradeiro do rapaz. Ela só o vira mais tarde, no café, e algumas vezes no trabalho. Estavam num clima distante e amistoso, estranhamente confortável. Sem insinuações ou brigas, o que também era uma raridade.
- Estava só implicando conosco? – ela estava começando a se divertir ao relembrar a cena dos amigos correndo.
- Você não caiu no meu joguinho. – ele replicou, sarcástico.
- Não sou tão bobinha quanto pareço. – ela disse, rindo, começando a descer as escadas. James os esperava com a porta da limusine aberta.
- Terrae, Terrae... Não me provoque. – ele a acompanhou no riso.
Antes que chegassem ao automóvel, porém, alguém saiu detrás de um arbusto próximo e flashes começaram a espocar.
- Senhorita Terrae! Senhor Kaiba! – o homem os cumprimentou, aproximando.
Seto instintivamente pôs-se à frente da garota.
- O que está fazendo aqui?
- É verdade que vocês dois voltaram a se envolver romanticamente? Que pretendem unir suas empresas para criar um grande conglomerado dominante no mercado mundial? Vão casar para selar o acordo?
Enquanto falava, o homem tirava fotos sem parar. May olhou para o topo da escada, de onde Gaspar já havia sumido para buscar a segurança.
- Como conseguiu entrar aqui? – ela perguntou ao homem, tentando manter-se calma.
- Senhorita Terrae, pretende seguir a carreira de cantora da sua mãe? E quanto a tornar-se pintora como seu pai?
- Saia daqui antes que eu o agrida. – Kaiba falou, frio, tomando a câmera das mãos do homem.
May sorriu, aliviada, quando a segurança chegou.
- Por favor, senhor, nos acompanhe. – os guarda-costas pediram, enquanto Gaspar empurrava o casal para dentro do carro.
Os dois entraram e sentaram lado a lado, observando os grandalhões da segurança levando o homem a pé atrás deles, enquanto Gaspar entrava na mansão com a câmera fotográfica, claramente para apagar as fotos da memória do aparelho.
- Isto é invasão de propriedade! – Hiroki exclamou, horrorizado. – Como ele conseguiu entrar aqui?
- Não sei. – a morena respondeu, passando a observar a paisagem que começava a correr cada vez mais rápido fora do carro. – Quando meus pais eram vivos, eles ficavam de plantão no portão da frente. Sempre havia um que achava uma brecha e conseguia entrar.
- Aquele idiota deve ter ouvido falar a respeito da recepção que acontecerá mais tarde, e resolveu arriscar.
- Kaiba, alguns membros da imprensa foram convidados a participar da festa. – May retrucou. – É protocolo social, nossa família é algum tipo de família modelo, ou família dos sonhos, que a mídia adora mostrar. Não haveria motivo para ele invadir.
- Eles devem estar loucos pra conseguir uma foto sua. – Takeru comentou.
Ela assentiu.
- Sempre quiseram, desde que eu era pequena. Achavam que eu ia seguir a carreira dos meus pais, ou assumir as empresas da família. Devem especular sobre o que estou fazendo trabalhando numa empresa japonesa do ramo de jogos. – e então virou-se para Seto. – Claro que o chefinho aqui já é motivo suficiente para eles aparecerem lá em casa. Acho até que demoraram a descobrir onde você estava hospedado.
Ele sorriu, passando um dos braços pelo ombro dela.
- O que aquele homem disse? Fusão e domínio do mercado mundial?
Ela também sorriu.
- Acham que somos os vilões dos quadrinhos que querem dominar o mundo.
- A imprensa americana adora um escândalo. – Michael comentou, e todos riram. – Só faltou insinuarem que você estava grávida dele, May-chan.
A menina arregalou os olhos e empalideceu, o que arrancou risadas de todos, inclusive de Seto.
- Não se preocupe. – ele a animou, tirando o braço de seus ombros. – Se você engravidar eu assumo o filho, prometo. – jurou, arrancando mais risadas dos companheiros.
Ela riu baixinho.
- Não pretendo começar a ter filhos nem tão cedo, mas agradeço a sua consideração. – respondeu, cordata, de propósito. Michael e Hiroki ficaram sem ar de tanto rir.
