- O 13º Guerreiro -

A Elite dos Doze

Parte IX

Shoran tinha encontrado o que precisava, e agora só precisaria ligar para Sakura e contar suas descobertas. O livro dizia que quando duas pessoas sonhavam a mesma coisa ao mesmo tempo, havia uma grande chance de ser algo relacionado com vidas passadas. Ainda mais se as duas pessoas tinham poderes mágicos, aí a chance era maior delas terem voltado a se conhecer.

O jovem se sentiu até mesmo um pouco aliviado. Agora sabia que aquela criança do sonho não seria seu filho nem filho de Sakura. Ou melhor, poderia até ter sido, mas não naquela vida. Não que ele não quisesse ter um filho com Sakura, mas eles realmente não estavam numa hora boa para aquilo, talvez mais tarde, depois que se formassem e ele parasse de treinar feito louco.

Contente, Shoran voltou para o quarto, onde voltou a deitar na cama agora já arrumada. Observou a esfera negra sobre sua mesa por alguns minutos. Estava louco para treinar com a espada do pai, e era isso que ele iria fazer.

Pegou a esfera e observou mudar de cor. Concentrou-se alguns segundos e a espada surgiu sobre sua mão. Era mais comprida que sua antiga, mas não era muito mais pesada. Percebeu que precisava de um pouco mais magia para manter aquela espada do que a antiga, mas nada absurdo. Seu punho era mais trabalhado, mas a esfera negra que tinha na sua antiga espada também se encontrava ali.

Com cuidado ele retirou a bainha preta, e a lâmina esguia e brilhante apareceu. Por alguns instantes Shoran observou seu reflexo, mas depois baixou os olhos para o kanji cravado na base da lâmina. Era o símbolo do sobrenome Li que ele conhecia muito bem. Levantou-se rapidamente, empurrou a cama para o lado sem se importar com a dor no braço, e começou a testar a nova arma.

Começou a fazer alguns movimentos, e conforme ia se empolgando iam ficando mais rápidos. Foi quando sentiu a dor no braço esquerdo passar de apenas incomoda para quase insuportável. Largou a arma no chão e apertou o ombro com a mão direita. Assim que se controlou viu sua mão manchada de sangue, o que o fez olhar para o espalho na porta de seu armário. Viu que sua camiseta estava com uma grande mancha vermelha. Ele a tirou rápido e fez o mesmo com as faixas que protegiam a ferida. Foi para o banheiro e limpou um pouco do sangue das mãos e do braço. Pegou umas faixas limpas que usava nas mãos de vez em quando e enrolou fortemente sobre o machucado. Depois juntou a camiseta e a faixa manchadas e deixou no banheiro. Guardou a espada como se não tivesse mexido nela. Empurrou a cama para o lugar com certa dificuldade, e logo em seguida saiu do quarto.

Foi direto até o quarto em frente, o de Meiling. A prima já deveria estar acordada àquela hora. Ele bateu duas vezes na porta e perguntou rápido se podia entrar. Escutou um 'já vai' e esperou que a porta fosse aberta. A prima abriu a porta e logo se assustou o puxando para dentro do quarto.

Meiling (vendo a nova mancha que já havia se formado na faixa): 'Ai meu deus, Shoran! O que aconteceu?'

Shoran entrou no quarto e reparou duas coisas. A primeira era a grande quantidade de cds espalhados pela cama, a segunda era que Marck estava sentado na cama mexendo nos cds.

Shoran: 'O que está fazendo aqui a essa hora da manhã?'

Meiling: 'Ele veio me pedir uns cds emprestados antes que eu fosse pra aula, Shoran! E isso não é o importante agora, como foi que você fez esse machucado?'

Shoran (ignorando): 'Por que está com essa camisolinha na frente dele? Devia ter se vestido!'

Meiling: 'Shoran! Larga de ser chato, vai? Agora me deixa ver isso...'

Meiling tirou as faixas e fez cara feia.

Meiling: 'Marck, pega o telefone e liga pro doutor Nagawa vir. Ele vai ter que fazer esses pontos de novo!'

Shoran: 'Não chama ele não! Se minha mãe descobre, eu fico mais ralado do que eu já estou!'

Meiling: 'Sinto muito, Shoran! Se ele não vier isso aqui vai ficar bem feio.'

Shoran: 'Faz você mesma os pontos, Meiling!'

Meiling: 'Você está louco, Shoran? Nunca que eu faria uma coisa dessas!'

Shoran olhou instintivamente para Marck.

Marck: 'Não me olhe com essa cara que eu não sei nem colocar band-aid!'

Shoran: 'Meiling... Faz isso por mim! Por favor! Se minha mãe descobrir ela vai suspender o treinamento por mais um bom tempo e é capaz de me tirar a espada de meu pai!'

Meiling (sem saber o que fazer): 'Ai meu deus, Shoran! Eu não sou enfermeira nem nada!'

Shoran: 'Você sempre cuidou de mim, e já viu como se faz!'

Meiling: 'Não mesmo! Escuta Shoran, daqui a pouco eu já tenho que sair e ir pra aula!'

Shoran: 'Até agora você não estava com pressa!'

Meiling: 'Não vou fazer esses pontos, Shoran! Nem que você chore! O que eu posso fazer é um curativo e você que fique parado!'

Shoran: 'Está bem...'

Meiling pegou no banheiro uma pequena caixa de primeiros socorros e pôs-se a limpar o ferimento.

Meiling (limpando o corte): 'Como que você conseguiu abrir isso?'

Marck: 'Fazendo besteira pra variar!'

Shoran: 'Não enche, Marck... Eu só estava...'

Meiling: 'Fazendo o que?'

Shoran: 'Guardando os livros na estante.'

Marck (rindo): 'Ultimamente a única coisa que tem feito é mentir, não é Shoran?'

Shoran (se voltando para Marck): 'É verdade!'

Meiling: 'Fique parado, Shoran... E todo mundo sabe que não foi assim que aconteceu. A gente não vai contar pra sua mãe, fica calmo.'

Shoran (cabisbaixo): 'Vocês sabem que eu não agüento ficar parado muito tempo... E minha espada nova estava lá no meu quarto, pedindo para ser experimentada. O resto vocês já sabem.'

Meiling: 'Próxima vez pensa duas vezes, Shoran.'

Meiling tampou o ferimento com uma gaze depois de borrifar um spray anticéptico. Ela o pediu que erguesse o braço e passou algumas faixas sobre o machucado.

Meiling: 'Vai ter que vir trocar isso tudo antes de dormir. Ainda acho melhor chamar o Nagawa.'

Shoran: 'Eu venho aqui a noite, é melhor.'

Meiling (depois de suspirar): 'Você que sabe.'

