No capítulo anterior Shoran e Meiling retornaram à Hong Kong. Logo ao pisar em solo chinês, Shoran soube do novo treinamento que lhe aguardava. Ele e Wei se dirigiram para uma montanha isolada de tudo. Agora, o garoto tenta vencer o desafio imposto pelo mestre: uma difícil escalada de uma cachoeira.

- O 13º Guerreiro -

A Elite dos Doze

Parte IV

Dois dias se passaram desde que Shoran começara a tentar vencer o desafio proposto por Wei. Depois de permanecer horas e horas sob a cachoeira, Shoran já havia evoluído bastante, mas não o suficiente para escalá-la. Já conseguia manter a energia a sua volta por quase cinco minutos, mas jamais conseguiria escalar a cachoeira em tão pouco tempo.

Ele olhava para o topo da cachoeira. Era inteligente e extremamente forte, mas não conseguia subir uma cachoeira, só ficar completamente encharcado. Cansado e desapontado consigo mesmo, Shoran deu as costas para a cachoeira e mergulhou na água ajeitando um pouco os cabelos que antes caíam sobre seus olhos.

Wei: 'Cansado, Shoran?'

Wei estava sentado em uma pedra apenas observando os pássaros.

Shoran: 'Bastante.'

Shoran caminhou até o mestre, com a água chegando-lhe aos joelhos. Sentou-se ao lado de Wei e ficou a olhar os pássaros também. Apesar do desapontamento que sentia, era muito tranqüilizante parar um pouco e ficar sem fazer nada.

Wei: 'A natureza ajuda a manter a paz consigo mesmo.'

Shoran concordou mentalmente e se deitou na pedra. Ela estava quente pelo calor do sol, mas ele não se importou e ficou admirando as poucas nuvens que flutuavam pelo céu.

Wei: 'Está desistindo da cachoeira, jovem Shoran?'

Shoran se levanta da pedra rapidamente.

Shoran: 'Claro que não! Eu só... Eu só estou desapontado por não conseguir.'

Wei: 'Sei que está, mas não vai ser por isso que você vai ficar aí deitado esperando que esse fracasso permaneça.'

Shoran respira fundo: pela milionésima vez, Wei tinha razão. O garoto volta para a água e chega em frente a cachoeira. Iria chegar ao topo nem que lhe custasse o mês todo.


Wei: 'Pode vir, Marck. O garoto não vai te ver.'

Marck saiu do meio das árvores e se aproximou de Wei. Shoran estava mais uma vez sob a cachoeira tentando manter aquela energia por mais e mais tempo.

Marck: 'Me parece que o garoto tem evoluído muito.'

Wei: 'Se tem. Ele está se dedicando ao máximo.'

Marck: 'Sempre que ele põe aquela força pra fora a aura dele aumenta muito.'

Wei: 'Por isso mesmo que estou fazendo esse treinamento com ele. Meu objetivo é fazer ele conseguir ficar uma luta inteira com essa força.'

Marck: 'Isso ainda vai demorar um pouco. Mas atacar com alguns raios com aquela força ele já consegue com certeza.'

Wei: 'Sim, e agora pode fazer estragos bem maiores que antes.'

Marck: 'Mas ainda não é nem perto do suficiente pra vencer Koriny. Ela acharia brincadeira de criança.'

Wei: 'Certamente.'

A alguns metros dali, Shoran estava sentado sob a cachoeira. Em um momento de distração, ele perde a concentração e sente uma energia mágica extremamente poderosa ali perto. Alarmado ele se levanta e sai de baixo da cachoeira, e vê um rapaz que deveria ser um pouco mais velho que ele conversando com Wei.

Shoran (se aproximando receoso): 'Wei!'

Naquele instante Wei se volta para Shoran espantado sem saber o que dizer. Marck pensou em fugir, mas não iria adiantar muita coisa.

Shoran: 'O que está acontecendo aqui?! Quem é ele?'

Wei (voltando-se para Marck bravo): 'Por que não escondeu sua aura?'

Marck: 'Você disse que ele não iria perceber!'

Wei: 'Eu disse que ele não iria vê-lo, não senti-lo!'

Marck (emburrado): 'E agora a culpa é minha!'

Shoran observava os dois na pequena discussão do qual ele não entendia nada, Wei teria de lhe dar uma boa explicação.

Shoran (interrompendo): 'Parem os dois! Quem é esse cara, Wei?'

Wei se sentiu pressionado. Alguma explicação teria de dar, mas não poderia dizer que ele era da Elite em hipótese alguma agora que Shoran já tinha visto o rosto de Marck.

Shoran (impaciente): 'Quem é ele, Wei??'

Wei estava nervoso, nunca havia mentido pra ninguém muito menos para Shoran, e agora precisava de uma desculpa o mais rápido possível.

Marck: 'Eu serei seu novo mestre em algum tempo, Li.'

Shoran (desconfiado): 'Novo mestre? Wei, isto é verdade?'

Wei apensas concordou com a cabeça.

Shoran lançou um olhar superior para Marck, e o observou dos pés a cabeça. Ele usava uma roupa bem comum. Uma calça larga meio skatista de cor ver musgo, e uma camiseta preta. O mais estranho era ele ter um cinto largo onde carregava uma espada, e preso no cinto, uma outra faixa passava por um de seus ombros, onde um arco e um suporte com umas poucas flechas ficavam presos. Tinha os cabelos quase no ombro e olhos negros. Lembrava uma pessoa que Shoran havia conhecido, mas ele não conseguia se lembrar quem era.

Marck não gostou nem um pouco daquele olhar, mas permaneceu calado.

Shoran (em tom de deboche): 'Você tem o que, vinte anos?'

Marck (corrigindo): 'Dezenove.'

Shoran sorriu com superioridade e se virou para Wei.

Shoran: 'Tem certeza que é esse o cara, Wei? Ele podia ser meu irmão!'

Marck: 'Escute aqui garoto, você deveria me agradecer por eu ser seu mestre!'

Shoran (fazendo pouco caso): 'Não devo nada a você, não pedi que me treinasse.'

Marck faltou rosnar de raiva. Kyle havia dito que os Lis sempre tinham um ar de superior, mas ele não achou que seria tão irritante.

Wei: 'Parem os dois. Marck é muito forte, Shoran, e vai ser um ótimo mestre pra você. Já estou velho e não tenho mais condições de lhe treinar, com um mestre jovem você evoluirá muito mais do que comigo, além de aprender um novo estilo de luta.'

Shoran apenas soltou um "hunf" e desviou o olhar.

Wei: 'Agora que estão mais calmos vou apresentá-los devidamente. Shoran, este é Marck Mcguarie.'

Mcguarie... Mcguarie... Shoran conhecia esse nome, tinha certeza.

Wei esperou alguns segundos esperando alguma reação, mas os dois permaneceram calados, encarando-se.