- Ih, cara, levou um fora! – o mais novo zombou.
- Hiroki, posso reconsiderar se seu pagamento será efetuado este mês. – Kaiba ameaçou, fazendo a morena rir.
- Oh, esqueçam esse assunto. – ela ordenou, e todos concordaram. – Kaiba, estamos quase terminando o programa do jogo.
- É verdade, você nem imagina o quão irado está, cara! Temos algumas surpresinhas pra você.
As sobrancelhas marrons ergueram-se, debochadas.
- Eu tenho certeza de que descobrirei mais rápido do que vocês imaginam.
Haruka gargalhou sozinha, provocando a curiosidade dos outros.
O resto da viagem foi passado em clima de camaradagem, com os rapazes provocando Seto para ver se ele adivinhava que diabos era a tal surpresa. O homem, entretanto, parecia pouco se importar. May sorriu, conhecendo o temperamento dele, e relaxou o resto do caminho.
Wishes
Já eram quase duas da tarde quando ela teve notícias dele de novo. Estava discutindo alguns dos últimos efeitos especiais com sua equipe quando a porta do laboratório se abriu e por ela entrou Takeru.
- Ele quer falar com você, May... – o loiro falou, sorrindo para ela.
- Você sabe o que ele quer?
- Não exatamente, mas sua irmã e Mokuba estão lá com ele. – disse, referindo-se ao escritório do último andar.
Ela deu de ombros e voltou-se para os outros.
- Podem continuar, eu volto já, já. – sorriu e acompanhou Takeru para fora do laboratório.
Eles seguiram para o elevador, de onde subiram para o escritório do chefe. May nem mesmo bateu na porta, apenas abrindo-a e entrando.
- Queria falar comigo? – perguntou depois de cumprimentar a irmã e o amigo.
- Sim. Sua irmã veio buscar você e Haruka para ir às compras.
- Ah... – ela corou brevemente, sem saber por que fazia aquilo. – Desculpe, eu venho pra cá amanhã para terminar o programa.
- Não se preocupe com isso. – ele replicou, divertido. – Trouxe Mokuba para me ajudar neste aspecto.
Ela virou-se, curiosa, para observar o irmão do rapaz.
- Nós dois vamos substituir vocês duas. – o colega de escola respondeu à pergunta silenciosa dela.
- Quê? – ela estava surpresa.
- Faz tempo que eu não programo nada, admito. – Seto falou, voltando a chamar sua atenção. – Mas acho que não perdi o jeito.
- Você, perder o jeito? – Mokuba riu. – Essa é uma idéia ridícula.
Satisfeito com o apoio do irmão, Seto virou-se para ele.
- Mokuba, leve Michele até o laboratório e converse com Haruka. Eu vou pegar os aspectos principais da programação com Mayra.
Mokuba trocou um sorriso irônico com Michele e os dois saíram da sala, deixando uma May ainda mais corada.
- Então, garota? Preciso de instruções para completar seu trabalho.
Ela resumiu em menos de dois minutos o essencial do programa para que ele não acabasse indo contra o que ela programara. E teve que contar a pequena surpresa deles para o chefe: um extra que vinha no jogo, com o qual os players podiam utilizar Seto ou Yugi num duelo entre os dois, mas apenas para os que conseguia chegar a um certo level do jogo e obtinham a chave de acesso.
- Então era isso? – ele riu. – Porque mantiveram tanto segredo?
- Bem, o pessoal queria deixar pra mostrar apenas no dia do seu aniversário.
- Entendo... – ele a puxou para perto pelas mãos. – Bem, agora não será mais surpresa. Michele e Haruka vieram me pedir para substituir vocês duas hoje. Segundo sua irmã, esta festa é especial. – ele conversava enquanto a fazia passar os braços pelo seu pescoço, colando o corpo dela ao seu.
May sentiu um arrepio se espalhar pelo seu corpo.
- Então por isso ela estava rindo no carro, quando você disse que ia descobrir em breve.
- Isso mesmo. – ele passou os braços ao redor da cintura dela e aproximou seus rostos.
- Bem, sobre a festa, sim, ela é muito importante, mas essa é uma longa história.
