- O 13º Guerreiro -

A Elite dos Doze

Parte VIII

Era uma noite muito chuvosa na mansão escondida da Elite dos Doze. Era tarde, todos dormiam tranqüilamente. Não tinha como ser mais perfeito para Koriny. Ela saiu de seu quarto de pés descalços para não fazer barulho, e correu sorrateiramente até a cozinha. Atrás da porta ela escolheu o molho de chaves que precisava e dirigiu-se para o porão da mansão.

Com uma das chaves abriu a velha porta com cuidado para não ranger muito alto, e fechou-a assim que passou. Desceu as escadas de madeira quase podre até o final, onde puxou uma corda curta que ligava uma lâmpada fraca.

Era um ambiente escuro, cheirando a mofo, com o piso feito em madeira que rangia a cada passo. Tinha móveis antigos por todos os lados e muita poeira. Koriny se dirigiu a uma das pilhas de móveis e a empurrou para outro canto, revelando um alçapão no chão. Com outra chave do molho ela o abriu. O cheiro de mofo, o ar parado há anos e a poeira que começara a se deslocar deixou seus olhos marejados, sentindo dificuldade de respirar.

Mesmo com tudo ela entrou no alçapão descendo por uma escada de ferro presa à parede. Depois de mais ou menos dez degraus, ela chegou ao chão de uma ampla sala escura. Era redonda e tinha várias tochas apagadas ao seu redor. Com um pouco de magia tudo ficou iluminado.

No chão de pedra da sala havia vários ideogramas chineses esculpidos, deixando apenas um espaço vazio bem ao centro da sala. Koriny observou aquele espaço por alguns minutos, mas nada acontecia. Olhou o relógio, contatando ser duas e dezessete da manhã. Pelos seus cálculos, faltavam três minutos.

Ela esperou os três minutos mais longos de sua vida até quando os ideogramas juntos ao centro começaram a tomar uma coloração avermelhada, se expandindo pouco a pouco até os que ficavam juntos as paredes. Logo em seguida a luz vermelha se tornou tão intensa que Koriny teve de cobrir os olhos.

Logo que a luz tornou-se suportável ela pode ver uma enorme cabeça de dragão acompanhada apenas das patas dianteiras. A silhueta era feita de fogo, e o calor logo dominou o lugar. Koriny rapidamente curvou-se em sinal de respeito.

Dragão: 'Então, conseguiu capturar o Li que prometeu?'

Koriny (ainda curvada): 'Não, mestre Ywhan. Kyle continua na minha cola e...'

Ywhan (interrompendo): 'Não quero mais desculpas, Harima! Te dei poderes em troca de liberdade! Já se passou um mês desde que estou aqui esperando! Já deveria ter queimado você até não sobrar mais nada além de pó há muito tempo!'

Koriny sentiu o bafo quente que saiu da boca do dragão como uma rajada de vento. Imaginou o que aconteceria se ele descobrisse que na verdade haviam se passado mais de dezoito anos que ela estava o enrolando? Ele a mataria num piscar de olhos sem pestanejar.

Koriny: 'Mil perdões mestre. Kyle sabe o que se passa, por isso não sai da minha cola. Preciso do momento certo parar agir sem risco de falha. Tenha paciência. Garanto que em menos de um mês estará livre! O que vai ser um mês para um ser que tem a eternidade toda para se vingar?'

Ywhan: 'Pare de resmungar! Já devia ter matado esse Kyle há muito tempo! O que faz com o poder que te dei?'

Koriny: 'O poder que tenho não o atinge, mestre. Meus ataques passam por ele como se ele não tivesse matéria.'

Ywhan: 'Por que os Noriyuki causam problemas até quando estão quase extintos?'

Koriny permaneceu calada.

Ywhan: 'Irei te dar uma nova chance, Harima. Mas será a última! Terá quinze dias para me trazer Li, se não será você que vai morrer.'

Koriny: 'Sim, mestre. Prometo que não vou falhar.'

O grande fogaréu se expandiu muito em segundos sumindo em uma explosão quente e forte. Koriny parou apenas quando encontrou uma parede as suas costas. Apesar da leve dor que sentira, estava contente pois tinha conseguido garantir mais nove anos de vida. Em nove anos Shoran deveria procurá-la e ela o entregaria para Ywhan e finalmente efetuaria a cerimônia de sacrifício que lhe salvaria da morte.


Foi difícil suportar mais uma separação, mas era inevitável, eles teriam de suportar. Foi assim, tentando não pensar um no outro que o tempo passou e muitas coisas mudaram. Eles não deixaram de se amar, mas aprenderam a aproveitar a vida sem ficar se lamentando pela ausência do outro. A vida não é só amor, amor e amor.

Passaram-se alguns anos desde a última vez em que se viram, e agora Sakura e Shoran já tinham idade suficiente para serem considerados adultos. Ela entrara para a faculdade de Educação Física, e estava muito contente com o curso. Sua amiga Tomoyo conciliava as faculdades de moda e música, dificultando, mas não impossibilitando, os encontros com a melhor amiga.

Shoran continuava com seus treinos acima de todos os seus outros compromissos. Quando completara dezessete anos, foi aceito numa das mais conceituadas faculdades de Administração de Hong Kong. Fazia as aulas à noite e se dedicava ao treinamento com Marck o resto do dia.

Meiling não estava se dando muito bem com os estudos da faculdade de arquitetura, mas Shoran sempre a ajudava no que precisava. Apesar de não ser a primeira da turma, era bastante popular. Tinha muitos amigos, e a casa estava sempre cheia para a infelicidade de Shoran, que não tinha silêncio em seu quarto.