Para tentar aliviar o ambiente, Wei sugere que comessem alguma coisa. Eles sentam e comem algumas frutas em silêncio mortal. Após o lanche, Shoran se deitou numa pedra e se virou, parecendo que iria dormir.

Wei (achando estranho): 'Desistiu da cachoeira?'

Shoran: 'Não, só que agora não vou conseguir me concentrar nenhum instante. Esse cara aí só veio para estragar tudo.'

Marck: 'Esse cara tem nome, ok? E eu vim pra cá pra observar você, mas pelo visto agora você está com medo de fazer besteira.'

Shoran: 'Não estou com medo de nada, só não treino por que sua presença me irrita.'

Marck: 'Te irrita por que é mais forte que a sua.'

Shoran (se levantando): 'Escuta aqui! Se você veio pra cá só pra mostrar que tem algum poder, pronto já mostrou! Agora pode ir embora.'

Marck: 'Já te disse por que vim, e você é tão besta que ainda não entendeu.'

Wei: 'Calem-se os dois. Marck, sinto muito, mas vou pedir que vá embora e só volte quando realmente for necessário. Ficando aqui Shoran não conseguiria continuar com os resultados que vinha tendo, e vocês ficariam discutindo o tempo inteiro.'

Marck (se levantando): 'Já estava pensando em fazer isso, Wei. Já vou ter que agüentar a cara desse sujeito até o dia em que Koriny o mate por sua falta de capacidade.'

Shoran: 'Não vou perder para Koniry, nem que tenha que treinar por mais de vinte anos.'

Marck (indo em direção da floresta): 'Isso se você não morrer antes.'

Wei observou Marck se afastar até sumir dentro da floresta. Se voltou para Shoran que estava com a cara mais fechada que ele já tinha visto. Realmente aqueles dois ficariam em guerra quando começasse a treinar juntos, e Wei sabia porque. De certo modo os dois eram parecidos, queriam ser sempre os melhores no que faziam. Pelo simples fato de Marck ter quase a mesma idade que ele, e ter uma aura muitíssimo maior, é motivo suficiente para que Shoran não suportasse o futuro mestre.

Wei (assim que Shoran terminara de comer): 'Bom, vamos voltar ao treino agora, sim?'

O jovem não respondeu, apenas se levantou e se dirigiu à cachoeira.


Mais dois dias se passaram e Marck não apareceu mais nem para conversar com Wei. Shoran voltou a se dedicar como antes e agora estava pronto para tentar subir a cachoeira. O mestre foi observar de perto como Shoran se sairia.

Wei: 'Tenha calma, respire fundo e concentre-se. Se estiver concentrado não tem porque dar errado. Quando chegar lá em cima, pegue o ófuro do vento e volte pro chão, certo?'

Shoran (colocando o ófuro no bolso do short que usava): 'Certo.'

O garoto se aproximou da queda d'água e firmou as mãos e um dos pés na parede de pedras atrás da água, fazendo a água espirrar para todos os lados.

Respirou fundo, se colocou a cabeça embaixo d'água e liberou a energia. A água parecia fugir do corpo de Shoran, mudando sua direção quando chegava perto de sua cabeça. Imediatamente começou a subir, mas não conseguia encontrar um novo lugar para apoiar mãos e pés. Abriu os olhos para procurar um fenda, mas quando sua atenção voltou-se para as pedras, uma forte rajada de água caiu sobre ele. Tinha perdido a concentração e a barreira havia cessado.

Caído sobre a pedra, Shoran se decepciona por não conseguir subir nem um metro da cachoeira.

Wei: 'Vai ter que aprender a se concentrar em duas coisas ao mesmo tempo Shoran. Futuramente até em três: defender, atacar e se concentrar nessa força.'

Shoran: 'Acho que esse futuro ainda está meio distante...'

Wei: 'Não se você continuar tentando. Se concentre agora de olhos abertos desde o início, e sempre olhando para onde deve ir. Assim será mais fácil achar o próximo lugar pra se apoiar.'

Shoran assentiu com a cabeça e tornou a se posicionar na cachoeira. Olhou para cima e viu o longo caminho que tinha verticalmente. Pensou na Elite e em Sakura: quanto mais rápido terminasse o treinamento, mais rápido voltaria a vê-la. Respirou fundo, se concentrou e entrou em baixo da água que caía.

Mais uma vez a energia bloqueou a água, e já de olhos abertos Shoran pôde ver o caminho que tinha para seguir. Erguendo pernas e braços, foi se apoiando nas pedras e subindo cada vez mais. Com uma distância de seis ou sete metros do chão, Shoran percebeu que a força que ele liberava estava diminuindo e um pouco de água já alcançava seu corpo. Parou de pensar em qualquer outra coisa, de subir e se esforçou somente na concentração.

Continuou a tarefa que lhe fora imposta, mas percebeu que não adiantaria, por mais que tentasse não agüentaria manter a força até o fim da cachoeira e, se a energia parasse por completo, ficaria mais difícil descer sem se machucar. Por isso, se impulsionou com os pés para trás e com uma cambalhota caiu abaixado em uma pedra do rio.

Wei (sorrindo): 'Muito bom, jovem Shoran! Se continuar assim logo estará no topo em pouco tempo.'

Assim, Shoran ficou tentando e tentando chegar ao topo, mas foi só quando o sol se pôs que ele finalmente conseguiu. Veio ao chão ofegante e finalmente pôde descansar. Contente consigo mesmo, ele sorria enquanto observava o céu avermelhado. Todo o esforço que tivera, tinha valido a pena.

Wei: 'Parabéns, Shoran. Amanhã iremos começar a aplicar essa energia que você aprendeu a usar em coisas mais úteis do que escalar cachoeiras. Tenho certeza que vai gostar.'

Shoran sorriu e perguntou para Wei se era normal ele sentir seu corpo muito mais forte do que o normal enquanto colocava aquela energia para fora. O mestre respondeu que era exatamente este o propósito. Guerreiros como os da Elite eram capazes de manter aquela energia expandida por uma luta inteira e até mais.

Wei: 'Mas agora vamos comer alguma coisa para depois dormirmos. Amanhã será um novo dia.'


A lua cheia brilhava forte, e Shoran podia vê-la pelo teto transparente da barraca. Para variar, estava tão entediado que não estava conseguindo dormir, e também precisava ir ao banheiro. Levantou e saiu da barraca tentando não fazer barulho e acordar Wei. Entrou um pouco no mato, onde fez suas necessidades e, quando se preparava para voltar, escutou um barulho estranho que vinha de um pouco mais adiante. Caminhou um pouco, e quando afastou uma folhagem grande, se deparou com uma clareira não muito ampla. Um pouco à frente estava Marck, olhando para ele com a mesma cara de deboche que tinha antes.

Shoran deu alguns passos e ia perguntar o que ele fazia ali, mas antes que ele dissesse qualquer coisa, Marck atirou para ele a esfera negra que se transformava na espada de Shoran.