- Deixaremos para conversar mais tarde. – ele concordou, sorrindo. – Já tem um acompanhante para a festa? – perguntou, enquanto suas mãos deslizavam pela pele exposta na altura da cintura.
Ela sabia que devia ter colocado uma blusa mais comprida, pensava, enquanto uma bola de calor se formava nos locais onde ele tocava.
- Na verdade, eu pensei que você ia comigo. – ela disse, ruborizando mais.
- E você está absolutamente correta. – ele murmurou, plantando beijos em seu pescoço. – Acho que você realmente está começando a se acostumar com a situação.
- Er... Eu disse a você naquela nossa última conversa. – ela murmurou, o calor sendo substituído por um frio na barriga. – Eu admito que não dá mais pra negar. – continuou, mas parou quando o rosto dele voltou a tocar o seu.
- Isso é um progresso. Agora, eu acho que mereço um agradecimento por cobrir você hoje no trabalho, não concorda? – perguntou, sedutor.
- Hum... Talvez. – ela balbuciou, sentindo que não conseguia mais respirar.
- Ótimo. Só que eu quero o agradecimento agora.
- Agora? Mas nós não...
Ela teve que parar de falar quando a boca dele cobriu a sua. Seu corpo moldou-se ao dele quase que automaticamente. Suas mãos mergulharam por baixo do terno enquanto a língua dele brincava com a sua e lhe tirava toda a capacidade de raciocínio. Eles tinham uma urgência cega de se tocar, de sentir um ao outro, de se completar. Ela foi tomada por uma nova percepção, de que aquele abraço não só lhe trazia desejo, mas também afeto. Era como se dele emanasse uma aura de carinho que a rodeava, protetora. Sentindo seu coração se acalmar com aquela sensação, ela pôde experimentar o próprio carinho que sentia por ele.
O beijo terminou lentamente, enquanto eles ainda se abraçavam.
- Que estranho... – ela balbuciou.
- O quê? – ele perguntou, enquanto a beijava de leve.
- Eu estou com uma sensação estranha. – ela comentou com o semblante fechado. – Como se houvesse algo quente saindo de você e me abraçando. – meneou a cabeça. – Esqueça, eu devo estar louca.
- Na verdade... – ele a impediu de se afastar, apertando o abraço. Foi automático da parte dela circundar sua cintura com os braços, e ele gostou daquilo. – Eu estou sentindo a mesma coisa.
Ela ergueu uma sobrancelha para ele, curiosa.
- Alguma coisa me diz que não vou gostar de descobrir a razão disso... – ela murmurou, preocupada.
- Concordo com você mais uma vez. – ele deu de ombros e a beijou suavemente mais uma vez. – Isso aqui está ótimo, mas os outros estão nos esperando lá embaixo.
Ela assentiu e os dois se soltaram, caminhando lado a lado para fora da sala e entrando no elevador. Ela suspirou fundo e fechou os olhos, pensando se os atritos e confusões iriam recomeçar agora que voltavam a se tocar.
- Pensei que você ia esperar até eu te contar o meu passado antes de me tocar de novo. – ela murmurou.
- Eu disse que não ia tentar levar você pra minha cama, e não que não ia lhe tocar.
Ele ainda estava com um sorriso superior quando a porta do elevador se abriu e eles entraram novamente no laboratório. May achou graça quando viu o nervosismo de sua equipe ao saber que trabalharia diretamente com o chefe naquela tarde. Ela mesma morria de medo dele quando estava começando a conhecê-lo, e podia entender o que os colegas americanos sentiam, já que era pouco provável que houvessem estado tão perto de Seto Kaiba antes.
Era engraçado rever o modo como a relação deles evoluiria desde o fim de julho até agora. Eram três meses muito engraçados, muito sofridos e muito reveladores, tudo ao mesmo tempo. E ela também achava que era um tempo muito curto para ter se apegado tanto a ele como acabara se apegando, e como sabia que ele também havia se apegado a ela.
- Não sabote o bonequinho do Yugi só porque eu não vou olhar. – murmurou enquanto mostrava as últimas alterações nos gráficos, enquanto a equipe americana que a assessorava retomava seus postos de trabalho. – Eu tive que tirar fotos dele pra acertar os cabelos arrepiados.
