Capítulo VI

Os sinais de que o Mestre voltaria em breve se tornaram mais nítidos a medida que o ano letivo se aproximava do fim. Não só pelo fato de Harry ter seu nome posto numa competição de forma abertamente inescrupulosa, mas também por vários outros acontecimentos. Carla teve que impedir que Black fizesse uma besteira quando soube do ocorrido com o afilhado; agora, mais do que encontrar Rabicho, ele desejava matar qualquer um que se aproximasse de Harry.

O grupo de Comensais da Morte começou a se encontrar com mais freqüência nos últimos meses e apesar de admitirem a iminente volta do Lorde das Trevas, ninguém se atrevia a dar o primeiro passo em direção a ele. Fora algumas atividades que continuavam mantendo e alguns ataques a trouxas, nada mais era feito ou dito. Foi assim que ela viu chegar o dia fatídico do retorno de Voldemort e percebeu que, definitivamente, estava enterrada em tudo aquilo.
O círculo foi disposto em torno do Mestre assim que foram convocados. Um a um, eles se posicionaram na roda, trajados com suas pesadas roupas pretas, encobrindo seus rostos com aquelas máscaras inóspitas; Carla sentiu asco de si mesma. Seu campo de visão foi preenchido pela figura de Rabicho, e seus pensamentos arrastados até o dia em que o vira amputando o dedo de sua mão. Teve uma vontade incontrolável de arrancar-lhe todos os outros e levá-lo diretamente para o Ministério, mas desviou sua atenção para o menino de cabelos revoltos e olhos verdes. Harry tinha que sair dali ileso.

Sem que Carla precisasse intervir, Harry conseguiu deixar o cemitério para trás, e um leve sorriso de vitória aflorou em seus lábios. Ao voltar à realidade da situação, encontrou os olhos cinza do Malfoy a fitá-la curioso e, simplesmente, devolveu-lhe o olhar. Na meia hora seguinte foram alvo da frustração de seu Mestre, seu desejo de livrar-se do menino o levava aos pícaros da insanidade.

Após retomar seu controle, já dentro da mansão Riddle, e haver dispensado quase todos seus Comensais, seus olhos caíram sobre ela. Carla continuava impassível, os olhos castanhos presos na figura cadavérica à sua frente, esperando o próximo passo, analisando. Malfoy ainda continuava no aposento, um pouco mais adiante; as chamas da lareira brincavam com sua figura austera. Seus brilhantes olhos cinza encontraram os dela no instante em que a voz fria cortou o silêncio deixado na sala pela ausência dos outros.

– Bastet – Voldemort sibilou num tom baixo e andou até ela. – Há quanto tempo minha cara. – Deu-lhe um sorriuso amarelo. – Longos treze anos... Esqueceu-se da reverência ao seu Mestre?

Carla o encarou alguns segundos sob a máscara e, como se estivesse refletindo calmamente na decisão, retirou seu disfarce, fazendo uma meia mesura.

– Meu Lorde – murmurou.

– Assim está bem melhor. – Voldemort moveu os lábios num sorriso de escárnio. – Continua tão bela quanto antes... – Virando-se para Malfoy, perguntou: – Não acha, Lúcio?

– Sim, Mestre – ele a fitava intensamente.

– Então, resolveu se juntar a nós uma vez mais, Bastet? – ele a interpelou, seus olhos vermelhos à espreita.

– Não ousaria abandoná-lo no momento em que está mais próximo de seu triunfo, Mestre. – Sustentou seu olhar no dele.

– Vejo que ainda tem sede de poder – disse se aproximando mais um pouco dela. Tocou os cabelos dela e sorriu nefasto. – Pensei que o tivesse saciado na empresa de seus avós trouxas...

– Em parte sim – ela rebateu. – O problema é que quem mais tem, mais quer. – Ela sorriu cínica.

– Adorável. – Ele a encarou, seus olhos vermelhos brilharam maquiavélicos. – Você me surpreendeu. Em breve quero vê-la em ação; quero saber o quanto ainda é ambiciosa.