Marck (empunhando o arco que ficava preso as costas): 'Tenho certeza que você está tão entediado quanto eu.'

Shoran (com um meio sorriso): 'Finalmente você disse alguma coisa que preste.'

Marck: 'Pronto pra por em prática o que aprendeu hoje?'

Shoran materializou sua espada e de coloca em posição de ataque.

Shoran: 'Mais pronto que isso impossível.'

Marck: 'Antes de mais nada, quero dizer que essa é uma luta de teste. Ou seja, estou testando seus poderes. Portanto, faça o melhor que puder.'

Luta de teste? Shoran mal pôde parar um pouco para entender a tal luta de teste, e Marck já estava lhe atirando uma flecha. Mas ele não pegara nenhuma do suporte que tinha nas costas, quando ele puxara a corda do arco, ela se materializou em sua mão e foi na direção de Shoran. Ele desviou, mas percebeu que aquela flecha estava muito mais veloz que uma flecha comum e com uma força muito maior, estraçalhando o galho da árvore em que bateu.

Para desviar da flecha, Shoran saltou para a direita, mas assim que firmou os pés no chão percebeu outra flecha vindo em sua direção. Rolou para o lado e empunhou a espada em defesa, não podia ficar apenas se esquivando.

A flecha seguinte já estava próxima, por isso ele empunhou a espada em posição defensiva, mas ao invés da flecha bater e cair, ela continuou empurrando Shoran para trás, por mais que ele firmasse os pés no chão. Jogou-se para o lado, a fim de que a flecha passasse reto sem atingi-lo. Voltou-se para Marck que agora segurava o arco para baixo apenas olhando para ele sorrindo.

Ofegante, Shoran pensava em como ser mais rápido que Marck. Como conseguir atacá-lo antes da flecha seguinte ser disparada. Invocou o deus do trovão e o futuro mestre atacou-o novamente. O trovão de Shoran acertou a flecha, desmaterializando-a, e ainda seguindo na direção de Marck que desviou dos raios já atirando mais contra o chinês.

Ele desviou das que pode e algumas o pegaram de raspão nas pernas e braços. Mas não importava, pois agora já tinha um plano. Ergueu um dos ófuros para o céu e se concentrou para expandir a energia como vinha treinando. Recitou algumas palavras em chinêse algumas nuvens negras começavam a se juntar no céu. Quando Shoran finalmente invocou o ófuro, uma tempestade de raios começou a cair sobre os dois.

Marck imediatamente começou a atirar flechas nele, que pôs-se a correr e, como mantinha a energia expandida, estava muito mais rápido. Os projéteis que eram atiradas acabavam por ser interceptados pelos raios que caiam do céu. Shoran salta e tenta atacá-lo por cima, sendo frustrado por uma nova materialização do mesmo objeto que tentara acertá-lo.

O chinês tentou chutá-lo, mas teve seu pé seguro pela mão livre dele fazendo-o cair no chão. A energia que Shoran mantinha expandida se extinguiu e os raios que caíam pararam. Ele tornou a se levantar, e foi surpreendido por um ataque de Marck com a espada. O garoto se defende, e percebe que talvez se ele mantivesse aquela distância do futuro mestre, poderia vencê-lo na esgrima. Tentou se concentrar novamente, mas foi atacado rapidamente, sem descanso. A velocidade do oponente só parecia aumentar, e Shoran não mais conseguia acompanhá-lo, muito menos se concentrar.

Marck, após uma seqüência de ataques com a espada que Shoran não consegue defender perfeitamente, chuta o garoto que é atirado pelo chão até parar em uma árvore. O aprendiz tinha o corpo todo dolorido, suas costas ardiam e seus braços também. Ele levanta a cabeça e vê o outro aproximando-se. Alcançando a espada, levantou-se empunhando a arma. Com alguns ataques contínuos, é desarmado novamente. Deu-lhe um soco na boca do estomago, fazendo-o cambalear. Com mais alguns socos e chutes Shoran volta ao chão ofegante.

Marck: 'Não estamos lutando há nem cinco minutos e olhe seu estado... Isso é pra você aprender que só por que se acha o máximo não significa que você o seja.'

Shoran fuzilou Marck com os olhos, e, irritado, correu até sua arma e avançou sobre ele, que bloqueou o ataque com a espada facilmente e, em seguida, bateu nas costas de Shoran com o cabo da espada. O chinês caiu de bruços no chão, com dificuldade para se levantar. Ficando de joelhos, com as mãos no chão, cuspiu um pouco de sangue que lhe veio à boca. Já estava certo que, não importaria mais o que fizesse: perderia aquela luta. Sabia que Marck não o mataria, então iria lutar até não conseguir mais ficar de pé.

Marck (vendo Shoran empunhar a espada novamente e se levantar): 'Você não desiste, hein? Olhe pra você mesmo e me diga que está em condições de lutar.'

Shoran ignorou o que fora dito, invocando o deus do fogo desesperadamente. Marck desviou e o atacou com a espada, fazendo um ferimento em seu braço direito, forçando-o cair a largar a espada. Apesar da dor, o pupilo não desistiu e pegou a arma com a mão esquerda.

Marck percebe que Shoran estava apensas dando uma de forte para não desistir na cara. Ele iria ficar se levantando e tentando atacar até que perdesse a consciência, ou não pudesse ficar de pé. Seria melhor se ele o impossibilitasse de andar de uma vez do que ficar torturando-o por mais tempo.

Pegou o arco nas costas novamente, mas, dessa vez, pegou uma das flechas comuns que tinha no suporte. Shoran não entendeu por que não iria usar seus projéteis mágicos, mas, antes de conseguir formular qualquer teoria, sente sua coxa direita sendo perfurada.

Shoran fechou os olhos e, sentindo a dor causada pela flecha, deixou-se cair no chão. Sua pele fora rasgada e seus músculos perfurados, fazendo-o soltar um grito de sofrimento, mas aquilo não era suficiente para aliviar a dor, que parecia intensificar-se a cada segundo que se passava. Sua boca estava seca, seus músculos clamavam por um merecido descanso após o embate com aquele forte oponente. Sua vontade era estirar-se no chão e largar tudo. Jamais sentira tamanha dor na vida, mas sabia que existiam coisas muito piores.

De maneira nenhuma iria deixar um ferimento daqueles o derrubar. Havia treinado tanto pra suportar uma luta verdadeira, não iria desistir. Com esse pensamento, cerrou a mão no corpo da flecha e puxou-a de uma vez, fazendo-o sentir como se seus músculos e pele estivessem sendo, novamente, agredidos. Não demorou a sua perna ficar banhada de sangue, sendo que mal tinha consciência de que ainda possuía uma. Sua visão embaçou e o mundo ao seu redor pareceu girar vertiginosamente, fazendo-o quase perder os sentidos. Mas nada disso o deteria, então pôs-se de pé, apoiado na espada.