- Muttou esteve aqui? – os pêlos dele se eriçaram ao ouvir enquanto ela assentia. – Não gosto de Muttou se metendo nos meus projetos sem que eu saiba.
- Pelo amor de Deus! – ela resmungou. – Ele só queria ajudar. – colocou as mãos na cintura e meneou a cabeça. – Você é muito ciumento com suas coisas.
- Tenho motivos, Mayra. Quando ainda duelava, perdi dele muitas vezes. – ele replicou, ácido, e ela se surpreendeu ao ouvi-lo confessar aquilo. – Não pretendo perder mais nada para ele.
Ela podia ser ingênua na maior parte das vezes, mas aquela era uma indireta mais que direta!
- Eu e Yugi somos amigos, Kaiba! Compartilhamos interesses comuns, profissões parecidas, até mesmo um passado no Egito! – respondeu, sussurrando a última parte. – Quantas vezes eu vou ter que dizer que não é nele que eu estou interessada?
- Essa conversa é muito interessante... – uma voz os interrompeu, e a figura de Haruka apareceu logo ao lado da de May. – mas nós temos que ir!
- Haruka, nós vamos pra Terrae! – May insistiu. – Lá tem tudo que precisamos. Pra quê sair tão cedo?
- Oras, May, até parece que Kali não é sua prima. Quanto tempo ela demora para se arrumar?
- Umas duas horas. – ela girou os olhos, sarcástica.
- E quanto tempo você acha que nós vamos levar, levando-se em conta o porte do evento?
- Eu levo menos de meia hora! – a morena afirmou, fazendo a loira exibir uma careta.
- Mayra Elizabeth Terrae, você é o motivo da festa! É óbvio que você vai levar umas quatro horas para ficar perfeita!
Os olhos castanhos da mais nova se arregalaram, e Kaiba conteve uma risada.
- Quatro?
- Sim! E estamos perdendo mais tempo discutindo o fato! – Haruka começou a atravessar o laboratório e a puxá-la consigo.
- NÃO SABOTE MEU BONECO! – a morena gritou para o "namorado" antes de sumir com Michele e Haruka no elevador.
Seto deu uma risada assim que o elevador subiu.
- Que houve? – Mokuba perguntou, confuso.
- Nada. Estou apenas adivinhando que isso vai ser muito engraçado. – ele replicou, e depois voltou a ficar sério. – E o que vocês estão fazendo parados? Ao trabalho!
Ninguém ousou questionar a ordem do chefe.
Wishes
Quando elas chegaram ao trigésimo andar do prédio das Corporações Terrae, May quase riu ao ver o rosto embasbacado das meninas.
- Eu vou ter um troço... Estou no paraíso! – Kali gritou, girando sobre si mesma. – Olha só pra quantidade de roupas e maquiagem que há aqui!
Ela e Haruka se abraçaram e começaram a soltar gritinhos de felicidade, enquanto May e Claire olhavam de uma para a outra e enrubesciam de vergonha.
- Meninas, contenham-se! – Claire pediu às duas, encabulada.
- Deixem as duas se divertirem! – Michele as defendeu, para a surpresa da irmã. A "Terrae" mais velha não costuma suportar ataques de futilidade vindos de ninguém.
- Frau, você está bem? – May perguntou, curiosa.
- Estou. – a loira sorriu. – Hoje é um dia para se sentir fútil e princesa. – ela piscou um olho. Em seguida olhou o relógio. – Eu tenho uma reunião marcada para agora. Volto mais tarde para ver o andamento das coisas, está bem?
- Você vai me deixar sozinha com elas? – os olhos da morena cresceram com seu espanto e medo. – Elas vão me comer viva. – choramingou, sabendo que logo se veria entre sedas, rendas e alguma coisa indecente.
- Você é um doce, irmãzinha, mas precisa aprender a dizer não às vezes. – Michele sussurrou em seu ouvido e voltou a se empertigar. – Boa sorte.
Cinco segundos depois, May olhava para a porta pela qual ela passara, confusa e um pouco triste.
Wishes
Quando Seto, Mokuba, Hiroki, Michael e Takeru chegaram à mansão Terrae, já estavam no fim da tarde. Edward, o tio de Mayra, recebeu-os junto com o filho, Marco.
