- O 13º Guerreiro -

A Elite dos Doze

Parte VII

Em instantes o gelo começou a derreter por dentro, até quando Whan teve força para esticar as asas e quebrar o gelo em pedaços. Thiago e Adraã se preparam novamente para o combate. Deveriam ganhar o máximo de tempo possível.

Thiago: 'Pelo visto você não curte temperaturas muito baixas... Calor de mais faz mal pra pele, sabia?'

Whan: 'Parem com essas besteiras! Além de me tratarem como um monstro, me deixando em uma jaula, vocês me subestimam por que sou apenas uma criança! Os dois sabem muito bem que um dragão evoluí rápido, apenas esse corpo humano permanece com a idade de vida.'

Adraã: 'Interessante, isso significa que você tem uma mentalidade muito maior do que de uma criança de nove anos, certo?'

Whan: 'Pelo que vejo sou mais esperto que vocês que só entenderam isso hoje depois de me criarem por longos dois anos! Vocês são dois inúteis que apenas seguem as ordens de Kyle! Aquele traidor! Vou chegar até ele não importa por cima de quem eu tenha que passar.'

Thiago: 'Então é isso que você quer, acertar as contas com Kyle por que mandou te manter aqui preso?'

Whan: 'Exatamente, vou vencer dele e provar que ele é apenas uma farsa.'

Adraã: 'Faça o que quiser, depois que conseguir passar por nós.'

Whan: 'Já fiz isso uma vez há muito tempo quando Kyle me trouxe para Elite, fazer de novo não vai ser difícil.'

Thiago: 'Você lutou com um de cada vez, duvido que agora posso vencer os dois juntos.'

Whan: 'Não me façam rir...'

Durante um ataque e outro, Thiago e Adraã tentavam ganhar tempo com alguma conversa ou discussão. O problema era que quanto mais irritavam o garoto, mais fortes se tornavam os ataques, eles já não estavam mais suportando. Foi quando Thiago desmaiou que Adraã viu que não o seguraria por mais nenhum minuto.

Whan começou a produzir uma enorme bola de fogo, e iria atirá-la contra ele a qualquer minuto. Não importaria quanto ele corresse ou se esquivasse, aquela bola iria bater no chão e explodir tudo à volta. Ele e Thiago estariam perdidos.

Adraã iniciou uma invocação suprema dos ventos, e quando Whan atirou a bola que descia do céu parecendo um meteoro, o árabe juntou todo o seu poder num vento que levaria qualquer coisa que estivesse no caminho, ele só não tinha certeza quanto àquela bola de fogo.

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Sakura tomou uma decisão e conseguiu parar de chorar. Virou o travesseiro para esconder suas lágrimas e foi até o banheiro. Enxaguou o rosto, mas seus olhos permaneciam levemente vermelhos e inchados. Sem poder fazer nada quanto à isso, ela tentou ignorar. Voltou para o quarto e saiu para o corredor. Foi quando olhou para os lados que percebeu que não sabia onde era o quarto de Shoran.

Seguiu o corredor para a direita chegando a um cruzamento de dois corredores. Ela seguiu o caminho por onde reconhecia ter chegado pelos quadros afixados as paredes, chegando a uma ante-sala, de onde escutou uma voz conhecida conversando com uma que nunca havia escutado. Ela parou um pouco antes para ver quem era e sentiu o sangue ferver ao ver Meiling e maldita garota loira passando, conversando normalmente.

Sakura adoraria falar com a chinesa depois de tanto tempo, mas não teve coragem. Esperou as duas passarem, e seguiu caminho até a sala em que ficara sentada pouquíssimo tempo a espera de Shoran.

Desceu as escadas silenciosamente. Não havia ninguém no local. Passou pela sala indo até onde ela tinha certeza ter visto uma porta aberta anteriormente. E como imaginou, continuava aberta. Era a porta da cozinha, onde Sakura tinha certeza que poderia achar alguém que a levasse até o quarto de Shoran.

Para a surpresa dela, lá estava ele. Sentado em uma mesa ao fundo da cozinha, balançando a cadeira com um copo de água em mãos. Ele olhava para o chão pensativo enquanto duas cozinheiras faziam algo com um cheiro muito bom para o almoço. Sakura as cumprimenta curvando levemente a cabeça e segue até perto da mesa.

Sakura: 'Oi?'

Shoran se assusta um pouco, voltando a deixar as quatro pernas da cadeira no chão.

Shoran: 'Sakura? O que veio fazer aqui? Está com fome? O almoço logo fica pronto...'

Sakura: 'Não, não... É que eu queria falar com você, e como eu não sabia onde era seu quarto, achei que por aqui encontraria alguém que pudesse me dizer. Mas acabei te achando sem a intenção.'

Shoran: 'Vamos pro meu quarto então... Aí você já fica sabendo onde é.'

Sakura: 'Certo...'

Os dois seguiram até o quarto de Shoran em silêncio. Ao chegar, Shoran abre a porta dando passagem para que a garota entrasse primeiro. Logo ele fecha a porta fica observando a namorada que bisbilhotava o quarto.

Shoran: 'Não tem nada de interessante no meu quarto...'

Sakura: 'Tem sim, eu esperava algo mais... mais bagunçado. Algumas roupas atiradas e a cama desfeita.'

Shoran: 'Acha que eu sou desorganizado?'

Sakura: 'Um pouco... Isso aqui está arrumado demais.'

Shoran: 'Está certo.. Você venceu. Uma empregada arruma minha bagunça diária...'

Sakura (sentando sobre a cama): 'Sabia.'