Shoran (abraçando a prima): 'Obrigada, Meiling...'

Meiling: 'De nada, agora preciso ir para a faculdade.'

Shoran: 'Certo... Vem Marck!'

Marck: 'Eu ainda não terminei de olhar isso daqui, já vou...'

Shoran: 'Certo, certo... Não se atrasa, Meiling...'

Shoran saiu do quarto, decidido a tomar um pouco de juízo. Fechou a porta sem fazer barulho e foi para o seu quarto.

Meiling esperou um pouco e trancou a porta. Logo sentiu sua cintura ser envolvida em um abraço gostoso.

Marck (sussurrando): 'Onde paramos?'

Meiling se virou para o inglês, juntando seus lábios nos dele. Logo sentiu seu corpo comprimido entre o dele e a porta do quarto. Ele passava a mão em suas cochas sem receio de nada, lhe levando a loucura. Em um surto de sanidade, ela lembrou-se que ainda tinha que ir para a faculdade, mesmo que preferisse ficar ali.

Meiling (ofegante): 'Acho melhor você ir.'

Marck (beijando-lhe o pescoço): 'Por quê...?

Meiling: 'Tenho que ir para aula e ainda nem estou vestida...'

Marck: 'Volta que horas?'

Meiling: 'Só de tarde.'

Marck: 'Te espero, hein?'

Meiling: 'Certo... Leva uns cds pra não ficar estranho.'

Marck (pegando alguns na cama): 'Está bem, e ainda é um motivo para voltar... Tenho que te devolver!'

Meiling: 'Tem mesmo! Agora vai...'

Marck (beijando-lhe uma última vez): 'Tchau...'

Meiling fecha a porta se põe a arrumar a bagunça do quarto.


Shoran bateu na porta do quarto de Marck, e logo ouviu ele dizer que podia entrar. O quarto estava bagunçado como sempre. O mestre estava atirado na cama vendo televisão.

Shoran: 'Você também está fazendo nada?'

Marck (sem tirar os olhos da televisão): 'Se você considera ver televisão nada...'

Shoran: 'Considero sim. Quer fazer algo mais útil?'

Marck: 'Tipo o que?

Shoran: 'Não sei...'

Marck não respondeu, e Shoran começou a observar a mesinha de cabeceira, ao lado da cama do inglês. Havia três cds sobre ela: Britney Spears, Christina Aguilera e Madonna.

Shoran (rindo): 'Foram esses os maravilhosos cds que você pegou emprestado com a Meiling?'

Marck se voltou rapidamente para Shoran e observou os cds nas mãos de Shoran. A verdade era que ele nem tinha olhado o que havia pego, mas agora ele teria de dizer que gostava daquelas cantoras e tentar fazer com que Shoran não risse muito.

Marck: 'Foram sim!'

Shoran (rindo): 'Poutz Marck! Eu sempre pensei que você gostasse de algo menos... feminino. Está caindo no meu conceito, hein! Olha aqui! Tem Like a Virgen nesse cd! Deve ser sua favorita!'

Marck (levantando): 'Me dê isso aqui, Shoran!'

Shoran (fugindo e cantando): 'I am beautiful no matter what they say…'

Marck: 'Admite que você conhece as músicas também!'

Shoran: 'Conheço por causa da Meiling!'

Marck: 'É, sei... Me da isso de uma vez! Você não pode ficar correndo desse jeito.'

Shoran (entregando): 'Pode pegar, e divirta-se com os cds. Eu vou embora antes que você me contagie.'

Marck: 'Vai mesmo!'

Shoran sai rindo do quarto, deixando Marck irritado. Ele podia ao menos ter olhado os cds que tinha pego para não ter de passar por aquilo.

O chinês voltou para o tédio do seu quarto, mas pelo menos agora já não estava mais de mau humor. Olhou as horas: três e meia. Uma hora boa para ligar para Sakura e contar que ela não precisava se preocupar mais com aquele sonho.


Sakura: 'Bom, Tomoyo... Você vai ter aula até tarde não é?'

Tomoyo (aparentando cansada): 'Infelizmente sim.'

Sakura: 'Eu vou pra casa por que as minhas já terminaram... Te vejo amanhã!'

Tomoyo: 'Tchau!'

Sakura seguiu para casa animada. Era bom ter a companhia da velha amiga de novo. Ao chegar em casa e anunciar sua entrada escutou o telefone tocar. Tirou os sapatos rapidamente e seguiu até o aparelho.

Sakura: 'Alô?'

Shoran: 'Sakura, é o Shoran!'

Sakura (iluminando os olhos): 'Oi! Está tudo bem por aí?'

Shoran: 'Sim, sim.. E por aí?'

Sakura: 'Também! Finalmente estou podendo falar mais com Tomoyo... Estou bastante feliz!'

Shoran: 'Que bom! Então vou dar mais uma notícia boa.'

Sakura (deduzindo errado): 'Não me diga que...'

Shoran: 'Isso mesmo! Achei o que nossos sonhos significavam... E nem foi tão difícil..'

Sakura (desanimando): 'Ah... Isso...'

Shoran: 'Que houve?'

Sakura: 'Não, nada! É que eu pensei que você ia dizer outra coisa, só isso... Mas o que você achou?'

Shoran: 'No livro dizia que é muito provável que esses sonhos estejam ligados com nossas vidas passadas... Como temos magia, são grandes as chances de termos nos conhecido em outras vidas...'

Sakura: 'Nossa... Será que é isso mesmo?'

Shoran: 'Acredito que seja.'

Sakura: 'Então está tudo bem... Mas escuta, tenho uma coisa para falar com você.'

Shoran: 'Pode dizer.'

Sakura: 'Desculpa por não ter avisado que eu pretendia fazer isso antes, mas é que eu andei juntando um dinheiro, e acho que até essas férias de verão eu consigo juntar dinheiro suficiente para ir até aí... Desculpa por estar me convidando dessa maneira, mas é que eu sinto saudades...'

Shoran (incrédulo): 'Sakura...'

Sakura (temerosa): 'Eu?'

Shoran: 'Isso é maravilhoso! Não precisa se desculpar, você é bem vinda aqui a qualquer hora, sabe disso! Se você quiser, eu lhe consigo uma passagem agora mesmo!'

Sakura (feliz): 'Não, não, não... Não precisa. Eu posso ir por mim mesma, já vou me hospedar aí, seria abuso de mais!'

Shoran: 'Mas... Só nas férias?'

Sakura: 'Temos aula, Shoran... Ou já esqueceu?'

Shoran: 'Não esqueci não, mas é que eu não vou agüentar esperar agora.'

Sakura: 'Agüenta sim, já agüentou todo esse tempo...'