- Como vão, rapazes?
- Cansados. – Hiroki respondeu, sorrindo.
- Sugiro que corram lá para cima para se arrumarem. Phia está com as meninas, e ela me disse que em mais ou menos uma hora elas chegam. – Marco comentou, divertido.
- Haruka riria muito se nós chegássemos mais atrasados que elas! – Michael disse, fazendo todos rirem. – Vamos correr!
Ninguém comentou mais nada.
Wishes
Quando eles voltaram a descer as escadas, impecavelmente arrumados, dois seguranças estavam de prontidão no final delas, para impedir os convidados da festa e a imprensa de subirem para os andares superiores. Os inferiores, entretanto, estavam tomados de gente que era encaminhada para os jardins na parte de trás da casa, aonde a festa seria realizada.
- Nossa, vai ser mesmo um festão! – Michael exclamou quando avistaram Marco parado na entrada do jardim.
- Sim, temos muito a comemorar! – Marco concordou, rindo da cara estupefata do novo amigo.
- Eu ainda não entendi, porque a May nunca falou de vocês? – o rapaz perguntou.
Todos resolveram prestar atenção na resposta.
- Lizzie teve seus motivos para se separar de todos nós, Michael. Motivos que eu não tenho o direito de discutir. Precisou sair do país e ficar fora por todos esses anos para amadurecer o coração e os pensamentos. Mas ela está de volta, e essa festa é pra ela. – ele disse, apontando tudo ao redor deles. – Para que saiba o quão bem vinda é entre nós novamente.
Seus olhos fitaram Seto como se o desafiassem a retrucar. O japonês não teve dúvidas.
- Ela está aqui em caráter temporário, Marco. Não esqueça disso.
- Nós não esquecemos, pode acreditar.
Sem entender a animosidade entre os dois, Michael, Takeru, Mokuba e Hiroki resolveram puxar Seto para longe, distraindo-o.
- Eles realmente gostam muito da May-chan. – Hiroki comentou, observando tudo ao redor.
- Será? – Seto perguntou, mas com o barulho da festa ninguém ouviu seu murmúrio.
- Ei, as meninas chegaram! – Mokuba gritou.
Seto virou-se novamente para a entrada, somente para descobrir que ainda havia algo capaz de fazer sua respiração parar: ela. Ele já a achava linda normalmente, mas naquela noite em especial parecia esplendorosa. O vestido era muito longo, branco, em estilo grego. As alças finas deixavam os ombros à mostra. O decote era um pouco mais longo do que ela costumava usar, o que deixava o vale entre os seios visível e, descansando sobre ele, um grandioso colar com pingente em forma de dragão, feito em ouro branco.
Para contrabalançar, os brincos eram de delicadas pérolas. Completando o visual grego, braceletes de ouro branco nos pulsos. A maquiagem apenas acentuava sua beleza natural, tornando evidentes o místico tom castanho-dourado de seus olhos e a cor bronzeada de sua pele, que contrastava com o branco do vestido de uma maneira que certamente despertava pensamentos indecentes em qualquer homem com sangue nas veias.
Os cabelos estavam presos numa tiara, à moda grega, com pequenos cachos soltos que desciam na lateral do rosto, emoldurando-o de forma elegante. Seto podia imaginar que o perfume dela seria tão impactante quando seu visual.
Lembrando de voltar a respirar, e vendo que os jornalistas tiravam fotos atrás de fotos dela, ele colocou seu melhor sorriso superior no rosto e se dirigiu a ela, seguido pelos outros.
Ela, que estava se sentindo levemente assustada com a quantidade de flashes que espocavam em seu rosto, sorriu ao vê-lo se aproximar para "resgata-la".
- Olá! – cumprimentou, aliviada, enquanto ele a puxava para longe, sob os olhares de quase todos na festa.
- Resolveu descer do monte Olimpo esta noite, minha senhora? – ele brincou, enquanto oferecia o braço a ela.
Ela riu.
- A idéia do visual grego foi de Maurice, meu estilista particular que eu nem sabia que existia até esta tarde. Segundo ele eu combino com a Grécia como a carne combina com vinho.