Marck assustou-se com a atitude do garoto. Certamente ele nunca tivera um ferimento tão sério e, agora, lá estava ele, pensando em se levantar novamente. E foi isso que ele fez. Largou a flecha como se fosse um simples graveto, e usando a espada como apoio ele pôs-se de pé, mas sem condições de mover-se. O inglês pôde apenas fechar o rosto e negar com a cabeça. Desde o início da luta não lhe acertara nenhum golpe, mas continuava se levantando como se tivesse esperanças de vencer. Aquele garoto era realmente louco. Só de olhar para seus olhos era possível ver a dor que ele sentia, mas suas atitudes pareciam ignorar aquilo.

Voz (séria): 'Já chega, Shoran.'

Shoran: 'Wei...?'

Wei: 'Eu e Marck admiramos muito sua perseverança e coragem, mas isso não significa que você deve continuar uma luta nesse estado. O resultado é óbvio, a única coisa que você vai ganhar é mais alguns ferimentos. Se fosse uma luta mais séria, seu oponente, que antes não pretendia lhe matar, poderia se irritar e acabar com tudo na hora. O que você prefere, morrer ou perder agora, treinar mais e poder vencer mais tarde?'

Shoran calou-se e finalmente decidiu pensar em seu bem-estar ao invés de ficar obcecado pela vitória. Naquele instante, todas as dores que sentia pareceram piorar. Sua perna começou a latejar, assim como seu braço.

Marck: 'Agora com Wei você vai parar, não vai?'

Shoran (caindo no chão): 'Não pretendia... Mas ele é meu mestre, e eu devo obediência e respeito a ele. Coisa que nunca vai acontecer com você.'

Marck: 'Se você já começa nossa relação assim, aí mesmo que as coisas não vão fluir.'

Wei (colocando o braço dele sobre seus ombros): 'Venha, Shoran. Vamos tratar desses machucados.'

Marck (se aproximando): 'Eu o levo.'

Shoran (cinicamente): 'Não obrigado. Posso ir com Wei.'


Shoran abriu os olhos devagar, e, pela luz do sol, constatou que eram quase sete horas da manhã. Seu corpo estava mole e ele se sentia fraco. Seu braço doía e sua perna ainda mais. Tentou levantar, mas sentiu uma fisgada na perna que o fez voltar a deitar.

Marck: 'Ele acordou.'

Wei (se aproximando): 'Que bom...'

O garoto se voltou para o velho mestre que trazia um pano branco molhado. Sentou-se, e observou o mestre desatando o nó que prendia um outro pano em sua perna machucada. Havia um ferimento um pouco menor que uma mão fechada. Podia-se ver o sangue já estancado de um tom vermelho muito escuro. Wei enrolou o pano limpo em volta da ferida, fechando com um novo nó.

Wei: 'Doeu?'

Shoran: 'Agora não.'

Wei: 'Ótimo. (colocando um prato na frente dele) Está com fome? Marck conseguiu uns peixes pra gente.'

Shoran (fazendo pouco caso): 'Grande coisa...'

Marck: 'Agora só por causa dessa besteira toda, o garotinho vai ficar emburrado o resto do dia... Pára de bancar o bom e come logo esse peixe antes que esfrie.'

Shoran olha para Wei, como se buscasse alguma defesa, mas ele apenas disse para ele obedecer Marck. Todos fazem a refeição em silêncio, trocando alguns olhares de vez em quando.

Wei: 'Bom, pretendia começar a subir a montanha hoje, mas com essa sua perna assim é impossível. Iniciaremos nosso caminho de volta para Hong Kong amanhã mesmo.'

Marck: 'Vai perder um treino desses só por que é teimoso.'

Shoran fuzila Marck com os olhos e se opõe.

Shoran: 'Posso continuar com o treinamento. São só alguns machucados que logo vão estar curados! Não vamos voltar a Hong Kong só por causa disso.'

Wei: 'Não mesmo. Você precisa levar alguns pontos nessa perna, e Marck quase nunca usa as flechas comuns. Podem muito bem estar sujas, ou um pouco enferrujadas. Isso pode piorar a situação.'

Shoran: 'A chance de acontecer algo como isso é muito pequena!'

Wei: 'Está decidido Shoran. Vamos voltar pelo seu próprio bem. Não deveria estar reclamando.'

Shoran calou-se em respeito a Wei e Marck apenas observou. Talvez conseguisse, algum dia, aquele respeito do garoto.


No dia seguinte, quando o sol bateu no rosto de Shoran, acordando-o, Wei já estava de pé, levantando acampamento.

Shoran (saindo da barraca): 'Já vamos indo?'

Marck: 'Sim, e pegue isso.'

Marck jogou para Shoran um galho de árvore comprido. Shoran o pegou, mas não entendeu muito bem.

Marck: 'É pra você caminhar melhor.'

Shoran se sentiu um pouco humilhado por ter que usar um galho para caminhar. Pensou em ignorar o galho, mas ele realmente ajudaria. Decidiu ficar quieto e ir ajudar Wei com as coisas. Marck apenas sorri, afinal, o garoto havia engolido seu orgulho.

Mochilas prontas, os três voltaram pela encosta do rio, o mesmo caminho que haviam usado para chegar lá. Depois de alguns minutos caminhando em silêncio, Shoran perguntou por que Marck estava indo com eles.

Wei: 'Marck vai pra Hong Kong conosco. Quando chegarmos lá, ele já irá ser seu mestre, jovem Shoran.'

Shoran: 'Mas já?? Minha mãe já sabe disso tudo?'

Wei: 'Sim. Falei a ela como eu me sentia, que achava melhor outra pessoa continuar seu treinamento. Ela entendeu, e eu sugeri Marck como seu novo mestre. Ela aceitou perfeitamente.'

Shoran: 'Vocês são todos loucos... Minha mãe sabia que esse Marck é apenas cinco anos mais velho que eu?'

Wei assentiu com a cabeça, deixando Shoran bravo. Não conseguiria arranjar uma desculpa para tirar Marck daquele cargo.

Horas mais tarde, os três chegaram na primeira clareira onde haviam parado. Os pedaços de madeira ainda estavam lá, fincados no chão do mesmo jeito que haviam deixado.

Wei: 'Vamos acampar aqui. Amanhã à noite já estaremos fora dessa floresta e provavelmente meu celular vai estar funcionando. Então ligaremos para Sra. Yelan e ela mandará alguém nos buscar.'

Os outros dois concordaram e arrumaram o acampamento para passarem a noite.

Deitado, Shoran sentiu o ferimento coçar e arder um pouco. Achou até melhor estarem voltando para Hong Kong, gostava de florestas, mas ali não era seu lugar. Preferia treinar no dojo, porém não deixaria de realizar esse treino no meio do nada, afinal, com o treinamento da expansão da energia, seus ataques haviam ficado mais poderosos. Sem contar que, em Hong Kong, ele teria chance de ter contato com Sakura. Finalmente poderia escutar a voz dela, diria-lhe que a amava e alegraria seu dia. Ou, quem sabe, piorá-lo pela saudade que viria a aumentar.