Shoran (puxando a cadeira da escrivaninha para frente dela): 'Bom... Vamos ao que interessa antes que eu entre em desespero: o que você queria me dizer?'

Sakura: 'Eu pensei bastante e decidi que vou perdoar você.'

Shoran (se levantando da cadeira sorrindo): 'Sério!'

Sakura concorda com a cabeça sorrindo por vê-lo sorrir tão feliz.

Shoran (entre beijinhos na boca dela): 'Brigado, brigado, brigado!'

Sakura: 'De nada! Mas tenho uma condição...'

Shoran: 'Qualquer uma que você quiser.'

Sakura: 'Eu perdoei você, mas isso não significa que eu não esteja mais braba. Vai demorar um pouco pras coisas voltarem a serem como eram antes, portanto acostume-se com isso.'

Shoran: 'Tudo bem... Mas te beijar eu posso, não posso?'

Sakura: 'Um pouquinho pode.'

Shoran não hesitou em beijá-la rapidamente. A garota deixou-se empurrar devagarinho para trás, deitando na cama. O beijo continuou por mais alguns instantes até Sakura encerrá-lo.

Sakura: 'Imagina se eu não tivesse dito "um pouquinho"...'

Shoran: 'Você sabe que é difícil controlar, e como é você eu nem tento...'

Logo depois de dizer isso o casal escuta duas batidas na porta, fazendo os dois s levantarem rapidamente.

Meiling: 'Shoran! O almoço está servido! Vem logo!'

Shoran: 'Já vamos indo, Meiling!'

Meiling (abrindo a porta): 'Vamos? Quem está com você?'

Sakura (acenando): 'Oi Meiling!'

Meiling (pulando na direção da amiga): 'Sakura! Quando você chegou? Por que ninguém me avisou?'

Shoran observou a porta que ficara semi-aberta. Nai deu uma espiada e decidiu seguir para a sala de jantar sozinha.

Sakura: 'Cheguei hoje... Mas pretendo ir embora logo.'

Meiling: 'Ah... Que chato... Mas está tudo certo com vocês dois não está?'

Sakura: 'É... As coisas vão voltar aos eixos...'

Meiling: 'Que bom! Agora vamos almoçar! Minha barriga está roncando!'

Sakura: 'Certo!'

As duas amigas levantaram juntamente com Shoran. As duas conversavam animadamente. Meiling dizia que tinha muita coisa para contar que nem sabia por onde começar. Shoran apenas acompanhou-as até a sala de jantar sem comentar nada.

Ao chegarem a sala de jantar, encontraram-se com o resto da família que almoçaria na casa, Marck e Kero também já estavam à mesa e Nai que aguardava todos para o almoço. Sakura a analisou de cima a baixo, inspirou profundamente e sentou-se à mesa, sem fazer sequer um sinal cumprimentando a jovem. A loira observou Shoran sentar-se ao lado da garota, murmurando algo a ela e sentiu-se, por mais estranho que parecesse, grata pela garota ter aquela reação. Era óbvio que sabia do que tinha ocorrido entre eles e, se tivesse acontecido consigo, teria partido para cima da lambisgóia. Esse pensamento a fez sentir-se pior, como se algo em seu estômago se remexesse demais, mas não podia fazer aquela desfeita com a família Li, portanto encaminhou-se à mesa decidida a fazer sua presença passar o mais desapercebida possível.

Shoran percebeu que Sakura estava se controlando, ficando extremamente quieta, limitando-se a responder as perguntas que Yelan fazia. Ele achou melhor deixar assim para não piorar as coisas. Também viu que Nai estava muito mais triste do que em outros dias, mas ele não poderia fazer nada por ela. Tudo não havia passado de um erro.

Marck (se levantando): 'Com a licença de vocês, vou me retirar para descansar um pouco.'

Kero: 'Dormiu um tempão e vai dormir de novo?'

Marck: 'Estou bastante cansado ultimamente, Kerberus. Qualquer coisa estou no meu quarto. Treinamos amanhã de manhã, Shoran.'

Marck se retira com pressa da mesa se dirigindo para os fundos da casa. Ele ultrapassa os jardins, e contornando o dojo chega ao final da propriedade.

Kojiro: 'Ainda bem que veio logo! Já estava ficando impaciente.'

Marck: 'Quando percebi sua presença estava no meio do almoço com a família toda, se saísse correndo ia dar muito na cara, tive que terminar de comer. Mas chega de papo, o que aconteceu?'

Kojiro: 'Bom, finalmente vamos ter um pouco de ação. E essa ação tem nove anos e asas de dragão.'

Marck: 'Putz... Whan Long decidiu causar problemas... Já estava demorando!'

Kojiro: 'Kyle quer todos reunidos, devemos partir agora mesmo.'

Marck: 'Certo. Vamos então.'

Kojiro tira da roupa um papel envelhecido e recita algumas palavras. Em poucos segundos os dois se encontravam no meio da sala da mansão da Elite.

Marck (estranhando a calma do local): 'Onde estão todos?'

Kojiro: 'Cumprindo as ordens de Kyle. Agora devemos sentar e esperar que ele volte.'

Marck cobre os olhos quando uma luz muito brilhante que aparece em um canto da sala. O grande centauro sai pela pequena brecha. Depois de passar chama os outros, dizendo que podiam passar tranqüilo para a dimensão dos humanos.

Em instantes, Marck e Kojiro estavam cercados pelas grandes criaturas. Kanon deveria ter chamado no mínimo dez guerreiros. O barulho de cascos batendo no chão impacientes preencheu a grande sala.

Kanon: 'Onde está o mestre Kyle?'