- Eu diria que ele está mais do que correto. Você está estonteante. – ele comentou, sincero.
Ela enrubesceu suavemente.
- Sabia que estava um pouquinho exagerado, mas quando me olhei no espelho, pensei que realmente parecia uma princesa grega. – ela respondeu, envergonhada.
Ele sorriu, carinhoso.
- Você merece um dia de princesa.
Ela o fitou, curiosa com aquelas palavras enigmáticas, mas quando ele não se ofereceu para explicar o comentário, simplesmente deu de ombros e resolveu deixar para lá.
- Desculpe a demora. Eu não achava que realmente demoraria tudo isso.
Seto parou um garçom que passava e pegou duas taças de champanhe, oferecendo uma a ela. May aceitou, mesmo que com certa relutância.
- Valeu a pena esperar. – ele respondeu às desculpas dela, fazendo-a sorrir.
- Você também está muito bonito. – ela comentou, enrubescendo mais um pouco. Seto pensou que, se não estivessem sob a mira de tanta gente, ele a despiria lentamente, beijando cada pedaço de pele que aparecesse.
- Duvido que eu ganhe de você esta noite, meu bem.
- Quer fazer uma aposta? – ela perguntou, animada.
- Certo. Vamos apostar quantas propostas indecorosas cada um de nós receberá. Quem receber mais ganha.
- E qual é o prêmio?
Ele apenas lançou-lhe um olhar que a fez sentir calor e adivinhar que tipo de prêmio ele tinha em mente.
- Com licença... – Michele se aproximou dos dois, e Seto pensou que ela só não estava mais bonita do que a própria irmã naquela noite. O vestido de veludo verde combinava à perfeição com o tom de seus olhos e realçava o dourado dos cabelos. – Preciso raptar Lizzie, Seto. Você se importa?
- Sim, eu me importo. – ele respondeu, fazendo as duas arregalarem os olhos. Em seguida riu. – Tudo bem, estou resignado esta noite.
Michele riu.
- Frau, pode nos dar dois minutinhos a sós? – May pediu, surpreendendo a irmã.
- Claro, mas não demore. – a loira afastou-se.
O casal caminhou para um pouco mais longe da festa, de modo que tivessem privacidade para conversar.
- Kaiba, eu acho que esta noite nós não teremos muita chance de conversar. – ela começou. – A intenção da festa é ter amigos da família e sócios de negócios aqui para que eu possa conversar com eles e ser "reapresentada", por assim dizer. Então, provavelmente vou passar boa parte da noite ocupada.
- Eu já havia imaginado coisa do tipo. – ele respondeu, cobrindo a mão dela que ainda estava em seu braço com a sua.
May sorriu e apertou a mão que segurava a sua.
- Me desculpe. Eu gostaria de passar mais tempo livre com você, mas esta noite será impossível. – respondeu, ficando na ponta dos pés para beijar as bochechas do rapaz. – Junte-se aos outros e divirta-se. Você também precisa descansar um pouco.
Ele a observou se afastar e, mais uma vez, teve uma desagradável sensação de que a estava perdendo para alguma coisa. Ou alguém.
Wishes
Ela rodou por toda a festa com Michele, cumprimentando e sendo reapresentada a sócios, amigos da família, políticos e jornalistas. Era um trabalho cansativo, mas ela sabia que era parte do dever que o sobrenome Terrae trazia consigo. Muitos estavam curiosos sobre sua estadia no Japão, outros sobre o retorno à América. Os jornalistas queriam saber tudo de tudo.
A todos ela dava uma resposta evasiva e entrava em outro assunto.
Por fim, quando parecia que ela havia percorrido uma montanha a pé, ela percebeu sons de instrumentos sendo afinados, e virou-se para ver de onde vinha. Havia uma banda realmente afinando seus instrumentos num pequeno palco improvisado para a festa. Ela passou rapidamente os olhos pelos componentes da banda até que seu olhar repousou na vocalista.
Seus olhos se arregalaram.
A loira acenou para ela, que começou uma corrida desabalada em direção ao palco. Enquanto isso a cantora descia do mesmo, e as duas se encontraram num forte abraço que atraiu a curiosidade de muita gente.