Virou-se para o lado e sentiu uma fisgada na perna; virou-se para o outro lado. Precisava dormir e, no dia seguinte, caminhariam ainda mais e, por conseqüência, as dores piorariam. Pegou no sono finalmente, tirar e só acordou no outro dia cedo, com Marck cutucando-lhe o braço.

Marck: 'Está na hora de levantar! Não quer que Wei brigue com você, quer?'

Shoran revirou os olhos. O que Wei tinha a ver com isso? O mestre sabia que ele não tinha problemas para acordar.

Shoran: 'Já estou levantando, não precisa encher a paciência.'

Os três levantaram acampamento e puseram-se a caminhar novamente. Depois de muito tempo sem parar, os três chegaram ao fim da mata. Um campo verde se estendia até as montanhas no horizonte. Wei verificou o celular e fez a ligação. Contou a situação em que estavam para Yelan que, por sua vez, mostrou uma preocupação muito maior do que a necessária e mais do que de pressa disse que mandaria um helicóptero buscá-los. Wei conseguiu as coordenadas pelo gps e, surpreso pela decisão da senhora, desligou.

Wei: 'Ela vai mandar um helicóptero.'

Shoran (espantado): 'Helicóptero??'

Wei: 'Exatamente, jovem Shoran. Ela ficou preocupada demais com sua situação e achou melhor mandar um helicóptero.'

Marck: 'Com uma mãe dessas, quem precisa de proteção?'

Wei: 'A senhora Li é uma mulher muito boa e amável, apesar de não parecer.'

Shoran: 'Amável eu deixo por sua conta... São raros os momentos que ela vem me desejar boa noite sequer.'

Wei: 'Ela também é muito atarefada, jovem Shoran. E foi desde a morte de seu pai que ela se tornou mais fria. Antes estava sempre com um sorriso no rosto, cabelos soltos e usando quimonos coloridos. Agora é uma mulher muito reservada, talvez tenha feito isso para esquecer Shang.'

Shoran: 'Minha mãe usando roupas coloridas e sorrindo sempre? Não consigo imaginar.'

Wei: 'Ah, jovem Shoran. Se esforce um pouco, ou você acha que Fuutie, Shiefa, Fanren e Feimei puxaram a quem?'

Shoran: 'Não acredito que minha mãe era tão maluca quanto elas!'

Wei: 'Bom, não era tanto como elas, mas quase isto.'

Shoran: 'Ainda bem que ela não é mais assim...'

Marck (na entendendo nada): 'Ahn... Posso saber quem são essas pessoas?'

Shoran: 'Minhas irmãs, e Yelan é minha mãe.'

Marck: 'Yelan eu já sabia, mas não sabia que haviam tantos filhos na família. Que idades elas tem?'

Shoran (estranhando): 'No que está pensando?'

Marck: 'Eu? Estou pensando em nada... Só queria saber as idades...'

Shoran (desconfiado): 'Sei... Fuutie tem dezoito, Shiefa dezenove, Fanren tem vinte e um e Feimei vinte e dois, isso se não estou enganado. Mas todas agem como se tivessem dez.'

Marck: 'Interessante...'

Os três continuaram a conversar, até o dia escurecer por completo. Apenas iluminados pela a luz da lua, quase adormecendo sentados, eles escutam o barulho distante da hélice do tão esperado helicóptero.

Em poucos minutos, a grande máquina pousa no chão, e a figura imponente de Yelan desce silenciosamente. Os três se aproximam e a mãe observa o filho de cima a baixo. Todo sujo, cheio de machucados, mas com um leve sorriso no rosto. Ela se aproxima e abraça a cabeça do filho contra o peito.

Yelan: 'Que bom que está tudo bem.'

Shoran fica feliz e ao mesmo tempo muito admirado com aquela atitude. Abraçou a mãe de volta, afinal, não era todo dia que ela demonstrava esse tipo de carinho.

Yelan: 'Bom... Vamos indo que a viagem é longa. Quando chegarmos, o Dr. Nagawa vai estar lá para cuidar desses machucados.'

Shoran: 'Não podia escolher um menos antipático?'

Yelan: 'Não reclame. Ele atende nossa família há vários anos.'

Shoran: 'Mas não deixa de ser um chato.'

Yelan: 'Como está Wei? Está tudo certo com você, eu espero.'

Wei: 'Obviamente, senhora Li. Não tenho mais idade para me meter nessas brigas.'

Yelan deu um pequeno sorriso e lançou um olhar para Marck, analisando-o rapidamente.

Yelan: 'Você deve ser Marck Mcguarie, muito prazer.'

A senhora curvou-se cumprimentando-o.

Marck (fazendo o mesmo): 'É uma honra deixar-me ser mestre de seu filho, Sra. Li.'

Shoran: 'Honra, sei...'

Yelan lançou um olhar fuzilante ao filho, e, em silêncio, os quatro entraram no helicóptero, iniciando a viagem de volta.


Sakura preparava-se para dormir, quando percebeu que não estava com o mínimo sono. Ela sentia alguma coisa diferente naquela noite.

Sakura: 'Kero... Você já sentiu como se você estivesse no lugar errado?'

Kero (com a cabeça pra fora da gaveta semi-aberta): 'Como assim?'

Sakura: 'Como se nesse momento, seu lugar não fosse esse... Que você deveria estar em outro lugar.'

Kero: 'Acho que não... Onde você acha que deveria estar?'

Sakura: 'Eu não sei, não faz sentido...'

Kero: 'Explica direito isso!'

Sakura: 'Eu sinto como se devesse estar em Hong Kong, mas Shoran está no meio do nada nesse momento, treinando.'

Kero: 'Ah Sakura... Você só está com saudades.'

Sakura: 'Não Kero! É diferente... É como se uma força maior estivesse me mandando ir pra lá...'

Kero: 'Sakura... Presta atenção... Você é apaixonada por esse moleque... Está com saudades e sua cabecinha desmiolada está achando que você deveria ir pra lá mesmo que você não possa. É isso...'

Sakura: 'Não é isso, Kero! Estou te dizendo... Talvez... Talvez as cartas possam dizer alguma coisa!'

Sakura levantou-se da cama e abriu a gaveta forçando Kero a entrar para seu "quarto" rapidamente. Ela pegou o livro e sentou-se na escrivaninha.

Sakura: 'Quais eram mesmo as palavras, Kero?'

Kero (subindo na escrivaninha): 'Aquela era uma magia para identificar um inimigo, você acha que temos algum?'

Sakura: 'Acho que não... O que eu sinto não é medo de algo... Parece que Shoran está precisando de alguma ajuda... Não teria algum jeito de sei lá... Prever o futuro?'