Marck: 'Um biscoito pelos seus pensamentos, Shoran.'

Shoran: 'Nada de mais... Só estava pensando como em pouco tempo as coisas podem mudar tanto.'

Marck (oferecendo o pacote para que Shoran pegasse uma bolacha): 'É verdade... Mas mudanças são boas, na maioria das vezes.'

Shoran (se servindo): 'Na maioria das vezes...'

Marck (guardando os biscoitos restantes para mais tarde): 'Bom... Chega de filosofia, vamos para a ação!'

Shoran (se levantando): 'Qual vai ser o treino maluco de hoje?'

Marck (pegando as armas dos dois): 'Não teremos treino hoje, teremos uma prova.'

Shoran (recebendo sua espada que Marck lhe entregava): 'Uma prova?'

Marck (analisando se a corda de seu arco estava em boas qualidades): 'Exatamente. Estou treinando você há quatro anos já... Preciso saber realmente se você está sabendo aplicar o que aprende. Por isso hoje nós vamos lutar a sério, e no resto da semana estaremos de folga.'

Shoran: 'Por que folga? Não gosto de ficar parado...'

Marck (firmando sua espada na cintura): 'Não quero que você lute nesse tempo por que os pontos das suas feridas podem se abrir.'

Shoran: 'Mal começamos e você já está contando vitória é? Você disse uma vez que por mais ganha que uma luta se pareça, não devemos subestimar nosso oponente.'

Marck: 'Eu sou o mestre aqui Shoran, eu posso fazer isso, você não.'

Shoran: 'Sei sei... Então depois que você sair machucado também nós discutimos isso.'

Marck: 'Certo então. Vou te dar uma vantagem: prefere que a luta aconteça dentro ou fora do dojo?'

Shoran (já se retirando): 'Obviamente fora. Tem coisa melhor que árvores pra barrar algumas flechas?'

Marck apenas sorriu e o segue até os limites do terreno da mansão, ao fundo do dojo. Era um local mais reservado, e dificilmente seriam vistos por algum amigo curioso de Meiling. Posicionaram-se a uma distância bastante razoável.

A luta teve início quando uma primeira e grande flecha de energia foi lançada por Marck. Shoran imediatamente invocou o deus do trovão, na tentativa de desmaterializar a flecha. Quando o raio se aproximou da flecha, ela simplesmente se partiu em duas, mudando de rota e desviando do raio. Aquilo era novidade para Shoran, ele nunca tinha visto Marck duplicando-as. As flechas seguiram na direção dele rapidamente, o obrigando a desviar de última hora. Entretanto, quando pensou ter se livrado daquele primeiro empecilho, notou que as flechas haviam dado meia volta e o continuavam a perseguir.

Marck sorria enquanto controlava as flechas com as mãos. Parecia-lhe interessante a brincadeira de pega-pega.

Shoran pôs-se a correr, na direção do mestre. Se sofresse um ataque direto não teria como controlar as flechas e se defender ao mesmo tempo.

Shoran (invocando o ófuro): 'Deus do fogo, vinde a mim!'

Do interior do papel já não saia apenas um grande jato de fogo, uma enorme chama em forma de dragão era produzida. Tinha dentes e garras afiadas e asas enormes. Era tão quente que queimava coisas que nem tinha chegado a tocar.

A gigantesca criatura avançou em Marck, mergulhando do alto sobre ele. O fogo continuou sendo produzido, forçando contra o chão por mais alguns segundos, até que Shoran cessou o ataque e se certificou de que não havia mais nenhuma flecha o rondando.

A fumaça ainda dominava o local, impedindo Shoran de ver o resultado de seu ataque. Antes que algo pudesse ser visto, dezenas de flechas saíram do meio da fumaça na direção do chinês. Tratou de tentar desviar ao máximo de todas elas, mas era impossível. Foi atingido de raspão várias vezes por todo o corpo.

Ao fim do ataque Shoran tinha sua roupa toda rasgada e manchada de sangue. Quando pôde ver através da cortina de fumaça, viu que seu ataque tinha sido em vão. Marck estava apenas jogando a parte de cima de sua roupa fora, que aparentemente tinha sido a única coisa queimada.

Shoran o encarou ofegante. Ele tinha bloqueado seu dragão de fogo, deixando apenas sua camiseta queimar. Da próxima vez que usasse aquele ataque, ele não seria tão descuidado e bloquearia o ataque por completo. Decidiu partir para cima dele com a espada, correndo rapidamente com o máximo de energia que conseguia expandir. Marck prendeu o arco as costas, desembainhando sua espada a tempo de bloquear a investida de Shoran.

Pulos, socos e chutes faziam parte da coreografia violenta que os dois praticavam. Os ataques de Shoran ficavam cada vez mais rápidos, mas nunca o suficiente para transpor a defesa de Marck. Shoran não sabia mais o que fazer, seus ataques mágicos eram bloqueados, assim como os físicos. Precisaria vencer dele de um terceiro jeito, ainda desconhecido.

Conforme os ataques iam se tornando frenéticos, a velocidade caía assim como a precisão. Foi essa a hora que Marck escolheu contra atacar. Shoran tentou se defender ao mesmo tempo que pensava em uma saída, mas o mestre conhecia todas as suas fraquezas, e seus pontos fortes não eram tão fortes quanto o inglês.

Foi quando Marck tentou ataca-lo por cima com a espada e ele a bloqueou com a sua que as coisas pioraram. Marck a forçava na direção do discípulo enquanto ele fazia o inverso. Shoran tentava a todo custo empurrar a espada de Marck enquanto ele parecia não estar forçando, apenas suportando a força dele. No momento em que um sorriso cínico apareceu nos lábios de Marck que Shoran teve certeza que não teria mais chance alguma.