- NATALIE! – May gritou, sentindo lágrimas subirem-lhe aos olhos.
- LIZZIE! – a loira, quase idêntica à morena, berrou de volta. Seus olhos também estavam tomados por lágrimas.
- Vocês se conhecem? – Michele, que acabara de chegar acompanhada de Kai, olhou espantada para a loira, que era uma cópia quase perfeita de May, a não ser pela cor de pele, cabelos e olhos. E, claro, pela voz.
- Sim, nos conhecemos há muitos anos atrás. – a cantora respondeu, sorrindo. Voltou-se novamente para a amiga. – É tão bom revê-la, Lizzie.
- Digo o mesmo a você. – May murmurou, quase perdendo a voz com a emoção. – Oi, Kai! – ela sorriu e o abraçou.
- Como vai, Lizzie? – ele perguntou, sorrindo, e voltou-se para a loira. – Malakai Maxwell III, é um prazer conhece-la, senhorita.
- Natalie Fischer. – a loira apresentou-se, com um olhar alarmado para a morena ao seu lado, que apenas acenou em negativa. Só então a moça recuperou o sorriso genuíno.
- Esta é minha irmã Michele Rommel. – as duas loiras foram apresentadas uma à outra.
Trocaram um rápido cumprimento e logo May e Natalie se sentaram sobre o palco, colocando os papos em dia.
Wishes
Seto observava tudo de longe, girando a champanhe dentro de sua taça.
- May-chan parece feliz, não é? – Haruka, sentada ao seu lado, comentou.
- Aparentemente. – ele respondeu, evasivo.
A loira virou-se para o amigo e chefe, uma sobrancelha erguida.
- Você está cheio de respostas dúbias ultimamente. – ela comentou, ganhando um aceno positivo do namorado, que sentava-se do outro lado.
- Está mesmo, Seto-kun. – Michael comentou, perspicaz. – Aconteceu alguma coisa ultimamente?
Seto parou para pensar antes de responder. Ao mesmo tempo em que nos últimos dias ele e May pareciam estar gradualmente retomando o relacionamento, de alguma forma ele tinha a impressão de que algo ruim estava para acontecer. A sensação vinha arrepiando os cabelos de sua nuca desde que ele acordara naquela manhã. Tendo ciência de sua vida passada como sacerdote, ele simplesmente estava torcendo para que aquilo não fosse um sinal, e sim apenas nervosismo.
Seu raciocínio, entretanto, negava aquela possibilidade com força.
- Não sei, Haruka. – ele respondeu, sincero. – Tenho que esperar para saber, desta vez. – e Deus sabia como ele odiava esperar algo, principalmente quando era importante.
- Não creio que vá esperar muito, Kaiba. – uma outra voz os interrompeu.
Kaiba virou-se, já sabendo o que encontraria. Corpo moreno, coberto por um terno italiano clássico, cabelos da cor de palha e olhos cor de lavanda.
- Ishtar. – ele falou, sem no entanto dar uma entonação de cumprimento à voz.
Largando sua taça de champanhe na mesa, e deixando os amigos curiosos para trás, Seto ergueu-se e sentou com Malik em uma mesa vazia. Quando os dois estavam confortavelmente alojados, o empresário resolveu esperar enquanto o loiro observava a cestinha de aperitivos que havia em todas as mesas, e escolhia uma que levou à boca.
- E então? – Malik perguntou, depois de saborear a comida com os devidos gemidos de satisfação. – Pensei que iria querer saber o que estou fazendo aqui.
- Não preciso perguntar. – Seto cruzou os braços, e Malik notou que seu olhar estava afiado como aço e frio como gelo, do mesmo jeito que era quando eles duelavam.
- Para quem negava acreditar na história de sua vida passada, você está muito confiante de seus poderes, Kaiba.
- Não são poderes. Ela me contou que havia encontrado com você nesta encarnação. – ele respondeu, balançando a cabeça para indicar May, que ainda conversava alegremente no palco como se não os houvesse notado. – Depois disso, é só juntar dois mais dois.
O sorriso superior dele, entretanto, não enganou o loiro nem por um segundo.