Kero: 'Bom... Se alguma das cartas souber de algo que possa influenciar no seu futuro e que tenha ligação com o que você está sentindo, pode ser que sim.'

Sakura: 'Isso deve ajudar... Quais são as palavras?'

Kero: 'Pegue as cartas primeiro... Deixe-as em um monte viradas para baixo aqui. ' Ele falou, apontando um ponto da mesa.

Sakura (abrindo o livro): 'Certo.'

Deixando as cartas como Kero mandara, Sakura arrumou-se na cadeira e fechou os olhos.

Kero: 'Agora concentre-se e repita o que eu disser, ok?'

Sakura: 'Sim.'

Kero: 'Cartas que foram criadas pelo Mago Clow. Quero que atendam os desejos de seu mestre.'

Sakura (concentrada): 'Cartas que foram criadas pelo Mago Clow. Quero que atendam os desejos de seu mestre.'

Kero: 'Revelem seus conhecimentos sobre o futuro e ajudem-me a vencer os obstáculos que se aproximam.'

Sakura: 'Revelem seus conhecimentos sobre o futuro e ajudem-me a vencer os obstáculos que se aproximam.'

Assim que a garota pronunciou essas palavras, as cartas Sakura começaram a brilhar intensamente. Todas começaram a flutuar ao redor da menina, sem direção exata. Em poucos instantes as cartas voltaram para a mesa. A maioria voltou ao monte de antes, enquanto algumas outras formaram outras pequenas pilhas.

Kero: 'Estes três montes que se formaram aqui em cima, devem estar relacionados, Sakura. Vire as cartas do primeiro.'

Sakura: 'Certo.'

Sakura pegou as três cartas que havia no grupo: Poder, Grande e Cadeado. A garota não entendeu, e Kero ficou com um ar pensativo.

Kero: 'Hm... Talvez haja um grande poder preso em algum lugar... Veja a outras cartas para tentarmos entender...'

Sakura virou as cartas, e novamente elas não fizeram nenhum sentido para ela. Era o Sono, o Silêncio e a Flutuação.

Sakura: 'O que isso significa? Um sono silencioso que flutua?'

Kero: 'Não Sakura... Vamos pensar melhor. As cartas não podem nos contar com palavras exatas, precisamos deduzir o que elas querem nos passar. Pense um pouco. Pode ser qualquer coisa que essas três cartas tenham em comum.'

Sakura ficou mirando as cartas seriamente. Até que se lembrou de como as capturou.

Sakura: 'Kero... Quando capturei a Flutuação, ela estava com aquela garotinha, Akane. E quando capturei o silêncio, Yuuki, aquela garota que tentava recuperar o quadro estava lá. Já na captura do Sono, a carta fez meu pai dormir... Pai, crianças... Não seria algo com... um filho de alguém?'

Kero: 'É uma dedução bem complexa essa Sakura, mas pode fazer sentido, pois não me ocorre nada.'

Sakura: 'Mas seria esse filho que tem um grande poder preso?'

Kero: 'Provavelmente.'

Sakura: 'Mas filho de quem?'

Kero: 'Não sei, olhe o próximo grupo para tentarmos descobrir.'

Sakura: 'Neste só tem uma carta... (pegando-a) Flores...'

Kero: 'Flores?'

Sakura (estranhando): 'É...'

Kero: 'Como a carta flores pode dar a indicação de uma pessoa? A não ser que... (tendo uma idéia) Essa pessoa tenha o nome de uma flor...!' Ele diz isso olhandoolhou fixamente para Sakura.

Sakura (se desesperando): 'Não olhe pra mim que eu não tenho filho nenhum!!'

Kero: 'Sakura, Sakura! O que você andou fazendo com aquele moleque??'

Sakura: 'Te juro que não fiz nada, Kero! Além do mais, existem várias pessoas com nomes de flores... Minha mãe, Touya...'

Kero: 'Mas só pode ser você, Sakura! O que eles tem com essa história toda de poder escondido e filhos?'

Sakura: 'Oras... Touya é filho da minha mãe e tinha um poder escondido. Os dois tem nome de flor.'

Kero: 'Ah, Sakura! Você só está querendo escapar disso tudo... Não invente, é você e pronto.'

Sakura: 'Quem sabe as outras cartas possam nos explicar?'

Kero: 'É mesmo, agora temos estes montes em baixo. Abra esse primeiro.'

Sakura o fez, e encontra Luz, Libra e Travas, nessa ordem.

Kero: 'Esta é fácil. Só pode ser o equilíbrio de forças, não tem outra explicação. Abra o último.'

Sakura: 'Aqui tem... Aro, Através e Tempo.'

Kero: 'Aro simboliza uma continuidade... Através seria algo sem barreiras... Tempo pode representar a vida...'

Sakura: 'Acho que seria algo que continua através de todo o tempo.'

Kero: 'Muito bom, Sakura... Está ficando boa nisso.'

Sakura: 'Mas não consegui captar a mensagem toda... Você conseguiu?'

Kero: 'Bom... Juntando tudo, poderíamos dizer que no futuro um filho, supostamente seu, terá um poder oculto, do equilíbrio de duas grandes forças. E esse poder parece ser algo que não vai terminar, não importa o tempo que passe.'

Sakura: 'Mas o que isso tudo tem com o que isto eu estou sentindo?'

Kero: 'Também não sou um gênio, Sakura... Não esqueça que podemos ter errado completamente essa interpretação... Nunca saberemos.'

Sakura: 'Então isso tudo não adiantou de nada?'

Kero: 'Quase isso...'

Sakura (fuzilando Kero): 'Agora minha vontade mudou Kero... Estou pensando em te matar.'

Kero (entrando para a gaveta): 'Bom... Já está tarde, amanhã é um novo dia, preciso ir dormir, tchau!'

Sakura sorriu apesar de tudo. Agradeceu às cartas, guardou-as no livro e deixou-os na gaveta. Ela deu uma boa espreguiçada e levantou-se da cadeira, arrumando sua cama para deitar.

Deitada, olhando para o teto, a garota pensou que talvez as cartas fizessem sentido sim, só precisariam decifrar algumas coisas. Quais eram aquelas duas grandes forças, que poder preso era esse que se mantinha através do tempo e se a conclusão que ela chegou sobre o filho era certa.

Talvez isso só o próprio tempo poderia dizer para ela... Futuramente ela poderia se lembrar disso, e preencher as lacunas.

Sua cabeça ficou tão cheia de pensamentos, que o pressentimento que tinha, de que devia estar em Hong Kong, foi ficando esquecido, deixando-a finalmente dormir.


Era madrugada quando Shoran e os outros chegaram na mansão. Ao entrar pela porta, Meiling pulou em cima do primo desesperadamente como de costume, só que, dessa vez, o garoto foi pro chão junto com a prima.

Meiling: 'O que houve??'

Wei: 'Jovem Shoran está machucado srta. Meiling...'