Kojiro: 'Ainda não voltou, temos que esperá-lo.'

Logo os centauros começaram a discutir e a contar uns para os outros seus grandes feitos. Já estavam impacientes para ir para a luta.

Kanon (falando mais alto): 'Escutem todos! Ninguém veio aqui para lutar. O que queremos é apenas a produção de uma barreira forte o suficiente para deter o dragão! Não pretendemos lutar dessa vez.'

Muitos reclamaram, mas acabaram sossegando. Marck estava ficando impaciente, Kyle estava demorando de mais.

Kojiro: 'Talvez ele tenha ido chamar os rebeldes...'

Marck (descrente): 'Não, não! De maneira nenhuma! Os rebeldes não suportam Kyle, jamais topariam ajudar-nos. Kyle não seria louco em fazer isso!'

Kyle: 'Isso o que?'

Kyle havia aparecido naquele instante na sala, com um grupo de três homens e duas mulheres, fazendo todas as criaturas presentes na sala silenciarem. Os cinco tinham um visual no mínimo suspeito. Vestidos de preto, cabelos esquisitos, correntes penduradas, espadas gigantes e escudos medievais compunham o visual dos convidados.

Marck (espantado): 'Na.. Nada, senhor.'

Kyle: 'Ótimo. Koriny já deve ter chegado onde Whan está. Josh já me passou a situação de Shinai e Satori, os dois já estão bem mas precisam descansar um pouco. Kou ainda vai precisar de algum tempo, por isso nos encontrará depois. Quero que transporte todos para onde Whan está, Kojiro.'

Kojiro (indignado): 'Todos? Tem idéia de quantas pessoas estão nessa sala?'

Kyle: 'Tenho, e também tenho certeza que é capaz de levar todos até lá.'

Kojiro (pegando o papel amassado novamente): 'Bando de preguiçosos...'

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A enorme bola de fogo tinha sim perdido sua velocidade, mas Adraã não iria conseguir pará-la. Ela alcançou o chão, explodindo e lançando ele e Thiago para longe, abrindo uma enorme cratera circular no chão.

Sorrindo, Whan continuou seu caminho, voando rapidamente. Ao longe já podia ver os prédios da ilha, e agora estava sobrevoando o mar.

Koriny: 'Ei moleque! Onde pensa que vai com tanta pressa?'

Whan: 'Até você anda obedecendo as ordens de Kyle agora?'

Koriny: 'Até o dia em que eu o matar, vou ter que fazer isso pra não levantar suspeitas.'

Whan: 'Hunf... Sinto muito, mas quem vai matá-lo sou eu! Ele que fez o universo todo achar que sou uma terrível ameaça, se assim que ele quer, assim que eu vou ser!'

Koriny (produzindo uma pequena bola negra com as mãos): 'No momento não estou interessada nessa sua história... Vou apenas terminar isso logo e voltar para casa tirar um cochilo.'

Koriny atira a bola na direção de Whan que desvia, mas ela continua com os ataques, lançando esferas seguidas, mas Whan desviava de todas.

Um pouco distante dali, Kojiro aparece na praia com todos os seus acompanhantes.

Kojiro: 'Lá estão eles, viemos parar aqui pois não queria afogar nenhum cavalo.'

Os centauros se sentiram meio ofendidos, mas ficaram quietos pois certamente se afogariam por não conseguir voar.

Um dos homens que tinham vindo com Kyle disse que ia ir até lá e terminar com aquela palhaçada de uma vez. Foi seguido pelos outros quatro imediatamente. Kyle chamou Kojiro e Marck, e os três seguiram os outros cinco.

Koriny: 'Demoraram, hein?'

Kojiro: 'Pare de reclamar um minuto, mulher!'

Whan (se aproximando): 'Ora, ora... Kyle Noriuki, era você mesmo que eu queria ver.'

Todos se colocaram em posição de ataque, mas Kyle pediu que não fizessem nada com um gesto.

Kyle: 'O que quer de mim?'

Whan: 'Queria saber se você gostaria de ser mantido numa jaula com quatro palermas te vigiando vinte e quatro horas por dia, em um local distante da civilização. Eu acreditei em você, achei que confiava em mim, achei que podia contar com você! Mas hoje eu descobri que foi exatamente você que ordenou que me mantivesse preso. Você me traiu e agora estou me rebelando, querendo que você pague pelo que fez comigo.'

Kyle: 'Olhe como você está agindo! Está pondo a vida dos seus próprios companheiros em jogo, como quer que as pessoas não fiquem com um pé atrás antes de lidar com você?'

Whan: 'Já me irritei com você! Vou acabar com todos que estiverem contra!'

Assim que disse isso, o corpo de Whan começou a mudar. No lugar da pele surgiram escamas e sua roupa se rasgou. Seu corpo e membros foram alongados, e em segundos Whan tinha a aparência de um grande e vermelho dragão chinês.

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Após o almoço, Sakura e Shoran saíram para os jardins da casa. Sakura admirava todas as flores e plantas da propriedade. Estaria tudo perfeito se Sakura não estivesse ainda um pouco ressentida com ele, recusando-lhe alguns beijos ocasionais. Ele ficara chateado, mas não podia reclamar de nada. Foi quando Sakura se afastou um pouco que Shoran desviou o olhar dela, virando-se para o outro lado.

Shoran: 'Está sentindo isso, Sakura?'

Sakura (se aproximando): 'Isso o que?'

Shoran: 'É uma força mágica muito poderosa. E ao mesmo tempo extremamente maligna..'

Sakura (prestando mais atenção): 'É verdade... E vem daquela direção.' Apontando.

