Capítulo V

É verdade que a sede de Sirius por vingança, pelos doze anos passados em Azkaban, não o permitiu esperar os progressos de Carla. Retornar ao mundo bruxo e reviver certas amizades não era uma tarefa fácil, principalmente, quando se tratava de Comensais da Morte. Um círculo fechado e sem a presença do Mestre disforme.
Quando finalmente ela recuperara a confiança do grupo, Sirius descobrira o paradeiro de Rabicho e começou a caçá-lo. Era um jogo arriscado, que acabou se provando ineficaz; Pedro escorregou por entre os dedos dos marotos, e mais uma vez, Sirius se viu exilado, e ela, atirada àquela vida da qual havia fugido. A Marca Negra voltara a ficar nítida, e todos os seguidores de Voldemort sabiam o que isso significava, ele retornaria em breve.

Carla sabia exatamente o que faria; prenderia o rato em sua armadilha, faria Pettigrew pagar por cada ano de Sirius em Azkaban. Nos últimos meses, ter Sirius ao seu lado só lhe dava a certeza de que havia esperado tempo demais para ser feliz, e não deixaria tudo se perder novamente. Renunciara ao amor de Black uma vez, não faria isso de novo.

Foi assim que, no ano seguinte, ela seguiu Malfoy e os outros na Copa Mundial de Quadribol. Uma vez mais vestindo as grossas roupas de Comensal de Morte que a acompanhariam ainda durante muito tempo. A máscara ocultando não só um rosto, mas o motivo pelo qual azarou vários bruxos que cruzaram seu caminho naquela noite. Inocentes que pagavam um preço alto pela ambição de outros, e pela dela mesma.

Na noite daquele mesmo dia, Malfoy convidou a todos para uma das suas reuniões. Festejariam o sucesso do ataque na Copa e, também, o fato da Marca Negra ter brilhado no céu. Quem a conjurara? Nem eles próprios sabiam, mas indiscutivelmente, era um sinal da volta do Mestre. Festinhas regadas a sexo e álcool – pensou, sorvendo um pouco do drink; esquecera-se como aquilo a enojava. Não havia uma porta, uma parede, ou simplesmente uma cama, que não fosse usada naquele ambiente lascivo.

Carla deslizou suavemente para fora da sala. Uma coisa era ser Comensal, outra, ser promíscua; isso ela não suportava. Debruçou-se sobre peitoril de uma das varandas que davam acesso aos jardins e fitou as estrelas, tentando imaginar como estaria Black. Uma voz aveludada soou as suas costas, e sorrindo, ela sorveu mais um pouco de bebida, antes de responder sem se virar.

– Severo Snape – disse com um leve tom de escárnio na voz.

– Srta. Bastet – devolveu-lhe com o mesmo tom. – Não sabia que estava de volta.

– Não sabia que ainda participava destas festinhas, Snape – disse com calma, ainda sem se virar.

– Assim como você, eu não tenho escolha – ele respondeu suave.

– Continua então com seu papel? – Seus olhos posaram sobre a figura de preto do Mestre de Poções.

– Entenda como queira, senhorita – ele a olhou frio. – Não sou só eu que guardo segredos por baixo desta máscara.

– Está me acusando? – ela o interpelou.

– Não – disse calmo. – Apenas lhe dando um aviso de quem tem doze anos na profissão. Não é uma tarefa fácil – ele a fitou curioso. – Está disposta a pagar o preço?

– Você sabe que sim. – Os olhos dela brilharam. – Farei qualquer coisa para inocentar o Sirius.

– Então... – ele ergueu sua taça de encontro à dela e continuou: –, bem vinda ao grupo. Tenho que admitir que seu propósito é louvável. O tolo sentimento... Amor!

– E você, por que faz isso? – ela o encarou. – Por que entrou nesse jogo de forma tão arriscada?

– Porque fui tolo o suficiente para negar o que sentia por uma certa jovem, e depois foi tarde demais para voltar atrás. – Ele crispou os lábios no que talvez fosse o prenúncio de um sorriso de si mesmo, e continuou: – Ela morreu... – ele percebeu o que dissera, e refreou suas palavras. As linhas de seu rosto se tornaram duras, e retomou seu tom, finalizando a conversa: – Se me dá licença, senhorita – fez uma leve mesura –, devo partir.

– Adeus, Severo. – Ela lhe deu um sorriso tímido. Tinha uma leve desconfiança de quem seria essa mulher, a responsável por tudo, mas não tocaria nesse assunto.

– Adeus, Bastet – respondeu no seu tom habitual. – Tome cuidado. – E saiu enfurnando a capa atrás de si pelos jardins.

Severo sempre fora temido pelos alunos, não suportava Black, mas Bastet nutria uma grande admiração pelo homem envolto em preto e que agora se misturava à escuridão da noite. Ele era corajoso em permanecer naquela posição, viver sempre sobre uma linha tênue, esticada ao máximo, que poderia ruir a qualquer instante. Uma mancha negra surgiu num ponto ao longe, e sem pensar duas vezes, Carla seguiu em sua direção. Antes que a alcançasse, ela desapareceu, e com um leve sorriso no rosto, Carla desaparatou.

Entrou em seu quarto calmamente e viu quando a luz do luar jogou sua luz pálida sobre a figura sentada na poltrona perto da janela. Os cabelos compridos revoltos pela brisa, e os olhos cinza a fizeram tremer. Impassível, controlando-se ao máximo, ela o ignorou, seguindo até banheiro (da suíte). Contrariado, ele se levantou e foi atrás dela.

– O que fazia lá com o Severo? – A voz soou potente.

– Conversava – respondeu seca.

– Sobre o quê? – ele rebateu.

– Você – ela respondeu sorrindo.

– Eu? – debochou. – Ele também está apaixonado por mim? Ou ainda é inveja?

– Você não tem jeito, não é? – Ela manteve o sorriso e o fitou. – O que foi fazer lá?

– Saudades, "Mon Amour" – respondeu cínico. – Queria vê-la.

– E precisava se arriscar daquele modo? – Seus olhos caíram sobre ele numa reprimenda muda.

– Por você... – ele se aproximou, tocando seus cabelos, a boca próxima da dela, mantendo o olhar fixo em seus lábios – eu seria capaz de qualquer coisa. Daria minha vida se preciso para ter a certeza de que você está bem e protegida.

– Não faça mais isso, entendeu? – disse seca.

– Se for uma ordem sua... – ele sorriu jogando os cabelos para trás.

– É um pedido... – ela murmurou. – Quanto à Ordem...

– Sim – ele se aproximou mais, colando seu corpo ao dela, deixando-a sem saída e fazendo-a encará-lo. – Diga...

– Me beije... – Foi um breve sussurro sufocado pelo calor dos lábios dele imerso nos dela.

As carícias se aprofundaram, o desejo percorreu seus corpos e suas almas, e numa insanidade sem tamanho, tomaram-se avidamente, sem barreiras ou descanso. Era assim que Carla mantinha acesa a esperança de devolver àquele homem sua dignidade e sua vida. Por Black, ela enfrentaria até mesmo Voldemort. Contudo, naquele momento, estava mais interessada em romper apenas uma barreira, a da volúpia.

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N/A: Caps água com açúcar total, mas lindo com a presença de Sevie!!!! Nossa até fazendo uma ponta ele é divino!!! Bjos grandes a todas que me deixaram reviews fofas e, especiais, às aniversariantes da semana do Sanepetes: Mia, Shey e Marie. Amo vcs!!!!