Capítulo IX
Os dias que se seguiram à pequena entrevista com Snape passaram tão rápidos que Sirius não teve tempo de refletir sobre o que o Mestre de Poções dissera. Não que levasse realmente ele a sério, mas Carla confirmara que estivera em perigo naquela noite.
A presença de Umbridge em Hogwarts se tornava cada vez mais prejudicial para os alunos, e Harry continuava a ter seus pesadelos com Voldemort. Nem mesmo com as aulas de Oclumência do Snape, Harry conseguia evitá-los e, da última vez em que esteve na presença do professor, foi pego por ele, dentro de suas memórias. Snape agiu como Snape, não daria mais aulas ao Harry nem por ordem suprema de Merlin.
A tensão daqueles dias quase chegava a sufocá-lo, e o fato de Carla não aparecer há cinco dias o deixava insandecido. Podia sentir a linha esticada ao máximo, como se os minutos hesitassem em passar para não revelar seus segredos, e isso não tinha nada de normal, ou mágico.
Passara o dia inteiro ajudando Molly a verificar cada centímetro da casa, e conferir que não deixaram escapar nada, nenhum recôncavo na parede, ou baú no sotão. O corpo dolorido exigiu que Sirius deitasse assim que o sono sobreveio e, apesar da angústia e apreensão, fechou os olhos. O sono foi conturbado, e com um toque suave no rosto, Carla despertou-o nos primeiros raios de sol.
Ela sorriu palidamente para ele, e uma leve ruga de preocupação surgiu em seu rosto. Sirius a conhecia muito bem, algo estava errado, muito errado. Sentou-se na cama, e tomando a mão dela nas suas, perguntou:
– O que está acontecendo, Bastet? – Seus olhos cinza intensos nos dela, a voz séria e nenhum sorriso. – Cinco dias sem nenhuma notícia, e você volta dessa forma? O que descobriu de tão grave?
– Temos uma missão secreta esta noite, nenhum de nós sabe do que se trata, e Voldemort colocou Lúcio a frente dela. – Baixou seus olhos fitando o chão. – Eu confio na liderança dele, mas há algo errado, e eu não consigo identificar o que é, Sirius. Simplesmente, estou assustada.
– Então não vá – ele disse seco. – Esqueça o que lhe pedi, não quero mais que vê-la atrás de Pedro. Esqueça essa sua promessa de me ver inocente. – Seus olhos se encontraram. – Estamos juntos, é tudo o que importa.
– Não, não posso. – Sorriu palidamente para ele, beijando-o nos lábios. – Não só por mim ou por você, mas por alguém que em breve estará aqui...
Os olhos dele estavam fixos nos dela, os pensamentos reviravam em sua mente, e por segundos sentiu seu estômago despencar num abismo. Sirius não conseguia articular uma palavra, sentiu que ainda tinha a mão dela entre as dele e a apertou com força, trazendo-a para um beijo.
– Eu quis lhe contar assim que tive certeza – Carla disse quando se afastaram. – Queria que tivesse sido em outra hora, mas não existem horas certas numa guerra. O problema é que eu preciso voltar, Sirius.
– Não vou deixá-la ir – ele disse, o rosto pálido, as mãos impedindo que ela saísse dali, e a tensão contraindo cada músculo de seu corpo.
– Não tem escolha, se eu não voltar será pior. – Carla passou os dedos sobre o rosto dele, acariciando-o. – Ele virá atrás de nós, e temos muito a perder no momento. – Ela o fez encará-la, e completou bondosamente: – Confie em mim. – Deu-lhe um sorriso e um beijo. – Adeus.
Preso ainda à figura dela saindo do quarto, Sirius deixou-se sentar na beira da cama, as mãos escorregando pelos cabelos escuros e o olhar perdido. O restante do dia se arrastou fazendo crescer todos os seus receios. Tudo no que pensava era na misteriosa missão dela e em como impedi-la.