Shoran: 'Certo, certo... Vou estar esperando por você então.'

Sakura: 'Quando acertar tudo eu te aviso.'

Shoran: 'Está bem, e saiba que eu ainda te amo com sempre amei.'

Sakura (ficando vermelha): 'Eu também...'

Shoran: 'Então até outro dia!'

Sakura: 'Beijos!'

Sakura desligou o telefone e demorou um pouco para assimilar tudo. Quando a ficha caiu deu vários pulinhos e subiu saltitando até o quarto.

Sakura (se atirando na cama): 'Ai, Kero! Como a vida é linda!'

Kero: 'Aposto que acabou de falar com o moleque...'

Sakura: 'Como adivinhou?'

Kero: 'Faça meu favor, Sakura! Acha que eu não conheço você o bastante pra saber?'

Sakura: 'Isso é verdade... Mas o importante é que nessas férias eu vou viajar!'

Kero: 'Deixe adivinhar... Para Hong Kong.'

Sakura: 'Está ficando esperto nisso hein, Kero?'

Kero: 'Eu sou um gênio... E obviamente eu vou junto, certo?'

Sakura: 'E eu lá tenho escolha? Se eu não quiser te levar você dá um jeito de ir.'

Kero: 'Você também está ficando esperta!'

Sakura: 'Mas não vou me importar, sei que você vai se comportar direitinho. E nada vai poder estragar esses dois meses da minha vida! Nem você, Kero.'


Ao desligar o telefone, Shoran se sentiu flutuar. Só não estaria tudo perfeito se seu braço parasse de doer. Começou a imaginar como seria passar as férias com Sakura depois de tanto tempo. Eles não tinham mais se correspondido por cartas, logo, ele não tinha nenhuma foto atual dela. Assim era melhor, efeito surpresa. A última vez que a vira ela já não era mais criança, mas agora ela já estaria adulta.

Pensando nisso, ouviu alguma movimentação no quarto da prima, constatando que ela já havia voltado da faculdade. Decidiu ir até lá contar as novidades, com certeza Meiling ficaria feliz em saber que Sakura passaria o verão na mansão.

Foi até o quarto em frente, batendo na porta.

Meiling: 'Já vai!'

Depois de alguns segundos Meiling aparece na porta com um suspiro, ajeitando os longos cabelos.

Meiling: 'Olá, Shoran! Mais problemas?'

Shoran (entrando): 'Na verdade não... Tenho uma boa not.. Marck?'

Marck (segurando alguns cds): 'Vim devolver.'

Shoran acha meio suspeito, aqueles dois estavam muito próximos.

Shoran: 'O que vocês andam fazendo?'

Meiling (nervosa): 'Nós? O que a gente poderia fazer?'

Marck (mentindo perfeitamente): 'Nós apenas temos alguns gostos musicais semelhantes, e gostamos de conversar sobre isso.'

Shoran: 'Sei... Isso não vêm ao caso. Tenho notícias boas pra você, Meiling.'

Meiling (se acalmando): 'Diga!'

Shoran: 'Sakura vai vir passar as férias de verão aqui em casa!'

Meiling (pulando no primo): 'Sério? Que maravilha! Faz tanto tempo que a gente não conversa... Eu tenho tanta coisa pra falar pra ela!'

Shoran: 'Ela me contou hoje! No início de Julho ela deve estar aqui.'

Marck: 'Que presente de aniversário, hein?'

Shoran: 'Nem tinha pensado nisso... Acho que vai ser o meu primeiro aniversário divertido.'

Meiling: 'Seus aniversários são legais, Shoran...'

Shoran: 'Só por que você se da bem com todo mundo. Você sabe que nossos primos me odeiam, e as primas só ficam falando de casamento.'

Marck: 'É perseguido por mulheres e ainda reclama...'

Shoran: 'Se alguém falassem em casamento com você, você também tomaria uma GRANDE distância da pessoa.'

Marck (pensando melhor): 'Verdade...'

O silêncio reinou por alguns instantes, simbolizando o final do assunto com algumas trocas de olhares entre Marck e Meiling. Mas logo a garota quebrou o silêncio.

Meiling: 'Está com fome, Shoran?'

Shoran: 'Não...'

Marck (indo até a porta): 'Eu estou morrendo de fome, quem sabe a gente como alguma coisa lá na cozinha, Meiling?'

Meiling (saindo): 'Eu acho a idéia ótima!'

Em segundos Shoran se viu sozinho no quarto da prima. Estava difícil não pensar que aqueles dois escondiam alguma coisa. Pegou um livro no quarto e desceu até o pátio, onde se sentou em baixo de uma das árvores da propriedade de onde se tinha um ângulo perfeito da grande janela da cozinha.


Meiling abriu a geladeira e colocando algumas coisas para fora, enquanto Marck pegava dois pratos e copos, e uma empregada lavava a louça.

Meiling (fingindo surpresa): 'Nossa, Senhora Ying! Como tem louça pra lavar... Após que a senhora já está aí há um tempão, não quer descansar um pouco?'

A velha senhora olhou para a jovem com um pouco de desconfiança, mas não negaria uma oferta daquelas, ainda mais com as fofocas sobre um relacionamento secreto entre a jovem patroa e o mestre de Shoran.

Assim que Ying saiu da cozinha, Marck fechou a porta atrás dela e se dirigiu até Meiling que se enlaçou em seu pescoço.

Marck: 'Enfim sós...'

Meiling: 'É, mas vai com calma que qualquer um pode entrar aqui...'

Marck (aproximando-se de sua boca): 'Qualquer coisa eu conto como era enorme o cílio que havia entrado em seu olho...'

Rindo, Meiling se deixa envolver pelos braços firmes do inglês. Marck sabia mesmo como a deixar totalmente submissa. Cada milímetro de pele do seu corpo se arrepiava com os toques dele, mas ela teve que tomar uma atitude quando sentiu a mão dele subir por de baixo de sua blusa.

Meiling (se afastando): 'Calma que aqui não é lugar pra isso... Se nos descobrirem, estamos ferrados...'

Marck (a puxando de volta): 'Não tem ninguém aqui...'

Ele beijou seu decote e subiu até a nuca carinhosamente. Sentiu a garota arquear as costas pelo arrepio, levantando a cabeça e permitindo que ele continuasse como quisesse.


Shoran não acreditava no que via, nem mesmo conseguiu pensar em algo para fazer. Sua raiva lhe comandava a ir lá e acabar com aquela palhaçada: Marck não podia abusar de sua prima simplesmente por estar sem nada para fazer. Mas sabia que Meiling não estava sendo assediada, que também queria aquilo. Por mais que não gostasse de Marck, sabia que ele não seria capaz de usar alguém daquela forma tão vil, ainda mais a sobrinha de sua patroa. Qual era o mal deles estarem se agarrando na cozinha da casa em plena luz do dia, afinal?

