Capítulo VIII

Hogwarts foi tomada de assalto pela interferência direta do Ministério, Dolores Umbridge se tornou a mão de ferro que coordenava tudo. E foi nesse mar turbulento que Carla se viu cada vez mais envolvida com os Comensais da Morte; os ataques se tornaram mais constantes, e Voldemort por sua vez, mais confiante.

O Ministério se negava a admitir que Aquele-Que-Não-Deve-Ser- Nomeado havia retornado, pois Fudge se sentia ameaçado por Dumbledore. Esse foi seu maior erro, essa passividade diante dos acontecimentos permitiu que Voldemort e seus correligionários atuassem abertamente.

Não havia mais um lugar seguro no mundo bruxo, e foi numa noite fria com uma nevasca fina, poucos dias antes do Natal, que Sirius viu Carla se vestir com suas pesadas roupas pretas. Apenas um olhar dirigido a ele, sem palavras, sem toques; aquilo expressava mais que qualquer coisa. A porta foi destrancada, e a bota preta e dura pisou na neve branca e fofa. A passos largos ela ganhou distância da casa e desaparatou.

Os olhos cinza a acompanharam por trás das pesadas cortinas de veludo vinho das vidraças. Sirius sentia-se cada vez mais responsável pela obstinação de Carla, e isso o inquietava. Ele voltou-se até a lareira, deixando-se cair no sofá com os olhos presos nas chamas crepitantes, sentindo-se o mais impotente dos seres vivos. Estava entregue à sua sorte.

A noite se aprofundou, o copo de vinho em sua mão se encheu pela última vez, a garrafa vazia sobre a mesa. Os olhos cinza ainda parados nas chamas já esmaecidas da lareira, enquanto o líquido tinto e espesso escorregava por seus lábios, e ele sorvia o resto do cálice de uma vez, estalando-os. O fogo se apagou e ele sorriu, colocou-se de pé e, trôpego, subiu as escadas.

Deitou na cama, a camisa aberta até a cintura, displicentemente deixada para fora das calças, os sapatos ainda no pé, os olhos fechados. Quando tornou a abri-los, o retrato da mulher vestida de vermelho sorria para ele. Passou as mãos pelo cabelo, aquela demora tirava sua sanidade. Tentou afastar seus pensamentos dali, mas tudo o que via era Carla vestida com as pesadas roupas pretas, e tudo o que sabia era que fora ele o responsável por isso.

A porta da frente da Mansão Bastet se abriu, e um enorme cachorro preto atravessou os jardins cobertos de neve. Entrou no número 12 do Largo Grimauld e subiu direto para seu quarto. Inúmeros objetos foram varridos de cima da escrivaninha de madeira, e o estrondo no assoalho foi inevitável. Sirius se apoiara nos braços sobre o tampo da mesa; a respiração acelerada e os olhos cinza cheios de ódio, ódio de si mesmo.

As imagens do casamento vieram a sua mente, o Natal com Harry e depois com ela. Nunca se sentira tão feliz, não havia nada que houvesse desejado mais nos longos anos em Azkaban, mas sua sede de vingança podia ter colocado tudo a perder. Por Merlin, o quanto ainda tenho que pagar? – pensou, baixando a cabeça em direção ao chão, os cabelos caindo sobre o rosto. O que mais terei que perder?

Sirius fechou os olhos, tinha que se controlar, tinha que manter sua sanidade. Aprendera a fazê-lo na prisão, não fraquejaria agora, não naquele momento. Carla precisaria de apoio mais cedo ou mais tarde, e isso era o mínimo que ele poderia dar a ela. Foi até o banheiro, ligou as torneiras e mergulhou na água morna. Em minutos sentiu cada músculo do seu corpo relaxar, e varreu por completo seus medos da mente.

Quando acordou na manhã seguinte, sentiu a quentura do corpo dela próximo ao seu. Com os olhos ainda se acostumando à pouca claridade que entrava pelas frestas da janela, deparou-se com o rosto feminino ao seu lado, os cabelos compridos castanhos cobrindo-o parcialmente. Sirius fitou-o durante alguns segundos, antes de afastá-los do rosto dela, deixando as feições delicadas sob seu olhar intenso.

Sorriu ao vê-la fazer o mesmo com o contato da sua pele na dela e se aconchegar em seus braços. A sensação de tê-la de volta era tão avassaladora quanto o medo de perdê-la, e ninguém melhor que ele para saber que não seriam poucas vezes que isso se repetiria. Seus olhos posaram sobre a grossa aliança em seu dedo. Ele a girou nervosamente, e vendo as mãos alvas espalmadas sobre os lençóis, percebeu o dedo dela vazio.