Shoran: 'Lá é a praia... São muitas pessoas reunidas com poder... O que será que está acontecendo?'

Kero (saindo desesperado por uma janela e indo ao encontro deles): 'Sakura!Já sentiu a presença?'

Sakura: 'Já sim, Kero. Sabe do que se trata?'

Kero: 'Não faço a mínima idéia, mas aquele moleque Marck deve saber, pois não está na casa.'

Shoran: 'Droga... Só pode ser algo grave! Vamos até lá! Trouxe as cartas, Sakura?'

Sakura: 'Claro que sim, não seja bobo.'

Shoran: 'Ótimo! Bola de pêlo, acha que consegue nos levar até lá?'

Kero (voltando a forma verdadeira): 'Não duvide de mim.'

Os dois montam em Kero, e sem hesitar eles levantaram vôo, indo em direção do mar. Estranhamente, quanto mais próximos do local eles chegavam, mais deserta a área ficava. Só poderia ser o mesmo tipo de magia que Eriol usava para impedir que pessoas comuns chegassem ao local.

Se aproximando mais, os três vêm o grande agrupamento de criaturas metade homem metade cavalo, os deixando realmente espantados. Kero pousa perto deles, atraindo as atenções rapidamente.

Kanon (tentando parecer imponente): 'Quem são vocês?'

Sakura (se escondendo atrás de Shoran): 'Ai meu Deus...'

Kanon: 'Mas se não é o filho de Shang...? Parecido de mais para não ser. Creio que não será muito útil agora. Volte para sua casa onde é seguro.'

Shoran: 'Quem é você e o que sabe sobre meu pai!'

Kanon (se aproximando): 'Escute o que estou dizendo, garoto. Volte pra casa e deixe isso com a gente.'

O grande centauro era quase o dobro de Shoran, e Sakura sentia que poderia ser esmagada a qualquer instante.

Shoran: 'Quem são vocês afinal?'

Naquele momento um dos outros centauros gritou para que todos se protegessem, e em instantes bolas de fogo estavam despencando dos céu na direção dele. Além das chamas, os corpos de alguns dos que lutavam foram arremessados de encontro ao chão.

Kyle (gritando): 'Não adianta lutar contra ele, já disse! Vamos começar com a barreira!'

Shoran que protegia Sakura no momento em que o ataque caíra naquela direção, se voltou para o céu e pode ver claramente o grande dragão que era enfrentado, e vários guerreiros poderosos tentando detê-los. Comparado à eles, ele, Sakura e Kero não passavam de vermes. Olhou com mais atenção e viu Marck no meio deles.

Kyle: 'Ao meu sinal, todos produzam a barreira!'

Todos os centauros, os homens que haviam caído na beira da praia, e os guerreiros que voavam em torno do dragão se preparam.

Kyle: 'Agora!'

Cada criatura presente ali se concentrou em formar uma barreira em volta da criatura que Shoran acreditava só existir em lendas. A barreira se tornou tão intensa que brilhava muito, impossibilitando que vissem o que acontecia em seu interior. Shoran pensou que seria impossível haver um ser naquele universo que quebrasse aquela barreira, mas estava enganado.

Sakura: 'Olha!'

Naquele instante a aura do dragão quadruplicou em uma explosão de intenso calor que explodiu levando consigo a barreira e todos que estavam próximos dali. Shoran viu os guerreiros caírem no mar e na areia como bolas de fogo vivas. Viu Marck cair perto dali, e correu para socorrê-lo. O tirou de dentro d'água, o sacudindo para que se recuperasse.

Marck: 'Saia daqui Shoran! Volte pra casa...!'

Shoran: 'Não vou deixar todos lutando aqui sem fazer nada! Preciso ajudar também!'

Marck (se levantando): 'Obrigado pela ajuda, mas aqui o nível é outro. Leve sua namorada e o bichano pra um lugar seguro o quanto antes!'

Shoran: 'Sabe que não vou fugir desse jeito!'

Marck (desistindo): 'Pior que sei... Faça o que quiser, só não se arrisque. E afaste-se.'

Kyle: 'Vamos tentar mais uma vez!'

Whan: 'É inútil, Kyle. Se querem me deter parem de brincar com essas barreiras que assim não vão conseguir!'

Kyle: 'Esse é o problema, Whan! Ninguém aqui pretende ferir você! Queremos apenas que você se acalme!'

Whan: 'Querem que eu me deixe ser trancafiado novamente, ser tratado como um monstro sem fazer nada? Não mesmo...'

Kojiro: 'Mestre Kyle! Kou está vindo!'

Kyle se vira e vê a multidão de almas que vinha chegando pelo céu. Deviam haver centenas de espíritos. Kou chegou sendo carregado por dois deles, sendo deixado cuidadosamente no chão.

Whan Long não acreditou no que via. Certamente não escaparia dessa vez. Ele poderia ser bom em quebrar barreiras, mas aquilo já era impossível.

Kyle: 'Bom trabalho, Kou! Mande que todos ajudem na barreira, vamos tentar mais uma vez!'

Kou assentiu e se comunicou com as almas apenas fazendo seus olhos brilharem. Em instantes o processo da criação da barreira em torno da criatura se repetia. Shoran estava tão abismado que só voltou a realidade quando ouviu a namorada gritar ao seu lado.

Sakura: 'Escudo!'

Shoran olhou para ela como se perguntasse o que elas estava fazendo.

Sakura: 'Não vê que eles não querem machucar o dragão, apenas detê-lo? Se estamos aqui vamos ajudar com o que podemos!'