- Ao contrário dela, Kaiba, você já lembrou de toda a sua vida no Egito. – Malik declarou, soando como se fizesse uma afirmação banal. – Por mais que você tente expulsar isso da sua mente, é óbvio que você enxerga a veracidade de suas lembranças.
- Não pretendo reavivar desavenças do passado, Ishtar. – Seto replicou, duro. Seus olhos continham uma ameaça velada, mas bastante clara. – Nem pretendo permitir que interfira na nova vida de Bastet.
Ishtar simplesmente começou a gargalhar, inadvertidamente chamando a atenção de algumas pessoas, que o observaram e concluíram apenas que o rapaz havia bebido demais.
- É incrível, Seth, como o destino prega uma peça em todos nós. Inclusive em vocês dois, seus maiores servos. – o sorriso do ex-duelista ampliou-se, enquanto ele observava Muttou aproximando-se.
- Malik? – Yugi o chamou, e Seto pensou que realmente aquela era uma ironia muito grande do destino.
- Como vai, Yugi? – Ishtar cumprimentou-o.
- Bem, obrigado. – o rapaz em seguida virou-se para Kaiba, enquanto sentava-se na mesa. – Estranho ver justamente vocês dois reunidos.
- Ah, é? E porque diz isso, Muttou? Aliás, o que faz aqui? – Seto perguntou.
Yugi acenou para Anzu, Jounouchi e Honda, que estavam observando o trio de longe. Os três amigos do duelista entenderam a mensagem e simplesmente passaram a aproveitar a festa.
- May-chan me convidou para a festa. – ele respondeu, dando de ombros. – Como os outros ficaram interessados em conhecê-la, quando eu disse que ela era sua namorada, eu acabei trazendo-os comigo. – apontou os três amigos novamente, agora observando com certo receio que Kali e Jounouchi pareciam conversar animadamente.
- O que aquele bando de idiotas pensam que são para se meter na minha vida privada? – Seto rosnou, irritado, e Malik sorriu.
- Realmente, seu destino é muito irônico, Seth.
A sobrancelha de Yugi levantou-se ao ouvir como o outro rapaz se dirigia ao empresário.
- Seth? – perguntou, com medo de confirmar que ouvira certo.
- Exatamente. – Ishtar respondeu, sorrindo com certa maldade, apesar de já ter abandonado seus tempos de "seguidor do mal" há muitos anos. – Percebo que você também se lembrou, Yugi.
O rapaz de cabelos tricolores, apesar de ter se tornado mais independente de seu Yami nos últimos anos, sentiu um leve arrepio na nuca.
- Lembrei de quê, especificamente?
- De sua morte. De quem a causou, e de quem tentou evita-la. – Malik respondeu, curto, dando de ombros.
Yugi sentiu mais uma vez arrepios, e percebeu que aquilo vinha de Yami.
- E porque, particularmente, eu deveria me preocupar com isso?
O sorriso de Malik ficaria estampado para sempre no rosto de Seto, enquanto o loiro apontava May.
- Porque sua assassina está bem ali.
Yugi sentiu-se empalidecer, enquanto observava May, distraída, longe deles. Agora ele entendia porque Yami sempre se incomodava quando chegava perto da menina.
- Ela é a reencarnação de Bastet? – ele perguntou, voltando-se para Seto.
O rapaz hesitou apenas por alguns segundos. Em seguida, concordou com a cabeça.
- E, curiosamente... – Malik continuou, atraindo a atenção dos dois de volta para ele. – Você já sabe. – o olhar de Yugi demonstrou seu choque enquanto ele virava-se para Kaiba, aparentemente tendo perdido sua voz.
O ex-duelista e sacerdote levou apenas cinco segundos para perceber a maior das ironias da situação. Lançando um olhar ácido para Malik, ele voltou seu rosto para o local onde May estava. Esta, agora, observava-os, levemente preocupada, para em seguida despedir-se da cantora que conversava anteriormente com ela e encaminhar-se na direção deles.
Ele havia finalmente prestado atenção em um mísero detalhe: Bastet, depois de matar o faraó, havia morrido em um duelo com seu maior rival. E, entendendo finalmente a origem do receio que lhe havia corroído durante o dia, Seto lembrou-se que quem a havia matado era justamente ele.
O Sacerdote Seth.
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