Alguns membros da Ordem chegaram a noite e estavam lá quando Snape apareceu avisando que Harry fora para o Ministério, atrás do que ele acreditava ser uma armadilha de Voldemort. O desespero de Sirius se tornou palpável, a ponto de não passar despercebido ao professor.
– Ora, ora, pelo que vejo, dessa vez o nosso cão de guarda não quer se aventurar numa escapulida. – Seu tom era mordaz.
– Isso não é da sua conta Snape – rebateu Sirius.
– Não, não é mesmo – crispou os lábios –, mas ouso dizer que sinto uma leve nota de preocupação no ar. Será por causa de Harry ou de Bastet? – Os olhos pretos estreitaram sobre sua vítima como uma ave de rapina. – É bom lembrar que dessa vez, Black, não estarei lá para salvá-la. Como fará então?
– Eu adoraria vê-lo morto Snape – rosnou Sirius, enquanto saía atrás dos outros.
Mesmo com todos os protestos sobre sua ida, nenhum dos integrantes da Ordem foi capaz de convencê-lo a mudar de idéia. Minutos depois o grupo entrou no Ministério; aquela era a noite em que a batalha teria início.
Então, no alto, mais duas portas se escancararam e mais cinco pessoas entraram correndo na sala: Sirius, Lupin, Moody, Tonks e Quim.
Malfoy se virou e ergueu a varinha, mas Tonks já disparara um Feitiço Estuporante nele.
Os Comensais da Morte foram completamente distraídos pela chegada dos membros da Ordem, que agora faziam chover feitiços sobre os adversários enquanto saltavam degrau por degrau em direção ao poço.
Agora Sirius e Dolohov duelavam, sua varinhas cortando o ar como espadas, faíscas saiam voando de suas pontas.
Era tudo o que Carla conseguia ver e pensar enquanto tentava se aproximar de Harry e Sirius. Viu Dumbledore surgir e passar por eles com seu ar tranqüilo, como se nenhum feitiço cortasse o ar, e a tempo se esquivou de um jorro verde que veio em sua direção. Ela estava a apenas alguns passos de Sirius, que lutava com Bella ferozmente, quando o viu dirigir seu olhar a ela.
Seus olhos se arregalaram, as frações de segundos se eternizaram no momento em que Bella mais uma vez revidou seu feitiço. O segundo jato de luz o atingiu bem no peito.
O riso ainda não desaparecera de seu rosto, mas seus olhos arregalaram de choque. Carla largou a varinha levando as mãos trêmulas aos lábios, enquanto avançava na direção de Black.
Sirius levou uma eternidade para cair. Seu corpo descreveu um arco gracioso e ele mergulhou de costas no véu esfarrapado que pendia do arco.
Carla viu a expressão de medo e surpresa no rosto devastado e outrora bonito do marido quando ele atravessou o arco e desapareceu além do véu, que esvoaçou por um momento, como se soprasse um vento forte, e depois retomou a posição inicial.
Sem sequer ouvir o grito triunfante de Bella e o desesperado de Harry, ela continuou avançando, os olhos fixos no véu imóvel. Não demorou para que ocupasse o mesmo lugar de Sirius, e num leve brilho castanho fitou Malfoy ainda no chão. Os olhos dele se fixaram na mulher de preto que se inclinou para o vazio, os cabelos caindo em cascatas pelos ombros, os lábios entreabertos e o rosto pálido. Numa leve piscada de suas pálpebras, não havia mais ninguém, e ele fechou os olhos, esquecendo o que vira.
Cinza se encontraram com castanhos, e as bocas se tocaram úmidas, como da primeira vez que se beijaram. Num destino incerto e por um tempo impreciso estariam ali, mas como uma única certeza: o amor é mais forte que qualquer coisa.
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
( Eu Não Existo Sem Você – Tom Jobin )
FIM
8888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
N/A: Agradeço a todas por ficarem comigo até aqui, até a Carlinha cair no véu... Hihihihhii ( Te amo, flor!!!). Espero que tenham gostado do auau fofo! Mas o Snape tb tava tudo de bom!!! Bjokas imensas no coração de vcs e até quarta com a fic do Lobo! Amo vcs!