Obviamente, sentia ciúmes de Meiling, que cuidara desde que era pequenina. Para ele, a prima ainda era a menina que chorara pelo passarinho perdido, ou que lhe dava aqueles abraços de tirar o fôlego. Mas, pensando bem, era melhor assim. Não podia esperar que ela ficasse sob seu olhar o resto da vida, era uma pessoa maravilhosa e merecia encontrar a felicidade. Talvez algumas das vezes se decepcionasse e, para isso, sempre teria um ombro amigo com ele para confortá-la.

Levantou-se do chão bruscamente, e a primeira coisa que sentiu foi uma fisgada no ombro esquerdo. A idéia de bater em Marck, embora parecesse tentadora, não daria certo, mesmo em perfeitas condições, nunca tivera chance contra o mestre, por que agora seria diferente? A constatação o fez recuar. Não estava com medo, estava apenas usando a cabeça como Wei sempre dizia-lhe para fazer. Ser corajoso não era se meter em uma luta perdida, e sim conhecer seus limites para poder contorná-los com a inteligência. Pensou por alguns segundos e decidiu-se por deixá-los em paz. Tomou o caminho para o outro lado do jardim: não era porque aceitara a situação que ela lhe agradava... E também não iria deixar de tirar satisfações com Marck mais tarde.


À noite, apesar da infeliz descoberta, Shoran foi para a faculdade, voltando para casa apenas tarde da noite. Largou os materiais no quarto e depois foi até o quarto da prima que certamente estava acordada pois se podia ver luz por baixo da porta. Ao bater, a escutou dizendo que entrasse. Estava lendo uma revista, deitada na cama.

Meiling (se levantando, indo buscar uma caixa de primeiro socorros): 'Ah! Tinha até esquecido que você tinha que trocar o curativo...'

Shoran (se sentando na cama): 'É...'

Meiling (o ajudando a tirar a camiseta): 'Está doendo?'

Shoran: 'Não..'

Meiling (tirando as faixas): 'Aconteceu alguma coisa? Você não parece muito contente... Tirou 9,5 ao invés de 10 em um prova?'

Shoran: 'Na verdade aconteceu algo sim, e é não parecido com isso.'

Meiling (passando um anticéptico): 'Não me diga que Sakura não vai mais vir!'

Shoran: 'Pare de tentar adivinhar, Meiling...'

Meiling: 'Então me conta!'

Shoran: 'Quer mesmo ouvir?'

Meiling: 'Sim!'

Shoran: 'Certo, então. É que hoje de tarde... (olhando-a nos olhos) Eu vi você na cozinha com o Marck.'

Meiling pareceu congelar diante de Shoran. Parou o que estava fazendo e puxou uma cadeira, se sentando. Levou a mão a testa, como se escondesse o rosto, mas logo voltou a olhá-lo nos olhos.

Meiling: 'Estava nos espiando, Shoran!'

Shoran: 'Na verdade, estava sim! Mas nã esperava ver o que eu vi. Realmente vocês estavam muito estranhos! Eu apenas desconfiei e fui averiguar.'

Meiling: 'Você não tem direito de ficar olhando as pessoas escondido!'

Shoran: 'Mas vocês também não tomaram cuidado! Se quisessem realmente esconder não estariam na cozinha.'

Meiling ficou quieta, tinham se descuidado mesmo. Respirou fundo, se acalmando.

Meiling: 'Marck já sabe?'

Shoran: 'Não...'

Meiling: 'E o que você vai fazer?'

Shoran: 'Eu? Nada...'

Meiling: 'Ainda bem... Por que se sua mãe descobre, não quero nem pensar no que pode acontecer.'

Shoran: 'Faz quanto tempo?'

Meiling: 'Alguns dias...'

Shoran: 'Então logo ela vai saber.'

Meiling: 'Ahn? Como assim?'

Shoran: 'Já parou pra pensar que a casa tem câmeras de vigilância nos cômodos principais, como a cozinha?'

Meiling: 'Mas... Mas...Ela não olha essas gravações, olha?'

Shoran: 'Talvez não olhe agora, mas ela sempre da uma olhada... Ver o que os empregados fazem quando não tem ninguém perto.'

Meiling (se levantando da cadeira e despencando sobre a cama): 'Estou ferrada.'

Alguns instantes depois se ouve novas batidas na porta.

Marck: 'Sou eu!'

Meiling: 'Entra...!'

Marck (abrindo a porta e vendo que Shoran estava lá): 'Olá! Só vim pra dizer que uma das caixinhas dos cds estava vazia e...'

Meiling (interrompendo): 'Ele já sabe.'

Marck: 'Ow, shit...'

Meiling (se levantando da cama): 'Eh... Ele viu a gente na cozinha. Eu falei pra você que alguém podia ver!'

Marck: 'Você disse que alguém podia entrar, é diferente...'

Shoran: 'Não adianta agora vocês ficarem culpando um ao outro...'

Meiling: 'É verdade... E agora nós temos um problema enorme.'

Marck: 'Que problema? (em tom ameaçador) Suponho que Shoran vai ficar de boca fechada, não vai?'

Meiling: 'Vai, vai... Isso não é problema. A questão é que existem câmeras nessa casa. Inclusive na cozinha.'

Marck parou por alguns instantes também. Agora que ele achava que o treinamento com Shoran estava realmente dando certo, tinha certeza que seria expulso do cargo de mestre.

Marck (colocando a culpa nela): 'Poxa, Meiling! Por que você não me disse isso antes?'

Meiling: 'Como se eu tivesse lembrado!'

Shoran: 'Hei! Não aja como se você não tivesse sua parte nisso!'

Marck: 'Vocês que moram aqui! Tinham que saber que são vigiados vinte e quatro horas por dia!'

Shoran: 'Não aja como se fosse o santo da história!'

Marck: 'Mas é a verdade! Se a Meiling tivesse lembrado disso não estaríamos ferrados!'

Shoran: 'Pare de colocar a culpa em Meiling, Marck! Na minha opinião você que é o grande culpado de tudo isso! Aposto como foi sua a grande idéia dos dois começarem a se agarrar nas horas que não tinham nada para fazer.'

Meiling: 'Parem já os dois! A culpa não é de ninguém, já aconteceu e nós não temos nada pra fazer! Ficar aqui discutindo não vai levar a absolutamente nada.'

Marck: 'O que vossa sabedoria nos ordena à fazer?'

Meiling: 'Vamos esperar... Pode ser que ela nem assista a tal fita.'

Shoran: 'Concordo. E se ela assistir, ótimo, teremos menos irritações na casa.'