Uma forte energia azul rodeou a espada de Marck, e logo as mãos de Shoran tremiam por não ter mais força para impedir. Quando ele achava que tudo terminaria, sentiu a pressão sobre sua espada terminar repentinamente e uma lâmina cortar fundo seu ombro esquerdo.

Caiu no chão quase desacordado. Pensou no que tinha acontecido, mas não conseguiu entender até ver ao lado de sua mão direita sua espada quebrada pela metade. A força de Marck tinha quebrado sua espada e ainda o atingido logo em seguida. Estava ferido e sem arma para lutar. Uma derrota um tanto humilhante para o grande ego do jovem.

Marck recolheu sua espada, guardando-a na bainha. Abaixou-se para ajudar Shoran a levantar mas o discípulo empurrou-lhe o braço, impedindo que lhe ajudasse. O chinês pôs-se a levantar sozinho, mas tinha dificuldade pela dor que sentia no braço.

Marck: 'Deixe de ser orgulhoso e me deixa te ajudar. Se ficar desse jeito toda vez que perder vai ser um problema.'

Shoran (já de pé): 'Não enche o saco Marck... Eu não pretendo mais perder pra você.'

Marck: 'Ah, sei... Quer virar deus também?'

Shoran ignorou e tratou de se recompor, para parecer que não havia nada de errado e começou a caminhar de volta para a casa com as duas metades de sua espada. Marck tratou de segui-lo, e, sem que ele visse, tomou-lhe a espada quebrada da mão.

Marck: 'Eu levo isso.'

Shoran caminhou até a sala sozinho, mas chegando ao sofá despencou como um galho podre de uma árvore. Já se sentia mal pela perda de sangue, e todo seu corpo estava dolorido. Assim que chegaram na sala foram vistos por Meiling e mais duas amigas, que correram desesperadas até o sofá em que ele se encontrava.

Meiling: 'Ai meu deus, Shoran! Por que você sempre se machuca desse jeito! Quantas vezes eu disse pra não levar tudo isso tão a sério?'

Shoran: 'Eu to legal, Meiling... Nada pelo que eu já não tenha passado.'

Meiling: 'Você está todo ensangüentado e diz que está legal? Sem condições de eu acreditar nisso... Vou chamar sua mãe.'

Meiling saiu correndo em disparada pela casa até o quarto da tia. As duas amigas ficaram por ali mesmo impressionadas com o que tinha acontecido. Mas também não deixaram de sentir suas bochechas ficarem quentes ao verem Marck e Shoran vestindo apenas calças.

O mestre ficou cuidando de Shoran como podia. Enfaixou o corte maior para parar de sangrar e buscou água oxigenada para limpar os outros ferimentos.

Shoran: 'Não precisa fazer isso...'

Marck (limpando com um algodão): 'Você sabe que precisa, então não discute.'

Enquanto Marck higienizava os cortes com algodão, as duas amigas de Meiling faziam caras e bocas acompanhadas de vários 'ai' e 'ui', impressionadas com o fato de Shaoran nem chiar.

Yelan chegou logo em seguida dizendo que o doutor Nagawa já estava a caminho.

Yelan (séria): 'Daqui a pouco não vou mais deixar vocês treinarem com armas que cortem.'

Shoran (bravo): 'Acho que essa vai ser a solução já que Marck QUEBROU minha espada.'

Marck: 'Ei! Não fiz de propósito, OK?'

Shoran: 'Você sabia que eu ia perder mais cedo ou mais tarde, não precisava humilhar! Eu tinha essa espada há uns dez anos!'

Marck (limpando um machucado sem a mesma delicadeza de antes): 'Já estava na hora de trocar mesmo, então.'

Shoran: 'Ai! Quer parar de enfiar esse algodão na minha carne?'

Meiling: 'Vocês só sabem brigar? Não dá pra se entender de vez em quando, não?'

Os dois (ao mesmo tempo): 'Não!'

Logo uma das empregadas veio anunciar a entrada do médico. Rapidamente ele cruzou a sala até o sofá.

Nagawa: 'Pelo visto você não aprende, não é Sr. Li?'

Shoran não respondeu. O médico retirou as faixas que Marck havia posto e limpou bem o ferimento. As garotas se retiraram da sala pois não agüentariam ver a pele dele ser costurada.

Com uma leve anestesia aplicada e um pano branco por cima, o doutor fechou a ferida de Shoran com facilidade. Depois enfaixou o ombro para Shoran não ficar o movimentando demais.

Em seguida o médico lhe deu algumas recomendações rotineiras e foi embora, acompanhado por Yelan e pelas duas amigas de Meiling que também já estavam de saída.

Marck: 'Vou tomar um banho, vê se você consegue acalma-lo, Meiling.'

Meiling: 'Pode deixar.'

Assim que Marck foi embora Shoran se levantou do sofá, pegando sua espada quebrada. Meiling o auxiliou rapidamente.

Shoran: 'Posso ir sozinho para o meu quarto, não se incomode, Meiling.'

Meiling: 'Você sempre me ajuda quando eu estou com alguma dificuldade, Shoran. Agora é minha vez, deixe-me te ajudar.'

Shoran calou-se, aceitando a ajuda da prima.

Meiling (enquanto subiam as escadas): 'Você não acha que vai longe demais nesses treinos com Marck?'

Shoran: 'Não Meiling... E nós nem levamos tão a sério assim. Se Marck tivesse lutado sério comigo eu não estaria com esse corte, eu estaria sem braço.'