Meiling: 'Me desculpa, Shoran!! É que eu estava com saudades...'

Shoran: 'Tudo bem... Eu também estava.'

Os dois se levantaram, e Meiling finalmente percebe a presença de Marck.

Meiling: 'E você é...?'

Marck: 'Marck Mcguarie, você deve ser prima de Shoran, não?'

Shoran: 'É... Ele é o sujeito que vai me treinar daqui a diante, acredita?'

Meiling: 'Ah... Você é parente do Josh que conhecemos no Japão?'

Marck ficou quieto, meio espantado.

Shoran: 'Sabia que conhecia esse nome! Ainda bem que você lembrou, Meiling... Ele tem a mesma cara que aquele sujeito que estava com a sra. Daidouji...'

Marck: 'Ahn... Josh é meu irmão mais velho...'

Shoran: 'Sabia que o cara não era normal quando o vi... Imagino então que a família toda de vocês tenha poderes mágicos.'

Marck: 'Sim...'

Yelan: 'Chega de papo agora... Terão muito tempo pra conversar depois. É tarde e o doutor está aqui pra fazer alguns curativos decentes em você, Shoran.'

Wei: 'É verdade... Vá para seu quarto, Meiling. Vou mostrar seu quarto, Marck. Imagino que suas coisas cheguem outro dia, certo?'

Marck concordou e assim todos vão para seus aposentos. Apenas por volta das seis da manhã, Shoran pode ir para seu quarto, tomar um bom banho e dormir. Em um dia comum, àquela hora já estaria no dojo, mas iria dormir nem que fosse por uma hora. Além do mais, o Dr. Nagawa havia dito que não era recomendável que ele esforçasse-se muito pois os pontos poderiam abrir.

Por volta das dez da manhã Shoran se levantou. Depois de ir ao banheiro, viu algumas cartas em cima de sua mesa. O que lhe deixou feliz era que as cartas eram de Sakura. Ela contava as novidades, falou da escola, dos amigos, disse que Chiharu e Yamazaki finalmente assumiram publicamente que estavam namorando, e que Tomoyo andava muito misteriosa. Isto é, mais do que o de costume. Junto com uma das cartas havia um foto: eram os dois se beijando. Provavelmente era coisa da Tomoyo, mas Shoran gostou muito.

A saudade bateu forte e ele se deitou na cama novamente olhando a foto, afundando em lembranças. Adormeceu por algum tempo e acordou com a foto entre as mãos. Pensou em ligar para a garota, quando escutou baterem na porta: era Meiling.

Shoran: 'Entra!'

A garota entrou, e perguntou se ele não iria treinar naquele dia.

Shoran: 'Agora de manhã não, estou muito cansado... Talvez de tarde, por quê?'

Meiling: 'É que uma amiga minha está aqui em casa, e ásàs vezes você vai treinar sem camiseta, sei lá...'

Shoran: 'Ah... Tudo bem...'

Meiling (percebendo que ele segurava alguma coisa): 'Hey... O que é isso?' Meiling pegou da mão dele rapidamente, e saiu correndo para outra parte do quarto.

Shoran (indo atrás dela meio manco): 'Devolve isso, Meiling! Você sabe que eu não posso correr atrás de você!'

Meiling: 'Uau! Que amasso, hein Shoran?'

O garoto ficou completamente vermelho.

Meiling: 'Eu lembro disso... Tomoyo filmou. Deve ter pegado essa cena da gravação.'

Ela devolveu a foto e Shoran guardou na carta, que pôs dentro de uma gaveta bem escondida.

Shoran: 'Vou me trocar e descer pra comer alguma coisa agora...'

Meiling: 'Está bem... Eu vou voltar pro meu quarto, deixei a Nai se arrumando lá...'

Meiling saiu do quarto e voltou para o seu. Lá a amiga penteava os longos cabelos loiros depois de tirar o pijama.

Meiling: 'Voltei. Já falei com meu primo...'

Nai: 'Ah... Você foi enquanto eu estava no banheiro??'

Meiling: 'Sim... Qual é o mau?'

Nai: 'É que você fala tanto dele... Queria conhecê-lo.'

Meiling (sorrindo): 'Tenha calma... Veremos ele assim que chamarem pro almoço.'

Nai (retribuindo o gesto): 'Tá certo... Mas você não pode me culpar por isso, afinal, quem não pára de falar nele é você.'

Meiling da um sorriso amarelo e trata de mudar o assunto.

Nai tinha a mesma idade de Meiling, seu pai era chinês e sua mãe alemã. Nascera na Alemanha, mas sempre morou em Hong Kong. As duas amigas ficaram no quarto conversando e olhando fotos, agendas e outras tranqueiras que a chinesa guardava.

Perto do meio dia, as duas foram chamadas para irem almoçar, e a estrangeira se aprontou rapidamente e logo estavam sentadas à mesa. Nai cutucava Meiling e perguntava baixinho onde Shoran estava, e a morena respondia que ele nunca chegava rápido nos almoços, isso quando ele aparecia para almoçar.

Alguns minutos mais tarde, Shoran apareceu na sala se desculpando com a mãe, alegando estar no banheiro.

Meiling: 'Essa é a Nai, Shoran... Minha amiga que tinha lhe falado.'

Nai (sorrindo): 'Muito prazer, Meiling fala muito de você.'

Shoran: 'Prazer.'

Shoran observou a garota. Tinha longos cabelos loiros e a pele bem clara. Era magra e muito bonita, mas ele se mantém quieto, limitando-se ao "prazer" que dissera antes.

Meiling: 'Falei que ele era fechado...'

Yelan: 'Principalmente com pessoas que não conhece bem...'

Shoran: 'Não exagerem vocês duas.'

Meiling: 'Nai vai vir mais vezes aqui em casa a partir de hoje, então logo vão ser mais amigos, não é?'

Nai: 'Claro!'

Shoran: 'Espero que você não encha o saco daqui... Depois de um tempo essa casa começa a ficar monótona.'

Meiling: 'Só pra você que está sempre sério, né Shoran? Talvez se você fosse mais alegre a casa inteira ficaria mais feliz...'

Shoran: 'Para de besteiras Meiling...'

Yelan (evitando brigas): 'E seus machucados Shoran?'

Shoran: 'Estão bem melhores, aquele médico é chato, mas é muito bom.'

Um tempo depois, Shoran saiu da mesa, e foi direto para seu quarto. Yelan também se retirou para continuar seus trabalhos, deixando as amigas sozinhas. As outras quatro jovens que moravam na casa haviam saído por isso tudo estava mais tranqüilo.

Nai: 'Ai Meiling, você disse que ele era lindo, mas não achei que fosse tanto!'

Meiling: 'Nem pense nisso... Ele não larga a Sakura por nada nesse mundo...'

Nai: 'Para deixá-lo solto por Hong Kong, ela deve ter muita confiança em si mesma... Ele é tão perfeito...'