Marck: 'Pare com isso e agradeça por eu estar aqui ensinando alguma coisa pra você! Sabe muito bem que você não chega nem aos pés de Koriny, e sabe também que eu sou sua única chance de sobrevivência, então para de amolar.'

Meiling: 'Deu? Terminaram? (sem esperar resposta) Vão embora os dois agora!'

Shoran: 'Mas você tem que terminar meu curativo...'

Meiling (o empurrando pro lado de fora don quarto): 'É mesmo, então vai embora você, Marck.'

Marck: 'Eu vou, eu vou... Mas quero um beijo.'

Meiling da um selinho rápido na boca de Marck e bate a porta sem piedade.

Shoran: 'Não sei como você agüenta ele...'

Meiling (sentando na cama ao lado de Shoran): 'É por que a gente não conversa muito...'

Shoran (depois de revirar os olhos): 'Impressão ou vocês estão juntos só por estar?'

Meiling (refazendo o curativo): 'É... A gente não se gosta nem nada, mas é realmente muito bom quando estamos juntos.'

Shoran: 'Poupe-me dos detalhes.'

Meiling (rindo): 'Certo, certo... Está pronto. Vê se não faz mais nenhuma besteira.'

Shoran (se levantando): 'Escuta Meiling... Não deixa ele se aproveitar muito de você, tá?'

Meiling: 'Relaxa Shoran... Não se preocupa que daqui a pouco a gente enche o saco um da cara do outro.'

Shoran: 'Enquanto isso não acontece, confio no seu bom senso, viu?'

Meiling: 'Deixa comigo. Não precisa se preocupar, pode dormir tranqüilo.'

Shoran (saindo): 'Certo... Boa noite.'


Outro dia de tédio se passou, e agora faltavam apenas dois. Dois dias para poder voltar a treinar, dois dias para o final das aulas na faculdade, e três dias para o encontro tão esperado com Sakura, e Shoran estava começando a ficar preocupado. Desde que sua mãe o proibira de treinar, ele tinha apenas ficado em casa vendo televisão e estudando para as provas finais do semestre. Com isso, acabara adquirindo cinco quilos a mais. Sakura chegaria em pouquíssimos dias e ele estaria de mau humor, entediado com tudo e, o pior de todos, gordo.

Shoran: 'Meiling! Posso entrar? É urgente!'

Meiling (abrindo a porta): 'Entra, entra... O que aconteceu, se machucou de novo?'

Shoran: 'Não, não, não é isso...'

Shoran parou na frente do grande espelho da parede do quarto da prima e levantou a camiseta.

Shoran: 'Você não acha que... Eu engordei?'

Meiling desatou a rir no mesmo instante. A garota simplesmente rolava pela cama com dor na barriga de tanto rir.

Meiling (limpando as lágrimas): 'Desculpa, Shoran... Mas isso realmente foi muito engraçado...'

Shoran: 'Mas eu estou falando sério! Aquela maldita balança do lavabo diz que eu engordei cinco quilos no mínimo!'

Meiling: 'Shoran, você está ótimo... Está é paranóico por que vai ver a Sakura depois de tanto tempo...'

Shoran: 'Posso até estar paranóico, mas um paranóico cinco quilos mais pesado.'

Meiling: 'Isso é só por que você parou de se movimentar, depois volta ao normal, você vai ver.'

Shoran: 'Mas até lá Sakura já vai estar aqui, e vai me ver nesse estado!'

Meiling: 'Em que estado, Shoran? Parece até que você pegou uma doença degenerativa ou qualquer coisa assim! Olha...Você está igual sempre foi. É impossível notar que você engordou alguma coisa! Esquece isso!'

Shoran: 'Tem certeza?'

Meiling: 'Absoluta.'

Shoran: 'De qualquer maneira, não vou comer mais nada doce.'

Meiling: 'Faça o que quiser...'

Shoran (saindo): 'Brigado, Meiling...'

Meiling: 'Ei, Shoran...'

Shoran (voltando): 'Eu?'

Meiling: 'Ver a Sakura depois de todos esses anos não é o fim do mundo. Não se preocupa tanto, apenas relaxa e volta a ser o Shoran de sempre, tá?'

Shoran: 'Vou tentar...'


Era uma noite quase como outra qualquer para Shoran. Duas diferenças básicas que deixavam aquela noite especial. A primeira era que estava se encaminhando para o último dia de aula, e só pegaria suas notas e iria embora. Livre por dois meses da multidão de universitários. A segunda diferença era que no dia seguinte pela tarde estaria vendo Sakura depois de quatro anos. Quatro anos que nem ele sabia como tinha agüentado. Talvez alguma força extraterrestre o tenha feito ficar cego para mulheres durante aquele tempo. Depois da confusão com Nai, amiga de Meiling, Shoran nunca mais se sentiu atraído por outra garota que não fosse Sakura. Mas agora, sabendo que Sakura estaria na sua casa por dois meses, até sua professora carrasca de estatística lhe parecia interessante.

Foi para a universidade, e chegando na sala praticamente arrancou a folha com as notas da mão da professora que lhe dava os parabéns e nem se deu o trabalho de agradecer e foi embora, procurando não prestar atenção em nenhuma das garotas que lhe abanavam.

Chegou em casa e foi recepcionado pela mãe.

Yelan: 'Chegou rápido.'

Shoran: 'É, fui só buscar os resultados finais!'

Yelan: 'E como foram as notas?'

Shoran (entregando o papel a mãe): 'Boas.'

Yelan (olhando): 'Que ótimo! Tente ajudar mais a Meiling, certo?'

Shoran (sentando no sofá da sala de entrada): 'Ela não foi bem? Não cheguei a falar com ela hoje a tarde...'

Yelan (sentando ao lado): 'A matemática dela nunca foi boa, e pra várias cadeiras dela conta bastante. Quando voltou, disse que iria trocar de curso, mas creio que ela só esta desapontada.'

Shoran: 'Eu vou lá falar com ela. Mas... Está tudo pronto para amanhã?'

Yelan: 'Sim, já falei com o motorista que você vai junto ao aeroporto buscá-la, o quarto está pronto e teremos uma janta especial.'

Shoran: 'Obrigada, mãe. Você é um anjo!'

Yelan: 'Apenas dou as ordens por aqui, Shoran. Agradeça para quem as executa. E a propósito, como está seu machucado?'

Shoran (mentindo): 'Ah, está perfeito! Não sinto mais nada faz vários dias!'

Yelan: 'Então pode voltar aos treinos a partir de amanhã. E se vocês lutarem sério outra vez, eu vou assumir o papel de Marck e te treinarei. Entendeu bem?'