Meiling: 'Ai, Shoran! Não diga isso! Eu e sua mãe já falamos sobre isso uma vez... Nós achamos que esse sua ambição de entrar para a elite pode não ser algo muito bom... Pense.. Se você falhar, tem grandes chances de morrer. Se vencer, o que terá como objetivo depois? O que você vai ter ganhado com todos esses machucados?'

Shoran (rindo): 'Um monte de cicatrizes.'

Meiling: 'Estou falando sério, Shoran!'

Shoran: 'Meiling... Você sabe melhor do que ninguém como é ruim viver sem ter pais... Eu não conheci meu pai, mas mesmo assim sei que ele foi alguém muito especial. Ele queria vencer aquela mulher a todo custo, tanto é que perdeu a vida por isso. Se ele fez isso era por que tinha uma razão muito forte por trás. Então, eu também quero a todo custo terminar o que meu pai não conseguiu, nem que custe minha vida também.'

Meiling: 'Eu sei que é difícil, Shoran... Mas você não pode viver pensando no passado! Você tem uma vida agora, diferente da de seu pai. Tem pessoas que te amam muito e não querem te perder! Nunca parou pra pensar que você está sendo egoísta não pensando no que os outros sentem por você?'

Shoran (se afastando da prima, continuando o caminho sozinho): 'Já pensei nisso sim, mas eu não me importo! Esse é meu objetivo há muito tempo e não vai ser você, nem Sakura, nem uma porcaria de espada quebrada que vai me impedir de fazer o que eu quero!' Ao dizer isso Shoran atirou as duas partes da espada no chão com raiva.

Meiling ficou assustada, sem reação imediata. Apenas observou o primo de distanciar, e logo em seguida viu as duas metades da espada se desmaterializando, virando cacos da antiga esfera negra. A garota recolheu-os rapidamente, e correu em direção ao escritório da tia.

Meiling (batendo a porta): 'Posso entrar, tia?'

Yelan: 'Claro.'

Meiling (mostrando os cacos da esfera de Shoran): 'Aqui está o que sobrou da espada de Shoran...'

Yelan (indicando uma pequena caixinha, parecida com um porta jóias): 'Coloque aqui antes que se machuque.'

Meiling obedeceu e logo se sentou na cadeira a frente da mesa da tia.

Yelan: 'O que aconteceu?'

Meiling (cabisbaixa): 'Shoran disse que não se importa com o que as pessoas sentem por ele, que ele iria fazer o que fosse preciso pra vencer.'

Yelan: 'E você ficou magoada com isso, certo?'

Meiling (começando a chorar): 'Mas é claro, tia Yelan! Shoran é meu melhor amigo, é meu primo, praticamente meu irmão! Sou uma das pessoas que mais se importa com ele, e ele diz na minha cara que não está nem aí pra isso! Como você queria que eu ficasse?'

Yelan: 'Ah, Meiling... Shoran é assim, você sabe disso até melhor que eu. Sabe que ele se importa sim, e muito. Só quer ficar parecendo que é forte, que não precisa dos outros pra viver e tudo mais. A verdade é que ele é muito mimado, só isso.'

Meiling: 'Dizendo isso parece que ele não é seu filho...'

Yelan: 'Shoran é mimado e eu sei muito bem disso. Mas isso não significa que a culpa seja minha. Ele já nasceu com tudo que poderia desejar na vida, herdeiro de todo o patrimônio do clã, paparicado pela família toda, com quatro irmãs doidas por ele, mais uma prima que o cuida desde bebê, como você queria que ele ficasse? Sem contar que como ele já tem tudo que poderia querer, ele precisava de um objetivo pra dar um sentido na vida dele. O que ele escolheu foi um não muito bom, mas de acordo com o temperamento dele.'

Meiling (triste): 'É... Eu sei...'

Yelan: 'Nós não vamos poder tirar isso da cabeça dele, mas é óbvio que ele se importa com o que sentimos por ele, só não diz isso.'

Meiling: 'Tenho medo de perder ele, tia...'

Yelan: 'Eu também, Meiling... Não queria perder mais uma pessoa importante pra mim, mas também não vou impedi-lo.'


Shoran estava irritado, seu braço doía e ainda não poderia descarregar a raiva nos treinos pois não treinaria até se curar. Se atirou na cama mas logo se arrependeu pois seu braço dera uma fisgada. Segurou o ombro na tentativa de parar a dor, mas sem sucesso. Aos poucos foi aliviando, até cair no sono.

Havia tempos que não sonhava, mas assim que pegou no sono pôde ver as imagens em sua cabeça claramente. Para variar ele lutava contra monstros estranhos. Havia centenas deles. Ele os derrotava freneticamente até quando viu ao longe um garotinho desacordado, prestes a ser morto pelas criaturas. A criança não tinha mais que dez anos.

Shoran lutou bravamente até alcançar a criança e levá-la para um local seguro. Venceu os monstros restantes e voltou para cuidar do menino. Levantou-lhe a cabeça e pôs-se a chamar por ele. Alguns instantes mais tarde o garoto abriu os olhos, olhos verdes como a mata, verdes como uma esmeralda, verdes como os de Sakura...

Sakura (pulando da cama): 'Eu to atrasada!'

A garota corre até o guarda roupa para pega uma roupa quando vê Kero jogando videogame.

Sakura: 'Kero? Jogando videogame a essa hora?'

Kero (sem tirar os olhos da tela): 'Mas são cinco da tarde, Sakura...'

Sakura (confusa): 'Ahn...?'

A jovem olhou para seu relógio e constatou que de fato eram cinco da tarde.

Sakura (mais confusa): 'Mas... Mas... Eu estava dormindo e...'