Meiling: 'Nai, Nai... Shoran é diferente, acredite. Conheço ele melhor até do que minha tia.'

Nai: 'Se ele é tão fiel assim, você não tem que se preocupar com qualquer coisa que faça, não é? (sorriu de lado) Não se preocupe, não vou fazer nada que possa envergonhá-la.'

Meiling: 'Você vai perder seu tempo, estou avisando... Não vai dar em nada mesmo'.

As duas amigas se retiram e vão para o quarto de Meiling. Sem ter mais o que fazer, Nai sugere um jogo de cartas.

Meiling: 'Ótimo! Não temos nada para fazer mesmo... Mais tarde poderíamos ir no cinema, certo?'

Nai: 'Certo! Mas... Jogar cartas de dois é muito chato, que tal chamarmos Shoran?'

Meiling (rindo): 'Sabia, estava demorado de mais! Eu chamo ele, mas Nai... Não se empolgue tanto... Já te falei que ele não largaria a Sakura nem pela mulher mais bonita e perfeita da China.'

Nai (arranjando uma brecha): 'Já da Alemanha sim, né?'

Meiling: 'Ai Nai... Você ainda vai se desapontar e ficar bastante triste... Já estou até vendo...'

Nai: 'Meiling... Já te disse que não custa nada tentar.'

Meiling: 'Está bem... Vou lá chamar ele... O baralho está na primeira gaveta, pode pegar.'

Nai: 'Está bem!'

Meiling foi até o quarto do primo e fez o convite. Ele não parecia muito inclinado à aceitar a proposta, mas concorda dizendo que jogaria um pouco, porque iria treinar depois.

Meiling (no corredor): 'Sabia que ela está afim de você?'

Shoran (revirando os olhos): 'Imaginava... Disse pra ela que está sem chances?'

Meiling: 'Umas cinco vezes já...'

Shoran: 'Hm... E ela não desistiu?'

Meiling: 'Não.'

Shoran: 'Pelo menos é batalhadora...'

Chegando no quarto, Nai ficou radiante por ele ter aceitado o jogo, e os três jogaram enquanto conversavam animadamente. Shoran até conversou um pouco, Nai não era tão chata, e não perdia nenhuma partida.

Nai: 'Ganhei outra vez, que coisa não?'

Shoran: 'Meiling, troca esse baralho por que ela deve ter feito alguma feitiçaria nesse.'

Meiling: 'Pior que deve mesmo... Me dêem as cartas que dessa vez eu embaralho.'

Os três continuaram a jogar, até que Shoran foi embora dizendo que não queria, mas precisava treinar. Assim, ele se retira e as duas amigas começaram a conversar.

Nai: 'Mas você viu, ele estava se divertindo bastante conosco! Acho que ele gostou de mim!!'

Meiling: 'Não sonhe tão alto, Nai... Apesar de que... Ele realmente estava mais animado do que o de costume.'

Nai: 'Estou te dizendo, ele gostou de mim!'

Meiling: 'Tenho minhas dúvidas, mas pode ser que ele tenha simpatizado com você mesmo...'

Nai: 'Como você é estraga prazeres...'

A caminho do dojo, Shoran pensava em como tinha sido divertida a simples partida de cartas. Conseguiu tirar das costas o peso de todo o treinamento e pensar em coisas diferentes que não fossem Sakura, treino, treino e Sakura... Era bom fazer algo diferente de vez em quando.


Sakura chegou em casa da escola, correndo desesperadamente para o seu quarto e gritando por Kero.

Sakura (ofegante): 'Kero! Meu coração vai explodir!'

Kero: 'Calma Sakura... Respira... O que está acontecendo??'

Sakura (andando de um lado para o outro): 'O mesmo de ontem só que muito pior! Parece que o mundo vai acabar se eu não for para Hong Kong!'

Kero: 'Se acalme Sakura... Se estivesse acontecendo algo realmente sério já estaríamos sabendo... Clow já saberia e o moleque teria avisado.'

Sakura: 'Mas não é esse tipo de coisa que está me deixando assim, eu acho que... Eu acho que...'

Kero (ansioso): 'Acha que....?'

Sakura (lacrimejando): '... Acho que ele... Vai ficar com outra.'

Kero (espantado): 'O que?? Ah não Sakura! Não começa com essa! O moleque está no meio do mato a essa hora! A não ser que encontre uma índia por lá, o que é realmente impossível.'

Sakura (chorando): 'Acredita no que eu estou falando Kero! Eu posso sentir isso!'

Kero: 'Acalme-se Sakura... Não adianta se desesperar nem chorar! Fique aí que eu vou buscar uma água com açúcar pra você.'

Sakura sentou-se na cama e aguardou Kero, que chegou em alguns instantes. Ela bebeu e deitou-se na cama, segurando o choro. O guardião consolou-a, falando que era uma besteira, que nem se Shoran quisesse traí-la ele teria como, pois estava longe da civilização. Sakura acalmou-se e, deitando-se na cama, acabou por adormecer.


Notas da Miaka Hiiragizawa:

Oi, Povinho!!! P

Pois é, estava boiando essa semana e acabei revisando o cap pra Júlia... E que cap, hein? A dona Júlia está me devendo algumas explicações que eu logo vou cobrar... Hehehe...

Essa revisão me deixou meio nostálgica, me lembrando de quando comecei a escrever e conheci a Júlia... Na época ela e a Diu escreviam Big Brother Brasil... Vocês lembram? Ela melhorou muito, apesar de ter algumas manias que me deixaram puxando os cabelos aqui, mas todo mundo tem algumas, não?

Bem, espero que tenham gostado e que eu tenha pegado todos os erros, afinal, também não sou perfeita, né?

Beijinhos para vocês!!!

Miaka Hiiragizawa.


Notas da Autora:

Meu Deus... Ainda existem pessoas que lembram dessa fic! XDD Eu ainda tenho ela aqui, bem salvada, trancada a sete chaves! Hehehehe

Mas voltando, queria agradecer a Miaka por revisar enquanto a Diu e o Sapox viajam! Ajudou um monte em TUDO... Acho que agora ate vou começar a tirar notas mais altas nas aulas de português! Valeu!!!!!!

Mas e aí, gostaram do cap?? o/ O Marck não é d?? -- hauhauha E o que será q as cartas clow quiseram dizer?? O.o Bom... Isso ninguém vai saber nos próximos caps, então... Não fiquem muito ansiosos."

Bem, eu tenho uma novidade interessante! Tive uma noite de insônia (normal) e fikei até as 5:30 manhã fazendo nada mais nada menos que um site pra essa fic! Tem umas coisas interessantes... Tipo... A relação com todos os guerreiros da Elite... Nome, sobrenome e descrição. Tem um fan art de um deles tbm! O endereço eh ! Visitem!

Beijos e até mês que vem!

Júlia Kinomoto Li