Shoran (se levantando): 'Sim, senhora! Agora eu vou tomar um banho, arrumar meu quarto e ver se consigo dormir.'


A residência da Elite dos Doze estava razoavelmente barulhenta. Agora que todos, com exceção de Marck, moravam juntos, parecia que todos tinham se tornado mais alegres. Whan Long havia crescido, e já estava com treze anos de idade. Freqüentava uma escola comum, apesar de não fazer amigos facilmente, não teve problemas. Kojiro parecia estar mais de bem com a vida, pois ele tinha praticamente adotado Whan como seu filho. Onde o garoto estivesse, lá estava ele contando uma velha história de guerra ou ensinando qualquer coisa.

Koriny era a única que parecia a mesma ainda. Era alvo de algumas espionagens da parte de Satori e Shinai, que se divertiam invadindo seu banho. Josh continuava estudioso e dedicado, ainda mais agora que havia decidido trabalhar em um hospital comum.

Kou, Adraã e o grande centauro Kanon, passavam a maior parte do tempo tomando chá de ervas e discutindo teorias, poções e magias. Thiago adquirira uma confiança de Kyle ainda maior, e agora estava quase sempre o acompanhava nas tarefas diplomáticas entre as diversas dimensões.

Era noite, e todos estavam reunidos na sala de jantar, quando Josh disse que tinha um assunto importante a tratar.

Kyle: 'Pois diga. O que seria?'

Josh: 'Bom... Tomei a liberdade de dar uma observada no comportamento de meu irmão na mansão Li, e não estou de acordo com as atitudes dele.'

Thiago: 'E o que ele fez de tão grave?'

Kanon: 'Aposto como anda se comportando da mesma maneira que se comporta aqui. Desperdiça comida, insulta os outros, suja os tapetes, termina com as sobremesas da dispensa...'

Josh: 'Na verdade, reparei que ele só faz isto aqui entre nós. O que não aprovei é algo bem diferente.'

Kyle: 'Fale logo que já está me preocupando.'

Josh: 'Marck está namorando com a prima de Shoran as escondidas da Sra. Yelan.'

Shinai: 'É um sortudo mesmo! Disseram que ela era linda.'

Satori: 'Alguma vez ele tinha que se dar bem na vida né... Agora tá todo mundo com inveja.'

Koriny: 'Esses dois que deviam ser observados! Prefiro Marck atirando ervilhas do que essas duas crianças super desenvolvidas.'

Kyle: 'Mas Josh... Tem certeza que a Sra. Li já não sabe de tudo?'

Josh: 'Tenho absoluta certeza que não, mas creio que logo serão descobertos pois são descuidados de mais.'

Whan: 'Não quero rogar praga, mas acho que se ele for descoberto vai ser expulso da casa.'

Kojiro: 'O pequeno tem toda a razão. Devia ter mandado alguém melhor para a mansão Li.'

Kyle: 'Não... Marck é a pessoa ideal pra esse serviço pelo seu temperamento. Acredito que ele saiba dos riscos que corre. Ele queria muito essa tarefa, e conseguiu, não vai desperdiçá-la dessa maneira.'

Josh: 'Acreditava que ele não era tão idiota a esse ponto, mas pelo que observei ele está sendo.'

Kyle: 'O que vocês sugerem que façamos?'

Kojiro: 'Trazemos ele aqui e damos uma surra pra ver se ele aprende.'

Kou: 'Acredito que apenas um alerta é suficiente.'

Shinai (rindo): 'Concordo com o Kou, mas quando trazerem ele pra cá, peçam que traga uma foto dela junto.'

Kyle: 'Então, amanhã bem cedo Kojiro vai buscá-lo, sem violência, tudo bem?'

Kojiro (desapontado): 'Certo...'


Marck estava em seu pleno sono de beleza quando foi acordado por uma mão grande e desajeitada sacudindo seu ombro sem a mínima dó.

Kojiro: 'Acorda ô porcaria!'

Marck: 'Ahn...?'

Kojiro: 'Você vai assim mesmo, então.'

Assim Kojiro segura no ombro de Marck e os dois desaparecem da mansão Li, reaparecendo na mansão ainda maior da Elite. Marck acabou despencando no chão da sala na frente dos membros do grupo que se dignaram a acordar aquela hora, sendo forçado a acordar de qualquer maneira.

Marck (levantando): 'Poxa! Como eu amo vocês por isso... Cinco da manhã e eu não posso nem ter o direito de levantar e jogar água na cara!'

Kyle: 'Kojiro queria espancar você, considere isso um sinal de amizade.'

Marck: 'Que amizade, hein?'

Josh: 'Vamos direto ao assunto antes que notem a sua ausência.'

Marck: 'Também estava com saudades suas, mano, obrigada por se preocupar.'

Satori: 'Ficamos sabendo que você andou dando uns pegas na sobrinha da Sra. Yelan... Não perde tempo, hein?'

Marck: 'Na verdade, perdi uns três anos! As filhas dela também não são de se jogar fora...'

Josh: 'Olha o respeito, Marck. Você sabe que se Yelan descobrir que você está namorando a sobrinha dela, vai estar fora daquela casa?'

Marck: 'Sei sim, e nós não estamos namorando. Além do mais, ela não vai descobrir, ela quase nunca olha as fitas das câmeras de segurança!'

Josh: 'Vocês foram filmados? Marck, nunca pensei que tivesse um irmão tão idiota!'

Marck: 'Ah pára! Como eu ia saber que aquela casa era tão vigiada assim?'

Josh: 'É só parar pra pensar um pouco, fedelho!'

Kyle: 'Já chega! Sabia que iam brigar mesmo estando sem se ver por um bom tempo. O erro já foi cometido e vocês sabem que não podemos voltar e arrumar. Temos que tentar solucionar, não colocar a culpa em alguém.'

Thiago: 'Poderíamos dar um jeito de tirar a fita da casa...'

Adraã: 'Isso seria roubo, vai contra nossos princípios.'

Shinai: 'Se apenas déssemos um jeito de apagar as cenas problemáticas da fitas, deixando-as lá não teria problemas.'

Josh: 'Do jeito que Marck é, teríamos que apagar a fita inteira.'

Marck: 'Mentira! Tenho certeza que só fui filmado uma vez, posso até dizer que dia foi.'

Kyle: 'Certo, certo... Nós vamos pensar no que fazer, e agir o quanto antes para que você não seja descoberto. Enquanto isso, trate de terminar esse namoro ou seja lá o que for que vocês têm.'

Marck: 'Terminar! Mas mal começou...'

Kyle: 'Se não quer terminar trate de disfarçar muito bem. Esse tipo de coisa se desconfia muito fácil. Alguém sabe?'