Kero: 'Você disse que ia estudar, pegou um livro, deitou na cama e apagou. Não se lembra?'

Sakura (sentando na cama): 'Lembro sim... Que coisa mais estranha...'

Kero joga por mais alguns instantes, mas acaba perdendo e desligando o aparelho.

Kero: 'O que tem de tão estranho? Eu sempre soube que você tinha um parafuso a menos, isso não é novidade...'

Sakura: 'Não é isso... É um sonho que eu tive..'

Kero (se empolgando): 'Oba! Sonho estranho é sinal de ação! Faz tempo que não fazemos nada.'

Sakura: 'Não é esse tipo de sonho... Eu apenas sonhei que estava lutando contra um monte de monstros feios, e de repente vi um garotinho desacordado sendo atacado. O salvei mas...'

Kero: 'Mas?'

Sakura: 'Ele era igual ao Shoran, Kero! Quer dizer... Não exatamente igual... Devia ter uns dez anos... Não era ele, isso eu sei, mas se parecia muito com ele. Os olhos eram exatamente iguais os cabelos bagunçados também!'

Kero pareceu levemente espantado com o sonho, mas logo mudou a cara para uma de desapontamento.

Kero: 'Pronto... Outra crise de saudades... Você não se cansa disso não?'

Sakura: 'Não é uma crise, Kero... Foi um sonho! Você disse que eu sempre deve levar meus sonhos a sério, e é isso que eu faço.'

Kero: 'E o que você acha que esse sonho quer te dizer?'

Sakura: 'Não sei! Eu esperava que você me dissesse isso.'

Kero: 'Sakura, olhe pra mim: tenho cara de cartomante ou de cigano?'

Sakura: 'Kero! Pense um pouco, sei que você pode interpretar esse sonho bobo.'

Kero: 'Saudade Sakura, saudade! Aposto como você já teve a impressão de ver o moleque na rua várias vezes e depois viu que era outra pessoa.'

Sakura (desanimando): 'Isso é... Mas por que eu o veria como uma criança? E eu tenho certeza que aquela criança não era ele, e sim alguém parecido com ele!'

Kero: 'Esquece isso, Sakura... Não tem significado nenhum, a não ser...'

Sakura: 'A não ser..?'

Kero: '... que o moleque esteja esperando um filho.'

Sakura gelou. Ficou alguns segundos sem reação mas logo reagiu.

Sakura (dando voltas no quarto): 'Não! Não, não... Isso não pode. Ele não seria capaz disso. Não pode mesmo! Ele não faria uma besteira dessas, não faria!' Ela repetia aquelas palavras como se tentasse se convencer de que elas eram verdadeiras.

Kero: 'Lembre-se que ele já te decepcionou uma vez...'

Sakura (ela sentia seus olhos marejando): 'Mas não! Ele não faria isso outra vez! Ele gosta de mim como eu gosto dele e está esperando por mim! Ele prometeu que não ia acontecer de novo, prometeu de verdade!'

Kero: 'Prometeu também que a primeira vez não iria acontecer e aconteceu.'

Sakura (já chorando): 'Mas aquilo foi só um beijo! Um filho é algo muito pior, ele não seria tão idiota! ... Ou seria?'

Kero (se arrependendo): 'Não devia ter aberto essa boca grande... Te fiz chorar, sou um idiota mesmo.'

Sakura (correndo para pegar o telefone sem fio): 'Vou ligar pra ele agora mesmo.'


A criança misteriosa ficou olhando em seus olhos e vice-versa por alguns instantes até que Shoran foi acordado pelo barulho do telefone de seu quarto.

Shoran (sonolento): 'Alô?'

Empregada: 'Sakura Kinomoto deseja falar, passo a ligação?'

Shoran (surpreso se levantando rapidamente): 'Sim, sim... Pode passar.'

Sakura: 'Alô, Shoran?'

Shoran: 'Nossa, Sakura... Você me pegou de surpresa. Não esperava...'

Sakura (se desesperando): 'Por quê? Aconteceu algo que eu não possa saber?'

Shoran: 'Se acalma, Sakura... Por que está tão nervosa?'

Sakura: 'Não foge do assunto, aconteceu ou não?'

Shoran: 'Não, Sakura! Nada! Alguns acidentes, mas isso passa...'

Sakura: 'Acidentes? Que tipo de acidentes?'

Shoran (não entendendo o desespero da namorada): 'Acidentes oras! Marck cortou meu braço hoje mais cedo e eu to meio que de cama, só isso que aconteceu! Agora me explica por que esse alvoroço todo.'

Sakura (preocupando-se): 'Mas, ele deveria treinar você e não machucá-lo!'

Shoran (expirando): 'Já tomei esse sermão de Meiling, minha mãe e do médico, você não vai começar, vai?'

Sakura: 'Não estou dando sermão, só estou preocupada com você!'

Shoran (sorrindo de lado): 'Eu sei me cuidar, Sakura, não se preocupe. Não é como se nunca tivesse me ferido antes...'

Sakura (acalmando-se um pouco): 'Eu sei, mas isso não é motivo para eu deixar de me preocupar.'

Shoran (mudando de assunto): 'Não adianta discutirmos isso, agora vai me contar por que me ligou desesperada para saber se aconteceu alguma coisa?'

Sakura (sem graça): 'Ah, não foi nada... É que eu tive um sonho estranho faz pouco, que o Kero interpretou de um jeito mais estranho ainda que me deixou preocupada.'

Shoran (estranhando): 'Sonho estranho? Que tipo de sonho?'

Sakura: 'Ah... Eu estou lutando contra uns monstros quando...'

Shoran (interrompendo): '.. Vê uma criança sendo atacada por um deles?'