Shoran sorriu e concordou invocando sua espada, e ajudando na barreira com o ófuro do vento.

A barreira se tornara tão sólida que parecia mais um segundo sol de tanto brilhar. Dessa vez Whan não tinha como escapar. Por mais que ele tentasse quebrar aquela barreira extremamente luminosa, ele não conseguia. O jovem dragão tentou com todas as suas forças perfurá-la, mas fora em vão. Seus ataques eram detidos, ou refletidos. Poderia até mesmo se ferir com seu próprio ataque se tentasse. Sem saída, Whan desistiu de tentar achar uma solução. Kyle percebe que a barreira havia o parado, e se aproxima da esfera mágica que o cobria. Com seus poderes, Kyle fecha os olhos e entra na mente de Whan, onde começam a discutir. Whan o acusava de tê-lo traído, e ele se defendia falando que o garoto tinha uma personalidade difícil, se irritando fácil, por isso era considerado perigoso.

Whan: 'Tenho total controle de meus poderes, Kyle! Você sabe isso melhor do que ninguém! Se você não me tratasse como um monstro, eu não teria motivos para agir como um!'

Kyle: 'Certo, lhe peço desculpas pelo meu erro. Confesso que eu tinha medo de você, do que você pudesse fazer... Agora peço que você se acalme, e me perdoe. Sou humano e você sabe que demoramos muito mais para evoluir do que a sua espécie. Tenho meu direito de errar. Prometo que daqui a diante você ficará junto com todos, aqui em Hong Kong, livre pra fazer o que quiser, desde que se comporte.'

Whan: 'Aposto como irá me trair de novo!'

Kyle: 'Se eu te prender novamente, coloque fogo na casa e destrua tudo se quiser.'

Whan: 'Sabe que colocarei mesmo se acontecer.'

Kyle: 'Não me preocupo pois não vai acontecer. Confia em mim?'

Whan: 'Não.'

Kyle: 'Então serei obrigado a te abandonar Whan... Coisa que não quero. A elite não admite alguém que queira destruir seus companheiros. Confie em mim e comporte-se que terá uma vida muito melhor do que antes.'

Whan: 'Sabe que se isso não acontecer vou destruir tudo mesmo, não sabe?'

Kyle: 'Sei, mas como já disse, não me preocupo já que não vai acontecer. Agora volte a ser o garoto que sempre foi.'

Whan volta a sua pequena forma humana dotada de grandes asas. Kyle abre os olhos, satisfeito e se volta pedindo que a parem com a barreira. Todos obedecem, e o circulo se desfaz, revelando Whan já na forma humana com as duas grandes asas. Eles chegam ao chão em paz, Kyle com um sorriso no rosto, e Whan apenas mantendo o rosto sério de sempre.

Kyle: 'Bom, queria agradecer a todos a ajuda que prestaram. As vezes as crianças se tornam um pouco difíceis de lidar... Principalmente quando essas crianças possuem uma habilidade incrível para destruir barreiras, certo Whan? (colocando a mão em sua cabeça)'

Whan: 'Hunf...'

Uma das mulheres que Kyle trouxera cruzou os braços, indignada.

Mulher: 'Não acredito que esse cara apelou pra nossa ajuda só por causa disso.'

Os outros companheiros dela concordam, dizendo que a Elite dos Doze havia decaído ainda mais. O homem que parecia ser o mais jovem, colocou-se a reclamar também.

Homem: 'Bem, Kyle... Queremos nosso pagamento para poder deixar esse lugar monótono de uma vez e voltar para as batalhas realmente interessantes.'

Kyle retira do bolso um saco de tecido e joga para o grupo dos cinco rebeldes. Um deles o abre, conferindo a quantia das moedas, e analisando se eram realmente de ouro. Logo depois disso, eles atravessam uma brecha de luz intensa.

Kojiro (em tom sonhador): 'Como eu admiro esses caras... Sempre lutando, sempre vencendo! Assim que as coisas deviam ser aqui...'

Marck: 'Por que não se juntou a eles?'

Kojiro (triste): 'Eu bem que tentei... Mas não me aceitaram...'

Marck: 'Isso acontece... Mas garanto que você está bem melhor com agente. Aqui você tem amigos de verdade.'

Kojiro (ironicamente): 'Maravilha...'

Kanon agradece ao seus companheiros um a um enquanto eles voltavam para a dimensão a qual pertenciam. Ao mesmo tempo, Kou ia desfazendo o invocamento das almas. Elas iam se tornando tão transparentes que sumiam no céu.

Marck se juntou a Kyle, que conversaram durante alguns instantes.

Sakura e Kero permaneceram sem entender muito do que acontecera, mas Shoran já tinha uma desconfiança. Contou rapidamente com os olhos quantas pessoas sobraram na praia: Oito. Sete homens e uma mulher que o olhava fixamente. Ao olhar nos olhos dela, Shoran pode sentir uma pequena porção de todo o poder maligno que ela escondia. Parecia uma força tão cruel que mataria alguém só com a força do pensamento. Talvez aquelas pessoas não fossem quem ele pensava que fossem, mas a possibilidade existia.

A troca de olhares foi interrompida quando um homem que antes conversava com Marck colocou a mãos sobre seu ombro, a obrigando a dar as costas, reunindo-se aos outros. O mestre chegou ao trio logo em seguida, perguntando se estavam todos bem, e de fato estavam.

Shoran (sério): 'Sem rodeios, Marck. O que exatamente aconteceu aqui?'

Marck (respirando fundo): 'É uma longa história, Shoran.'

Shoran: 'Pois trate de contar tudo.'