Marck (baixando a cabeça): 'Shoran sabe...'

Josh: 'Soube como?'

Marck (se encolhendo mais): 'Flagrante.'

Josh: 'Kyle! Percebe que ele não tem a mínima condição de esconder isso por muito tempo! Tem é que terminar esse relacionamento de uma vez por todas.'

Kyle: 'É Marck... Você está com problemas. Se vocês nem estão namorando não a problema em terminar tudo de uma vez. É um bem que você vai fazer pra você mesmo.'

Marck: 'Certo, certo! Vou fazer o que vocês querem! Desde que realmente não deixem Yelan descobrir.'

Kojiro: 'A gente da um jeito sim, e já vi que esse jeito vai depender de mim.'

Thiago (rindo): 'A gente te ama, Kojiro, por isso que te mandamos fazer esses serviços importantes.'

Kojiro: 'Claro, claro... Buscar pessoas é algo muito importante... Vocês podiam muito bem mexer esses traseiros gordos e ir até lá por vocês mesmos.'

Satori: 'Traseiro gordo é o seu.'

Kyle: 'Tá gente... Mal não são nem sete horas e já está todo mundo discutindo. Kojiro, leve o Marck de volta, sim?'

Kojiro: 'Me amam... Até parece...'

Assim Kojiro coloca a mão no ombro de Marck e os dois desaparecem.


Shoran levantou bem cedo na manhã seguinte. Nem tinha dormido para falar a verdade. Estava pronto para voltar a rotina antes da cinco horas. Esperou alguns minutos até cinco e quinze, e nada de Marck aparecer. Sabia que ele iria atrasar tudo, no fim, não passava de um folgado. Cinco e meia e nada do mestre. Decidiu ir até o quarto do preguiçoso e arrancá-lo de lá.

Chegou na porta do quarto e a abriu silenciosamente, espiando para dentro. Para sua surpresa ele não estava lá, e também não estava no banheiro. Só podia estar na cozinha se entupindo de biscoito recheado e Nescau, mas também não estava. Terminou por desistir e brigar com ele quando desse as caras.

Voltou ao dojo e pôs-se a treinar sozinho com a espada nova. A materializou e desembainhou, observando seu reflexo. Sua atenção foi desviada para duas presenças surgindo do nada nos fundos do dojo. Uma era de Marck certamente, a outra desconhecia. Correu para lá, e quando chegou teve a nítida impressão de ver alguém desaparecer, deixando apenas o mestre vestindo seu pijama listrado.

Shoran: 'O que foi isso?'

Marck (indo na direção dele): 'Nada.'

Shoran: 'Claro, então você está aqui fora, as vinte pra seis da manhã, vestindo pijamas e não aconteceu nada.'

Marck: 'Exatamente. Me espera aí no dojo que eu vou trocar de roupa.'

Alguns minutos mais tarde Marck volta vestido, com cara de sono, e um saco de salgadinhos na mão.

Shoran (esperando alguma ordem): 'Tá e aí?'

Marck (se sentando): 'Pode se alongar...'

Shoran: 'Já fiz cinco vezes.'

Marck: 'Faz mais uma, alongar nunca é de mais.'

Shoran olhou com o canto do olho, fuzilando. Marck não ia fazer nada de útil até terminar o pacote de salgadinhos. Depois de alguns minutos de mais alongamento, Marck finalmente se levantou.

Marck: 'Já usou magia com essa espada?'

Shoran: 'Na verdade, não.'

Marck (indo para fora do dojo): 'Então vamos testar!'

Shoran: 'Certo.'

Shoran tomou uma certa distância do mestre e se concentrou um pouco. Com o ófuro do trovão reuniu nuvens negras no céu. Logo depois de invocar o rei do trovão, um raio caiu sobre sua espada, e ele o arremessou na direção de Marck. O raio foi na direção do mestre em forma de uma cabeça de tigre com longos dentes.

Marck logo ergueu um escudo para parar o ataque, mas para surpresa dos dois, o escudo não foi suficiente e ele foi jogado alguns metros para trás.

Shoran correu até o inglês perguntando se ele estava bem.

Marck (levantando): 'É claro que estou bem, foi apenas um erro de cálculo.'

Shoran: 'Sei, sei...'

Marck (voltando para o dojo): 'Vamos fazer algo mais útil agora.'

Os dois retornaram para o dojo e voltaram com treinamento físico comum das manhãs.


Shoran estava atirado no chão do dojo, suado e ofegante. Estava quente, e o sol estava a pico. Fazia tempo que ele não cansava daquele jeito.

Marck (saindo do dojo): 'Pausa extremamente importante para o almoço: temos lasanha hoje.'

Shoran (se sentando): 'Espera um pouco, Marck!'

Marck: 'Que?'

Shoran: 'Você não vai mesmo contar o que houve hoje de manhã?'

Marck olhou para fora do dojo como se confirmasse de que não havia ninguém por perto, e se sentou a frente de Shoran.

Marck: 'O resto da Elite quer que eu me separe de Meiling.'

Shoran: 'Poxa! Até eles já sabem! Vocês são uns descarados mesmo.'

Marck: 'Não é isso... Eles sempre sabem de tudo mesmo. Vou fazer o que eles pediram por que eles disseram que vão dar um jeito na parada da fita. Não sei o que eles pretendem, mas ainda bem que vão fazer algo, se não perco meu emprego.'

Shoran: 'Emprego? Minha mãe paga você, é?'

Marck (se levantando): 'Mas é óbvio. Ou você acha que alguém faz algo de graça nesse mundo?'

Shoran (o seguindo): 'E quanto você ganha?'

Marck (saindo do dojo): 'E te interessa?'

Shoran: 'Na verdade, sim.'

Marck: 'Vai ficar na curiosidade então.'

Shoran (indo até a mansão): 'Mas o que você faz com o dinheiro?'

Marck: 'Uma parte fica pra mim, outra vai pra elite. Aquele bando de inúteis vivem praticamente as custas da família Mcguarie. Eu e meu irmão somos uns dos poucos que tem uma renda fixa.'

Shoran: 'E quando você vai me levar pra conhecer a elite?'

Marck (rindo): 'Ninguém é levado pra conhecer a Elite, o besta... É um lugar secreto, ninguém faz visitas. Temos alguns casos especiais, mas isso não inclui você.

Shoran: 'Por quê?'

Marck (subindo a escada): 'É só pensar um pouco... Se você aparece por lá e se encontrar com a Koriny, é capaz de você se achar o bonzão e pular no pescoço da mulher e acabar sem o seu.'

Shoran: 'Mas hoje de manhã eu quebrei teu escudo com um ataque que nem era tão forte assim. Você é o décimo, ela é a décima segunda, segundo a lógica, também conseguiria acertar o golpe nela. E com mais facilidade.'