Bufou e, ajeitando-a nos travesseiros, vestiu suas peças de roupa, deixando o quarto em silêncio. Desceu as escadas e, para completar uma maravilhosa manhã de inverno, deu de cara com Snape na cozinha. Sirius escorregou para a cadeira mais próxima, enquanto o via pedir à Sra. Weasley que chamasse Harry. Molly assentiu com a cabeça e saiu apressadamente em direção às escadas.

– O que quer com Harry, Snape? – interpelou o bruxo alto à frente dele.

– Nada que lhe diga respeito, Black. – O homem envolto em preto estreitou seu olhar sobre ele, frio.

– Tudo o que diz respeito ao Harry, me diz respeito também. – Ele encarou os olhos penetrantes do seu oponente. – Sou o padrinho dele, esqueceu?

– Não – Snape respondeu suavemente. – Infelizmente tenho que aturar ambos, o que me faz perder um tempo precioso.

– Então não façamos você perder mais seu precioso tempo – disse cínico. – O que quer com ele?

– Vim por ordem de Dumbledore. – Sua voz se tornou sibilante. – Ele quer que Potter aprenda Oclumência – disse, analisando a figura à sua frente. – A arte de fechar a ment...

– Eu sei o que é Oclumência, Snape – interrompeu-o rispidamente. – Vou lhe dar uma aviso, não ouse usar isso para arrancar alguma coisa do Harry, ou eu arrancarei esse sorriso dos seus lábios.

–Impressionate – Snape sibilou mais uma vez – Por que não guarda suas forças para defender sua esposa do Lorde? – E vendo uma ruga nascer na testa de sua presa, continuou: – Acredite, quando ele souber o verdadeiro intento de Bastet, ela precisará de ajuda.

– Você é desprezível – ele encarou os olhos pretos, sua raiva transbordando.

– Não sou eu quem me escondo atrás de uma mulher, Black. – Seus olhos cintilaram. – Diga-me, como se sente vendo-a sair dia após dia, arriscando o pescoço por você? – Deu uma leve crispada de lábios. – Devia tê-la visto ontem... Por pouco não a visita no St. Mungus.

– Ora seu... – rosnou, levantando-se da cadeira e colocando-a de lado.

– Fique tranqüilo, eu a salvei. – Seus lábios finalmente crisparam num sorriso mordaz de satisfação. – Contudo, acredito que saiba disso, não é? – Lançou um olhar para o teto. – Suponho que ela esteja lá em cima, o que ao meu ver, a expõe mais ainda. Você quer vê-la morta, Black?

– Cuidado com o que diz, Snape. – Sirius avançou a varinha em punho, as feições endurecidas pelo ódio, mas deteve-se, continuando num tom calmo. – Não preciso de seus conselhos sentimentais, mesmo porque você não parece a pessoa mais indicada para dá-los. Já pensou ter alguém ao seu lado, Snape? – Agora foi a vez dele sentir sua presa recuar.

– Eu não tenho tempo para romances, Black. – Sua voz soou fria. – Ao contrário de você, todos os minutos da minha vida são dedicados a essa batalha. Eu arrisco mais do que qualquer um aqui dentro.

– Então permita-me tirar de você o fardo de cuidar da minha esposa. – Deu-lhe um sorriso caustico. – Eu mesmo faço isso, obrigado.

Ele voltou a se sentar, jogando seu corpo para trás na cadeira, fazendo-a se apoiar nos pés traseiros. Snape adquirira seu ar impassível. O clima estava por uma linha esticada ao máximo quando Harry entrou na cozinha.

No andar de cima, Bastet acordara; o corpo dolorido alongou-se ao se levantar, e ela se dirigiu ao banheiro. Ao fitar o espelho depois de lavar o rosto, pensou consigo mesma, Foi uma sorte Snape estar ao meu lado. Aquele feitiço iria me acertar em cheio, caso ele não intercedesse.

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N/A: Amores estamos na reta final dessa fic! Queria muito agradecer às minhas filhas (todas se exceção), a minhas amigas Clau, Muri, Et!!! Carla!!!! Tá chegando a horaaaaaaa... Meninas vcs saum maravilhosas! Amo-as de coração! Bjokas e até segunda! Quarta começa "Lua Cheia", para quem gosta do lobinho, igual minha mana, auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...