Marck: 'Vamos voltar para casa antes, sim? Prometo que lá conto tudo pra vocês.'

Sakura: 'Também acho melhor. Deve estar cansado, sem contar estes ferimentos.'

Shoran (impaciente): 'Certo... Então vamos logo...'

Sakura ativou a carta alada, e acompanhou Shoran e Marck que foram carregados por Kero até os jardins da casa sob intensa reclamação do guardião. Ele dizia que carregar Sakura e um moleque não tinha problema, já dois deles ele não gostava da idéia.

Shoran (voltando ao chão): 'Pare de reclamar, pra alguma coisa ao menos você tem que servir.'

Os quatro entraram na casa pela porta principal, sendo recepcionados por Yelan e Wei.

Wei: 'Sabia que pelo menos um voltaria ferido...'

Yelan: 'Ainda bem que não é nada grave... O que aconteceu afinal?'

Shoran: 'É o que vamos descobrir agora, assim que Marck começar sua longa história...'

Wei: 'Espere que logo ele irá contar tudo...'

Marck se atira no sofá da sala, pegando o copo de água que uma das empregadas da casa oferecia e virando-o rapidamente na boca.

Marck: 'Vamos começar do início então. Acho que devo me apresentar novamente à vocês. Meu nome é Marck Mcguarie, o décimo guerreiro da Elite dos Doze.'

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Retornando a mansão, todos se sentiram aliviados por tudo ter terminado bem. Exceto Kojiro que reclamou por não ter havido um pouco mais de emoção. Kyle agradeceu aos céus por isso não ter acontecido.

Whan Long retornou ao lugar onde viveu seus primeiros anos de vida. Não se lembrava bem, mas algumas coisas ainda guardava em sua mente.

Kyle: 'Venha Whan. Vou lhe mostrar onde será seu quarto. Lá você pode fazer o que quiser, colocar o que quiser, deixar como quiser. Mas o resto da casa é de todos, por isso mantemos tudo limpo e arrumado. Certo?'

Whan: 'Eu sei disso... Não precisa falar como se eu tivesse realmente nove ou dez anos humanos.'

Kyle: 'Desculpe... É o hábito.'

O novo quarto de Whan era bastante amplo. Tinha um banheiro bom e uma grande janela para o jardim. Não haviam muito móveis, apenas os básicos. Uma cama de solteiro e um armário de duas portas.

Kyle: 'Gostou?'

Whan (sentando na cama): 'Pra mim qualquer coisa serve.'

Kyle: 'Está certo... O jantar é a sete, tem televisão na sala maior. Qualquer coisa me chame!'

Kyle deixa Whan no quarto e se retira suspirando. Realmente esperava que ele se desse bem na casa. O jovem dragão bisbilhotou um pouco o quarto e em seguida saiu procurando algo interessante para fazer. Saindo do quarto seguiu na direção contrária da de Kyle, encontrando no fim do corredor uma única porta dupla.

Curioso, ele empurra com força uma das portas, e com um forte rangido a porta se abre, revelando uma sala redonda com uma mesa também redonda no centro. E nas paredes, prateleiras e mais prateleiras. Elas forravam as paredes com livros, e seguiam por quase dez metros até o teto.

Impressionado o jovem se aproxima das prateleiras, e começa a ler o título dos livros que ficavam à altura de seus olhos. "Como conquistar uma elfa.", "Como lidar com criaturas de outras dimensões." "Corujas e seus encantamentos."...

Olhou outras prateleiras, e constatou que todos os livros ali presentes falariam sobre coisas ligadas a magia. Continuou procurando algum que lhe interessasse, e por fim acabou ficando com "Elemento Fogo: magia avançada.". Sentou-se à mesa do centro e pôs-se a folhá-lo.

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Kojiro retornou logo depois que se teletransportara para buscar Josh e os feridos. Já estava ficando de saco cheio de servir de meio de transporte.

Josh: 'Shinai e Satori já estão bastante bem como podem ver. Adraã e Thiago ainda precisam descansar. Vamos ter que levá-los pros quartos. Até a noite creio que já estarão bem.'

Shinai: 'E onde está Whan? Tem certeza que podemos deixá-lo solto dessa maneira?'

Kyle: 'Sim. Whan já cresceu bastante. Não temos com que nos preocupar mais. Só eu e Josh que temos que nos cuidar pra não perder nossas colocações na Elite pra ele.' (sorrindo)

Koriny: 'Aquela criança não tem idéia do que faz. Apesar dessa ladainha de dragões se desenvolverem mais rápido, ele não passa de um pivete mimado.'

Kyle: 'Você que é mimada, Koriny.'

Satori: 'Vocês dois nunca param... É melhor levarmos Thiago e Adraã pros quartos logo.'

Josh: 'Vamos.'

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Shoran parou de respirar durante os instantes seguintes. Então era verdade. Sua suposição estava correta. O problema era que Marck fazia parte da Elite todo esse tempo e ele não sabia! Estava lá bem de baixo de seu nariz!

Kero: 'O quê? Esse carinha aí é o décimo dessa tal elite? Tah brincando não tá?'

Shoran (não dando ouvidos à bola de pêlo): 'O que eu imaginei estava certo no fim...'

Marck (incrédulo): 'Você já sabia?.'

Shoran: 'Não... Pensei nisso lá na praia. Foi o olhar daquela mulher na minha direção que me fez pensar isso. Então ela é realmente a assassina de meu pai.'

Marck: 'Entendo... Koriny não é flor que se cheire.'

Sakura: 'Mas... O que estava acontecendo lá que precisaram de tanta gente?'