Marck: 'Não é bem assim. Se e quisesse ter parado aquele raiozinho eu parava. A espada nova deixou o poder mais forte realmente e eu não esperava, então nem fiz um escudo descente.'

Shoran (virando a direita em um corredor): 'Sei, sei... Agora você acha desculpa!'

Marck (virando a esquerda): 'Ah, não enche!'

Assim os dois se separaram e entraram nos respectivos quartos para trocarem de roupa. Shoran aproveitou para tomar um banho e dar uma organizada nas coisas para a chegada tão esperada de Sakura.


O almoço seguiu normalmente, o problema foram as horas seguintes. O vôo de Sakura tinha chegada prevista para as duas horas da tarde. Shoran escovou os dentes, passou um perfume e pôs-se a esperar desde o termino do almoço. Dentro de uma hora iria sair com Wei e Meiling para o aeroporto.

Ficou sentado no sofá do hall de entrada, de frente para um velho relógio europeu. O pêndulo parecia deixar os segundos ainda mais lentos, e cada minuto parecia uma eternidade.

Meiling: 'Estava te procurando, Shoran!'

Shoran: 'Pois achou.'

Meiling: 'Vai ficar parado aí até sairmos?'

Shoran: 'Me sugere algo melhor pra fazer?'

Meiling: 'Sei lá... Se distraia que o tempo passa mais rápido.'

Shoran: 'Não consigo me distrair sabendo que falta uma hora e quinze minutos para ver Sakura depois de quatro anos! Sabe o que é isso? São trinta e cinco mil e quarenta horas!'

Meiling (espantada): 'Poxa... Calculou isso agora?'

Shoran (não entendendo): 'Sim... Por quê?'

Meiling (tristonha): 'Queria que minha matemática fosse boa assim...'

Shoran: 'Não se preocupa, Meiling... Você vai aprender tudo direitinho cedo ou tarde. Prometo te ajudar no que puder.'

Meiling: 'Será que Sakura também não sabe matemática?'

Shoran (sorrindo): 'Ela nunca gostou dessa área... Sempre tão desatenta!'

Meiling (lembrando): 'É... Será que continua assim?'

Shoran: 'Provavelmente!'

Meiling: 'Bom... Vou terminar de me arrumar! Saia da frente desse relógio antes que entre em desespero.'

Shoran (levantando): 'Está bem...'

Shoran passou a perambular pela casa, observando o relógio de pulso. Depois de entrar em praticamente todos os cômodos da casa, ouviu Meiling chamar seu nome e correu para a garagem rapidamente.

Os três seguiram até o aeroporto que ficava um pouco afastado, chagando lá dez minutos antes do pouso do avião. Os três ficaram reunidos na frente do portão de desembarque, observando todos que entravam no salão pelas paredes de vidro.

Alguns minutos depois foi anunciada a chegada de um vôo vindo de Tókio, e logo seu coração começou a bater mais forte. Observou atentamente as dezenas de pessoas que iam em direção as esteiras de bagagem uma a uma. Até que, logo no fim da multidão surgiu um rosto conhecido.

Meiling (abanando): 'É a Sakura!'

Shoran apenas sentiu sua face ruborizar ao ver que bela mulher era Sakura agora. Estava usando uma blusa justa pólo branca com detalhes em verde, que revelava o contorno dos seios e um pouco da barriga. Uma calça jeans azul clara logo abaixo dos joelhos e uma sandália rasteira preta amarrada por várias tiras. Também tinha bolsa azul com detalhes em branco e verde a tiracolo. Percebeu quando ela olhou na direção dele e abanou de volta para Meiling, sem deixar de encará-lo nos olhos antes de seguir até a esteira das bagagens.


Sakura sentiu a face ficar quente, e as mãos tremerem. Tentou ficar calma e seguir até a esteira sem ficar olhando muito. Baixou a cabeça e olhou para Kero que estava no seu colo, fingindo ser um boneco.

Kero (baixinho): 'Você está legal, Sakura?'

Sakura (concordando com a cabeça): 'Uh-hum.'

Sakura parou perto das esteiras de costas para o portão propositalmente. Ela sabia que ele estava olhando diretamente pra ela, mas agora ela não poderia correr até lá e abraçá-lo. Se conteve pensando que teria dois meses inteiros pra fazer isso. Enquanto as suas malas não apareciam, começou a lembrar dos detalhes da pequena olhada que ela tinha dado em Shoran.

Definitivamente ele estava mais alto e mais forte, o que ela já esperava. Seu rosto tinha traços mais adultos agora, o que o deixava ainda mais atraente. Seus cabelos continuavam rebeldes, assim como seus olhos permaneciam escuros e profundos.

Acordou de alguns pensamentos impróprios ao ver sua mala vermelha chamativa chegando pela esteira. Era bastante grande, mas possuía rodinhas. Colocou Kero no ombro e a levantou com algum esforço. Puxou a alça e finalmente se voltou em direção da saída. Respirou fundo e começou a caminhar acompanhada por um par de olhos castanhos e pulinhos da amiga chinesa.

Chegando perto do portão, Sakura deu uma corridinha, largou a mala e abraçou Meiling com força. Depois de cumprimentar Meiling e deixar Kero sob os cuidados dela, Sakura levantou os olhos para Shoran, que imediatamente a abraçou como se nunca tivesse o feito na vida.

Ela sentiu o cheiro gostoso vindo de Shoran, o que a fez se sentir ainda mais aconchegada entre os braços fortes dele. Não pode evitar que as lágrimas escorressem por seus olhos, e logo ele percebeu, afagando-lhe os cabelos.

Shoran: 'Pronto... Já estamos aqui... Não chora... Ta tudo bem agora..'

Sakura (soluçando): 'Mas é por isso que eu to chorando...'

Shoran: 'Pois trate de sorrir que combina muito mais com você...'

Sakura finalmente se afastou dele enxugando as lágrimas. Agora ela partiria para a mansão Li, onde com certeza passaria os melhores dois meses de toda sua vida.


N/A: Olááá! Ceninhas mias românticas daqui pra frente. Se bem que nem tanto... Ah, sei lá... Nem eu sei direito que rumo vou dar pra essa história XDDD

Mas o importante é que eu vou terminar ela de um jeito legal...

Parando de falar do final da história que está um pouco distante, eu queria agradecer a todo mundo que está acompanhando a história! Brigadaaaaaa! o/

Curtiram o casinho Meiling-Marck? Acham que ele vai obedecer as ordens da elite e terminar com ela? Ele sempre foi meio rebelde né... Vamos ver o que acontece'

Bom.. É isso!

Brigada a Stella! o/

Beijos!