Sakura (sem reação): 'Como... você sabe?'

Shoran: 'Estava dormindo também, sonhei a mesma coisa.'

Shoran escutou Kero gritando do outro lado da linha pedindo explicações, obrigando Sakura a contar a ele.

Sakura: 'Mas Shoran... Aquele garotinho não era você, não é mesmo?'

Shoran: 'Óbvio que não, Sakura! Desde quando tenho olhos verdes como aqueles?'

Sakura: 'Como assim, "olhos verdes"? A criança que eu vi tinha olhos castanhos e era muito parecida com você.'

Shoran: 'Mas no meu sonho ela tinha olhos que nem os seus. Você foi a primeira pessoa que me veio a cabeça quando vi.'

Sakura: 'Então não estou entendendo mais nada...'

Shoran (tentando tranquilizá-la): 'Não se preocupe... Tudo vai ficar bem.'

Eles ficaram alguns instantes em silêncio antes do rapaz retomar a palavra.

Shoran: 'Acho melhor desligarmos, não quero que tenha problemas com seu pai por causa da conta...'

Sakura (desanimada): 'Tem razão...'

Shoran: 'Já que vou ter que ficar algum tempo sem treinar, vou procurar alguma coisa sobre sonhos na biblioteca aqui de casa e te ligo se encontrar algo, está bem?'

Sakura (um pouco mais tranqüila): 'Certo. Se cuida, viu? Amo você!'

Shoran: 'Também amo você... Beijos!'

Sakura (desligando o telefone em seguida): 'Beijos...'

Shoran desligou o telefone e voltou a deitar, fincando a pensar no sonho que tiveram. A base de ambos era a mesma, mas por que o garoto tinha olhos verdes no sonho dele e olhos castanhos no sonho dela? Poderia perguntar para Marck ou para sua mãe, mas não naquele momento. Ficaria até o jantar no quarto, depois iria para a faculdade e só pensaria nisso na manhã seguinte quando estivesse mais calmo.

Afundou o rosto no travesseiro e procurou dormir. Logo que estava pegando no sono, alguém bateu a porta e já foi entrando sem esperar uma resposta.

Marck (sorridente): 'Olá!'

Shoran (depois de soltar um palavrão entre os dentes): 'Que é?'

Marck: 'Nada... Só dizer oi.'

Shoran: 'Não acredito que você me acordou por isso! Acho que você com problemas sérios, Marck!'

Marck (sentando na beirada da cama): 'Ah é? Que problema?'

Shoran: 'Falta de mulher. Você fica enchendo o saco sempre que acontece.'

Marck: 'Até parece que sou eu que tenho esse problema. Quem é o virgem aqui?'

Shoran simplesmente atira o travesseiro em cima de Marck, que atira de volta.

Shoran (deitando de costas pra ele): 'Vai ver se eu to na esquina, Marck...'

Marck (levantando): 'Tá legal...'

O mestre sai e fecha a porta, mas abre a porta novamente logo em seguida.

Marck: 'A propósito... Sua mãe quer te ver lá no dojo.'

Shoran o olhou com um olhar fuzilante. O inglês fechou a porta rindo e foi para o dojo. O mais novo respirou fundo e se levantou preguiçosamente da cama. O que estaria sua mãe querendo com ele? Ele atravessou lentamente a casa e chegou ao seu destino onde sua mãe, Wei e Marck o aguardavam.

Marck: 'Parabéns, se ela estivesse morrendo você teria chegado a tempo de ver o corpo.'

Shoran: 'Cala a boca...'

Yelan (sentada sobre os joelhos no tatame): 'Se já terminaram, eu gostaria de começar.'

Os dois se calaram e se sentam a frente dos mais velhos.

Yelan: 'Sei que não vai ser muito útil agora, mas assim que se recuperar vai ser muito.'

Ambos ficam calados procurando entender o que ela queria dizer. Wei alcançou para Yelan uma esfera negra presa por cordas vermelhas muito parecida com a de sua antiga espada.

Shoran: 'Isso é...'

Yelan: 'Isso é a espada de seu pai, Shoran.'

Yelan pode ver os olhos de Shoran brilharem de emoção.

Yelan (entregando): 'Pode pegar, ela é sua agora.'

Shoran segurou a esfera com cuidado ainda analisando. Ela era um pouco mais pesada que sua primeira espada, e ao levantá-la pelas cordas, ele percebeu que seu interior estava mudando de cor. Era como se uma gelatina multicolorida começasse a surgir de dentro do objeto e ficasse em movimento.

Yelan: 'Essa espada foi de seu pai, de seu avô, bisavô e assim por diante desde quando o clã existe. Ela foi construída para só um Li legitimo poder usá-la. Essa mudança de cor prova que você pode utilizá-la.'

Wei: 'E ela é mais poderosa que a antiga, o que conseqüentemente lhe deixará mais forte também.'

Shoran: 'Então... Quer dizer que o Marck quebrou minha espada de propósito?'

Yelan: 'Na verdade não. Eu não pretendia te passar essa espada tão cedo, mas acabou tendo que ser necessário.'

Marck: 'Me desculpe senhora, mas acho que me empolguei no nosso treinamento e acabei fazendo o que não devia.'

Shoran: 'A verdade é que ele é burro de mais pra controlar a própria força.'

Marck: 'Pelo menos eu tenho força.'

Yelan (se levantando): 'Pelo visto Shoran já está muito bem. Em perfeitas condições para estudar o dia todo durante as próximas semanas.'

Shoran (segurando o braço): 'Não! Não estou tão bem assim...'

Yelan: 'Então também não vai poder treinar, é uma pena mas vai ficar de cama.'