Marck: 'Bom, Whan Long, o garoto que viram é um draconis, uma espécie que tem uma forma humana que acompanha seus anos de vida, mas seu verdadeiro ser é um dragão. Todos os draconis evoluem mentalmente muito mais rápido que os seres humanos. A mentalidade de Whan já é de um adulto, mas seu corpo é de uma criança. Como ele tem uma força estrondosa, e é um pouco mimado se irrita com bastante facilidade, o que é um grade problema. Sozinho ele pode matar muitos de nós, por isso nós o mantínhamos isolado. Hoje ele se irritou, e decidiu que queria se vingar de Kyle, nosso mestre, por telo mantido preso.'

Shoran: 'Entendi, mas por que chamaram tantas pessoas?'

Marck: 'Nós não queríamos machucá-lo, queríamos apenas pará-lo com uma barreira para que Kyle pudesse falar com ele. O problema é que seus ataques tem uma força muito forte e concentrada, perfurando qualquer barreira que criemos. Por isso chamamos outros guerreiros, para fortificar a barreira.'

Sakura: 'Mas apareceram centenas de espíritos mais tarde, só o poder daquelas pessoas serviria para uma barreira poderosa.'

Marck: 'Não... Ao morrer os espíritos não levam toda sua força, cada um mantém uma parte muito pequena do seu poder antigo. Por isso a quantidade é essencial.'

Shoran: 'Agora, só mais uma última pergunta, dessa vez pro Wei: você já sabia disso tudo, não sabia?'

O velho mestre concordou com a cabeça para a surpresa de Yelan.

Shoran: 'Por que esconderam isso de nós e por que trouxeram alguém diretamente da Elite pra me treinar? Sou tão importante assim e não sabia?'

Wei: 'Desde que seu pai iniciou o treinamento para entrar na elite eu já os conhecia Shoran. Consegui esse favor com Kyle, por isso você tem esse privilégio.'

Shoran desconfiou um pouco, mas não haveria outra explicação lógica.

Shoran: 'Não sei se acreditei nessa resposta, mas sei que não vou conseguir outra, certo Marck?'

Marck (sorrindo): 'Certíssimo.'

Todos conversam durante mais algum tempo, mas depois Marck se retira dizendo que precisava tomar um banho. Shoran achou que ele estava fugindo das perguntas que fazia, mas não reclamou. Sakura estava ali com ele agora, e ele deveria dar atenção à ela, Marck poderia interrogar qualquer dia.

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Alguns minutos se passaram depois que deixaram Thiago e Adraã nos quartos que Kojiro lembrou de alguns pertences de Whan que havia trazido da outra casa. Kyle se encarregou de levá-los ao garoto. Não era muita coisa: algumas peças de roupa e alguns livros.

Kyle bateu na porta do novo quarto do garoto, e esperou. Sem resposta bateu de novo e continuou na mesma. Abriu a porta de vagar e se assustou ao ver o cômodo vazio. Deixou os livros e as roupas sobre a cama e tornou a sair do quarto. Olhou para os lados e constatou que sua presença vinha da biblioteca.

Se dirigiu até lá e entrou, avistando Whan sentado a mesa lendo um livro. Era uma sena até um pouco irônica: Whan era bem pequeno, seus pés nem ao menos alcançavam o chão enquanto ele permanecia sentado. Mas mesmo assim lia um livro grosso, escrito em um chinês arcaico que até Kyle tinha dificuldades em ler.

Kyle: 'Olá Whan... Kojiro trouxe os livros que você tinha na outra casa, mas pelo visto já encontrou outros.'

Whan (desviando os olhos do livro): 'É... Tem uma boa coleção aqui.'

Kyle: 'Não sabia que gostava tanto de ler... Eu gosto, mas não leio muito.'

Whan: 'O que fazem aqui então? Assistem televisão o dia todo?'

Kyle: 'Bom... Nossa elite é do tipo pacifista... Trabalhamos quando pessoas de bem solicitam nossa ajuda. Josh é o mais atarefado por aqui pois existem doenças que só ele mesmo pode curar. Em troca dos nossos serviços, recebemos recompensas, e é assim que mantemos a casa.'

Whan: 'Vou ter que fazer esses trabalhos também? O que eu poderia fazer?'

Kyle: 'Sempre existe algo pra fazer se você quer fazer. Koriny não quer ajudar, por isso não faz nada. É só você querer.'

Whan: 'Vou pensar.'

Kyle (se retirando): 'Certo. Não esqueça que o jantar é servido às sete. Boa leitura.'

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Sakura e Shoran seguiram até o quarto do chinês, onde poderiam ficar mais a vontade.

Sakura: 'Que loucura tudo isso que aconteceu... E foi tão rápido...'

Shoran: 'Verdade. Mas o que mais me deixou preocupado foi aquela mulher, Koriny.'

Sakura: 'Por quê?'

Shoran: 'Quando tudo ficou bem, ela ficou olhando nos meus olhos fixamente, e eu pude sentir toda a energia maligna extremamente poderosa que ela escondia. Não tem como você imaginar... É algo medonho.'

Sakura: 'Não me diga isso, Shoran... Eu fico imaginando o dia em que você enfrentá-la de verdade... E você sabe que nossa cabeça só pensa no pior.'

Shoran (juntando seu rosto ao dela, olhando-a fixamente): 'Não se preocupe, nada de ruim vai acontecer comigo, garanto pra você.'

Ele a beija rapidamente, a abraçando logo em seguida. Como era gostoso se sentir protegida rodeada pelos braços de Shoran... Sentia-se tão pequena e frágil que desejava ficar ali para sempre. O problema, era que só de pensar naquela oxigenada, que tinha vontade de esganá-la, e também de esganar Shoran, que era tão culpado quanto ela naquela história.