– Você verá – ela sorriu antes de completar a frase –, Mestre.

– Pode ir – disse, fazendo um gesto rápido com suas mãos finas e brancas. – Malfoy a fará companhia até sua casa, Bastet.

Lucio assentiu com a cabeça, caminhou até Carla, e os dois se dirigiram para a porta da sala. Voldemort sentara-se em sua poltrona, fitando a lareira enquanto as chamas verdes deram lugar a uma figura envolta na longa capa preta de Comensal da Morte. Carla pôde ver Severo fazer sua breve reverência ao Mestre antes de deixar a sala acompanhada por Malfoy e se perguntou quanto tempo aquele homem ainda agüentaria manter-se nesse papel. Aparataram.

Estavam de volta à Mansão Bastet. A lua emprestava um brilho prateado aos jardins que se erguiam à frente de ambos, e eles venceram a distância que os separavam da entrada da casa em minutos. Carla destrancou a porta com um murmúrio de palavras e, antes de entrar, virou-se para seu acompanhante.

– Boa Noite, Lúcio – disse suavemente com o olhar fixo no homem à sua frente. – Obrigada pela companhia.

– Não vai me convidar para entrar, Bastet? – ele a fitou intensamente.

– Não acho uma boa idéia – ela desviou seu olhar e, virando-se para a porta, abriu-a. – Boa Noite.

(ville)

Eu estou desistindo do fantasma do amor

E de uma sombra moldada em devoção

(lauri)

É ela que eu adoro

rainha do meu silêncio sufocante

(ville e lauri)

Quebre este feitiço armagamente doce em mim

estou perdido nos braços do destino

Malfoy deu dois passos colocando-se ao lado dela e, com sua bengala, deteve a porta, impedindo-a de se abrir por completo. Carla fitou o chão enquanto ele a trouxe para perto, fazendo-a sentir seu coração em descompasso. Ela não ousou encará-lo, e com um toque suave de seus dedos, ele descreveu o caminho entre os cabelos castanhos até os lábios rosados. Novamente ela não se mexeu, apenas fechou os olhos em permissão ao toque gentil que recebia, e sentiu-o deslizar até seu queixo e erguê-lo para que o encarasse. Castanhos estavam dentro dos cinza.

(ville)

Amarga doçura

(lauri)

Eu não vou desistir

estou possuído por ela

(ville)

Estou carregando uma cruz

Ela está se tornando minha maldição

Não demorou muito para que se percebessem entregues, e num misto de prazer e agonia se beijaram. Intensos, quentes, vivos; mas a brisa da noite soprou em seus rostos trazendo-os à realidade. As bocas se afastaram trêmulas, e evitando qualquer outro contato, Carla abriu a porta e entrou.

(ville e lauri)

Quebre este feitiço armagamente doce em mim que

estou perdido nos braços do destino

(lauri)

Amarga doçura...

(lauri)

Eu quero você...

(ville)

Eu só quero você...

Ao ouvir o barulho da trava da fechadura, ela se deixou escorregar pela madeira escura que os separava, chegando ao chão, encolhendo as pernas, tentando apagar todas aquelas lembranças. Do lado de fora, a brisa fria ainda fazia revoar os cabelos loiros enquanto o homem de preto fitava a madeira escura. Ele fechou os olhos, e em segundos tragou toda a essência de rosas que ela deixara no ar. Deu meia volta retornando pelos jardins, e desapareceu na escuridão da noite.

(lauri)

E eu preciso de você...

(ville)

oh eu só preciso de você

(ville and lauri)

Quebre este feitiço amargamente doce em mim que

perdido nos braços do destino

(ville and lauri)

Amarga doçura.

( Bittersweet – Apocalyptica )

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N/A: Agradeço ao carinho de todas e fico imensamente feliz por poder compartilhar meus sonhos com vcs!!! Bjos no coração.