Marck (sussurrando): 'Bem feito...'

Shoran: 'Cala a boca, Marck!'

Yelan: 'Marck também não parece bem para sair a noite, vai ficar em casa.'

Marck: 'Ei! A senhora não manda em mim!'

Yelan (saindo): 'Mando sim. Mesmo que indiretamente, você trabalha pra mim. Vai ficar em casa, ou se quiser pode ir, mas leve suas malas junto.'

Wei (depois que Yelan se retirou): 'Ela está bastante brava por ter que lhe dar a espada de Shang agora, Shoran. Acho que deveriam cumprir o que foi dito sem questionamentos.'

Shoran: 'Até você Wei?'

Wei (saindo): 'Se precisarem de mim, estarei em meu quarto.'

Os dois observaram Wei se distanciar, e depois se fitaram.

Shoran (lembrando): 'Desde quando você sai a noite?'

Marck (deitando no tatame): 'E te interessa?'

Shoran: 'Interessa sim!'

Marck (revirando os olhos): 'Desde que entrou pra faculdade.'

Shoran: 'E pra onde o pervertido vai?'

Marck: 'Por que quer saber?'

Shoran: 'Pra saber o que você anda aprontando.'

Marck: 'Eu não apronto nada, sou um cara responsável.'

Shoran: 'Quero ver o dia que vai aparecer um Marck Júnior aqui... Aí veremos quão responsável você é.'

Marck (sentando): 'Droga, Shoran! Marck Júnior? Pegou pesado nessa... O dia que eu tiver filhos, a mãe deles será da minha terra. Uma loira de olhos claros e boca carnuda de preferência.'

Shoran: 'Está desprezando as mulheres daqui?'

Marck: 'De maneira nenhuma! Elas são muito boas também. Mas quero um filho que seja a minha cara, não de olhos puxados.'

Shoran: 'E você acha que você tem mais a ver com uma loira de olhos claros? Você é moreno, e seus olhos são pretos!'

Marck: 'Azuis escuros.'

Shoran: 'Quase pretos.'

O silêncio reinou com o fim do assunto, até os dois deitarem no tatame ao mesmo tempo, finalmente pensando nas conseqüências do sermão de Yelan.

Marck: 'Estamos ferrados.'

Shoran: 'Totalmente...'

Marck (sentando de novo): 'Podíamos fugir de casa!'

Shoran: 'Não seja idiota...'

Marck (deitando de novo): 'É... Não foi uma boa idéia...'

Shoran: 'O que vou fazer esse tempo todo? Meus músculos vão atrofiar...'

Marck (levantando): 'Deixa de ser exagerado! Não sei o que vamos fazer, mas eu estou com fome... Vou ver se compraram mais bolachas recheadas... Quer vir?'

Shoran: 'Não...'

Marck saiu do dojo deixando Shoran deitado no chão, mirando o teto. Se sentiu realmente sozinho. O grande dojo estava vazio, e extremamente silencioso até ouvir-se um alto ronco de fome.

Shoran (levantando rapidamente): 'Espera! Vou com você!'


Sakura tinha acabado de fazer um ponto na equipe adversária quando a professora apitou, anunciando o termino da aula. Ela pegou suas coisas e logo chegou ao vestiário onde se trocou. Estava saindo do banheiro com a mochila tira-colo quando encontrou na porta do vestiário quem menos esperava.

Sakura (abraçando a amiga): 'Tomoyo! O que está fazendo aqui? Não deveria estar na aula?'

Tomoyo: 'Felizmente inventaram de fazer uma revisão geral nos encanamentos dos prédios, as aulas foram suspensas hoje e amanhã!'

Sakura: 'Mas você ainda tem as aulas de música daqui, não é?'

Tomoyo: 'Tenho sim, mas é só a tarde, então estou feliz!'

Sakura (sentando em um banco): 'Mas aí me conta... O que tem feito de bom? Não me ligou essa semana!'

Tomoyo: 'Eu estava toda atrapalhada com uns trabalhos... Não fiz nada de útil. E faz maior tempão que o Eriol não liga...'

Sakura: 'Falando em ligar, eu liguei pro Shoran esses dias...'

Tomoyo: 'Sério? E o que ele disse?'

Sakura: 'Nada de mais... É que eu e ele tivemos um sonho muito parecido que tem algum significado que ele ficou de procurar, mais nada. Depois disso eu não tive mais o sonho e ele provavelmente também não tenha tido.'

Tomoyo: 'Mas como era o sonho?'

Sakura: 'Sonhamos com uma criança sendo atacada por umas criaturas, e nós tínhamos que salvá-la... E quando chegamos perto dela, vimos que era um garoto, cabelos castanhos rebeldes e olhos verdes no sonho dele e castanhos no meu.'

Tomoyo: 'Parecia o Shoran só que mais novo?'

Sakura: 'Isso mesmo! O Kero começou a falar de filho dele, aí eu fiquei preocupada e por isso liguei.'

Tomoyo: 'Entendi... Mas no fim das contas, chegaram a uma conclusão?'

Sakura: 'Bom... Shoran disse que quando viu a criança abrir os olhos no sonho dele, se lembrou de mim, e disse que os olhos do garotinho eram iguais aos meus. Então...'

Tomoyo (ficando radiante): 'Só podia ser um filho de vocês dois!'

Sakura (vermelha): 'Ai Tomoyo! Acalma-se... Não tem como! A gente está longe faz um tempão, não tem por que pensar nisso.'

Tomoyo: 'Não sei por que não pensar, dona Sakura! Eu sei muito bem que você anda arranjando uns bicos por aí e já deve ter juntado um dinheiro legal. E sei também que você estava planejando matar a saudade nessas férias de verão!'