Ao pensar nisso, Sakura se afasta um pouco de Shoran com uma cara meio tristonha.

Shoran: 'Que houve?'

Sakura: 'Nada... Só lembrei de algumas coisas ruins...'

Shoran percebeu que ela pensava no beijo que ele tinha dado em Nai, mas achou melhor não comentar o fato.

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As horas se passam, e Kanon chama à todos para se juntarem à mesa. Josh vai até os quartos de Thiago e Adraã, que agora já estavam bem descansados, podendo juntarem-se à mesa de jantar que nunca estivera tão cheia.

Onze dos integrantes da Elite dos Doze estavam presentes, prontos para apreciar a comida que Kanon preparara. Era um prato típico do lugar em que nascera. O original era vegetariano, mas o centauro sabia que não estava servindo um bando de cavalos, e sim seres humanos. Assim, ele modificou um pouco o prato adicionando carne bovina que eles tanto gostavam.

Assim que todos se sentaram à mesa, o som do sino usado como campainha ecoa pela casa. Todos se perguntam quem poderia ser, e sem demora Josh se dirigiu a porta de entrada.

Marck: 'E aí mano! Quanto tempo!'

Josh (fechando a cara): 'Maninho pirralho... O que fazes aqui?'

Marck (entrando): 'Vim jantar, oras! Não é óbvio?'

Josh: 'Na verdade não tem nada de óbvio.'

Os dois voltam a mesa, onde Kanon acrescenta mais um prato. A longa mesa estava pela primeira vez em muito tempo completamente cheia. Os dez lugares das laterais e os dois das pontas estavam ocupados.

Depois de alguns cumprimentos, a janta se inicia, juntamente com uma pequena bagunça. Marck lançava ervilhas em Josh com uma catapulta feita com uma colher, que o xingava a todo instante. Koriny faltava espancar Marck, pois metade das ervilhas haviam lhe atingido.

Whan se recusava a comer os vegetais que estavam no prato enquanto Kojiro nem vegetais no prato tinha. Sem contar que não parava de reclamar da falta de cerveja no local. Thiago conversava animadamente com o discípulo Satori, enquanto Kou, Adraã e Kanon discutiam sobre alguma teorias polêmicas do mundo da magia.

Shinai era o único que permanecia quieto, pois parecia que havia sido lançado mais um volume da sua história em quadrinhos favorita, o que era mais interessante do que qualquer comida ou conversa para ele.

Kyle parou um pouco para observar cada um deles. Todos eram pessoas completamente diferentes, mas todas estavam ali, reunidas numa grande família como ele a muito não os via. Apesar de brigarem e discutirem muito, eram bastante felizes e isso que importava.

Whan percebeu o vago olhar de Kyle que sentava ao seu lado em uma das pontas da mesa, e seguiu seu olhar até outra extremidade. Pela primeira vez ele pode sentir o que era ter uma família. Agora ele esperava que essa família jamais tivesse o mesmo fim trágico que a sua. Whan nem chegou a conhecer seus pais, avôs, bisavôs, irmãos, primos... Todos haviam sido mortos pelo seu próprio poder.

Aquela maldita maldição arruinou sua vida. Os draconis são seres muito raros, a família Long era única e não era muito grande. Por causa do tamanho poder que os draconis carregam, os filhos acabam nascendo amaldiçoados por uma das três Maldições do Nascimento.

Ao nascer, o poder que Whan já carregava em seu corpo era tão grande quanto o poder de seus pais somados. Um poder inimaginável, que é completamente impossível de ser controlado por um recém nascido. Desta maneira, no exato momento que Whan respirou sua primeira molécula de ar, grande parte do poder que existia em seu corpo foi posto pra fora em uma explosão de energia.

Uma explosão tão grande que matou todos os moradores da pequena vila dos draconis, sobrando apenas Whan em meio aos destroços da cidade.

Fora acolhido por uma cidade de humanos vizinho, mas sofrera todo o tipo de preconceito por pertencer a uma raça agora dizimada. Seus olhos amarelos e as asas de dragão que ainda não controlava o denunciavam a distância. Quem não se importou com isso fora Kyle, que o trouxe para a mansão.

Com quase um ano Whan já falava e corria. Seu desenvolvimento era bastante acelerado, e fora extremamente fácil para Kyle ensiná-lo como controlar sua magia, suas asas, e a lutar.

Whan tivera seus pensamentos interrompidos bruscamente por uma ervilha que atingira bem no meio de sua testa.

Marck: 'Opa... Essa foi mais torta do que eu esperava... Desculpa!'

Kanon (se irritando depois de muito tempo): 'Da para pararem de atirar comida? Não vêem o desperdício que é isso!'

A sala toda se calou, baixando a cabeça.

Kanon (voltando a sentar as patas traseiras no chão): 'Assim está bem melhor.'

Todos voltaram a comer educadamente, exceto por Marck que preparava uma azeitona cuidadosamente na sua mini catapulta.

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N/A:

Olá povinho! Desculpa por ter passado um tempão sem postar, mas eh q eu tive problemas com a revisão e depois com o q naum deixava eu postar... u.u Mas agora deu tudo certo! \o/

Espero q tenham gostado! As pessoas tão cada vez gostando mais do MArck, daki a poko eu vo matar o Shoran e fazer a história do Marck! Ahsiuhasiuhas Brincadeira! XD

Obrigada por terem lido! Obrigada a Miaka e a Diu! \o/

Beijos!