Sakura: 'É, é... Eu sei! Mas... agora já eu nem sei mais. Bem que ele podia vir pra cá né?'

Tomoyo: 'Você sabe melhor que ninguém que ele não é do tipo que fica tirando férias.'

Sakura: 'Eu estava mesmo decidida a ir, mas agora que falta pouco para as férias eu não sei mais. Acha que devo?'

Tomoyo: 'Mas é claro! Aproveita essa chance! Imagina só, você vai pra China e eu pra Inglaterra, aí a gente volta um pouco antes do fim das férias e você passa alguns dias lá em casa pra gente conversar até não ter mais o que falar!'

Sakura: 'Certo, certo! Então eu vou dar um jeito de ir e vou pra tua casa também! Ainda temos quase um mês todo de aulas ainda, estamos meio adiantadas...'

Tomoyo (olhando relógio): 'Adiantadas nada, está é atrasada! A sua próxima aula já começou!'

Sakura (levantando): 'Ah é verdade! Até depois Tomoyo!'

Tomoyo (acenando): 'Te encontro na saída!'


Marck acordou e se espreguiçou demoradamente na cama. O sol estava nascendo e ele sabia que não precisava levantar, mas o despertador o havia acordado por que ele tinha esquecido de desprogramá-lo. Irritou-se com ele e pensou em quebrá-lo no primeiro momento, mas depois se lembrou que precisaria dele mais tarde e o deixou em paz. Ele dormiria de novo se sua barriga não tivesse roncado forte.

Desceu até a cozinha vestindo seu melhor pijama de bolinhas, e encontrou a mesa sendo arrumada pela empregada para o café dele e de Shoran. Agora que ficariam sem treinar não precisariam acordar tão cedo. Mas pelo o que ele via Shoran já havia levantado e tomado seu café. Ele sentou na mesa e pensou no que Shoran estaria fazendo. Decidiu colocar a comida em um pratinho e ir procurar por ele.

No quarto ele não estava, nem na sacada, nem no pátio. Com Meiling ele não estaria por que a garota ainda dormia provavelmente, e a sala estava vazia. Decidiu procurá-lo no escritório da mãe, mas o encontrou antes de chegar lá.

Ele estava na biblioteca, sentado na mesa atrás de uma enorme pilha de livros como um CDF que ele bem sabia que ele era.

Marck (de boca cheia): 'O que está fazendo?'

Shoran (folheando um dos livros): 'Pesquisando uma coisa. E você? Por que levantou?'

Marck: 'Por que estava com fome! O que está pesquisando?'

Shoran: 'O significado de um sonho... Se quiser ajudar pode pegar a escada e achar qualquer livro sobre sonhos que encontrar.'

Marck (sentando numa das grandes e confortáveis poltronas reclináveis): 'Não, não, obrigada. Estou bem aqui.'

Shoran (fuzilando com os olhos): 'Como você é inútil! E sabia que não se pode comer numa biblioteca? Vai trazer traças.'

Marck: 'Não estou fazendo sujeira.'

Shoran: 'Não vai demorar muito pra fazer.'

Marck (mudando de assunto): 'E seu braço?'

Shoran: 'Está aqui, oras..'

Marck: 'Mas está doendo?'

Shoran: 'Não.'

Marck: 'Mentiroso.'

Shoran (finalmente olhando pra ele, reparando imediatamente na quantidade de farelos que havia ao redor da boca dele): 'Por que eu mentiria uma besteira dessas?'

Marck: 'Por que você é a pessoa mais orgulhosa que eu conheço.'

Shoran: 'E o que te faz pensar que ainda dói?'

Marck: 'É só parar para observar você uns instantes. Você evita ao máximo mexer com o ombro esquerdo, e eu já tive ferimentos como esse, sei como dói, ainda mais no dia seguinte.'

Shoran (começando a folhear o livro com a mão esquerda) : 'Você que é um fresco.'

Marck: 'Talvez eu seja, mas que seu braço está doendo eu sei que está.'

Shoran (se irritando): 'Tá legal, ele está doendo sim! O que você ganhou com isso? Nada! Agora pode me deixar em paz pra eu continuar procurando o que preciso?'

Marck (levantando): 'OK... Precisava mesmo levar esse prato de volta pra cozinha...'

Marck foi embora e Shoran continuou pesquisando. Assim que o mestre bateu a porta Shoran parou de folhar o livro e se esticou para trás com a mão sobre o ferimento. Estava doendo bastante mesmo, mas ele não tinha nada que ver com isso. Deu um longo suspiro e olhou de canto para o livro logo depois que o vento fez algumas páginas avançarem. Pode ler rapidamente as letras em negrito: 'Sonhos Simultâneos'.


N/A:

Oláááá! Consegui postar no dia certo esse mês! o/ Vivaaaaaa! o Espero que tenham gostado. No próximo cap saberemos o q os sonhos significam, novas brigas e treinamentos bizarros para a felicidade geral da nação! XD

Queria informar que no meu sitezinhu que ninguém entra (www(ponto)13guerreiro(ponto)cjb(ponto)net), eu sempre coloco uma prévia do cap seguinte que ainda não foi postado... Nada muito especial, mas é pros curiosos .

Obrigado a todos que vêm acompanhando!

Ah! E outro dia eu estava pensando... "Se eu continuar acelerando a história do jeito que estou, ela vai terminar rápido de mais!" Mas tudo bem, não pretendo enrolar d+ nem partir pros finalmentes... Digamos que... Estamos chegando na metade.

É isso! Beijos a todos e muito obrigado outra vez!

Tks à Stella e à Diu! o/